Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.01.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Com a excepção de algumas séries e programas de comédia, o objectivo declarado de qualquer empreitada criativa passa por ser levado a sério. No entanto, ainda que se possa dizer que essa seja a norma, existem, ainda assim, exemplos de filmes, séries de televisão, obras literárias, videojogos e até mesmo discos que, não se inserindo no contexto da paródia ou sátira, acabam ainda assim por ser mais conhecidos como alvo da mesma do que como criações com mérito próprio. Na televisão portuguesa, um dos mais famosos exemplos desse paradigma é (ou foi) uma série estreada há exactos trinta e cinco anos, que se pretendia totalmente séria e até historicamente relevante, mas cuja fama (ou infâmia) surgiria mais de uma década e meia depois, como resultado de um 'sketch' humorístico.

MV5BMmJkZmI5MDYtMjU5OS00Njg5LTk4NjAtMzE5NTBiMzc2Zj

Falamos de 'Alentejo Sem Lei', a hoje mítica mini-série em três episódios transmitida pela RTP entre 05 e 07 de Janeiro de 1991, e para a qual a melhor descrição talvez seja mesmo a de José Diogo Quintela, que lhe chamou 'western-açorda' – ou seja, uma versão 'à portuguesa' dos famosos 'western-spaghetti' produzidos em Itália nos anos 60 e 70, por realizadores como Sergio Leone. De facto, tanto o título como a ambientação (nas planícies alentejanas, o equivalente nacional aos planaltos do Velho Oeste, e no rescaldo da Guerra Civil de 1834, a versão lusitana para a famosa Guerra da Secessão norte-americana), as indumentárias dos personagens (com capotes, camisas brancas, lenços e chapéus de abas) e até o enredo parecem sugerir a vontade de fazer uma história de 'cowboys' à portuguesa; no entanto, e apesar do elenco recheado de grandes nomes da TV lusitana da época (de Rita Blanco e Canto e Castro a António Feio, Guilherme Leite, Rogério Samora, Vítor Norte – a 'milhas' do afável marceneiro André de 'Rua Sésamo', que ainda interpretava à época - Maria Vieira ou mesmo Herman José, num raro papel mais sério) e da banda sonora assinada pelo actual candidato presidencial Manuel João Vieira (dos icónicos Ena Pá 2000) em modo 'Enio Morrico-mpadre', os parcos meios técnicos e direcção de actores fazem com que o resultado final se assemelhe mais a uma 'coboiada'.

Chegamos assim, inevitavelmente, à razão para os 'quinze minutos de fama' de 'Alentejo Sem Lei' entre a maioria dos portugueses na casa dos trinta a quarenta anos, e à qual temos vindo a aludir ao longo deste texto: o 'sketch' dos lendários 'Gato Fedorento' que conferia à série o estatuto de 'Tesourinho Deprimente', e que a terá posto no 'radar' de muito boa gente, a quem a transmissão do próprio material de base talvez tenha passado despercebido. E a verdade é que, apesar da admirável ambição do realizador João Canijo, 'Alentejo Sem Lei' se presta mesmo a esse tipo de crítica, dadas as suas inúmeras falhas a nível técnico (inexplicáveis e inadmissíveis numa série da própria RTP) e aspirações 'acima do seu posto'.

Ainda assim, e como reza o ditado, 'qualquer publicidade é positiva', e é facto inegável que o trabalho de José Diogo Quintela e seus comparsas ajudou mesmo a conferir uma 'segunda vida' a uma série que, de outro modo, talvez tivesse sido Esquecida Pela Net, mas que, em vez disso, se encontra em posição de ser homenageada por ocasião do trigésimo-quinto aniversário da sua estreia - um caso que vem dar razão a ainda outros dois ditados da língua Portuguesa, nomeadamente, os que dizem que 'Deus escreve direito por linhas tortas' e que 'mais vale tarde do que nunca'. Para quem, nos entrementes, quiser tirar as suas próprias conclusões a respeito da série, deixamos abaixo o 'link' para um vídeo que edita os três episódios para formar um filme de duas hors e meia – além, claro está, do 'sketch' que garantiria à obra de João Canijo um lugar permanente na cultura 'pop' e de 'memes' portuguesa...

24.08.21

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 23 de Agosto de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Ainda que, hoje em dia, seja acima de tudo um ‘meme’ ambulante (obrigado, Internet) nos anos 90, Chuck Norris era ainda levado (muito) a sério como herói de acção da ‘velha guarda’, à semelhança do seu homónimo Bronson – estatuto esse que permitia à ‘máquina’ de Hollywood construir toda uma série alicerçada, tão-somente, na sua aura de ‘durão’, e fazer dessa série um dos mais memoráveis sucessos da televisão da década.

250px-WalkerTitle.jpg

Falamos, é claro, de ‘Walker, Ranger do Texas’, o quase-western cruzado de aventura série B – ou não fosse uma produção da Cannon, famosa por esse estilo de cinema - que, durante anos a fio, marcou as tardes de fim-de-semana das crianças e jovens portugueses, sobretudo as que acompanhavam a programação da SIC, onde a série era transmitida. De 1993 a 2001, foram oito temporadas (embora nem todas tenham passado em Portugal) coroadas por um filme longa-metragem de 2005, que pôs cobro às aventuras de Cordell Walker e Jimmy Trivette, a dupla de xerifes texanos peritos em combate mano-a-mano (ou não fosse um deles interpretado por Chuck Norris) que perseguem criminosos procurados e protegem inocentes famílias do vilão da semana, ao melhor estilo ‘Esquadrão Classe A’ - sempre bem aconselhados pelo veterano ‘ranger’ C. D. Parker e pela advogada Alex Cahill.

walker13_318.jpg

O pequeno mas carismático elenco da série

A fórmula pouco ou nada mudou em quase dez anos (!) de transmissão, mas também nunca deixou de ter sucesso, justificando mesmo a criação de uma série ‘remake’, agora produzida pela The CW e com Jared Padalecki (o Sam de ‘Sobrenatural’) no papel imortalizado por Norris; e embora o sucesso não tenha sido, nem de longe, semelhante, a verdade é que também esta nova série já foi renovada para uma segunda temporada…

Não haja dúvida, no entanto, que no caso de ‘Walker’, se aplica a famosa máxima da Kellogg’s relativa aos seus Corn Flakes – ‘o original é sempre o melhor’. Por muito ‘azeiteira’ que fosse – e era! – a série original traduzia-se numa excelente mistura de um conceito interessante – um ‘western’ moderno com toques de policial ‘grindhouse’ dos anos 80, e de filme de artes marciais dos 90 – com um herói carismático e bem do agrado do público-alvo. Sendo esta uma fórmula ‘feita’ para ter sucesso nos anos 90, não se afigura de todo surpreendente que tenha sido exactamente esse o caso; já em pleno século XXI, com as mentalidades e valores totalmente alteradas em relação à referida época e uma oferta televisiva e de séries vastamente alargada, um programa algo ‘antiquado’ e ‘de época’ como ‘Walker’ terá mais dificuldades em se impor ou se tornar memorável – ainda que a corrente apetência para a nostalgia possa fazer com que o original continue a ser visto como objecto de culto. Para já, a série de Norris vai passando na RTP Memória, dando aos mais curiosos ou saudosistas a oportunidade de ver se aquela série mítica da sua infância é das que resiste à passagem do tempo, ou se, afinal, a aura 'cool' que a parecia rodear à época não passava de um ‘sintoma’ da infância…

28.07.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Quem, nos anos 90, se dirigia à banca mais próxima em busca de revistas Disney, da Turma da Mônica ou de super-heróis, certamente repararia numa outra revista algo ‘esquecida’ a um canto, mais pequena do que as outras, e que, com o seu algo ultrapassado tema ‘western’ (ou, como se dizia na altura, ‘de cowboys’) e estilo de desenhos algo mais classico, parecia algo deslocada entre as suas congéneres mais modernas, quase como se tivesse sido ‘teleportada’ para ali de uma era completamente diferente.

E a verdade é que esta primeira impressão não andava longe da verdade; a revista em causa era mesmo ‘importada’ de outra era – especificamente, do final dos anos 40 – tendo-se o seu estilo mantido praticamente imutável no meio século subsequente. Sim, em plenos anos 90, estava disponível em Portugal uma revista que não só havia sido publicada ininterruptamente durante mais de quarenta anos, mas que havia conseguido sobreviver todo esse tempo sem ter mudado sequer um elemento da sua fórmula original. E a melhor parte? A dita revista continua a ser publicada até aos dias de hoje, perfazendo quase setenta e cinco anos de publicação ininterrupta – e sempre mantendo o espírito original dos anos 40!

download.jpgO número 1 de Tex

A referida série é, claro, Tex, aquela criação italiana importada do Brasil que ninguém lia, mas todos conheciam, e que aparentemente era popular o suficiente para continuar a ser encomendada por bancas e tabacarias um pouco por todo o nosso país – bem como para justificar uma tentativa de edição em língua portuguesa, já nos anos 90.

E, no entanto, a maioria das crianças daquele tempo terá, certamente, dificuldade em perceber um fenómeno como este, apenas comparável em longevidade ao lendário Archie norte-americano; isto porque [i]Tex[/i], com o seu clima ‘western spaghetti’, passava completamente ao lado das áreas de interesse da demografia que lia ‘quadradinhos’ nos anos 90. De facto, em comum com os personagens infantis mais populares da época, Tex Willer só tinha mesmo o facto de usar sempre a mesma roupa – no caso, um chapéu castanho, camisa amarela e clássicos jeans azuis-escuros.

unnamed.jpg

Um exemplar da revista já dos anos 90

Sendo esse o caso, no entanto, a quem devia o ‘cowboy’ aos quadradinhos o seu considerável sucesso? A resposta, algo inesperada, passava pelo público mais velho. De facto, enquanto que na escola era raro encontrar quem lesse, de quando em vez, lá se via um leitor mais adulto a comprar um número na tabacaria da esquina…

Mesmo com esta ressalva, é difícil imaginar a razão exacta para Tex ter sido importado durante tanto tempo, e mesmo publicado em português ‘de Portugal’; presença perene nas bancas portuguesas, para a maioria das crianças, a revista era, no entanto, não mais do que um pano de fundo para as publicações que verdadeiramente lhes interessavam. Ainda assim, haveria certamente quem lesse; afinal, nenhuma revista se consegue manter nas bancas durante mais de três quartos de século se não tiver quem a compre…

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub