23.02.26
Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.
Já aqui por várias vezes mencionámos a mítica 'Rua Sésamo' como grande e incontornável exemplo da televisão educacional e pedagógica portuguesa, não só à época da sua transmissão, como nas décadas subsequentes. Esse estatuto não impedia, no entanto, que outros programas tentassem o mesmo tipo de abordagem – pelo contrário, o sucesso de Poupas e companhia apenas encorajava as produtoras nacionais a criar mais conteúdos desse tipo, dando azo, ao longo da última década do século XX, a programas como 'Zás Trás', 'Contos do Mocho Sábio' ou 'O Jardim da Celeste'. Mas enquanto estes exemplos eram relativamente declarados nas suas aspirações educativas, outros havia algo mais subtis, como é o caso da série de que falamos neste 'post', e que comemorou há poucos dias os trinta anos da sua primeira emissão.

Falamos de 'Alhos e Bugalhos', estreada na RTP2 (então 'casa' por excelência de conteúdos deste tipo, tendo mesmo a 'Rua Sésamo' passado por lá a dado ponto, vinda do Canal 1) a 21 de Fevereiro de 1996, e que, ao longo da sua única temporada de vinte e seis episódios, procuraria incutir no seu público-alvo rudimentos de vocabulário, através de um cenário de 'café', onde um estrangeiro procura aprender e perceber melhor o português, missão em que é ajudado pelos 'fregueses' habituais; um modo inteligente e divertido de fazer as crianças aprenderem sem perceber, gizada por um conjunto de nomes 'de respeiro', como Maria Emília Brederode Santos (uma das coordenadoras da 'Rua Sésamo', anos antes) a autora infantil Luísa Ducla Soares ou Sérgio Godinho, que assina a música. Uma equipa experiente e de sucesso comprovado, mas que, infelizmente, não conseguiria repetir a 'magia' de 'Rua Sésamo'.
Efectivamente, 'Alhos e Bugalhos' seria mais uma das muitas séries a não lograr ficar na memória nostálgica dos 'millennials' portugueses, talvez pelo seu cariz mais educativo, ou talvez pela falta de um 'gancho' que prendesse o interesse do público-alvo ou de actores mais consagrados nos papéis principais. Ainda assim, nunca fica mal recordar mais este 'tesouro escondido' da televisão infantil portuguesa, na semana em que se completam exactos trinta anos sobre a transmissão do seu primeiro episódio.












