Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

24.05.23

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

criancas-ecologia-GI.jpg

Hoje em dia, conceitos como a reciclagem e a sustentabilidade fazerem parte do quotidiano e da ºmalhaº sócio-económica da sociedade ocidental; no entanto, este é um paradigma extremamente recente. De facto, a maioria dos conceitos eco-sustentáveis que movem a economia moderna apenas se tornaram parte da consciência social nas últimas duas décadas do século XX, época em que foram feitos os primeiros esforços para sensibilizar o público a nível Mundial (e sobretudo as crianças e jovens) sobre os benefícios de tentar respeitar e preservar os recursos naturais, e de evitar tendências como a poluição, o desperdício e o consumismo desnecessário. De facto, essa tendência rapidamente se tornou tão prevalente que mereceu, mesmo, paródias em programas como 'Os Simpsons', no famoso episódio que apresenta (e faz desaparecer para sempre) o personagem Poochie, um cão de atitude radical (com boné para trás, óculos escuros, camisa de flanela e 'skate', como era moda na altura) que debita chavões típicos dos desenhos animados da época, um deles referente, precisamente, à reciclagem.

A hilariante paródia aos desenhos animados da época levada a cabo pel''Os Simpsons'

Portugal não ficou, de todo, de fora desta 'vaga' ecológica – pelo contrário, quem tinha uma certa idade em meados da década de 90 certamente recordará o 'bombardeio' de mensagens de consciencialização ecológica ministrado por quaisquer meios possíveis, dos filmes, desenhos animados e séries de televisão aos livros e banda desenhada, passando pelos panfletos educativos, acções presenciais em escolas e espaços públicos, e até através de brindes, como os autocolantes com mensagens ecológicas relativas à preservação dos oceanos que a revista 'Super Jovem' oferecia por esta altura há exactos vinte e cinco anos, como forma de marcar a abertura da Expo '98. Como resultado destes esforços, não haverá hoje um adulto que tenha crescido nessa altura e que não conheça conceitos como 'os três R's', 'pôr o lixo no lixo' (tema de um dos melhores segmentos de sempre da 'Rua Sésamo' portuguesa) 'ecologia', 'energias renováveis' ou 'sustentabilidade' – embora, infelizmente, nem sempre os mesmos sejam postos em prática...

Numa vertente mais proactiva, a última década do século XX viu, também, nascer os Ecopontos – caixotes do lixo diferenciados para os diferentes tipos de resíduos, semelhantes aos já existentes em outros países da Europa, que ajudaram grande parte da população portuguesa a entender e interiorizar o acto da reciclagem, e que continuam, até hoje, a fazer parte da paisagem urbana portuguesa, embora em menor número do que outrora. De igual modo, foi nesta década que se começou activamente a trabalhar em prol da redução dos resíduos fósseis em prol das energias renováveis, e do aumento das medidas de produção sustentável, embora os verdadeiros avanços nesse campo apenas se viessem a dar já no Novo Milénio.

Infelizmente, apesar de todos os esforços feitos em décadas transactas, há, ainda, um longo caminho a percorrer até o sentido ecológico ocidental se encontrar nos níveis ideais – até porque certos conceitos entretanto emergentes, como o 'fast fashion', fizeram e fazem retroceder activamente o processo de criação de uma sociedade sustentável. Ainda assim, o facto de a nova geração ter já sido sensibilizada pelos pais e professores (maioritariamente criados precisamente em finais do século XX) deixa já uma nota de esperança para o futuro do planeta – um futuro que demorou, até agora, mais de três décadas a construir, mas que dentro de outras tantas terá, potencialmente, sido atingido...

13.07.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog..

...como é o caso da mudança de atitudes na sociedade.

istockphoto-146923728-612x612.jpg

Provavelmente, acabam de ofender vários grupos minoritários sem sequer o saberem...

Muito se fala, hoje em dia, do 'politicamente correcto', e do impacto (por vezes excessivo) que o cuidado (por vezes extremo) para não ofender vem tendo na vida quotidiana. Quer se goste ou não, a sociedade ocidental avançou consideravelmente, a nível de mentalidades, nos últimos trinta anos, e para se perceber isso basta lembrar as anedotas que todos contávamos no recreio da escola, ainda antes de a nossa idade atingir os dois dígitos, e que seriam, hoje, suficientes para nos 'cancelar' social e culturalmente.

Mais do que os próprios dichotes – contados, afinal de contas, por crianças – é a atitude indiferente e casual da sociedade de então em relação aos mesmos que verdadeiramente choca hoje em dia; ainda que pais ou professores pudessem repreender ou tentar corrigir quem era apanhado a contar esse tipo de anedotas, o próprio facto de elas existirem era olhado com naturalidade e descontracção pelo mundo 'adulto', não sendo o potencial ofensivo das mesmas tido em conta, excepto em contextos muito específicos (como a presença de um elemento de uma minoria étnica no momento em que a anedota era dita, por exemplo). Uma atitude que é, hoje em dia, diametralmente oposta - e ainda bem, pois fica aí demonstrado o crescimento exponencial da sociedade neste parãmetro específico.

Precisamente por este motivo, dificilmente ouviremos uma criança actual contar aos amigos da mesma idade este tipo de anedota; na verdade, até mesmo os adultos evitam dizê-las hoje em dia, por respeito a quem possa ser ofendido. No entanto, isso está longe de constituir um ponto a desfavor da sociedade do novo milénio – pelo contrário, pode ser considerado um dos casos em que o 'politicamente correcto' não só tem razão de ser, como beneficia activamente o 'clima' social quotidiano.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub