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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

15.07.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Quando se fala em peças de roupa 'intemporais', um dos primeiros exemplos que vem à cabeça de qualquer ex-jovem dos anos 90 são os inevitáveis ténis Converse All-Star. Apesar de, à época, gozarem já de várias décadas de popularidade (a qual, aliás, continua até aos dias de hoje) é mesmo com os anos 80 e 90 que este tipo de calçado tende a ser associado, até por ter sido quando gozou o seu auge de popularidade.

Tanto assim foi que quem entrasse numa das lojas generalistas 'barateiras' tão típicas dessa era da História social portuguesa encontraria a prova acabada dessa mesma popularidade - nomeadamente, imitações mais ou menos bem-feitas do artigo original. Poder-se-à, claro, argumentar que ainda hoje é possível encontrar ténis de lona a emular o estilo clássico concebido por Chuck Taylor em lojas como a Primark; a diferença reside, no entanto, no facto de essas sapatilhas copiarem o modelo 'raso' dos All-Star (isto é, sem cano) ao passo que as imitações dos 90s optavam, invariavelmente, pela variante de cano alto, a mais popular à época.

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Um exemplo contemporâneo, neste caso para bebé

E a verdade é que, à primeira vista, estes ténis mais 'genéricos' até passavam bem por All-Star genuínos – pelo menos até serem escrutinados mais a fundo. Isto porque a principal diferença entre os modelos autênticos da marca e as cópias em causa estava nos detalhes, saindo as opções mais baratas, obviamente, a perder. Por exemplo, onde os All-Star tinham uma estampa aplicada na zona do tornozelo, estes ténis tendiam a ter pedaços de borracha - muitas vezes com um desenho de uma estrela, mas em casos menos cuidados, lisos – ou até a deixar essa área vazia; de igual modo, enquanto que os All-Star têm sempre uma risca a dividir a lateral da sola ao meio, certas cópias anónimas tendiam a omiti-la, deixando a lateral da sola lisa, num modelo mais próximo da não menos icónica versão nacional dos All-Star, os Sanjo. Detalhes pequenos, mas que ajudavam a que o artigo genuíno se distinguisse das imitações baratas, servindo para informar o consumidor no momento da compra.

Ainda assim – e talvez surpreendentemente, tendo em conta a mentalidade vigente à época – havia muita gente que sabia 'ao que ia', e não se importava grandemente; isto porque, ao contrário da maioria dos artigos declaradamente de contrafacção, estas imitações de Converse All-Star tendiam a ser socialmente bem aceites entre os mais jovens, vá-se lá saber porquê. E apesar de, hoje em dia, estarem praticamente extintos (até porque os ténis populares passaram a ser de marcas como a Adidas ou a New Balance), a verdade é que quem cresceu em Portugal em finais dos anos 90 e inícios de 2000, e não dispunha de 'fundos ilimitados' para reposição de guarda-roupa, certamente se terá cruzado, pelo menos uma vez na vida, com um par de ténis destes – por aqui, por exemplo, existiram pelo menos dois duarante os anos de adolescência - e ostentado orgulhosamente o mesmo para a escola, talvez combinado com um par das não menos inevitáveis meias brancas de raquetes...

04.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 03 de Setembro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

 O final dos anos 90 e início do novo milénio marcou a chegada do estilo alternativo a Portugal. Claro que já tinha havido, em décadas anteriores e até na que nos concerne, outros movimentos de contra-cultura, como o gótico e o ‘grunge’; no entanto, foi mesmo a partir da segunda metade da última década do século XX que aquilo que é hoje entendido como movimento ‘alternativo’ se introduziu e cimentou entre a juventude portuguesa. De súbito, já não eram apenas os chamados ‘freaks’ a usar botas coloridas, calças largas, sacolas de sarja a tiracolo e cabelos de cores estranhas – pelo contrário, tais arroubos visuais eram agora a norma, pelo menos entre uma fatia da população jovem nacional.

Um dos mais memoráveis ícones desse movimento, e um dos mais utilizados por aqueles que queriam ser alternativos sem grandes ‘aventuras’, eram os ténis Airwalk. Originalmente conotados com o movimento ‘skater’ norte-americano – outra ‘febre’ que tomou Portugal de assalto por volta dessa altura, graças à popularidade do punk-pop e dos jogos de Tony Hawk – estes sapatos rapidamente se tornaram parte da indumentária diária de milhares de jovens por todo o país, e alvo de cobiça de outros tantos, que não tinham oportunidade ou fundos para adquirirem o seu próprio par.

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Para além da razão óbvia – a marca, e a popularidade entre a ‘malta’ jovem – estes ténis tinham a seu favor um visual verdadeiramente apelativo, maioritariamente construído sobre tons de castanho, preto e cinzento, mas que conseguia transformar essas cores normalmente algo ‘chatas’ em algo vibrante e apelativo para o seu público-alvo, através de um design cuidado e que justificava o alto preço de venda da maioria dos artigos das suas linhas. Foi precisamente o ‘cool factor’ exsudado pelo tradicional estilo de design da Airwalk que fez destes ténis parte integrante e obrigatória da indumentária ‘teen’ alternativa de finais dos 90, a par das calças largas, boné ao contrário (de preferência vermelho) e t-shirt também largueirona, idealmente com qualquer tipo de dizer contestatário ou ofensivo, bem ao estilo dos ídolos da cena ‘punk’ e ‘nu-metal’.

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Um dos modelos mais clássicos do período clássico da marca

Hoje em dia, e apesar de ainda existirem, os ténis Airwalk foram suplantados nas preferências dos jovens por outras marcas mais ‘in’ e ‘cool’, como a New Balance e a renascida Adidas. No entanto, para uma determinada parte da população portuguesa que cresceu durante os anos 90, estes sapatos (a par dos lendários Vans aos quadradinhos e dos Skechers, que, pasme-se, são considerados sapatos para idosos em certos países da Europa!) permanecerão, ainda e sempre, como símbolo de uma época bem mais inocente do que a actual, em que os ‘raps’ indignados de uns Limp Bizkit ou o humor juvenil de uns Blink-182 serviam de banda sonora para os intervalos da escola e sessões de convívio com os amigos, sempre vestidos a rigor com o último grito da moda alternativa – do qual os Airwalk faziam, definitivamente, parte integrante…

 

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