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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Julho de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As séries animadas têm, tradicionalmente, sido um dos principais 'ramos' da 'árvore de divulgação' de qualquer franquia dirigida a crianças e jovens. O mundo dos super-heróis não é, de todo, excepção a esta regra (antes pelo contrário) pelo que, numa altura em que o género volta a estar na ribalta graças às estreias de 'Super-Homem' e 'Quarteto Fantástico', faz sentido recordar os vários exemplos de programas do género estreados em Portugal durante os últimos anos do século passado. E se os desenhos animados da DC, icónicos para o público norte-americano, ficavam 'grosso modo' ausentes da programação nacional (excepção feita a 'Batman – A Série Animada', de que já aqui falámos numa ocasião anterior) já os da Marvel viriam a encontrar o seu espaço na grelha televisiva da SIC, em diferentes pontos durante a segunda metade dos anos 90 – ainda que algumas se tenham afirmado como bastante mais memoráveis que outras.

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Destas, a mais frequentemente lembrada (tanto pela escrita madura e inteligente como pelo seu icónico tema de abertura e fecho) será 'X-Men', produzida em 1992 e transmitida, com dobragem portuguesa, no icónico 'Buereré' em meados da década. Baseada na fase então contemporânea da equipa de mutantes liderada pelo Prof. Xavier, a série tomava, ainda assim, bastantes liberdades por comparação com o material original, apresentando novas histórias e até um personagem inédito, Morph, que participaria de um único episódio antes de ser morto em combate. Mesmo com estas diferenças, no entanto, a série não deixou de agradar aos fãs dos mutantes da Marvel, tendo o seu continuado sucesso no seu país natal levado mesmo à produção, já na década de 2020, de uma sequela, 'X-Men '97', actualmente disponível na Disney+.

O icónico genérico da série.

Apesar de servirem como 'porta-estandarte' das séries de animação da Marvel, no entanto, os X-Men estavam longe de ser os únicos personagens da editora convertidos a um formato televisivo. O não menos icónico Homem-Aranha também teria direito a série própria – que trazia outro excelente tema de genérico e que, mesmo suplantada por exemplos posteriores, não deixa ainda assim de ser lembrada com carinho pelos fãs - e o mesmo se passaria também com o Homem de Ferro e o Quarteto Fantástico, embora qualquer destas séries tivesse tido uma passagem pelas Tvs nacionais bem mais discreta que a de Peter Parker ou da equipa mutante.

A série do 'aranhiço' tinha também uma introdução memorável.

Em comum, estes programas tinham a animação limitada, típica de produções da altura (mas ainda assim funcional para o efeito pretendido) e o grafismo e desenho dos personagens, que se saldava numa versão mais simplificada e algo mais infantil do típico estilo Marvel. O resultado era uma série de 'pratos cheios' para fãs dos super-heróis em questão, os quais, mesmo não chegando ao apuro técnico e de narrativa das séries da 'concorrente' DC, se perfilavam ainda assim como opções acima da média naquela que terá sido uma das melhores épocas de sempre para a animação televisiva, e faziam por merecer a reputação de que continuam a usufruir entre quem foi jovem naquele tempo, em Portugal e não só.

12.03.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 11 de Março de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

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Na última edição desta rubrica, falámos dos primórdios de uma franquia de videojogos que, introduzida ainda nos últimos meses do século XX, viria a dominar por completo a primeira década do seguinte; nada melhor, portanto, do que dedicarmos a semana seguinte a explorar outra série iniciada em circunstâncias quase idênticas, e cujos resultados foram muito semelhantes.

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E dizemos 'quase' porque, ao contrário de 'Super Smash Bros.', a génese de 'Marvel Vs. Capcom' está, não no primeiro jogo (lançado para Dreamcast a 24 de Novembro de 1999, e para PlayStation dois meses depois, no último dia do primeiro mês do novo século e Milénio). De facto, para encontrar verdadeiramente as origens desta bem-sucedida franquia, é preciso recuar três anos, até ao lançamento inicial (para Sega Saturn) de 'X-Men: Children of the Atom', a primeira tentativa da Capcom de criar um 'beat-'em-up' tematizado em torno dos mutantes da Marvel, e que trazia já muitas das características dos jogos posteriores, como a jogabilidade rápida e ligeiramente caótica – mais parecida à dos jogos de luta da SNK que aos da Capcom – e os gráficos detalhados, quase como uma banda desenhada ou desenho animado 'em movimento'.

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Tais características granjearam ao jogo algum sucesso, sobretudo após o lançamento para PC e PlayStation, e deram azo à criação de uma sequela, que expandia o conceito do título inicial para uma situação de 'crossover' com a mais popular franquia da Capcom, sob o título 'X-Men vs Street Fighter'. Lançado na Europa exclusivamente para PlayStation (a versão para Saturn ficou confinada ao Japão) esta conversão do jogo de arcada homónimo dava ao jogador, como o próprio título indicava, a possibilidade de escolher não só de entre os mutantes, como também de entre os lutadores do 'pioneiro' dos jogos de luta um-para-um, cada um dos quais com o seu estilo de luta diferenciado e característico. Mais ainda do que em 'Children of the Atom', era aqui que ficava verdadeiramente cimentada a fórmula que, mais tarde, informaria a saga 'Marvel Vs. Capcom'.

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Antes de lá chegarmos, no entanto, ainda uma última 'paragem', para analisar 'Marvel Super Heroes Vs. Street Fighter' – outro exclusivo para PlayStation, lançado quase exactamente seis meses antes de 'Marvel Vs. Capcom' e que é, efectivamente, o mesmo jogo, apenas com um âmbito mais restrito - nomeadamente do lado da Capcom, em que ainda só é possível escolher personagens de 'Street Fighter', enquanto que a 'equipa' Marvel se vê expandida com a presença de heróis tão icónicos como o Homem-Aranha ou o Incrível Hulk, que se tornariam favoritos de muitos jogadores nos lançamentos subsequentes.

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As características que tornariam os títulos posteriores em mega-sucessos, essas, já estavam todas lá, podendo este jogo ser considerado como uma espécie de 'tubo de ensaio' para o que se seguiria, em Novembro do mesmo ano, e durante a década subsequente, com cada nova geração de consolas a receber a sua própria versão do título em causa, que se contaria entre os mais falados (e jogados) do quarto de século seguinte, mantendo-se ainda no mercado 'em força' até aos dias de hoje – razão mais que suficiente para dedicarmos as linhas anteriores a celebrar as suas origens.

18.03.21

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A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Neste post inaugural, traçaremos o percurso da mais bem-sucedida tentativa de publicar comics americanos em terras lusas – as icónicas séries da Marvel e DC publicadas pela Editora Abril Controljornal em meados da década de 90.

Embora atravessassem, à época, mais um dos seus frequentes períodos áureos, as BDs de super-heróis não eram algo com tradição em Portugal. A maioria dos títulos disponíveis chegava às bancas diretamente do Brasil – mesma origem de outras ‘revistinhas’ icónicas, como as da Turma da Mônica – e apesar das tentativas regulares, por parte de diferentes editoras, de criar publicações deste tipo 100% nacionais, nunca nenhuma conseguiu o nível de sucesso de que gozavam as suas congéneres importadas.

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Uma das muitas revistas de super-heróis importadas do Brasil à época

Esta situação viria a alterar-se por volta do ano de 1995, quando a Abril Controljornal (antes Abril Morumbi) decide mais uma vez arriscar na criação de revistas de BD de super-heróis 100% nacionais. Seguindo a máxima que diz que ‘em equipa que ganha não se mexe’, a editora optou, sensatamente, por não arriscar demasiado no formato ou conteúdo destes novos comics, mantendo o mesmo formato pequeno das edições sul-americanas (o chamado ‘formatinho’) e limitando-se a ‘aportuguesar’ os textos para eliminar os ‘brasileirismos’. Esta táctica, que permitia reduzir o custo das revistas de modo a que fossem acessíveis a bolsos mais jovens, rapidamente começou a surtir efeito, com as BDs portuguesas a ‘expulsarem’ as brasileiras das bancas quase por completo, iniciando um período de aproximadamente três anos de hegemonia da Abril no mercado dos super-heróis.

Durante estes anos (sensivelmente de 1995 até 1998) a editora investiu numa selecção dos mais populares títulos americanos, publicando indiscriminadamente as principais propriedades da Marvel (Homem-Aranha, X-Men e Wolverine) e da DC (Super-Homem, Batman e Liga da Justiça.)  A receção extremamente positiva que estes títulos receberam permitiu, até, que a Abril expandisse o seu raio de ação a publicações de cariz temático ou especial - como ‘Origens dos Super-Heróis Marvel’, que republicava histórias da chamada silver age - ou a séries menos conhecidas ou populares, como o universo 2099 da Marvel ou o impagável Superboy, da DC. Foi, até, criada uma revista totalmente dedicada a este tipo de lançamentos, a criativamente intitulada 'Heróis' - uma espécie de parente (muito) pobre da referência norte-americana (e brasileira) Wizard, de conteúdo muito mais básico e virado a um público muito mais jovem. Ainda assim, o título conseguiu algum sucesso enquanto durou, sobretudo devido ao preço 'simpático' para os bolsos do público-alvo.

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Número inaugural da revista 'Heróis'

As razões para este sucesso são fáceis de explicar – apesar de algumas falhas (como a permanência de formas gramaticais ‘abrasileiradas’ em quase todos os números de quase todas as revistas), a Abril teve a sorte de conseguir material da última grande fase dos comics americanos à época. Da Marvel foram publicadas, por exemplo, as sagas Venom e Carnage do Homem-Aranha e a fase original da X-Force; da DC, surgiram, entre outras, a ‘storyline’ em que Bruce Wayne é paralisado por Bane e substituído por um Batman mais jovem e futurista, e a mítica e icónica saga da morte (e retorno) do Super-Homem. Mesmo com as supramencionadas falhas – na tradução e não só – este material era suficientemente forte para atrair o público-alvo, gerando vendas consistentemente altas para a editora durante os primeiros dois anos de publicação das revistas.

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Dois dos especiais da saga 'A Morte e o Regresso do Super-Homem'

O ano de 1998 não foi, no entanto, tão prolífico para a editora, que viu o interesse nos seus comics diminuir consideravelmente – e, com ele, as vendas. Assim, ainda nesse mesmo ano, aquele que havia sido o argonauta dos ‘quadradinhos’ de super-heróis portugueses suspendia a publicação de todas as suas revistas, voltando a deixar os fanboys lusitanos à mercê de importações americanas proibitivamente caras e difíceis de encontrar, ou na melhor das hipóteses, números antigos comprados a alfarrabistas. Voltavam os ‘anos negros’…

Demoraria apenas um ano, no entanto, até esta situação se voltar a alterar, e os heróis americanos (embora apenas os da Marvel) voltarem às bancas portuguesas - desta vez pela mão de uma editora com muito melhor reputação entre os geeks, e cujo trabalho foi, objetivamente, muito melhor e mais cuidado que o da Abril - e gerarem uma nova vaga de interesse nos comics americanos em Portugal. Mas dessa falaremos noutra ocasião – até porque a verdade é que, mesmo com todos os seus defeitos, as revistas aos quadradinhos da Marvel e DC publicadas pela Abril marcaram uma época, e constituíram o primeiro contacto de muitos futuros fanboys com os icónicos heróis e vilões da BD norte-americana. E vocês? Contavam-se entre este número? Se sim, qual o vosso herói favorito? (Daqui, sempre foi e sempre será o inimitável Homem-Aranha.) Digam de vossa justiça nos comentários!

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