02.02.26
Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.
Se houve género em que a televisão nacional dos anos 80, 90 e 2000 foi pródiga e floresceu, foi na programação dirigida às crianças. Fosse em segmentos como o Vitinho ou os Patinhos, concursos como 'Hugo', 'Arca de Noé' e 'Tal Pai, Tal Filho', animações como 'A Maravilhosa Viagem Às Ilhas Encantadas', programas como o Brinca Brincando, Clube Disney, Oh! Hanna Barbera, Vitaminas, Buereré, A Hora do Lecas, Circo Alegria, Batatoon, Um-Dó-Li-Tá e A Casa do Tio Carlos, séries educativas como o 'Zás Trás', 'Jardim da Celeste', 'No Tempo dos Afonsinhos', 'Os Contos do Mocho Sábio' ou a incontornável 'Rua Sésamo', ou outras mais tradicionais como 'Riscos', 'Uma Aventura', 'As Lições do Tonecas' ou 'Super Pai' (sem falar, claro, nos posteriores e igualmente incontornáveis 'Morangos Com Açúcar'), era raro o produto audiovisual infanto-juvenil produzido em Portugal que não encontrava o seu público. No entanto, tal como em tudo, existem excepções a esta regra – séries que, apesar de bem conseguidas e bem-sucedidas no imediato, ficaram (por uma razão ou outra) menos presentes na consciência colectiva das gerações então menores de idade; é, precisamente, sobre uma delas – estreada há exactos trinta e cinco anos, a 02 de Fevereiro de 1991 – que versam as próximas linhas.

Antes mesmo de passar ao resumo, no entanto, há que louvar 'Quem Manda Sou Eu' como produto vanguardista, bem à frente do seu tempo no tocante à comunicação de assuntos importantes aos jovens. Isto porque a série não só dá aos seus protagonistas adolescentes (desempenhados por dois verdadeiros irmãos) agência na gestão do seu lar, como também ousa fazer da progenitora dos mesmos uma figura irresponsável, com problemas de alcoolismo, e dar a um dos irmãos uma personalidade boémia, em contraste com o da irmã, mais inteligente, engajada e responsável. A somar a isto tudo há ainda o facto de os pais dos dois jovens se encontrarem amigavelmente divorciados (tema, aliás, central à premissa da série) e activamente em busca de ligações românticas, não se coibindo a série de mostrar os efeitos deste paradigma, e de um lar dividido, na vida quotidiana e desenvolvimento psicológico dos dois jovens – um risco louvável e inusitado para uma série infanto-juvenil, especialmente em inícios da década de 90.

Os protagonistas da série.
Pena que, talvez por isso, estes conceitos nunca sejam totalmente explorados, ficando a trama de cada episódio (e o cariz da série como um todo) mais próxima das 'sitcoms' com protagonistas jovens que então grassavam na televisão norte-americana, e onde temas sérios eram aflorados de forma igualmente superficial e passageira; uma pena, já que, tivesse arriscado um pouco mais, 'Quem Manda Sou Eu' poderia ter sido uma das pioneiras do género do drama juvenil, mais de meia década antes de 'Riscos' ter, mesmo, ousado adoptar esse ângulo. Tal como existiu, no entanto, trata-se de uma série divertida, merecedora de recordação à data deste seu aniversário marcante, mas que fica aquém do potencial que a premissa indicava, acabando por ser algo 'descartável' e por se encontrar algo esquecida pela consciência nostálgica daquele que foi o seu público-alvo.











