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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

23.03.21

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Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

E começamos, desde logo, por destacar um dos principais ‘dispensadores’ de desenhos animados daquele tempo, o mítico e saudoso Buereré. Antes do Batatoon (o outro grande ‘dispensador de cartoons’), era para este programa, emitido todos os dias, que a maioria das crianças sintonizava as suas televisões quando queria ver as suas séries infanto-juvenis preferidas, com especial destaque para um dos mais populares ‘franchises’ da década em Portugal, e que à época perdia apenas para o Dragon Ball Z nesse aspeto. Falamos, é claro, dos Power Rangers, talvez a maior ‘estrela’ do Buereré, logo a seguir à apresentadora e respetivos companheiros representados por homens e mulheres dentro de fatos de animais.

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A apresentadora Ana Malhoa com dois dos 'bonecos' do programa, o Boi-Ré-Ré e o macaco Hadrianno

Mas comecemos pelo início. Transmitido em Portugal a partir de 1994, o Buereré era, como tantos outros programas exibidos em Portugal até aos dias de hoje, uma adaptação de um formato de sucesso comprovado no estrangeiro. No caso, o programa tentava emular o lendário Xou da Xuxa, sucesso absoluto entre as crianças brasileiras na década de 80 e 90 por misturar, em doses certas, música, jogos e passatempos e, claro, desenhos animados. Seria esta mesma receita que Ediberto Lima viria a importar para Portugal do seu país natal, cabendo à cantora popular Ana Malhoa, então com apenas 15 anos, servir como uma espécie de Xuxa ‘à portuguesa’ – isto é, baixinha e morena em vez de alta e loira como a sua congénere brasileira. E se o Xou da Xuxa tinha em ‘Ilariê’ o seu tema-estandarte, a versão portuguesa de Ana Malhoa apresentava não um, mas dois substitutos à altura, os não menos memoráveis ‘Começou no A’ e ‘Canção do Hadrianno’.

                 

                 

Nem sequer finjam que não estão a cantar...

Brincadeiras à parte, a verdade é que Ana, como Xuxa, tinha o condão de agradar tanto ao público-alvo como a espectadores mais velhos, e o seu estilo dinâmico de apresentar, em conjunção com as populares personagens coadjuvantes, como o casal Boi-Ré-Ré e Vaca-Ré-Ré, o crocodilo Croko, a abelha Melzinho ou o Macaco Hadrianno (este último importado do também lendário Big Show SIC, uma espécie de ‘Buereré para adultos’) foi em grande parte responsável pelo sucesso e longevidade do programa, que se manteria no ar, no formato de auditório, até 1998 – uma eternidade no que respeita a programas infantis. Na verdade, o programa era tão popular que, em 1995, foi criada uma segunda versão, de mais longa duração, para ser transmitida aos fins de semana, adequadamente batizada de ‘Super Buereré’. Escusado será dizer que o programa tinha também a sua propria linha de ‘merchandising’, na qual se incluíam cadernos escolares, puzzles, livros e discos, entre outros objetos populares entre o público-alvo.

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Exemplo de um produto licenciado do Buereré 

Escusado será também dizer que, mesmo com os seus muitos atrativos, um programa nos moldes do Buereré não gozaria de tão elevada popularidade sem uma boa selecção de séries e desenhos animados; felizmente, também aqui, a SIC não comprometia, assegurando os direitos de transmissão das primeiras séries de Power Rangers, e assegurando assim uma audiência fiel, que podia também deleitar-se com as curtas de Tom e Jerry, entre outros bons representantes do género.

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Para um puto de 10 anos, esta imagem era o equivalente a uma foto de um carro topo de gama para um adulto. Só que os carros topo de gama não dão murros em monstros do espaço gigantes.

No fundo, a receita para o sucesso do Buereré era simples – o programa dava às crianças o que elas queriam, misturando populares séries infantis com jogos, passatempos e música totalmente adequados ao seu público-alvo, e moderados por uma anfitriã pouco mais velha do que os próprios espectadores. E, como a longevidade e popularidade do programa veio a provar, não era preciso mais do que isso para cativar a miudagem (quem nunca tiver cantado nenhuma das músicas acima no recreio da escola, fosse a sério ou jocosamente, que se acuse…)

A partir de 1998, o Buereré sofreria uma mudança de formato, passando a ser apenas um bloco de desenhos animados e séries infantis, sem o formato de auditório circundante. Esta medida, que pode ter parecido sábia à Ediberto Lima Produções á altura, viria no entanto a provar-se muito pouco frutífera,  pois embora o Buereré permanecesse no ar mais quatro anos – totalizando uns espantosos oito de transmissão, no total – seria nesse mesmo ano que o seu maior rival se ergueria, na estação rival da SIC, com um formato de auditório, e pronto a usurpar o lugar que havia até então pertencido à jovem dos calções curtos e seus amigos antropomórficos.

Desse programa, no entanto, falaremos em outro post; por agora, e como sempre, deixamo-vos o protagonismo. Digam, pois, de vossa justiça - o que achavam do Buereré? Quais as vossas melhores memórias do programa? Partilhem-nas connosco, e quando estiverem a escrever, não se esqueçam: ‘o U depois do O, faz o AEIOU!’

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