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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

26.06.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta’feira, 26 de Junho de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Camisolas de futebol. Hoje em dia, não há quem não tenha pelo menos uma do clube ou jogador favorito, nem que seja para a ‘peladinha’ ou o ginásio semanal. Mas se nas últimas duas décadas este tem sido um item quase banal em lojas, hipermercados e até barraquinhas de praça ou feira – em versão mais ou menos legal, consoante o local de compra – há escassos trinta anos, não era bem assim. Em meados da década de 90, as camisolas de futebol eram, ainda, caras e difíceis de encontrar se não se soubesse onde ir para comprá-las; até mesmo as lojas de desporto tendiam a vender, sobretudo, camisolas ‘anónimas’, destinadas a serem usadas como uniforme para equipas amadoras, mais do que como acessório de beleza.

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Uma das poucas camisolas de futebol da época encontráveis na Internet actual

E, bem vistas as coisas, isto nem sequer era assim tão estranho; afinal, um dos principais atractivos de comprar uma camisola destas – ter o nome e número do nosso ídolo nas costas – ainda não era práctica comum à época, só se vindo a popularizar já no novo milénio. Quem comprasse uma camisola nos anos 90 não estava com a camisola do Figo vestida – apenas com a número 7 de Portugal; ou seja, a compra de um item deste tipo era uma questão mais clubística ou patriótica do que propriamente de admiração por um jogador em particular. E quanto a vestuário alusivo a futebol, mas que não fossem camisolas (do género que se vê, por estes dias, nas referidas lojas, hipermercados e bancas) pura e simplesmente não existia – ou,  quando existia, era tão proibitivamente caro como as camisolas em si.

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O único outro exemplo alusivo à Selecção das Quinas encontrado 

Mesmo assim, uma pesquisa na Internet ainda permite encontrar algumas camisolas desse tempo, tanto da Selecção como de clubes – embora, claro, em muito menor número do que os modelos da década seguinte, quando este tipo de artigo se popularizou. Mas é aos anos 90, e não ao novo milénio, que este blog diz respeito – e como tal, esta viagem nostálgica pelas camisolas de futebol tem mesmo de terminar por aqui…

24.06.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 22 de Junho de 2021.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Hoje em dia, qualquer fã de futebol – seja de clubes ou internacional – tem uma variedade de meios à escolha se pretender acompanhar o seu clube ou Selecção de eleição. Mesmo sem entrar pelos meandros da Internet, se um dos quatro canais principais não estiver a transmitir a partida pretendida, a SportTV ou o novíssimo Canal 11 certamente terão algum tipo de solução – e, em último recurso, há sempre o ecrã de plasma do café da esquina…

Tempos houve, no entanto, em que não era assim. Tempos, até, bem mais recentes do que pensa; basta, por exemplo, lembrar que na década de 90, os fãs de futebol portugueses podiam ver exactamente UM jogo por semana – normalmente, de um dos três grandes – ficando, no restante, reduzidos a relatos radiofónicos ou resumos no Domingo Desportivo. Até mesmo a Selecção Nacional se via adstrita a este regime, ainda que em menor escala – até porque, à época, as Quinas não eram ainda consideradas uma das grandes Selecções mundiais, e não participavam necessariamente em todos os torneios.

Foi, precisamente, em meados da década de 90 que a situação começou a mudar. O advento do Euro '96 – um dos Campeonatos Europeus mais mediatizados até então – e a presença da Selecção no mesmo levaram os jornalistas a redobrar esforços no respeitante à cobertura do evento, o que acabou por se traduzir numa das primeiras instâncias de cobertura desportiva como a entendemos actualmente.

A principal responsável por esta mudança de paradigma foi a SIC, então ainda em início de vida, e que decidiu marcar posição enviando uma equipa de reportagem a Inglaterra, não para seguir a Selecção, mas para avaliar o clima geral da competição. O resultado foi uma peça noticiosa histórica, de indole inédita à época, que desviava o foco dos jogadores e das partidas e o colocava, firmemente, nos adeptos. Mas não QUAISQUER adeptos – adeptos britânicos, alcoolizados, e que tinham como ídolo particular um então titular habitual da Selecção das Quinas…

Enfim, um momento ‘divisor de águas’, e que incentivou as restantes emissoras a seguir o exemplo da SIC no tocante a peças sobre desporto. Claro que a mudança não foi imediata – antes pelo contrário – mas também é certo que, em finais da mesma década, o jornalismo desportivo já se assemelhava muito mais ao que hoje conhecemos. E tudo por causa de quatro adeptos alcoolizados e um cântico de louvor a Jorge Cadete…

18.06.21

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 17 de Junho de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

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Numa das primeiras edições desta rubrica, falámos das colecções de cromos, um dos mais populares passatempos entre as crianças dos anos 90; e como qualquer pessoa que tenha ‘estado lá’ prontamente admitirá, as colecções mais conhecidas e ferventemente ‘negociadas’ e completadas eram as de futebol.

Destas, havia dois grandes tipos, ambos popularizados pela Panini, e ambos com sensivelmente o mesmo formato: as anuais, relativas às formações dos clubes da Liga Portuguesa da respectiva época, e as alusivas às competições internacionais. Ambas ofereciam aos ‘putos’ da época (quase todos do sexo masculino) a oportunidade de colar as caras dos seus jogadores nacionais e internacionais favoritos nas sempre atractivas cadernetas, e de ‘gabarolar’ junto dos amigos quando completavam as mesmas antes deles.

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...o quê, vão dizer que em 96 não sonhavam ter a cara do Secretário colada em qualquer lado?

A caderneta alusiva ao Euro ’96 não constituía excepção a qualquer destas regras, ficando apenas na memória por ser uma das primeiras a incluir a Selecção Nacional portuguesa - o que a terá, sem dúvida, tornado ainda mais popular junto do público-alvo. De resto, a caderneta era igual a todas as suas congéneres, tanto em formato – além dos jogadores, cada página dedicava um lugar à foto de equipa e outro ao símbolo de cada Selecção – como em aspecto, com as tradicionais ‘molduras’ à volta da imagem de cada jogador, e o não menos característico papel brilhante, que realçava o colorido dos fundos de página alusivos a cada país, ou à competição em geral.

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Uma das páginas da caderneta

Cabe realçar, no entanto, que apesar de os conteúdos serem os mesmos em todos os países onde a caderneta era comercializada, o mesmo não se passava com as capas; Portugal recebeu apenas a variante ‘standard’, mostrada no início deste post, mas a Alemanha, por exemplo, tinha a mesma imagem em fundo vermelho-escuro, enquanto que outra variante encontrada na Internet se destaca por não ter absolutamente NADA a ver com qualquer das outras.

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Capas ‘estranhas’ à parte, no entanto, não há muito mais a dizer sobre os cromos do Euro ’96; tratava-se de uma colecção de futebol perfeitamente vulgar pelos padrões da sempre fiável Panini, que seguia à risca a receita futebolística de ‘em equipa que ganha, não se mexe’ – a qual já havia dado resultado no passado, daria resultado aqui, e voltaria a dar resultado aquando da próxima competição internacional, que renderia à editora uma das suas mais bem-sucedidas cadernetas da década. Quanto a ‘Europa ‘96’, a mesma também se pode inserir nesse leque, como bem atesta a caderneta que por estas bandas se preencheu, e que ainda há pouco tempo ‘morava’ algures na Área Metropolitana de Lisboa…

 

13.06.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E porque precisamente este fim-de-semana se celebra uma ocasião única no seio do futebol internacional – um Campeonato Europeu disputado no Verão de 2021, mas anacronisticamente chamado Euro…2020 – nada melhor do que recordar aquele que foi, para as crianças da ‘nossa’ década, um dos primeiros e mais marcantes contactos com o futebol ‘de selecções’, e que, devido ao referido anacronismo, acaba mesmo por ver o seu 25º aniversário ser celebrado com a realização de outro certame do mesmo género.

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Falamos, é claro, do Euro 96, disputado em Inglaterra entre 8 e 30 de Junho desse ano, e que marcaria o regresso das grandes competições internacionais ao ‘berço’ do futebol, após exactas três décadas – daí o slogan da prova, ‘football’s coming home’.

Nostalgias à parte, no entanto, a maior influência deste campeonato para o futebol moderno foi mesmo o facto de ter sido utilizado como prova-modelo para a implementação definitiva do modelo competitivo pelo qual os Campeonatos Europeus modernos ainda hoje se regem, com 16 equipas (o dobro de campeonatos anteriores) divididas em grupos de apuramento de quatro equipas cada, das quais duas são eliminadas e outras duas seguem para as fases eliminatórias da prova.

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A nova configuração das fases de grupos introduzida pelo Euro 96

Embora alguns dos nossos leitores mais velhos possam ainda recordar o Euro 92, o Mundial de 90 ou até de algum ou outro campeonato da década anterior, para a maioria das crianças nascidas na década de 80, o binómio Mundial 94 – Euro 96 representa a primeira memória relacionada ao futebol internacional, e a primeira vez que o futebol não-clubístico foi seguido com verdadeiro interesse. E se no caso do Mundial o principal motivo de interesse se prendia com o exoticismo de o certame ser realizado num país com pouca ou nenhuma tradição futebolística, no caso do Euro 96, havia um ‘gancho’ adicional, nomeadamente a participação de uma selecção portuguesa em ascensão, conduzida, pela primeira de muitas vezes, pelos elementos da equipa bicampeã do Mundo de sub-20 – a chamada ‘Geração de Ouro’.

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A Selecção portuguesa de 1996

De facto, o Euro 96 marcava o início da ‘era de ouro’ da Selecção Nacional portuguesa, cujo percurso durante os próximos dez anos se daria em claro ascendente, culminando na quase-vitória em pleno solo ‘caseiro’, durante o Europeu de 2004. Em 1996, no entanto, esta equipa-maravilha apresentava-se ainda em fase embrionária, já com todos os elementos no sítio, mas sem a química quase maquinal que os seus elementos viriam a adquirir com o passar dos anos.

Ainda assim, a prestação de Portugal no Campeonato Europeu de meados da década de 90 seria valorosa e meritória – ainda que, em muitos aspectos, frustrantemente típica. Exemplo disto mesmo foi a fase de grupos de ‘serviços mínimos’, que se iniciaria com um empate frente à Dinamarca dos irmãos Laudrup, e prosseguiria com um ‘meio a zero’ frente à poderosa Turquia; quando já estava tudo a fazer ‘contas à vida’ no entanto, a Selecção Portuguesa fez aquilo a que, durante os próximos anos, habituaria os adeptos, ‘esmagando’ por 3-0 a Croácia de Suker e companhia, e usurpando à mesma, por apenas um ponto, o primeiro lugar do grupo.

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Classificação final do grupo D

No entanto, no jogo dos quartos-de-final da prova, a equipa nacional voltaria a estar ‘igual a si mesma’ (ou, pelo menos, àquilo que viria a ser) sendo eliminada pela República Checa, na sua primeira participação enquanto país independente, com um golo solitário de Karel Poborsky, uma das estrelas reveladas nesta competição. Uma saída agri-doce, até porque o jogo foi bem disputado e renhido, mas ao mesmo tempo um ensaio de preparação para a sensação que os adeptos portugueses se viriam a habituar a sentir  muitas e muitas mais vezes ao longo dos anos seguintes – a sensação do ‘foi quase’. Porque, sim, foi quase – mas…

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Os onzes iniciais do jogo dos quartos-de-final entre Portugal e a República Checa

Fica a consolação de, pelo menos, a equipa que eliminou as Quinas ter sido uma das eventuais finalistas, constituindo talvez a surpresa da prova ao ‘dar luta’ à Alemanha de Lothar Matthaus, acabando por sucumbir por honrosos 2-1. Mais uma vez, esta viria a ser a primeira instância de uma ocorrência recorrente para Portugal em provas internacionais – a de ser eliminado por uma equipa finalista da prova.

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O homem do jogo dos quartos-de-final, Karel Poborsky, em disputa com o central português Fernando Couto

Enfim, em muitos aspectos, o Euro 96 foi uma espécie de primeiro ensaio para aquilo que viria a ser o futebol internacional português durante as duas décadas seguintes – um futebol bonito, esforçado, com lampejos de génio, mas que acabava sempre por se ficar pelo ‘quase’. A situação viria a mudar, é claro, exactos 20 anos após o certame em causa, quando muitos dos mini-adeptos que com ele vibraram eram já, eles próprios, pais de mini-adeptos que vibraram com a turma de Ronaldo e companhia.

Os mais velhos, no entanto, não poderão, ainda hoje, deixar de recordar o ponto de partida dessa gloriosa odisseia, que pode ter continuidade já daqui a poucas semanas – aquele Verão de 96 em que uma equipa de vermelho e verde, oriunda de um pequeno país mediterrânico, tentava replicar o sucesso atingido pelas suas camadas jovens alguns anos antes, e afirmar-se como potência a ter em conta no panorama do futebol internacional. Objectivo que, aliás, viriam a cumprir, ainda que para tal tivessem que esperar até à década, século e milénio seguintes…

11.04.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E que melhor maneira de dar seguimento a esta rubrica do que falando da melhor equipa  de que a Seleção Nacional portuguesa alguma vez desfrutou, e que teve o seu auge precisamente durante os anos 90?

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Dois dos expoentes máximos do futebol português das décadas de 90 e 2000

Sim, hoje vamos falar da mítica ‘Geração de Ouro’, o grupo de jogadores que se sagrou bi-campeão nacional de sub-21, e mais tarde guiou a Seleção das Quinas a algumas das suas melhores prestações de sempre em campeonatos internacionais, culminando naquela célebre e amarga final do Euro 2004, em pleno Estádio da Luz, depois de mais uma enorme campanha.

Mas comecemos por onde se deve, ou seja, pelo início. Início esse que se deu em Riade, Arábia Saudita, palco do Campeonato Mundial de Juniores de 1989. Foi nesse local, durante o verão do último ano da década de 80, que Luís Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, Paulo Sousa, Jorge Costa, Paulo Madeira e Fernando Couto jogariam pela primeira vez juntos, ao lado de nomes menos conhecidos ou ‘esquecidos’ como Cao, Valido, Gil ou Toni. E o resultado desta junção de talentos não podia ter sido melhor – o grupo não só conquistou o campeonato naquele ano, como viria a revalidar a façanha dois anos depois, em território nacional, e com a equipa já acrescida de nomes como Abel Xavier ou Rui Bento. Bicampeões mundiais antes dos 21 anos, portanto – uma façanha de que apenas as melhores equipas do Mundo (e de sempre) se podem gabar.

Mas a beleza da história da Geração de Ouro é que, conforme indicámos no parágrafo anterior, este duplo triunfo constituiria apenas o início da sua caminhada. Durante os 15 anos seguintes, este mesmo grupo de jogadores daria mais ao país do que qualquer outro da era pré-Cristiano Ronaldo, e faria história tanto em competições internacionais como de clubes. Pelo caminho, alguns nomes ficariam para trás – João Oliveira Pinto, Paulo Torres, Bizarro – e outros se juntariam ao grupo-base, casos de Vítor Baía, Dimas, Rui Jorge, Pauleta, Deco ou o próprio CR7. A base, no entanto, não se alteraria, tendo todos ou alguns dos nomes citados acima estado presentes em todas as convocatórias da Seleção Nacional entre o Mundial de 94 e o Campeonato Europeu realizado em Portugal dez anos depois.

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A equipa portuguesa no Mundial de 2002

Nesse espaço de sensivelmente uma década, este mesmo grupo iria do melhor (aquela campanha do Euro 2000, fadada a acabar num golpe de azar depois de um esforço hercúleo de todo o grupo, ou a do Euro 2004, gorada por duas desatenções defensivas) ao pior (a vergonhosa campanha de 2002, na Coreia e Japão, ‘coroada’ pelo famoso murro desferido por João Vieira Pinto ao árbitro da partida com a Coreia do Sul), sempre com os níveis de apoio dos adeptos bem em alta. Aquela era, de facto, uma Seleção Nacional que valia a pena apoiar, e que dava gosto ver jogar, ficando na memória dos adeptos mais jovens durante a década de 90 as eliminatórias de grupos sempre muito fáceis e relaxadas, marcadas por ‘cabazes’ regulares ao Liechtenstein (o nosso ‘saco de treino’ preferido), Luxemburgo e outras seleções a que, hoje em dia, a equipa se vê e deseja para ganhar. Nessa época, menos que 4-0 a esse tipo de seleções era derrota, e normalmente os jogos acabavam com resultados mais perto dos dez golos de diferença do que do um ou dois normais em confrontos internacionais.

Já contra equipas do mesmo nível ou acima, os jogos eram, previsivelmente, bastante mais renhidos, mas mesmo assim, a equipa fazia boa figura, ficando na memória a reviravolta contra a Inglaterra, no jogo de abertura do grupo A do Euro 2000, ou os malfadados quartos-de-final contra a França, em que uma mão de Abel Xavier no prolongamento ditou o adeus - isto já para não falar do Ricardo a defender penalties de Beckham e companhia sem luvas, em 2004. Estes momentos de triunfal brilhantismo quase ajudam a esquecer ‘borrões’ como os de 2002 – em que Portugal fez uma fase de grupos paupérrima contra adversários mais do que acessíveis – ou de 1996, em que um golo do benfiquista Poborsky, mais tarde do Manchester United, ditaria o afastamento nos quartos de final. Qualquer que fosse o resultado, no entanto, uma coisa era certa – qualquer campanha de Portugal constituía uma verdadeira ‘montanha-russa’ emocional, o que tornava os jogos da equipa ainda mais entusiasmantes.

21 anos depois, ainda emociona...

Claro que haverá quem diga que a equipa de 2016 era melhor – até porque conseguiu o que a Geração de Ouro nunca chegou a conseguir. No entanto, para quem prefere os ‘quases’ com espetáculo do que as conquistas com sorte e serviços mínimos, aquele grupo de jogadores continua a ser irrepetível – uma espécie de ‘dream team’ do Manchester United, mas em versão internacional. E que saudades deixam aqueles ‘passeios’ de 8-0 consecutivos nas fases de apuramento, em vez do constante ‘suar’ (e somar, no sentido de fazer contas) das trajetórias actuais…

E vocês? Que memórias retêm da Geração de Ouro do futebol português? Quem era o vosso jogador favorito? Aqui por casa, e apesar da afiliação clubística ‘contrária’, a preferência sempre foi para o ‘génio’ baixote, João Vieira Pinto… Concordam? Discordam? Façam-se ouvir nos comentários. E até lá, gritem Portugal!

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