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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.03.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

E se para inaugurar esta rubrica escolhemos a lendária Mega Drive, principal sucesso de vendas da Sega durante a década de 90, nada mais justo do que apresentar, nesta segunda edição, o líder de vendas da rival Nintendo – o não menos lendário Game Boy.

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Lançado em 1989 pela Nintendo, e chegando a Portugal alguns anos depois, em inícios da década de 90, o principal argumento do Game Boy para se estabelecer no mercado dos videojogos – então a atravessar uma segunda fase de crescimento, após a quebra de 1983 – era precisamente a sua portabilidade, que supria algumas (bastantes) deficiências técnicas do equipamento em relação à concorrência. Até então, o conceito de ‘jogo eletrónico portátil’ resumia-se, basicamente, aos jogos LCD da Tiger Electronics, e aos famosos ‘Brick Games’, aquelas maquinetas que redefiniam o que se podia criar com uns quantos pixels em forma de quadrado (e das quais falaremos paulatinamente nesta mesma rubrica); assim, não é de todo de estranhar que a possibilidade de desfrutar de um videojogo ‘a sério’ em qualquer lugar e a qualquer momento – sem ter de estar preso a uma televisão, um comando e a respetiva infinidade de cabos – tenha cativado os fãs de videojogos a ponto de os incitar a tornar uma máquina de 8 bits com ecrã monocromático num sucesso de vendas, em plena era dos 16 bits e dos gráficos fluidos e hiper-coloridos.

De facto, o Game Boy foi, durante quase toda a sua década de existência, rei e senhor do mercado de consolas portáteis um pouco por todo o Mundo. E se, em locais como a Inglaterra e os Estados Unidos, a Sega e a sua Game Gear ainda deram luta, em Portugal, esse conflito nunca sequer chegou a ser renhido – quem tinha uma consola portátil, tinha um Game Boy; o resto eram um ou outro ‘hipster, ou o habitual colega com pais menos conhecedores do mercado. O preço e acessibilidade dos jogos do Game Boy relativamente ao da Game Gear ou do ‘elefante branco’ Atari Lynx também ajudava a cimentar a posição da consola da Nintendo como líder de mercado, sendo que não eram todas as lojas que vendiam jogos de Game Gear, e praticamente nenhumas de Atari Lynx – e quando vendiam, era a preços proibitivos. Já o Game Boy marcava presença em todas as grandes superfícies e lojas de brinquedos, sendo os seus jogos comercializados a preços normais para a época.

E que jogos! Tal como a Mega Drive (e, mais tarde, a PlayStation, da Sony, da qual também falaremos em breve) a máquina apresentava grandes argumentos a seu favor logo desde o lançamento, sendo que se a Mega Drive tinha Sonic, Columns e Hang-On, o Game Boy tinha nada mais nada menos do que Tetris, cuja versão para a portátil da Nintendo foi um autêntico fenómeno - até por o jogo vir incluído com as primeiras edições da máquina.

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A caixa original do Game Boy, com oferta do jogo Tetris

Este auspicioso início - que era, ainda, auxiliado por outro título de lançamento forte, Super Mario Land - rapidamente se viria a expandir e transformar numa ‘biblioteca’ de jogos de respeito, que incluía representantes de altíssimo nível para todos os principais ‘franchises’ da Nintendo à época. Foi no Game Boy, por exemplo, que saíram Link’s Awakening, um dos títulos favoritos dos fãs da série Zelda, Super Mario Land 2, um dos jogos mais injustamente ignorados do ‘franchise’ Super Mario, ou a trilogia Donkey Kong Land, que mais tarde seria expandida com outros três jogos históricos, já em 16 bits. Isto sem falar, é claro, no novo e estrondosamente bem sucedido ‘franchise’ lançado pela Nintendo a partir de finais da década de 90, e cujos dois jogos iniciais foram lançados precisamente para o Game Boy original, acabando por lhe prolongar o ciclo de vida, que estava já em fase decadente. Falamos, como é óbvio, de Pokémon Red and Blue, os dois títulos ‘gémeos’ lançados em 1998 e que deram início a toda uma febre, a qual também será, obviamente, abordada neste nosso blog.

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Mesmo o sucesso de Pokémon, no entanto, não foi o suficiente para evitar a eventual ‘morte’ do Game Boy original – como também não o foi o lançamento de um modelo mais pequeno (denominado Game Boy Micro) nem de uma série limitada e exclusiva do modelo original em diferentes cores, incluindo uma estilosa variante transparente (de referir que hoje em dia, estas variantes coloridas valem bom dinheiro – atenção colecionadores e especuladores!)

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A edição limitada colorida do Game Boy original, aqui na variante verde

A verdade é que a própria Nintendo já tinha as atenções voltadas para o seu próximo projeto a nível das consolas portáteis – uma máquina, talvez, menos inovadora no seu setor do que o Game Boy original, mas que mesmo assim conseguiu repetir o sucesso do seu antecessor, com o qual era também compatível. O seu nome? Game Boy Color…

Desse, no entanto, falaremos noutra altura. Para já, é a vossa vez de se manifestarem – tinham Game Boy? Quais os vossos jogos preferidos? Que memória guardam deles? Escrevam-nos e partilhem a nostalgia!

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