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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

20.09.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No mundo do entretenimento, é raro o produto que consegue 'sobreviver' mais do que alguns anos – e a televisão não é, de todo, excepção a esta regra – antes pelo contrário, à excepção dos óbvios Telejornais (e mesmo esses têm de 'lavar' periodicamente a 'cara', para reflectir as mudanças de 'visual' da sua estação, ou da televisão em geral) os registos de programas com longevidade de mais do que uma mão-cheia de anos prima por escasso. Este paradigma torna-se ainda mais evidente no caso dos concursos, os quais tendem a diminuir de interesse para o público-alvo conforme os anos vão passando, e a fórmula, progressivamente, estagnando.

Assim, a existência de um programa deste tipo que se consegue manter no ar durante literalmente décadas (ainda que nem sempre de forma consecutiva) sem praticamente alterar a sua fórmula não deixa de ser de louvar - e, assim sendo, há que tecer loas a uma das 'pedras basilares' da programação da RTP durante as últimas três décadas, o mítico 'O Preço Certo'.

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O logotipo da versão original do programa.

Transmitido pela primeira vez há quase exactos trinta e dois anos – a 17 de Setembro de 1990 – a lendária adaptação portuguesa do formato americano 'The Price Is Right' ocupou por duas vezes lugar de honra na grelha da televisão estatal: a primeira até 1993, com apresentação de Carlos Cruz e (mais tarde) Nicolau Breyner, e a segunda, e quiçá mais famosa, a partir de 2002, com o inicialmente escalado Jorge Gabriel a ceder rapidamente o seu lugar àquele que talvez seja o nome mais prontamente associado com o concurso, e que ainda hoje continua à frente do mesmo - Fernando Mendes.

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Os quatro apresentadores do programa, cada um marcante à sua maneira.

Notavelmente, e conforme referido acima, ambas as iterações do concurso apresentavam precisamente a mesma fórmula-base, mesmo não sendo exactamente iguais: quatro concorrentes tentam adivinhar o preço de um produto, ganhando quem mais se aproximar do montante correcto; o vencedor é, então, desafiado a completar uma prova intermédia, que lhe permite acesso à 'Grande Roda', onde o objectivo é conseguir, em apenas duas tentativas, um valor o mais próximo possível de cem. Terminada a ronda, um novo elemento da plateira substitui o concorrente demissionário, e o ciclo recomeça, até terem jogado um total de seis concorrentes; no final, ganha o jogador que, na prova da 'Grande Roda', mais perto tenha ficado do valor-alvo de cem, tendo este, ainda, pela frente uma última prova – a de estimar o 'Preço Certo' dos prémios incluídos na apetecível montra final.

Um formato desafiante, em que o sucesso e respectiva premiação estavam longe de ser garantidos – pelo contrário, não faltava quem 'rebentasse' a escala de valores algures pelo caminho e fosse para casa de mãos a abanar; no entanto, residia precisamente aí o apelo do concurso, que era (e é) exímio em criar uma dicotomia entre querer 'torcer' pelos concorrentes e desejar, secretamente, que os mesmos sobre-estimassem. A esta dualidade algo pérfida há, ainda, que juntar o carismático e característico 'voice-off' de Cândido Mota (que também dava voz a outro clássico de inícios dos 'noventas', 'A Roda da Sorte'), as belas assistentes (com destaque óbvio para Lenka da Silva) e os não menos carismáticos apresentadores, que, cada um à sua maneira, conseguiam cativar e conquistar as diferentes demografias que sintonizavam o programa (e se os espectadores mais novos associam o concurso ao estilo frenético, brejeiro e bem-humorado de Fernando Mendes, as gerações mais velhas talvez se recordem, sobretudo, da abordagem mais sofisticada dos originais Cruz e Breyner).

Exemplo do estilo de apresentação de Carlos Cruz, bastante diferente do do actual anfitrião, Fernando Mendes.

Seja qual fôr a versão que lhes tenha prendido a atenção em pequenos, no entanto, a maioria dos portugueses certamente não negará o estatuto de clássico televisivo a 'O Preço Certo', programa que, hoje, rivaliza quase exclusivamente com os Telejornais como um dos mais longevos de toda a História da televisão portuguesa moderna, contando já com quase 4000 emissões totais, incluindo vários especiais comemorativos, transmitidos em directo a partir de grandes salas de espectáculos de todo o País – o que, para um concurso, constitui nada menos do que um feito...

 

07.09.22

NOTA: Este post é correspondente a Terça-feira, 06 de Setembro de 2022.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Para quem foi adolescente em Portugal na ponta final do século XX e inícios do novo milénio, os nomes de Rui Unas e Fernando Alvim terão, decerto, um significado bastante distinto do que têm para os restantes dos comuns mortais; isto porque, enquanto a população geral conhece estes dois homens, sobretudo, pelo seu trabalho no popular '5 Para a Meia-Noite', da RTP1, para os jovens daquele tempo os mesmos são não só 'uns gandas malucos', como a melhor dupla de apresentadores de sempre de um dos melhores programas televisivos juvenis de sempre.

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Estreado mesmo na recta final do século XX, a 15 de Setembro de 1999, o 'Curto Circuito' (ou 'CC', como era familiarmente conhecido) deu aos jovens daquele final de Segundo Milénio e inícios de Terceiro aquilo que eles já de há muito não tinham – um espaço verdadeiramente dirigido a si, e aos seus interesses, que oferecia, sem condescendências nem paternalismos, informações sobre cinema, música, videojogos, tecnologia, desporto, e até alguns temas 'de debate', sempre dentro de campos relevantes para a demografia-alvo. Escusado será dizer que a fórmula criada por Unas e Pedro Miguel Paiva foi abraçada quase de imediato por essa mesma demografia, para quem o programa – que, à época, contava com uma cara bem conhecida dos jovens portugueses como coadjuvante de Unas, no caso Rita Mendes, do Templo dos Jogos – constituía a única razão para sintonizar o hoje defunto CNL (ou Canal de Notícias de Lisboa) onde o formato começou por ganhar vida.

Rapidamente, no entanto, se tornou igualmente óbvio que o 'CC' era demasiado 'grande' para os confins daquele modesto canal, e não tardou até o programa ter nova casa; escassos dezoito meses após a sua estreia, e após uma estadia (muito) temporária no então Canal Programação da TV Cabo (e já com Alvim a fazer parelha com o 'maluco' Unas) o formato é escolhido como 'âncora' de um novo projecto ligado à SIC – um canal totalmente dirigido e dedicado ao público jovem, que levaria o nome de SIC Radical.

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Os 'gandas malucos'  originais ...

Do que se segue, reza a História da televisão portuguesa: dois apresentadores em absoluto estado de graça, um programa que cresce e se expande paralelamente ao canal que representa (e com idêntico grau de sucesso), bonecos amarelos, segmentos e rubricas que adquirem estatuto de culto (como o espaço dedicado ao rock pesado apresentado semanalmente por António Freitas), e a passagem progressiva de testemunho a outros futuros ídolos da juventude lusa, dos quais se destacam nomes hoje tão conhecidos como Diogo Beja, Pedro Ribeiro – já bem conhecido desse mesmo público enquanto apresentador de outro 'clássico' da década de 90, o Top + - João Manzarra, Diogo Valsassina e, claro, Bruno Nogueira, talvez o mais incontornável e consensual apresentador do programa desde a dissolução do duo Unas/Alvim, e ainda hoje um dos mais populares comediantes nacionais.

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...e o outro grande 'duo dinâmico' do programa

Infelizmente, os conteúdos do programa em si nem sempre acompanharam a qualidade da apresentação, sendo o período com apresentação de Bruno Nogueira e Carla Salgueiro normalmente considerado o último grande momento do 'CC' antes do declínio; ainda assim, as sucessivas gerações de espectadores do programa claramente não pareceram incomodados, como se pode comprovar pelo facto de o programa continuar no ar até aos dias de hoje, quase exactamente vinte e três anos após a sua primeira emissão, posicionando-se assim - a par de formatos lendários como 'O Preço Certo em Euros' – como um dos mais longevos programas da televisão portuguesa actual - proeza que consegue sem nunca se ter desviado do seu objectivo inicial, e tendo mantido sensivelmente o mesmo formato, um feito admirável, independentemente do que se pense sobre o estado do programa hoje em dia.

Quem 'esteve lá' no início, no entanto, sabe que, por melhor que o 'CC' actual seja, tempos houve em que o programa conseguiu ser, ainda, muito, muito melhor, e constituir a referência que a 'malta jovem' daquele tempo tanto procurava – tempos esses que esperamos ter conseguido reviver (ainda que apenas parcialmente) nestas breves linhas de tributo a um dos mais históricos formatos para jovens da História da televisão portuguesa moderna.

O 'ganda maluco' Rui Unas com a verdadeira estrela da fase inicial do programa

16.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Nas últimas semanas, este blog debruçou-se numerosas vezes sobre a carreira de Will Smith, um dos mais populares actores e 'rappers' das décadas de 90 e 2000; assim, era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, a nossa atenção se voltasse para a série que lhe permitiu começar o seu percurso em direcção a esse estatuto - a lendária 'sitcom' 'O Príncipe de Bel-Air'.

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Este post podia bem terminar aqui, e a maioria dos nossos leitores seriam capazes de criar a sua própria versão das próximas linhas; TODA a gente viu pelo menos um episódio d''O Príncipe de Bel-Air', senão aquando da sua transmissão original na embrionária SIC, em 1992, então na re-exibição no canal mais Radical da estação de Carnaxide, na década seguinte, ou até na Internet, onde é uma das comédias favoritas da geração 'nerd'. Do estatuto de culto da música de abertura - que grande parte das duas últimas gerações saberá de cor, ou pelo menos quase - aos 'GIFs' de Carlton Banks a fazer a sua dança característica (obviamente apelidada de 'The Carlton') a influência desta série na cultura 'pop' actual é quase inescapável, tornando qualquer contextualização redundante.

Quem não sabe esta letra, certamente, viveu debaixo de uma pedra nos últimos trinta anos...

Tentemos, ainda assim, dedicar algumas linhas a esse objectivo: 'The Fresh Prince' estreou nos primeiros meses da década de 90, na cadeia americana NBC, como forma de capitalizar sobre a fama musical da dupla protagonista, Smith e o seu parceiro Jazzy Jeff; enquanto que a carreira de ambos como criadores de 'hip-hop' entraria em trajectória decrescente, no entanto, seria como actores de comédia que ambos ficariam conhecidos entre toda uma nova geração de jovens, tendo a nova série ultrapassado até os já elevados níveis de sucesso da música da dupla.

No total, foram seis temporadas de aventuras e desventuras de Will (uma versão ficcionalizada do próprio Smith) no ambiente estranho que era a casa dos seus tios ricos, no titular bairro de luxo em Los Angeles, na Califórnia, as quais renderam personagens tão memoráveis quanto Will, Jazz (Jazzy Jeff, também basicamente a fazer dele mesmo), o mordaz mordomo Geoffrey, o iirascível mas compreensivo Tio Phil ou o supracitado Carlton, primo 'betinho' de Will que servia magnificamente a função de contrastar completamente com o mesmo - todos interpretados por actores talentosos, e cuja química mútua constituía um dos pontos fortes da série.

Como se tal não bastasse, 'O Príncipe...' contou ainda com participações especiais de alguns dos maiores nomes da cultura 'pop' norte-americana da época, de Tyra Banks a Naomi Campbell, Whoopi Goldberg, Jay Leno, e até o futuro presidente Donald Trump (que, aliás, era presença assídua em filmes e séries à época) - uma estratégia, aliás, adoptada anos mais tarde pela RTP para a adaptação televisiva de 'As Lições do Tonecas', embora a uma escala bem menor e mais local. Apenas mais um factor de atracção para um público-alvo, na sua larga maioria, já 'rendido' ao lendário charme de Smith e às mirabolantes peripécias engendradas pelos argumentistas da série, que, em conjunto, a ajudaram a tornar num dos maiores e mais memoráveis sucessos de televisão internacionais da década - estatuto que, aliás, a cultura nostálgica e 'nerd' (de que este blog faz parte) lhe permite continuar a manter, precisamente três décadas depois da sua transmissão inicial por terras lusas...

09.08.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre os géneros televisivos a gozar de maior popularidade nos anos 90, o humor talvez fosse o que estivesse mais 'em alta'; e se na televisão estatal era Herman José quem dava cartas nesse campo, os dois canais privados tinham, eles próprios, a sua quota-parte de 'ases na manga' no que a fazer rir diz respeito, tanto no que tocava a séries como a programas de entretenimento, contando, à época, com títulos tão icónicos como 'Levanta-te e Ri', 'Malucos do Riso', 'Camilo & Filho Lda', ou o formato de que falamos neste 'post', 'Paródia Nacional'.

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Estreado algures há vinte e cinco anos, e – como a maioria dos programas da época – baseado num formato estrangeiro (no caso, espanhol) do mesmo nome, esta mistura de programa de auditório, variedades e 'stand-up comedy' contava com um conceito relativamente original, que permitia aos próprios telespectadores criar e enviar para o programa letras humorísticas, as quais eram devidamente musicadas e interpretadas pelo grupo de cantores e bailarinos residentes do programa; no final de cada episódio, eram premiadas as três melhores de entre a meia-dúzia de paródias interpretadas.

A responsabilidade de preencher os 'espaços mortos' entre canções ficava a cargo de José Figueiras, uma daquelas figuras que (como Jorge Gabriel, João Baião ou o próprio Herman José) se tornaram, por uma razão ou outra, quase sinónimas com a apresentação de programas vagamente ou declaradamente humorísticos transmitidos na televisão portuguesa; e o mínimo que se pode dizer é que a TVI desperdiçou uma oportunidade mais do que óbvia para integrar o apresentador (famoso pela sua habilidade em canto tirolês) no próprio grupo de intérpretes, adicionando assim ainda mais interesse ao programa.

Mesmo sem este atractivo adicional, no entanto, 'Paródia Nacional' conseguiu relativo sucesso à época da sua transmissão, chegando a ser bastante falado no contexto do recreio – um sinal claro e inequívoco de que um programa deste tipo estava a resultar; e embora o seu legado não tenha, nem de perto, chegado ao de outros programas de que por aqui vamos falando de duas em duas Terças (tendo o mesmo, actualmente, sido algo Esquecido Pela Net) vale ainda assim a pena recordar aquele que foi um formato relativamente original para um programa de humor, e que chegou a marcar – ainda que apenas ao de leve – a programação de entretenimento da época, e o respectivo público-alvo.

14.06.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No auge da 'era YouTube', em que todo e qualquer vídeo – seja profissional ou amador – está disponível em algum local da Internet, o conceito de um programa que consistia, precisamente, na exibição de vídeos caseiros e amadores afigura-se totalmente redundante e obsoleta; e no entanto, a verdade é que, na era pré-Internet, este tipo de emissão era um sucesso absoluto em várias partes do Mundo, Portugal incluído.

De facto, este formato era tão popular a nível internacional que, nos anos 90, a RTP apostou numa versão cem por cento nacional do conceito, e lhe deu honras de exibição em horário nobre (curiosamente, precisamente às Terças).

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Intitulada 'Isto Só Vídeo', esta adaptação do clássico formato 'Funniest Home Videos' foi, durante grande parte do tempo que esteve no ar, um dos maiores sucessos da emissora estatal, e ajudou a transformar Virgílio Castelo – até então um discreto actor de teatro, para quem esta era a primeira 'aventura' no campo da apresentação televisiva – num nome reconhecido de Norte a Sul do País.

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O carismático Virgílio Castelo tornou-se praticamente sinónimo do programa

O conceito simples mas extremamente eficaz do programa – vídeos caseiros de índole voluntária ou involuntariamente cómica, enviados por espectadores ou 'descobertos' pela produção do programa, e transformados pela produção em montagens temáticas narradas pelo próprio Castelo – aliado aos custos de produção extremamente baixos (já que o 'trabalho pesado' acabava por ser feito pelos próprios autores dos vídeos mostrados) permitiram ao programa manter-se no ar durante cinco anos, de 1992 a 1997, tendo as três primeiras temporadas sido calorosamente recebidas por parte do público nacional, que tornou a emissão um sucesso; já as últimas duas temporadas, em que Castelo era substituído pela mais fotogénica, mas menos carismática Rute Marques, padeceram de um considerável decréscimo de interesse por parte da sociedade em geral, que levaria ao inevitável cancelamento do programa, já em finais dos 90, mas ainda a alguns anos do advento dos vídeos em ambiente 'web'.

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Rute Marques encabeçou o programa na sua fase descendente de popularidade

Ainda assim, e mesmo tendo saído pela 'porta pequena' dos ecrãs nacionais, o 'Isto Só Vídeo' constituiu, nos anos em que esteve no ar, um conceito verdadeiramente apelativo e inovador para a época, tendo divertido espectadores de todas as idades (entre eles muitas crianças e jovens, junto de quem o programa fazia furor) com o seu misto de 'acidentes' caseiros, animais e bebés a fazerem coisas engraçadas, e um ou outro vídeo obviamente encenado para parecer casual – precisamente a mesma mistura de elementos que pode, hoje em dia, ser encontrada numa pesquisa rápida no YouTube ou TikTok, inviabilizando por completo a hipótese de um programa nestes moldes alguma vez voltar a ser produzido. Fica, pois, a recordação daquele que foi um dos mais marcantes baluartes do horário nobre da RTP em inícios de 90, que toda uma geração de crianças e jovens fez por não perder todas as semanas.

01.06.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Quem cresceu nos anos 90, sobretudo na primeira metade dos mesmos, certamente reconhecerá o nome de Filipe La Féria, principal instigador nacional do chamado 'Teatro de Revista', uma peculiar mistura de rábulas humorísticas e números musicais, por vezes sujeitos a um só tema, outras totalmente desconexos entre si, que vivia precisamente nessa época um 'boom' de popularidade – tanto assim que chegou a dar azo a uma versão criada especialmente para a televisão.

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Crédito da imagem: Ainda Sou Do Tempo

Transmitido semanalmente pela RTP durante os três primeiros anos da década, 'Grande Noite' não era mais nem menos do que um espectáculo de Filipe La Féria – posto em cena no histórico Teatro Politeama, parte do não menos icónico Parque Mayer lisboeta – cujas únicas particularidades eram ser gravado e conter segmentos situados em outros locais que não o palco, o que não teria sido possível no contexto de uma 'revista' normal; de resto, todos os elementos característicos do género marcavam presença, do humor brejeiro à música estilo 'cabaret'.

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Muitos dos segmentos do programa consistiam de números de 'revista' tradicionais

Não eram, no entanto, apenas estes fundamentos da 'revista' que aproximavam 'Grande Noite' da verdadeira experiência de assistir a um espectáculo de La Féria; o programa contava, também, com a participação de alguns dos maiores nomes do género em Portugal, como José Viana e Carlos Quintas, além de jovens valores como Joaquim Monchique e João Baião, que em breve se viriam a tornar referências da televisão portuguesa.

Este 'sketch' do último episódio do programa reuniu num só segmento três dos maiores nomes da comédia televisiva portuguesa: Herman José, Joaquim Monchique e João Baião.

Esta mistura de veteranos e seus sucessores – todos de talento acima da média – era garantia de interpretações vivas e memoráveis, que ajudavam o programa a cativar públicos de todas as idades, desde os fãs de 'revistas' tradicionais até espectadores mais novos, para quem este terá sido o primeiro contacto com o estilo. Esse apelo massificado – ao qual se juntava um genérico de abertura memorável, que alguns leitores deste blog certamente ainda recordarão – terá, sem dúvida, contribuído para o sucesso continuado do programa, e para a sua permanência no ar por um período relativamente alargado, e nas memórias de toda uma geração por ainda mais tempo...

 

17.05.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Numa semana em que se vive o rescaldo de mais um Festival Eurovisão, e depois de termos aqui recordado os mais emblemáticos participantes portugueses no mesmo durante a década de 90, nada melhor do que nos debruçarmos um pouco mais a fundo sobre o programa que revelou ao Mundo um dos nomes mais memoráveis dessa lista, Sara Tavares.

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Falamos, claro, de 'Chuva de Estrelas', o mega-popular concurso de talentos musicais que foi pedra basilar da programação da SIC desde a sua criação até ao virar do milénio. E a verdade é que se, à distância de trinta anos, o conceito do concurso (adaptado, como era habitual neste tipo de programas, de um formato estrangeiro, no caso holandês) parece tudo menos original, a verdade é que, à época, tratava-se mesmo de um programa inovador, um dos primeiros, senão mesmo o primeiro, do seu género em Portugal.

De facto, se para um público do século XXI, habituado a programas como 'Ídolos' e 'The Voice Portugal', 'Chuva de Estrelas' é extremamente fácil de definir – trata-se, pura e simplesmente, de uma versão embrionária de um concurso desse tipo – no contexto português de inícios da década de 90, o termo de comparação mais próximo para o que propunha Ediberto Lima talvez fosse mesmo o Festival da Canção, o evento anual que apurava, precisamente, o representante de Portugal no Festival Eurovisão daquele ano; as únicas (mas significativas) diferenças residiam no facto de os concorrentes de 'Chuva' interpretarem, quase exclusivamente, versões de músicas de outros artistas, muitos deles internacionais – um conceito que, décadas mais tarde, serviria de base aos referidos concursos de talentos adaptados de formatos de Simon Cowell.

Ao contrário de 'Ídolos', no entanto, 'Chuva de Estrelas' nunca esteve ciente do valor de uma audição propositadamente irónica ou embaraçosa – todos os concorrentes em destaque no programa eram escolhidos, unicamente, na base do seu talento, e correspondiam com interpretações à altura, emotivas e vigorosas - a carreira musical de Sara Tavares, por exemplo, teve início após a cantora ter 'canalizado' Whitney Houston, numa actuação que lhe valeu a vitória na primeira das seis edições do concurso, em 1993. Esta abordagem viria, mais tarde, a beneficiar também nomes como João Pedro Pais, João Portugal, Carlos Coincas (dos Excesso e D'Arrasar, respectivamente) e Célia Lawson, a responsável pelo primeiro 'nul points' de Portugal na Eurovisão em mais de trinta anos.

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A apresentadora e vencedora da primeira série do programa, Catarina Furtado e Sara Tavares

O facto de este concurso ter, ao longo dos anos, sido entregue à 'nata' dos apresentadores da SIC – primeiro a Catarina Furtado, depois a José Nuno Martins e, por fim, a Bárbara Guimarães – diz muito sobre a importância que lhe era atribuída no contexto geral da grelha de programação da SIC; e a verdade é que essa confiança não foi, de todo, infundada - o programa não só foi um sucesso (dando, até, azo a uma versão 'Mini', com cantores infantis, da qual paulatinamente aqui falaremos) como é, ainda hoje, um dos mais recordados de entre os transmitidos pela estação naquela época, ao lado de outras 'pérolas' como o Ponto de Encontro, o Templo dos Jogos, o Portugal Radical ou o Buereré. E apesar de, tal como alguns destes, a 'mise en scène' do concurso ter envelhecido particularmente mal – 'Chuva' já era 'piroso' na altura, e é ainda mais 'piroso' agora – o seu estatuto como precursos dos concursos de talentos que todos conhecemos (e de que todos já nos fartámos) hoje em dia continua a merecer-lhe lugar de destaque na 'revolução televisiva' do Portugal noventista.

03.05.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Se houve um género de programa televisivo em que a televisão portuguesa foi pródiga nos anos 90, esse género foram os concursos. São inúmeros os exemplos de sucesso neste campo durante essa década, quer adaptados de formatos estrangeiros, quer criados de raiz a partir de uma ideia original. Da Roda da Sorte ao Preço Certo original (ainda antes de ser em euros), da Arca de Noé à Amiga Olga, os concursos pareciam (e eram) uma fonte inesgotável de audiências, com a enorme vantagem de terem custos de produção relativamente baixos.

Não é, pois, de surpreender que, ainda durante o seu primeiro ano de vida e em plena fase de financiamento pela Igreja Católica, a TVI tenha decidido apostar neste formato; o que surpreende mesmo mais é que o tenha feito em duas frentes, aliando uma produção portuguesa (a referida Amiga Olga) a um programa importado directamente do estrangeiro, com apenas a locução e comentários a serem dobrados num estúdio português.

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Falamos, é claro, do mítico 'Jogo do Ganso', um digno sucessor de 'Nunca Digas Banzai!' (com quem, aliás, concorria na grelha de Sábado à noite daquele ano) no panteão de concursos estrangeiros que viriam a ser êxitos absolutos em Portugal. Tal como o programa japonês, o concurso apresentado por Emilio Aragón (já de si uma adaptação de um formato italiano, por sua vez baseado no popular jogo de tabuleiro infantil de décadas anteriores) cativou os telespectadores nacionais, tendo milhares de portugueses de todas as idades passado a sintonizar religiosamente a TVI todos os fins-de-semana para ver mais um grupo de desafortunados participantes (sempre em número de quatro, divididos irmamente entre homens e mulheres) ser sujeito a uma série de desventuras enquanto tentavam percorrer aquele 'tabuleiro' gigante e 'sobreviver' às suas mirabolantes provas.

Eram, precisamente, essas provas que tornavam o programa num tal sucesso de audiências; isto porque, apesar de a maioria das mesmas variar de semana para semana (criando um elemento de diversidade e imprevisibilidade que incitava às visualizações repetidas), havia um certo número de provas fixas que, se 'activadas' por um dos jogadores, eram garantia de muitas gargalhadas à conta do embaraço do mesmo. Quem não se lembra, por exemplo, das lutas de gladiadores sobre a lama ou numa jaula, do atirador de facas, da Casa da Morte, que obrigava os jogadores a voltar ao início do jogo e a enfrentar novamente todos os 'perigos' de que já pensavam haver-se esquivado, ou do lendário barbeiro (cuja casa era, de longe, a mais temida por qualquer concorrente) que administrava 'carecadas' a quem tivesse a má-sorte de parar no seu domínio?

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O barbeiro Flequi, em pleno exercício de funções

Todos estes elementos ajudavam a que o programa se desenrolasse, inevitavelmente, a 'mil à hora', dando-lhe um ambiente algo caótico (no bom sentido) que – quando aliado ao memorável genérico, à decoração colorida do estúdio e ao estilo energético e saltitante de Emilio Aragón, uma espécie de versão 'nerd' de João Baião – o tornava particularmente atractivo para o público mais jovem. Quem era de uma certa idade em 1993 não perdia sequer um episódio deste concurso, frente ao qual terá passado muitas tardes a pensar o que faria se fosse concorrente (como o chegaram a ser dois portugueses, para gáudio e orgulho dos seus compatriotas), caísse na casa do barbeiro, e tivesse de regressar a casa careca...

Em Espanha, o 'Gran Juego de La Oca' continuou as emissões durante mais duas temporadas, a última das quais já em 1998. No país vizinho, no entanto, o concurso ficava-se pela primeira temporada, a qual se saldou, ainda assim, como suficientemente memorável para poder ser considerada uma 'prueba superaaaaaadaaaaaa!'

19.04.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Quando se fala de humor feito em Portugal, pelo menos na era pré-Gato Fedorento, um nome se levanta acima de todos os outros: Herman José. Com carreira iniciada ainda no tempo do preto-e-branco, o actor e humorista (cuja carreira não dá, aliás, sinais de abrandar) atingiu o seu auge na década de 80, tendo explanado o seu humor entre o brejeiro e o satírico (e sempre no limiar do politicamente incorrecto) ao longo uma série de programas de enorme sucesso, como 'O Tal Canal' e 'Hermanias'; na década seguinte, no entanto, o luso-alemão sofreu uma inflexão na carreira, que o tornou conhecido, sobretudo, como apresentador de concursos e programas de variedades, entre os quais se destacam 'A Roda da Sorte' e 'Parabéns', dois programas de que paulatinamente aqui falaremos.

Já no final da referida década, no entanto, Herman sentiu o 'bichinho' da comédia (que nunca, verdadeiramente, o abandonara) 'morder' de novo, e não tardou a reunir novamente a sua posse de fiéis seguidores e cúmplices, com vista à criação de um novo programa de 'sketches' humorísticos, semelhante aos que o haviam notabilizado nos 'velhos tempos'; o que nem ele, nem ninguém poderia saber é que o mesmo se tornaria, aos olhos de muitos, não só o seu melhor programa, como um sério concorrente ao título de melhor programa de humor português de sempre.

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Falamos, é claro, da mítica 'Herman Enciclopédia', sobre cuja estreia se celebrararam neste fim-de-semana pascal exactos vinte e cinco anos (foi ao ar pela primeir vez a 15 de Abril de 1997) mas que continua, de uma forma ou de outra, a influenciar o humor criado em território nacional até aos dias de hoje.

Larga porção dessa influência deve-se ao facto de a geração que hoje cria programas de humor ter crescido com Herman, e ter provavelmente passado uma grande parte da sua infância e adolescência a citar ou até imitar cenas da 'Enciclopédia'. De facto, a penetração do programa na cultura popular portuguesa de finais do século XX foi tal que até mesmo quem não via conhecia (e utilizava no dia-a-dia) todos os principais personagens e bordõe; do mítico Diácono Remédios, para quem nunca 'habia nexexidade, ze, ze' (e respectiva mãe, sexóloga liberal) à não menos lendária Super Tia e o seu 'caturreiraaaa!', passando pelos televendedores Mike e Melga, da MELGASHOP, para quem tudo era 'fantáááástico!' ou pelos 'pastiches' de Artur Albarran (vivido por José Pedro Gomes, e conhecido por iniciar cada segmento com as palavras 'a tragédia, o drama, o horror') ou Lauro António (Lauro Dérmio, sinónimo com a sugestão 'let's luque et da treila'), foram inúmeros os 'bonecos' introduzidos pela 'Enciclopédia' no imaginário popular, muitos dos quais ainda nostalgicamente recordados por quem assistiu 'em tempo real' ao seu aparecimento.

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Diácono Remédios, provedor da 'Enciclopédia' e talvez o personagem mais popular de todos os introduzidos pelo programa.

Pode parecer incrível que um programa com este tipo de penetração e impacto cultural apenas tenha tido direito a duas temporadas, mas acredite-se ou não, foi esse o tempo de vida da 'Herman Enciclopédia' na televisão portuguesa; período talvez curto para uma emissão com o sucesso de que esta desfrutou, mas mais que suficiente para que, um quarto de século depois, toda uma geração retenha, ainda, memórias vívidas e nostálgicas das criações de Herman e seus asseclas, fazendo com que haja - ao contrário do que o Diácono Remédios poderia pensar - mesmo muita 'nexexidade' de prestar homenagem, por alturas do seu aniversário, a mais este marco da televisão portuguesa.

12.04.22

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 11 de Abril de 2022.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As décadas de 80 e 90 representaram, talvez, o auge do cinema de acção exagerado, em que heróis musculados fazem rebentar 'a esmo' estruturas, matando dezenas ou mesmo centenas de inimigos de uma só vez, sem jamais serem atingidos. E se, no cinema, este estilo de trama ficou imortalizado, à época, pelos filmes da 'trinca' Schwarzenegger-Willis-Stallone, na televisão de 'acção real', a mesma é mais comummente associada a um nome: 'The A-Team'.

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Criada em 1983, a série é, em muitos aspectos, perfeitamente típica, e até emblemática, da 'era Reagan' dos Estados Unidos, com a sua nostalgia pelo Vietname e conceito centrado num grupo de ex-combatentes dessa guerra, transformados em mercenários após serem injustamente condenados de um crime militar; mesmo sem esse enquadramento contextual, no entanto, é extremamente fácil situar esta série no tempo após apenas alguns minutos de visualização, já que os elementos típicos do cinema de acção da época estão absolutamente todos presentes, a ponto de a série se ter tornado sinónima com os estereótipos desse género cinematográfico. Semana após semana, ao longo de quatro anos e cinco temporadas, Hannibal, Faceman, 'Howlin' Mad' Murdoch e, claro, o inesquecível e inimitável B. A. Baracus enfrentaram inimigos de mira muito pouco afinada, explodiram bases e locais-chave para a estratégia dos mesmos e realizaram arriscadas fugas na sua icónica carrinha, a fim de defender inocentes moçoilas e honestos agricultores dos poderes que os queriam prejudicar; uma fórmula tão previsível que beirava a auto-paródia, mas que conseguiu cativar toda uma geração de jovens americanos (tanto da parte Norte como Sul) e nada menos do que DUAS gerações de portugueses.

Isto porque, em território nacional, a série teve duas transmissões distintas: primeiro em versão original, logo no ano seguinte à estreia nos EUA e com o título 'Soldados da Fortuna', e mais tarde na icónica dobragem brasileira (sim, de Herbert Richards!) que transformava o grupo no 'Esquadrão Classe A'. Terá sido esta a versão a que a maioria dos leitores deste blog terá assistido nas manhãs em que não havia escola, e será nesta que o presente post, maioritariamente, se centrará.

O lendário genérico de abertura da série, na sua versão brasileira

Exibida pela TVI ali por volta de meados da década, 'Esquadrão Classe A' é até hoje tida como o exemplo perfeito de uma dobragem que supera o original; isto porque a adaptação para português do Brasil era tão, mas tão bem feita que ajudava a tornar a série ainda mais aliciante para o público-alvo do que ela já era. O trabalho dos actores brasileiros era (foi) tão marcante, que quem tenha visto sequer um episódio desta versão da série certamente não esquecerá, por exemplo, a exclamação do Baracus de Mr. T, que jurava a cada episódio 'não entrar em avião nenhum' - invariavelmente, momentos antes de ser visto a bordo de um avião. Estes pequenos detalhes, que também se podiam encontrar, por exemplo, nas dobragens dos filmes Disney da época, ajudavam a acentuar o sub-texto cómico da série, dando-lhe o balanço perfeito entre acção e momentos mais 'leves' - receita quase infalível para o sucesso de qualquer série da época.

Apesar de essa dobragem ter sido o principal motivo pelo qual 'The A-Team' perdurou na memória da 'Geração X' e 'millennial' portuguesas, no entanto, a mesma foi sumariamente deixada de parte em subsequentes transmissões da série na televisão nacional: tanto a repetição que passou na SIC Radical como a que a RTP Memória exibiu se baseavam na versão 'Soldados da Fortuna', exibida nos anos 80 com a trilha sonora original legendada em Português; uma pena, já que, para muitas ex-crianças e jovens da época, 'The A-Team' é daquelas séries que (como Power Rangers, por exemplo) nunca parece totalmente 'certa' sem os personagens a falar português...

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