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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Setembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As adaptações localizadas para formatos bem-sucedidos no estrangeiro não são nada de novo, tendo sido uma fórmula adoptada pelos países mais periféricos desde os primórdios dos 'mass media'. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, antes pelo contrário – são inúmeros os exemplos desta prática ao longo dos anos, sobretudo no espectro televisivo, onde os produtos deste tipo se dividem entre adaptações declaradas e o mais literais possíveis, e conceitos simplesmente inspirados por outros criados 'lá por fora'. A série que abordamos neste 'post', e sobre a estreia da qual se assinalaram este mês os exactos vinte e cinco anos, insere-se na primeira categoria, 'copiando' fielmente um formato britânico e aplicando-lhe uma 'demão' de 'verniz nacional', para mais facilmente captar e cativar o seu público-alvo. O resultado é uma série que, apesar de ficar bem aquém do sucesso do original, merece ainda assim ser relembrada por ocasião do seu quarto de século.

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Estreada a 7 de Setembro de 2000, na SIC (à época a principal veiculadora de 'sitcoms' nacionais) 'Cuidado Com As Aparências' é uma adaptação da série do mesmo nome produzida pela BBC em inícios dos anos 90, e cujo título original era 'Keeping Up Appearances'. Londres dá lugar a Lisboa, Hyacinth Bucket torna-se Jacinta Bimbó, mas tanto o conceito (uma mulher de classe baixa com pretensões à 'subida' social) como muitas das situações são transferidas directamente do original britânico – o que não é de estranhar, já que a maioria das mesmas era relativamente universal, sem grande 'carga' social específica do Reino Unido, e, como tal, fácil de adaptar a uma realidade tão diferente (mas também tão semelhante) como era a portuguesa.

A dar a cara e o corpo às 'aportuguesadas' aventuras de Jacinta e da sua família declaradamente e orgulhosamente popular estavam um conjunto de actores bem habituados às lides da comédia, e capazes de fazerem até as situações mais caricatas ressoar junto do público-alvo. Catarina Avelar (que vivia Jacinta), Helena Isabel, Lídia Franco, Margarida Carpinteiro ou Vítor de Sousa eram apenas alguns dos nomes num elenco fixo cujo talento era inversamente proporcional ao seu tamanho, e que era capaz, por si mesmo, de justificar a sintonização da série – como, aliás, sucedia com a maioria dos projectos em que se envolviam.

Infelizmente, conforme mencionado nas linhas iniciais deste texto, a versão portuguesa de 'Cuidado Com As Aparências' não logrou o mesmo sucesso da original, dando origem a apenas duas temporadas (por oposição às cinco da série da BBC) e encontrando-se hoje largamente esquecida pelo público telespectador da época. Ainda assim, a mesma não deixa de ser um exemplo relativamente bem conseguido – e absolutamente típico – de 'sitcom' portuguesa do período em causa, fazendo por merecer ser revisitada por fãs deste tipo de programa, no mês em que se celebram os vinte e cinco anos da sua primeira 'ida ao ar.'

14.01.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

De entre os vários géneros pelos quais a televisão portuguesa ficou conhecida em finais do século passado, a comédia de costumes talvez seja o mais destacado. Fosse em moldes mais brejeiros, em formato de 'sketch' ou no contexto de uma série propriamente dita, eram muitos, e de muita qualidade, os programas de índole cómica a captar a atenção dos telespectadores nacionais nos últimos anos do Segundo Milénio, normalmente concebidos e/ou representados por um grupo de 'suspeitos do costume' que eram garantia quase certa de gargalhadas. Era, precisamente, essa a fórmula por detrás de um dos mais icónicos exemplos deste género, o qual surgia pela primeira vez nos ecrãs portugueses pela mão da RTP, há pouco mais de trinta anos.

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Falamos d''A Mulher do Sr. Ministro', série cómica estreada a 29 de Novembro de 1994, e que imediatamente 'caiu no gosto' dos espectadores da emissora estatal, com a sua sátira mordaz de um dos 'alvos' mais fáceis da sociedade lusitana, os políticos. Capitaneada por dois dos supramencionados 'suspeitos do costume' – Ana Bola e Vítor de Sousa – realizada por um terceiro (Nicolau Breyner) e contando no elenco com vários outros – como as 'duas Marias' do humor nacional, Rueff e Vieira, o eterno 'braço-direito' de Herman JoséCândido Mota, ou nomes como Ricardo Carriço, Virgílio Castelo, Lídia Franco, José Raposo ou José Jorge Duarte – a série centrada na personagem titular e na sua relação com o plácido representante governamental com quem era casada trazia todos os elementos característicos das produções deste grupo, quer em termos de escrita quer de representação, levando o espectador para um espaço familiar e agradável, onde o mesmo se poderia 'perder' durante meia hora, por entre gargalhadas. Em conjunção com o supracitado elemento satírico, esta fórmula assegurava sucesso praticamente garantido à série, que se afirmaria mesmo popular o suficiente ente o público-alvo para se manter no ar durante uns honrosos três anos (uma 'eternidade' para qualquer programa de humor português não chamado 'Os Malucos do Riso') e justificar uma sequela, 'A Senhora Ministra', em que a própria Ana Bola assumia o cargo antes 'detido' por Vítor de Sousa.

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O casal de protagonistas, prova de que 'os opostos se atraem'...

E embora, hoje em dia, o panorama televisivo português se vai afastando cada vez mais deste tipo de séries (as quais foram, praticamente, 'deixadas' nos anos 90 e inícios dos 2000) a verdade é que, para toda uma geração de portugueses, as mesmas formaram parte integrante das suas semanas televisivas, e terão criado memórias nostálgicas suficientes para justificar estas breves linhas à laia de recordação – bem como, quiçá, um saltinho ao YouTube ou aos arquivos da RTP, onde a totalidade desta série se encontra disponível de forma gratuita, pronta a ser recordada por quem se recorda de, em criança ou adolescente, ter rido à gargalhada com as peripécias de Lola, Américo e respectiva 'posse'...

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