Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

10.03.23

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

De entre todos os géneros de cinema, a comédia foi – a par dos filmes de acção – aquele que mais 'nomes sonantes' teve durante a década de 90, tendo actores como Jim Carrey, Robin Williams, Eddie Murphy e Will Smith - entre muitos outros - feito as delícias dos jovens daquele tempo, e deixado para a posteridade uma filmografia repleta de obras memoráveis para qualquer 'puto' de finais do século XX.

Nem só os 'rapazes' tinham direito a brilhar, no entanto, e a década a que este blog diz respeito revelou, também, uma congénere feminina para os nomes anteriormente citados, na pessoa de Whoopi Goldberg. Com o seu icónico e inconfundível visual, voz rouca, e capacidade de ser tão expressiva e exagerada como Carrey e tão emocionalmente sincera como Williams, a actriz afro-americana viveu um autêntico estado de graça em finais dos anos 80 e inícios dos 90, em que o seu nome num cartaz era suficiente para suscitar interesse num filme; e ainda que nem todas as escolhas de Goldberg tenham sido as mais acertadas (longe disso), dois dos seus filmes pareceram expressamente escritos com a actriz em mente, e são hoje universalmente aclamados como 'tesouros' nostálgicos.

scale.jpg

download.jpg

Falamos da duologia 'Do Cabaré Para o Convento' (no original, 'Sister Act'), cujo primeiro filme celebrou recentemente o trigésimo aniversário da sua estreia em Portugal, a 28 de Janeiro de 1993. E porque, nessa semana, preferimos falar dos filmes de James Bond, rectificamos agora o nosso lapso, debruçando-nos não só sobre esse trabalho, como também sobre a sua sequela, potencialmente ainda mais reconhecida e bem-amada pela geração noventista.

Ambos os filmes vêem Whoopi encarnar a mesma personagem, uma cantora de cabaré que, devido a peripécias várias, se vê obrigada a fazer-se passar por freira, sob o nome de Irmã Mary Clarence. Escusado será dizer que a vida espartana de um convento pouco ou nada combina com a extrovertida Dolores (o nome verdadeiro da personagem) que – no primeiro filme - rapidamente tenta 'animar' um pouco as hostes através de mudanças no repertório do coro. Como não podia deixar de ser, estas mudanças são veementemente recusadas pela Madre Superiora e restantes responsáveis do convento, mas (também previsivelmente) Dolores acaba por fazer valer a sua vontade e ganhar a confiança de todas as residentes do convento.

Já a sequela vê as Irmãs tornarem-se professora numa escola de bairro social, plena de alunos difíceis (entre os quais uma jovem Lauryn Hill, mais tarde membro dos lendários Fugees), que Dolores deverá tentar conquistar através da música e do canto, numa espécie de versão comédica de filmes como “Mentes Perigosas” e “Escritores da Liberdade” - ambos, curiosamente, posteriores à obra de Whoopi! E se o original rendera alguns bons momentos sem, no entanto, se destacar particularmente em nenhum aspecto, este segundo filme traz uma cena final absolutamente icónica, em que a turma de Dolores/Mary Clarence participa numa competição de coros, e tem um desempenho por demais memorável. Só por isso, a sequela já supera o original; no entanto, este não é o seu único argumento, sendo que a 'parte 2' conta, também, com melhor argumento e uma série de bons desempenhos por parte dos jovens actores que interpretam os alunos, com óbvio destaque para Hill no papel de Rita, uma jovem cujos pais não aprovam o sonho de uma carreira musical.

Em suma, sem serem tão icónicos, histórica e culturalmente relevantes ou até memoráveis como alguns dos outros filmes de que vimos falando nesta rubrica, os dois 'Do Cabaré Para o Convento' não deixam, ainda assim, de constituir escolhas perfeitamente válidas para uma 'sessão dupla' de cinema em casa ao fim-de-semana, continuando a 'aguentar-se' tão bem no mundo do celulóide actual como no de há trinta anos atrás; e ainda que Whoopi Goldberg tenha, no entrementes, perdido muita da preponderância que então tinha em Hollywood, o seu legado mantém-se ainda assim vivo, em grande parte devido a estes dois filmes, que continuam a atrair gerações de novos fãs de todas as idades até aos dias de hoje.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub