01.03.26
NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 e Sábado, 28 de Fevereiro de 2026.
Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.
As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
Numa era em que o 'fast fashion' e as cadeias de centro comercial se confundem com o próprio mercado da moda e vestuário em geral, pode parecer difícil acreditar (ou recordar) que, há meras três décadas, o conceito de roupas de qualidade mediana, vendidas a preços acessíveis e numa perspectiva mais 'descartável' e de menor durabilidade era conceito inaudito em Portugal. No entanto, se considerarmos a tradição têxtil e comercial do País, tal facto revela-se tudo menos surpreendente, já que, em finais do século XX, os comerciantes de vestuário lusitanos apostavam ainda na comprovada qualidade dos seus artigos como principal diferencial de vendas, indo ao encontro do que os próprios clientes da época procuravam e valorizavam no tocante a peças de roupa. No início daquela última década do século XX, no entanto, entraria no mercado português uma das primeiras cadeias a começar a mudar este paradigma, e que, contra todas as expectativas e tendências, continua até hoje a marcar presença em território nacional, três décadas e meia após a abertura da primeira loja e largos anos depois do desaparecimento de muitas das suas contemporâneas.

Falamos da holandesa C&A (iniciais dos dois irmãos fundadores, Clement e August) a qual, em 1991, se aventurava pela primeira vez no mercado luso, já depois de se ter estabelecido um pouco por toda a Europa, e ao mesmo tempo que expandia o negócio para diversas outras partes do Mundo. A primeira loja em Portugal surgiria no icónico (embora entretanto algo 'esquecido') CascaiShopping - à época uma 'porta de entrada' no mercado português para diversas multinacionais, e que veria também surgir, poucos anos depois, o primeiro McDonald's em território nacional – base a partir da qual a marca expandiria horizontes, chegando a ter quase três dezenas de lojas um pouco por todo o País, tal como sucedia em outras partes da Europa e do Mundo.
Visual actual da primeira loja da cadeia em Portugal, no CascaiShopping.
Tal como aconteceria nesses ercados, no entanto, também a C&A portuguesa sofreria uma contracção, embora não tão séria ou impactante quanto no país vizinho, por exemplo; apesar dessa forçada redução no número de lojas, no entanto (derivada de mudanças ao nível do mercado de vestuário, entre outras condicionantes) a cadeia logrou manter a presença no sector, contando hoje ainda com mais de duas dezenas e meia de lojas, incluindo várias em grandes superfícies de monta, como o 'shopping' Vasco da Gama, em Lisboa. Por quanto mais tempo durará esta 'missão de sobrevivência', apenas o tempo dirá; nos entrementes, no entanto, é legítimo celebrar a marca de três décadas e meia de actividade de uma loja que, sem nunca constar entre as grandes aglutinadoras de público, foi ainda assim pioneira do vestuário mais 'em conta' em território nacional, e logrou manter-se 'à tona' por entre os diversos tumultos do sector, e estabelecer-se definitivamente num mercado, à época, pouco convidativo para o produto que oferecia.








