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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.10.24

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Numa era em que o desporto-rei se encontra mercantilizado ao extremo, com valores salariais e de transferência cada vez mais absurdos, é já praticamente impossível encontrar jogadores que, ao longo da carreira, apenas representem menos de uma mão-cheia de emblemas, por vezes ficando-se mesmo pelo clube do coração. Há três décadas, no entanto, o panorama era algo mais 'inocente', e muitos futebolistas deixavam, ainda, que o coração falasse mais alto, fidelizando-se às poucas agremiações nas quais faziam carreira. Já aqui abordámos alguns desses nomes, como foi o caso de Serifo, Kasongo, Litos ou Martelinho, e este Domingo Desportivo adicionamos mais um atleta a essa ilustre lista, na pessoa de Bruno Alexandre Vaza Ferreira, também por vezes conhecido apenas pelo seu apelido mais 'invulgar', Bruno Vaza.

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Com a camisola do primeiro dos seus dois clubes...

Nascido em Torres Vedras e formado no histórico clube local, o médio chegaria à equipa principal do mesmo ainda em finais dos anos 80, ainda como opção periférica. Não tardaria muito, no entanto, até o jogador mostrar o seu valor e se tornar peça-chave da equipa para a primeira época completa da década de 90, no decurso da qual contribuiu activamente para a primeira promoção do Torreense à então I Divisão em vinte e sete anos – curiosamente, sucedendo ao próprio pai, que fizera parte da última equipa torreense a conseguir a subida ao escalão principal, em 1964/65.

Tão-pouco perderia o médio preponderância durante as épocas passadas pelos rubro-celestes na 'Primeira'; antes pelo contrário, nas quatro épocas seguintes, apenas uma (a primeira no escalão principal) viu Vaza fazer menos de trinta jogos pela equipa da sua terra, tendo mesmo assim participado ainda em cerca de metade dos jogos do Torreense durante a referida temporada, e deixado a sua marca com dois golos. Nas temporadas subsequentes, o médio voltaria a agarrar a titularidade, tendo os seus números sido exactamente iguais para ambas: trinta e um jogos e dois golos em cada uma.

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...e com a do segundo.

A constância e qualidade exibicional demonstrada pelo médio não passavam, aliás, despercebidas, e foi com pesar que os adeptos torreenses viram o 'filho da terra' dar o 'salto' para um clube de maiores dimensões, rumando a Norte para representar aquele que viria a ser o segundo de apenas dois clubes representados por Vaza durante toda a sua carreira, no caso o Sporting de Braga, onde chegou a partilhar plantel com nomes como Eduardo, Quim, Ricardo Rocha, Miklos Feher, Carlitos (todos mais tarde do Benfica) Tiago ou Luís Filipe (que se notabilizaram no Sporting) ou ainda a eterna 'estrela' bracarense, Karoglan. Ali, o médio deu de imediato continuidade ao bom trabalho realizado no Oeste, justificando a sua contratação e afirmando-se como elemento importante do plantel alvirrubro a longo prazo. De facto, foram nada menos do que sete as temporadas passadas pelo médio no Minho, quase todas como titular quase indiscutível, tendo a sua contribuição esmorecido apenas já nos últimos meses do século XX, em que uma lesão grave o levou a registar apenas sete aparições pela equipa principal e uma pela equipa B. Após uma primeira época do Novo Milénio passada 'a zeros', o médio percebeu que era altura de regressar a 'casa', e foi com prazer, orgulho e satisfação que os adeptos do Torreense viram regressar uma das suas 'estrelas' noventistas, ainda bem a tempo de deixar o seu contributo nas campanhas, agora bem mais modestas, do clube do Oeste.

Infelizmente, o médio que pendurou a camisola no balneário do Estádio no final do Verão de 2001 não era, já, o mesmo que o deixara rumo a Braga alguns anos antes. A lesão contraída durante a estadia no Minho condicionava fortemente o jogador, impedindo-o de deixar o seu contributo como fazia em tempos passados, e tornando Bruno sobretudo num daqueles 'jogadores de balneário' cuja função é transmitir aos colegas a mística do clube. E ainda que esta fosse uma posição honrosa, não era manifestamente a mais desejável para um atleta de apenas trinta e um anos, e que normalmente teria ainda um par de épocas pela frente antes de 'pendurar as botas'; assim, e ainda a ressentir-se da lesão, Vaza viria mesmo a terminar a carreira de forma prematura no final da época 2001/2002, tendo vestido por apenas duas vezes a camisola que, em tempos, tão honrosamente representara. Um final triste para uma carreira que se pautou pelo profissionalismo, dedicação e verdadeiro 'amor à camisola', numa época em que essa expressão era já tão 'abusada'.

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Bruno Vaza na actualidade, em programa do Canal 11.

Ao contrário da maioria dos colegas a quem dedicamos espaço nestas páginas, Bruno Vaza não enveredou por cargos técnicos, nem tão-pouco ficou ligado à estrutura de qualquer dos seus dois clubes, tendo-se afastado por completo do mundo do futebol; o seu legado, no entanto, não se ficou por aí, já que o filho, Rodrigo Vaza (que chegou a passar pelas camadas jovens do Sporting) iniciou a carreira sénior com a mesma camisola do pai – a do clube da terra natal – antes de rumar aos Estados Unidos para prosseguir a carreira na Major League Soccer. Quanto a Bruno, é hoje um cidadão perfeitamente comum, que certamente terá, algures no decurso do seu quinquagésimo-quarto aniversário, recordado os tempos em que era Grande dos Pequenos na antiga I Divisão Portuguesa. Parabéns, e que conte ainda muitos.

18.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 17 de Outubro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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De entre as (cada vez mais) provas que compõem a época futebolística portuguesa, a Taça de Portugal continua a ser a mais acarinhada pela maioria dos verdadeiros entusiastas de futebol. Isto porque, mais do que uma oportunidade para o nosso clube do coração ganhar mais um troféu, a Taça afirma-se como a mais pura das competições desportivas nacionais (talvez em qualquer modalidade) pelo carácter igualitário que fomenta, permitindo a agremiações que normalmente nunca chegariam a ver as luzes da ribalta jogar olhos nos olhos com as principais equipas nacionais, proporcionando-lhes assim, não só visibilidade e receitas, como também a oportunidade de 'fazer uma gracinha'; e embora este último cenário não seja por aí além frequente, a verdade é que, por vezes, a Taça de Portugal lá reserva uma surpresa aos entusiastas de futebol – e os 'nossos' anos 90 foram palco daquela que talvez seja a mais cabal demonstração deste princípio em toda a História moderna da prova: a Taça de 1998-99.

As peculiaridades da referida edição da Taça começaram logo na quinta eliminatória (a primeira considerada pela maioria das listagens 'online'), em que já só se perfilavam dois dos tradicionais 'três grandes' portugueses, tendo o Sporting ficado pelo caminho ainda numa das rondas anteriores. As duas equipas que sobravam, Benfica e Porto, tinham, obviamente, enorme favoritismo, mas também elas viriam a soçobrar logo nessa mesma eliminatória, com o campeão em título a ser alvo de uma das tais 'gracinhas' mencionadas anteriormente, ao ser batido pelo Torreense em pleno Estádio das Antas - num jogo que pôs o nome de Cláudio Oeiras no radar futebolístico português - e o Benfica a perder com o Vitória de Setúbal, no Bonfim, por 2-0 – um mau resultado, sim, mas longe de uma derrota em casa contra uma equipa da II Divisão B...

As desapontantes prestações dos 'grandes', juntamente com alguns 'agigantamentos' de agremiações mais pequenas (talvez motivadas pela janela de oportunidade que as mesmas proporcionavam) resultaram naquelas que talvez sejam as meias-finais mais atípicas da História da prova, sem nenhuma equipa grande, e com a presença insólita do Esposende, o mais valoroso 'tomba-gigantes' numa época repleta deles, mas que viria a claudicar perante um Campomaiorense então ainda no pleno das suas forças; já no outro jogo, o Beira-Mar levava a melhor sobre o Vitória de Setúbal, confirmando assim uma final da Taça entre dois emblemas de meio da tabela do escalão principal – uma lufada de ar fresco que não se viria a repetir, e que permitiria ao Beira-Mar (mediante um golo de Ricardo Sousa) alcançar um feito histórico para o seu palmarés, carimbando o acesso à Liga dos Campeões do ano seguinte e tornando-se a segunda equipa da década a conseguir desafiar a hegemonia dos 'grandes' (sendo a outra o Boavista, no extremo oposto da década, em 1991.)

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A equipa vencedora, em pleno momento de festa após o seu feito histórico

Uma edição da Taça a todos os níveis atípica, portanto, e que provavelmente já não seria possível na era moderna, em que o futebol é clínico e táctico, e os favoritos normalmente acabam mesmo por ganhar. Ainda assim, o desaire do Sporting frente ao Alverca em 2019-2020 mostra que, apesar de improvável, uma repetição desta Taça não é, de todo, impossível – bastando, para isso, que uma das equipas mais pequenas em prova saiba aproveitar as oportunidades, e apanhar os adversários de surpresa. Até lá, e num fim-de-semana em que se celebrou mais uma vez a chamada 'festa da Taça', nada melhor do que recordar o ano em que alguns dos mais históricos emblemas secundários dos campeonatos portugueses tiveram, por breves instantes, o seu 'lugar ao sol'...

 

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