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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

05.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 5 de Outubro de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Nas últimas edições desta rubrica, temos vindo a falar de séries para adolescentes americanas dos anos 90 que, por alguma razão, tiveram igual repercussão por terras lusitanas; e depois de termos falado das principais representantes da vertente mais séria e mais cómica do estilo, chega hoje a vez de falarmos do terceiro concorrente nesta competição pelo interesse dos espectadores mais jovens, o qual não chegou a conseguir o mesmo nível de sucesso das suas congéneres, mas deixou ainda assim a sua marca entre o público infanto-juvenil da época.

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Falamos de ‘Parker Lewis’ (ou ‘Parker Lewis Can’t Lose’, como era conhecido no seu país de origem), uma ‘sitcom’ da Fox que pegava em alguns dos elementos utilizados pela série rival, ‘Já Tocou!’, os aumentava a um nível quase caricatural, e os misturava com uma boa dose de inspiração retirada do filme ‘O Rei dos Gazeteiros’, que muitos dos nossos leitores mais provavelmente conhecerão pelo seu título original, ‘Ferris Bueller’s Day Off’.

Tal como o filme de 1982, ‘Parker Lewis’ segue as aventuras do gazeteiro e ‘gozão’ do mesmo nome (interpretado por Corin Nemec, que não viria a ter quaisquer outros papéis de nota), um sucedâneo (ou sucessor) de Ferris Bueller que frequenta  uma escola secundária californiana e que, com a ajuda dos seus dois melhores amigos e alguns outros colegas menos chegados, faz a vida negra à directora da escola, enquanto tenta evitar os ‘ataques’ estilo partida de Carnaval da sua maléfica irmã mais nova.

Uma premissa bastante comum, e até algo gasta, para uma série deste tipo, mas que, neste caso específico, era apimentada com uma dose considerável de referências à cultura ‘pop’da época e daquilo a que se convencionou chamar ‘fourth wall breaking’ – aquele fenómeno em que os personagens sabem estar dentro de uma ficção, e utilizam alguns dos elementos da mesma a seu favor. Embora não totalmente original – Zack Morris, de ‘Já Tocou!’, também era conhecido por se dirigir directamente aos espectadores, por exemplo – esta abordagem granjeava algum interesse a ‘Parker Lewis’, e ajudava a série a cimentar um lugar no concorrido mercado de ‘sitcoms’ para adolescentes, tanto nos EUA como em Portugal.

parker-lewis-cant-lose-the-complete-first-season-2O personagem principal em modo 'fourth wall break'

Ainda assim, o sucesso das aventuras de Parker e seus amigos não foi tão pronunciado que levasse à exibição em Portugal das três séries criadas pela Fox entre 1990 e 1993; a série passou em terras lusas durante apenas um ano, substituindo precisamente ‘Já Tocou!’ na grelha da TVI. Nesta batalha em particular, no entanto (e apesar dos ‘gadgets’ de que Parker e os seus comparsas dispunham na sua base secreta por baixo do ginásio) pode dizer-se que o liceu de Bayside saiu claramente a ganhar do confronto com o liceu de Santo Domingo - e que Parker Lewis, que segundo o próprio título da série, 'não pode perder'...perdeu. Ainda assim, os planos de Parker foram suficientemente bem sucedidos para lhe granjear algumas linhas – bem como a honra de concluir a retrospectiva sobre séries para adolescentes dos anos 90 - aqui neste nosso blog…

20.09.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O início dos anos 90 viu chegar a Portugal a febre das séries de adolescentes norte-americanas, a qual teve tal impacto entre a demografia-alvo que levou, inclusivamente, a que um dos quatro canais portugueses tentasse produzir um equivalente ‘tuga’, do qual paulatinamente falaremos; e depois de na última Segunda de Séries termos abordado o principal expoente desta febre, chega hoje a vez de examinarmos uma das duas alternativas mais cómicas à suposta seriedade de 90210. Agarrem, portanto, nas vossas roupas e acessórios mais berrantes e espalhafatosamente ‘90s’, pois está na hora de viajar até ao liceu de Bayside, na Califórnia, onde…Já Tocou!

Sim, ‘Já Tocou’, mais conhecido hoje em dia pelo seu nome original, ‘Saved By The Bell’, e que se perfilava como a resposta em formato ‘sitcom’ à ‘soap opera’ de ‘Beverly Hills 90210’. Tal como naquela série, o foco principal eram as desventuras de um grupo de jovens – estes verdadeiramente adolescentes, e como tal bem mais realistas do que os ‘vintões’ ebonecados vide Beverly Hills – durante o seu dia-a-dia numa típica escola secundária americana. Entre namoricos e confrontos com o desafortunado director Mr. Belding, a pandilha liderada pelo ‘loirinho’ de farripas Zack Morris (Mark-Paul Gosselaar) lá ia resolvendo um problema por semana, não podendo também faltar os habituais episódios especiais sobre problemáticas tão 90s como o consumo de drogas - no caso, comprimidos de cafeína, naquele que é o episódio mais memético e recordado da série.

Um dos melhores momentos de comédia involuntária da história da televisão moderna...

Tal como em outras séries deste tipo, no entanto, os enredos eram o que menos interessava; o que fazia a série resultar (e resultava) eram os diálogos cheios de ‘one-liners’ e a química entre os personagens, com destaque para o impagável Screech, o ‘totó’ do grupo, interpretado pelo malogrado Dustin Diamond, à época ainda verdadeiramente adolescente (Diamond tinha apenas 11 anos quando a série estreou nos EUA, o que torna as suas prestações simultaneamente mais naturalistas e mais impressionantes que as dos seus coadjuvantes mais velhos.) Dos restantes, destaque para Mario Lopez, o musculado Slater, e para a paixoneta de todos os jovens da altura, Tiffani-Amber Thiessen – ou antes, Kelly Kapowski, o vértice feminino do habitual triângulo amoroso, aqui com os ‘frenemies’ Zack e Slater como pretendentes.

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Os protagonistas principais da série

No fundo, pois, uma típica série de comédia juvenil norte-americana, mas que resultava muito bem, e que conseguiu o seu público em Portugal (como, aliás, aconteceu também nos seus Estados Unidos natais) aquando da sua transmissão pela TVI, em 1993-94. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer das sequelas, das quais apenas ‘Já Tocou…Na Faculdade’ passou em Portugal, tendo um impacto e sucesso consideravelmente menores relativamente ao original, talvez porque as premissas nas quais a série se baseava não resultassem tão bem fora do contexto do secundário, ou talvez porque o público tivesse simplesmente ‘partido para outra’…

Seja como for, no entanto, é inegável que ‘Já Tocou’ – o original – foi uma série marcante para muitos jovens portugueses da primeira metade dos anos 90 (entre eles este que vos escreve) que não tinham grande ‘pachorra’ para o dramalhão de ‘90210’, e só queriam dar umas gargalhadas antes do jantar - e só isso já é´suficiente para a fazer merecer um espaço nesta série de artigos sobre séries adolescentes do ‘nosso’ tempo.

20.07.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Já aqui falámos, em edições passadas desta rubrica, de programas infantis de enorme sucesso, como o Buereré ou o Batatoon; hoje, chega a vez de recordarmos um seu antecessor que, embora não tão lembrado hoje em dia, chegou a fazer considerável sucesso à época da sua estreia, na primeira metade dos anos 90.

Falamos de ‘A Casa do Tio Carlos’, o pioneiro da programação infantil da então recém-criada TVI – na altura ainda conhecida por muitos apenas como ‘4’.

Na época em que ainda era mais conhecida como 'o canal da Igreja Católica’ do que como a máquina de telenovelas e ‘reality shows’ que se viria a tornar anos mais tarde, o canal de Queluz fazia desta hora infantil bem à sua imagem um dos seus baluartes na luta de audiências contra a (à época) mais populista SIC; e se a aposta não foi totalmente ganha, por uma série de factores que em tempo abordaremos, também não se pode que a experiência tenha sido um falhanço – longe disso.

O programa ganhava pontos, desde logo, pelo seu carismático apresentador– o cantor e compositor Carlos Alberto Moniz, o titular ‘Tio Carlos’, uma espécie de versão portuguesa do americano Mr. Rogers, e igualmente bem conhecido e apreciado pelo público-alvo pelo seu trabalho como ‘Avô Cantigas’, na década anterior. A sua forma de apresentar – calma, serena e baseada em interacções genuínas e naturais com as crianças que tinham a sorte de poder assistir ao vivo – contrastava com a jovialidade forçada da maioria dos outros apresentadores infantis, e contribuía para a atmosfera pacata e ‘segura’ do programa, a qual se coadunava perfeitamente com as bolachas, o leite com chocolate e a vontade de ‘descansar’ que as crianças sentiam depois de um dia inteiro de escola.

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O apresentador do programa, no seu ambiente natural

No entanto, até o melhor programa infantil está fadado ao insucesso se não tiver desenhos animados à altura do formato – e era aqui, sobretudo, que ‘Tio Carlos’ ficava aquém das expectativas. Apesar da aposta - sempre bem-vinda - nas curtas clássicas dos Looney Tunes ou Tom e Jerry, bem como em conteúdos ‘made in Portugal’ e até segmentos de ‘acção real’, a restante oferta da TVI ficava, ainda, a ‘milhas’ do que o que a SIC apresentava na mesma época, e mesmo daquilo que a própria TVI viria a exibir poucos anos depois – como, aliás, se pode comprovar no programa da fase inicial que deixamos, na sua íntegra, no fim deste post. Mesmo numa época em que 'Dragon Ball Z’ e ‘Power Rangers’ ainda estavam a alguns anos de distância, eram precisos mais do que alguns desenhos animados ‘giros’ com quarenta ou cinquenta anos para captar a atenção e fidelizar o público jovem – e nesse aspecto, Carlos Alberto Moniz bem se pode sentir injustiçado. Numa fase mais tardia, o programa viria efetivamente a ganhar alguns trunfos, nomeadamente 'Heathcliff', que equilibravam um pouco a contenda, mas nem esta adição (literalmente) de peso chegou para evitar que o programa fosse cancelado, em 1994.

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'Heathcliff', a mais conhecida das séries do programa

Uma pena, pois, tirando os ‘bonecos’, ‘Tio Carlos’ tinha tudo o que se pedia a um programa infantil da época: jogos, passatempos, números musicais, convidados, momentos educativos sobre temas genuinamente interessantes para crianças, um apresentador de carisma e tarimba confirmadas, e até um genérico de abertura memorável e cantarolável, como se pedia na altura. Talvez, com um acervo de séries um pouco mais forte, o programa tivesse conseguido permanecer no ar mais do que o ano e pouco que durou, e tornar-se num verdadeiro 'contender' da programação infantil dos anos 90, em vez do 'dark horse' que efetivamente foi.

Ainda assim, para um programa da fase ‘tubo de ensaio’ de um novo canal, em que cada novo dia era mutável e incerto, passar mais de um ano no ar ininterruptamente não deixa de ser uma proeza, especialmente numa época em que a oferta da televisão pública neste campo primava pela força, e em que a SIC também já ia alinhavando uma estratégia que viria a render frutos a muito curto prazo. Certo é que quem ‘esteve lá’ certamente continua a recordar com carinho este programa, significativamente diferente do que mais se ia fazendo no campo da programação infantil na época, mas nem por isso pior; de facto, não fora a falta de êxitos imediatos e a aposta num pendor algo mais educativo, podia ser que se falasse hoje de ‘A Casa do Tio Carlos’ da mesma maneira que se fala dos seus principais rivais…

 

15.06.21

NOTA: Este post é relativo a segunda-feira, 14 de Junho de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A imagem é icónica – um jovem adolescente, de cabelo pontiagudo, conduz a bola por um campo interminável afora, aproximando-se de uma baliza que vai, gradualmente, aparecendo no horizonte. Uma vez as redes à vista, o mesmo desfere um potente remate; o guarda-redes adversário estica-se, mas em vão – a bola ultrapassa-o, em arco, e anicha-se literalmente nas redes, por vezes chegando mesmo a furá-las, tal a violência do tiro.

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Podem começar já a festejar...este já lá mora

A cena é, claro, retirada de ‘Captain Tsubasa’, quiçá a mais famosa série animada sobre futebol de todos os tempos, e uma velha conhecida das crianças portuguesas de finais do século XX e inícios do XXI. Isto porque, ainda antes da memorável transmissão, no canal Panda, da dobragem espanhola de ‘Captain Tsubasa J', e das subsequentes (e múltiplas) transmissões da série original e de ‘Road to 2002’ com dobragem portuguesa, sob o título ‘Oliver e Benji - Super Campeões’, a primeira encarnação da série já havia passado nas RTPs, no início da década de 90, com o título ‘Capitão Hawk’ - uma ‘mais ou menos tradução’ do título original da série – e na sua versão original em japonês. Ou antes, os primeiros 50 e poucos episódios passaram em japonês (na RTP1); a partir do episòdio 54, a série passa para a RTP2, e é, inexplicavelmente, transmitida na dobragem italiana!

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Cena-título do genérico da série original de 'Captain Tsubasa', transmitida na RTP em 1993

Ainda assim, este foi, para muitas crianças, o primeiro contacto com uma das mais míticas séries da primeira vaga de anime – contacto que se viria, posteriormente, a restabelecer aquando da transmissão da série no Panda (a ‘reprise’ na SIC e TVI já foi mais relevante para a geração seguinte do que propriamente para a que seguira a série em 93-94.)

O que muitos dos jovens fãs de Tsubasa talvez não soubessem (ou que entretanto podem ter esquecido) é que houve, durante os anos a que este blog diz respeito, várias outras séries sobre futebol a passar na televisão portuguesa – nenhuma, obviamente, com o nível de sucesso de Oliver, Benji e seus companheiros, caso contrário seriam recordadas até hoje. Ainda assim, em tempo de Europeu, vale a pena recordar estes desenhos animados, ainda que nenhum deles fizesse referência a esta competição ou fosse sequer feito neste continente.

E já que iniciámos este post com uma referência a Oliver e Benji, nada melhor do que continuar com uma breve alusão a uma série que pouco ou nada tinha a ver com esta. Senão veja-se – ‘O Ponta de Lança’ (no original ‘Ganbare, Kickers!’ trata de uma equipa de futebol de um colégio, que tenta a todo o custo não ser o ‘bombo da festa’ dos torneios inter-escolas, até se ver reforçada com um estudante de intercâmbio com algum jeito para a coisa, e que revoluciona o estilo de jogar do colectivo, bem como as suas ‘performances’ em campo. Ah, e o capitão e líder desta equipa é o guarda-redes, o único outro elemento com algum talento. E o dito guarda-redes usa boné. E o titular ponta-de-lança tem cabelo preto espetado. E o equipamento da equipa é branco. NADA a ver com ‘Tsubasa’, portanto…

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Qualquer semelhança é pura coincidência...

Sarcasmos à parte, ‘O Ponta-de-Lança’ é TÃO parecido com ‘Super Campeões’ que um espectador mais distraido corre mesmo o risco de confundir as duas séries. Previsivelmente, esta táctica declaradamente ‘copycat’ (‘Tsubasa’ foi criado em 1981 e transformado em anime em 1983; ‘Kickers’ é de 1985, e a versão anime, do ano seguinte) não se traduziu em sucesso, tendo a série tido apenas uma temporada, de 26 episódios, e passado quase despercebida pela RTP1, sensivelmente um ano depois de ‘Tsubasa’ ter sido transmitido na mesma emissora (até aqui o padrão se manteve!), sem no entanto conseguir suprir a lacuna deixada pela partida de Oliver e Benji.

E já que falamos em animes de futebol, uma breve nota para recordar ‘I Ragazzi del Mundial’, ou ‘Soccer Fever’ (o título português era algo como 'A Febre do Mundial de Futebol'), uma co-produção entre o Japão e a Itália alusiva ao Mundial de 1994, e a única das séries aqui abordadas a ter ligação directa a uma prova real do mundo do futebol, ainda que não ao Campeonato Europeu.

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As personagens principais de Soccer Fever, de 1994

Nela, um jornalista reformado aproveita o entusiasmo do jovem neto pela prova em causa para recordar as peripécias que vivera mais de 60 anos antes, durante a cobertura do Mundial de 1930. Estas histórias serviam, então de pretexto para dar lições de ‘história ficcionada’ sobre a prova do início do século, numa espécie de ‘Horrible Histories’ futebolístico. Uma série bem escrita, bem animada e com um grande tema de abertura, mas que por qualquer razão passou despercebida aquando da sua transmissão no Canal Panda, em finais da década de 90 – e escusado será dizer que pelo menos essa transmissão portuguesa se insere na cada vez mais vasta categoria de Esquecidos Pela Internet…

Uma série com ESTE tema de abertura não merece cair no esquecimento...

O mesmo, aliás, se pode dizer da última série abordada neste post. Transmitida no Batatoon com o genérico título de ‘Histórias do Futebol’, afirmava-se como a verdadeira trasladação do conceito de ‘Horrible Histories’ para um contexto futebolístico, apresentando as viagens através do tempo de um locutor de futebol escocês (de boina e kilt – afinal, estávamos nos anos 90…) e do seu microfone, que tinha vida própria. Em cada episódio, este duo visitava uma época diferente da História (daí a parecença com Horrible Histories) para assistir a uma partida de futebol entre equipas convenientemente ‘adaptadas’ ao período em causa, durante os quais havia ensejo de realçar e explicar uma das regras oficiais do jogo (daí a tradução inglesa do título como ‘Official Rules of Football’.)

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Esta era, também, uma série bastante boa, sem ser nada de extraordinário; no entanto, nos dias que correm, a mesma parece ter sido quase totalmente esquecida pelos internautas, a ponto de haver exactamente UM tópico em toda a Internet lusófona que a recorda – e episódios, só em Inglês, naturalmente...

Como tema de abertura, este também não é nada mau...

Mesmo esquecidas como hoje em dia são (com a óbvia excepção de ‘Tsubasa’ que, qual fénix, regressa de tempos a tempos para cativar mais uma geração de jovens adeptos) vale a pena fazer menção a estas séries, que procuravam unir duas das principais paixões das crianças, sejam de que época forem. É de lamentar, pois, que apenas uma o tenha conseguido – se bem que, no fim das contas, uma seja melhor do que nada…

31.05.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O primeiro post 'a sério' deste blog, precisamente uma Segunda de Séries, foi dedicada à série de ‘anime’ mais vista de sempre em Portugal, 'Dragon Ball Z'. O post de hoje é dedicado à segunda colocada nessa ‘corrida’ em particular, a saga de um espadachim a soldo no Japão medieval e dos seus companheiros – uma jovem decidida, um órfão pré-adolescente e um ex-soldado do exército japonês. O seu nome? 'Rouronin Kenshin', mais frequentemente conhecida como 'Samurai X'.

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Originalmente produzido entre 1995 e 96, o relato animado das aventuras de Kenshin Himura ‘Battousai’ – o Samurai do título –  chegaria a Portugal já ao ‘cair do pano’ do século XX (e do segundo milénio), ainda a tempo de cativar toda uma geração de jovens, e de aumentar exponencialmente a média de idades dos espectadores do progama onde estreou, o Batatoon. De facto, o ‘anime’ foi das poucas séries de índole mais séria veiculadas pelo popular segmento infanto-juvenil da TVI, e a sua colocação na grelha do mesmo - onde era o primeiro desenho animado a ser exibido - fazia com que muitos dos espectadores mais velhos, pouco ou nada interessados no programa em si, dessem um ‘saltinho’ ao quarto canal durante a meia-hora que durava a série, e mudassem para outra emissão logo a seguir. Quanto aos mais novos – o público-alvo do Batatoon propriamente dito – a série era, para eles, não menos cativante, especialmente pelo seu carácter mais violento (embora em moderação) relativamente aos restantes ‘animes’ transmitidos em Portugal à época, como Sailor Moon.

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O memorável grupo de personagens principais da série.

Este apelo transversal, e quase universal, devia-se a um simples factor: ‘Samurai X’ estava muito, mas mesmo muito bem feito. O material original já era, em si mesmo de grande qualidade – bem escrito, com animação fluida e excelentes temas de abertura e, principalmente, fecho – e a dobragem portuguesa ainda adicionava mais charme ao todo, sendo universalmente considerada uma das melhores e mais cuidadas alguma vez feitas no nosso país (neste aspecto em particular, ‘X’ era o exacto oposto de ‘Dragon Ball Z’, que ficou bem conhecido pela sua ‘gag dub’ maioritamente improvisada.) Os enredos eram empolgantes (e apropriados a todas as idades, o que também não deixava de ser raro) e o esforço de todos os envolvidos com a tradução e localização da série era evidente a cada episódio. Os jovens – que, ao contrário do que normalmente se pensa, são tudo menos parvos – reconheceram essa dedicação, e transformaram ‘Samurai X’ num ‘hit’ de culto, longe da popularidade estratosférica de ‘Dragon Ball Z’, mas ainda saudosamente recordado pela maioria dos ‘putos’ daquela época.

Embora não caísse nos extremismos de 'Dragon Ball Z', 'Samurai X' deixava lugar aos momentos de humor semi-improvisados.

Com a dose certa de mistério, aventura, acção e um toque de humor bem característico, ‘Samurai X’ merece o lugar que ainda ocupa entre os ‘otakus’ portugueses crescidos nos anos 90 – e que, mesmo desde então, apenas ‘Naruto’ conseguiu ameaçar…

Os temas de abertura e fecho do 'anime' ,tão cuidados e memoráveis como os restantes aspectos técnicos

13.04.21

NOTA: Este post corresponde a Segunda-feira, 12 de Abril de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

E hoje falamos de uma série que, apesar de dirigida a um público adulto, fez também grande sucesso entre os grupos etários mais novos quando foi transmitida em Portugal – primeiro pela RTP e depois, memoravelmente, pela TVI.

Sim, essa mesmo – a lendária 'Baywatch', conhecida em Portugal como ‘Marés Vivas’, e que marcou as tardes de muitas crianças e adolescentes durante aquela década.

Inicialmente concebida em 1989, como homenagem a um acontecimento real, a série sobre a equipa de banheiros salva-vidas mais atraente da história não viria, no entanto, a conhecer sucesso até ao início da década seguinte, tendo as audiências da primeira temporada sido bastante discretas por comparação com as dez seguintes. Ainda assim, após ter ganho tracção, a série tornou-se um verdadeiro fenómeno, sendo ainda hoje o programa de ficção mais visto da história da televisão.

Como não podia deixar de ser, esse sucesso acabaria, eventualmente, por ‘dar à costa’ em Portugal (sem que houvesse qualquer equipa de esculturais salva-vidas pronta a prestar socorro) alguns anos depois de ter conhecido sucesso nos EUA – como, aliás, costumava acontecer com a maioria dos produtos de ‘media’ daquele tempo. Talvez conhecedora do sucesso que o programa fazia do outro lado do Atlântico, a RTP comprou os direitos de transmissão, tornando-se a primeira estação a exibir as aventuras de Mitch Buchannon e companhia em território nacional. O proveito, no entanto, ficaria para a TVI, pois seria sob a alçada da estação de Queluz que a série viveria o seu momento de maior popularidade entre os espectadores portugueses. Ao todo, foram cinco anos, de 1992 a 1997, em que o grupo de nadadores-salvadores de Malibu se tornou companhia fiel de miúdos e graúdos, tornando a série num dos mais memoráveis êxitos da televisão portuguesa nos anos 90.

A razão para este sucesso, essa, é bem conhecida…

 

Sim, a famosa ‘corrida em câmara lenta’, a principal imagem de marca de ‘Marés Vivas’, é famosa ao ponto de se ter tornado meme na Internet...antes mesmo de existir o conceito de meme. Concebida com o fito único de realçar os atributos físicos do elenco, acontecia no mínimo uma vez por episódio, e era o momento favorito da maioria dos espectadores, até aqueles que viam a série pelas histórias. Isto porque os ‘corredores’ constituíam um verdadeiro desfilar de corpos esculturais, com destaque para Pamela Anderson Lee (dona, à época, das curvas mais conhecidas do Mundo) mas entre os quais também se contavam nomes como Carmen Electra e Yasmin Bleeth (do lado das mulheres), ou os 'três Davids' - David Chokachi, David Charvet e o próprio Hasselhoff - do lado dos homens, todos presenças assíduas nas revistas de 'teen idols' da época. No cômputo geral, havia muito que admirar, fazendo com que valesse a pena ver os episódios, até quando as histórias eram mais ‘fraquinhas’…

Que não se pense, no entanto, que as tais cenas em ‘slow-motion’ eram tudo o que Marés Vivas tinha para oferecer; pelo contrário, no auge da sua popularidade, o programa contou com ‘cross-overs’ com a companhia de luta-livre americana WCW, entre outros atrativos de peso para o público jovem. Isto sem esquecer Hobie o filho de Mitch, um personagem adolescente destinado a servir de ‘elo’ com o público, e que era relativamente bem-sucedido nessa missão. No entanto, não vale a pena tentar negar que, sem as mulheres em fato de banho e os homens em tronco nu a correr na praia, tudo isto teria sido, mais ou menos, em vão…

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Em suma, ‘Marés Vivas’ era exatamente aquilo que ambicionava ser – uma série ‘levezinha’, declaradamente ‘popcorn’, de escapismo puro (veja-se o elenco…) e que se alinhava perfeitamente com outros produtos televisivos da época que aqui abordaremos paulatinamente, como ‘Beverly Hills 90210.’ O legado e estatuto de que hoje goza devem-se, sobretudo, à paixão da Internet pela nostalgia da infância, para a qual estamos, neste preciso momento, a contribuir. Ainda assim, o seu sucesso foi suficiente para justificar não uma, mas DUAS séries ‘spin-off’, ‘Baywatch Nights’ e ‘Baywatch Hawaii’, esta com Jason Momoa com um dos membros da equipa.

É claro que nenhuma das duas sequer ameaçou atingir os níveis de sucesso do original, e o ‘franchise’ viria mesmo a desaparecer da memória colectiva da sociedade em geral…até 2017, em que a febre dos ‘remakes’ de tudo e mais alguma coisa levou a uma tentativa de ressuscitar ‘Baywatch’, sob a forma de um filme com The Rock e Zac Efron nos principais papéis, e uma toada mais declaradamente cómica.

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Poster do filme de 2016

Apesar da recepção afável de que gozou, no entanto, o filme não deixou totalmente satisfeitos nem os fãs da série – que não gostaram do tom de paródia – nem aqueles que esperavam uma abordagem mais sarcástica, para os quais o filme se afirmou demasiado sério. Assim, e até ver, a dita longa-metragem terá mesmo sido o último prego no caixão deste ‘franchise’ que marcou tantas crianças e adolescentes durante os seus anos áureos – não sendo Portugal exceção a essa regra.

E vocês? Viam? Gostavam? Qual o vosso salva-vidas-modelo favorito? Por aqui, a então jovem Carmen Electra ganhava (e ainda ganha…) à plástica Pamela… Concordam? Discordam? Façam-se ouvir nos comentários!

06.04.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

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Está no ar

O Batatoon

A alegria já está para chegar

Chegou o Batatinha, sempre a sorrir

E o Companhia para atrapalhar…!

Pois é, depois de na semana passada termos falado do ‘rei’ dos programa infantis durante a década de 90, hoje, chegou o momento de falarmos do principal rival – ou antes, sucessor – de Ana Malhoa nos corações das crianças portuguesas: o palhaço Batatinha, e o seu inesquecível e inimitável Batatoon.

No ar a partir de 1998, na ‘outra’ estação independente da televisão portuguesa, o Batatoon desfrutou – pensadamente ou não – do ‘timing’ perfeito para se tornar campeão das audiências infantis. Isto porque foi, precisamente, em 1998 que o Buereré deixou de lado o formato de auditório, para se tornar apenas mais um bloco de desenhos animados no horário pós-escolar das tardes de semana. O caminho estava, assim, aberto para que António Branco e Paulo Guilherme – mais conhecidos pelas suas identidades artísticas como a dupla de palhaços Batatinha e Companhia – apanhassem a ‘bola’ largada por Ana Malhoa e, no canal rival, erguessem um programa muito semelhante, e com tanto (ou mais) sucesso.

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A dupla de apresentadores do programa

Por comparação com o Buereré, o Batatoon afirmava-se como um programa menos ‘foleiro’ e ‘over-the-top’, mais centrado nas rábulas dos dois palhaços e nos desenhos animados em si, e menos em convidados ou grandes números musicais coreografados – o que não impedia que o genérico inicial e final fossem acompanhados de coreografias próprias, das quais a mais conhecida e memorável é o inesquecível esbracejar ao som de ‘Ba-Bata-Batatooooooon!’

No entanto, tirando esses dois momentos, e o ocasional aniversário de um participante (também com música e danças a condizer), o programa deixava de parte o lado musical em favor das vinhetas em estilo ‘pastelão’ dos dois apresentadores, cujos vários anos de trabalho em conjunto – primeiro no ‘Circo Alegria’ da RTP, e mais tarde no ‘Vamos ao Circo’ da SIC – lhes outorgavam uma química invejável, que resultava em muitos e bons momentos de humor, sempre concluídos com o Companhia a levar um chuto em direção à mítica ‘portinha’ (que se presume fosse a propria porta de saída do estúdio, embora isso ficasse a cargo da imaginação dos espectadores.) O restante tempo era, para além dos próprios desenhos animados, preenchido por jogos e passatempos, tanto com a participação das crianças convidadas a assistir em estúdio como de participantes externos, através do telefone. A estes, o Batatinha fazia sempre questão de enviar um ‘presentão’ através do telefone, normalmente um produto licenciado do próprio programa.

E já que falamos em produtos licenciados, o Batatoon teve-os em número e variedade surpreendentes. Dos tradicionais puzzles e jogos a CDs de música, uma revista oficial, e até objetos mais insólitos como gabardines e guarda-chuvas, Batatinha e Companhia deram a cara – literalmente ou em versão ilustrada – a muito ‘merchandise’ durante aqueles anos, sempre com boa aceitação e vendas.

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Exemplo de um produto licenciado algo insólito, neste caso decorado com as versões ilustradas dos apresentadores do programa

No entanto, como é óbvio, este sucesso não se devia apenas ao carisma dos apresentadores e aos bons guiões do programa; tal como o Buereré, o Batatoon devia grande parte da sua audiência e popularidade aos desenhos animados que a estação de Queluz comprava e exibia. E, neste aspeto, o programa de Batatinha nada ficava a dever ao seu ‘rival’ de Carnaxide – pois se o Buereré havia tido os ‘Power Rangers’ e viria a ter as primeiras temporadas de ‘Pokémon’, o Batatoon tinha ‘Samurai X’ – ‘só’ o segundo anime mais popular da década em Portugal – ‘Alvin e os Esquilos’ e a série original de ‘Digimon Adventure’, além do também bem aceite ‘Sonic Underground’, e ainda séries como ‘Homens de Negro’ e ‘Godzilla’. Foi esta invejável selecção de ‘cartoons’ que levou tantas crianças a sintonizarem o quarto canal de TV, nas tardes de semana, entre 1998 e 2002. Como dizem os anglófonos, ‘they came for the cartoons and they stayed for the clowns’.

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Provavelmente a série de maior sucesso da televisão portuguesa em 1998-99

Mas, como tudo o que é bom e faz sucesso, também o Batatoon encontrou, inevitavelmente, o seu fim. Fim esse que, rezam as lendas, se deveu a um arrufo, ao vivo e no ar, entre os dois apresentadores e parceiros criativos por trás do programa, que teria terminado à ‘batatada’ – ou seria à ‘Batatinha’ – e desfeito a ‘Companhia’… No entanto, uma rápida pesquisa na Internet revela que esta versão dos acontecimentos poderá não ser mais do que um mito urbano – dos quais aqueles anos estavam absolutamente pejados…

Ainda assim, para a história ficam quatro anos de enorme sucesso – metade dos do Buereré, mas a um nível talvez mais intenso no que toca a exposição mediática – e muitas séries que, sem Batatinha e Companhia, as crianças portuguesas talvez nunca tivessem visto. Por isso, deixem nos comentários as vossas homenagens a este marco da televisão infantil portuguesa. Até lá, beijinhos, abraços, muitos palhaços...e MÚSICA, MAESTRO!

             

 

 

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