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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

20.06.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

E já que temos, ao longo desta semana, vindo a assinalar a realização do Campeonato Europeu de Futebol 2020 com a exploração de temas relacionados ao futebol, nada melhor do que nos debruçarmos, hoje, sobre o jogo que permitia às crianças daquela época realizarem o seu próprio Europeu, no chão do quarto de sua casa.

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Sim, o Subbuteo – um jogo de que qualquer criança que tenha entrado numa drogaria, papelaria ou loja de brinquedos da época certamente se recordará. Isto porque, na década de 90, não havia estabelecimento deste tipo que não tivesse, pelo menos, uma daquelas caixinhas ‘de equipa’, com onze jogadores trajados a rigor, prontos a serem ‘piparoteados’ na direcção da baliza.

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Quem nunca viu uma destas pendurada na drogaria do bairro?

Isto porque era, precisamente, assim, que o Subutteo funcionava – literalmente à base de ‘piparotes’. A ideia era que os jogadores utilizassem este método para impulsionarem os jogadores, os quais se encontravam colocados sobre bases oscilantes ao estilo ‘sempre-em-pé’, que tornavam impossível prever a distância ou até a direcção da sua deslocação. Esta característica tinha como fim adicionar um factor ‘surpresa’ às partidas, o qual, no entanto, era por vezes descartado em favor da previsibilidade e eficiência – isto é, havia quem simplesmente agarasse o jogador pela cabeça e o balançasse na direcção da bola, a fim de a fazer ir para onde se queria…

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Era suposto ser assim, mas...

Como quer que se jogasse, no entanto, o Subutteo era sempre garantia de emoções fortes – sobretudo se o jogo encenado fosse um ‘derby’. Se cada jogador fosse adepto da equipa que controlava, um Sporting-Benfica em Subutteo era tão emocionante quanto um real ou disputado num jogo de computador ou consola; caso contrário, um dos intervenientes tinha sempre, a contra-gosto, de ficar com a equipa adversária – normalmente com a promessa de, no jogo seguinte, as posições se trocarem.

É claro que o referido jogo implicava mais do que apenas duas equipas – mas não MUITO mais. Havia um campo oficial do Subbuteo à venda (com balizas a sério, que se colocavam nos respectivos lugares nas bordas do – literal – tapete verde) mas mesmo quem não tinha acesso a este luxo facilmente organizava um jogo, nem que fosse no próprio chão do quarto ou da sala.

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O campo oficial do Subbuteo, com os jogadores já a postos para uma partida (crédito da imagem: CustoJusto)

Quem não tinha dinheiro para comprar os jogadores ou pais dispostos a comprá-los - ou quem queria jogar na escola, mas não queria andar sempre a ter de contar e verificar se tinha os jogadores todos para não arriscar perdê-los – podia, ainda, recorrer a uma solução ainda mais caseira, e também muito popular entre as crianças da altura – as equipas feitas de caricas de garrafas de refrigerante, daquelas de vidro, em cada uma das quais era escrito o respectivo nome e número de jogador. Assim que estivessem reunidos ‘futebolistas’ suficientes, era só aplicar o princípio do ‘piparote’ – e, à falta de bola, era considerado golo sempre que uma carica entrava na baliza.

Enfim, fosse com homenzinhos de madeira pintada ou com caricas, com campo ou sem campo, a verdade é que o Subbuteo marcou a geração de 80 e 90 – como tinha, aliás, marcado várias outras ao longo das suas (então) quatro décadas no mercado. E embora o jogo ainda exista hoje em dia, este é mais um daqueles brinquedos que quase faz pena a geração mais nova já não ir conhecer em pleno – porque a verdade é que um bom jogo de Subutteo conseguia ser tão ou mais emocionante que um de FIFA, com a vantagem de ser bastante menos previsível…

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