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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

07.05.23

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar de todas as gerações terem as suas excepções à regra (basta ver o percurso de Figo ou Cristiano Ronaldo) a primeira fase da carreira de qualquer jovem futebolista fica, inevitavelmente, marcada pelos empréstimos destinados a dar 'rodagem' e experiência de futebol sénior a jogadores considerados como jovens talentos de futuro, a fim de avaliar se os mesmos estão prontos para a integração na equipa principal. Até mesmo nomes de monta no panorama futebolístico nacional, como Deco, Rui Costa ou Pedro Emanuel, foram, em tempos, Caras (Des)conhecidas, a jogar em clubes de menor expressão – situação também vivida pelo futebolista de que falamos hoje, uma 'lenda' do Sporting Clube de Portugal durante os anos 90, e ainda hoje ligado à estrutura do clube.

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O jogador com a camisola com que se notabilizou.

Nascido há quase exactamente quarenta e sete anos, a 4 de Maio de 1976, Roberto Luís Gaspar Deus Severo, mais conhecido pela sua alcunha, Beto, iniciou a carreira no CAC Pontinha, com apenas onze anos, mas foi verdadeiramente produto das escolas do clube lisboeta, onde ingressaria logo no ano seguinte e faria o resto da formação, ao lado de nomes como Nuno Valente; ao contrário deste, no entanto, Beto não chegaria a ter a sua oportunidade na equipa principal, sendo enviado directamente da equipa de juniores para o União de Lamas, onde realizaria a sua primeira época como sénior, em 1993/94. Escusado será dizer que o jogador 'pegou de estaca' no centro da defesa, tendo realizado vinte e oito partidas, durante as quais contribuiu com oito golos e explanou o talento que mais tarde se lhe viria a reconhecer. Ainda assim, tal não foi suficiente para prevenir novo empréstimo na época seguinte, desta feita ao histórico Campomaiorense, onde volta a ser peça importante, jogando vinte e duas partidas e marcando dois golos.

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Um jovem Beto ao serviço do Campomaiorense.

Este segundo empréstimo, e a prestação consistentemente positiva do central ao longo dessa época e da anterior, pareceram finalmente convencer o Sporting, que integra Beto na equipa principal no início da época 1996-97, para não mais de lá sair ao longo da década seguinte. No total, foram mais de 240 os jogos de Beto de leão ao peito, grande parte deles como titular, e mais de vinte os golos apontados por aquele que era um dos proverbiais 'defesas goleadores' do futebol português. Uma preponderância, aliás, que se estendeu ao espectro internacional, com Beto a conseguir mais de trinta internacionalizações AA, a juntar ás treze que conquistara ao nível dos sub-21, e a afirmar-se como peça importante daquela selecção portuguesa movida a 'Geração de Ouro'.

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Beto na Selecção.

Curiosamente, seria já mais perto do fim de carreira do que do seu início que o estrangeiro chamaria por Beto, que, em 2006, aos trinta anos, ruma a França para assinar pelo Bordéus; não corre bem ao central esta primeira experiência, no entanto, e o mesmo rapidamente se vê emprestado ao Recreativo, de Espanha, após apenas quatro presenças oficiais pelos gauleses. Em Espanha, a situação é algo distinta, sendo que, das três épocas que passa no país vizinho, Beto se afirma como peça importante da equipa em duas – a segunda ao lado dos também ex-sportinguistas Carlos Martins e Silvestre Varela – nas quais alinha em praticamente todas as partidas e marca quatro golos, dois em cada temporada.

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O central fez as suas últimas épocas em bom nível no Huelva, de Espanha.

Na sua terceira e última época em Huelva, no entanto, o central é assolado por problemas físicos, que o fazem perder preponderância no seio da equipa, pela qual realiza apenas mais três exibições antes de regressar a Portugal para – numa decisão a fazer lembrar os inícios de carreira – alinhar pelo histórico Belenenses. Mais uma vez, no entanto, os problemas físicos impedem que o já veterano central se imponha nos azuis do Restelo, pelos quais realiza apenas dez partidas antes de regressar a Espanha para representar o modestíssimo Alzira, da terceira divisão, onde se reúne a mais um ex-colega de equipa, Luís Lourenço, mas pelo qual nunca chega a alinhar - um final escandalosamente modesto para a carreira daquele que foi um dos mais icónicos centrais dos campeonatos portugueses de finais do século XX.

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O jogador não foi feliz na passagem pelo Belenenses.

Felizmente, a carreira de Beto ganharia novo fôlego nos bastidores do 'Leão', onde desempenhou já várias funções, retribuindo desta forma tudo o que o seu clube do coração lhe proporcionou ao longo de uma carreira nada menos que ilustre, ao ponto de custar a acreditar que o jogador tenha, alguma vez, contado como Cara (Des)conhecida no futebol português: e no entanto, como ficou bem patente neste 'post', até mesmo o eterno central do Sporting noventista e da viragem do Milénio foi, em tempos, apenas mais um jovem a espalhar talento nas divisões secundárias, na esperança de um lugar na equipa principal...

18.12.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Um dos principais axiomas do futebol jovem é que poucos são aqueles que, destacando-se ao nível da formação, chegarão também a brilhar ao mais alto nível; de facto, na maioria dos casos, ocorre precisamente o contrário, e um jovem que integra as selecções jovens do seu país de origem acaba por não almejar mais do que uma carreira honrosa, mas longe das 'luzes da ribalta' atingidas por outros seus colegas - ou seja, torna-se um 'grande dos pequenos'.

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Tal é, sem qualquer dúvida, o caso de Rui Óscar Neves de Sousa Viana, internacional e campeão europeu sub-18 por Portugal, mas cuja carreira nunca chegou verdadeiramente a 'descolar' da forma que tal início poderia fazer prever; ainda assim, o percurso do ex-defesa pelo futebol profissional foi suficientemente destacado para que, no fim-de-semana em que completa 47 anos de idade, valha a pena dedicar-lhe algumas linhas nesta nossa rubrica sobre os 'actores secundários' dos campeonatos nacionais de futebol dos anos 90.

Natural de Gondomar e formado no FC Porto - ao serviço do qual se sagraria internacional sub-18 e conquistaria o Europeu de 1994 do escalão - Rui Óscar começou por dar nas vistas no histórico União de Lamas, emblema pelo qual realizou a sua primeira época como sénior, contribuindo com um golo ao longo de dezassete partidas. Um início bastante comum para um jovem futebolista da época, mas que não deixou de valer a Rui Óscar a atenção de uma agremiação de maiores dimensões - no caso o Leça, que, naquela época 1995-96, competia ao nível da Primeira Divisão nacional. O defesa nortenho tornou-se assim, durante uma temporada, colega de outro jogador que abordámos nesta rubrica, Serifo, tendo sido presença assídua na equipa leceira, com um total de vinte e sete presenças, e feito por merecer a chamada às Selecções tanto de sub-20 como de sub-21, que representaria, respectivamente, no prestigiado Torneio de Toulon e na qualificação para o Europeu de Sub-21 de 1998.

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O cromo do jogador nos tempos do Leça

Deu-se, então, um 'salto' para Rui Óscar que quase o desqualificaria desta rubrica, tivesse o jogador ido além das duas partidas ao nível sénior pelo FC Porto; ficou-se, no entanto, por aí a contribuição do defesa para o campeonato dos Dragões da época 1996-97, não tendo sequer tido direito a sagrar-se campeão pelo clube que o formara. A temporada  após esta 'aventura' falhada veria, assim, o defesa integrar o plantel do primeiro de dois clubes pelos quais pode reclamar o estatuto de 'grande dos pequenos' - o Marítimo, onde permaneceria durante três épocas e se afirmaria como 'esteio', amealhando um total de oitenta e sete jogos e apontando dois golos.

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Rui Óscar no Marítimo

Apesar do sucesso desta 'aventura' insular, no entanto, o dealbar do novo milénio veria, ainda assim, o defesa regressar à sua zona de origem, ainda a tempo de celebrar a inusitada e inédita conquista do Campeonato Nacional da I Divisão por parte do outro grande clube da cidade do Porto, o Boavista, que negava assim ao Sporting aquilo que, se tivesse acontecido, viria a ser um bi-campeonato, e mais tarde um 'tri'.

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O defesa ao serviço do Boavista

A essa época histórica, seguir-se-iam mais três, durante as quais Rui Óscar marcaria assiduamente presença na equipa boavisteira, ao lado de nomes como Martelinho ou Fary - no total, foram setenta e uma as presenças do defesa ao serviço dos axadrezados entre 2000 (ano em que conseguiu, também, a sua única internacionalização sénior, pela equipa B de Portugal) e 2004, quando se mudou um pouco mais 'para baixo' para representar o futuro clube do ex-colega boavisteiro Fary, o Beira-Mar de Aveiro.

download.jpgÓscar no Beira-Mar

Correu, no entanto, menos bem esta última aventura do ex-internacional português, que somaria apenas três partidas pelos aurinegros, e acabaria mesmo por 'pendurar as botas' no final da temporada, com apenas trinta anos de idade, e com capacidade para, pelo menos, mais um punhado de épocas ao nível a que jogava. Ainda assim, há que respeitar a decisão de um jogador que, nas dez épocas que passou como profissional de futebol, conseguiu deixar a sua marca nos campeonatos profissionais de futebol portugueses de finais do século XX e inícios do XXI, e conquistar o seu lugar entre os verdadeiros 'grandes dos pequenos' existentes no seio dos mesmos. Parabéns, Rui Óscar - e que conte muitos!

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