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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.11.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os meados de Novembro marcam, no calendário de muito boa gente – e, certamente, da maioria das empresas e estabelecimentos de comércio – o início da época natalícia. As iluminações, armadas e colocadas nos respectivos lugares desde há pelo menos seis semanas, são finalmente acesas; os supermercados inserem uma série de temas natalícios nas suas 'playlists' musicais; o comércio de rua toma a liberdade de começar a decorar as montras com Pais Natais, árvores decoradas e desenhos de flocos de neve; e milhares de ex-crianças dos anos 90 começam a tentar prever em que data passará na televisão o 'Sozinho em Casa'.

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Uma imagem que está indelevelmente gravada na memória de todos nós.

Um dos três filmes de Natal inescapáveis em Portugal – ao lado de 'Mary Poppins' e 'Música no Coração', sendo, nos últimos anos, também provável que alguma emissora exiba um dos filmes da série 'Shrek' – 'Sozinho em Casa' é uma das obras cinematográficas mais imediatamente associadas a esta época do ano por qualquer pessoa que fosse da idade certa quando o mesmo estrou nos cinemas de todo o Mundo há quase exactamente trinta e um anos, a 16 de Novembro de 1990. E ainda que a constante e quase anual repetição do filme nos diversos canais da TV portuguesa tenha contribuído para reduzir significativamente a boa-vontade exibida por essa mesma geração em relação ao filme, a verdade é que também há pouco quem se oponha a ver o filme ainda mais uma vez...

Vendo bem, em retrospectiva, era inevitável que 'Sozinho em Casa' fizesse sucesso entre o público-alvo da altura, que não podia deixar de se rever no protagonista Kevin McAllister, interpretado por um rapazinho de nove anos que se viria em anos subsequentes a tornar um dos principais actores juvenis de Hollywood – o inconfundível Macaulay Culkin, cuja cara seria em breve objecto de capa de revistas infanto-juvenis como a Super Jovem, sempre acompanhada do icónico 'pullover' castanho-avermelhado envergado por Kevin durante a grande maioria da hora e 45 do filme. Quanto ao realizador Chris Columbus, vir-se-ia também a tornar uma estrela por direito próprio, tendo o seu segundo momento de glória surgido quase exactamente uma década após o primeiro, quando foi seleccionado para realizar as primeiras duas adaptações cinematográficas da estratosférica saga 'Harry Potter'.

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Macaulay Culkin, então e agora

E se a carreira do seu actor principal viria eventualmente a descarrilar, levando Culkin a afastar-se do mundo do cinema durante quase vinte anos, o legado do filme em si sobreviveria, tanto por culpa das repetições constantes como parte da programação natalícia de canais de televisão em todo o Mundo, como por mérito próprio do seu guião, assumidamente 'pastelão' a pontos de se assemelhar a um desenho animado de acção real, mas ao mesmo tempo alicerçado numa situação realista q.b., e tão excitante quanto aterrorizante para o seu público-alvo – ser esquecido pelos pais aquando de uma viagem, e ter que defender a sua casa contra assaltantes. Junte-se a isto uma pitada de sentimentalismo, sem exageros, e muitos, muitos momentos memoráveis (encabeçadas pela impagável cena do 'after-shave' e pelo icónico 'keep the change, ya filthy animal!') e está encontrada a receita perfeita para o maior filme de Natal do ano – ou, no caso de Sozinho em Casa, um dos maiores filmes do ano, ponto (ao que também ajudou o facto de a proposta da Disney para esse Natal ser 'Bernardo e Bianca na Cangurulândia', um dos filmes menos lembrados da safra anos 90 da companhia.) 

Méritos à parte, o facto é que Sozinho em Casa foi um estrondoso sucesso (só por aqui, foram CINCO as idas ao cinema para ver o filme!), tendo não só justificado, à época, a inevitável sequela (por sinal muito abaixo do nível do original) como também dado origem, anos mais tarde, a um inenarrável 'franchise' de lançamentos 'direct-to-video', já sem o envolvimento de qualquer membro da equipa original (Columbus só não sentirá vergonha destes filmes porque deve receber 'royalties' relativas aos mesmos), e com orçamentos significativamente mais reduzidos. Isto sem esquecer o 'remake' recém-estreado no canal Disney +, agora com um jovem britânico (Archie Yates, de 'Jojo Rabbit') inexplicavelmente residente nos EUA, no papel outrora interpretado pelo americaníssimo Culkin. MV5BNDI1MzM0Y2YtYmIyMS00ODE3LTlhZjEtZTUyNmEzMTNhZW

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A primeira regra das sequelas de 'Sozinho em Casa' é que não se fala das sequelas de 'Sozinho em Casa'...

Pelo caminho, o filme original foi também indelevelmente incorporado na cultura 'pop' (na Primark britânica podiam, há uns anos, encontrar-se 'pullovers' de Natal com a legenda 'Merry Christmas, you filthy animal!') a um ponto que tornava inevitável que o seu aniversário fosse celebrado, e lhe fossem dadas honras de abertura da época natalícia, neste nosso blog nostálgico. Chegou, pois, oficialmente a altura de começar a consultar as grelhas de programação dos diversos canais (vai passar ALGURES. Todos sabemos que vai passar ALGURES!) e a 'arrumar' a agenda para, no momento certo, podermos estar à frente da televisão a ver o gorro de Joe Pesci a pegar fogo e Daniel Stern a apanhar com a bola de bólingue na cabeça pela 6,427,139ª vez... Feliz Natal, seus animais!

05.11.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Desde a estreia do primeiro filme, há já mais de quarenta anos, que a saga 'Guerra nas Estrelas' tem sido uma das mais duradouras e populares propriedades intelectuais na área do cinema de longa-metragem; de facto, os filmes de George Lucas são tão populares que, mesmo quando não há qualquer novo filme (ou, agora, série) em estreia, nunca cessam de haver no mercado novos produtos alusivos ao 'franchise' 'Star Wars', sejam eles livros, jogos de computador, brinquedos, vestuário ou até items mais insólitos, como alimentos.

Escusado será dizer que os anos 90 não foram excepção a esta regra, tendo esta mesma década visto serem relançados os (então únicos) três filmes da saga, com novos efeitos e cenas (a primeira de muitas decisões controversas que Lucas viria a tomar nos anos seguintes), o que por sua vez deu azo ao aparecimento de toda uma nova leva de 'merchandising', incluindo a inevitável colecção de cromos da responsabilidade da Panini, alusiva à trilogia original.

O verdadeiro evento da década para fãs da série deu-se, no entanto, já ao cair do pano, com o lançamento de um novíssimo filme da série, que representava, simultaneamente, o regresso da mesma aos cinemas após um interregno de mais de quinze anos e um novo início – o VERDADEIRO início, segundo o próprio realizador – para as aventuras galácticas criadas por George Lucas.

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Isto porque 'Episódio I – A Ameaça Fantasma' (lançado nos EUA em Maio de 1999 e que chegava a Portugal cinco meses depois, em Outubro) se posicionava como uma prequela aos filmes saídos duas décadas antes – um conceito, à época, ainda relativamente desconhecido, mas que 'Ameaça Fantasma' viria a tornar economicamente viável em décadas vindouras. Traduzido em miúdos, o filme procurava recuar no tempo em relação aos episódios originais, e contar a história de como uma inocente criança loira de um planeta do fim do Mundo se viria a tornar o sádico imperador supremo de toda uma galáxia; uma ideia, na prática, excelente, e que levaria os níveis de entusiasmo pelo filme aos píncaros (imaginem a reacção aos últimos filmes dos 'Vingadores', mas num ambiente pré-Net 2.0, em que as imagens e notícias eram muito mais raras e menos facilmente acessíveis) , com muita gente pelo Mundo fora a 'baldar-se' ao trabalho ou à escola para estar presente nas primeiras sessões.

Com todo este entusiasmo gerado à sua volta, não foi de surpreender que o filme tivesse ficado aquém das expectativas dos fãs; surpreendente, mesmo, só a quantidade de ódio destilada pelos mesmos contra esta película, que durante décadas foi – e, até certo ponto, continua a ser – objecto de chacota, e considerado dos piores filmes alguma vez feitos. Uma opinião obviamente exagerada, e em grande parte motivada pela presença do personagem Jar Jar Binks, um óbvio e irritante 'comic relief' destinado a fazer rir o público-alvo do filme – as crianças.

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O principal responsável pela violenta recepção ao filme à época de lançamento

Sim, a grande pecha de 'Ameaça Fantasma' é mesmo ser, declaradamente, um filme para crianças, em vez de oferecer uma experiência adequada a todas as idades, como era o caso com os filmes originais. Do herói pré-adolescente – interpretado pelo supremamente irritante Jake Lloyd – ao referido personagem cómico, passando pela falta de violência explícita, tudo parece apontar a um público-alvo imberbe – tudo, isto é, menos o próprio guião, que trata de temas tão interessantes como a política financeira de uma galáxia fictícia...

Ainda assim, se visto sem quaisquer expectativas e tomado pelo que é, sem mais, 'Ameaça Fantasma' não é um mau filme, e serve como distracção para uma tarde em casa sem muito que fazer. O filme que relançou a saga não é, obviamente, nem de longe tão bom quanto os que o precederam (e alguns dos que lhe sucederam), mas também não é o pior filme com 'Star Wars' no nome – essa distinção continua a pertencer ao Episódio seguinte da saga; a reacção vitriólica que recebeu, e continua a receber, um pouco por todo o Mundo alicerça-se, sobretudo, na excitação que o seu lançamento gerou junto dos fãs. Quanto a nós, não podíamos deixar passar em branco um dos maiores acontecimentos cinematográficos da década a que este blog diz respeito, fosse ele uma obra-prima imortal ou – como acabou por suceder – apenas mais um 'blockbuster' com demasiado 'hype'...

29.10.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E porque entramos agora em fim-de-semana de Halloween (e apesar desta data não ter qualquer tradição em Portugal) nada melhor do que recordar alguns dos principais filmes para crianças dos anos 90 cuja temática envolve bruxas, monstros e outros seres afins.

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E começamos, desde logo, por um filme que se passa, precisamente, na data em causa; trata-se de 'Hocus Pocus', uma produção da Disney datada de 1993, e que tem estatuto de culto um pouco por todo o Mundo. Com uma estética típica dos filmes de fantasia infantis da época, cheia de cores como o roxo e o verde, a longa-metragem segue a demanda de três irmãs bruxas para conseguir levar a cabo um feitiço que as faça ficar para sempre jovens – pretendendo para isso sugar as energias vitais das crianças que saíram à rua para celebrar o Halloween! Cabe, portanto, a três dessas mesmas crianças travá-las antes que levem a cabo o seu pérfido desiderato...

Em tudo bem típico da época em que foi produzido, este é um filme que tem de ter sido visto em criança para gerar qualquer tipo de culto, já que da perspectiva de um adulto (pelo menos um adulto do sexo masculino) não passa de uma maneira razoável de passar 90 minutos, sem mais. Ainda assim, quem viu em criança certamente terá ficado colado ao ecrã, maravilhado com os efeitos especiais e entretido com os diálogos entre as bruxas, e das mesmas com as crianças. Quem tiver filhos pequenos tem bem pior para lhes mostrar neste fim-de-semana assustador do que este filme divertido e inofensivo.

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Outra boa opção – talvez até melhor do que 'Hocus Pocus' - é 'As Bruxas', baseado no livro do mesmo nome, da autoria de Roald Dahl. Alvo de um 'remake' algo frouxo (excepção feita à sempre magnífica Anne Hathaway) o filme segue a epopeia de dois rapazinhos transformados em ratos pela chefe de todas as bruxas (Anjelica Huston) após descobrirem, por acidente, que o hotel onde passam férias é palco de uma convenção das ditas-cujas.

Com cenas verdadeiramente assustadoras para o público-alvo (este é daqueles filmes para crianças dos anos 90 que não faz quaisquer concessões ao politicamente correcto) trata-se de um filme que retrata fielmente o (já de si excelente) material em que se baseia, e que merecia ser mais reconhecido e lembrado entre os cinéfilos nostálgicos.

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E por falar em Anjelica Huston, não podíamos escrever um post deste tipo sem mencionar um dos 'franchises' cinematográficos mais populares do início dos anos 90, a Família Addams, cujos dois filmes fizeram, à época, sucesso no nosso país. Centrados numa família de monstros, e nas suas tentativas de manter vivas as suas tradições no Mundo moderno, tanto 'A Família Addams', de 1991, como a sequela, lançada dois anos depois, são filmes bem divertidos para toda a família, e alicerçados em excelentes interpretações de Guston, do saudoso Raul Julia, da futura estrela Christina Ricci e de um Christopher Lloyd em papel duplo, como o filho da vilã e como o irmão do patriarca Gomez, Fester, aqui num visual verdadeiramente marcante, careca e de maquiagem branca. Dois filmes bem divertidos para ver em família no Halloween.

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Quem tiver filhos mais crescidos, ou achar que os mesmos aguentam algo um pouco menos inocente, tem também uma excelente opção em 'A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça' (1999), um dos melhores frutos da parceria entre Johnny Depp e Tim Burton, que se baseia na história de Washington Irving, e assenta numa atmosfera verdadeiramente fantasmagórica e em excelentes interpretações de Depp, Christopher Walken e Christina Ricci, que se vinha por esta altura transformando numa 'scream queen' para o público intelectual; já quem quiser algo para ver e 'desligar o cérebro', pode apostar em 'Halloween H20', a celebração de vinte anos do mítico 'franchise' de terror iniciado por John Carpenter e que marca o regresso de Jamie Lee Curtis à série, aqui como uma versão adulta da sua personagem (papel que, aliás, viria a retomar dez anos depois, no filme que marcaria o trigésimo aniversário do 'franchise'.)

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Qualquer que seja a opção tomada em termos cinéfilos, no entanto, uma coisa é certa: qualquer destes filmes se deverá afirmar ideal para ajudar os nostálgicos da 'geração rasca' e respectivos filhos a entrar no espirito do Halloween, ao estilo dos anos 90 – mesmo que, por essa altura, tal celebração ainda não existisse em Portugal...

08.10.21

Hoje, a nossa Sessão não vai recordar qualquer filme nostálgico, mas sim dar a conhecer uma série de filmes modernos cuja temática certamente não deixará de interessar aos leitores deste blog.

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Trata-se da saga ‘Rouronin Kenshin’, uma adaptação em imagem real do nosso bem conhecido (e querido) ‘Samurai X’, produzida e lançada pela Netflix e que se estende, até agora, ao longo de cinco de filmes, ao longo dos quais podemos seguir todo o percurso de Kenshin Himura, desde os seus inícios como assassino profissional até à época da sua vida retratada no ‘anime’ original. E embora os personagens não falem com as icónicas vozes da dobragem portuguesa, e nem todos os elementos estejam cem por cento correctos ou bem conseguidos – é estranho, por exemplo, ver Kenshin de cabelo preto, embora o penteado em si esteja perfeitamente retratado – não deixa de ser uma boa aposta para quem era fã do mítico ‘anime’ e quer travar conhecimento com uma nova versão dos seus heróis de infância. Recomenda-se é que reservem algum tempo para o fazer, pois cada um dos filmes dura perto de duas horas e meia…

Ainda assim, fica a dica, para quem quiser fazer uma ‘maratona’ de Netflix e não souber o que ver!

11.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Embora os portugueses nascidos nos anos 70, 80 e 90 tenham experienciado um sem-número de filmes marcantes durante a sua infância e adolescência, poucos destes foram feitos dentro de portas. O cinema português tem, desde há muito, a reputação de ser ‘chato’ e algo pretensioso, características que nunca agradaram ao público mais jovem, pelo que não se afigura de todo surpreendente que o português médio que tenha vivido a infância durante aqueles anos não consiga nomear sequer um filme nacional que tenham visto durante esse período.

Mesmo entre aqueles que se lembram, a escolha será, por força, limitada – tirando aqueles filmes ‘importantes’ que éramos mais ou menos obrigados a ver, fosse na escola ou em casa, talvez o único título verdadeiramente memorável seja aquele de que se fala no post de hoje, até por ser explicitamente dirigido a um público juvenil.

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Trata-se de ‘Zona J’, um telefilme de 1998 produzido pela SIC, e que viria a arrecadar dois Globos de Ouro na cerimónia promovida pela estação de Carnaxide no ano seguinte - e, interesses à parte, pode dizer-se que esses prémios até foram bem merecidos. De facto, com o seu argumento socialmente engajado, centrado sobre um bairro problemático (no caso, a Zona homónima de Lisboa) e os adolescentes que nele procuram, bem ou mal, sobreviver, o filme afirma-se como um precursor português de ‘Cidade de Deus’, a mega-popular película de 2002 ambientada nas favelas brasileiras – ou, se preferirmos, como um sucessor do também popular ‘La Haine’, de 1995, que tratava da mesma temática, mas em relação aos bairros de banlieue franceses. Junte-se a essa temática de interesse directo para os jovens o facto de o filme ter passado na SIC – à época, talvez a mais popular das estações de televisão portuguesas – e não é de admirar que, se houver um filme de que os jovens portugueses da altura verdadeiramente se lembrem, seja este.

Mais – a longevidade do filme não se ficou por aquele período de sensivelmente um ano entre a estreia e a premiação nos Globos de Ouro; isto porque o mesmo seria incluído, já no século e milénio seguintes, na também icónica ‘Série Y’, a colecção de filmes mais ou menos ‘artsy’ lançada pelo jornal Público e que apresentou a muitos jovens filmes de culto, que de outra forma talvez não vissem. Um desses filmes foi, precisamente, ‘Zona J’, que voltou assim a ganhar exposição, salvando-se do esquecimento a que a maioria dos filmes portugueses, e particularmente os telefilmes, costumam ficar votados.

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Capa do lançamento em DVD do filme promovido pelo jornal 'Público'

Se merece ou não essa distinção, quase um quarto de século após o seu lançamento, fica ao critério de cada um – aliás, vejam o filme completo abaixo e tirem as vossas próprias conclusões. Independentemente das opiniões, no entanto, a verdade é que o filme de Leonel Vieira conseguiu conquistar o seu espaço no panteão do cinema português, e, por se tratar um produto nacional de inegável relevância e pertinência para os jovens portugueses daquele tempo, merece bem a chamada nas páginas deste blog…

 

 

30.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Corria o ano de 1999. A histeria sobre o chamado ‘Millennium Bug’ estava ao rubro, e toda a gente estava preparade para ficar sem computadores às doze badaladas da meia-noite do 1 de Janeiro seguinte (embora ninguém soubesse ao certo em que fuso horário é que a maldição se aplicaria.) 2021 era o future longínquo, e ninguém fazia ideia de como e quanto o Mundo estaria a ponto de mudar, no espaço de pouco mais de dois anos.

Era este o panorama, não só em Portugal como um pouco por toda a sociedade ocidental, quando um dos maiores filmes-evento daquela década – e da seguinte – chegava aos cinemas. Com estreia em Portugal na última Primavera do século XX, esta co-produção australiana e norte-americana trazia como cabeça de cartaz o enigmático Keanu Reeves, tão conhecido pelos seus dotes cómicos na duologia ‘Bill e Ted’, como pelo seu convincente desempenho como herói de acção em ‘Speed – Velocidade Terminal’ ou o seu trabalho com realizadores de enorme renome, como Francis Ford Coppolla ou Bernardo Bertolucci. Neste novo filme, que se inseria no campo da ficção científica, era-lhe pedido que encarnasse uma variação do habitual ‘Escolhido’ – um programador informático que descobre que o Mundo em que vive é uma ilusão, que a verdadeira realidade se encontra ameaçada, e que só ele a pode salvar…

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Falamos, é claro, de ‘Matrix’, um filme revolucionário à época e que, desde então, se instalou confortavelmente no seio da cultura ‘pop’ contemporânea; tanto assim que os seus momentos mais marcantes e memoráveis – o contorcionismo em câmara lenta, a câmara rotativa com ‘freeze frame’ incluído, as pílulas vermelha e azul, a exclamação ‘Whoa’ – informaram desde referências em filmes de comédia como ‘Shrek’, até técnicas de filmagem em filmes mais do que sérios, como ‘O Tigre e o Dragão’, e mesmo nomes de comunicades cibernéticas de ideologia duvidosa, como The Red Pill. Por meio a toda esta influência e omnipresença, no entanto, há um factor que tende a ser esquecido: Matrix era, na verdade, um excelente filme, que merece em pleno a notabilidade que obteve.

A cena original de câmara lenta de 'Matrix', e as muitas homenagens que inspirou

De facto, antes de as sequelas e outras adendas à mitologia da série a estragarem completamente, 'Matrix' era uma das propriedades intelectuais mais entusiasmantes daquele final de século. Toda a gente tinha visto, toda a gente comentava, e toda a gente aguardava com impaciência as anunciadas sequelas, que trariam o Anderson de Reeves já plenamente integrado na sua nova identidade como Neo, salvador da sociedade distópica em que agora reside. Como infelizmente se viria a constatar, tal entusiasmo era infundado; à altura da estreia do ‘Matrix’ original, no entanto, ninguém o poderia adivinhar, sendo a qualidade do primeiro filme mais do que justificativa do ‘hype’ que se gerara - e do qual Portugal não ficava, de todo, isento.

Efectivamente, quem era da idade certa para ter interesse neste blog certamente se lembrará da excitação causada pelo anúncio de ‘Matrix’, e da reacção entusiástica ao filme propriamente dito. Na era pré-‘Ameaça Fantasma’, ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Harry Potter’, e dez anos antes da formação oficial do ‘Universo Cinematográfico Marvel’, ‘Matrix’ era o maior evento cinematográfico entre a juventude desde ‘A Máscara’, senão mesmo ‘Parque Jurássico’. E o melhor era que, conforme indicado, esse estatuto era mais que merecido. De facto, recomenda-se que quem não tenha visto o filme desde essa altura experimente revisitá-lo; certamente não deixará de se surpreender com o quão bem o mesmo envelheceu nas mais de duas décadas desde a estreia. De facto, a surpresa pode ser tal que vos leve mesmo a exclamar...

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17.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 16 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

 

E porque esta semana marca a estreia da sequela de Space Jam - com LeBron James no lugar do seu homólogo dos anos 90, Michael Jordan – nada melhor do que dedicar algumas linhas a recordar o original, estreado há quase exactamente vinte e cinco anos (em Novembro de 1996) e que conseguiu a proeza de se manter popular e relevante desde essa altura, justificando o investimento numa sequela, mesmo tantos anos depois.

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Essa popularidade continuada é – pelo menos para a geração que era da idade certa aquando da estreia do filme – bastante fácil de explicar; afinal, só quem viveu aquele momento da História consegue perceber o quão atrativa era a ideia de ter Michael Jordan e Bugs Bunny a contracenar no mesmo filme. Aquela que foi a primeira ‘mega-estrela’ do basquetebol norte-americano estava em plena alta de popularidade, graças às suas inacreditáveis exibições ao comando da ‘Dream Team’ dos Bulls e da Selecção Nacional norte-americana, enquanto o líder dos Looney Tunes é daquelas figuras perpetuamente populares entre os fãs de desenhos animados, muito graças às frequentes repetições das suas clássicas ‘curtas’ em canais de televisão por esse Mundo fora; assim, juntar os dois numa mesma produção tinha tudo para dar certo. E deu.

A história de Space Jam é, objectivamente, algo parva; uma raça de ‘aliens’ pretende raptar os Looney Tunes para os usar como atracção principal no seu parque de diversões espacial, e a ‘troupe’ animada decide confundi-los, apostando a sua liberdade num jogo de basquete, um conceito perfeitamente desconhecido para os pequenos seres espaciais (os quais não primam pela proeza física, assemelhando-se, mais do que nada, a pequenas lagartas de olhos grandes.) Um plano que teria tudo para dar certo – não fora o facto de os extraterrestres conseguirem roubar os talentos de alguns dos principais jogadores da NBA, com os quais se transformam em literais ‘monstros de esteròides’, bem maiores e mais poderosos do que os Tunes. A última esperança para Bugs Bunny e companhia – aqui aumentada com a adição da recém-chegada ‘craque’ e futura namorada de Bugs, Lola Bunny - reside, pois, numa ex-super-estrela do desporto, a qual se havia retirado do basquete para se dedicar ao beisebol – Michael Jordan, claro. Um rapto bem 'animado’ mais tarde, o prodígio dos Chicago Bulls vê-se convertido em capitão da auto-intitulada TuneSquad, e envolvido num desafio em que, por uma vez na sua carreira, não é favorito…

Uma premissa algo tola, portanto, e que serve, mais que nada, de pretexto para juntar as duas ‘estrelas’ do filme – bem como vários dos mais conhecidos jogadores da NBA à época, de Muggsy Bogues a Charles Barkley, Patrick Ewing, Shawn Bradley e Larry Johnson, os quais alinham numa bem-humorada sátira ao seu próprio estatuto, fingindo ter perdido as suas habilidades e ‘desaprendido’ a jogar basquetebol. ‘Space Jam’ conta, ainda, com Bill Murray, Theresa Randle e Wayne Knight em papéis de apoio, dando ao filme um elenco de luxo, bem acima do que seria expectável para uma produção deste tipo.

A intenção de criar algo que respeitasse o público-alvo não se fica, no entanto, pelo elenco e interpretações; apesar do argumento algo tonto, o filme conta com uma excelente banda sonora (a começar pelo tema-título, e passando pelo entretanto infame ‘I Believe I Can Fly’, de R. Kelly) e tem o cuidado de retratar os Looney Tunes exactamente como os conhecemos, sem quaisquer concessões ao politicamente correcto – tirando, talvez, o facto de Bugs Bunny nunca se vestir de mulher. De resto, e apesar do novo ‘look’ assistido por CGI, a turma animada aparece igual a si própria, com muitas ‘gags’ absurdas (incluindo uma no famoso lance final do jogo decisivo) e literalmente explosivas, assegurando que – ao contrário do infame filme de Tom e Jerry, lançado alguns anos antes – quem conhecesse os Looney Tunes não sairia defraudado do cinema.

As cenas de jogo contêm muitas das melhores 'gags' do filme

O resultado foi, previsivelmente, um sucesso de bilheteira, que reavivou o interesse nos Looney Tunes, e justificou o lançamento de vários novos produtos alusivos a Bugs e companhia, agora, previsivelmente, com o seu novo ‘look’ e equipados à basquetebol; entre os mais memoráveis encontravam-se um jogo para PlayStation (basicamente um 'NBA Jam', mas com os Looney Tunes no lugar dos jogadores cabeçudos) e o relançamento, em formato VHS, de vários episódios clássicos de cada um dos principais personagens, com uma nova dobragem em português, sob a denominação ‘Estrelas do Space Jam’.

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Um volume da colecção 'Estrelas do Space Jam', focada no personagem de Marvin, o Marciano

Nada de muito surpreendente – não fosse o facto de o ‘merchandise’ alusivo ao filme ter continuado a vender (e bem) durante as duas décadas seguintes (ainda em 2018-2019, o Primark lançava uma t-shirt alusiva ao filme, destinada a um público-alvo que mal era nascido quando o filme estreou!) Um caso de popularidade apenas explicável pelo facto de este filme aparentemente menor ter sido passado de irmãos para irmãos e de pais para filhos, beneficiando da nostalgia prevalente pela década de 1990 para se manter ‘nas bocas do povo’.

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T-shirt alusiva ao filme, lançada pela Primark mais de uma década após a estreia do mesmo

Seja qual for o motivo por detrás da intemporalidade de um filme que, teoricamente, só funcionaria no contexto específico em que foi lançado, a verdade é que ‘Space Jam’ a merece – por muito que a Internet queira fazer dele ‘bombo de festa’, a verdade é que se continua a tratar de uma excelente obra para toda a família, com muita diversão, momentos memoráveis, uma boa mensagem, e aquele tipo de violência animada que nunca sai de moda, por muito politicamente correcto que o Mundo se torne. Seria uma pena, portanto, se a recém-estreada sequela destruísse o consenso que o original ainda hoje consegue reunir – embora, a julgar pelas primeiras críticas, seja exactamente isso que se vá passar. Resta o consolo de, pelo menos, ainda termos o original para nos relembrar de que, na verdade, esta fórmula pode ser executada, mais do que correctamente, com louvor e distinção. ‘COME ON AND SLAM! AND WELCOME TO THE JAM!’

 

04.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E porque se celebra, este fim-de-semana, o famoso Dia da Independência norte-americano, nada melhor do que recordar o filme que colocou essa data (ainda mais) nas bocas do resto do Mundo – Portugal incluído – e que foi lançado há quase exactamente 25 anos, a 3 de Julho de 1996.

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Falamos de ‘O Dia da Independência’, o filme-evento realizado por Roland Emmerich que transformou Will Smith de actor de ‘sitcom’ em herói de acção, com resultados surpreendentemente convincentes.

Não que Smith fosse a única ‘estrela da companhia’ – longe disso. Além do eterno ‘Príncipe de Bel-Air’, o elenco reunido por Emmerich contava ainda com Jeff Goldblum, Bill Pullman, Randy Quaid ou Harvey Fierstein, entre outros – isto, claro, sem falar do verdadeiro centro das atenções: os efeitos especiais.

De facto, ‘O Dia da Independência’ é quase mais um espectáculo visual do que um filme; ainda que as prestações dos principais actores sejam fortes, a história é o típico exagero absurdo característico deste tipo de produção, e que fornece bastas oportunidades para Emmerich e companhia utilizarem efeitos de computador absurdamente avançados para a época. Sejam as naves dos extraterrestres ou as habituais explosões, há (havia) muito com o que ficar de boca aberta nas quase duas horas e meia de duração do filme (também aqui Emmerich foi visionário, afirmando-se como precursor da tendência para filmes mais longos do que a média que se verificaria alguns anos depois.)

Os efeitos visuais do filme eram nada menos do que impressionantes, e extremamente avançado para a época.

O resultado foi um sucesso absoluto de bilheteira, tendo-se ‘O Dia da Independência’ tornado o filme mais lucrativo do ano, e o segundo mais lucrativo de sempre até então, apenas atrás do outro grande filme-evento da década, o ainda mais nostálgico ‘Parque Jurássico’. E apesar de essa marca ter sido, desde então, largamente ultrapassada (basta recordar os absurdos números de bilheteira de ‘Vingadores: Endgame’), a verdade é que ‘O Dia da Independência’ conseguiu manter-se marcante e relevante o suficiente para justificar uma sequela celebratória das suas duas décadas de vida, lançada em finais de Junho de 2016; o impacto desta última esteve, no entanto, longe do conseguido pelo seu precursor, um filme-espectáculo numa época em que os mesmos ainda eram a excepção, e não a regra. Nada melhor, portanto, do que celebrar o 25º aniversário deste marco do cinema dos anos 90 relembrando o furor que o mesmo causou à época…

19.06.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 18 de Junho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

 O futebol não é, exactamente, uma temática muito comum em filmes de longa-metragem. Em parte, tal deve-se ao facto de a maioria deles ser produzida nos Estados Unidos, onde o ‘soccer’ é visto como uma coisa mais de crianças (e de nicho) e onde ‘football’ designa um desporto completamente diferente; não é, portanto, de surpreender que eles prefiram falar do ‘football’ ‘deles’ do que do ‘nosso’,

O que é mais surpreendente é terem, também, havido tão poucos filmes europeus sobre aquele que é o desporto mais popular do Velho Continente. O novo milénio contribuiu para a ‘causa’ com a trilogia ‘Goal’, e houve um ou outro filme independente sobre o tema, mas em geral, a referência do género continua a ser americana, e tem já cerca de cinco décadas (‘Fuga Para a Vitória’, que nem sequer é verdadeiramente um filme ‘de futebol’).

A situação agrava-se ainda mais ao analisar os anos 90 da perspectiva de um mini-adepto de futebol que desejasse ver o desporto reproduzido no ecrã gigante. Havia ‘Se A Minha Cama Voasse’, é verdade – mas, de resto, os poucos filmes infantis em que o desporto era abordado, como ‘The Big Green’ ou ‘Switching Goals’, ou nunca chegavam a Portugal, ou se perdiam no circuito de video, onde seriam vistos apenas por acaso, se a criança visse a cassette no clube de vídeo e a capa lhe agradasse.

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Poster de 'The Big Green'

Para adeptos mais velhos, a situação não era muito melhor, existindo, em toda a década de 90, apenas dois filmes com a temática futebolística dignos de destaque.

O primeiro é ‘Amor em Jogo’ (‘Fever Pitch’), de 1997, e que se diz inspirado no livro do mesmo nome, que revelou o escritor Nick Hornby; no entanto, as semelhanças entre filme e livro resumem-se a alguns pormenores e cenas, não aproveitando o longa-metragem quase nada da obra autobiográfica de Hornby que supostamente lhe serve de inspiração.

Assim, seguimos no filme a saga de Paul Ashworth (Colin Firth), um fanático por futebol (é, inclusivamente, treinador da equipa da escola) que se vê obrigado a redefinir prioridades quando inicia uma relação com a nova colega Sarah Hughes (Ruth Gemmell). Seguem-se as habituais peripécias, enquanto Paul tenta balancear os seus ‘dois amores’, não sendo o final tão feliz quanto se poderia esperar num filme deste tipo. Um bom ‘filme de Sábado à tatde’, que inclusivamente foi objecto de um ‘remake’ americano, em que o casal romântico é interpretado por Jimmy Fallon e Drew Barrymore, e o desporto em foco passa a ser o muito mais americano beisebol.

Trailer da versão original (britânica) de 'Fever Pitch - Amor em Jogo'

O único outro filme sobre o desporto-rei digno de nota durante os anos 90 é ‘When Saturday Comes’, de 1996. Nele, um Sean Bean bastante mais magro do que é hábito interpreta Jimmy Muir um futebolista amador que é alvo de prospecção por do Sheffield United, e tem de lidar com essa mudança de paradigma.

Trailer de 'When Saturday Comes'

De resto, há muito pouco – além dos supracitados ‘Switching Goals’ (com Mary-Kate e Ashley Olsen) e ‘The Big Green’ (uma divertida comédia infantil nos moldes de ‘The Mighty Ducks’, ‘Little Giants’ ou ‘The Bad News Bears’) o único outro filme é ‘Ladybugs’, com Rodney Dangerfield, uma comédia absurda sobre uma equipa de futebol feminino, bem típica da época, a qual talvez encontrasse público entre os mais novos, mas não era abertamente dirigida a estes. Muito, mas mesmo muito pouco, quando comparado à oferta relativa ao ‘outro’ futebol, que na mesma época, incluía ‘Rudy’ e ‘Little Giants’, entre outros…

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O poster de 'Ladybugs'

Ainda assim, por pouco que representassem, vale a pena, e época de Europeu, relembrar estes filmes da ‘nossa’ década dedicados ao desporto-rei…

05.06.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Em finais de 1994 e inícios de 1995, um inusitado filme de comédia captava a curiosidade das crianças portuguesas, graças a uma premissa original e a uma campanha de marketing extremamente bem estruturada e orquestrada, toda ela centrada em torno do personagem principal, um monstrengo verde, de fato amarelo-canário, com todo um arsenal de frases-feitas e piadas prontas a disparar ao ritmo de cinco ou dez por ‘trailer’.

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Falamos, é claro, de ‘A Máscara’, filme que viria a lançar as carreiras não de um, mas de dois futuros pesos-pesados de Hollywood. O principal, claro está, seria Jim Carrey, o homem por baixo da maquilhagem verde, e capaz de recriar todas as ‘caras e bocas’ do Máscara sem recurso a quaisquer técnicas de computador – habilidade que, basicamente, lhe valeu a carreira, pelo menos até se conseguir afirmar como actor ‘sério’ com os seus papéis em ‘O Despertar da Mente’, ‘The Truman Show’ e ‘O Homem na Lua’. A seu lado, como principal interesse romântico do ‘nerd’ Stanley Ipkiss estava, no entanto, outra futura ‘megastar’, uma jovem de 21 anos de ascendência cubana que obtinha ali o seu primeiro papel de destaque. O seu nome? Cameron Diaz…

Mesmo com a bombástica loira a desviar ocasionalmente as atenções, no entanto, não restam qualquer dúvidas de que ‘A Máscara’ é o filme de Carrey. Depois de efectivada a transformação que dá azo aos restantes acontecimentos, é raro o momento em que a câmara se desvia do tresloucado ‘boneco’ que corre, pula, rodopia, canta e diz dichotes, claramente deliciado pela oportunidade de o fazer - com a apoteose a surgir na famosa cena em que o personagem interpreta um número de 'cabaret'.

 

 

 

O 'Máscara' é, para todos os efeitos, um desenho animado vivo - o tipo de personagem tresloucado, hiperactivo e 'espertalhaço' que as crianças daquela época se haviam habituado a ver nos seus desenhos animados de eleição, com claras semelhanças tanto com Beetlejuice (outro favorito das crianças cuja vida havia começado numa comédia negra para adultos) como com Freakazoid.

O conceito de um 'cartoon' de carne e osso não podia, evidentemente, deixar de agradar ao público infanto-juvenil - e foi isso mesmo que se verificou, com 'A Máscara', ironicamente planeado como comédia negra para adultos, a tornar-se o novo ‘filme-que-tem-de-se-ver’ dos recreios por esse país afora – e, verdade seja dita, um pouco por todo o Mundo também. Pouco tempo depois da estreia do filme, o seu personagem principal era já objecto de uma série animada – o sinal inequívoco de que algo ‘pegou’ entre a miudagem – e de algum merchandise, incluindo bonecos de acção, outro sinal claro de interesse infanto-juvenil. Enfim, tal como outra famosa propriedade intelectual da época , também ela baseada numa BD de humor negro para adultos, este filme e o seu protagonista foram alvo de uma acentuada ‘infantilização’ imediatamente após o seu lançamento – a qual, tal como no outro caso citado, acabou por render dividendos a longo-prazo.

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Algumas das figuras de acção alusivas ao filme e à respectiva série animada.      

De facto, ainda que tivesse ‘condenado’ Carrey a vários anos de papéis baseados em ‘caretas’ e exageros, não há dúvida de que este filme foi uma enorme bênção para a carreira do norte-americano, que, sem ele, talvez nunca tivesse atingido os níveis de sucesso que mais tarde conheceu (o mesmo se passando, aliás, com Cameron Diaz, a quem um falhanço de bilheteira poderia, literalmente, ter 'afundado' a carreira de actriz ainda antes de esta ter começado).

Independentemente do furor que causou à época da sua estreia, no entanto, a pergunta que se impõe vinte e sete anos depois de o filme ter causado sensação pelo Mundo fora, é: afinal, ‘A Máscara’ é ou não um bom filme? E a resposta é, ainda, um inequívoco ‘sim’. Seja como comédia de humor negro ou como ‘cartoon’ de acção real tresloucado, o filme continua a constituir uma excelente forma de passar uma hora e meia, a dar umas gargalhadas, admirar as pernas da Cameron Diaz (que nunca esteve tão bonita) e recordar a loucura que o filme suscitou nos tempos da nossa infância. Em suma, e como diria o próprio personagem, o filme continua ‘SSSSSSSSSmokinnnnnn’!’

 

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