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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

04.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 03 de Setembro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

 O final dos anos 90 e início do novo milénio marcou a chegada do estilo alternativo a Portugal. Claro que já tinha havido, em décadas anteriores e até na que nos concerne, outros movimentos de contra-cultura, como o gótico e o ‘grunge’; no entanto, foi mesmo a partir da segunda metade da última década do século XX que aquilo que é hoje entendido como movimento ‘alternativo’ se introduziu e cimentou entre a juventude portuguesa. De súbito, já não eram apenas os chamados ‘freaks’ a usar botas coloridas, calças largas, sacolas de sarja a tiracolo e cabelos de cores estranhas – pelo contrário, tais arroubos visuais eram agora a norma, pelo menos entre uma fatia da população jovem nacional.

Um dos mais memoráveis ícones desse movimento, e um dos mais utilizados por aqueles que queriam ser alternativos sem grandes ‘aventuras’, eram os ténis Airwalk. Originalmente conotados com o movimento ‘skater’ norte-americano – outra ‘febre’ que tomou Portugal de assalto por volta dessa altura, graças à popularidade do punk-pop e dos jogos de Tony Hawk – estes sapatos rapidamente se tornaram parte da indumentária diária de milhares de jovens por todo o país, e alvo de cobiça de outros tantos, que não tinham oportunidade ou fundos para adquirirem o seu próprio par.

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Para além da razão óbvia – a marca, e a popularidade entre a ‘malta’ jovem – estes ténis tinham a seu favor um visual verdadeiramente apelativo, maioritariamente construído sobre tons de castanho, preto e cinzento, mas que conseguia transformar essas cores normalmente algo ‘chatas’ em algo vibrante e apelativo para o seu público-alvo, através de um design cuidado e que justificava o alto preço de venda da maioria dos artigos das suas linhas. Foi precisamente o ‘cool factor’ exsudado pelo tradicional estilo de design da Airwalk que fez destes ténis parte integrante e obrigatória da indumentária ‘teen’ alternativa de finais dos 90, a par das calças largas, boné ao contrário (de preferência vermelho) e t-shirt também largueirona, idealmente com qualquer tipo de dizer contestatário ou ofensivo, bem ao estilo dos ídolos da cena ‘punk’ e ‘nu-metal’.

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Um dos modelos mais clássicos do período clássico da marca

Hoje em dia, e apesar de ainda existirem, os ténis Airwalk foram suplantados nas preferências dos jovens por outras marcas mais ‘in’ e ‘cool’, como a New Balance e a renascida Adidas. No entanto, para uma determinada parte da população portuguesa que cresceu durante os anos 90, estes sapatos (a par dos lendários Vans aos quadradinhos e dos Skechers, que, pasme-se, são considerados sapatos para idosos em certos países da Europa!) permanecerão, ainda e sempre, como símbolo de uma época bem mais inocente do que a actual, em que os ‘raps’ indignados de uns Limp Bizkit ou o humor juvenil de uns Blink-182 serviam de banda sonora para os intervalos da escola e sessões de convívio com os amigos, sempre vestidos a rigor com o último grito da moda alternativa – do qual os Airwalk faziam, definitivamente, parte integrante…

 

20.08.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Quase todas as semanas falamos aqui de ‘merchandising’, seja alusivo a uma série, uma banda, ou qualquer outra propriedade mediática de interesse para crianças e jovens; e uma das facetas do ‘merchandising’ que também acabamos sempre por abordar é a roupa. De facto, desde que existe o conceito de criação de produtos ‘paralelos’ a um artista ou propriedade intelectual que as crianças demonstram interesse em ‘vestir’ os seus ídolos, incentivando os detentores dos direitos a permitirem o licenciamento da sua imagem também para peças de roupa, além dos tradicionais brinquedos ou artigos comestíveis.

Infelizmente, estes produtos licenciados acabam também, a maioria das vezes, por ser proibitivamente caros para o seu público-alvo, obrigando-os a recorrer à boa-vontade dos pais, a aproveitar ‘àquelas’ datas especiais, como o Natal ou os anos, ou – mais frequentemente, sobretudo na época a que este blog diz respeito – a comprar artigos não-licenciados, os chamados ‘piratas’.

Existentes há quase tanto tempo como o próprio conceito de ‘merchandising’, estes artigos têm, na sua maior parte, vindo a evoluir consideravelmente na sua concepção e manufactura, a ponto de, hoje em dia, serem fáceis de confundir com artigos licenciados; sendo certo que ainda existem algumas tentativas perfeitamente hilariantes (tão meméticas como os ‘equivalentes de feira’ às grandes marcas) , há também que admitir que, nos tempos que correm, estes artigos cumprem o seu objectivo tão bem como os oficiais, embora a qualidade seja sempre notoriamente inferior.

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Sim, ainda há 'coisas' destas, mas cada vez menos...

Nos anos 80 e 90, no entanto, não era bem assim; de facto, passava-se quase exactamente o contrário. Embora existissem contrafacções de qualidade bastante aceitável, a maioria dos artigos alusivos a desenhos animados, BD ou música encontrados nas feiras, lojas de tecidos de bairro e vendas de chão da rua do nosso país eram notoriamente e descaradamente ‘falsos’ – daquele tipo de falso que é, ao mesmo tempo, hilariante e vagamente enternecedor. Em suma, para cada réplica quase perfeita da famosa t-shirt ‘Bart Simpson: Overachiever’ (como havia lá por casa), existiam duas com o Snoopy desenhado mas a dizer ‘Funny Cartoon’, ou do Dragon Ball Z em que os personagens eram translúcidos (da mesma cor do fundo da camisola) e os ‘Gs’ pareciam ‘Cs’.

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Até pode ser que seja um artigo oficial, mas as probabilidades são baixas...

Ainda assim, e apesar dessa ‘tosquice’, este tipo de peça era relativamente comum nos pátios de recreio daquele Portugal de 90, maioritariamente porque – conforme observado acima – a maioria das crianças não tinha poder de compra para adquirir mais do que uma ou outra peça de ‘merchandise’ oficial da sua série, videojogo ou banda desenhada favorita. Aquelas t-shirts ‘fatelas’ deixavam, pois, de ser apenas imitações baratas e mal-amanhadas dos artigos genuínos, e passavam a ser peças centrais do guarda-roupa infantil, vestidas tão frequentemente quanto possível, como forma de professar o amor da criança à propriedade que representavam.

Com o virar do milénio, e à medida que este tipo de pirataria se tornava cada vez mais cuidado e refinado, o tipo de peça referido acima deixou de se ver tanto quanto anteriormente, ao ponto de, hoje em dia, se encontrar quase extinto, e de as imitações ‘às três pancadas’ de que aqui falámos terem sido um fenómeno quase exclusivo daquelas duas décadas mágicas; ainda assim, quem lá esteve certamente se recordará ‘daquela’ t-shirt do DBZ ou Bart Simpson comprada na feira, que tinha visivelmente algo de errado, mas que era ainda assim amada e usada como se fosse cem por cento ‘the real thing’ - que o digam a camisola verde-tartaruga, com um desenho ‘quase bom’ dos Quatro Jovens Tarta-Heróis, que morava cá em casa no final dos anos 80, ou o pijama do Tweety, sem qualquer tipo de licenciamento, vestido à exaustão na década seguinte…

 

 

06.08.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E se em ocasiões anteriores aqui falámos das camisolas da No Fear e Mad + Bad, entre outras,  calha hoje a vez a outra ‘griffe’ marcante dos anos 90, embora esta um pouco ‘Esquecida Pela Net’ nos dias de hoje.

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Falamos da Quebra-Mar, marca 100% nacional e conhecida, sobretudo, pelos atraentes e inovadores ‘designs’ das suas ‘t-shirts’ e ‘sweatshirts’, os quais não deixavam de apelar ao públco infanto-juvenil – embora, como era o caso com a No Fear, estes não constituíssem necessariamente o público-alvo.

Famosa pelos seus desenhos quase simétricos ao estilo ‘jogo das diferenças’ – em que normalmente só uma das imagens era notoriamente diferente – as roupas desta marca faziam furor entre um certo segmento da população jovem durante a década de 90 e inícios da seguinte, embora os preços algo proibitivos das mesmas as relegassem, inevitavelmente, para a categoria de ‘roupas de betinhos’ – uma associação que talvez não fosse totalmente inocente, visto a marca estar fortemente ligada à prática dos desportos náuticos, tradicionalmente associados às classes altas, e – talvez mais significativamente - ter sido criada, precisamente, em Cascais…

‘Betices’ à parte, a verdade é que muitas crianças e jovens daquela época tinham, ou queriam ter, uma peça desta marca, fosse da sempre apetecível colecção principal ou da menos popular linha ‘Kids’. Assim, não deixa de ser motivo de espanto que, hoje em dia – quando tudo se vende no OLX ou sites similares – haja tão poucos vestígios da presença da Quebra-Mar na vivência portuguesa daquela época. Para além do site da marca, e de uma ou outra referência às suas peças modernas, não se encontra uma única camisola ou t-shirt para venda em lado nenhum; é quase como se as mesmas nunca tivessem existido - embora, tratando-se de roupa de criança, se possa dar o caso de as peças terem, pura e simplesmente, 'caido de velhas'.. Seja qual for o caso, no entanto, quem viveu o período áureo da marca certamente concordará que a popularidade da mesma durante aqueles anos justifica plenamente esta pequena tentativa de evitar que esta seja, definitivamente, ‘Esquecida Pela Net…’

24.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 24 de Julho de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E se já aqui falámos das camisolas de futebol – uma ‘moda’ que apenas se popularizou na década seguinte – hoje chega a altura de falar de outro popular acessório que transcendeu o mundo do desporto e virou parte da ‘moda jovem’ de finais dos anos 90 e inícios da década seguinte: os pólos de ‘rugby’.

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O fantástico pólo da grande potência mediática do râguebi da altura, os All-Blacks neo-zelandeses

Talvez nem todos os leitores deste blog se lembrem, mas houve uma altura da História das nossas juventudes em que o râguebi estava ‘na moda’ entre os adolescentes, sendo frequente ver no recreio da escola pessoas com bolas ovais e pólos alusivos às mais populares selecções da altura, nomeadamente a Inglaterra, França, África do Sul e Nova Zelândia. Previsivelmente, foi precisamente nessa altura que este tipo de artigo de vestuário extravasou o seu nicho nas prateleiras das boas lojas de desporto e invadiu também os centros comerciais e cadeias de ‘superstores’ desportivas, onde a maioria dos jovens da altura teria maiores probabilidades de os encontrar.

Curiosamente, enquanto expansões deste tipo costumam fazer decrescer significativamente o preço (e a qualidade) deste tipo de artigos, com os pólos de râguebi, não foi esse o caso; os artigos que se encontravam em lojas ‘franchisadas’ eram exactamente os mesmos que estavam disponíveis na loja especializada. Não havia pólos de imitação, nem ‘mais ou menos’ iguais, nem de marca branca; o que se encontrava era sempre oficial, e sempre vendido aos mesmos preços proibitivos para a maioria das carteiras juvenis da época )não é à toa que os pólos de râguebi são normalmente associados aos ‘betos’…) Assim, quem tinha um era normalmente muito invejado, não obstante o facto de estas peças serem réplicas fiéis das que os próprios atletas vestiam, fazendo poucas ou nenhumas concessões a quaisquer modas vigentes.

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Os 'Springboks' sul-africanos disputavam com a selecção inglesa um lugar nos corações dos jovens fãs do desporto.

Tal como aconteceu com as camisolas de futebol, no entanto, a época áurea dos pólos de râguebi viria a dar-se nos primeiros anos do novo milénio, em que a moda – e o desporto – verdadeiramente ganharam tracção entre os jovens em idade escolar, sobretudo do ensino secundário; ainda assim, e por este movimento ter tido a sua génese nos anos 90, vale bem a pena dedicar-lhe algumas linhas nesta nossa secção dedicada à moda.

09.07.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui falámos, num post anterior, das sweat-shirts da No Fear; no entanto, e apesar de serem a face ‘mais visivel’ deste tipo de peça nos anos 90, as camisolas da marca americana não foram, de todo, as únicas representantes do mesmo, pelo menos em Portugal. De facto, na mesma época em que a referida marca esteve no seu auge, havia não uma, não duas, mas TRÊS marcas concorrentes a produzir o mesmo tipo de vestuário, todas com grande aceitação por parte do público infanto-juvenil.

Curiosamente, todas estas marcas trilhavam caminhos muito parecidos em termos de design, estando as suas estampas próximas não só das da No Fear, como umas das outras; de facto, o mais certo é que um leigo – ou alguém que, mais distraído, não lesse o nome da marca por baixo dos ‘bonecos’ – confundisse, à primeira vista, estas marcas, tal era a semelhança entre as peças que comercializavam.

A primeira destas marcas era a Bad + Mad, conhecida pelas suas t-shirts e sweat-shirts adornadas por ‘cartoons’ radicais e irreverentes, na sua maioria protagonizados pela mascote da marca, um jovem sem nome, de ‘crista’ espetada e cabelo rapado dos lados, muitas vezes visto em situações algo politicamente incorrectas. Era, precisamente, este lado rebelde, bem típico da segunda metade dos 90s que, aliado aos excelentes e detalhados desenhos, atraía o público-alvo, tornando estas camisolas (principalmente as de manga comprida) num item quase universal entre a população em idade escolar, e sobretudo os adolescentes.

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Um 'design' bem típico da Bad + Mad

Numa senda muito parecida surgia a brasileira Bad Boy, marca – à época – algo conotada com a prática do ‘skate’ (como, aliás, eram todas as referidas neste post, incluindo a própria No Fear.) Tal como as suas congéneres – tanto as referidas anteriormente como aquela de que falaremos em seguida – esta linha pautava-se pelos desenhos algures entre o ‘cartoon’ e o ‘grafitti’, os quais, aliados ao próprio nome bem rebelde da marca, ‘caíam no goto’ dos jovens da época, transformando a Bad Boy em mais uma daquelas marcas bem aceites e bem vistas em qualquer recreio de escola dos anos 90.

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Os 'designs' da Bad Boy eram mais centrados no logotipo da marca

Em concorrência directa tanto com estas duas marcas, como com a No Fear, havia ainda uma terceira, a qual, graficamente, se afirmava como uma espécie de fusão de todas elas. Tratava-se da Street Boy, uma marca que oferecia tanto os ‘cartoons’ incorrectos da Mad + Bad (uma das suas camisolas mais conhecidas retrata um rapaz, muito parecido com a mascote da referida marca, sentado na sanita, em pleno acto de ‘filosofar’) como da No Fear (outro dos seus ‘designs’ apresentava um par de olhos franzidos numa expressão de irritação, exactamente como um dos modelos mais conhecidos da marca americana). Infelizmente, o nome algo genérico da marca torna uma pesquisa Google nos dias de hoje extremamente difícil, tornando, mesmo que involuntariamente, a Street Boy em mais uma adição ao grupo dos Esquecidos pela Net. E a verdade é que a marca não o merecia, já que os seus ‘designs’ e a qualidade das suas peças pouco ficavam a dever às marcas mais conhecidas.

No fundo, três marcas quase intercambiáveis, e que, com a No Fear, formavam a ‘Santa Trindade’ das sweat-shirts para crianças e jovens entre os 8 e os 18 anos no Portugal dos anos 90; e, quem sabe, talvez o facto de pelo menos três  das quatro ainda existirem nos permita sonhar com uma redescoberta, a curto prazo, destas marcas por uma nova geração de jovens à procura de algo ‘fixe’ para vestir. Mesmo que tal não aconteça, no entanto, é bom saber que, num mundo cada vez mais politicamente correcto, ainda há quem se atreva a ser irreverente e se desviar do ‘politicamente correcto’…

26.06.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta’feira, 26 de Junho de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Camisolas de futebol. Hoje em dia, não há quem não tenha pelo menos uma do clube ou jogador favorito, nem que seja para a ‘peladinha’ ou o ginásio semanal. Mas se nas últimas duas décadas este tem sido um item quase banal em lojas, hipermercados e até barraquinhas de praça ou feira – em versão mais ou menos legal, consoante o local de compra – há escassos trinta anos, não era bem assim. Em meados da década de 90, as camisolas de futebol eram, ainda, caras e difíceis de encontrar se não se soubesse onde ir para comprá-las; até mesmo as lojas de desporto tendiam a vender, sobretudo, camisolas ‘anónimas’, destinadas a serem usadas como uniforme para equipas amadoras, mais do que como acessório de beleza.

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Uma das poucas camisolas de futebol da época encontráveis na Internet actual

E, bem vistas as coisas, isto nem sequer era assim tão estranho; afinal, um dos principais atractivos de comprar uma camisola destas – ter o nome e número do nosso ídolo nas costas – ainda não era práctica comum à época, só se vindo a popularizar já no novo milénio. Quem comprasse uma camisola nos anos 90 não estava com a camisola do Figo vestida – apenas com a número 7 de Portugal; ou seja, a compra de um item deste tipo era uma questão mais clubística ou patriótica do que propriamente de admiração por um jogador em particular. E quanto a vestuário alusivo a futebol, mas que não fossem camisolas (do género que se vê, por estes dias, nas referidas lojas, hipermercados e bancas) pura e simplesmente não existia – ou,  quando existia, era tão proibitivamente caro como as camisolas em si.

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O único outro exemplo alusivo à Selecção das Quinas encontrado 

Mesmo assim, uma pesquisa na Internet ainda permite encontrar algumas camisolas desse tempo, tanto da Selecção como de clubes – embora, claro, em muito menor número do que os modelos da década seguinte, quando este tipo de artigo se popularizou. Mas é aos anos 90, e não ao novo milénio, que este blog diz respeito – e como tal, esta viagem nostálgica pelas camisolas de futebol tem mesmo de terminar por aqui…

11.06.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E chegou, hoje, finalmente a hora de falar de uma ‘moda’ que ninguém em Portugal – excepto, aparentemente, o Google – parece ter esquecido.

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Sim, hoje vamos falar de um artigo que, sem nunca ter tido nenhuma daquelas denominações sonantes dadas por equipas de marketing, tem no entanto um nome coloquial globalmente aceite entre quem o usou: os ténis ‘pisa-e-brilha’.

O próprio nome já revela o principal ponto de interesse deste tipo de calçado: sempre que se dava um passo acima de determinado nível de força, o ténis emitia um efeito LED, a partir de uma peça de plástico colocadas perto do calcanhar. Um ‘truque’ simples, talvez, mas que, à época, nunca perdia o ‘cool effect’, não importa quantas vezes se visse ou activasse.

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A mecânica em acção

Como costuma acontecer com produtos ‘com truque’, os ténis ‘pisa-e-brilha’ não eram de nenhuma qualidade por aí além, nem particularmente bem acabados; até mesmo esteticamente, não passavam de ténis perfeitamente vulgares, normalmente brancos, e sem nada que os distinguisse de milhares de outros modelos ‘sem marca’ – a não ser, claro está, aquela luzinha mágica na zona dos calcanhares, que faziam toda a diferença, para além de subirem o preço de cada par…

Enfim, valessem ou não a pena do ponto de vista qualitativo-económico, a verdade é que não havia criança ali por meados dos anos 90 que não tivesse ou quisesse uns ténis ‘pisa-e-brilha’. Ainda mais do que os ténis com bonecos licenciados, este tipo de calçado era uma espécie de Santo Graal para quem não o tinha, e motivo de orgulho e gabarolice para quem tinha. E tudo isto, recorde-se, por causa de uma luzinha LED, daquelas que se encontram em qualquer boneco barato da ‘loja dos 300’, mas que fora do seu context normal e expectável, se tornavam instantaneamente mais ‘fixes’.

Tal como todas as restantes ‘modas’, no entanto, os ténis ‘pisa-e-brilha’ foram-se tornando progressivamente menos comuns à medida que a geração de 80 e inícios de 90 crescia, tendo mesmo acabado por ser substituídos pela nova ‘febre’ - os ténis com rodas, coqueluche das crianças do novo milénio. Recentemente, no entanto, este tipo de sapatos parece estar a viver uma espécie de renascer – só que, como é costume nos dias de hoje, de uma forma muito mais espalhafatosa e exagerada. Onde antes havia duas luzinhas na parte de trás da lateral do sapato, há hoje verdadeiros jogos de luzes, dignos de um carro ‘tunado’, e que fazem quem os veste parecer que vai participar de um vídeo de TikTok sobre Dance Dance Revolution – o que, aliás, talvez seja mesmo o objectivo.

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O 'pisa-e-brilha' adaptado à geração 'millennial'

(Note-se, ainda, que quando dizemos ‘parece’, estamos, como é óbvio, a falar das imagens disponíveis no Google – o mais provável é que, com os ténis na mão, o efeito continue pouco mais ou menos igual ao que era há um quarto de século atrás. No entanto, se as crianças de hoje em dia forem como as daquele tempo, isso não será certamente obstáculo a que a ‘febre’ dos ‘pisa-e-brilha’ se torne a instalar em Portugal…)

29.05.21

NOTA: Este post é relativo a sexta-feira, 28 de Maio de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E porque hoje está sol, e se aproxima o Verão, nada melhor do que relembrar uma peça essencial da ‘fardamenta’ das crianças dos anos 90: o boné.

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Embora este continue a ser um acessório muito popular entre jovens de todas as idades, existem diferenças fundamentais ao nível do ‘design’ que separam os bonés dos ‘putos’ modernos daqueles que os seus pais ou familiares usavam na mesma idade – a começar, desde logo no formato da pala. Enquanto que hoje em dia, os miúdos se orgulham de usar bonés com a pala impecavelmente e rigorosamente direita, que pode depois ser levantada para trás (os chamados ‘snapbacks’), as crianças dos anos 90 queriam precisamente o oposto. Em finais do século XX, uma pala a direito era para ‘totós’, e a mesma só era usada virada para cima quando se queria ‘gozar’, ou momentaneamente para limpar o suor da testa; antes pelo contrário, a primeira coisa a fazer ao receber um boné novo era dobrar a pala para dentro o máximo que se conseguisse, de forma a esta formar uma cúpula sobre os olhos. Só depois da pala dobrada a ‘preceito’ é que o boné era considerado apto a ser usado (pelo menos virado para a frente; se fosse para usar para trás, ao estilo ‘radical’, as regras eram menos definidas.)

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Ângulo mínimo para uma pala nos anos 90

Outra diferença entre os bonés modernos e os daquela época é a própria forma. Os bonés de hoje em dia tendem a ser altos e largos, dando a quem os usa a chamada ‘cabeça de capacete’; ora, nos anos 90, essa mesma ‘cabeça’ era, também, algo a evitar – o boné ideal ficaria ‘enterrado’ na cabeça, e apertado atrás o máximo possível sem se tornar desconfortável. O formato dos bonés produzidos naquela época traduz essa mesma preferência, sendo, regra geral, mais baixos e estreitos do que os modernos (com uma excepção, de que falaremos já a seguir.)

Estabelecidas que estão as diferenças estéticas entre os chapéus de pala do novo milénio e os do fim do anterior, resta fazer uma rápida retrospectiva dos mais populares tipos de boné encontrados em Portugal nos anos 90. E logo para começar, há que falar de um, incontornável, e que hoje em dia parece estar a retomar a popularidade de que então gozava – seja sinceramente, ou de forma irónica. Falamos, é claro, do boné de rede, esse mítico artefacto da nossa infância que todos tivemos, e que nunca ninguém conseguiu que lhe ficasse verdadeiramente bem.

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Os píncaros do estilo infanto-juvenil no início dos anos 90. Só que não...

Conhecidos nos Estados Unidos como ‘trucker hats’, por serem tradicionalmente utilizados pelos camionistas, estes bonés ganhavam o seu nome português devido ao material de que eram maioritariamente feitos. De facto, à excepção da pala e da zona frontal, o resto destes chapéus era feito de uma fina malha de rede, que tinha como objectivo deixar respirar a cabeça, para contrabalançar o efeito criado pela parte da frente, invariavelmente feita de espuma e, portanto, muito quente. O efeito geral é difícil de descrever sem se ter ‘estado lá’ – não que seja preciso; todos estivemos, certo? – mas tal como os fatos de treino daquele tempo, não é exactamente algo que recordemos como altamente estiloso. Para piorar (ou, na perspectiva infantil da época, MELHORAR) a maioria destes bonés tendiam a ser de índole promocional ou publicitária, sendo a parte da frente normalmente adornada com o simbolo ou logotipo de uma qualquer companhia (o nosso era das Edições Alfa); numa época em que era considerado ‘fixe’ ter vestuário ou acessórios alusivos a marcas de outros quadrantes, no entanto, isto não era o problema, e a ‘morte’ dos bonés de rede só se deu quando a geração em causa cresceu um pouco, olhou para aquela ‘coisa’ que usava na cabeça anos antes, se riu, e a pôs no fundo do armário. E em boa hora o fizemos…

O segundo tipo de boné comum à época era o alusivo a equipas desportivas ‘da moda’, normalmente de um qualquer desporto americano. Estes bonés tendiam a ter palas de duas cores (uma na parte superior, e a segunda na parte inferior) e a parte principal em pano de uma cor escura, normalmente preto ou azul-escuro. Tal como no caso dos bonés de rede, este tipo de chapéu tendia a estar adornado com um logotipo na parte da frente, mas ao contrário dos seus antecessores, o mesmo era bordado directamente no pano, criando um efeito muito mais uniforme. Dos tipos de boné abordados neste artigo, este era considerado o mais ‘fixe’, e qualquer miúdo de meados da década tinha pelo menos um (deste lado, o favorito foi, durante anos, um dos grandes Chicago Bulls.)

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Aquele momento em que se encontra um boné EXACTAMENTE IGUAL ao nosso dos 11 anos numa pesquisa da Google...

O mesmo, embora em menor escala, se pode dizer dos sucessores directos dos bonés de rede – os bonés promocionais de pano. Mistura exacta entre os dois tipos de chapéu anteriormente mencionados, estes bonés eram, normalmente, de uma só cor, com o logotipo bordado ou estampado acima da pala, mas de forma muito mais discreta do que no caso dos bonés de rede, criando um efeito mais sóbrio, e que ficava do ‘lado certo’ da linha invisível que separava o ‘fixe’ do ‘fatela’. Por essa mesma razão, e pela facilidade em adquirir um destes bonés – eram, à época, tão comuns como as suas companheiras espirituais, as t-shirts promocionais - a maioria das crianças tendia a ter vários por onde escolher no seu armário.

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Não encontrámos a dizer 'TMN' nem 'PT'

O único azar – pelo menos no que tocava à popularidade – era se um ou mais desses bonés fossem de elástico, em ver de ajustáveis através dos tradicionais ‘furinhos’; por alguma razão, nem mesmo bonés de elástico de marca ou de clubes se safavam do estigma de não serem ‘fixes’, pelo menos a partir de uma certa idade. Assim, só os mais ‘valentes’ – ou aqueles cujos pais ou colegas de escola menos se importavam com esse tipo de estigma – usavam este tipo de chapéu, optando os restantes por uma das opções mais ‘seguras’ descritas acimas.

‘Fixe’ ou não, de rede ou de pano, com mais ou menos costuras na pala, a verdade é que não havia criança nos anos 90, independentemente do sexo ou idade, que não tivesse e usasse pelo menos um boné – o que tornou ainda mais surpreendente o decréscimo acentuado no ‘cool factor’ deste tipo de acessórios na década seguinte. De facto, os bonés só voltariam a entrar em voga já na segunda década do novo milénio – e mesmo assim, em moldes significativamente diferentes dos seus antecessores de final do século XX. Desde então, no entanto, a popularidade desta peça tem-se mantido em alta, o que faz crer que a ‘moda’ dos bonés está mesmo de volta para ficar – com um pouco de sorte, desta vez, com menos modelos publicitários de ‘redinhas’…

 

14.05.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Quem se lembra delas? Sim, as lendárias meias brancas com raquetes, peça indispensável da gaveta e guarda-roupa diário de qualquer criança dos anos 90. Esta era daquelas modas que transcendia sexos, épocas e níveis de popularidade social – TODA a gente de uma certa idade as vestiu, durante TODA a década (e parte da anterior, também!), e sem as habituações preocupações sobre o aspecto com que ia ficar, ou o que os colegas iam dizer na escola. As meias de raquetes eram indiscutíveis, universalmente aceites, e o que dava verdadeiramente azo a comentários era NÃO as usar – porque essa ideia simplesmente não cabia na cabeça de ninguém.

E no entanto…esta é das modas mais inexplicáveis não só dos anos 90, mas da história do vestuário recente. Pensem bem. São meias brancas (também havia de outras cores, mas sejamos sinceros, as verdadeiras meias de raquetes eram BRANCAS), de ténis, com umas raquetes mais ou menos mal amanhadas desenhadas. São uma daquelas poucas coisas ‘retro’ que MERECEM ser gozadas, que justificam o tratamento ‘o-que-é-que-nos-deu-na-cabeça’ que a Internet reserve a quase tudo aquilo de que gostou na infância. Porque, a sério – O QUE É QUE NOS DEU NA CABEÇA para fazer disto não só um item bem aceite socialmente, mas uma moda? Quem foi a primeira pessoa que olhou para AQUELAS meias e disse ‘yep, vou vestir isto para a escola, não tem como dar errado’?

E já que falamos nisso, de onde é que estas meias vieram? Como é que surgiram? Normalmente, é relativamente fácil traçar o percurso de uma peça de roupa ou outro acessório, mas no caso das meias de raquetes, as suas origens perdem-se numa nuvem de mistério. São daqueles itens que parecem ter surgido no mercado português de um dia para o outro, e desaparecido da mesma maneira, sem deixar rasto, a não ser na mente de uma geração de miúdos, entretanto ‘crescidos’ e levemente envergonhados daquelas meias ‘fatelas’ que usavam aos dez anos. Presumivelmente, seriam uma tentativa ‘anónima’ de imitar o que marcas como a Adidas e a Umbro faziam na altura, sem cair na armadilha da imitação barata, e que acabou por resultar quase por acaso – ou não. Ou, se calhar, até foi outra coisa qualquer – quem sabe…

Enfim, qualquer que tenha sido a sua origem, o facto é que estas meias foram uma autêntica ‘febre’ por quase uma década e meia -  apesar de não terem absolutamente nada de especial. A qualidade era média, nada de extraordinário, apenas o normal para meias de ténis em algodão. A estética…enfim. Eram daquelas coisas que uma mãe ou avó compraria para uma criança, mas nunca o tipo de artigo que um miúdo activamente pediria aos pais para comprar. E, no entanto, foi exactamente isso que se passou: estas meias contrariaram as expectativas, e tornaram-se daqueles itens desejados - e orgulhosamente usados - por qualquer criança daquela geração. Aqui no blog, por exemplo, tínhamos vários pares, quase todos iguais – e mais pares tivéssemos tido, mais teríamos orgulhosamente usado para a escola todos os dias. Enfim, inexplicável.

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As nossas eram muito parecidas com estas.

E desse lado? Quantas tinham? (Não vamos perguntar SE tinham, porque CLARO que tinham.) Quando é que se aperceberam que o vosso item de roupa favorito eram umas meias brancas manhosas? Partilhem as vossas memórias nos comentários!

23.04.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E hoje vamos falar daquela que foi, durante alguns anos, talvez a mais popular marca de ‘sweatshirts’ entre a juventude portuguesa – a entretanto renascida No Fear.

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Marca americana criada em 1989 e associada ao movimento ‘skater’ (como, aliás, o eram muitas das roupas favoritas dos jovens à época) a No Fear entrou em Portugal – e na consciência colectiva de toda uma geração – cerca de meia década depois, quando as lojas de desporto nacionais começaram a comercializar material da marca. Os vistosos desenhos e bombásticas mensagens que caracterizavam a maioria dos produtos tendiam a destacar-se de entre o material mais ou menos discreto normalmente encontrado neste tipo de estabelecimentos, não sendo, como tal, surpreendente que a marca tenha captado a atenção do público infantil e juvenil. Durante dois ou três anos, ali a meio da década, parecia que não havia criança nem adolescente que não tivesse pelo menos uma destas ‘sweats’, normalmente num dos modelos retratados abaixo, embora outros também fossem aceites.

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Uma particularidade a ressalvar é que as ditas camisolas nem sempre eram exactamente iguais; uma podia, por exemplo, ter o texto e desenhos em tons de vermelho e bem gritantes, e outra ter um desenho igual, mas em tons de azul e mais esbatido ou baço. Ainda assim, este era um pormenor de somenos importância para as crianças, para quem eram mais importantes os desenhos ‘fixes’ e o factor ‘cool’ das camisolas - a que, aliás, estas imperfeições e individualidades inclusivamente ajudavam.

Não durou muito, no entanto, o estado de graça da No Fear entre os jovens portugueses; tão depressa quanto tinha surgido, a marca pareceu desaparecer dos pátios das escolas, substituída por outras, como a Quebra-Mar (que, aliás, também aparecerá nesta rubrica mais tarde ou mais cedo.) Ao mesmo tempo, as lojas também passaram a vender uma menor variedade de artigos, e a No Fear retirou-se, discretamente, de cena.

Recentemente, no entanto, a marca parece disposta a alterar o seu destino, tendo artigos da mesma surgido em certas lojas europeias, como a cadeia Sports Direct, do Reino Unido. E apesar deste regresso ter sido fugaz e primado pela discrição, não deixou de constituir uma afirmação por parte da No Fear – de que a marca não tinha morrido, e estava pronta para voltar em força, assim tivesse mercado.

Tal regresso parece, no entanto, improvável – apesar de, no actual mercado obcecado com a estética ‘retro’, a nostalgia e os produtos ‘vintage’, tudo ser possível. Até que um ressurgimento da No Fear tenha, efectivamente, lugar, no entanto, restam-nos as memórias daquelas camisolas ‘brutais’ que usávamos no quinto ano…

O que constitui uma transição perfeita para aquele parágrafo habitual, em que vos perguntamos a vossa opinião e memórias sobre esta marca. Tinham? Gostavam? Deste lado, não tínhamos, mas queríamos desesperadamente (e especificamente) o modelo acima representado com a imagem do buldogue. Nunca chegou a acontecer, infelizmente... E vocês? Têm histórias semelhantes? Façam jus à marca de que aqui se fala, e partilhem Sem Medo!

 

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