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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

24.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 23 de Dezembro de 2025.

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Terça será de TV.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

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Uma das coisas com que os portugueses aprenderam a contar ao longo dos Natais dos últimos trinta a quarenta anos é com o aparecimento, nos quatro canais, de produções especialmente criadas para servir de complemento aos tradicionais filmes de família, Sequim D'Ouro, Natal dos Hospitais e circo de Monte Carlo; e, apesar de ainda hoje se verificar, é inegável que esta tendência teve o seu auge no 'período de ouro' da televisão portuguesa, entre os anos 80 e 2000, período em que nasceram muitos dos melhores 'especiais de Natal' (e também de Ano Novo) da História do audiovisual nacional. Um desses programas - sobre o qual se completam exactos trinta e cinco anos à data original de criação deste 'post' - foi imaginado e apresentado por um ícone da televisão portuguesa, o incomparável Júlio Isidro, como forma de prestar homenagem à quadra através de um dos seus mais emblemáticos elementos - a música.

Transmitido pela RTP 1 a 23 de Dezembro de 1990, 'Cantar o Natal' oferece precisamente aquilo a que o título alude - uma série de números musicais com temática natalícia, interpretados por alguns convidados musicais de 'monta' como Vitorino e Dulce Pontes, unidos por segmentos de entrevista a estes e outros convidados, numa tentativa de recriar e reviver a noite de consoada de 1960 (então distante no tempo exactas três décadas), que servia de linha narrativa ao especial. O resultado era um programa 'ameno' e confortável, bem ao estilo não só de Isidro como da produção nacional da época em geral, perfeita para servir de 'ruído de fundo' a uma noite de Terça-feira em plenas férias do Natal.

No entanto, talvez este cariz declaradamente virado para o conforto do espectador tenha contribuído para que este especial fosse, em décadas posteriores, algo Esquecido Pela Net, já que o mesmo não rendia quaisquer momentos memoráveis, daqueles em que Herman José (por exemplo) era 'perito' nos seus especiais de Ano Novo. Ainda assim, na data em que se assinalam exactas três décadas e meia sobre a sua ida ao ar, vale bem a pena recordar um especial de cariz único no panorama televisivo nacional, e que terá decerto entretido um sem-número de pequenos 'X' e 'millennials' nacionais - ainda que os mesmos pouco ou nada o recordem; para quem desejar rectificar esse erro, o programa encontra-se disponível, em duas partes, nos arquivos da RTP, pronto a ser recordado por ocasião desta data marcante.

17.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Já aqui em outra quadra natalícia falámos da iniciativa 'Querido Pai Natal', desenvolvida pelos CTT a partir dos anos 90, como forma de alimentar a fantasia das crianças portuguesas relativamente ao 'bom velhinho'; pois bem, já ao 'cair do pano' do século XX, a RTP levaria ainda mais longe esse conceito, transformando-o numa emissão televisiva em que uma parte da demografia em causa era surpreendida com o seu pedido de Natal em frente às câmaras.

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Com apresentação de Guilherme Leite (então em alta devido ao sucesso de 'Cromos de Portugal' e sobretudo o perene 'Malucos do Riso'), o programa homónimo da iniciativa (estreado há quase exactos vinte e cinco anos, a 14 de Dezembro de 2000) via o apresentador, uma equipa técnica e o Pai Natal (ou seja, um actor disfarçado) visitar diversas escolas de Norte a Sul do País, e distribuir entre os alunos das mesmas algumas das prendas mencionadas nas suas cartas para o Pólo Norte, para que as suas férias de Natal começassem da melhor maneira. Um conceito simples, mas perfeito para a época em causa (pleno como era de boas intenções e espírito natalício) e impossível de criticar com qualquer tipo de cinicismo - o que talvez explique a sua longevidade, já que o formato foi 'repescado' durante os sete natais seguintes, tendo desaparecido apenas após a quadra de 2007, por razões que não ficam claras com os poucos dados ainda disponíveis 'online' sobre o programa.

Ainda assim, quem quiser 'ver por si mesmo' do que constava o programa (ou simplesmente recordá-lo) pode fazê-lo mediante os três episódios ainda constantes dos Arquivos RTP, único vestígio mais 'tangível' da existência de uma emissão surpreendentemente Esquecida Pela Net, e intemporal o suficiente para poder perfeitamente ter tido continuidade nos anos subsequentes.

02.12.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No que toca a programas infantis de cariz ao mesmo tempo interactivo e remoto na televisão portuguesa de finais do século XX, vêm imediatamente à memória duas variantes: por um lado, os programas 'de auditório', como 'Batatoon' ou 'Buereré', em que as crianças ligavam para participar de passatempos e ganhar prémios, e, por outro, o lendário 'Hugo', em que era dada aos espectadores a possibilidade de assumir um papel menos passivo, e controlar activamente os acontecimentos mostrados no ecrã da televisão. E se este último é, ainda hoje, lembrado e 'reverenciado' por toda uma faixa demográfica que atingiu na 'altura certa', um outro programa semelhante, embora com a sua própria abordagem ao género, encontra-se, por sua vez, um pouco 'esquecido' pela 'sua' geração, um quarto de século após a sua estreia.

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Surgido pela primeira vez nos ecrãs nacionais em meados de Novembro de 2000, por intermédio da TVI, 'Rita Catita e o Ursinho Oops' aplicava o conceito de 'Hugo' a um contexto menos competitivo e mais narrativo, criando algo único e que não se tornaria a repetir na televisão portuguesa: essencialmente um desenho animado 'ao vivo', em que as falas eram gravadas (e, muitas vezes, improvisadas) no momento, para reflectir a conversa com a criança do outro lado da linha, ou os acontecimentos que a mesma despoletara. Assim, apesar de cada episódio ter, nominalmente, uma história, a mesma era vaga o suficiente para acomodar os 'imprevistos' da gravação ao vivo sem que, com isso, a coerência narrativa saísse prejudicada, permitindo às cianças liberdade para interagirem com os personagens titulares (e até com outras crianças que ligavam em simultâneo) conforme desejassem.

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A personagem principal e titular.

Apesar de o foco ser na história, no entanto, 'Rita Catita' adoptava também o elemento competitivo do seu antecessor em certas partes do programa, podendo as crianças testar a sua perícia e reflexos com um jogo de tiro ao alvo, por exemplo. Esta vertente ajudava, se possível, a dar ao programa ainda mais originalidade, fazendo dele uma experiência única na televisão portuguesa, senão mesmo mundial – o que torna ainda mais surpreendente o facto de a emissão ser tão pouco lembrada hoje em dia pela parcela mais nova da geração 'millennial', que teria sido o principal público-alvo da mesma naqueles primeiros meses do século XXI. Talvez a referida demografia não seja tão nostálgica quanto os seus antecessores, ou talvez o programa não tivesse sido marcante o suficiente, ou talvez se trate apenas de uma questão de tempo, e se venha a assistir, daqui a alguns anos, a uma vaga de nostalgia por 'Rita Catita'; seja como fôr, o referido programa não deixa, à data, de ser um dos mais injustamente Esquecidos Pela Net da História da televisão portuguesa, apresentando um conceito e execução verdadeiramente originais e distintos, que mereciam ter tido mais impacto na cultura popular infantil portuguesa da época em que foi transmitido.

O único 'clip' do programa ainda disponível na net.

24.11.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Os 'remakes' 'à portuguesa' de formatos de sucesso no estrangeiro não são nada de novo na televisão lusa, tendo mesmo rendido alguns sucessos de relevo ao longo dos anos, quer a nível dos concursos, quer das séries. É sobre uma destas últimas que hoje nos debruçamos, poucas semanas após se terem celebrado os vinte e cinco anos da sua estreia, a 4 de Novembro de 2000.

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O casal de protagonistas da série.

Adaptação lusitana da série espanhola 'Querido Maestro', originalmente transmitida no país vizinho em 1997, 'Querido Professor' era uma produção da Endemol (responsável por grande parte do que passava na SIC à época) e trazia Ricardo Carriço no papel do titular docente, e Alexandra Lencastre (já longe da inocência da Guiomar da 'Rua Sésamo') como a sua ex-namorada, que o mesmo reencontra ao regressar à 'terrinha' para ali leccionar. Uma premissa em tom de comédia romântica que, ancorada no charme dos dois protagonistas e nas situações criadas pelos alunos de Miguel e pelos restantes habitantes da aldeia (interpretados por veteranos como Rogério Samora, Jorge Gabriel e Rita Blanco, entre outros nomes sonantes da comédia televisiva portuguesa) logrou render duas temporadas, e um total de quarenta episódios – marca honrosa, sem ser extraordinária, para uma série que até chegou a reunir algum consenso à época de transmissão.

Infelizmente, e apesar dessa relativa notabilidade nos primeiros meses do Terceiro Milénio, a série encontra-se, hoje em dia, quase totalmente Esquecida Pela Net (àparte o inevitável IMDb e um ou outro 'blog' de que foram tiradas as parcas informações desta peça) não restando mesmo, sequer, o habitual par de 'clips' de YouTube para recordar ou conhecer a obra. Resta, pois, a memória nostálgica e remota para 'encorpar' aquela que acaba por ser uma homenagem talvez demasiado curta e breve para uma celebração de um quarto de século, mesmo atrasada...

18.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente correspondente a Segunda-feira, 17 de Novembro de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Qualquer português nascido ou crescido nas décadas de 80 e 90 recorda programas musicais de referência como 'Top +', ou até mesmo 'Pop Off' ou 'Mapa Cor de Rock', que ofereciam à juventude de então uma experiência o mais próxima possível do que era ver a MTV norte-americana antes da chegada da TV Cabo e de canais como o Sol Música, em meados dos anos 90. No entanto, enquanto esses programas se focavam em divulgar os mais entusiasmantes sucessos e artistas nacionais e internacionais da época, existia uma vertente paralela da TV musical, voltada a um público mais adulto, que punha na personalidade do anfitrião – normalmente um músico de renome – o principal foco, quase que se aproximando mais de um tradicional 'talk show' do que do conceito vulgarmente associado a um programa de música. Era assim com 'Marco Paulo Com Música No Coração', em finais da década, e era assim com um programa exibido na RTP2 vários anos antes (algures em 1994) e centrado numa figura não menos proeminente (embora de cariz menos popular) da música portuguesa: Luís Represas.

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Falamos de 'A Música dos Outros', formato apresentado pelo ex-Trovante e Resistência no auge da sua popularidade, mas que, apesar de ter chegado aos vinte e seis episódios (o equivalente a duas 'temporadas' de uma série, ou a seis meses de emissões semanais) se encontra hoje algo Esquecido Pela Net, sendo pouca e contraditória a informação disponível a respeito do programa. As poucas fontes fidedignas que sequer falam do mesmo sugerem que Luís Represas recebia uma série de convidados ligados às principais cenas musicais portuguesas (que incluía todos os 'suspeitos do costume') com os quais interpretava duetos ao vivo em estúdio, após conduzir a habitual entrevista.

Infelizmente, não é possível expandir mais sobre este tema, já que apenas resta na Internet um único 'clip' do programa, o qual apenas mostra Represas a interpretar uma música dos UHF, não dando qualquer pista quanto ao conteúdo da restante meia-hora de programa. Resta, pois, imaginar (ou recordar, para quem tenha presenciado as emissões em primeira mão) como seria este veículo televisivo para o cantor de 'Timor', e de que forma se encaixaria no panorama televisivo nacional de há mais de trinta anos...

               

O único vestígio do programa remanescente na Internet.

27.10.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Na sua coluna no jornal Público, algures nos primeiros meses do Novo Milénio, Eduardo Cintra Torres – uma das mais proeminentes e preeminentes figuras no espectro da crítica e análise mediática em Portugal – acusava os telespectadores portugueses de não conseguirem 'acompanhar uma boa série, mesmo divertida e electrizante', 'preferindo ver as telenovelas e outros programas' como 'as Noites Marcianas e o Big Brother', rematando com um acintoso 'que façam bom proveito'. A série que tanta bílis desencadeava ao catedrático e colunista, acabada de estrear na RTP2 (há quase exactos vinte e cinco anos, a 16 de Outubro de 2000, dois dias após a estreia na SIC da primeia série d' 'Uma Aventura') e que vivenciava enormes dificuldades para encontrar o 'seu' público e replicar o sucesso obtido nos seus EUA natais, era tão-sómente uma série de culto, que alguns dos nossos leitores talvez conheçam, chamada 'Os Sopranos'.

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Sim, antes de ser unanimemente considerada uma das melhores produções televisivas de sempre, 'Os Sopranos' passava de forma discreta, quase desapercebida, pela televisão generalista e estatal portuguesa, no caso pela mão da inevitável RTP2, a televisão que já era 'culta e adulta' antes de o assumir no seu 'slogan', e que já começava a ser conhecida (como ainda o é) por 'importar' e exibir séries algo mais 'fora da caixa' que o habitual, e mais densas no tocante ao conteúdo. O êxito da HBO encaixava, pois, na perfeição na linha editorial do canal; o problema é que, como televisão mais intelectual e 'de culto', a RTP2 sofria, por definição, de um défice de audiências relativamente aos outros canais nacionais, ficando a visibilidade do novo programa assim automaticamente reduzida - um paradigma ainda mais agravado pela falta de promoção ao mesmo por parte do próprio canal. E embora seja discutível se 'Os Sopranos' teria singrado na grelha de uma SIC ou TVI (muiro superiores, no campo do 'marketing' e publicidade, à televisão estatal) é ainda assim impossível contornar o facto de que quase ninguém, à época, estava a ver a série, pura e simplesmente, porque quase ninguém, à época via a RTP2, por comparação com os canais concorrentes.

Curiosamente, um mesmo fenómeno viria a ocorrer, anos depois, com uma outra série hoje elevada a obra-prima – no caso, 'Breaking Bad', que passou totalmente despercebida na SIC Radical de inícios dos anos 2000 (algo que parecia impossível para aquele canal naquela época), perdendo assim os jovens portugueses uma oportunidade de dizer que haviam visto a nova 'coqueluche' mundial vários anos antes de a mesma 'estourar' – situação análoga à vivida em relação a 'Os Sopranos' aquando da sua transmissão na 'Dois'. E apesar de ambas as séries virem a ser 'vingadas' junto da opinião pública portuguesa, anos mais tarde, a verdade é que poucos serão os 'X' e 'millennials' nacionais que se lembrem de ter acompanhado os 'primórdios' de Tony Soprano e restante família em emissão 'aberta', no primeiro Inverno do século XXI, num dos mais flagrantes casos de um programa estar 'à frente do seu tempo' já vividos na televisão portuguesa.

21.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 20 de Outubro de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década

Ao falar de programas televisivos sobre música no Portugal dos anos 90, a referência é, obviamente, o 'Top +', o mais próximo a que a TV portuguesa chegava de uma MTV. No entanto, durante o longo período de 'vida' do referido programa, o mesmo partilhou tempo de antena com outros que, sem lograrem ser tão populares, procuravam compensar tal facto com abordagens ou características distintivas e originais. Já aqui falámos, por exemplo, do 'Pop Off', cujo foco se voltava para a música radiofónica de produção nacional, e iremos agora abordar outro programa, seu contemporâneo, e que se destacava ainda mais da norma estabelecida pelo 'Top +'.

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Isto porque 'Mapa Cor de Rock' não só era gravado em directo (e a partir de uma discoteca, a Number One do Porto, por oposição a um estúdio de televisão) como também dava aos seus artistas a oportunidade de tocarem verdadeiramente 'ao vivo', por oposição ao habitual 'playback' televisivo. Além disso, o espectro de estilos abrangido pelo programa era, também, mais vasto do que o habitual, permitindo a bandas e artistas com sonoridades menos aptas para as ondas radiofónicas terem alguns minutos de tempo de antena – uma comodidade tão valiosa quanto rara na era pré-digital e pré-TV Cabo. A título de exemplo, o programa teve episódios dedicados tanto aos 'metaleiros' Tarantula, V12 e Ibéria ou aos 'esquizóides' Mão Morta como a nomes mais convencionais Delfins, GNR, UHF, Rádio Macau, Jorge Palma ou Quinta do Bill

Esta junção de características permitia ao programa apresentado por José Manuel Pinheiro e seus três coadjuvantes – Joaquim Paulo, Bárbara C. Henriques e Maria João Cunha Gomes – desenvolver uma identidade muito própria, como faceta mais 'alternativa' da televisão musical portuguesa, mais centrada nas 'performances' do que nos 'videoclips', e atenta ao que de melhor se vinha fazendo no País, independentemente do género musical. É, pois, surpreendente que, além do curto tempo de antena de que desfrutou (pouco mais de vinte episódios) este programa seja tão pouco lembrado nos dias que correm – embora uma coisa possa bem ser função da outra. Cabe, pois, ao Anos 90 assegurar que, pouco mais de um mês após se celebrarem trinta e cinco anos sobre a sua estreia, é prestada a devida homenagem a um bloco que tentou fazer algo verdadeiramente original no tocante a programas de música em Portugal.

07.10.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década

Os programas de humor estavam entre os mais populares e bem-sucedidos das décadas de 80, 90 e 2000 – e, destes, grande parte tinha como formato uma sucessão de 'sketches' não relacionados entre si, normalmente vividos por uma série de personagens recorrentes. E se, no Novo Milénio, o grande exemplo deste tipo de emissão seria o ainda hoje histórico 'Gato Fedorento', na década de 90, a honra de líder de audiências dividiu-se entre dois programas concorrentes: a 'Herman Enciclopédia', da RTP, e o programa que abordamos neste 'post', cerca de um mês após se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia.

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Era a 1 de Setembro de 1995 que a SIC transmitia, pela primeira vez, um episódio daquele que se viria a tornar, durante a década subsequente, um dos seus programas-estandartes, e pôr tanto crianças como adultos de Norte a Sul do País a repetir dichotes e imitar personagens por si veiculadas, e criadas por um veterano da comédia nacional, Guilherme Leite, cuja carreira o havia ajudado a perceber exactamente o que agradava ao público nacional. 'Malucos do Riso' apostava, assim, num estilo de humor popular e brejeiro, mais próximo do anedotário popular ou teatro de revista do que das piadas mais subtis e baseadas na personalidade de cada figurino propostas pela 'Enciclopédia' de Herman José. O resultado não podia ser outro que não a adesão quase total de certos segmentos da sociedade portuguesa, com destaque para as crianças e membros da classe trabalhadora, a quem o humor simples, quotidiano e ligeiramente 'maroto' nunca deixava de agradar.

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Alguns dos muitos personagens memoráveis do programa.

Não é, assim, de admirar que 'Malucos do Riso' se tenha, eventualmente, afirmado como um dos programas de entretenimento mais longevos da SIC, completando uma década no ar com a fórmula praticamente inalterada. Seria apenas já em meados da primeira década do Novo Milénio, que este bastião da estação de Carnaxide viria a sair do ar – embora durante pouco tempo, já que não passariam mais de quatro anos até 'Novos Malucos do Riso' procurar continuar o legado deixado pelo original. E apesar de esta segunda tentativa ter ficado longe do sucesso da original – num panorama televisivo já algo diferente em termos de sensibilidades e interesses do público-alvo – os 'Malucos' originais continuam, até hoje, a afirmar-se como um dos clássicos mais absolutos e indeléveis das mais de três décadas de História da SIC, merecendo bem esta homenagem (ainda que um pouco atrasada) por altura do seu trigésimo aniversário. E para quem quiser recordar, fica abaixo um compêndio completo da série, com quase NOVE HORAS de duração - embora, claro, não se recomende a visualização toda de uma vez...

11.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 09 de Setembro de 2025.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre as dezenas (senão mesmo centenas) de programas propostos pelos quatro canais nacionais ao longo de cada ano, existem aqueles que rapidamente caem no esquecimento, aqueles que 'pegam de estaca' e acabam por se eternizar na memória colectiva, tornando-se nostálgicos, e aqueles que transcendem o mero estatuto de entretenimento televisionado, extravasando as fronteiras do ecrã para se estabelecerem como parte integrante da cultura popular nacional. E embora estes casos sejam relativamente raros (ou talvez por causa disso), quando um deles surge na grelha televisiva da RTP, SIC ou TVI, a sua influência tende a manter-se muito para além do tempo de transmissão, sendo os mesmos ainda relembrados várias décadas após a sua conclusão. É, precisamente, esse o caso com o programa que abordamos neste 'post', sobre cuja estreia se celebraram há cerca de uma semana exactos vinte e cinco anos, e cujo legado continua bem vivo não só na mente dos portugueses, como nos próprios ecrãs das suas televisões, mesmo um quarto de século após a sua introdução na grelha da 'Quatro'.

O serão de dia 3 de Setembro de 2000 marca, pois, o ponto em que o panorama televisivo lusitano se alteraria irreversivelmente, e em que os espectadores nacionais tomariam pela primeira vez contacto com aquele que se viria a tornar um dos géneros mais populares do século XXI. Isto porque era nesta data que a TVI apresentava, pela primeira vez, o seu novo concurso, adaptado de um popular formato holandês, e que propunha seguir de perto, e em directo, a vida de catorze portugueses comuns, forçados a cohabitar numa casa especialmente construída para o efeito, e sujeitos a eliminações decididas pelo público, com base nos seus comportamentos e capacidade de engajar (ou não) quem via o programa. Era o início do 'Big Brother' em Portugal, e também de uma febre comparável à causada junto dos jovens por 'Dragon Ball Z', alguns anos antes, mas desta vez extensível a todas as faixas etárias e demográficas do País.

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De facto, o 'reality-show' da TVI (primeiro do seu género em Portugal) era de tal modo inescapável que até quem evitava declaradamente acompanhar o programa não conseguia deixar de estar a par do que nele se passava. Elementos como o confessionário, as provas (que garantiam ao vencedor imunidade contra a eliminação nessa semana) e as famosas 'câmaras nocturnas' instaladas nos quartos de cama rapidamente se tornaram tema recorrente de conversa, o mesmo sucedendo com grande parte dos concorrentes – ainda que alguns fornecessem mais 'tema de conversa' do que outros. Em particular, destacavam-se o afável pedreiro Zé Maria, o campeão de 'kickboxing' Marco (protagonista do mais controverso e polémico momento do programa), o recatado Telmo e, do contingente feminino, a carismática Susana e a 'desbocada' Sónia. Outros, por seu lado, mal deixariam marca na memória colectiva, havendo pouco quem se lembre de Riquita (a professora de Inglês eliminada em primeiro lugar) ou dos dois Ricardos, que rapidamente se lhe seguiram.

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A grelha de concorrentes do primeiro Big Brother.

Dos restantes, no entanto, parte significativa encontraria lugar cativo na cultura popular portuguesa, fosse por saberem como 'jogar o jogo', por terem simplesmente personalidades mais vincadas ou expansivas, ou por serem protagonistas de momentos controversos, como actos sexuais em directo (algo que chegou, previsivelmente, a gerar escândalos à época) ou momentos de descontrolo emocional, como aquele que viu Marco ser expulso da casa, apesar de não ter sido o escolhido do público, após agredir Sónia com o pontapé mais famoso da História da televisão portuguesa, senão de sempre, pelo menos desde os tempos áureos de Eusébio. O facto de tal acto (contra uma mulher, ainda para mais) não ter imediatamente excomungado o 'kickboxer' da memória popular nacional – tendo o mesmo, pelo contrário, adquirido estatuto de celebridade menor – diz muito do poder do 'Big Brother' sobre a psique colectiva portuguesa naquele período de pouco mais de três meses na segunda metade do ano 2000, cujo efeito sobre a sociedade fez com que parecesse muito mais longo.

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Marco, protagonista do mais polémico momento do programa, e único concorrente expulso da casa sem direito a votação.

De facto, era logo na véspera de Ano Novo que Zé Maria - o simples e espontâneo pedreiro que ajudara a colocar Barrancos no mapa por razões não ligadas à tauromaquia, e que conquistara o coração dos portugueses ao longo dos três meses anteriores - 'roubava' audiências aos habituais espectáculos da noite e recebia das mãos da anfitriã Teresa Guilherme o cheque que viria a mudar indelevelmente a sua vida, tomando o seu lugar como 'pedra basilar' de uma dinastia que, vinte e cinco anos depois, não mostra sinais de abrandar, com variações do 'Big Brother' a serem produzidas e transmitidas pela TVI até aos dias de hoje, quer no formato original, quer com a participação de celebridades. O sucesso do programa daria, também, o mote para o surgimento de uma série de outros 'reality shows' nas grelhas televisivas nacionais, o primeiro dos quais da responsabilidade da SIC, canal que rejeitara originalmente o Big Brother e procurava 'emendar' o seu erro. Nenhuma destas tentativas viria, no entanto, a ter sequer uma fracção do sucesso das duas primeiras séries do 'Big Brother', sendo apenas com 'Quinta das Celebridades' que o formato voltaria verdadeiramente a cativar audiências em massa.

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O momento da coroação de Zé Maria.

Mas se, para a TVI, o resultado foi positivo, já para o vencedor do concurso, a súbita riqueza e fama provariam ser demasiado 'pesadas', causando problemas do foro psíquico e levando a que Zé Maria se isolasse da sociedade, situação que ainda hoje se mantém, e que ninguém poderia ter previsto naquele momento em que, aos vinte e sete anos, o pedreiro recebia um cheque de vinte mil 'contos' e um carro, sob as luzes de um estúdio de televisão. Ainda assim, e apesar de tudo fazer para que o seu nome seja esquecido, Zé Maria estará, juntamente com os outros concorrentes, para sempre ligado ao início de uma nova etapa na programação portuguesa, e do 'reino' continuado de um novo formato que, um quarto de século depois e na sua 'enésima' edição, continua a gerar temas de conversa e a render lucro e audiências à estação que o transmite.

02.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 01 de Setembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O final dos anos 90 e inícios da década seguinte assistiram a uma mudança de paradigma no tocante à produção de séries televisivas, sobretudo (mas não só) nos Estados Unidos. Efectivamente, o básico formato de episódios de meia-hora com histórias diferentes e contidas em cada semana começou, progressivamente, a ter cada vez menor preponderância no mundo das emissões por cabo ou sindicadas, dando lugar a programas com histórias únicas e continuadas (num modelo semelhante ao das telenovelas), valores de produção mais altos e episódios mais longos, normalmente com cerca de uma hora – essencialmente, o formato hoje padronizado em plataformas como a Netflix e canais como aquele que é sinónimo com este tipo de séries, a HBO.

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Antes da 'era de ouro' de 'Sopranos', 'The Wire' e 'A Guerra dos Tronos', no entanto, a série mais conhecida e respeitada dentro deste formato específico – e também uma das suas pioneiras – era um drama político produzido pela NBC, com a Casa Branca norte-americana como pano de fundo, e que estreava nos ecrãs portugueses há exactos vinte e cinco anos, a 5 de Setembro de 2000. Tratava-se d''Os Homens do Presidente' ('The West Wing', no original), uma das mais aclamadas produções norte-americanas do género, e que viria, em décadas subsequentes, a ser inclusivamente alvo de artigos de análise política respeitantes aos seus episódios, tal era o cuidado e verosimilhança que os mesmos exibiam.

De facto, não descurando os necessários elementos dramáticos inerentes a qualquer trabalho de ficção, 'Os Homens do Presidente' punha ênfase declarada no realismo, tanto das suas personagens como das situações envolventes das mesmas, deixando que fossem as suas personalidades e os desafios que naturalmente enfrentavam a providenciar a tensão dramática de cada episódio ou temporada. Esta abordagem, mais tarde repetida em algumas das séries supracitadas, rapidamente ajudou a que a série se destacasse da maioria dos produtos televisivos da época, granjeando-lhe ao mesmo tempo uma audiência cativa, 'sedenta' de algo um pouco mais cerebral e absorvente em meio ao entretenimento descartável da maioria das grelhas televisivas. Tal sucesso levou, por sua vez, a que a série se mantivesse no ar durante sete temporadas, vindo a sair do ar apenas já na segunda metade da primeira década do século XXI.

E ainda que, em Portugal, o sucesso do programa não se comparasse ao dos seus EUA natais, a primeira transmissão da mesma (nas noites de Terça-feira da TVI) foi, ainda assim, suficiente para a colocar no 'radar' dos fãs de séries portugueses, onde permanece até aos dias de hoje, marcando ainda presença em várias plataformas de 'streaming' disponíveis no nosso País. E se a temática não era, necessariamente, apelativa à demografia então na infância e adolescência, também não terá faltado quem se deixasse fascinar pelos dramas vividos na Ala Oeste da residência oficial do Presidente dos EUA; para esses, aqui fica a recordação da estreia da série em Portugal, na semana em que se celebra um exacto quarto de século sobre essa efeméride.

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