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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

24.11.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Os 'remakes' 'à portuguesa' de formatos de sucesso no estrangeiro não são nada de novo na televisão lusa, tendo mesmo rendido alguns sucessos de relevo ao longo dos anos, quer a nível dos concursos, quer das séries. É sobre uma destas últimas que hoje nos debruçamos, poucas semanas após se terem celebrado os vinte e cinco anos da sua estreia, a 4 de Novembro de 2000.

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O casal de protagonistas da série.

Adaptação lusitana da série espanhola 'Querido Maestro', originalmente transmitida no país vizinho em 1997, 'Querido Professor' era uma produção da Endemol (responsável por grande parte do que passava na SIC à época) e trazia Ricardo Carriço no papel do titular docente, e Alexandra Lencastre (já longe da inocência da Guiomar da 'Rua Sésamo') como a sua ex-namorada, que o mesmo reencontra ao regressar à 'terrinha' para ali leccionar. Uma premissa em tom de comédia romântica que, ancorada no charme dos dois protagonistas e nas situações criadas pelos alunos de Miguel e pelos restantes habitantes da aldeia (interpretados por veteranos como Rogério Samora, Jorge Gabriel e Rita Blanco, entre outros nomes sonantes da comédia televisiva portuguesa) logrou render duas temporadas, e um total de quarenta episódios – marca honrosa, sem ser extraordinária, para uma série que até chegou a reunir algum consenso à época de transmissão.

Infelizmente, e apesar dessa relativa notabilidade nos primeiros meses do Terceiro Milénio, a série encontra-se, hoje em dia, quase totalmente Esquecida Pela Net (àparte o inevitável IMDb e um ou outro 'blog' de que foram tiradas as parcas informações desta peça) não restando mesmo, sequer, o habitual par de 'clips' de YouTube para recordar ou conhecer a obra. Resta, pois, a memória nostálgica e remota para 'encorpar' aquela que acaba por ser uma homenagem talvez demasiado curta e breve para uma celebração de um quarto de século, mesmo atrasada...

22.10.25

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Na noite de 21 de Outubro de 2025, Portugal perdia uma das suas figuras maiores, cujos muitos 'chapéus' envergados ao longo de quase nove décadas de vida tiveram impacto directo em inúmeras áreas da sociedade e do dia-a-dia do País. Francisco José Pereira Pinto Balsemão foi estadista, político (chegou a ser Primeiro-Ministro no Portugal pós-revolucionário), jornalista e advogado, mas a maioria dos leitores deste 'blog' conhecê-lo-à quase exclusivamente na qualidade de empresário da comunicação, actividade a que dedicou quase toda a segunda metade da sua vida, tendo sido o principal 'motor' por trás do Grupo Impresa, detentor de tantas publicações periódicas portuguesas em finais do século XX, e da SIC, o primeiro canal totalmente independente da História da televisão portuguesa, responsável por apresentar às crianças e jovens nacionais alguns dos mais icónicos programas desse mesmo período.

De facto, sem a iniciativa de Pinto Balsemão, as crianças e jovens nacionais talvez nunca tivessem chegado a ver 'Dragon Ball Z', 'Navegante da Lua', 'Power Rangers', 'Buereré', 'Big Show SIC', 'Portugal Radical', 'Malucos do Riso' e tantos outros ainda hoje lembrados com carinho pela geração nascida e crescida nas décadas de 80 e 90. E apesar de estes dois conglomerados de 'media' representarem apenas uma ínfima parte do que foi a fascinante vida de Pinto Balsemão, é mesmo graças a eles que as gerações 'X' e 'millennial' reconhecem o nome, tendo sido a principal forma de influência do mesmo sobre a referida demografia, e parte significativa da razão pela qual não podíamos deixar de publicar esta nota de pesar relativa ao seu falecimento. Que descanse em paz.

14.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 13 de Outubro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Numa ocasião passada, relembrámos nestas páginas 'Uma Aventura', a série literária infanto-juvenil que, apesar de já quadragenária, continua, de alguma forma, a conseguir tracção suficiente entre o seu público-alvo (por esta altura, membro da Geração Alfa) para justificar a edição regular de novos tomos relativos ao mesmíssimo grupo de 'eternos adolescentes' que entreteve as crianças das gerações X, 'Millennial' e até 'Z'. Face a este sucesso, e à própria premissa da série de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. não é de espantar que a mesma tenha dado azo a uma adaptação televisiva, transmitida no equivalente infantil ao horário nobre (as manhãs de fim-de-semana) e sobre cuja estreia se celebram, no dia da publicação deste 'post', exactos vinte e cinco anos.

Foi, efectivamente, a 14 de Outubro de 2000 (um Sábado), que Pedro, Chico, João, as gémeas Teresa e Luísa e os seus respectivos cães, 'Caracol' e 'Faial', se apresentaram pela primeira vez em 'carne e osso' aos fãs dos livros, e a todo um novo segmento de potencial público que ficava assim a conhecer pela primeira vez a colecção. E apesar de não serem exactamente fiéis à sua caracterização nas páginas escritas – sendo vividos por actores mais velhos e com um visual mais actualizado e em linha com as sensibilidades juvenis da viragem do Milénio – eram suficientemente apelativos e interessantes para fazer os 'fiéis' regressar semana após semana, transformando a série da SIC num sucesso à altura do material de base. Tanto assim que 'Uma Aventura' lograria regressar para uma segunda série (em 2004, com um elenco logicamente totalmente renovado) e serviria de inspiração a outras adaptações de séries literárias infantis, como 'O Clube das Chaves' ou 'Triângulo Jota', as quais nunca conseguiram, no entanto, replicar o sucesso daquela primeira tentativa.

Grande parte deste sucesso devia-se ao facto de que a série d''Uma Aventura' (em ambas as suas 'encarnações') logrou sempre manter o espírito das 'Aventuras' originais (embora cada uma delas fosse expandida para se adaptar melhor ao formato televisivo) e a qualidade apresentada pela série original. O resto resumia-se a preferências individuais relativas aos actores escolhidos e à sua forma de abordar a personagem que viviam, que faziam com que alguns preferissem um grupo de actores sobre o outro, embora reconhecendo que ambos eram excelentes. Qualquer das séries continua, aliás, a ser uma excelente proposta para um serão em família, reunindo duas ou até três das múltiplas gerações cuja infância ou adolescência ficaram marcadas não só pela colecção original de livros mas também, quiçá, pelas referidas adaptações televisivas...

07.10.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década

Os programas de humor estavam entre os mais populares e bem-sucedidos das décadas de 80, 90 e 2000 – e, destes, grande parte tinha como formato uma sucessão de 'sketches' não relacionados entre si, normalmente vividos por uma série de personagens recorrentes. E se, no Novo Milénio, o grande exemplo deste tipo de emissão seria o ainda hoje histórico 'Gato Fedorento', na década de 90, a honra de líder de audiências dividiu-se entre dois programas concorrentes: a 'Herman Enciclopédia', da RTP, e o programa que abordamos neste 'post', cerca de um mês após se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia.

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Era a 1 de Setembro de 1995 que a SIC transmitia, pela primeira vez, um episódio daquele que se viria a tornar, durante a década subsequente, um dos seus programas-estandartes, e pôr tanto crianças como adultos de Norte a Sul do País a repetir dichotes e imitar personagens por si veiculadas, e criadas por um veterano da comédia nacional, Guilherme Leite, cuja carreira o havia ajudado a perceber exactamente o que agradava ao público nacional. 'Malucos do Riso' apostava, assim, num estilo de humor popular e brejeiro, mais próximo do anedotário popular ou teatro de revista do que das piadas mais subtis e baseadas na personalidade de cada figurino propostas pela 'Enciclopédia' de Herman José. O resultado não podia ser outro que não a adesão quase total de certos segmentos da sociedade portuguesa, com destaque para as crianças e membros da classe trabalhadora, a quem o humor simples, quotidiano e ligeiramente 'maroto' nunca deixava de agradar.

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Alguns dos muitos personagens memoráveis do programa.

Não é, assim, de admirar que 'Malucos do Riso' se tenha, eventualmente, afirmado como um dos programas de entretenimento mais longevos da SIC, completando uma década no ar com a fórmula praticamente inalterada. Seria apenas já em meados da primeira década do Novo Milénio, que este bastião da estação de Carnaxide viria a sair do ar – embora durante pouco tempo, já que não passariam mais de quatro anos até 'Novos Malucos do Riso' procurar continuar o legado deixado pelo original. E apesar de esta segunda tentativa ter ficado longe do sucesso da original – num panorama televisivo já algo diferente em termos de sensibilidades e interesses do público-alvo – os 'Malucos' originais continuam, até hoje, a afirmar-se como um dos clássicos mais absolutos e indeléveis das mais de três décadas de História da SIC, merecendo bem esta homenagem (ainda que um pouco atrasada) por altura do seu trigésimo aniversário. E para quem quiser recordar, fica abaixo um compêndio completo da série, com quase NOVE HORAS de duração - embora, claro, não se recomende a visualização toda de uma vez...

30.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Setembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As adaptações localizadas para formatos bem-sucedidos no estrangeiro não são nada de novo, tendo sido uma fórmula adoptada pelos países mais periféricos desde os primórdios dos 'mass media'. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, antes pelo contrário – são inúmeros os exemplos desta prática ao longo dos anos, sobretudo no espectro televisivo, onde os produtos deste tipo se dividem entre adaptações declaradas e o mais literais possíveis, e conceitos simplesmente inspirados por outros criados 'lá por fora'. A série que abordamos neste 'post', e sobre a estreia da qual se assinalaram este mês os exactos vinte e cinco anos, insere-se na primeira categoria, 'copiando' fielmente um formato britânico e aplicando-lhe uma 'demão' de 'verniz nacional', para mais facilmente captar e cativar o seu público-alvo. O resultado é uma série que, apesar de ficar bem aquém do sucesso do original, merece ainda assim ser relembrada por ocasião do seu quarto de século.

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Estreada a 7 de Setembro de 2000, na SIC (à época a principal veiculadora de 'sitcoms' nacionais) 'Cuidado Com As Aparências' é uma adaptação da série do mesmo nome produzida pela BBC em inícios dos anos 90, e cujo título original era 'Keeping Up Appearances'. Londres dá lugar a Lisboa, Hyacinth Bucket torna-se Jacinta Bimbó, mas tanto o conceito (uma mulher de classe baixa com pretensões à 'subida' social) como muitas das situações são transferidas directamente do original britânico – o que não é de estranhar, já que a maioria das mesmas era relativamente universal, sem grande 'carga' social específica do Reino Unido, e, como tal, fácil de adaptar a uma realidade tão diferente (mas também tão semelhante) como era a portuguesa.

A dar a cara e o corpo às 'aportuguesadas' aventuras de Jacinta e da sua família declaradamente e orgulhosamente popular estavam um conjunto de actores bem habituados às lides da comédia, e capazes de fazerem até as situações mais caricatas ressoar junto do público-alvo. Catarina Avelar (que vivia Jacinta), Helena Isabel, Lídia Franco, Margarida Carpinteiro ou Vítor de Sousa eram apenas alguns dos nomes num elenco fixo cujo talento era inversamente proporcional ao seu tamanho, e que era capaz, por si mesmo, de justificar a sintonização da série – como, aliás, sucedia com a maioria dos projectos em que se envolviam.

Infelizmente, conforme mencionado nas linhas iniciais deste texto, a versão portuguesa de 'Cuidado Com As Aparências' não logrou o mesmo sucesso da original, dando origem a apenas duas temporadas (por oposição às cinco da série da BBC) e encontrando-se hoje largamente esquecida pelo público telespectador da época. Ainda assim, a mesma não deixa de ser um exemplo relativamente bem conseguido – e absolutamente típico – de 'sitcom' portuguesa do período em causa, fazendo por merecer ser revisitada por fãs deste tipo de programa, no mês em que se celebram os vinte e cinco anos da sua primeira 'ida ao ar.'

29.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Julho de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As séries animadas têm, tradicionalmente, sido um dos principais 'ramos' da 'árvore de divulgação' de qualquer franquia dirigida a crianças e jovens. O mundo dos super-heróis não é, de todo, excepção a esta regra (antes pelo contrário) pelo que, numa altura em que o género volta a estar na ribalta graças às estreias de 'Super-Homem' e 'Quarteto Fantástico', faz sentido recordar os vários exemplos de programas do género estreados em Portugal durante os últimos anos do século passado. E se os desenhos animados da DC, icónicos para o público norte-americano, ficavam 'grosso modo' ausentes da programação nacional (excepção feita a 'Batman – A Série Animada', de que já aqui falámos numa ocasião anterior) já os da Marvel viriam a encontrar o seu espaço na grelha televisiva da SIC, em diferentes pontos durante a segunda metade dos anos 90 – ainda que algumas se tenham afirmado como bastante mais memoráveis que outras.

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Destas, a mais frequentemente lembrada (tanto pela escrita madura e inteligente como pelo seu icónico tema de abertura e fecho) será 'X-Men', produzida em 1992 e transmitida, com dobragem portuguesa, no icónico 'Buereré' em meados da década. Baseada na fase então contemporânea da equipa de mutantes liderada pelo Prof. Xavier, a série tomava, ainda assim, bastantes liberdades por comparação com o material original, apresentando novas histórias e até um personagem inédito, Morph, que participaria de um único episódio antes de ser morto em combate. Mesmo com estas diferenças, no entanto, a série não deixou de agradar aos fãs dos mutantes da Marvel, tendo o seu continuado sucesso no seu país natal levado mesmo à produção, já na década de 2020, de uma sequela, 'X-Men '97', actualmente disponível na Disney+.

O icónico genérico da série.

Apesar de servirem como 'porta-estandarte' das séries de animação da Marvel, no entanto, os X-Men estavam longe de ser os únicos personagens da editora convertidos a um formato televisivo. O não menos icónico Homem-Aranha também teria direito a série própria – que trazia outro excelente tema de genérico e que, mesmo suplantada por exemplos posteriores, não deixa ainda assim de ser lembrada com carinho pelos fãs - e o mesmo se passaria também com o Homem de Ferro e o Quarteto Fantástico, embora qualquer destas séries tivesse tido uma passagem pelas Tvs nacionais bem mais discreta que a de Peter Parker ou da equipa mutante.

A série do 'aranhiço' tinha também uma introdução memorável.

Em comum, estes programas tinham a animação limitada, típica de produções da altura (mas ainda assim funcional para o efeito pretendido) e o grafismo e desenho dos personagens, que se saldava numa versão mais simplificada e algo mais infantil do típico estilo Marvel. O resultado era uma série de 'pratos cheios' para fãs dos super-heróis em questão, os quais, mesmo não chegando ao apuro técnico e de narrativa das séries da 'concorrente' DC, se perfilavam ainda assim como opções acima da média naquela que terá sido uma das melhores épocas de sempre para a animação televisiva, e faziam por merecer a reputação de que continuam a usufruir entre quem foi jovem naquele tempo, em Portugal e não só.

02.06.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Na última Segunda de Séries, celebrámos uma das mais famosas telenovelas brasileiras de sempre, e sucesso de audiências nas suas várias repetições em Portugal, 'A Escrava Isaura', aquando dos exactos trinta anos da sua re-estreia; nada mais justo, portanto, do que fazer agora o mesmo com uma não menos famosa congénere, celebrando, simultaneamente, as três décadas da re-estreia e os (aproximados) trinta e cinco anos da sua primeira aparição na televisão portuguesa.

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Era, de facto, nas noites da RTP algures em 1990 – poucos meses após ter concluído no seu Brasil natal – que os telespectadores nacionais travavam, pela primeira vez, conhecimento com Tieta do Agreste, personagem principal e homónima da novela em causa, bem como do romance de Jorge Amado que lhe serve de base inspirativa. E a verdade é que a nordestina de espírito livre e 'pêlo na venta' interpretada por Betty Faria, juntamente com os restantes habitantes da fictícia vila de Santana do Agreste, rapidamente conquistou os portugueses da mesma forma que havia feito com os seus conterrâneos, 'prendendo' grande parte do País à televisão à medida que encetava a sua longa e atribulada viagem rumo ao inevitável final feliz, como 'Madame' rica em ambiente urbano.

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E se 'Isaura' trazia ainda valores de produção e estilos representativos de outra época, 'Tieta' era, em tudo excepto na ambientação e figurinos da própria trama, uma novela moderna e contemporânea, que contava no elenco com muitos dos nomes mais conhecidos do meio à época, os quais asseguravam uma qualidade de representação acima da média, ou não tivesse o projecto tido início como mini-série, antes de o realizador perceber o seu potencial como novela em horário nobre – uma 'fezada' que, evidentemente, rendeu os melhores dividendos possíveis.

Isto porque 'Tieta' é um clássico absoluto (e merecido) da telenovela brasileira, fazendo parte das produções mais bem-sucedidas e recordadas da História do meio, e tendo sido, no seu tempo, capaz de reunir toda a família em torno do televisor após a hora do jantar. Tanto assim que, cinco anos após o seu sucesso inicial (e há exactas três décadas em inícios de Junho de 1995) acabava mesmo por regressar aos ecrãs nacionais, agora na SIC, e ainda mais do que a tempo de cativar uma audiência talvez demasiado jovem aquando da transmissão original, tal como sucedera com a predecessora 'Isaura'. Razão mais que suficiente para celebrarmos, com estas breves linhas, os dois 'aniversários marcantes' simultâneos de uma produção que marcou época, e deixou boas memórias a inúmeros membros das gerações 'X' e 'Millennial' lusitanas.

19.05.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As telenovelas – sejam brasileiras ou portuguesas – são, desde tempos imemoriais, parte integrante do quotidiano televisivo português, chegando mesmo, nos tempos pré-Internet, a juntar famílias inteiras em torno do televisor, para acompanharem juntas aquelas mirabolantes tramas repletas de amores, traições e coincidências improváveis, a caminho do invariável final feliz. E se muitas destas produções 'ficaram pelo caminho' uma vez concluída a sua exibição, outras houve que lograram resistir à passagem dos anos, voltando uma e outra vez às grelhas nacionais, prontas a serem descobertas por toda uma nova geração de potenciais fãs.

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Um dos mais destacados exemplos desta tendência foi a primeira adaptação do romance de Bernardo Guimarães, 'A Escrava Isaura', produzida em meados dos anos 70 e transmitida originalmente pela RTP no final dessa mesma década, mas que, há exactos trinta anos, e volvida mais de uma década e meia sobre a sua primeira exibição, regressava ao 'convívio' dos telespectadores portugueses, desta vez pela mão da SIC, onde passava, precisamente, ao final das tardes de Segunda-feira. E a verdade é que, num país onde grande parte do conteúdo era ainda oriundo de décadas passadas, 'A Escrava Isaura' conseguiu não destoar – também graças aos elevados valores de produção para o seu género e época – e conquistou mesmo o 'coração' de muitas crianças e jovens das gerações 'X' e 'millennial', que passaram a acompanhar a novela ao lado dos pais, tios ou avós.

E não era caso para menos, já que o enredo de 'Isaura' tem tudo o que se pode desejar de uma produção do seu tipo, com a vantagem de ser baseada em material não só pré-existente, como de qualidade, o qual lhe granjeia uma base sólida de que a maioria das outras novelas não gozam, evitando assim alguns exageros em que as mesmas tendem a cair. O elenco é, também ele, forte (embora com poucos dos nomes normalmente associados às novelas brasileiras) resultando num produto final com certo factor de intemporalidade, e mais merecedor do tempo e paciência dos espectadores do que a maioria das suas congéneres. Tal facto fica, aliás, bem evidente no retumbante sucesso internacional da novela, a qual teve, inclusivamente, direito a um 'remake' em 2004/2005, embora o impacto do mesmo tenha ficado longe do da sua antecessora, a qual é, até hoje, a novela mais repetida da Globo, e, consequentemente, uma das mais vistas a nível mundial. Portugal não é, de todo, excepção a esta regra, justificando assim estas breves linhas por ocasião da data em que a novela principiava a cativar a sua segunda leva de espectadores em território nacional.

18.03.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

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Um dos fenómenos sociais mais pervasivos das últimas cinco décadas em Portugal – sensivelmente desde a globalização dos televisores caseiros – vem sendo a miscigenação da cultura portuguesa com a brasileira, não só através da imigração, como também da importação de produtos mediáticos daquele País. E se, hoje em dia, esse cruzamento se limita às eternas telenovelas, a um ou outro canal da TV Cabo e às revistas da Turma da Mônica, há trinta anos, o panorama de propriedades intelectuais brasileiras presentes em Portugal era bem mais vasto, com as referidas telenovelas e as bandas desenhadas da Abril e Globo à cabeça. E terá sido, precisamente, através das referidas bandas desenhadas que uma larga parcela da população nacional terá tido o primeiro contacto com um dos mais famosos produtos mediáticos saídos do país-irmão – a 'troupe' de comediantes conhecida como Os Trapalhões.

E se a referida BD da Globo tinha como foco versões infantis do quarteto, não tardaria também a que as crianças e jovens daquela época ficassem a conhecer os 'verdadeiros' Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, quando – há quase exactos trinta e um anos, em Março de 1994 – o seu programa, lendário no Brasil, chegou finalmente aos televisores nacionais, pela mão da SIC. E a verdade é que, previsivelmente, a inspirada colecção de 'sketches' cómicos de índole 'pastelona' (com alguns dichotes brejeiros à mistura) não tardou a conquistar o público-alvo, sempre aberto a tentativas de humor deste tipo – sobretudo quando se afirmavam como bem acima da média, como era o caso. Sem nunca se terem tornado um 'caso de estudo' de popularidade, como o eram no seu país natal, Os Trapalhões encontravam, assim, em Portugal uma audiência suficientemente devota e fiel para justificar a 'aventura' inédita que o quarteto encetaria logo no ano seguinte, e sobre cuja estreia se comemoram por estes dias exactas três décadas.

Falamos de 'Os Trapalhões em Portugal', a produção nacional (da própria SIC) que procurava recuperar o formato de sucesso do programa original, ao mesmo tempo que o ambientava por terras lusitanas, com os Trapalhões ainda restantes – Didi e Dedé – a contracenarem com coadjuvantes com sotaque português, em cenas típicas da vida quotidiana nacional. Uma ideia que poderia ter resultado – e que, sob algumas métricas, resultou mesmo, já que o programa fez tanto sucesso quanto o seu antecessor – mas que perdia consideravelmente pela ausência da 'outra metade' do grupo, a saber, os malogrados Mussum e Zacarias, que muitos consideravam serem as principais fontes da comédia do grupo. Com apenas Didi como verdadeiro Trapalhão (Dedé sempre desempenhou o papel de elemento mais sério do grupo) e com a presença de actores portugueses a ressalvar a diferença de abordagem e desempenho em relação aos brasileiros, o resultado era um produto algo menos fluido, e mais 'bem-comportado', do que o hilariante original da Globo.

Ainda assim, conforme referimos acima, 'Trapalhões em Portugal' chegou a fazer sucesso entre a juventude lusitana da época, e será ainda recordado por parte dela como um dos elementos nostálgicos da sua infância ou adolescência, merecendo assim destaque nestas nossas páginas no mês em que se completam trinta anos sobre a sua primeira emissão.

24.12.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2024.
 
Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
 
Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.
 
Já aqui anteriormente falámos dos concursos de talentos vocais infantis, um formato muito popular na última década do século XX, e que, em Portugal, ficava ligado sobretudo à época natalícia, altura em que era invariavelmente transmitido o 'Sequim d'Ouro', o clássico festival internacional com sede em Itália e que visava apurar o melhor mini-cantor do Mundo. Talvez por isso a SIC tenha escolhido, precisamente, a Véspera de Natal para lançar aquela que era, essencialmente, uma versão nacional desse tradicional certame, e que adoptava mesmo uma expressão italiana para a sua denominação.
 

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De facto, essa astúcia ao nível do 'timing' permitiu a 'Bravo Bravíssimo' encontrar de imediato um público mais do que receptivo logo a partir da estreia, há exactos trinta anos, na Consoada de 1994. Tão-pouco viria esse sucesso a diminuir a curto prazo - pelo contrário, 'Bravo Bravíssimo' viria a manter-se no ar durante nada menos do que oito anos (sobrevivendo, inclusivamente, à passagem do Milénio) sempre com um formato imutável, com Ana Marques e José Figueiras como apresentadores, e com níveis de adesão na casa dos milhares de crianças, todos com esperança de serem considerados as novas 'mini-estrelas' nacionais. O aspecto diferenciado em relação a 'Sequino d'Ouro' ficava por conta dos campos abrangidos e aceites no programa, que extrapolavam a música e o canto e se estendiam à dança e até mesmo à ginástica, dando assim oportunidade a que ainda mais crianças mostrassem os seus talentos ao País em geral. E a verdade é que, de entre os muitos nomes que passaram pelo programa ao longo dos seus oito anos, alguns viriam mesmo a tornar-se conhecidos do grande público num contexto mais geral e alargado, como é o caso do futuro vencedor do Festival da Eurovisão, Salvador Sobral, do fadista Ângelo Freire, ou do artista de dobragens Fernando Fernandes, ou FF.
 

 
De muitos outros, não reza necessariamente a História, mas mesmo esses terão tido, depreende-se, alguns benefícios a curto prazo resultantes da sua participação no programa, sobretudo se bem qualificados. E ainda que 'Bravo Bravíssimo' tenha, eventualmente, chegado ao fim natural do seu ciclo de vida - embora parecesse ainda ter algo a oferecer ao paradigma televisivo de inícios do século XXI - o legado que deixou ao fim de oito anos foi suficiente para o tornar um dos mais emblemáticos programas televisivos do seu tempo, e o cimentar como parte da memória nostálgica dos 'millennials' portugueses, que tinham a mesma idade dos concorrentes à altura da estreia e provavelmente sonhavam, como eles, poder ir à televisão mostrar os seus talentos 'ao Mundo'; para eles, aqui fica a recordação, por altura dos exactos trinta anos da primeira transmissão do programa.
 

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