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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.03.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 e Sábado, 28 de Fevereiro de 2026.

Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Numa era em que o 'fast fashion' e as cadeias de centro comercial se confundem com o próprio mercado da moda e vestuário em geral, pode parecer difícil acreditar (ou recordar) que, há meras três décadas, o conceito de roupas de qualidade mediana, vendidas a preços acessíveis e numa perspectiva mais 'descartável' e de menor durabilidade era conceito inaudito em Portugal. No entanto, se considerarmos a tradição têxtil e comercial do País, tal facto revela-se tudo menos surpreendente, já que, em finais do século XX, os comerciantes de vestuário lusitanos apostavam ainda na comprovada qualidade dos seus artigos como principal diferencial de vendas, indo ao encontro do que os próprios clientes da época procuravam e valorizavam no tocante a peças de roupa. No início daquela última década do século XX, no entanto, entraria no mercado português uma das primeiras cadeias a começar a mudar este paradigma, e que, contra todas as expectativas e tendências, continua até hoje a marcar presença em território nacional, três décadas e meia após a abertura da primeira loja e largos anos depois do desaparecimento de muitas das suas contemporâneas.

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Falamos da holandesa C&A (iniciais dos dois irmãos fundadores, Clement e August) a qual, em 1991, se aventurava pela primeira vez no mercado luso, já depois de se ter estabelecido um pouco por toda a Europa, e ao mesmo tempo que expandia o negócio para diversas outras partes do Mundo. A primeira loja em Portugal surgiria no icónico (embora entretanto algo 'esquecido') CascaiShopping - à época uma 'porta de entrada' no mercado português para diversas multinacionais, e que veria também surgir, poucos anos depois, o primeiro McDonald's em território nacional – base a partir da qual a marca expandiria horizontes, chegando a ter quase três dezenas de lojas um pouco por todo o País, tal como sucedia em outras partes da Europa e do Mundo.Cascais-10.jpegVisual actual da primeira loja da cadeia em Portugal, no CascaiShopping.

Tal como aconteceria nesses ercados, no entanto, também a C&A portuguesa sofreria uma contracção, embora não tão séria ou impactante quanto no país vizinho, por exemplo; apesar dessa forçada redução no número de lojas, no entanto (derivada de mudanças ao nível do mercado de vestuário, entre outras condicionantes) a cadeia logrou manter a presença no sector, contando hoje ainda com mais de duas dezenas e meia de lojas, incluindo várias em grandes superfícies de monta, como o 'shopping' Vasco da Gama, em Lisboa. Por quanto mais tempo durará esta 'missão de sobrevivência', apenas o tempo dirá; nos entrementes, no entanto, é legítimo celebrar a marca de três décadas e meia de actividade de uma loja que, sem nunca constar entre as grandes aglutinadoras de público, foi ainda assim pioneira do vestuário mais 'em conta' em território nacional, e logrou manter-se 'à tona' por entre os diversos tumultos do sector, e estabelecer-se definitivamente num mercado, à época, pouco convidativo para o produto que oferecia.

14.02.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026.

Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Numa edição recente desta rubrica, falámos da 'morte lenta' das sapatarias tradicionais, tal e como existiam até aos primeiros anos do Novo Milénio; agora, chega a hora de celebrar os quarenta anos de uma das lojas que, ao mesmo tempo, precipitaram essa situação e contribuiram para a permanência do referido tipo de estabelecimento nas ruas e avenidas portuguesas, mesmo após o desaparecimento de todas as 'concorrentes'.

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Falamos, claro está, da Seaside, uma das duas cadeias de sapatarias que se inserem no espaço intermédio entre 'franchise' de centro comercial e loja mais tradicional (sendo a outra a ainda mais veterana Calçados Guimarães), e cujo conceito permanece inalterado desde o seu aparecimento em 1986 – nomeadamente, oferecer calçado de fabrico nacional (com toda a qualidade inerente a tal origem) a preços competitivos em relação às referidas sapatarias de 'grande superfície'. Uma proposta de valor que, inevitavelmente, a torna atractiva para uma vasta gama de demografias, e que contribuiu para fazer da cadeia uma das mais procuradas não só pelos pais de crianças e jovens (em busca de calçado de qualidade e em conta para os filhos) como também pelos próprios jovens, que ali encontram, por exemplo, botas em pele a preços adequados aos seus orçamentos.

Com estes factores em conta, não é, pois, de admirar que a Seaside seja, para muitos, sinónima com a compra de calçado semi-formal nas últimas três décadas (os sapatos de ténis continuavam a provir maioritariamente das lojas de desporto, ainda que a Seaside também os vendesse) e que mesmo hoje em dia, na era das compras 'online', continue a ter alguma expressão no panorama comercial do País, onde retém o estatuto de uma das poucas sapatarias verdadeiramente 'de rua' ainda existentes em localidades como a capital Lisboa. Uma rara história de sucesso a longo-prazo sem, para isso, ser necessário comprometer os princípios ou a visão de mercado, e que merece bem ser celebrada, no ano em que a cadeia em causa completa quatro décadas de vida, e parece bem posicionada para vir a completar ainda muitas mais...

30.01.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 01 de Fevereiro de 2026.

Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui anteriormente mencionámos o facto de os anos 80 e 90 terem sido palco de um enorme esforço de sensibilização para a ecologia, e para a importância de práticas como a reciclagem, a alimentação consciente, ou a utilização, sempre que possível, de materiais naturais no tocante a vestuário e calçado. Pois bem, uma cadeia de lojas ibérica decidiu, por volta da mesma altura, fazer deste conceito a temática central do seu modelo comercial, propondo artigos que – mesmo não sendo totalmente naturais, e ainda menos artesanais – seguiam ainda assim esse princípio, quer do ponto de vista da manufactura, quer de uma perspectiva mais estética.

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Falamos da espanhola Natura, fundada em 1992 e que viu a primeira loja internacional abrir em Portugal (concretamente na cidade do Porto) quatro anos depois, celebrando a mesma, este ano, as três décadas de existência. Facilmente reconhecível pelas enormes esculturas de ursos colocadas à entrada de cada loja (que quase pareciam ursos empalhados, tão elevado era o seu grau de realismo) e pelo cheiro a 'patchouli' proveniente do interior, os estabelecimentos da cadeia propunham uma enorme variedade não só de peças de roupa, mas também – sobretudo – de artigos decorativos e têxteis para o lar. Comum a toda esta diversidade de artigos era o 'design' rústico, quase parecendo, por vezes, feito à mão, e que se coadunava perfeitamente com a proposta da própria cadeia.

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A entrada de uma das lojas modernas da cadeia, com o icónico urso à entrada.

Curiosamente, apesar da estética e proposta reflectidas no próprio nome, a Natura optou, durante mais de duas décadas, por abrir as suas lojas exclusivamente em grandes superfícies comerciais, tendo a primeira loja 'de rua' da cadeia sido, inclusivamente, motivo de menção noticiosa aquando da sua abertura em Cascais, em 2017. Hoje em dia, a cadeia conta com quase seis dezenas de lojas em Portugal (quase todas, ainda, inseridas em 'shoppings' ou armazéns comerciais) iniciando a sua terceira década de existência no nosso País como uma das integrantes da restrita gama de estabelecimentos cujo próprio nome é garantia de vendas – razão mais que suficiente para celebrarmos, ainda que talvez prematuramente, a chegada desse marco para a cadeia espanhola.

16.01.26

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Quem foi de uma certa idade durante o início e meados da década de 90 certamente passou muitas noites aconchegado na cama com um deles vestido – ainda que, hoje em dia, seja impossível encontrar sequer uma fotografia exemplificativa, tornando este num dos raros 'posts' sem imagens do Anos 90. Referimo-nos aos pijamas com 'olhos' de plástico e 'meias' para pôr nos pés, uma das peças infantis clássicas que se podiam encontrar em lojas de roupa ou lavores da 'velha guarda'.

Normalmente constituídos por uma camisola de manga comprida com a frente em branco liso, com o habitual desenho de um qualquer personagem 'fofinho', e o restante numa cor pastel (com o azul-bebé, o verde e o amarelo a serem as mais comuns), com calças compridas e elásticas a condizer, estes conjuntos destacavam-se por terem, no lugar dos olhos 'desenhados' do personagem, dois olhos de plástico - semelhantes aos dos Pirilampos Mágicos, por exemplo – que apresentavam algum grau de movimento, o que era desde logo suficiente para tornar este tipo de pijama mais cativante do que os seus congéneres mais 'normais'. Regra geral, estes conjuntos incluíam também meias pelo tornozelo, o que permitia às crianças manterem os pés aconchegados durante as noites mais frias, oferecendo um atractivo extra para os pais na altura da compra.

Sendo extremamente intrínsecos à cultura portuguesa de uma época remota, e não tendo, normalmente, ligações a qualquer propriedade licenciada (embora, na mesma época, abundassem os pijamas 'piratas', muitos deles disponíveis na mesma prateleira dos aqui abordados) não é de admirar que estes conjuntos tenham sido, hoje em dia, totalmente Esquecidos Pela Net. Quem os chegou a usar, no entanto, certamente recordará a 'excitação' dos olhinhos que mexiam, e as muitas noites passadas com eles vestidos, naqueles tempos mais inocentes da infância pré-digital...

02.01.26

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Uma indumentária que se poderia ver nos primeiros dias de um qualquer ano da década de 90.

A proximidade estratégica do Natal (o dia de receber prendas) e do Ano Novo (o dia de estrear novas peças de roupa) torna a primeira semana de cada ano na oportunidade perfeita para vestir pela primeira vez aquilo que se recebeu no dia 25. Nos anos 90, a situação não era diferente, dando aos jovens ocasião de mostrarem pela primeira vez as roupas que haviam encontrado debaixo da árvore dias antes - uma ocasião que nenhum membro da demografia-alvo recusava ou desperdiçava.

Fossem blusões, casacosbotas, sapatos de ténis, 'sweats', camisolas, camisas, calças de ganga, fatos de treino, mochilas ou simples agasalhos (como meias, gorros ou luvas) qualquer menor de idade da época não hesitaria em envergar o máximo possível de novas peças de roupa (que, não por acaso, são conhecidas em espanhol como 'prendas') mesmo que fosse só e apenas para ir dar 'uma volta' ao jardim ou parque infantil - o que era o mais provável, já que os supermercados, hipermercados, centros comerciais, cafés, lojas de bairro e até cinemas tendiam, ainda mais que hoje, a encontrar-se encerrados. Se houvesse ocasião de ir a um desses sítios, então, é que os novos presentes eram, de certeza, estreados, de forma a fazer 'um vistaço'.

Ao contrário do que sucede com a maioria dos temas que abordamos neste 'blog', esta tendência (ou tradição, se preferirmos) pouco ou nada mudou até aos dias de hoje, continuando a ver-se, nesta altura do ano, crianças e jovens com roupas acabadas de estrear nos primeiros dias de cada ano - muitas vezes acompanhadas de pais que, ao vê-las, certamente se recordarão de quando eles próprios corriam pela rua, impantes, nas suas novíssimas roupas de Natal...

20.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Exemplo moderno de uma camisola típica da época.

Apesar de os 'pullovers' de Natal não serem uma tradição portuguesa (antes pelo contrário, já que continuam a confundir a maioria dos emigrantes lusitanos em países onde efectivamente existem) tal não significa que não houvesse, em finais do século XX, uma 'indumentária-tipo' para a época festiva em Portugal. De facto, uma mera semana antes dos excessos de brilhantes e lantejoulas do 'réveillon', a maioria das famílias portuguesas era vista dentro de 'pullovers' ou vestidos tricotados felpudos, normalmente com motivos como flocos de neve, renas ou cenários invernais, e quiçá com um ou outro 'pompom' ou brilhante aplicado em sítios estratégicos. No caso das crianças (e não só) estas camisolas podiam, até, ser obra de um familiar com apetência para o 'tricot', sendo por isso únicas, exclusivas e difíceis de imitar para quem não tivesse o padrão – o que, dependendo da perspectiva, podia ser uma vantagem ou um defeito.

Fosse qual fosse o caso, no entanto, o certo é que, mesmo sem 'camisolas feias' de Natal, os portugueses de finais do século XX não deixavam de ter roupas especialmente 'guardadas' para uma Sexta com Style em período natalício, aquando do jantar em família, da missa, da tradicional ida ao circo de Natal, ou mesmo da festa de Natal da paróquia ou da empresa...

 

07.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 06 e Sábado, 07 de Dezembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de a chegada de grandes cadeias internacionais a Portugal ser normalmente associada com a inauguração das primeiras grandes superfícies no País, a verdade é que, por essa altura (finais dos anos 90) já algumas companhias multinacionais haviam saído ou se preparavam para sair do território nacional, após décadas de exploração comercial no mesmo. Já aqui mencionámos os exemplos de duas companhias especializadas em material pré-natal – a Mothercare e a Chicco – mas outro exemplo, não menos famoso ainda que menos especializado, desistia também do retalho em Portugal por volta da mesma altura: o lendário Marks & Spencer.

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De facto, apenas a parcela mais velha dos leitores deste 'blog' recordará a presença da companhia britânica em Portugal – e, mesmo assim, apenas a porção que morasse perto de uma das apenas cinco lojas que a mesma explorava no País. Quem visitou um destes estabelecimentos, no entanto, certamente recordará a diversidade e combinação pouco habitual de produtos que a cadeia propunha – numa altura em que ainda era muito raro encontrar peças de roupa e géneros alimentares dentro da mesma loja, a Marks & Spencer utilizava esta abordagem para se destacar da concorrência e incentivar a visitas repetidas.

Também motivo de destaque para quem, à época, era ainda menor de idade eram as colecções de roupa infantil, que estavam entre as primeiras a propôr peças com personagens licenciados, como os Looney Tunes, e cujo sentido estético e 'design' se afirmavam como extremamente apelativos para a demografia em causa, ainda que o preço proibitivo as tendesse a deixar no campo das 'obras de arte', admiradas e desejadas, mas não necessariamente adquiridas. O mesmo, aliás, se passava com os restantes produtos comercializados pela companhia, que se posicionava como uma loja algo mais 'fina' do que as mercearias ou supermercados convencionais, ou mesmo do que muitas lojas de roupa da época.

Infelizmente, e apesar da conjectura favorável, a Marks & Spencer não viria a terminar o Segundo Milénio em Portugal, tendo a sede britânica decidido retirar-se do mercado nacional poucos meses antes da chegada do ano 2000, após falhas no pagamento por parte da empresa que explorava as suas lojas em território nacional. Para quem chegou a visitar as mesmas, ficava a sensação de uma leve mas perceptível mudança no paradigma nacional, com a perda de uma cadeia que, apesar da presença discreta, chegou a ser icónica para uma parcela do público nacional da época.

22.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 21 de Novembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já muito foi dito sobre como a chegada das grandes superfícies a Portugal veio 'matar' o pequeno comércio de proximidade, uma situação que apenas agora se começa a reverter, e apenas em alguns sectores. A conjugação 'letal' de vasta oferta e baixos preços tornou impossível a muitas lojas 'tradicionais' competir com estes estabelecimentos, e causou uma baixa nos volumes de vendas que rapidamente tornou insustentável a manutenção de muitas delas, contribuindo ainda mais para a centralização de todo o comércio em supermercados, 'shoppings' e hipermercados.

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Um dos sectores onde tal mais se verificou foi o do calçado. Embora ainda prolíferas nos anos 90 e 2000, também as sapatarias tradicionais não escapariam ao novo paradigma, tendo este período marcado o início de um pronunciado declínio deste tipo de loja, que as veria praticamente extinguirem-se num espaço de menos de uma década, com as poucas ainda existentes a focarem-se em marcas específicas (como a Geox ou a Camper) perdendo assim o aspecto generalista que as caracterizava. De facto, qualquer português nascido e crescido nos últimos vinte anos do Segundo Milénio se lembrará de, tal como já haviam feito os seus pais e avós, ir à pequena sapataria do bairro (ou a outra de maior renome mas iguais dimensões físicas) e escolher um novo par de sapatos ou ténis - muito provavelmente feitos em Portugal, com a qualidade que tal 'selo' ainda hoje acarreta – de entre as 'pilhas' que enchiam a loja, sempre com a ajuda de um simpático e prestável funcionário 'à moda antiga', para quem nada dava demasiado trabalho. Era uma daquelas experiências inerentes à infância e que, de tão repetida, acabava por se 'gravar' na memória, bem mais do que uma ida à anónima secção de calçado de um qualquer 'shopping'.

Infelizmente, esta tornar-se-ia a 'norma' para a compra de sapatos no século XXI, com a grande maioria das poucas lojas de desporto e sapatarias de bairro a desaparecerem, e apenas uma ou outra cadeia a continuar, ainda, a tradição do comércio de calçado de proximidade – e, nesses casos, apenas com recurso a materiais relativamente baratos ou peças de grandes marcas, com o apelo quase instantâneo que as mesmas acarretam. Uma dessas terá, aliás, aqui paulatinamente o seu espaço; por agora, no entanto, limitemo-nos a recordar a 'categoria' das sapatarias como um todo, e as memórias que a mesma traz a várias gerações de adultos portugueses.

09.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 07 e Sábado, 08 de Novembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Em alguns dos 'posts' mais recentes desta rubrica, temos vindo a abordar lojas fundadas ou surgidas em Portugal pela primeira vez nos anos 90, mas que, grosso modo, se encontram ainda em actividade, em maior ou menor grau. Desta feita, no entanto, partilhamos a memória de uma companhia cem por cento nacional que, ainda que em tempos saudável e apreciada por uma larga fatia do público nacional, acabou mesmo por sucumbir ao mesmo destino de companhias como a Coronel Tapiocca, declarando insolvência após vários anos de declínio e dificuldades.

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Uma das lojas da companhia, já do tempo dos centros comerciais.

Falamos da Maconde (não confundir com a grossista francesa do mesmo nome, ainda hoje existente) uma proeminente companhia de manufactura têxtil aberta no dealbar da década de 70, na prolífica zona de Vila do Conde, e que, no auge da popularidade da marca, chegou a ter uma sucursal em Marrocos, duas cadeias de lojas presentes um pouco por toda a Península Ibérica, e mais de dois mil trabalhadores. Fazendo da comprovada qualidade do têxtil nacional o seu principal argumento, a companhia – liderada, durante esse período áureo dos anos 90, por Joaquim Cardoso – dividia-se, à época, entre a Macmoda (que apontava à faixa etária então entre os vinte e cinco e os quarenta anos, e com um estilo de vida mais executivo ou corporativo, como principal público-alvo, procurando oferecer peças relativamente intemporais e neutras com uma relação preço-qualidade apelativa) e a Tribo, sob cuja égide se inseriam as peças mais casuais e juvenis produzidas pelas fábricas da companhia. Ambas as marcas são, para uma determinada parcela da população nacional, emblemáticas do comércio português de finais dos anos 90 e inícios de 2000,

Infelizmente, esses anos viriam, mesmo, a representar o apogeu da Maconde; a saída de Cardoso, em 2002, precipita uma súbita 'espiral' de despedimentos, fechos de lojas e outras reduções necessárias que, em literal meia dúzia de anos, vê a outrora próspera empresa ser obrigada a declarar insolvência, acabando mesmo por se extinguir ainda antes do final da década de 2000. Um final triste e algo inglório (embora, infelizmente, longe de ser inaudito) para uma das mais emblemáticas lojas portuguesas dos tempos do comércio de rua e dos primeiros anos dos 'shoppings', e que terá, durante esse período, constituído uma Saída de Sábado para muitos portugueses, em busca de artigos de qualidade 'à moda antiga' para usar numa Sexta com Style.

25.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 24 de Outubro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui anteriormente falámos da 'fast fashion', a tendência para comercializar artigos de vestuário baratos e descartáveis que 'invadiu' Portugal algures nos anos 90, para não mais o abandonar. E apesar de as principais proponentes deste tipo de comércio no nosso País serem estrangeiras – tendo à cabeça as lojas do famoso grupo espanhol Inditex – houve também, ao longo dos anos, tentativas bem-sucedidas de criar cadeias de 'fast fashion' dentro de portas. Uma das mais famosas, e ainda hoje presente um pouco por todo o território, teve a sua génese em 1993, quando um grupo de importadores do ramo do vestuário decidiu criar a sua própria cadeia de lojas para comercializar os artigos importados, ao invés de os vender a outras companhias.

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Nascia assim a Shop One (ou, como é normalmente estilizada, Shop1One), inicialmente apenas um pequeno e discreto estabelecimento na Rua Morais Soares, ao Chile, em Lisboa, mas cujo sucesso rapidamente obrigou a uma mudança de instalações – no caso para um espaço diametralmente oposto, com três pisos, e situado na Praça do Rossio, em plena zona nobre de Lisboa. Esta loja, que ainda hoje se encontra em actividade precisamente no mesmo local, vir-se-ia a tornar a mais conhecida de entre as 'sucursais' da marca, afirmando-se até aos dias que correm como estandarte da mesma.

A Shop One não se ficaria, no entanto, pela influência regional, procurando, de forma natural, expandir a sua base de operações para fora da capital. Também naturalmente, foi a 'segunda capital' portuguesa, o Porto, a localidade escolhida para acolher a primeira loja deste processo de expansão, a qual abria em 1998. Seguir-se-iam, já no Novo Milénio, uma loja na terceira maior cidade do País, Braga, um 'outlet' na zona dos Anjos, em Lisboa (denominado Klear) e, ao longo dos mais de vinte anos seguintes, quase mais três dezenas de lojas, com uma média de mais de um novo estabelecimento por ano que faz da Shop One um dos melhores exemplos de sucesso para uma empresa de vestuário nacional – sobretudo por a marca não contar com o renome ou popularidade de concorrentes como a Mango, a Primark ou as referidas lojas do Grupo Inditex – e. por isso, bem merecedora desta presença nas nossas páginas.

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