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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.12.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

A programação dos canais portugueses na noite de 31 de Dezembro tende a centrar-se, normalmente, em torno das celebrações de Ano Novo, com os respectivos preparativos a ocuparem várias horas de emissão antes do evento em si ter início. O primeiro 'réveillon' do século XXI, no entanto, ficava marcado pela triunfal conclusão do maior fenómenos de audiências de sempre em Portugal, cujo episódio final retirava quase todo o protagonismo aos habituais foguetes e programas de variedades de Herman José, captando e retendo a atenção da grande maioria da população portuguesa durante, pelo menos, umas horas da noite de 31 de Dezembro de 2000.

Falamos, claro, da primeira edição do 'Big Brother', que dominara grande partes das conversas sobre televisão desde a sua estreia a 3 de Setembro, e de cujo grande vencedor se ficaria, nessa noite, finalmente a saber o nome. Os três 'candidatos' finalistas - já depois da eliminação de favoritos do grande público como o futuro deputado Telmo, o intempestivo Marco, a sua futura mulher Marta e a 'vítima' do mesmo, Sónia- eram a sensata Susana, a jovem Célia (à data com apenas dezoito anos de idade, a mais nova da casa) e o homem que se tornara uma espécie de 'mascote' ou 'bichinho de peluche' da maioria dos espectadores do programa, o pedreiro Zé Maria. Eram estes os três nomes que se perfilavam, nessa noite, diante de Teresa Guilherme, para saber em quem o público votara como grande vencedor da quantia de vinte mil 'contos' (equivalentes hoje a cem mil euros) e de um carro novo.

Do resultado, reza a História da televisão portuguesa: conforme se previa, o humilde e espontâneo 'trolha' de Barrancos sairia mesmo vencedor, numa efeméride que o marcaria para o resto da vida, e que levaria, eventualmente, a um final trágico para a mesma. A 31 de Dezembro, no entanto, tal desfecho ainda estava muito longe de poder ser previsto, e Zé Maria era todo sorrisos ao receber o prémio das mãos de Teresa Guilherme, 'derretendo' nesse momento os corações daqueles que o haviam apoiado, e mesmo de muitos outros que apoiavam os seus adversários, ou que nem ligavam muito ao 'Big Brother'. Na verdade, naquela noite, até mesmo esses acompanharam o que se passava no estúdio da TVI, numa emissão que aglutinou audiências como poucas outras conseguiram na História da televisão nacional, e que pôs cobro a um fenómeno que não mais se repetiria no contexto da mesma. Razão mais que suficiente, portanto, para revisitarmos aquele último episódio, em vésperas de se completar um exacto quarto de século sobre a sua transmissão em directo, naquela que foi uma das noites de Ano Novo mais atípicas da televisão em Portugal.

29.12.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

No Portugal de meados de 90 e inícios de 2000, qualquer fenómeno cultural servia como pretexto para o lançamento de um disco tematizado, fosse com as músicas que formavam a banda sonora do programa em causa, fosse com músicas (mais ou menos vagamente) relacionadas ao tema da mesma. É deste último caso que tratamos no 'post' de hoje, em vésperas de aniversário da final do programa a que o disco é alusivo.

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Falamos, é claro, do duplo-CD oficial da primeira série do 'Big Brother', publicado pela BMG algures no último quarto do ano 2000 (na mesma altura em que o programa da TVI captava audiências recorde um pouco por todo o País) e cujo alinhamento trazia músicas e grupos - presumivelmente - favorecidos pela dezena e meia de concorrentes participantes naquela primeira e histórica 'casa'. Ficava, assim, explicada a disparidade de estilos do lançamento, que faria corar um qualquer volume da série Now! com a sua mistura do rock alternativo radiofónico de Guano Apes, HIM e Lit com a pop comercial de Westlife, Five e Pink, os ritmos brasileiros de Adriana Calcanhotto, Daniela Mercury ou Fábio Júnior, o pop-rock bem português de uns Delfins, Pólo Norte ou Sara Tavares ou até a 'europop' de Lou Bega - uma autêntica 'salgalhada' de estilos que, apesar de bem típica das compilações da época, acabava por não 'apontar' a nenhum público, já que cada sector melómano apenas encontrava 'meia dúzia' de músicas para o seu gosto.

Apesar deste ecletismo exacerbado e exagerado, no entanto, o disco era bem sucedido na sua tentativa de apresentar (e representar) a diversidade dos diferentes concorrentes da casa através do seu gosto musical, e terá representado compra obrigatória para os milhões de fãs do programa de Norte a Sul do território, sendo um daqueles lançamentos em que o próprio nome na capa já assegurava, por si mesmo, um alto volume de vendas. Razão mais que suficiente para o recordamos, em vésperas da data que mudou para sempre a vida de um dos indivíduos cujo gosto musical nele se encontra representado.

23.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O dia de Natal não é normalmente, em Portugal, data privilegiada para a estreia de novas séries, sendo a programação televisiva da data tradicionalmente dominada por filmes infantis ou de família. Ainda assim, no primeiro Natal do século XXI, foi precisamente esta a data escolhida pela TVI para lançar uma nova série, a qual viria a gozar de considerável sucesso e a tornar-se aposta ganha pela estação de Queluz, que demonstrou que talvez houvesse algo a ganhar em romper com a tradição.

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O programa em causa era 'Super Pai', série nacional de cariz cómico que acompanhava as aventuras de um empresário viúvo 'às voltas' com a educação de três filhas, entre os oito e os dezassete anos, a qual deve balancear com as exigências da sua vida profissional como dono de um bem-sucedido grupo de empresas têxteis - uma situação com que muitos adultos se identificavam, vivida de forma fácil de simpatizar, e pouco 'lamechas', por Luís Esparteiro, e que garantia desde logo uma 'fatia' de audiências à nova proposta da TVI. 

Seria, no entanto, junto de uma outra demografia que 'Super Pai' encontraria o seu maior sucesso - no caso, o público jovem, que se 'revia' nas três travessas meninas e nas suas múltiplas formas de 'fazer a vida negra' ao pai, e que teria papel fulcral na longevidade da série, que permaneceria parte integrante da grelha da TVI durante os três anos seguintes. E embora o 'fim de ciclo' fosse inevitável - até pelo natural crescimento das jovens actrizes, em simultâneo com o próprio público - a série não deixaria de marcar larga parte da geração 'millennial' portuguesa, para quem seria, futuramente, lembrada como um dos grandes programas da sua juventude e adolescência, a par dos posteriores 'Morangos Com Açúcar', por exemplo; motivo mais que suficiente para lhe dedicarmos estas linhas, a poucos dias de se celebrarem os vinte e cinco anos sobre a sua chegada aos televisores nacionais.

 

02.12.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No que toca a programas infantis de cariz ao mesmo tempo interactivo e remoto na televisão portuguesa de finais do século XX, vêm imediatamente à memória duas variantes: por um lado, os programas 'de auditório', como 'Batatoon' ou 'Buereré', em que as crianças ligavam para participar de passatempos e ganhar prémios, e, por outro, o lendário 'Hugo', em que era dada aos espectadores a possibilidade de assumir um papel menos passivo, e controlar activamente os acontecimentos mostrados no ecrã da televisão. E se este último é, ainda hoje, lembrado e 'reverenciado' por toda uma faixa demográfica que atingiu na 'altura certa', um outro programa semelhante, embora com a sua própria abordagem ao género, encontra-se, por sua vez, um pouco 'esquecido' pela 'sua' geração, um quarto de século após a sua estreia.

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Surgido pela primeira vez nos ecrãs nacionais em meados de Novembro de 2000, por intermédio da TVI, 'Rita Catita e o Ursinho Oops' aplicava o conceito de 'Hugo' a um contexto menos competitivo e mais narrativo, criando algo único e que não se tornaria a repetir na televisão portuguesa: essencialmente um desenho animado 'ao vivo', em que as falas eram gravadas (e, muitas vezes, improvisadas) no momento, para reflectir a conversa com a criança do outro lado da linha, ou os acontecimentos que a mesma despoletara. Assim, apesar de cada episódio ter, nominalmente, uma história, a mesma era vaga o suficiente para acomodar os 'imprevistos' da gravação ao vivo sem que, com isso, a coerência narrativa saísse prejudicada, permitindo às cianças liberdade para interagirem com os personagens titulares (e até com outras crianças que ligavam em simultâneo) conforme desejassem.

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A personagem principal e titular.

Apesar de o foco ser na história, no entanto, 'Rita Catita' adoptava também o elemento competitivo do seu antecessor em certas partes do programa, podendo as crianças testar a sua perícia e reflexos com um jogo de tiro ao alvo, por exemplo. Esta vertente ajudava, se possível, a dar ao programa ainda mais originalidade, fazendo dele uma experiência única na televisão portuguesa, senão mesmo mundial – o que torna ainda mais surpreendente o facto de a emissão ser tão pouco lembrada hoje em dia pela parcela mais nova da geração 'millennial', que teria sido o principal público-alvo da mesma naqueles primeiros meses do século XXI. Talvez a referida demografia não seja tão nostálgica quanto os seus antecessores, ou talvez o programa não tivesse sido marcante o suficiente, ou talvez se trate apenas de uma questão de tempo, e se venha a assistir, daqui a alguns anos, a uma vaga de nostalgia por 'Rita Catita'; seja como fôr, o referido programa não deixa, à data, de ser um dos mais injustamente Esquecidos Pela Net da História da televisão portuguesa, apresentando um conceito e execução verdadeiramente originais e distintos, que mereciam ter tido mais impacto na cultura popular infantil portuguesa da época em que foi transmitido.

O único 'clip' do programa ainda disponível na net.

15.09.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

'Um programa sobre nada'. É essa a premissa por trás daquela que é muitas vezes considerada uma das melhores séries televisivas de sempre, capaz de unir gerações na base da gargalhada, mesmo quando algumas das situações apresentadas são já algo ultrapassadas quer do ponto de vista social, quer mesmo de uma perspectiva funcional, sendo hoje improváveis ou muito fáceis quer de prevenir, quer de resolver. Ainda assim, o conceito-base – a dinâmica entre quatro melhores amigos solteirões, cada um com sua 'pancada', numa espécie de versão mais neurótica e sarcástica do contemporâneo 'Friends' – mantém-se universal, sendo presumivelmente, a par da genial escrita, o principal factor que continua a atrair espectadores de todas as idades, mesmo três décadas e meia depois da estreia original da série nos EUA.

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Falamos, claro, de 'Seinfeld', uma das mais famosas e populares 'sitcoms' de sempre, e que lançou as carreiras dos seus quatro protagonistas – não só do comediante e criador Jerry Seinfeld (que interpreta uma versão semi-ficcional de si mesmo) como dos coadjuvantes Julia Louis-Dreyfus (que interpreta Elaine, a representante do sexo feminino no grupo), Jason Alexander e Michael Richards, estes últimos as verdadeiras 'estrelas da companhia', nos papéis do ultra-neurótico e inseguro George Costanza e do declaradamente tresloucado Cosmo Kramer, respectivamente. Juntos (e bem apoiados por profissionais da comédia como Larry David ou Jerry Stiller) os quatro criaram, ao longo dos nove anos de existência da série, situações e dichotes que penetraram na cultura popular não só do seu país de origem, como também de nações como Portugal – afinal, quem nunca lançou um 'nosoupforyou!' ou 'get outta here!'?

Com esta combinação única de talentos cómicos, excelentes guiões, tiradas icónicas (sempre ancoradas pela não menos intemporal e reconhecível linha de baixo 'slap' ouvido no genérico e em todas as transições) não é de admirar que, aquando da sua chegada a Portugal (curiosamente, já depois de concluída a transmissão nos EUA) a série tenha imediatamente granjeado um enorme número de adeptos, que passaram a sintonizar fielmente a TVI todas as noites, para meia-hora de riso garantido. Apesar de concebida num país com uma cultura completamente diferente da lusitana, a série adaptava-se marcadamente bem ao ambiente vivido no nosso País durante aqueles últimos anos do século XX, e 'caiu no gosto' de toda uma geração sarcástica, irónica e que se revia parcialmente naqueles personagens tão 'complexados' e cheios de problemas mundanos quanto eles, mas que se recusavam a deixar-se 'afundar' nas suas depressões, ou a criar dramas a partir das mesmas – o que, já de si, demarcava 'Seinfeld' da maioria das séries suas contemporâneas, e lhe dava um apelo muito mais intemporal do que as mesmas, ao mesmo tempo que a falta de 'linha condutora' ou enredo entre episódios convidava à revisão isolada dos momentos favoritos.

Prova dessa intemporalidade é, aliás, o facto de 'Seinfeld' fazer regressos periódicos aos ecrãs nacionais até aos dias de hoje (a última das quais em inícios de 2024) e marcar presença perene em muitos serviços de 'streaming', pronta a ser encontrada e apreciada pelas novas gerações, da mesma forma que sucedeu com os seus pais e até avós. Nada mau, para um 'programa sobre nada...'

11.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 09 de Setembro de 2025.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre as dezenas (senão mesmo centenas) de programas propostos pelos quatro canais nacionais ao longo de cada ano, existem aqueles que rapidamente caem no esquecimento, aqueles que 'pegam de estaca' e acabam por se eternizar na memória colectiva, tornando-se nostálgicos, e aqueles que transcendem o mero estatuto de entretenimento televisionado, extravasando as fronteiras do ecrã para se estabelecerem como parte integrante da cultura popular nacional. E embora estes casos sejam relativamente raros (ou talvez por causa disso), quando um deles surge na grelha televisiva da RTP, SIC ou TVI, a sua influência tende a manter-se muito para além do tempo de transmissão, sendo os mesmos ainda relembrados várias décadas após a sua conclusão. É, precisamente, esse o caso com o programa que abordamos neste 'post', sobre cuja estreia se celebraram há cerca de uma semana exactos vinte e cinco anos, e cujo legado continua bem vivo não só na mente dos portugueses, como nos próprios ecrãs das suas televisões, mesmo um quarto de século após a sua introdução na grelha da 'Quatro'.

O serão de dia 3 de Setembro de 2000 marca, pois, o ponto em que o panorama televisivo lusitano se alteraria irreversivelmente, e em que os espectadores nacionais tomariam pela primeira vez contacto com aquele que se viria a tornar um dos géneros mais populares do século XXI. Isto porque era nesta data que a TVI apresentava, pela primeira vez, o seu novo concurso, adaptado de um popular formato holandês, e que propunha seguir de perto, e em directo, a vida de catorze portugueses comuns, forçados a cohabitar numa casa especialmente construída para o efeito, e sujeitos a eliminações decididas pelo público, com base nos seus comportamentos e capacidade de engajar (ou não) quem via o programa. Era o início do 'Big Brother' em Portugal, e também de uma febre comparável à causada junto dos jovens por 'Dragon Ball Z', alguns anos antes, mas desta vez extensível a todas as faixas etárias e demográficas do País.

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De facto, o 'reality-show' da TVI (primeiro do seu género em Portugal) era de tal modo inescapável que até quem evitava declaradamente acompanhar o programa não conseguia deixar de estar a par do que nele se passava. Elementos como o confessionário, as provas (que garantiam ao vencedor imunidade contra a eliminação nessa semana) e as famosas 'câmaras nocturnas' instaladas nos quartos de cama rapidamente se tornaram tema recorrente de conversa, o mesmo sucedendo com grande parte dos concorrentes – ainda que alguns fornecessem mais 'tema de conversa' do que outros. Em particular, destacavam-se o afável pedreiro Zé Maria, o campeão de 'kickboxing' Marco (protagonista do mais controverso e polémico momento do programa), o recatado Telmo e, do contingente feminino, a carismática Susana e a 'desbocada' Sónia. Outros, por seu lado, mal deixariam marca na memória colectiva, havendo pouco quem se lembre de Riquita (a professora de Inglês eliminada em primeiro lugar) ou dos dois Ricardos, que rapidamente se lhe seguiram.

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A grelha de concorrentes do primeiro Big Brother.

Dos restantes, no entanto, parte significativa encontraria lugar cativo na cultura popular portuguesa, fosse por saberem como 'jogar o jogo', por terem simplesmente personalidades mais vincadas ou expansivas, ou por serem protagonistas de momentos controversos, como actos sexuais em directo (algo que chegou, previsivelmente, a gerar escândalos à época) ou momentos de descontrolo emocional, como aquele que viu Marco ser expulso da casa, apesar de não ter sido o escolhido do público, após agredir Sónia com o pontapé mais famoso da História da televisão portuguesa, senão de sempre, pelo menos desde os tempos áureos de Eusébio. O facto de tal acto (contra uma mulher, ainda para mais) não ter imediatamente excomungado o 'kickboxer' da memória popular nacional – tendo o mesmo, pelo contrário, adquirido estatuto de celebridade menor – diz muito do poder do 'Big Brother' sobre a psique colectiva portuguesa naquele período de pouco mais de três meses na segunda metade do ano 2000, cujo efeito sobre a sociedade fez com que parecesse muito mais longo.

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Marco, protagonista do mais polémico momento do programa, e único concorrente expulso da casa sem direito a votação.

De facto, era logo na véspera de Ano Novo que Zé Maria - o simples e espontâneo pedreiro que ajudara a colocar Barrancos no mapa por razões não ligadas à tauromaquia, e que conquistara o coração dos portugueses ao longo dos três meses anteriores - 'roubava' audiências aos habituais espectáculos da noite e recebia das mãos da anfitriã Teresa Guilherme o cheque que viria a mudar indelevelmente a sua vida, tomando o seu lugar como 'pedra basilar' de uma dinastia que, vinte e cinco anos depois, não mostra sinais de abrandar, com variações do 'Big Brother' a serem produzidas e transmitidas pela TVI até aos dias de hoje, quer no formato original, quer com a participação de celebridades. O sucesso do programa daria, também, o mote para o surgimento de uma série de outros 'reality shows' nas grelhas televisivas nacionais, o primeiro dos quais da responsabilidade da SIC, canal que rejeitara originalmente o Big Brother e procurava 'emendar' o seu erro. Nenhuma destas tentativas viria, no entanto, a ter sequer uma fracção do sucesso das duas primeiras séries do 'Big Brother', sendo apenas com 'Quinta das Celebridades' que o formato voltaria verdadeiramente a cativar audiências em massa.

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O momento da coroação de Zé Maria.

Mas se, para a TVI, o resultado foi positivo, já para o vencedor do concurso, a súbita riqueza e fama provariam ser demasiado 'pesadas', causando problemas do foro psíquico e levando a que Zé Maria se isolasse da sociedade, situação que ainda hoje se mantém, e que ninguém poderia ter previsto naquele momento em que, aos vinte e sete anos, o pedreiro recebia um cheque de vinte mil 'contos' e um carro, sob as luzes de um estúdio de televisão. Ainda assim, e apesar de tudo fazer para que o seu nome seja esquecido, Zé Maria estará, juntamente com os outros concorrentes, para sempre ligado ao início de uma nova etapa na programação portuguesa, e do 'reino' continuado de um novo formato que, um quarto de século depois e na sua 'enésima' edição, continua a gerar temas de conversa e a render lucro e audiências à estação que o transmite.

02.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 01 de Setembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O final dos anos 90 e inícios da década seguinte assistiram a uma mudança de paradigma no tocante à produção de séries televisivas, sobretudo (mas não só) nos Estados Unidos. Efectivamente, o básico formato de episódios de meia-hora com histórias diferentes e contidas em cada semana começou, progressivamente, a ter cada vez menor preponderância no mundo das emissões por cabo ou sindicadas, dando lugar a programas com histórias únicas e continuadas (num modelo semelhante ao das telenovelas), valores de produção mais altos e episódios mais longos, normalmente com cerca de uma hora – essencialmente, o formato hoje padronizado em plataformas como a Netflix e canais como aquele que é sinónimo com este tipo de séries, a HBO.

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Antes da 'era de ouro' de 'Sopranos', 'The Wire' e 'A Guerra dos Tronos', no entanto, a série mais conhecida e respeitada dentro deste formato específico – e também uma das suas pioneiras – era um drama político produzido pela NBC, com a Casa Branca norte-americana como pano de fundo, e que estreava nos ecrãs portugueses há exactos vinte e cinco anos, a 5 de Setembro de 2000. Tratava-se d''Os Homens do Presidente' ('The West Wing', no original), uma das mais aclamadas produções norte-americanas do género, e que viria, em décadas subsequentes, a ser inclusivamente alvo de artigos de análise política respeitantes aos seus episódios, tal era o cuidado e verosimilhança que os mesmos exibiam.

De facto, não descurando os necessários elementos dramáticos inerentes a qualquer trabalho de ficção, 'Os Homens do Presidente' punha ênfase declarada no realismo, tanto das suas personagens como das situações envolventes das mesmas, deixando que fossem as suas personalidades e os desafios que naturalmente enfrentavam a providenciar a tensão dramática de cada episódio ou temporada. Esta abordagem, mais tarde repetida em algumas das séries supracitadas, rapidamente ajudou a que a série se destacasse da maioria dos produtos televisivos da época, granjeando-lhe ao mesmo tempo uma audiência cativa, 'sedenta' de algo um pouco mais cerebral e absorvente em meio ao entretenimento descartável da maioria das grelhas televisivas. Tal sucesso levou, por sua vez, a que a série se mantivesse no ar durante sete temporadas, vindo a sair do ar apenas já na segunda metade da primeira década do século XXI.

E ainda que, em Portugal, o sucesso do programa não se comparasse ao dos seus EUA natais, a primeira transmissão da mesma (nas noites de Terça-feira da TVI) foi, ainda assim, suficiente para a colocar no 'radar' dos fãs de séries portugueses, onde permanece até aos dias de hoje, marcando ainda presença em várias plataformas de 'streaming' disponíveis no nosso País. E se a temática não era, necessariamente, apelativa à demografia então na infância e adolescência, também não terá faltado quem se deixasse fascinar pelos dramas vividos na Ala Oeste da residência oficial do Presidente dos EUA; para esses, aqui fica a recordação da estreia da série em Portugal, na semana em que se celebra um exacto quarto de século sobre essa efeméride.

08.04.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 7 de Abril de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Apesar de serem praticamente contemporâneas da popularização da televisão em Portugal, foi apenas nas duas primeiras décadas do século XXI que as telenovelas portuguesas começaram verdadeiramente a ser um género em si mesmo, e a marcar presença no quotidiano de portugueses de todas as idades. E apesar de aquela a que dedicamos as próximas linhas não ter sido a primeira representante desse ressurgimento, é a ela que é, hoje em dia, creditado o fim da hegemonia das produções brasileiras do género em Portugal. Nada melhor, pois, do que recordar esta pioneira de todo um género, sobre a primeira transmissão da qual se completa um exacto quarto de século à data de publicação deste 'post'.

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Ida ao ar pela primeira vez a 8 de Abril de 2000, na TVI (canal que se tornaria sinónimo com o género nas duas décadas subsequentes) 'Jardins Proibidos' tinha, desde logo, no genérico um primeiro chamariz, já que o tema homónimo de Paulo Gonzo que, previsivelmente, servia de banda sonora aos créditos continuava mais popular do que nunca entre a população portuguesa, sendo constantemente referenciado por miúdos e graúdos. Mais do que apenas uma música, no entanto, a novela em causa trazia também o habitual drama tão ao gosto do público 'noveleiro' (no caso, com a temática bem 'batida' mas sempre eficaz das paixões proibidas e das crianças ilegítimas) e um elenco repleto de nomes de vulto e 'promessas' da televisão portuguesa, de Núria Madruga, Fernanda Serrano, Lídia Franco, José Raposo, Lurdes Norberto, Vera Kolodzig, Pedro Penim, Pedro Granger ou Rita Salema a futuras estrelas como Diogo Valsassina, Daniela Ruah ou Alexandre Personne (que chegou a apresentar o 'Clube Disney' e participou na adaptação televisiva dos livros da colecção 'Uma Aventura').

Uma conjugação de factores que não poderia deixar de transformar a novela num sucesso, que provou que era possível criar e difundir um programa deste tipo com produção cem por cento nacional. É, aliás, esse o principal legado de 'Jardins Proibidos', tendo toda e qualquer novela exibida na televisão portuguesa nos últimos vinte e cinco anos uma divida de gratidão para com a criação de Manuel Arouca e Tomás Múrias, tendo a mesma tido inclusivamente tido a honra de ser a primeira telenovela portuguesa de sempre a ter direito a um 'remake', estreado em 2014. Razões, pois, mais do que suficiente para lhe prestarmos homenagem por alturas do seu vigésimo-quinto aniversário

11.03.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 10 de Março de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

De entre os muitos géneros televisivos a florescer nos anos 90, o drama adolescente foi um dos que mais séries de sucesso gerou (a par da vertente mais cómica dirigida ao mesmo público). Encabeçado por séries como 'Beverly Hills 90210', 'Melrose Place' ou 'Dawson's Creek', este estilo de produção viu, durante os últimos anos do século XX, um sem-fim de outros representantes (entre eles a produção nacional 'Riscos') conseguir relativo sucesso entre os jovens de todo o Mundo, e catapultar para o sucesso um grande número de novas 'mini-estrelas', à semelhança do que, na década seguinte, fariam as séries de comédia do Canal Disney. Um exemplo perfeito deste fenómeno foi a série responsável por apresentar ao mundo Neve Campbell (futura estrela da franquia 'Gritos'), Jennifer Love Hewitt (também ela estrela principal de uma franquia de terror em finais do século, no caso 'Sei O Que Fizeste No Verão Passado', além de várias comédias românticas) Lacey Chabert (a icónica Gretchen Wieners de 'Giras e Terríveis') ou Matthew Fox, o futuro Jack de 'Perdidos'.

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Falamos de 'Adultos À Força' (ou 'Party Of Five', no original), a história de cinco irmãos órfãos (após a morte dos pais num acidente de viação) que são obrigados a enfrentar, prematuramente, as responsabilidades, os desafios e as agruras da vida adulta, em particular no caso dos mais velhos, Charlie (Fox) e Bailey (Scott Wolff), a quem cabe providenciar para as duas irmãs mais novas (Campbell e Chabert) e para o irmão bebé. Uma fórmula mais séria do que o habitual para o género do drama adolescente, cujo foco costumava incidir, sobretudo, sobre as relações interpessoais, romances, ou problemas com a lei, que demorou a 'carburar' (as duas primeiras temporadas tiveram audiências diametralmente opostas à boa recepção crítica de que gozaram, numa inversão da habitual tendência) mas que, uma vez 'engatada', conseguiu cativar a demografia-alvo, a ponto de ficar no ar nos seus EUA natais durante seis temporadas, entre 1994 e 2000, conseguindo mesmo afirmar-se como mais longeva do que algumas das 'concorrentes' mais famosas, e tendo até direito a uma 'actualização' em plena era 'pandémica', vinte anos após a sua conclusão, e mais de um quarto de século após a sua estreia.

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O elenco original da série.

Já em Portugal, a série teve uma 'estadia' bastante menos prolongada, mas conseguiu ainda assim granjear alguma atenção aquando da sua estreia na TVI, há exactos trinta anos, em Março de 1995 – muito por conta dos constantes 'spots' publicitários a darem conta da transmissão da mesma nos intervalos dos programas da estação de Queluz. Assim, embora consideravelmente atrás de outras séries veiculadas na mesma altura, como a supramencionada 'Beverly Hills 90210', as cómicas 'Já Tocou!' e 'Parker Lewis', ou mesmo 'O Anjo Adolescente', exibido na RTP como parte do 'Clube Disney', o programa conseguiu ainda assim ter os olhos de bastantes elementos da geração 'rasca' (os 'millennials' eram ainda algo novos para se interessarem por um drama deste tipo) colados às peripécias dos titulares 'Adultos À Força', e terá deixado memórias nostálgicas a pelo menos um segmento da população jovem da época, justificando assim estas breves linhas recordatórias por ocasião do trigésimo aniversário da sua estreia nacional.

24.02.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A ficção científica era, sem dúvida, um dos géneros mais em alta no tocante a conteúdos televisivos norte-americanos, com séries como 'Ficheiros Secretos', 'Stargate SG-1', 'Star Trek Deep Space Nine' e a reimaginada 'Battlestar Galactica' a fazerem as delícias dos aficionados do histórico género. A estas, havia ainda que juntar uma quinta, estreada há quase exactos trinta e dois anos nos seus EUA de origem, e chegada a Portugal dois anos depois (contados praticamente ao dia), o que faz com que celebre, por estes dias, as três décadas sobre a sua estreia nacional.

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Falamos de 'Babylon 5', a inovadora 'obra literária televisionada' saída da imaginação de J. Michael Straczynski, que mais tarde utilizaria o sucesso desta série como impulsionador de uma carreira que inclui, até à data, guiões para filmes e enredos para a Marvel Comics, entre outras conquistas. Tudo começou, no entanto, na estação espacial homónima deste programa, onde se desenrolou, durante cinco temporadas (mais uma longa-metragem final), a história previamente imaginada por Straczynski, que desafiou todas as convenções televisivas ao iniciar a série já com um ponto final definido, limitando-se depois a fazer 'mover' a acção em direcção a essa conclusão. Esta abordagem, diametralmente oposta ao habitual 'enredo da semana' e ao formato de 'pontas soltas' da maioria das séries, permitiu ao autor e à sua equipa engendrar histórias multi-facetadas para cada personagem, as quais podiam durar vários episódios, ou até transitar de uma temporada para outra, afectando não só a personagem em foco, mas também aqueles que a rodeavam e até o universo mais alargado da série.

E se, hoje em dia, tal estrutura constitui a norma, à época, Straczynski e 'Babylon 5' fizeram História, produzindo uma série diferente de qualquer outra vista até então, e que não podia deixar de granjear uma considerável base de fãs. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo o programa sido muito bem recebido aquando da sua chegada à TVI, onde fez parte da grelha de Domingo à tarde na fase em que a estação era, ainda, conhecida como 'a Quatro', acompanhando-a na transição para o canal que hoje conhecemos. E apesar de o planeado 'regresso', em 2021, nunca se ter concretizado, a série tem, ainda assim, História e credenciais suficientes (em Portugal e não só) para merecer que lhe dediquemos estas breves linhas, no mês em que completa trinta e dois anos de vida, e trinta sobre a sua estreia no nosso País

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