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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.10.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

...como é o caso dos produtos dentífricos licenciados.

Já aqui várias vezes aludimos ao facto de a existência (e volume) de 'merchandising' ser um dos principais indicadores de sucesso para qualquer 'franchise' infanto-juvenil – sendo que, no caso das propriedades intelectuais mais avassaladoramente populares, o mesmo pode surgir sob as formas mais bizarras, insólitas e inesperadas. São exemplos deste fenómeno nos anos 80 e 90, entre outros, os ténis, serviços de chá ou espumas de banho da Barbie, a água de colónia do Pateta Desportista, os prendedores de atacadores das Tartarugas Ninja, o jogo de tabuleirosumo de frutas do Astérix, e os produtos que, hoje, aqui abordamos: a pasta dentífrica e escova de dentes do Super Mario.

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Lançada no início da década de 90, quando a fama e popularidade do personagem da Nintendo se encontravam em alta devido ao lnnçamento dos excelentes 'Super Mario Bros. 3' (para NES) e 'Super Mario World' (para Super Nintendo), este era daqueles produtos em que o licenciamento era difícil de explicar e justificar – pelo menos até recordarmos que muitas crianças e jovens tinham alguma relutância em lavar os dentes, podendo a presença do seu personagem favorito no tubo ou na escova ajudar a minimizar este factor, e encorajar à higiene oral regular na etapa de desenvolvimento em que ela é mais importante; e a verdade é que, nesse sentido, Mario era uma aposta extremamente segura, sobretudo entre o público masculino.

Estranhamente, dada a licença e o facto de a escova de dentes ser comercializada pela Sensodyne, estes são daqueles produtos que, hoje em dia, se encontram totalmente Esquecidos Pela Net – daí a imagem única, alusiva a uma promoção e retirada de um 'scan' de uma revista 'de época', precisamente ligada à Nintendo. Quem, no entanto, teve a sorte de poder lavar os dentes na companhia do seu personagem favorito, certamente ainda hoje se recorda destes dois apetrechos que ocupavam, de imediato, lugar de destaque em qualquer casa de banho infantil da época...

05.07.22

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A 'guerra das consolas' de finais dos anos 80 e inícios de 90, entre a Sega e a Nintendo (antes de a Sony entrar em cena e 'varrer' a concorrência) é, ainda hoje, tida como um dos grandes confrontos comerciais não só daquela era, como da História do marketing e vendas, tendo tido repercussões um pouco por todo o Mundo – incluindo em Portugal.

Por terras lusitanas, os métodos de combate foram, aliás, além do mero despique directo entre consolas de jogos, jogos em si e desenhos animados alusivos às respectivas mascotes, tendo-se estendido à criação de clubes exclusivos para membros e assinantes por parte de cada uma das companhias; em plena era dos clubes de jovens e clubes de fãs por correspondência, ambos os rivais japoneses decidiram 'entrar na onda', e criar a tão cobiçada lealdade por parte dos seus jovens consumidores através de métodos muito semelhantes.

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Os folhetos de ambos os clubes, um dos muitos aspectos em que os dois eram semelhantes

De facto, tanto o Club Nintendo Portugal como o Clube Sega – ambos, aliás, com designações por demais incomuns e originais – proporcionavam aos seus sócios acesso a materiais exclusivos, dos mais 'descartáveis', como folhetos, aos mais apetecíveis, como cartas personalizadas (um momento apoteótico para qualquer criança da época) catálogos com as próximas novidades – havia, afinal de contas, que criar antecipação entre o público-alvo – linhas de apoio para truques e dicas sobre os principais jogos de cada companhia, revistas exclusivas (ambas as quais fariam, eventualmente, a transição para as bancas generalistas, como veremos na próxima Quinta no Quiosque), e até, no caso da Sega, cassettes VHS promocionais (ou não estivesse o clube afiliado à Ecofilmes, à época uma das principais distribuidoras de vídeo em Portugal) com 'clipes' dos próximos lançamentos da editora – o que, na era pré-Internet, era bem mais apetecível do que possa hoje parecer. Claro que, para ambos os clubes, não podiam também faltar os cartões de sócio personalizados e de grafismo atraente. outro aspecto cuja importância para os jovens daquele tempo é difícil de transmitir a quem não o tenha sido.

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Exemplos dos cartões de sócio de ambos os clubes

Abordagens, portanto, extremamente semelhantes, até mesmo no modo de angariar sócios, residindo a única diferença no facto de a Sega incluir cupões de inscrição nas caixas das suas consolas, e a Nintendo, nas dos jogos – uma táctica que angariava ao seu clube mais visibilidade, mas também gastava mais recursos, pois quem já fosse membro não precisaria, decerto, de vários cupões repetidos.

Dois clubes, portanto, bastante semelhantes em todos os aspectos, e que terão certamente feito as delícias de inúmeras crianças e jovens fanáticas dos videojogos de cada uma das duas companhias durante os seus poucos, mas marcantes, anos de existência em inícios da década de 90...

 

22.06.22

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 21 de Junho de 2022.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Os anos 90 foram palco não de uma, mas de duas das mais acirradas guerras comerciais da História, ambas no campo dos videojogos; primeiro, foram a Sega e a Nintendo a digladiar-se pela preferência dos 'gamers' da 'geração rasca' e, mais tarde, a Sony entrou também na contenda, transformando-a num combate a três.

Ou melhor, a guerra dos 32 bits foi, na verdade, travada a dois, já que a Nintendo nunca lançaria uma consola com esta potência: em vez disso, a casa de Super Mario apostaria, directamente, no salto para a capacidade de processamento seguinte, apresentando, em 1995, a singela mas explicitamente chamada Nintendo 64 – uma consola que, em teoria, seria capaz de feitos fora do alcance quer da 'rainha' Playstation, quer da 'nada-morta' Sega Saturn.

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Na práctica, no entanto, a coisa era um pouco diferente; isto porque, ao passo que as suas duas 'concorrentes' haviam já adoptado o CD como modo de armazenamento preferencial, a Nintendo 64 optava ainda pelo já algo obsoleto cartucho. O que isto significava, na práctica, era que apesar de tecnicamente possuir o dobro da potência em 'bits', o 'tijolo' da Nintendo apresentava recursos gráficos e sonoros algo aquém das concorrentes – um paradoxo tornado ainda mais frustrante pelo facto de os jogos de Nintendo 64 serem, ao mesmo tempo, consideravelmente mais caros que os de qualquer das concorrentes. Assim, qualquer jovem que optasse pela consola da Nintendo em detrimento de qualquer das outras duas acabava por gastar mais dinheiro em menos jogos, e com recursos algo inferiores aos da Sony (melhor do que a Sega Saturn não era, convenhamos, difícil fazer...)

O 'reverso da medalha', no entanto, estava ligado ao facto de a maioria dos jogos mais conhecidos da 64 serem, pelo menos, tão bons quanto os títulos de topo da Playstation; podia não haver 'Final Fantasy VII' ou 'Metal Gear Solid', mas havia '007 Goldeneye' – ainda hoje considerado um dos melhores FPS de consola de sempre – 'Banjo-Kazooie', 'Pilotwings 64', a melhor versão alguma vez lançada de 'Mario Kart', dois dos melhores títulos de Zelda de sempre, o início da saga 'Super Smash Bros.', os primeiros títulos de 'Mario Party' e, claro, o impressionante 'Super Mario 64', um dos maiores feitos tecnológicos até então, e que deixou de 'queixo caído' todos quanto o viram em demonstração num qualquer hipermercado ou loja de brinquedos de bairro. Ou seja, uma aposta mais em quantidade do que em qualidade, e que garantia que os fiéis à companhia de Miyamoto não se sentissem defraudados ao investirem nos jogos da consola.

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Alguns dos muitos excelentes títulos lançados para a Nintendo 64, a maioria pela própria Nintendo

Apesar deste impressionante acervo de títulos, no entanto – aos quais, desenganemo-nos, acrescia também muita 'palha' – a Nintendo 64 nunca conseguiu passar da segunda posição no pódio das consolas 'noventistas', batendo a Saturn (e a sucessora Dreamcast) mas perdendo em popularidade e vendas para a todo-poderosa Playstation. Ainda assim, quem chegou a ser dono da ambiciosa máquina da Nintendo (Manel, se estiveres a ler isto...torneio de Mario Kart na tua próxima festa e anos?) terá certamente tirado o máximo proveito dos seus títulos mais conhecidos (e até, quem sabe, de alguns dos menos bem conseguidos) e adquirido memórias que, hoje, serão certamente mais do que nostálgicas; a Nintendo 64 pode não ter sido a vencedora da Segunda Guerra Mundial das Consolas, mas o seu estatuto de culto é não só inegável, como também, francamente, merecido...

28.05.22

NOTA: Este post diz respeito a Sexta-feira, 27 de Maio de 2022.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Oa filmes baseados em videojogos têm, historicamente, estado entre as adaptações menos bem conseguidas da História do cinema moderno – um pódio que, em tempos, partilharam com as adaptações de banda desenhada. Mas enquanto que a reputação destas veio ser (muito) melhorada pelas produções multimilionárias dos estúdios da Marvel e DC Comics, o percurso dos videojogos no cinema continua a ser marcadamente errático, sendo cada tentativa razoavelmente conseguida (os três filmes de Tomb Raider ou o recente Uncharted) anulada pela existência de um desastre absoluto, que parece não ter qualquer ideia do que torna o material original apelativo para o seu público-alvo.

Serve este preâmbulo para apresentar, precisamente, um desses desastres absolutos que parecem não ter qualquer ideia do que torna o material original apelativo para o público-alvo – ou antes, aquele que talvez seja O exemplo-mor desta tendência: o filme de Super Mário.

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Estreado em Portugal em inícios de 1994, e produzido no ano anterior, 'Super Mário' (o filme) parece – ainda mais do que outros filmes deste tipo – fazer um esforço consciente para ignorar praticamente todos os elementos popularizados por jogos como 'Super Mario World', usando apenas os mais básicos e reconhecíveis (Mario, Luigi e Daisy são facilmente reconhecíveis, o vilão chama-se Rei Koopa, e há referências a cogumelos) e alterando rigorosamente TUDO o resto, por vezes de forma nada menos do que abstrusa; veja-se, por exemplo, o ambiente cyberpunk (!) do Reino dos Cogumelos, que apresenta os tradicionais Goombas (os atarracados e instantaneamente reconhecíveis cogumelos ambulantes que se popularizaram como o primeiríssimo inimigo do primeiríssimo jogo de Mario) como mutantes musculados e de feições deformadas (!!), o referido Koopa como um empresário (!!!) também ele mutante (!!!!) e com cabelo constituído por pequenos esporos de cogumelo (!!!!!), e Yoshi como um dinossauro semi-realista (!!!!!!).               smb-1280b-1623444752449.jpgsuper-mario-bros-movie-fans-restore-20-minutes-of-

No universo deste filme, ISTO é um Goomba (em cima) e ESTE é Koopa (em baixo)!!

Todo o filme toma esta toada, consistente com o credo, popular na Hollywood da época, de que para um filme de acção dirigido ao público jovem ser bem sucedido, tinha forçosamente de apresentar ambientes escuros e desolados - veja-se também, como exemplo deste fenómeno, o primeiro filme das Tartarugas Ninja. No entanto, onde essa obra apresentava cuidado, dedicação e sobretudo respeito pelo material de base, 'Super Mário' faz exactamente o contrário, quase parecendo um insulto propositado aos fãs do 'franchise' da Nintento por gostarem de algo tão tolo e colorido – o que torna ainda mais incongruentes os vários 'easter eggs' e referências aos jogos escondidos no cenário, prontos a serem encontrados por espectadores mais atentos.

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O universo do filme contém diversas referências a elementos dos jogos originais, apesar de pouco ou nada aproveitar dos mesmos.

Por este mesmo motivo, a primeira longa-metragem dos irmãos Mario (de quem ficamos, pelo menos, a saber ser esse o apelido) saldou-se como nada mais do que uma desilusão, que desperdiçava actores de confiança – Bob Hoskins e John Leguizamo vivem os personagens tanto ou mais do que 'Captain' Lou Albano e Danny Wells na versão televisiva do canalizador – num argumento pobre e sem qualquer tipo de relação com o universo estabelecido pelo franchise.

O resultado foi uma 'bomba' de proporções épicas, que merece plenamente o seu estatuto e reputação como um dos piores filmes, não só de videojogos, mas da década de 90 em geral – mas que muitos dos leitores deste blog terão, mesmo assim, ido ver ao cinema, dada a popularidade do material no qual (não) era baseado. Esperemos, pois, que a de há muito anunciada versão animada do canalizador italiano (a ser lançada pela francesa Illumination, de 'Gru, O Maldisposto' e 'Cantar!') consiga superar a sua antecessora 'de carne e osso' – embora, como este post terá demonstrado, tal não se afigure como uma missão particularmente espinhosa...

24.05.22

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

No nosso 'post' mais recente, falámos de como a guerra entre a Sega e a Nintendo tinha constituído um dos despiques comerciais mais acirrados das décadas de 80 e 90; de facto, à entrada para a última década do século XX, as duas companhias continuavam tão 'taco-a-taco' como sempre, com a Sega a responder à vitória da NES sobre a Master System com o lançamento da todo-poderosa Mega Drive, e a Nintendo a retaliar estabelecendo o seu Game Boy como 'A' consola portátil por excelência, não dando quaisquer hipóteses à tentativa da Sega de inovar o mercado com a Game Gear, uma consola mais poderosa (tinha ecrã a cores) mas cujo número, disponibilidade e até preço dos jogos ficavam muito atrás dos do concorrente.

Era esta a situação vigente quando, nos primeiros anos da nova década, a Nintendo revela novo 'trunfo' tirado da manga – não só uma nova consola, pomposamente intitulada de SUPER Nintendo, como também um dos melhores e (ainda hoje) mais emblemáticos títulos dos anos 90 como seu jogo de lançamento.

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Falamos, como é óbvio, de 'Super Mario World', título que celebrou recentemente o trigésimo aniversário sobre o seu lançamento na Europa , a 11 de Abril de 1992 (curiosamente, numa semana em que abordávamos a principal oferta da concorrente nesse ano, 'Sonic 2') e que continua, todos esses anos depois, a viver nas memórias (e aparelhos de emulação) de toda uma geração de adeptos dos videojogos.

As razões para tal longevidade são imediatamente aparentes e óbvias para qualquer ser humano que passe sequer cinco minutos com o jogo; 'Mario World' é, simplesmente, um dos melhores jogos de sempre, não só do seu género, como no cômputo geral. Dos gráficos vivos e coloridos à jogabilidade fluida e intuitiva, passando pela série de memoráveis temas que constituem a banda-sonora, este jogo demonstra argumentos suficientes para atrair 'gamers' tanto casuais como mais empedernidos, os quais rapidamente darão por si a usar uma carapaça de um inimigo para matar cinco ou seis outros (ganhando assim uma vida extra) ou a correr freneticamente atrás de Yoshi para evitar que este caia num buraco sem fundo, tornando assim o jogo mais difícil.

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Quem nunca fez isto, não sabe o quão satisfatório é...

E por falar em Yoshi, o simpático dinossauro, hoje personagem de destaque do acervo da Nintendo, era precisamente um dos pontos fortes do 'marketing' de 'Mario World', visto adicionar uma nova dimensão à experiência de jogar um dos títulos do canalizador; em 1992, os fãs da companhia já haviam visto a sua mascote ganhar uma série de poderes, e até tido a possibilidade de controlar os seus principais aliados, mas nunca o tinham visto montado naquilo que era, para todos os efeitos, um segundo personagem, com toda uma nova gama de poderes. E a verdade é que a medida foi de tal modo popular que catapultaria Yoshi para a fama, e lhe granjearia lugar de destaque em títulos futuros, como a série 'Smash Brothers' ou 'Super Mario Galaxy 2', para a Nintendo Wii.

A 'montada' de Mario estava, no entanto, longe de ser o único atractivo do jogo, que apresentava um mapa vasto, com muitos e variados níveis para enfrentar, caminhos alternativos até ao castelo do vilão Bowser (ou Koopa, como é aqui conhecido) e segredos para activar, escondidos dentro de certos níveis; entretenimento suficiente para muitas horas de diversão, e que terá resultado em retinas 'queimadas' para muito boa gente que teve uma Super Nintendo naqueles anos de inícios de 90.

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O mapa do jogo oferecia caminhos alternativos para completar cada área

De facto, 'World' foi de tal modo bem-sucedido que seria eleito, já no novo milénio, como o segundo título a ser convertido para Game Boy Advance como parte da série 'Super Mario Advance' (o primeiro foi o anómalo, mas ainda assim divertido, 'Super Mario Bros. 2', originalmente lançado em 1988 para NES), voltando a atingir retumbante sucesso, e cativando toda uma nova geração para os seus encantos. Hoje, o título figura como um dos jogos de proa da Mini SNES, uma consola-emulador licenciada lançada em finais da década passada, continua a estar entre os títulos mais 'baixados' entre a comunidade emuladora, a par de outras séries-estandarte como Pokémon, e pode até ser jogado em qualquer 'browser', numa versão 'online'; prova de que, nos anos 90, a Nintendo pode não ter ganho a 'guerra' das consolas, mas não deixou ainda assim de atingir algumas, bastante significativas, vitórias...

23.05.22

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A década de noventa ficou – em Portugal como no resto do Mundo - marcada por muitas e muito mediatizadas rivalidades comerciais: da Pepsi com a Coca-Cola, dos Blur com os Oasis (que aqui paulatinamente abordaremos) da WWF com a WCW e, claro, da Sega com a Nintendo, sendo que esta última se destacava das restantes por se dar em duas frentes, com as rivais japonesas a competirem directamente não só através dos produtos que lançavam, mas também das suas mascotes.

Efectivamente, a 'luta' entre Sonic e Super Mario pelo coração das crianças e jovens noventistas traduziu-se em muitas e boas horas de entretenimento, quer através de alguns dos melhores jogos da década (um dos quais aqui recentemente abordámos) quer através das inevitáveis séries de desenhos animados que eram praticamente um pré-requisito de qualquer propriedade comercial infanto-juvenil bem sucedida; e porque, recentemente, aqui falámos de uma das três séries de animação dedicadas ao porco-espinho da Sega (a única a chegar a Portugal) nada mais justo do que nos debruçarmos, hoje, sobre o principal veículo animado do rival, o famoso 'Super Mario Brothers Super Show.'

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Estreada na RTP1 em 1993, numa altura em que ainda não havia a preocupação de dobrar todo e qualquer conteúdo dirigido ao público infantil (situação que se alteraria a partir de meados da década), o desenho animado de Mario não teve sequer direito a nome traduzido em português, sendo que até mesmo as cassettes VHS com episódios da série entretanto lançadas em Portugal traziam a dobragem brasileira; é, pois, de crer que muitas crianças e jovens da época conhecessem a série apenas pelo nome do protagonista. Quanto à não dobragem dos conteúdos propriamente ditos, esta constitui, neste caso específico, um ponto a favor, já que os diálogos da parte em 'acção real' de cada episódio são, sem dúvida, um dos elementos mais fortes da série 

Sim, dissemos mesmo 'acção real' – isto porque, ao contrário da série do rival, cada episódio do 'Super Show' estava dividido entre segmentos com actores verdadeiros a interpretar Mario e Luigi – um deles o lutador da WWF, 'Captain' Lou Albano – e outros em desenho animado, que se dividiam entre episódios das aventuras dos dois irmãos canalizadores e das de Link, o protagonista da série 'A Lenda de Zelda'. E se os primeiros eram fiéis quanto-baste ao material de base – estavam presentes a Princesa Peach, o cogumelo vivo Toad, o vilão Rei Koopa (ou Bowser), e os inimigos e poderes do jogo – o segundo tomava bastante mais liberdades com o mesmo, incluindo mudar a cor de cabelo e personalidade de Link (o qual repetia frequentemente uma frase-feita hoje tornada 'memética') e dar um papel mais proeminente a Zelda, que nos jogos não passa da princesa a ser resgatada.

Sabemos que algo se tornou um 'meme' quando tem direito a uma montagem de dez horas no YouTube

Em ambos os casos, a qualidade da animação, do trabalho de vozes e das histórias é perfeitamente típica da época em que a série foi produzida, o mesmo podendo dizer-se dos cenários, situações, diálogos e piadas dos segmentos em acção real, que não surpreenderão qualquer espectador que tenha visto sequer um episódio de uma qualquer 'sitcom' de inícios dos anos 90. O resultado é um produto extremamente 'de época', que se apoia declaradamente no interesse e procura por materiais relacionados com os personagens que o integram, mas que consegue, ainda assim, nunca descer abaixo de um nível aceitável e perfeitamente tolerável.

Não há dúvida, no entanto, de que 'Super Mario Bros. Super Show' deixou, pelo menos, um legado à cultura popular contemporânea, também ele transformado, hoje em dia, em 'meme': os seus genéricos de abertura e encerramento, que apropriam desavergonhadamente ainda mais um elemento de enorme sucesso entre os jovens – o nascente movimento 'rap'/'hip-hop', especificamente a vertente mais virada para a dança – e o misturam com efeitos sonoros retirados do jogo com resultados decididamente 'tão maus que são bons'; ver 'Captain' Lou Albano (ao que consta, alcoolizado em todo e qualquer segmento em que surge) a tentar infrutiferamente adoptar uma cadência 'rap' por cima do famoso tema do primeiro  'Super Mario Bros', enquanto executa algo que vagamente se assemelha a uma dança é tão deprimente quanto hilariante.

...palavras para quê?

De resto, tal como as tentativas de transpôr o rival Sonic para um papel menos interactivo, 'Super Mario Bros. Super Show' merece permanecer nos anos 90, sendo trazido à baila apenas ocasionalmente, no contexto de um 'post' como este – ainda que, mesmo assim, consiga ser melhor que as versões posteriores da série, já para não falar da longa-metragem de acção real, estreada no mesmo ano...

18.05.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

E se até aqui temos vindo a falar em consolas que foram sucessos de vendas durante a ‘nossa’ década por serem inovadoras e revolucionárias, nada melhor do que conhecer, hoje, uma máquina – ou antes, um conjunto de máquinas – que fizeram sucesso entre as crianças portuguesas dos anos 90, sem no entanto apresentarem quaisquer argumentos técnicos, tecnológicos ou até visuais que o justificassem; um conjunto de consolas que conseguiu (e continua a conseguir) vender um número respeitável de unidades sem nunca ter avançado no tempo para além de finais da década de 80. Senhoras e senhores…as Family Game.

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Adivinhem no que isto é inspirado, se conseguirem...

Sim, as ‘Family Game’, o nome genérico dado a um grupo vastíssimo de consolas que, apesar de aparentemente diferentes e distintas, faziam todas exactamente a mesma coisa - nomeadamente, correr jogos de Famicom, a versão japonesa do tradicional NES. Conhecidas nos países anglófonos como ‘Famiclones’, na Rússia como ‘Dendy’ ou ‘Terminator’ e no Brasil como ‘Polystations’ (nome derivado do modelo mais popular naquele país, e que também chegou a existir no nosso), estas máquinas acabaram, em Portugal, por ser baptizadas com o nome de um dos primeiros modelos a ser comercializado por estas paragens, cuja caixa exibia, desde logo, um dos principais pontos distintivos desta família de consolas – nomeadamente, o ‘layout’, grafismo, nomenclatura e até ‘designs’ directamente copiados das principais consolas de cada época.

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Sim, isto existe. Neste momento, já vai no modelo PolyStation 5. Mais uma vez, adivinhem no que é inspirado...

Independentemente deste facto, no entanto, as ‘entranhas’ destes videojogos eram todas rigorosamente iguais; fossem elas um sucedâneo de NES, Super Nintendo, Playstation, Dreamcast ou Nintendo 64, todas eram máquinas de 8 bits, que funcionavam exatamente com o mesmo tipo de cartucho – as facilmente reconhecíveis, e memoráveis, ‘cassettes’ amarelas, laranjas ou verdes, normalmente encontradas em pequenos estabelecimentos de bairro dedicados à revenda de eletrodomésticos baratos (e, já no novo milénio, também nas lojas chinesas.)

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Uma 'cassette' de Family Game, provavelmente com um jogo original e oficial de Megaman em versão japonesa/NTSC.

O que muitas crianças que jogavam ‘Family Game’ não sabiam é que este formato de cartucho era, em si mesmo, uma apropriação, neste caso dos cartuchos oficiais da Famicom japonesa (os quais são, eles próprios, compatíveis com estes ‘clones’.) Sem esse ponto de referência, no entanto, estas ‘cassettes’ eram para nós uma novidade, com o seu formato alongado e invólucros multi-coloridos. Quase tão atraentes eram, também, as etiquetas afixadas às frentes das ‘cassettes’, que, à falta de caixas, nos diziam o que a mesma continha - ou antes, o que queriam que pensássemos que a mesma continha, o que nos leva a outra característica marcante destes clones. Embora muitos dos títulos disponíveis fossem oficiais (havia, por exemplo, o jogo das Tartarugas Ninja, Tom e Jerry, Batman ou Contra, todos trazidos directamente da NES, sem quaisquer alterações) a maioria destes cartuchos consistia de versões ‘pirateadas’ de jogos existentes, as quais podiam ir de uma criação cem por cento pirata (os chamados ‘Hong Kong originals’) até uma mera troca de título, que ajudava a transformer o ‘Soccer’ da Nintendo (um título de lançamento de jogabilidade básica) no ‘FIFA 98’ (ou...'Super FIFA 98 IV'...)

s-l300 (2).jpg       ...eles já nem tentam que estes títulos façam sentido, pois não...?

Esta era apenas uma das maneiras encontrada pelos fabricantes das Family Game para apregoarem jogos como FIFA 98 nas suas consolas; outros ‘franchises’ populares da época – como Final Fight, O Rei Leão, Street Fighter e Mortal Kombat – viam serem criados de raiz, para estas consolas, jogos sem qualquer tipo de licença, e com títulos mirabolantes como ‘Street Fighter III’ (pelo menos meia década antes do oficial!) e ‘Mortal Combat 5’ (sim, escrito com ‘C’ e um numeral árabe). Este tipo de pirataria foi explorada tão a fundo, que as Family Game chegaram a ver ser lançadas versões piratas de Harry Potter, Resident Evil e até Final Fantasy VII (!!)

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Este, até caixa e manual trazia...

Outros 'franchises', ainda. viam jogos pré-existentes serem (mal) modificados para poderem ser vendidos como parte da série. A principal vítima deste tipo de 'engodo' foi o bom e velho Super Mario, que via o seu personagem de ‘Super Mario Brothers 3’ ser inserido em todo e qualquer jogo que se parecesse sequer minimamente com os originais (de Tiny Toons a Joe & Mac, onde o víamos na pré-história e munido de uma clava!) e até em outros que nem por isso, como Kid Niki, e uma hilariante versão de ‘Jackie Chan Adventures’ com um Mario musculado; isto sem esquecer, é claro, a vez em que o canalizador italiano comeu demasiados cogumelos e acabou a dar estaladas a Ryu num jogo de Street Fighter. Sim, a sério.

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Esta imagem é cem por cento real.

Outro tipo ainda de pirataria, talvez a mais frequentemente associada às máquinas Family Game, consistia nos chamados ‘multi-cartuchos’ – ou seja, cassettes que continham mais do que um jogo. Aqui, o ‘truque’ chamariz consistia, sobretudo, em anunciar literalmente milhões de jogos (cartuchos que apregoavam 9999999 em 1 não eram, de todo, incomuns) e depois oferecer uns quantos – que podiam ir de cinco ou seis a uma ou duas centenas – e ‘encher’ os restantes nove milhões e tal de entradas do indíce com repetições desses mesmos cinco ou dez ou cem, normalmente com início num nível mais avançado, ou com velocidade mais rápida. Mais uma vez, sem acesso a uma caixa, não havia como saber o que íamos encontrar até se pôr o cartucho na consola – e nessa altura já era, normalmente, demasiado tarde.

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Exemplo de multi-cartucho, este provavelmente com os oito jogos representados nas imagens, sendo os restantes repetições dos mesmos

Apesar destas ‘manhas’, no entanto, as consolas Family Game eram bastante atractivas para uma certa geração de crianças, as quais muitas vezes não conseguiam ter as consolas reais, ou preferiam até aqueles jogos mais simples. O ‘design’ das cassettes e consolas, com a sua pirataria tão descarada que se tornava ‘fixe’, e o próprio factor de mistério (e os números grandes nas etiquetas dos multi-cartuchos, que incitavam à gabarolice) faziam com que muitas crianças não ficassem desapontadas ao serem presenteadas com uma destas máquinas, mesmo apesar da falta de poderio técnico.

Hoje, os ‘Famiclones’ experienciam um reviver, graças ao fascínio que suscitam à Internet; antes de alguém sequer saber o que era um ‘browser’, no entanto, já milhões de crianças em todo o Mundo (e também em Portugal) jogavam ‘Mortal Combat 5’ e ‘Super FIFA 98 IV’ nas consolas de cartuchos amarelos que imitavam as oficiais. Se se contaram entre esse número, deixem as vossas memórias nos comentários – e sim, estamos a falar contigo, Riaz…

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