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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

17.06.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os anos 90 e 2000 marcaram o período em que as tatuagens extravasaram o seu anterior reduto maioritariamente 'de nicho' e entraram na sociedade mais 'mainstream'. Aquilo que, apenas alguns anos antes, havia sido do domínio quase exclusivo das tribos mais 'alternativas' surgia agora como marca de rebeldia e afirmação pessoal entre os vulgarmente denominados 'betinhos', sobretudo do sexo feminino.

De facto, ao passo que entre os adolescentes masculinos as tatuagens principiavam a surgir alguns anos mais tarde, eram inúmeras as raparigas do secundário que, naqueles anos de viragem de milénio, ostentavam mais ou menos orgulhosamente as suas tatuagens, invariavelmente de um de dois tipos: as populares 'mãozinhas' (ou patinhas) a simbolizar uma pessoa (ou animal) especial, e a 'rainha' das tatuagens da época, o motivo tribal na base das costas, conhecido em inglês como 'tramp stamp'; e apesar de, em Portugal, esse tipo de tatuagem não ter, necessariamente, essa conotação, a verdade é que era o motivo mais popular entre um determinado tipo de jovem – ainda que, em abono da verdade, fosse transversal à maioria das 'demografias' e 'tribos' adolescentes, sendo um daqueles fenómenos capazes de extrapolar quaisquer 'fronteiras' sociais existentes à época.

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'A' tatuagem da virada do milénio

Havia, claro, outros tipos de tatuagem populares entre a 'malta jovem' (o nome em caracteres chineses ou árabes, por exemplo, ganhou significativa popularidade entre os homens alguns anos depois) mas, quando se pensa em tatuagens adolescentes de finais do século XX, não restam quaisquer dúvidas de que são estes os dois exemplos em que imediatamente se pensa – e que talvez, ainda hoje, recordem muitas ex-jovens daquele tempo das 'loucuras' que cometeram na juventude...

04.06.22

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 3 de Junho de 2022.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

A impressão de peças de roupa personalizadas ganhou, no final do Segundo Milénio, considerável popularidade em Portugal. A gradual expansão das tradicionais 'gráficas' e lojas de fotocópias a serviços mais variados, aliada à facilidade em encontrar t-shirts lisas por um preço relativamente acessível – muitas vezes, até, em regime 'multipack' – incentivaram muitos jovens portugueses a criar items de vestuário quer semelhantes aos que se poderiam adquirir nas lojas da especialidade (mas por menos dinheiro) quer mesmo únicos e representativos de uma situação ou vivência específica.

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O princípio era este, mas aplicado a uma 'sweatshirt', e geralmente com várias fotos em montagem

Destes últimos, o exemplo que vem imediatamente à memória são as 'sweatshirts' com montagens fotográficas, largamente favorecidas pelas raparigas adolescentes e pré-adolescentes de finais da década de 90 e inícios da seguinte. Compostas, regra geral, por fotos destinadas a ilustrar ou recordar momentos especiais (como festas de anos, viagens de finalistas, ou até, apenas, um dia ou noite bem passado na companhia das amigas) estas peças de vestuário constituíam autênticas 'molduras vestíveis', e serviam o duplo propósito de recordar o evento em causa e provocar inveja em quem lá não havia estado, sendo relativamente bem-sucedidas em ambas as frentes.

Embora, como atrás referido, tivessem sido bastante populares entre as jovens de uma certa idade durante um período de alguns anos, estas 'sweatshirts' desapareceram algo mais abruptamente do que alguns dos outros artigos de vestuário de que aqui falamos, parecendo ter saído de moda de um ano para o outro, sem deixar rasto; quem alguma vez mandou fazer e vestiu uma destas camisolas, no entanto (ou viu as amigas com elas vestidas) certamente as recordará tão vivamente como qualquer das outras modas noventistas e 'mileniais' abordadas nesta rubrica.

20.05.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Como já por várias vezes referimos nestas mesmas páginas, os anos 90 foram uma das décadas por excelência para modas estranhas e algo incompreensíveis. Por muito que sejam os anos 80 quem detém essa fama no imaginário popular (e com alguma razão, diga-se de passagem), as modas mais extravagantes dessa década eram, sobretudo, as dos jovens adultos; já nos anos 90, eram as crianças e adolescentes quem incorria num 'crime de moda' atrás de outro, dos famosos fatos-de-treino estilo colete de visibilidade às não menos inexplicáveis meias de raquetes, chinelos de piscina de sola preta ou bolsinhas de trocos – isto sem sequer falar nos penteados. E, apesar de a maioria destas modas mais questionáveis se centrarem nos primeiros anos da década, o final dos 'noventas' também não ficaram imunes a tendências bizarras, das calças largas (com t-shirts a condizer) aos artigos de que falamos hoje, as camisolas com mangas falsas, ou duplas.

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Os penteados são tão anos 90 como as próprias camisolas...

Populares nos últimos anos da década, e inícios da seguinte, estas camisolas não têm, ao contrário de muitas das roupas de que aqui falamos, uma origem identificada, sendo daqueles fenómenos surgidos de um dia para o outro, e rapidamente adoptada por toda uma demografia. O objectivo era, claro, fazer parecer que se tinha uma t-shirt por cima de uma camisola fina de mangas compridas – um efeito que era, inclusivamente, reproduzido de forma literal por quem não tinha no armário uma destas peças: e ainda que o efeito visual não fosse tão espalhafatoso como o da maioria das outras tendências atrás referidas, ficava (e fica) ainda assim a pergunta: porquê?

De facto, ao contrário do que acontece com a maioria das outras modas juvenis, tornava-se difícil discernir o objectivo por detrás desta tendência em particular, o que pode explicar a longevidade relativamente curta da mesma, por oposição às suas contemporâneas; sem grande razão de ser, e sem celebridades mediáticas a servirem de porta-voz do estilo, as camisolas de dupla manga não tardaram a dar lugar a outros tipos de artigo, alguns tão ou mais peculiares do que elas. Talvez por isso, hoje em dia, estas camisolas mais não sejam do que uma vaga recordação para a maioria dos ex-jovens dos anos 90 – muitos deles os mesmos que, na altura, desejavam ardentemente ter um artigo deste tipo...

06.05.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Há coisas que não se explicam – e nos anos 90, houve MUITAS coisas que não se explicavam, a maioria delas no mundo da moda. Senão vejamos: foi esta a década dos fatos de treino de cores garridas, das meias de raquetes, das bolsinhas de trocos, e das peças de vestuário de que hoje falamos, os chinelos de praia com sola grossa e bonecos 'anime' na tira.

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Essencialmente isto, mas mais mal feito

Sim, antes de os chinelos deste tipo se tornarem, quase exclusivamente, em imitações mais ou menos bem feitas de modelos da Nike ou Adidas – incluindo-se nessa lista, também, os modelos infantis - os fabricantes de calçado tinham 'rédea solta' para dar largas à imaginação e criar sapatos um pouco mais imaginativos, sobretudo quando direccionados à população mais jovem; e, para muitos desses mesmos produtores, o conceito de 'dar largas à imaginação' passou por criar um 'template' de chinelo, o qual sofria, posteriormente, alterações apenas ligeiras, sobretudo ligadas ao padrão.

Quem foi de uma certa idade na viragem da década de 80 para a seguinte, e frequentou lojas de artigos de praia, certamente tem uma imagem mental bastante clara deste tipo de chinelo: base grossa, em borracha, de cor uniforme (normalmente preto ou azul-escuro) e tira branca decorada com personagens de 'anime', fossem licenciados (por aqui, recorda-se vagamente um modelo com desenhos do Capitão Falcão) ou retirados da imaginação de um qualquer ilustrador. Um sapato declaradamente e desavergonhadamente feio (para além de não ser especialmente barato) mas que explorava, e bem, o fascínio das crianças da época por tudo o que tivesse padrões inspirados em desenhos animados – e que, apesar de não se poder considerar ter sido uma 'febre', ainda era visto com alguma regularidade nos pés de uma determinada demografia da juventude portuguesa.

Felizmente, tal como os outros 'atentados à moda' descritos no início deste post, também estes chinelos acabaram por cair em desuso, ou pelo menos desaparecer das prateleiras das lojas de praia; enquanto existiram na consciência popular, no entanto, não deixaram de se afirmar como mais uma prova cabal de que 'gostos não se discutem', sobretudo os da juventude...

22.04.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Alguns exemplos de penteados bem 'noventistas'.

De entre os muitos identificadores sócio-culturais ligados à aparência utilizados pelas demografias mais jovens, uma das principais é o cabelo. Dos cabelos 'indecentemente' compridos dos primeiros artistas de rock'n'roll (o facto de usarem fatinho de pouco interessava) até às declaradamente contestatárias 'cristas' dos 'punks', passando pelos cabelos longos que são quase imagem de marca de qualquer 'metaleiro', foram (são) muitas as instâncias em que um penteado foi sinónimo de inserção ou pertença a uma 'tribo' social.

Em outros casos, no entanto, os penteados surgem e espalham-se apenas como inexplicável opção estética, quer derivada da 'cópia' de uma celebridade (o famoso 'mohawk' com 'cabelo esparguete' do Cristiano Ronaldo adolescente, por exemplo) quer, apenas, porque 'toda a gente' também tem; e, nesse aspecto, os anos 90 foram pródigos em apresentar ao Mundo estilos 'só porque sim' que percorriam toda a gama entre o ridículo e o sublime.

Os penteados masculinos destacavam-se particularmente neste aspecto, indo desde o cabelo 'à tigela' que 90% dos rapazes da instrução primária tinham (dada a facilidade de executar o referido corte na própria casa de banho lá de casa) às 'farripas' estilo 'boy-band', passando pelo penteado espetado com gel (e potencialmente pintado de louro) característico do movimento alternativo.

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O inconfundível 'cabelo à tigela', talvez o mais popular corte dos anos 90.

Por comparação, as raparigas ficavam-se pelos mais convencionais 'rabos de cavalo' ou pelo cabelo solto, muito em voga na altura, fazendo-se a diferenciação, neste caso, sobretudo pela côr do cabelo, sendo que muitas das jovens mais 'alternativas', uma vez chegadas a adolescentes, punham 'tererés' ou pintavam o cabelo, normalmente de laranja ou vermelho; já as 'betinhas' privilegiavam o corte por baixo das orelhas, ou usavam o cabelo declaradamente comprido, e por vezes com madeixas de outro tom.

Em suma, apesar de não ter contido quaisquer 'horrores' equiparáveis ao 'mullet' ou ao actual 'man-bun' (o 'rabichinho' talvez tenha sido o equivalente mais próximo) a década de 90 foi, ainda assim, berço de muitas opções estético-capilares mais ou menos duvidosas, e variavelmente passíveis de causar embaraço aos seus (agora adultos) ostentadores, sempre que olhem para uma fotografia daqueles tempos...

 

10.04.22

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 08 de Abril de 2022.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já anteriormente aqui se discutiu o impacto que o movimento alternativo - quer na vertente 'rock', quer 'hip-hop' - teve sobre a juventude portuguesa de finais do segundo milénio; e um dos aspectos mais visíveis dessa mesma influência era a forma de vestir, um dos principais identificadores externos do 'estilo' a que se pertencia. E enquanto os 'betinhos' tinham as 'sweats' da Gap, as camisas Sacoor, os pólos de 'rugby', os sapatos de vela, os blusões da Duffy e as calças à boca de sino, os 'dreads' tinham os panamás às florzinhas (aos quais paulatinamente chegaremos), os bonés de equipas desportivas, os ténis Airwalk, as 'sweats' de marcas de surf e skate, e aquela que era literalmente a 'alternativa' às calças à boca de sino: as calças largas.

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Sim, durante um período de dois ou três anos, no final do século XX, um dos items mais desejados pela maioria dos jovens de tendência mais 'alternativa' foram calças de corte propositalmente largo (as bases das pernas tapavam, idealmente, todo o topo dos ténis), cujos bolsos se estendiam quase até aos joelhos (ou à base do rabo, no caso dos bolsos de trás), acomodando sem problemas um 'walkman' ou 'discman', uma consola portátil, ou até algo como um livro, uma barra de chocolate ou uma sanduiche. Fosse na vertente ganga (sempre com as tradicionais costuras brancas, que não deveriam faltar num item deste tipo) fosse no ainda mais popular formato 'chino' (cinzento ou, preferencialmente, bege ou cor de creme), de corte masculino ou feminino, as calças deste tipo eram parte indispensável do vestuário tanto de quem era 'dread', como de quem queria ser; e quem não tinha (e não tinha dinheiro para comprar) um par, 'caçava com gato', isto é, comprava simplesmente um par de calças normal, vários tamanhos acima, e apertava-o na cintura para que servisse. O importante era que o efeito visual fosse o correcto...

Como tantas das peças de que aqui falamos (incluindo o seu indispensável complemento, os ténis de 'skate', e as 'rivais' boca de sino) as calças de formato largo acabaram, com o passar dos anos, por voltar ao seu reduto mais 'de nicho', tanto na sociedade portuguesa, como um pouco por todo o Mundo; quem 'lá esteve', no entanto, não esquece o impacto que essa vestimenta teve numa parte significativa da população jovem nacional da época, para quem era (mais um) elemento-chave de identificação e 'localização' social...

25.03.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Um dos principais aspectos da moda dos anos 90 – para além do seu gosto, muitas vezes, duvidoso – foi a sua compartimentalização, muitas vezes coincidente com o conceito de 'tribos urbanas' que continua, ainda hoje, a dividir a juventude ocidental. Em Portugal, concretamente, existiam as marcas 'de betinhos' - como a Lacoste, Polo Sport, Tommy, Gap, Sacoor, Quebramar ou Duffy, isto sem falar nos clássicos pólos de râguebi ou calças à boca de sino - as de surf, como a Billabong, Ocean Pacific, Body Glove, Scorpion Bay, Quiksilver, Hang Loose, Lightning Bolt ou O'Neill, as de desporto e moda casual (das muito imitadas Reebok, Adidas ou Puma às menos conhecidas Lotto, Umbro, Pony, Fila, Kappa, Sanjo ou Le Coq Sportif) e as alternativas ou 'radicais', normalmente (embora não exclusivamente) associadas ao movimento 'skater'. Dessas, já aqui abordámos, anteriormente, as 'sweats' da No Fear e marcas derivadas, e ainda os ténis Airwalk, acessório quase obrigatório para quem se considerasse (ou quisesse considerar) parte dessa 'tribo' nos anos finais da década; essas estavam, no entanto, longe de ser as únicas marcas que compunham essa sub-categoria da moda infanto-juvenil da época, pelo que, esta Sexta, falaremos de algumas das restantes.

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A Dickies foi uma das muitas marcas a beneficiar da febre do 'skate' dos anos 90

E quem foi, quis ser, ou teve amigos que tenham sido, 'radicais' durante a referida década, bem como a seguinte, certamente já está a recitar uma litania de nomes que remetem directamente para o ensino preparatório e secundário – da Fishbone à Fubu, Etnies, Skechers ou Counter Culture, foram várias as marcas adoptadas pelos jovens de inclinação 'radical' durante essas duas épocas, muitas vezes como forma de emular os seus ídolos, que 'trajavam' de forma semelhante. Até mesmo marcas que não estavam directamente associadas à sub-cultura em causa – como a Dickies, cuja especialidade são roupas de trabalho para profissionais da área dos serviços – acabaram por beneficiar deste fenómeno, tendo gozado de alguns anos de grande popularidade entre o público jovem em geral, e entre os mais 'alternativos' em particular.

Como acontece com a maioria dos temas explorados nestas páginas, no entanto, também a moda dos desportos radicais evoluiu com o passar das décadas, voltando a assumir um carácter mais 'de nicho' do que tinha nos anos 90, em que qualquer mascote de desenho animado que se prezasse era vista em cima de um 'skate' pelo menos uma vez; por consequência, também as marcas associadas a este movimento (e outros igualmente alternativos) se tornaram presença menos comum na sociedade jovem nacional, acabando inevitavelmente por ser substituídas por uma 'nova geração' de logotipos, vestidos pela nova geração de 'skaters' e praticantes de BMX ou patins em linha. Quem fez parte dessa 'tribo' nos anos 90 e 2000, no entanto, terá sem dúvida disfrutado, nestes passados momentos, de uma agradável viagem nostálgica pelas marcas da sua infância e adolescência – e, quiçá, sentido sob os joelhos o atrito do asfalto da rua ou pátio da escola, indicativo de mais uma de muitas quedas...

11.03.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Hoje em dia, comprar roupa remotamente já não é nada de novo; pelo contrário, as lojas online de grandes retalhistas, pequenas lojas independentes em sites como o Etsy, ou até serviços de importação e expedição como a Shein e BooHoo vão-se cada vez mais tornando o método por excelência para adquirir novos artigos de vestuário a preços mais convidativos e com maior variedade do que as lojas tradicionais, e iguais facilidades de troca.

Muito antes de qualquer destes serviços sequer pensar em existir, no entanto, já uma outra companhia multi-nacional inovava e 'disrupcionava' o mundo do comércio de moda, com um esquema muito semelhante ao hoje seguido por estas lojas – com o benefício adicional de os clientes não terem de ir à procura do catálogo, que era automaticamente enviado para a sua caixa do correio duas a três vezes por ano.

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Falamos, claro, da La Redoute, o primeiro contacto que muitos jovens portugueses dos anos 90 tiveram com o conceito de compras à distância. Com um historial cujo início se perde no tempo, a produtora têxtil francesa terá começado por ser uma fábrica de fiação tradicional – sedeada na rua que lhe dá o nome, em Roubaix, no Norte da França – até os elevados volumes de stock terem dado ao fundador Pierre-Joseph Pollet, um ex-agricultor transformado em magnata têxtil, a ideia de vender as suas peças por correspondência, primeiro através de anúncios num jornal local e, mais tarde, mediante a distribuição de um catálogo próprio. O sucesso desta iniciativa ultrapassou quaisquer metas que o fundador pudesse ter delineado, sendo que, quatro décadas depois de Poullet ter tido a sua revolucionária ideia, uma em cada cinco familias francesas comprava artigos La Redoute.

Com tais níveis de popularidade, o próximo passo era óbvio, e passava pela expansão internacional, sendo Portugal um dos países contemplados pela mesma. Surge assim, em 1987, a La Redoute Portugal, parte do grupo de venda à distância Europirâmide, e responsável pela criação e distribuição dquele catálogo que tantas crianças se habituaram a ver na pilha do correio ou mesa de cabeceira de casa, e a folhear para ver o que continha. Com 16 páginas e uma tiragem inicial de 60 mil exemplares, o catálogo foi um sucesso de tal modo retumbante que permitiu à La Redoute Portugal tornar-se sócia maioritária do grupo Europirâmide e, mais tarde, adquiri-lo por completo.

A década seguinte apenas veria exacerbar-se o sucesso da La Redoute Portugal, que lançaria um segundo catálogo especializado em tamanhos grandes e, já no ocaso da década, um cartão de fidelidade próprio, semelhante ao utilizado pela maioria dos supermercados e outras grandes superfícies. Pelo meio ficaria, ainda, uma distinção como melhor empresa comercial portuguesa, em 1993, bem como a retoma integral do catálogo francês (com excepção da secções de móveis e electrodomésticos) em 1997.

Este paradigma manteve-se até aos primeiros anos do novo milénio, sendo que os primeiros cinco viram surgir mais dois catálogos impressos, ao mesmo tempo que a empresa se expandia para as emergentes plataformas 'online'; subsequentemente, já na década de 2010, o clássico e tradicional catálogo seria finalmente extinto, afirmando-se a La Redoute exclusivamente como uma retalhista online, na linha do que vinham fazendo as suas concorrentes directas e indirectas.

Ainda assim, e apesar da sua extinção efectiva, o clássico catálogo da companhia francesa continua vivo nas memórias de toda uma geração de jovens, que o associam a todo um conjunto de memórias da sua infância e adolescência, prolongando assim, senão a sua vida útil, pelo menos a sua vida enquanto artefacto cultural de uma certa época da sociedade portuguesa.

18.02.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As décadas de 90 e 2000 são bem conhecidas como a era em que os desportos radicais, e a respectiva estética, transpuseram o seu estatuto de 'nicho' e encontraram o seu lugar na cultura popular. Do skate ao surf, passando pela BMX – termo que deixou de ser sinónimo com 'bicicletas para miúdos' para passar a designar algo bem mais desejável – foram várias as modalidades pelas quais uma geração inteira de jovens se interessou a ponto de justificar programas de televisão sobre os mesmos.

E porque um movimento nada é sem a respectiva 'farda' oficial, estas duas décadas representaram, também, o auge das vendas 'mainstream' para as marcas associadas aos diferentes desportos, da Dickies, Vans e Airwalk típicas dos 'skaters' ao tema do post de hoje – as várias grifes de 'surfwear' que fizeram furor no mercado português durante esse período.

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Algumas das mais populares marcas de surf dos anos 90 e 2000

Quem cresceu, e especialmente quem foi adolescente, naquele tempo decerto que se lembra deles, e provavelmente vestiu um ou outro artigo de uma ou até de várias; Quiksilver, Rip Curl, O'Neill, Ocean Pacific, Scorpion Bay, Lightning Bolt, Body Glove ou Hang Loose (embora estas últimas em menor escala) eram nomes que qualquer jovem conhecia, sobretudo por as ver na montra de inúmeras lojas de desporto – quer as pequenas de bairro, quer as maiores situadas em 'shoppings' – e lojas especializadas em surf, como as que existiam (e ainda existem) em muitas localidades costeiras portuguesas. Esta omnipresença (que levava a que os artigos das referidas marcas se tornassem visão comum no dia-a-dia) aliada à mística e apelo do surf para a referida geração, tornava estes artigos desejáveis, e uma sweatshirt da Quiksilver ou O'Neill passou a ter praticamente o mesmo valor de uma da Gap ou No Fear na 'bolsa de valores social' existente em qualquer escola do país.

Mais – apesar de terem, entretanto, sido substituídas por outros e novos nomes do mundo da moda jovem, as marcas de surf continuam a ter uma presença (mais ou menos) considerável entre os jovens. Hoje em dia, é a Billabong quem, de todas, leva vantagem, mas uma pesquisa mais apurada não deixará, certamente, de revelar vários produtos de alguns dos outros nomes elencados acima ainda em circulação entre as crianças e jovens. Ainda assim, é inegável que as marcas de surf já não têm, hoje em dia, a expressividade que tiveram junto da geração anterior de jovens, para quem representaram, mais do que simples roupas, símbolos de um modo de vida a que muitos aspiravam, mas poucos conseguiam, verdadeiramente, ter...

 

21.01.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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A Pony é apenas uma das muitas marcas de roupa desportiva dos anos 90 que se encontram, hoje em dia, 'desaparecidas' da cultura popular

Sanjo. Pony. Fila. Le Coq Sportif. Kappa. Todos as conhecemos. Todos as vestimos. Marcas que, não sendo 'topo de gama' do vestuário casual-desportivo dos anos 90, não ficavam ainda assim mal vistas junto das mais conhecidas Adidas, Reebok, Nike ou Puma. Marcas que, infelizmente, se encontram hoje em dia extintas ou em extinção (pelo menos de uma perspectiva sócio-cultural), vivendo portanto, sobretudo, na memória de quem era menos 'mainstream' (ou tinha menos dinheiro) no tocante a comprar roupa de desporto em finais do século XX.

Numa altura em que a variedade dentro do mercado de vestuário pseudo-desportivo é tão pouca que se torna quase aborrecido entrar numa loja do género – porque sabemos que vamos ver Adidas, Nike, New Balance, com sorte ou um outro Converse, e pouco mais – pode parecer difícil acreditar que, há menos de uma geração atrás, as crianças e jovens (em Portugal e não só) tinham uma enorme gama de marcas por onde escolher no momento de adquirir ténis, t-shirts, bonés e outros artigos indispensáveis ao estilo casual-juvenil; e embora, como mencionámos anteriormente, nem todos estes nomes tivessem o mesmo peso, o mais importante era mesmo a marca ser reconhecível, e o artigo ser (ou, pelo menos, passar por) genuíno - ou não fossem os anos 90 a era de ouro do vestuário de contrafacção; reunidas estas condições, e salvo raras e honrosas excepções, a maioria das marcas seria bem aceite junto de um grupo de determinada idade.

No entanto, à medida que os anos avançavam, e o segundo milénio dava lugar ao terceiro, a maioria destas marcas foram, lentamente, desaparecendo da consciência popular, juntando-se a nomes de outros quadrantes, como a No Fear e a Quebramar, no grande e constantemente renovado cemitério das 'cenas da infância' - mesmo quando, como no caso da Pony, continuavam a constituir uma referência dentro de um determinado nicho (no caso, o basquetebol profissional.) Cabe, portanto, hoje a blogs como o nosso a missão de manter viva a memória destas marcas 'menores', mas que todos tínhamos no armário naqueles tempos já distantes...

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