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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

09.05.22

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A par de Super Mario, Sonic, o porco-espinho azul da Sega, foi sem dúvida a mascote mais popular dos anos 90 (o terceiro lugar é dividido entre Crash Bandicoot, o marsupial da Sony, e o dragão Spyro); até mesmo depois de ter decrescido de popularidade (e os seus jogos, de qualidade, o supersónico bicharoco continuou a ser um chamariz para a maioria dos 'gamers' um pouco por todo o Mundo, como bem o comprova o sucesso que o seu segundo filme vai actualmente fazendo entre essa mesma demografia.

Dada esta popularidade entre o público-alvo, não é de estranhar que Sonic tenha tido direito a várias adaptações em desenho animado, fenómeno comum a tudo o que fazia sucesso durante as últimas duas décadas do século XX; estranho é, apenas, que só uma dessas séries tenha chegado a Portugal, e que tenha precisamente sido a menos popular e bem conseguida.

Sim, apesar do porco-espinho da Sega ter, no auge da sua popularidade, não uma mas duas séries animadas em seu nome, nenhuma delas chegou alguma vez a ser importada para terras lusas; a primeira (e única) aventura de Sonic nos ecrãs portugueses dar-se-ia numa das suas fases de menor popularidade – imediatamente antes do renascer em 3D com o excelente 'Sonic Adventure' – e através da série que, das três produzidas, menos tem em comum com o universo dos jogos do personagem: 'Sonic Underground', a co-produção franco-americana baseada no personagem produzida em 1999.

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Como dizem os velhos ditados, no entanto, 'a cavalo dado, não se olha o dente', e 'quem não tem cão, caça com gato'; e assim foi – à falta de melhor, as crianças portuguesas abraçaram a série de Sonic que tinham, tendo a mesma conseguido significativa popularidade à época da sua primeira transmissão, a dois meses do final da década, século e milénio, e inserida na grelha de programação de um Batatoon em estado de graça entre o seu público-alvo por conta da 'galinha dos ovos de ouro' chamada 'Samurai X'.

Precedido de uma campanha de 'hype' nunca antes vista no programa (e que apenas se viria a repetir, já no novo milénio, por ocasião da estreia de Digmon), Sonic estreou-se na televisão portuguesa com já significativo interesse gerado em torno das suas aventuras, mesmo para quem nunca havia jogado os títulos de PC e consola, e apenas conhecia o personagem de passagem; esta onda de entusiasmo (resultado da oportuna manobra de marketing da TVI e dos produtores do Batatoon) ajudou a fazer esquecer o facto de que 'Sonic Underground' pouco tinha a ver com os referidos jogos, trocando o melhor amigo Tails e a floresta do planeta Mobius por um futuro pós-apocalíptico, em que o personagem faz parte da realeza destronada (!?) e procura a mãe, a rainha daquele universo, em conjunto com os dois irmãos (Sonia e Manic, ou antes, 'Mánique'), com quem também forma uma banda de rock (!?!?!) Uma premissa, portanto, que podia ter sido executada com qualquer conjunto de personagens - a produtora DIC jogou, claramente, no reconhecimento do nome Sonic, e a aposta resultou, já que sem essa associação, o interesse em 'Underground' seria significativamente reduzido.

De facto, do ponto de vista técnico e de escrita, 'Sonic Underground' não é mais do que tipicamente mediano para a época, exibindo a mesma animação algo presa de movimentos e atitude 'ultra-radical-buéda-fixe' herdadas de séries como 'Tartarugas Ninja' e 'Moto-Ratos de Marte' e copiada por tantas outras produções durante aqueles anos; a verdade, no entanto, é que essa mesma atitude, aliada a um genérico que é a parte mais memorável da série, foi suficiente para cttivar o público jovem da época, e tornar 'Underground' suficientemente lembrado para justificar repetições em anos posteriores.

Tentem não ficar com isto na cabeça - vá, tentem.

De facto, a série faz parte daquele grupo de produções – onde também entra Dragon Ball Z, entre outros – que, de tempos a tempos, são 'retirados da gaveta' e postos novamente no ar, para serem apreciados por uma nova geração. No caso de 'Underground', a série passou tanto no Canal Panda (em 2008, e em versão original, como foi em tempos apanágio daquele canal) como no KidsCo (em 2011, com novas dobragens em português) e ainda na Netflix, onde 'residiu' entre 2015 e 2018, tanto em versão legendada como com a dobragem de 2011. Um percurso impressionante para uma série vista, hoje em dia, como medíocre, mas que conseguiu, ainda assim, cativar a imaginação de uma geração para quem Sonic era um dos heróis favoritos – apenas mais uma prova do poder de uma boa 'licença', e ainda melhor campanha de marketing...

03.05.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Se houve um género de programa televisivo em que a televisão portuguesa foi pródiga nos anos 90, esse género foram os concursos. São inúmeros os exemplos de sucesso neste campo durante essa década, quer adaptados de formatos estrangeiros, quer criados de raiz a partir de uma ideia original. Da Roda da Sorte ao Preço Certo original (ainda antes de ser em euros), da Arca de Noé à Amiga Olga, os concursos pareciam (e eram) uma fonte inesgotável de audiências, com a enorme vantagem de terem custos de produção relativamente baixos.

Não é, pois, de surpreender que, ainda durante o seu primeiro ano de vida e em plena fase de financiamento pela Igreja Católica, a TVI tenha decidido apostar neste formato; o que surpreende mesmo mais é que o tenha feito em duas frentes, aliando uma produção portuguesa (a referida Amiga Olga) a um programa importado directamente do estrangeiro, com apenas a locução e comentários a serem dobrados num estúdio português.

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Falamos, é claro, do mítico 'Jogo do Ganso', um digno sucessor de 'Nunca Digas Banzai!' (com quem, aliás, concorria na grelha de Sábado à noite daquele ano) no panteão de concursos estrangeiros que viriam a ser êxitos absolutos em Portugal. Tal como o programa japonês, o concurso apresentado por Emilio Aragón (já de si uma adaptação de um formato italiano, por sua vez baseado no popular jogo de tabuleiro infantil de décadas anteriores) cativou os telespectadores nacionais, tendo milhares de portugueses de todas as idades passado a sintonizar religiosamente a TVI todos os fins-de-semana para ver mais um grupo de desafortunados participantes (sempre em número de quatro, divididos irmamente entre homens e mulheres) ser sujeito a uma série de desventuras enquanto tentavam percorrer aquele 'tabuleiro' gigante e 'sobreviver' às suas mirabolantes provas.

Eram, precisamente, essas provas que tornavam o programa num tal sucesso de audiências; isto porque, apesar de a maioria das mesmas variar de semana para semana (criando um elemento de diversidade e imprevisibilidade que incitava às visualizações repetidas), havia um certo número de provas fixas que, se 'activadas' por um dos jogadores, eram garantia de muitas gargalhadas à conta do embaraço do mesmo. Quem não se lembra, por exemplo, das lutas de gladiadores sobre a lama ou numa jaula, do atirador de facas, da Casa da Morte, que obrigava os jogadores a voltar ao início do jogo e a enfrentar novamente todos os 'perigos' de que já pensavam haver-se esquivado, ou do lendário barbeiro (cuja casa era, de longe, a mais temida por qualquer concorrente) que administrava 'carecadas' a quem tivesse a má-sorte de parar no seu domínio?

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O barbeiro Flequi, em pleno exercício de funções

Todos estes elementos ajudavam a que o programa se desenrolasse, inevitavelmente, a 'mil à hora', dando-lhe um ambiente algo caótico (no bom sentido) que – quando aliado ao memorável genérico, à decoração colorida do estúdio e ao estilo energético e saltitante de Emilio Aragón, uma espécie de versão 'nerd' de João Baião – o tornava particularmente atractivo para o público mais jovem. Quem era de uma certa idade em 1993 não perdia sequer um episódio deste concurso, frente ao qual terá passado muitas tardes a pensar o que faria se fosse concorrente (como o chegaram a ser dois portugueses, para gáudio e orgulho dos seus compatriotas), caísse na casa do barbeiro, e tivesse de regressar a casa careca...

Em Espanha, o 'Gran Juego de La Oca' continuou as emissões durante mais duas temporadas, a última das quais já em 1998. No país vizinho, no entanto, o concurso ficava-se pela primeira temporada, a qual se saldou, ainda assim, como suficientemente memorável para poder ser considerada uma 'prueba superaaaaaadaaaaaa!'

12.04.22

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 11 de Abril de 2022.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As décadas de 80 e 90 representaram, talvez, o auge do cinema de acção exagerado, em que heróis musculados fazem rebentar 'a esmo' estruturas, matando dezenas ou mesmo centenas de inimigos de uma só vez, sem jamais serem atingidos. E se, no cinema, este estilo de trama ficou imortalizado, à época, pelos filmes da 'trinca' Schwarzenegger-Willis-Stallone, na televisão de 'acção real', a mesma é mais comummente associada a um nome: 'The A-Team'.

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Criada em 1983, a série é, em muitos aspectos, perfeitamente típica, e até emblemática, da 'era Reagan' dos Estados Unidos, com a sua nostalgia pelo Vietname e conceito centrado num grupo de ex-combatentes dessa guerra, transformados em mercenários após serem injustamente condenados de um crime militar; mesmo sem esse enquadramento contextual, no entanto, é extremamente fácil situar esta série no tempo após apenas alguns minutos de visualização, já que os elementos típicos do cinema de acção da época estão absolutamente todos presentes, a ponto de a série se ter tornado sinónima com os estereótipos desse género cinematográfico. Semana após semana, ao longo de quatro anos e cinco temporadas, Hannibal, Faceman, 'Howlin' Mad' Murdoch e, claro, o inesquecível e inimitável B. A. Baracus enfrentaram inimigos de mira muito pouco afinada, explodiram bases e locais-chave para a estratégia dos mesmos e realizaram arriscadas fugas na sua icónica carrinha, a fim de defender inocentes moçoilas e honestos agricultores dos poderes que os queriam prejudicar; uma fórmula tão previsível que beirava a auto-paródia, mas que conseguiu cativar toda uma geração de jovens americanos (tanto da parte Norte como Sul) e nada menos do que DUAS gerações de portugueses.

Isto porque, em território nacional, a série teve duas transmissões distintas: primeiro em versão original, logo no ano seguinte à estreia nos EUA e com o título 'Soldados da Fortuna', e mais tarde na icónica dobragem brasileira (sim, de Herbert Richards!) que transformava o grupo no 'Esquadrão Classe A'. Terá sido esta a versão a que a maioria dos leitores deste blog terá assistido nas manhãs em que não havia escola, e será nesta que o presente post, maioritariamente, se centrará.

O lendário genérico de abertura da série, na sua versão brasileira

Exibida pela TVI ali por volta de meados da década, 'Esquadrão Classe A' é até hoje tida como o exemplo perfeito de uma dobragem que supera o original; isto porque a adaptação para português do Brasil era tão, mas tão bem feita que ajudava a tornar a série ainda mais aliciante para o público-alvo do que ela já era. O trabalho dos actores brasileiros era (foi) tão marcante, que quem tenha visto sequer um episódio desta versão da série certamente não esquecerá, por exemplo, a exclamação do Baracus de Mr. T, que jurava a cada episódio 'não entrar em avião nenhum' - invariavelmente, momentos antes de ser visto a bordo de um avião. Estes pequenos detalhes, que também se podiam encontrar, por exemplo, nas dobragens dos filmes Disney da época, ajudavam a acentuar o sub-texto cómico da série, dando-lhe o balanço perfeito entre acção e momentos mais 'leves' - receita quase infalível para o sucesso de qualquer série da época.

Apesar de essa dobragem ter sido o principal motivo pelo qual 'The A-Team' perdurou na memória da 'Geração X' e 'millennial' portuguesas, no entanto, a mesma foi sumariamente deixada de parte em subsequentes transmissões da série na televisão nacional: tanto a repetição que passou na SIC Radical como a que a RTP Memória exibiu se baseavam na versão 'Soldados da Fortuna', exibida nos anos 80 com a trilha sonora original legendada em Português; uma pena, já que, para muitas ex-crianças e jovens da época, 'The A-Team' é daquelas séries que (como Power Rangers, por exemplo) nunca parece totalmente 'certa' sem os personagens a falar português...

14.03.22

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Embora presente em Portugal desde os anos 80, com séries como 'Tom Sawyer', 'Heidi e Marco' ou 'Bana e Flapy', foi na década seguinte que a animação japonesa – vulgo 'anime' – verdadeiramente se afirmou no nosso país. Séries como 'As Navegantes da Lua', 'Capitão Hawk', 'Esquadrão Águia', 'Os Cavaleiros do Zodíaco' e, claro, o incontornável 'Dragon Ball Z' davam a conhecer a toda uma nova geração de crianças e jovens aquele estilo cheio de 'linhas de velocidade' e caretas exageradas, e com enredos cheios de acção e aventura.

O sucesso foi imediato, e à entrada para a segunda metade da década, os 'animes' eram já parte integrante da vida quotidiana de qualquer criança; não constituiu, pois, qualquer surpresa ver o número de séries deste tipo exibidas nos quatro canais nacionais aumentar exponencialmente durante esses anos, com novas propostas a surgirem regularmente, muitas delas em substituição directa de outras do mesmo tipo.

Foi neste âmbito que, há quase exactamente um quarto de século, acabaram por coincidir na TVI três 'animes' com conceitos e premissas extremamente semelhantes, hoje em dia lembrados por muitas ex-crianças portuguesas como uma espécie de 'pacote 3-em-1', apesar de nem sempre terem sido transmitidos juntos.

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Falamos de 'A Lenda de Zorro' (Kaiketsu Zorro), 'A Cinderela' (Cinderella Monogatari) e 'As Aventuras de Robin dos Bosques' (Robin Fuddo no Daibōken) as três adaptações (extremamente) livres de histórias clássicas para um formato de animação serializada que a TVI foi adquirir a Itália para integrar na sua programação infantil para os anos de 1996 e 97, nomeadamente no âmbito do programa matinal 'Mix Max'.

Apesar de, conforme referimos, tratarem o material original em que eram baseadas com a maior das liberdades, nenhuma das três séries ficava a perder, em termos de qualidade, em relação à média das séries de 'anime' da altura; pelo contrário, todas as três eram bem desenhadas (ainda que sofressem um pouco da síndrome 'orçamento gasto na sequência de abertura'), com Cinderela e Zorro a terem traços algo mais realistas, próximos dos das 'Navegantes' e 'Samurai X', respectivamente, enquanto Robin (talvez por ter protagonistas infantis) contava com um estilo mais caricatural, a lembrar as séries dos anos 70 e 80, como o já referido 'Esquadrão Águia'.

Os méritos dos três programas não se ficavam, no entanto, pelos aspectos técnicos; todas as três contavam, também, com histórias que se desenrolavam a um ritmo dinâmico e conseguiam o balanço perfeito entre a acção, o drama, a comédia, e até alguns momentos mais românticos, especialmente no caso da adaptação de 'Cinderela'. Talvez ainda mais importante, para uma geração que vivia de primeiras impressões, todos os três tinham temas de abertura absolutamente fabulosos; o de Zorro, em particular, ainda hoje se conta entre os melhores de sempre da televisão infantil em Portugal – o que, para um país que conviveu com as aberturas de 'Pokémon', 'Digimon', 'Power Rangers' ou 'Rua Sésamo', não deixa de ser notável! A música de 'Robin dos Bosques', em particular, teve ainda o mérito extra de ensinar a muitas crianças o significado da palava 'liça', utilizada na letra cantada por Helena Isabel, e que muitos jovens da altura pensavam ser a homófona 'missa'.

No fundo, tratavam-se de três séries que, sem quererem ser um fenómeno cultural ou até mesmo revolucionar o género em que se inseriam, não deixavam de ser uma excelente opção para passar uma manhã 'de folga' da escola, a 'preguiçar' em frente à televisão – o que, no fundo, era tudo o que muitas crianças da época pediam no tocante a programação. Mais, odas as três demonstravam qualidade e interesse suficientes para justificarem o regresso, no dia seguinte, para ver outro episódio, algo que era, também, apenas privilégio das melhores séries e desenhos animados da época. Assim, e apesar de algo esquecidas hoje em dia, qualquer das três séries é bem merecedora deste destaque, ficando a sensação de que fazem falta produções cuidadas deste tipo na programação infanto-juvenil de hoje em dia...

08.03.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Há pouco menos de um mês, nesta mesma data, celebrámos uma efeméride – o aniversário do Vitinho – enquanto deixávamos passar em claro outra, bem mais trágica – a morte de Artur Albarran. Agora, e porque mais vale tarde do que nunca, trataremos de rectificar esse erro, e prestar homenagem a um dos mais carismáticos jornalistas portugueses da sua geração.

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Nascido em Moçambique logo nas primeiras semanas do ano de 1953, Artur Manuel de Oliveira Rodrigues Albarran 'nasceu' para a comunicação aos 18 anos - altura em que se mudou para Portugal - como integrante de uma equipa do Rádio Clube Português que incluía múltiplas futuras lendas do ramo, de Cândido Mota a Júlio Isidro (ambos futuros apresentadores de programas de que, paulatinamente, aqui falaremos). No entanto, mais do que como profissional de comunicação, o jovem Albarran era conhecido como activista de extrema-esquerda, afiliação que fazia questão de arvorar em directo, e que lhe valeu vários dissabores com a lei, a culminar na sua fuga para França, a 20 de Julho de 1978, evitando assim a prisão como resultado de uma acção policial que atingiu a maioria dos dirigentes e operacionais do seu partido, o PRP (Partido Revolucionário do Proletariado.) Apesar deste facto, Albarran não deixaria de ser julgado pelo assalto a um banco em Soure, crime do qual seria posteriormente absolvido, juntamente com os restantes visados pela rusga, quatro anos depois.

Por esta altura, já o português nascido em Moçambique vivera uma realidade completamente diferente, enquanto colaborador das britânicas BBC e ITV. Como repórter desta última, visita os Estados Unidos e o Brasil, antes de a vida o trazer de volta para Portugal, desta vez para integrar a equipa da RTP.

É na qualidade de colaborador do icónico programa 'Grande Reportagem' da estação estatal que Albarran surge na consciência popular de toda uma nova geração de portugueses, que se habituam a vê-lo associado a más notícias, nomeadamente respeitantes a conflitos, sejam eles a Guerra do Golfo em 1991 ou o conflito na Somália, no ano seguinte. Para além das funções de enviado especial que desempenhou em ambas estas situações, no entanto, Albarran é também, por esta altura, chefe de redacção da RTP, bem como do jornal 'O Século Ilustrado', que integrara em 1988. Esta situação mantém-se até 1993, quando o aparecimento de uma concorrente privada à RTP alicia Albarran, que aceita o convite da TVI para se tornar seu pivô,

O verdadeiro momento definidor do apresentador na mente de toda uma geração de crianças e jovens não se dá, no entanto, até 1996, quando o jornalista volta a trocar de estação, viajando de Queluz para Carnaxide para dar a cara (e emprestar a sua inconfundível voz) a uma série de programas, com início em 'A Cadeira do Poder', de 1997, e fim já no novo milénio, com o inenarrável 'Acorrentados'.

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O 'Acorrentados' acabaria por ser o último programa de Albarran enquanto apresentador

Pelo meio ficou aquele que terá sido, de todos os programas por si apresentados, aquele que mais cimentou Albarran na cultura popular; 'Imagens Reais', uma emissão que misturava informação e entretenimento e que fica na História da televisão portuguesa por ter dado origem ao famoso bordão 'o drama, a tragédia, o horror' – o qual, mais tarde, se tornaria peça fulcral de um dos mais famosos 'bonecos' de um Herman José a atravessar uma segunda fase imperial.

Ao mesmo tempo que deixava esta marca na televisão portuguesa, Albarran tornava-se também presidente do Conselho de Administração da EuroAmer, uma 'holding' imobiliária pertencente a um grupo de políticos e empresários norte-americanos, entre os quais se contava Frank Corlucci, ex-director da CIA e embaixador americano em Portugal. O seu envolvimento com este novo ramo, e as exigências do mesmo, obrigaram ao seu afastamento gradual da actividade televisiva, acabando 'Acorrentados' por ser, mesmo, a sua última aparição nos ecrãs nacionais. O seu legado, no entanto, é inegável e indelével, tanto pelo seu contributo para a informação jornalística e noticiosa em Portugal durante a primeira metade dos anos 90, como por aquele bordão que qualquer 'puto' repetia, naquela entoação característica, nos pátios de recreio daquela época. Que descanse em paz.

31.01.22

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Quando aqui falámos do primeiro programa infantil de sempre da TVI, 'A Casa do Tio Carlos', referimos que o mesmo tinha, inicialmente, tido dificuldade em se estabelecer como alternativa aos super-populares Brinca Brincando (da RTP) e Buereré (da SIC), e que tal desiderato só havia sido atingido depois de o bloco ter adquirido aquela que viria a ser a sua série-estandarte.

Essa série era 'Heathcliff', um 'cartoon' de inspiração declarada no então super-popular 'Garfield', mas que demonstrava originalidade e competência de execução suficientes para levar o seu público-alvo a sintonizar a TVI às tardes de semana, e para assegurar três anos de transmissão contínua no canal de Queluz - um ciclo de vida quase exactamente coincidente com o do programa de que fazia parte - bem como um regresso, já no novo milénio e em versão dobrada em Espanhol (!) nos canais infantis da TV por cabo (a razão pela qual não voltou simplesmente a ser exibida a mesma dobragem já existente não é, infelizmente, clara.)

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Heathcliff, o personagem que dava nome à série, tinha iniciado a vida como protagonista de uma série de tirinhas de banda desenhada destinadas à inclusão nos suplementos de banda desenhada dos jornais de fim-de-semana norte-americanos (os chamados 'Sunday funnies') onde, ironicamente, partilhava do mesmo espaço com a sua principal inspiração, Garfield. Ao contrário daquele gato cor-de-laranja, listrado e gordo, no entanto, ESTE gato cor-de-laranja, listrado e gordo estava mais interessado em pregar partidas ao leiteiro, ao peixeiro e ao inevitável cão da vizinhança, ou em namoriscar a não menos inevitável gatinha bonita da casa ao lado, do que necessariamente em comer e dormir – embora também fossem numerosas as piadas em torno da sua preguiça – evitando assim o rótulo de plágio total e completo, e justificando a continuidade da sua publicação, que se estendeu por várias décadas, e ainda a proposta de adaptação para desenho animado, já na década de 80.

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Uma tirinha de Heathcliff

Esta última não vinha, no entanto, sem algumas complicações; especificamente, os responsáveis por avalizar e aprovar o projecto achavam que a base das aventuras de Heathcliff era algo redutora para uma série completa de episódios animados (um meio substancialmente diferente do das 'comic strips') e que não iria captar e cativar a atenção do público-alvo. Foi, pois, considerado necessário 'incrementar' a nova série com novos elementos – uma decisão que viria a alterar completamente o espectro, recepção e percepção da mesma.

Isto porque a solução encontrada passou pela criação de um grupo de personagens totalmente inédito - um bando de gatos de rua (que incluía uma fêmea de anatomia marcadamente humana, que terá decerto inspirado muitas fantasias 'furry'), residentes num velho carro Cadillac abandonado junto a um ferro velho, e liderados por Riff-Raff, um gato atarracado, de enorme boina de ardina e lenço ao pescoço, numa espécie de cruzamento entre Scrappy-Doo (o sobrinho de Scooby) e Manda-Chuva. Este novo grupo (conhecido, na versão original, como Catillac Cats) não tardaria a roubar protagonismo ao personagem que dava nome ao programa, tornando-se, para muitos dos pequenos espectadores, o principal motivo de interesse do mesmo.

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Os novos personagens criados em exclusivo para a série

Isto porque, enquanto os episódios centrados em Heathcliff seguiam uma vertente mais próxima dos 'comics' originais, baseada em humor pastelão e frenético de moldes clássicos, Riff-Raff e o seu bando tendiam a protagonizar histórias de cariz mais voltado à aventura, e com maior ênfase na história, num estilo mais próximos dos programas que faziam sucesso à época. No entanto, tal como havia fãs de Riff-Raff e do seu bando, também havia quem apenas quisesse acompanhar as aventuras cómicas do 'gato bem disposto e educado', considerando as segundas partes de cada episódio da série apenas como um 'mal necessário'.

No cômputo geral, no entanto – e apesar das histórias algo simplistas e da animação notoriamente barata e pouco cuidada – 'Heathcliff' conseguia oferecer um pouco de tudo, aliando (ainda que nem sempre com grande fluidez) a vertente de animação mais clássica com as características necessárias a uma série dos anos 80 e 90. Sem ser um programa histórico ou até digno de especial relevo (o seu aspecto mais memorável será mesmo o irresistível genérico, interpretado por Paulo Brissos), a série representava uma forma perfeitamente válida (e não-violenta) de passar meia-hora depois da escola, e certamente despertará memórias nostálgicas, ainda que vagas, em alguns dos leitores deste blog. E para quem não se lembra, deixamos abaixo um pequeno 'activador' de memória...

27.12.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Quem conheceu, já deve estar a cantarolar...

Tal como acontece tantas e tantas vezes nas páginas deste blog, também este vai ser um daqueles posts que começam com o genérico de abertura da série em causa; isto porque, para grande parte do seu público-alvo à época da transmissão, este foi mesmo um dos, senão O elemento mais marcante do programa, cuja letra ainda permanecerá embutida nas suas sinapses, pronta a ser debitada 'de cor' à mínima oportunidade.

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'Navegante da Lua' (no original, 'Sailor Moon') foi mais um dos vários clássicos da programação infantil introduzidos no nosso país por Ana Malhoa, Boi-re-ré, Vaca-re-ré, Croco, Hadrianno e o restante elenco do não menos clássico 'Buereré', um dos programas infanto-juvenis por excelência durante a 'nossa' década; no caso, corria o ano de 1995 quando Serena, Rita, Bunny e as restantes Navegantes surgiam pela primeira vez nos ecrãs de lares de Norte a Sul do país, dobradas em bom português (numa daquelas adaptações livres e cheias de improvisação habituais à época, semelhante à popularizada por 'Dragon Ball Z') e de tiaras apontadas directamente ao coração das raparigas pré-adolescentes (como 'Ursinhos Carinhosos' e 'Meu Pequeno Pónei', 'Sailor Moon' era daquelas séries que não se podia ver se se pertencesse à metade da espécie com cromossomas Y).

E a verdade é que o efeito sobre o público-alvo foi quase imediato - a partir desse ponto, e até ao final da década, as colegiais super-poderosas não mais perderiam a sua influência sobre a juventude portuguesa, para quem era difícil manter-se indiferente à mesma: dependendo do sexo, ou se amava, ou se odiava o programa; quem amava, citava as personagens principais, o charmoso Mascarado e a referida música de abertura como os principais atractivos, enquanto que quem não gostava listava precisamente esses mesmos elementos como factores de irritação em relação à série.

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O Mascarado era o interesse romântico da protagonista Serena

Amasse-se ou odiasse-se, a verdade é que 'Navegantes da Lua' fez tal sucesso aquando do seu aparecimento na SIC, que justificou uma nova transmissão cinco anos depois, agora na TVI, como parte da grelha do outro grande programa infantil das décadas de 90 e 2000, o 'Batatoon', e novamente em 2002, no Canal Panda. Este ressurgimento veio, no entanto, acompanhado de uma controvérsia, no caso ligado a algumas mudanças supérfluas e desnecessárias ao nível da dobragem dos episódios transmitidos no Panda, nomeadamente a troca de sexos entre os gatos das protagonistas, Luna e Artemis, passando Luna a ser um gato macho e Artemis (agora Artemisa) uma fêmea, ao contrário do que sucedia quer no original, quer na primeira tentativa de dobragem para português. Nada, no entanto, que afectasse a popularidade da série, que voltou a encontrar um público entusiástico e àvido de conteúdos de teor aventuroso dirigido a raparigas, numa época em que os programas infantis femininos tinham invariavelmente mais a ver com os supramencionados ´Ursinhos Carinhosos' ou 'Meu Pequeno Pónei'.

Sucesso esse, aliás, que se mantém até hoje, continuando as diversas séries de 'Sailor Moon' a ser transmitidas nos 'novos' canais infantis entretanto surgidos, como o Biggs, que em 2015 incorporava uma dobragem de 'Sailor Moon Crystal' à sua grelha de programação, inicialmente em formato censurado, e a partir de 2017 na sua versão integral, em tudo semelhante à original japonesa; mais uma prova, caso tal fosse necessário, da popularidade de que as meninas com poderes planetários continuam a gozar em Portugal, mesmo em meio à forte concorrência de programas como 'Miraculous Ladybug' e a nova série dos Pequenos Póneis. De facto, ao que parece, se depender do nosso público infantil feminino, Serena e as suas companheiras continuarão a castigar malfeitores em nome da Lua durante muitos e bons anos...

29.11.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Numa edição recente desta mesma rubrica, abordámos a série animada dos Pequenos Póneis, transmitida pela RTP em meados da década de 90; hoje, é a vez de focarmos a outra grande representante dos desenhos animados 'fofinhos' e inofensivos a passar naquela época em Portugal, e que partilha muitos aspectos com a nossa primeira visada: os Ursinhos Carinhosos.

As semelhanças entre as duas séries – que são daquelas que costumam ser mencionadas juntas na mesma frase, à semelhança de outros binómios famosos como 'Survivor e Europe' ou 'FIFA e PES' – começam logo no seu intuito puramente comercial; como tantas e tantas outras séries daquela época, 'Os Ursinhos Carinhosos' (no original, 'Care Bears') destinava-se sobretudo a criar a vontade, entre o público-alvo, de adquirir os adoráveis bichinhos de peluche homónimos. No entanto, pelo menos em Portugal, esse objectivo saiu algo 'furado', já que a série (e respectivos filmes) era bem mais conhecida entre a miudagem do que os brinquedos em si, cujo principal mercado eram os seus Estados Unidos natais.

Também como 'Pequenos Póneis', esta era daquelas séries que, sendo do sexo masculino e tendo mais do que uma certa (pouca) idade, não se podia sob circunstância nenhuma admitir que se via; como os póneis de cor pastel, os ursinhos risonhos e amigos de ajudar com casa nas terra das nuvens e arco-íris eram do domínio exclusivo das raparigas, reunindo num só programa absolutamente TODOS os ingredientes para se tornarem objecto de escárnio de qualquer 'macho' que se prezasse – fosse o dito escárnio mais ou menos sincero.

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Menos másculo do que isto, era difícil...

Não que a referida reacção não fosse, em parte, justificada – como 'Pequenos Póneis', 'Ursinhos Carinhosos' contentava-se em oferecer o mínimo possível para agradar ao seu público-alvo. Embora a animação fosse bastante razoável (e bem melhor que a dos póneis) o teor simplista e moralista das histórias de cada mini-episódio reduzia o interesse da série estritamente ao sector menos exigente do público infantil, preferindo a maioria dos restantes dedicar o seu tempo a concorrentes como 'Tartarugas Ninja', 'Moto-Ratos de Marte' ou até 'Garfield'.

Ainda assim, os ursinhos multi-cores com tatuagens na barriga conseguiram ter impacto suficiente no nosso país para justificarem TRÊS transmissões da série original de 1985, no espaço de apenas 16 anos, das quais duas na década que nos concerne: primeiro na RTP (1990) e mais tarde na TVI (1996). Em 2006, o Canal Panda viria a completar esta tríade, apresentando os Ursinhos a toda uma nova geração de crianças e assegurando que os mesmos se mantinham relevantes duas décadas depois da sua criação e transmissão nos seus EUA natais. E se é verdade que existirão decerto séries menos merecedoras deste ciclo de vida artificialmente prolongado, também é inegável que mesmo o mais distraído seguidor da produção animada internacional das décadas de 80 e 90 conseguirá nomear, em questão de segundos, cinco ou seis séries que fazem muito mais por justificar o mesmo tratamento...

26.11.21

Nota: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Novembro de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Apesar da variedade e qualidade das publicações periódicas dos anos 90 – que se estendiam de revistas sobre jogos de computador ou ciência a um jornal de música – a imagem que vem imediatamente à mente da maioria das ex-crianças ou jovens daquela época ao ouvir falar em 'revistas' será, quase certamente, uma qualquer capa de uma das muitas publicações semanais que ofereciam uma mistura de informações sobre a programação televisiva naquela semana com muitos, muitos artigos dedicados a 'fofocas' sobre as celebridades do momento; títulos tão icónicos quanto a TV Guia, TV 7 Dias, Nova Gente ou Maria, que pareciam 'habitar' nas mesas dos consultórios médicos ou na casa de familiares, sempre prontas a serem folheadas num momento de maior ócio, em que não houvesse nada melhor para fazer.

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Exemplos do grafismo da TV Guia em finais dos anos 80 e inícios de 90

Embora muito semelhantes, tanto estruturalmente como a nível de temáticas, estas publicações dividiam-se, ainda assim, em dois grandes grupos – de um lado, as mais declaradamente dedicadas ao jornalismo cor-de-rosa (onde se destacavam a Maria, a Ana, e a Nova Gente) e do outro, as que procuravam servir, em primeira instância, como um verdadeiro guia de programação, sendo a vertente de 'fofocas' secundária, caso da TV Guia, TV 7 Dias ou ainda da TV Mais. Não que as revistas pertencentes a este último grupo não tivessem páginas atrás de páginas dedicadas à vida dos famosos, que tinham; no entanto, as mesmas traziam, também, artigos de outro tipo, desde pequenas notícias mais sérias a peças sobre alguns dos filmes que iriam passar na televisão nessa semana, ou que se encontravam em exibição no cinema à data de publicação, entrevistas a actores e personalidades, notícias sobre desporto, ou o principal atractivo para a geração que lê este blog, os destacáveis.

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Exemplo dos conteúdos menos 'cor de rosa' proporcionado por revistas como a TV Guia

Parte tradicionalmente integrante das revistas sobre televisão desta época – sobretudo da TV Guia – os destacáveis tomavam mais frequentemente a forma de 'posters' de temas variados, que podiam ir desde uma foto de um actor ou de desportistas a uma cena retirada de uma série popular (por aqui, ficaram especialmente na memória os 'posters' do Bart Simpson a escrever no quadro, e do Sporting vencedor da Taça de Portugal 1994/95, ambos os quais tiveram lugar cativo na parede até a fita-cola secar.) No entanto, a referida TV Guia ganhava também pontos por oferecer 'capas' para filmes, que permitiam transformar uma qualquer 'cassette' gravada da televisão num 'facsimile' da fita comercial do respectivo filme, completa com texto de resumo nas costas e o título na lombada – uma solução extremamente apelativa numa altura em que a maioria dos filmes em VHS era mesmo gravado directamente a partir da transmissão televisiva, dado o preço algo proibitivo dos vídeos comerciais. Esta é, aliás a vertente pela qual a TV Guia 'clássica' mais é lembrada hoje em dia pela geração de 80 e 90, que muito e bom uso fez da mesma.

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Depois de postas nas caixas, as capas da TV Guia eram virtualmente indistinguíveis das dos lançamentos comerciais

Hoje em dia, a maioria destas revistas continua a ser publicada, e a encontrar o seu 'habitat' natural em salões de beleza e consultórios médicos por esse Portugal fora, ao lado de publicações como a Caras e a tradicional Hola!; no entanto, qualquer das mesmas é uma mera 'sombra' do que foi nos anos 90, reflectindo a mudança de paradigma introduzido pela Internet 2.0, e que teve um impacto considerável sobre os meios de comunicação tradicionais. Para quem cresceu com estas revistas resta, portanto, recorrer à memória do que costumavam ser, e às recordações de as folhear no médico, no salão de beleza ou em casa da avó...

 

26.10.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Quem acompanhou os primórdios de emissão da TVI, nos idos de 1993 – quando ainda era conhecida como 'a 4' e directamente conotada com a Igreja Católica – certamente se lembrará de um programa apresentado por uma senhora loira, com ar de professora de Português do quinto ano e uma personalidade muito energética, que perguntava aos convidados se queriam 'a chave ou o dinheiro' enquanto tirava prémios de uma espécie de 'cacifos' a um canto do cenário e mandava o seu assistente bater num 'gongo' sempre que um participante dizia 'sim' ou 'não'.

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Por muito que esta sinopse possa soar a delírio da imaginação febril de um indivíduo seriamente intoxicado, não é; o programa em causa existiu mesmo, e marcou época nos anos intermédios da década de 90. Tratava-se de 'A Amiga Olga', a primeira investida da recém-nascida emissora de Queluz no campo dos concursos, e – a par do óbvio 'A Casa do Tio Carlos', especificamente dirigido às crianças - talvez o programa de maior interesse para o público infanto-juvenil de entre os que compunham aquela grelha inicial de programas da '4'.

Isto porque, para além dos concursos serem já de si um dos tipos de emissão televisiva favorecidos pelo referido público, a apresentadora (e 'estrela da tarde') Olga Cardoso tinha uma daquelas personalidades exuberantes que, quase por si só, fazia com que valesse a pena ver o programa (um pouco à semelhança do que acontecera com Herman José na 'Roda da Sorte', anos antes, ou do que se viria a passar mais tarde com Fernando Mendes n''O Preço Certo em Euros'.)

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A apresentadora do concurso, junto a um dos prémios mais apetecíveis do mesmo

Para além disso, havia ainda o atractivo adicional de ver se os concorrentes que passavam à segunda ronda do programa arriscariam escolher a icónica 'Caixa Mistério', preterindo assim da soma em dinheiro que a apresentadora oferecia, e correndo o risco de ir para casa com um prémio 'parvo', como uma escova de cabelo – um cenário que acontecia com frequência suficiente para fazer as delícias da demografia mais nova.

Nem só as crianças, no entanto, gostavam de passar as tardes com 'A Amiga Olga'; o concurso fez, durante um determinado perìodo em meados dos anos 90, sucesso generalizado entre os espectadores portugueses. Foi, portanto, certamente com algum pesar que os mesmos viram o programa ser retirado do ar pouco mais de um ano após a estreia, privando milhares de crianças da sua dose de gargalhadas diárias ao ver mais um concorrente sair do estúdio cabisbaixo, levando na mão uma qualquer bugiganga em vez do carro ou das férias que certamente teria preferido. No entanto, a verdade é que, como tantos outros concursos, também 'A Amiga Olga' acabou por ver terminar o seu ciclo, cedendo o seu lugar a novos e potencialmente entusiasmantes projectos concebidos pela cada vez mais desenvolvida estação de Queluz. Ainda assim, quem passou as tardes de semana daquele ano-e-pouco com a 'Amiga Olga' certamente terá uma sucessão de 'flashbacks' nostálgicos ao ver os vídeos que abaixo partilhamos; por aqui, pelo menos, foi exactamente essa a reacção desencadeada...

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