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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

21.01.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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A Pony é apenas uma das muitas marcas de roupa desportiva dos anos 90 que se encontram, hoje em dia, 'desaparecidas' da cultura popular

Sanjo. Pony. Fila. Le Coq Sportif. Kappa. Todos as conhecemos. Todos as vestimos. Marcas que, não sendo 'topo de gama' do vestuário casual-desportivo dos anos 90, não ficavam ainda assim mal vistas junto das mais conhecidas Adidas, Reebok, Nike ou Puma. Marcas que, infelizmente, se encontram hoje em dia extintas ou em extinção (pelo menos de uma perspectiva sócio-cultural), vivendo portanto, sobretudo, na memória de quem era menos 'mainstream' (ou tinha menos dinheiro) no tocante a comprar roupa de desporto em finais do século XX.

Numa altura em que a variedade dentro do mercado de vestuário pseudo-desportivo é tão pouca que se torna quase aborrecido entrar numa loja do género – porque sabemos que vamos ver Adidas, Nike, New Balance, com sorte ou um outro Converse, e pouco mais – pode parecer difícil acreditar que, há menos de uma geração atrás, as crianças e jovens (em Portugal e não só) tinham uma enorme gama de marcas por onde escolher no momento de adquirir ténis, t-shirts, bonés e outros artigos indispensáveis ao estilo casual-juvenil; e embora, como mencionámos anteriormente, nem todos estes nomes tivessem o mesmo peso, o mais importante era mesmo a marca ser reconhecível, e o artigo ser (ou, pelo menos, passar por) genuíno - ou não fossem os anos 90 a era de ouro do vestuário de contrafacção; reunidas estas condições, e salvo raras e honrosas excepções, a maioria das marcas seria bem aceite junto de um grupo de determinada idade.

No entanto, à medida que os anos avançavam, e o segundo milénio dava lugar ao terceiro, a maioria destas marcas foram, lentamente, desaparecendo da consciência popular, juntando-se a nomes de outros quadrantes, como a No Fear e a Quebramar, no grande e constantemente renovado cemitério das 'cenas da infância' - mesmo quando, como no caso da Pony, continuavam a constituir uma referência dentro de um determinado nicho (no caso, o basquetebol profissional.) Cabe, portanto, hoje a blogs como o nosso a missão de manter viva a memória destas marcas 'menores', mas que todos tínhamos no armário naqueles tempos já distantes...

08.01.22

NOTA: Este post é correspondente a Sexta-feira, 08 de Janeiro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Uma das verdades mais universalmente aceites sobre o assunto da moda e vestuário é que as tendências são cíclicas. Quer isto dizer que, mais cedo ou mais tarde, todo e qualquer artigo considerado 'fora de moda' numa determinada época irá voltar a ser desejável, sendo o intervalo médio para que tal aconteça de entre duas a três décadas (por esta lógica, devemos estar aí a ver um regresso das bolsinhas de trocos e 'daqueles' fatos de treino da nossa infância, por isso vão-se preparando...) E embora os exemplos que provam este axioma são já inúmeros, iremos hoje focar-nos num que fez furor na 'nossa' época, nomeadamente na segunda metade da década de 90 e primeira da década seguinte: as calças de ganga à boca de sino.

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'Resgatadas' dos anos 70 e passadas pelo prisma estilístico dos anos 90 (com pernas mais estreitas e bocas de sino bem menos espampanantes que na sua encarnação original), estas calças surgiram no mercado de finais dos 90 prontas a serem adoptadas por toda uma mancha demográfica adolescente, no caso (e ao contrário do que sucedia nos anos 90) exclusivamente do sexo feminino -o equivalente masculino, à época, regia-se precisamente pelo princípio oposto, sendo propositadamente o mais largo possível, por forma a agradar aos jovens fãs de hip-hop ou rock alternativo.

Como Quem adoptou ou conviveu com o 'look' certamente se lembrará, estas calças eram normalmente combinadas com as características, e também marcantes, socas de plataforma, das quais talvez falemos num futuro próximo. É claro que este não era o ÚNICO tipo de calçado utilizado com estas calças - havia quem as combinasse com botas de salto e biqueira fina, ou ainda com os tradicionais e sempre versáteis All-Stars - mas não havia, durante o auge desta peça, rapariga adolescente que não tivesse pelo menos um par das ditas socas no armário, para uso quase exclusivo com este tipo de calça.

Este icónico conjunto (que se completava normalmente com uma camisola de malha fina, ou uma sweatshirt, quer da Gap ou outra marca semelhante, quer daquelas com colagens fotográficas que também chegaram a estar muito na moda) serviu como 'uniforme' escolar de toda uma geração de alunas do 3º ciclo e ensino secundário durante um período de praticamente uma década, antes de - como tantas outras modas e artigos de que falamos nestas páginas, ter acabado por cair em desuso, substituído por outro tipo de peça. No entanto, e como que para provar o axioma exposto no início deste texto, as calças boca de sino parecem estar, mais uma vez, a entrar 'na berra', embora agora em tecido, ao invés de ganga. Ainda assim, é como vos dizemos - já não deve tardar muito para começarmos a ver miudagem vestida com meias brancas de raquetes e sweatshirts da No Fear e Quebramar...

24.12.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Assim que o frio começa a apertar - e normalmente, em Dezembro, já há muito que apertou - sabe bem ter um agasalho mais grosso e impermeável, dentro do qual se possam enfrentar as intempéries que o Inverno normalmente reserva. E, para a juventude da segunda metade dos anos 90, um agasalho deste tipo que não tivesse no peito um bordado redondo com um ganso em vôo praticamente 'não contava'.

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Foi sensivelmente em meados da década que os famosos blusões de penas Duffy adentraram a consciência colectiva de toda uma demografia. Ao contrário de outras 'modas' de que aqui vimos falando, estas peças de roupa não têm, nem nunca tiveram, um ponto de origem definido; simplesmente 'passaram a existir', de um ano para o outro, e dentro de pouco tempo, toda a gente de uma certa idade parecia ter (ou querer ter) o seu.

Também ao contrário de alguns dos outros temas abordados nas páginas deste blog, não é difícil perceber por que razão os blusões da Duffy se tornaram tão populares, quando outros 'kispos' deste tipo eram muitas vezes vistos como sendo 'fatelas', especialmente a partir de uma certa idade; para além do óbvio factor 'todos-têm-também-quero', os artigos da marca do ganso apresentavam qualidade condicente com o seu preço (mesmo muito) elevado, tendendo um só blusão a chegar para várias épocas, tipicamente até deixar de servir ao dono ou dona. Os 'anoraks' Duffy eram, assim, dos poucos artigos de marcas populares a verdadeiramente justificarem o investimento.

Tal como ocorria com tudo o que ganhasse alguma popularidade entre os jovens, no entanto, nem todos os supostos blusões Duffy vistos nos pátios de escolas e clubes por esse Portugal fora eram verdadeiramente da marca; como era hábito à época (e hoje em dia, embora menos) proliferavam no mercado as imitações baratas, que passavam por autênticas à primeira vista, mas não resistiam a um escrutínio mais de perto. Como também era hábito, qualquer criança ou jovem cujo blusão fosse identificado como 'falso' era, de imediato, alvo do escárnio dos colegas - muitos deles, ironicamente, também provavelmente vestidos com blusões de imitação.

Hoje em dia, a Duffy ainda existe, tendo inclusivamente tentado reviver os seus icónicos blusões para os tempos modernos; no entanto, e apesar destes esforços, a iconografia do blusão de penas com 'patch' de um ganso a voar fica mesmo (pelo menos em Portugal) indelevelmente ligada aos anos 90, em que esta peça de roupa mais utilitária que 'estilosa' chegava a ter estatuto de presente desejado debaixo do sapatinho nesta época do ano...

10.12.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Apesar de a roupa de marca ter, tradicionalmente, exercido enorme influência junto dos jovens de todas as idades, os anos 90 e inícios de 2000 viram essa tendência exacerbar-se. A maior acessibilidade da roupa com nomes de marcas famosas – fosse ela genuína ou de contrafacção – tornou os itens de vestuário com logotipos reconhecíveis quase obrigatórios no guarda-roupa de qualquer jovem da época.

Foram várias as marcas que beneficiaram desta tendência, algumas das quais – como a Quebramar ou a No Fear – foram já abordadas nesta rubrica; hoje, no entanto, chega a vez de falar de outro conhecido emblema, que adornou muitos torsos de ambos os sexos ao longo da 'nossa' década e da seguinte: a Gap.

Famosa pelas suas calças de ganga e camisas, a Gap não era, no entanto, conhecida à época por qualquer destes artigos; a peça que tornou a marca visão inescapável nas escolas preparatórias e secundárias de Norte a Sul do País era bem mais casual e relaxada, e de 'design' ainda mais simples – tratava-se, pura e simplesmente, de uma 'sweatshirt' de capuz, de cor lisa, com o emblema da marca bordado em letras garrafais na frente. Sim, essa mesmo – a famosa 'camisola da Gap', que quase toda a gente tinha, ou pelo menos conhecia quem tivesse.

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Um dos itens de vestuário mais populares e desejados das décadas de 90 e 2000

Àparte o chamariz da marca, era difícil apontar qual, exactamente, era o atractivo desta 'sweatshirt'; tratava-se de uma peça bem confeccionada e resistente, como seria de esperar de um artigo de preço tão elevado, mas o 'design' era minimalista ao ponto de quase não existir, especialmente se comparado com as mais inspiradas ofertas das referidas No Fear e Quebramar, ou ainda de marcas como a Mad = Bad. Quem viveu os anos 90 enquanto jovem, no entanto certamente se lembrará que essa foi uma década de camisolas com enormes logotipos da marca em causa – normalmente de desporto – o que poderá ajudar a explicar a popularidade deste artigo, que se inseria precisamente nessa categoria.

Fosse qual fosse a razão, no entanto, a verdade é que esta peça de roupa era, inegavelmente, da preferência dos jovens (sobretudo adolescentes) sendo que o seu carácter declaradamente unissexo permitia que fosse vestida em pacífica convivência por rapazes e raparigas, sem que tal desse azo às habituais picardias ou dichotes (as quais, quando ocorriam, estavam sobretudo ligados à associação desta camisola à famigerada demografia dos 'betinhos'.)

Como seria de esperar, o sucesso da 'camisola da Gap' deu origem a 'designs' muito parecidos (e, por vezes, bem mais interessantes) por parte de lojas e marcas com menor expressão; no entanto, as mesmas eram muitas vezes recebidas com o habitual desdém que as crianças (de qualquer era) reservam a coisas 'falsas' ou 'de imitação' – ainda que, conforme referido, nem sempre o merecessem.

Como também vem sendo habitual com os itens de que aqui falamos, a popularidade destas camisolas – e da marca Gap em geral – foi alvo de um declínio acentuado ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, sendo que hoje é extremamente raro avistar alguém, quer jovem quer mais velho, com uma delas vestida; com efeito, a 'queda' da marca foi tão acentuada que há hoje quem esteja na casa dos vintes e praticamente não conheça a marca que 'virou a cabeça' de pessoas (muito) pouco mais velhas em finais da década de 90! Quem lá esteve, no entanto, sabe a 'loucura' que estas camisolas representaram, e recorda sem dúvida a sensação de orgulho por ter no armário aquela camisola com as três letrinhas mágicas bordadas na zona do peito - ou, inversamente, a inveja por não ser tão sortudo. Um impacto sem dúvida invejável, para uma peça que pouco mais era do que uma 'sweatshirt' de capuz lisa com o nome da marca na frente...

27.11.21

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 26 de Novembro de 2021

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Uma das mais perenes e transversais características das sociedades ocidentais modernas é a tendência para ridicularizar as tendências mais populares de décadas anteriores. A atitude 'qual era a deles?' abrange desde comportamentos a termos de linguagem (o chamado 'calão'), iniciativas culturais (como filmes, séries ou arte) e, claro, roupas e adereços visuais, talvez o alvo mais fácil de entre os citados.

E ainda que não seja de todo descabido dizer que muitos destes aspectos não merecem o desdém que lhes é reservado (sendo, pura e simplesmente, produtos de um tempo muito diferente) outros há que verdadeiramente suscitam a pergunta 'como é que isto era permitido?' - como é o caso do 'item' que hoje abordamos.

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Uma imagem que deverá evocar muitas memórias

As bolsinhas para trocos de pôr à cintura (as famosas 'fanny packs' dos norte-americanos) nunca foram um paradigma de estilo; aliás, nem sequer foram alguma vez desenhados para o ser. Embora existissem bolsas deste tipo fabricadas pelas grandes marcas da altura, nem mesmo estas tinham a audácia de tentar vender o referido adereço como algo mais do que um produto puramente prático – um sítio para quem não tinha carteira de alças pôr as moedas, notas e cartões, quer à solta, quer no respectivo porta-moedas ou carteira (no sentido de receptáculo de dinheiro e cartões.) As mesmas não eram, de todo, comercializadas como um indicador de moda, ou mesmo algo desejável – e, no entanto, foi exactamente nisso que se tornaram, um pouco por todo o Mundo durante os anos 90.

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Estes acessórios eram tão populares que até celebridades como The Rock se deixavam fotografar com elas

Portugal não foi excepção a esta regra, sendo que nos primeiros anos da década, em particular, não havia membro de uma determinada faixa etária que não exibisse orgulhosamente a sua bolsinha de trocos a tiracolo (algumas de padrão bem 'anos 90'), sem que a mesma o tornasse objecto de ridículo – antes pelo contrário. E enquanto os membros mais velhos dessa mesma demografia utilizavam este acessório da maneira correcta, para os mais novos (com menor acesso a dinheiro e ainda muito jovens para usar carteira) o mesmo transformava-se, muitas vezes, num repositório do tipo de quinquilharias de que aqui falamos por vezes às quintas feiras – coisas como berlindes, bolinhas saltitonas, bolas de sabão, Tazos, Matutolas, Pega-Monstros, cartas, cromos, pastilhas, chupa-chupas, bolachas, chocolates ou até figuras de acção, se a bolsa fosse grande o suficiente.

De facto, apesar de do ponto de vista da moda serem mais do que questionáveis, estes acessórios afiguravam-se como uma excelente maneira de transportar este tipo de pequeno objecto que era (e é) parte tão integrante da vida das crianças em idade pré-adolescente; e o mínimo que se pode dizer é que quem foi desta idade nos anos 90 tirou o máximo partido da sua 'bolsinha'...

Claro que uma moda tão 'parola' como esta não podia ter grande longevidade, e menos de uma década depois de terem sido consideradas o supra-sumos da moda, as bolsinhas para trocos tinham sido relegadas a motivo de chacota, e substituídas, no caso do sexo masculino, por um 'item' algo mais aceitável, embora hoje também alvo de ridículo – as bolsas a tiracolo, vulgo 'pochettes'. No entanto, aqueles anos loucos em que as 'fanny packs' foram universalmente aceites como acessórios desejáveis ainda hoje fazem parte da consciência colectiva – e com bom motivo. Afinal de contas, 'qual era a nossa' em usar aquelas coisas?!

12.11.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os anos 80 e 90 representaram, para Portugal, uma considerável abertura ao mundo além-fronteiras, a qual, por sua vez, proporcionou a um país que vivera, durante décadas, num regime ditatorial a hipótese de descobrir, quiçá pela primeira vez, muito do que, lá por fora, já se vinha sabendo, fazendo e consumindo há várias décadas. Isto traduziu-se, em grande parte, num influxo (ainda maior) de tendências 'importadas' dos EUA ou Inglaterra, e que afectavam todos os sectores da sociedade, do vestuário à arte, gastronomia ou costumes sociais.

Para os jovens dos anos 90 (nascidos, na sua grande maioria, na década anterior) um dos momentos mais impactantes no que toca a 'modas' foi o dealbar, e gradual expansão, do movimento alternativo. Partindo das camisas de flanela e jeans rasgados do 'grunge' e fundindo-se com movimentos como o do 'skate', surf ou hip-hop; este movimento não tardou a cimentar a sua presença nos pátios de escolas secundárias por esse país afora, onde se podia inevitavelmente encontrar pelo menos um ou dois dos chamados 'dreads' ou 'freaks'.

Como sucede com qualquer movimento de base estética, também o modo de vida alternativo tinha vários indicadores visuais que permitiam, quase de imediato, identificar um proponente do mesmo, das calças largas aos panamás às flores, correntes nas mochilas, calçado Doc Martens ou Airwalk, ou – no caso das raparigas – a tendência de que falamos hoje: os tererés.

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Um exemplo de tereré mais longo

Nome dado às pequenas tranças artificiais criadas através do entrançar de fitas de tecido no cabelo natural, os tererés tornaram-se presença assídua na cabeça de muitas adolescentes a partir de finais da década de 90, e sensivelmente até meados da seguinte, extravasando inclusivamente o movimento que as vira nascer, e decorando igualmente os cabelos de muitas 'betinhas' por esse Portugal afora – e a verdade é que a popularidade universal desta tendência não é, de todo, difícil de compreender, dada a natureza colorida, alegre e visualmente apelativa da maioria dos tererés. A principal diferença de classes ficava, pois, reservada ao comprimento e espessura das tranças, sendo que as raparigas mais alternativas preferiam normalmente entrançados mais grossos e de menor comprimento, enquanto as 'betinhas' favoreciam tererés mais finos, ora mais discretos, ora mais compridos e vistosos, consoante a personalidade (e tipo de cabelo) da adoptante.

Como todas as modas, no entanto, também a dos tererés acabou por se desvanecer, e de forma algo abrupta – depois de, durante meia dúzia de anos, terem sido um indicador de estilo entre uma determinada demografia, os entrançados artificiais coloridos tornaram-se tão obsoletos como as tatuagens tribais na ponta das costas, um símbolo de época que não mais voltaria a ser visto como desejável, embora nunca tenha deixado de ser activamente aceitável. Ainda assim, quem lá esteve decerto recordará aquele breve mas bem memorável período em que aqueles canudos de fita rústica colorida eram o supra-sumos da estética capilar em Portugal...

 

23.10.21

Uma das nossas primeiras Sextas com Style de sempre aqui no blog recordou as icónicas sweat-shirts da No Fear que todos usámos em meados dos anos 90; pois bem, a marca preferida de todo o miúdo de dez anos daquela época está de volta, e logo com uma colaboração 'em grande' – nada mais, nada menos do que com a conhecidíssima e super-popular cadeia de lojas H&M.

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Aquela que é a segunda colaboração da marca com um 'franchise' de vestuário e acessórios – após a tímida tentativa de regresso há alguns anos, em parceria com a inglesa Sports Direct – irá ter um âmbito global, e colocar o inconfundível logotipo dos anos 90 numa vasta selecção de produtos comercializados pela marca, conforme noticiado no próprio site internacional da H&M.

Como blog sempre atento às questões de revivalismo dos anos 90, não podíamos obviamente deixar passar em branco esta oportunidade, tendo a agradecer à Maria Ana – autora do nosso blog irmão, o Lookout – por nos ter dado a conhecer esta informação. Quanto aos nossos restantes leitores, agora é a oportunidade de comprar aquela 'sweat' que queriam mas não tiveram em pequenos – afinal, um quarto de século não tornou a roupa da No Fear menos 'fixe', antes pelo contrário...

 

16.10.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 15 de Outubro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Na passada Quarta-feira, falámos neste espaço dos cadernos dos anos 90, muitos dos quais eram utilizados como 'statement' pelos jovens em idade escolar, nomeadamente mediante capas apelativas e ligadas ao que então se considerava estar 'na moda'. No entanto, os cadernos estavam longe de ser a única forma de um aluno afirmar a sua identidade na sala de aula; nesse aspecto, havia outro tipo de item, bem mais impactante e relevante na prossecução desse mesmo objectivo, do qual falaremos no post de hoje.

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Tratavam-se, é claro, das mochilas, talvez a primeira peça de material escolar adquirida pelo aluno médio daquele tempo sempre que se avizinhava um novo ano lectivo. Ainda mais do que hoje em dia, a mochila era extremamente importante enquanto afirmação de conformidade – ou não – às regras de 'estilo' da escola, e parte tão integrante do 'look' de um aluno como qualquer peça de vestuário – o que, aliás, explica a sua presença nesta rubrica em particular.

E oportunidades de comprar uma mochila à medida da nossa personalidade era coisa que não faltava naqueles anos 90, tal era a quantidade e variedade de modelos que se podiam encontrar na loja ou 'shopping' mais próximo - das mochilas coloridas ou com personagens de desenhos animados, típicas da escola primária, passando pelos modelos 'casa às costas' favorecidos por alunos do preparatório e secundário, até às mochilas que não se destinavam necessariamente a uso escolar, mas eram para isso adaptadas (destacando-se dentro deste tipo em particular as mochilas da Monte Campo, Eastpak e Jansport.)

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Um acessório tão popular que merecia o seu próprio post...

A arte estava mesmo em encontrar um modelo que conjugasse o apelo estético que interessava ao aluno com características favorecidas pelos pais, como a ergonomia e os suportes das alças, sendo que quem conseguisse tal proeza tinha quase garantida a relação de 'amizade' com a sua nova mochila (nesse aspecto, por aqui, recorda-se com carinho a mochila do Bart Simpson da primeira classe, e a verde da Slazenger dos quinto e sexto anos, além da Monte Campo azul para ir de férias.)

Em suma, além de acessório essencial para transporte das 'toneladas' de livros, 'dossiers' e folhas característicos do dia-a-dia escolar da época, as mochilas tinham dupla função como acessório estético, tão importante como a própria roupa no contexto de inserção na malha social da escola; tal como a mochila certa servia como meio de afirmação de identidade, também a mochila errada podia representar um 'suicídio' social, e fazer a criança ou jovem passar por alguns dissabores junto dos seus pares. Talvez fosse precisamente por isso que tantas e tantas crianças dispendiam, anualmente, largos minutos em frente ao expositor das mochilas do hipermercado mais próximo, a tentar assegurar que escolhiam o modelo perfeito para as suas necessidades – as quais, neste caso, iam bem além da capacidade e ergonomia...

02.10.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 01 de Outubro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Hoje em dia, com a chegada a Portugal de cadeias internacionais como a Primark e a abundância de outras lojas de roupa dirigidas a jovens, é fácil esquecer o impacto que, durante anos, a Zara teve entre a demografia mais joven na Península Ibérica, e em especial em Portugal. Por ser oriunda do país vizinho, a marca teve uma implementação muito mais fácil e bem sucedida em Portugal do que em países como o Reino Unido, por exemplo (onde ainda hoje é pouco conhecida e considerada ‘de nicho’) e tornou-se local de ‘romaria’ para jovens de ambos os sexos durante quase duas décadas.

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Um logotipo bem conhecido de quem mora (ou cresceu) perto de um centro urbano.

Uma das principais razões para esta frequência ‘religiosa’ da cadeia (para além dos preços, que à época eram ao nível do que se vê hoje num Primark) eram as colecções de t-shirts lançadas anualmente quer nas próprias lojas Zara, quer nas suas filiais mais ‘cool’ e alternativas, as Pull & Bear. Com temas diferentes todos os anos – mas sempre o mesmo grau de sucesso e implantação entre os jovens – estas colecções tinham a particularidade de, muitas vezes, consistirem de produtos licenciados, que normalmente não se encontrariam numa cadeia de lojas de roupa vulgar - houve, por exemplo, colecções da Hanna-Barbera, e outra com logotipos de bandas de rock clássico (ambas já no novo milénio, mas ainda assim relevantes para este artigo.)

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Uma t-shirt que marcou época no início do século/milénio

Os jovens daquela época (que não tinham, nem de longe, os meios de que os de hoje dispõem) tinham, assim, oportunidade de comprar t-shirts ou sweatshirts alusivas às suas propriedades intelectuais favoritas, a um preço mais convidativo do que o praticado por lojas especializadas. E enquanto que, hoje em dia, essa prática é comum em cadeias como (novamente) a Primark, na altura, era rara e inovadora o suficiente para granjear à Zara (ainda mais) sucesso entre os jovens.

Não eram apenas as t-shirts licenciadas que faziam sucesso, no entanto – os ‘designs’ próprios das peças com marca Zara ou Pull também eram, regra geral, apelativos o suficiente para gozarem de enorme sucesso entre os jovens (por aqui, por exemplo perdemo-nos a certa altura de amores por um casaco de fecho e capuz verde-seco, e estivemos longe de ser os únicos nesse ano…), merecendo assim ser incluídos nesta breve homenagem à cadeia de roupa por excelência do adolescente citadino dos anos 90 e 2000.

04.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 03 de Setembro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

 O final dos anos 90 e início do novo milénio marcou a chegada do estilo alternativo a Portugal. Claro que já tinha havido, em décadas anteriores e até na que nos concerne, outros movimentos de contra-cultura, como o gótico e o ‘grunge’; no entanto, foi mesmo a partir da segunda metade da última década do século XX que aquilo que é hoje entendido como movimento ‘alternativo’ se introduziu e cimentou entre a juventude portuguesa. De súbito, já não eram apenas os chamados ‘freaks’ a usar botas coloridas, calças largas, sacolas de sarja a tiracolo e cabelos de cores estranhas – pelo contrário, tais arroubos visuais eram agora a norma, pelo menos entre uma fatia da população jovem nacional.

Um dos mais memoráveis ícones desse movimento, e um dos mais utilizados por aqueles que queriam ser alternativos sem grandes ‘aventuras’, eram os ténis Airwalk. Originalmente conotados com o movimento ‘skater’ norte-americano – outra ‘febre’ que tomou Portugal de assalto por volta dessa altura, graças à popularidade do punk-pop e dos jogos de Tony Hawk – estes sapatos rapidamente se tornaram parte da indumentária diária de milhares de jovens por todo o país, e alvo de cobiça de outros tantos, que não tinham oportunidade ou fundos para adquirirem o seu próprio par.

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Para além da razão óbvia – a marca, e a popularidade entre a ‘malta’ jovem – estes ténis tinham a seu favor um visual verdadeiramente apelativo, maioritariamente construído sobre tons de castanho, preto e cinzento, mas que conseguia transformar essas cores normalmente algo ‘chatas’ em algo vibrante e apelativo para o seu público-alvo, através de um design cuidado e que justificava o alto preço de venda da maioria dos artigos das suas linhas. Foi precisamente o ‘cool factor’ exsudado pelo tradicional estilo de design da Airwalk que fez destes ténis parte integrante e obrigatória da indumentária ‘teen’ alternativa de finais dos 90, a par das calças largas, boné ao contrário (de preferência vermelho) e t-shirt também largueirona, idealmente com qualquer tipo de dizer contestatário ou ofensivo, bem ao estilo dos ídolos da cena ‘punk’ e ‘nu-metal’.

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Um dos modelos mais clássicos do período clássico da marca

Hoje em dia, e apesar de ainda existirem, os ténis Airwalk foram suplantados nas preferências dos jovens por outras marcas mais ‘in’ e ‘cool’, como a New Balance e a renascida Adidas. No entanto, para uma determinada parte da população portuguesa que cresceu durante os anos 90, estes sapatos (a par dos lendários Vans aos quadradinhos e dos Skechers, que, pasme-se, são considerados sapatos para idosos em certos países da Europa!) permanecerão, ainda e sempre, como símbolo de uma época bem mais inocente do que a actual, em que os ‘raps’ indignados de uns Limp Bizkit ou o humor juvenil de uns Blink-182 serviam de banda sonora para os intervalos da escola e sessões de convívio com os amigos, sempre vestidos a rigor com o último grito da moda alternativa – do qual os Airwalk faziam, definitivamente, parte integrante…

 

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