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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 10 de Novembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

No que toca a realizadores de cinema e televisão, David Lynch é, sem dúvida, um dos mais polarizantes, a par de nomes como Quentin Tarantino, James Cameron ou, mais recentemente, Christopher Nolan: a tendência do cineasta para 'abusar' dos elementos surreais e do subtexto, muitas vezes em detrimento de uma história coerente, faz com que a sua obra não seja, decididamente, para todos os gostos. No entanto, um trabalho de Lynch em particular tende a reunir maior consenso do que a sua restante produção, talvez por ser mais linear, ou talvez pelas 'ondas' de espanto que causou aquando da sua estreia: 'Twin Peaks'.

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De facto, a história da investigação em torno do assassinato de Laura Palmer (cujo assassino suscitou tanta especulação e teorização quanto o famoso JR de 'Dallas') constitui um daqueles casos em que, apesar de estar muito 'à frente' do seu tempo, uma série consegue reunir o consenso da crítica e do público, cimentando o seu lugar na História da televisão moderna e sendo lembrada e discutida até aos dias de hoje. Em Portugal – onde a série estreou há precisamente trinta e cinco anos, em Novembro de 1990, às quintas-feiras à noite – o caso não terá sido diferente, embora (ao contrário do que acontece com séries posteriores, como 'Sopranos' ou 'Os Homens do Presidente') sobrevivam hoje muito poucos registos da recepção do público português à 'bizarrice' de Lynch e Mark Frost.

Ainda assim, o número de emissões celebratórias de que a série foi alvo por ocasião dos seus trinta anos dá a entender que 'Twin Peaks' terá tido os seus fãs à época – entre os quais, quiçá, se contem alguns dos leitores mais velhos deste 'blog', membros da chamada 'Geração X', e que teriam siido adolescentes à época da transmissão original. É a eles que dedicamos estas poucas linhas celebratórias de uma das mais intrigantes e originais séries televisivas dos últimos quarenta anos, por ocasião do aniversário da sua estreia em Portugal.

27.10.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Na sua coluna no jornal Público, algures nos primeiros meses do Novo Milénio, Eduardo Cintra Torres – uma das mais proeminentes e preeminentes figuras no espectro da crítica e análise mediática em Portugal – acusava os telespectadores portugueses de não conseguirem 'acompanhar uma boa série, mesmo divertida e electrizante', 'preferindo ver as telenovelas e outros programas' como 'as Noites Marcianas e o Big Brother', rematando com um acintoso 'que façam bom proveito'. A série que tanta bílis desencadeava ao catedrático e colunista, acabada de estrear na RTP2 (há quase exactos vinte e cinco anos, a 16 de Outubro de 2000, dois dias após a estreia na SIC da primeia série d' 'Uma Aventura') e que vivenciava enormes dificuldades para encontrar o 'seu' público e replicar o sucesso obtido nos seus EUA natais, era tão-sómente uma série de culto, que alguns dos nossos leitores talvez conheçam, chamada 'Os Sopranos'.

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Sim, antes de ser unanimemente considerada uma das melhores produções televisivas de sempre, 'Os Sopranos' passava de forma discreta, quase desapercebida, pela televisão generalista e estatal portuguesa, no caso pela mão da inevitável RTP2, a televisão que já era 'culta e adulta' antes de o assumir no seu 'slogan', e que já começava a ser conhecida (como ainda o é) por 'importar' e exibir séries algo mais 'fora da caixa' que o habitual, e mais densas no tocante ao conteúdo. O êxito da HBO encaixava, pois, na perfeição na linha editorial do canal; o problema é que, como televisão mais intelectual e 'de culto', a RTP2 sofria, por definição, de um défice de audiências relativamente aos outros canais nacionais, ficando a visibilidade do novo programa assim automaticamente reduzida - um paradigma ainda mais agravado pela falta de promoção ao mesmo por parte do próprio canal. E embora seja discutível se 'Os Sopranos' teria singrado na grelha de uma SIC ou TVI (muiro superiores, no campo do 'marketing' e publicidade, à televisão estatal) é ainda assim impossível contornar o facto de que quase ninguém, à época, estava a ver a série, pura e simplesmente, porque quase ninguém, à época via a RTP2, por comparação com os canais concorrentes.

Curiosamente, um mesmo fenómeno viria a ocorrer, anos depois, com uma outra série hoje elevada a obra-prima – no caso, 'Breaking Bad', que passou totalmente despercebida na SIC Radical de inícios dos anos 2000 (algo que parecia impossível para aquele canal naquela época), perdendo assim os jovens portugueses uma oportunidade de dizer que haviam visto a nova 'coqueluche' mundial vários anos antes de a mesma 'estourar' – situação análoga à vivida em relação a 'Os Sopranos' aquando da sua transmissão na 'Dois'. E apesar de ambas as séries virem a ser 'vingadas' junto da opinião pública portuguesa, anos mais tarde, a verdade é que poucos serão os 'X' e 'millennials' nacionais que se lembrem de ter acompanhado os 'primórdios' de Tony Soprano e restante família em emissão 'aberta', no primeiro Inverno do século XXI, num dos mais flagrantes casos de um programa estar 'à frente do seu tempo' já vividos na televisão portuguesa.

15.09.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

'Um programa sobre nada'. É essa a premissa por trás daquela que é muitas vezes considerada uma das melhores séries televisivas de sempre, capaz de unir gerações na base da gargalhada, mesmo quando algumas das situações apresentadas são já algo ultrapassadas quer do ponto de vista social, quer mesmo de uma perspectiva funcional, sendo hoje improváveis ou muito fáceis quer de prevenir, quer de resolver. Ainda assim, o conceito-base – a dinâmica entre quatro melhores amigos solteirões, cada um com sua 'pancada', numa espécie de versão mais neurótica e sarcástica do contemporâneo 'Friends' – mantém-se universal, sendo presumivelmente, a par da genial escrita, o principal factor que continua a atrair espectadores de todas as idades, mesmo três décadas e meia depois da estreia original da série nos EUA.

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Falamos, claro, de 'Seinfeld', uma das mais famosas e populares 'sitcoms' de sempre, e que lançou as carreiras dos seus quatro protagonistas – não só do comediante e criador Jerry Seinfeld (que interpreta uma versão semi-ficcional de si mesmo) como dos coadjuvantes Julia Louis-Dreyfus (que interpreta Elaine, a representante do sexo feminino no grupo), Jason Alexander e Michael Richards, estes últimos as verdadeiras 'estrelas da companhia', nos papéis do ultra-neurótico e inseguro George Costanza e do declaradamente tresloucado Cosmo Kramer, respectivamente. Juntos (e bem apoiados por profissionais da comédia como Larry David ou Jerry Stiller) os quatro criaram, ao longo dos nove anos de existência da série, situações e dichotes que penetraram na cultura popular não só do seu país de origem, como também de nações como Portugal – afinal, quem nunca lançou um 'nosoupforyou!' ou 'get outta here!'?

Com esta combinação única de talentos cómicos, excelentes guiões, tiradas icónicas (sempre ancoradas pela não menos intemporal e reconhecível linha de baixo 'slap' ouvido no genérico e em todas as transições) não é de admirar que, aquando da sua chegada a Portugal (curiosamente, já depois de concluída a transmissão nos EUA) a série tenha imediatamente granjeado um enorme número de adeptos, que passaram a sintonizar fielmente a TVI todas as noites, para meia-hora de riso garantido. Apesar de concebida num país com uma cultura completamente diferente da lusitana, a série adaptava-se marcadamente bem ao ambiente vivido no nosso País durante aqueles últimos anos do século XX, e 'caiu no gosto' de toda uma geração sarcástica, irónica e que se revia parcialmente naqueles personagens tão 'complexados' e cheios de problemas mundanos quanto eles, mas que se recusavam a deixar-se 'afundar' nas suas depressões, ou a criar dramas a partir das mesmas – o que, já de si, demarcava 'Seinfeld' da maioria das séries suas contemporâneas, e lhe dava um apelo muito mais intemporal do que as mesmas, ao mesmo tempo que a falta de 'linha condutora' ou enredo entre episódios convidava à revisão isolada dos momentos favoritos.

Prova dessa intemporalidade é, aliás, o facto de 'Seinfeld' fazer regressos periódicos aos ecrãs nacionais até aos dias de hoje (a última das quais em inícios de 2024) e marcar presença perene em muitos serviços de 'streaming', pronta a ser encontrada e apreciada pelas novas gerações, da mesma forma que sucedeu com os seus pais e até avós. Nada mau, para um 'programa sobre nada...'

02.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 01 de Setembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O final dos anos 90 e inícios da década seguinte assistiram a uma mudança de paradigma no tocante à produção de séries televisivas, sobretudo (mas não só) nos Estados Unidos. Efectivamente, o básico formato de episódios de meia-hora com histórias diferentes e contidas em cada semana começou, progressivamente, a ter cada vez menor preponderância no mundo das emissões por cabo ou sindicadas, dando lugar a programas com histórias únicas e continuadas (num modelo semelhante ao das telenovelas), valores de produção mais altos e episódios mais longos, normalmente com cerca de uma hora – essencialmente, o formato hoje padronizado em plataformas como a Netflix e canais como aquele que é sinónimo com este tipo de séries, a HBO.

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Antes da 'era de ouro' de 'Sopranos', 'The Wire' e 'A Guerra dos Tronos', no entanto, a série mais conhecida e respeitada dentro deste formato específico – e também uma das suas pioneiras – era um drama político produzido pela NBC, com a Casa Branca norte-americana como pano de fundo, e que estreava nos ecrãs portugueses há exactos vinte e cinco anos, a 5 de Setembro de 2000. Tratava-se d''Os Homens do Presidente' ('The West Wing', no original), uma das mais aclamadas produções norte-americanas do género, e que viria, em décadas subsequentes, a ser inclusivamente alvo de artigos de análise política respeitantes aos seus episódios, tal era o cuidado e verosimilhança que os mesmos exibiam.

De facto, não descurando os necessários elementos dramáticos inerentes a qualquer trabalho de ficção, 'Os Homens do Presidente' punha ênfase declarada no realismo, tanto das suas personagens como das situações envolventes das mesmas, deixando que fossem as suas personalidades e os desafios que naturalmente enfrentavam a providenciar a tensão dramática de cada episódio ou temporada. Esta abordagem, mais tarde repetida em algumas das séries supracitadas, rapidamente ajudou a que a série se destacasse da maioria dos produtos televisivos da época, granjeando-lhe ao mesmo tempo uma audiência cativa, 'sedenta' de algo um pouco mais cerebral e absorvente em meio ao entretenimento descartável da maioria das grelhas televisivas. Tal sucesso levou, por sua vez, a que a série se mantivesse no ar durante sete temporadas, vindo a sair do ar apenas já na segunda metade da primeira década do século XXI.

E ainda que, em Portugal, o sucesso do programa não se comparasse ao dos seus EUA natais, a primeira transmissão da mesma (nas noites de Terça-feira da TVI) foi, ainda assim, suficiente para a colocar no 'radar' dos fãs de séries portugueses, onde permanece até aos dias de hoje, marcando ainda presença em várias plataformas de 'streaming' disponíveis no nosso País. E se a temática não era, necessariamente, apelativa à demografia então na infância e adolescência, também não terá faltado quem se deixasse fascinar pelos dramas vividos na Ala Oeste da residência oficial do Presidente dos EUA; para esses, aqui fica a recordação da estreia da série em Portugal, na semana em que se celebra um exacto quarto de século sobre essa efeméride.

25.03.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 24 de Março de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui por várias vezes nos referimos aos anos 90 como a grande era da sensibilização para a ecologia, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo; e, sendo esta mensagem dirigida, sobretudo, a um público jovem, não é de admirar que a mesma surgisse frequentemente em produtos dirigidos a esta demografia, com especial ênfase nos filmes, videojogos e desenhos animados. De facto, os últimos dez anos do século XX viram surgir uma série de criações de pendor ecológico, de 'Awesome Possum', um titulo algo obscuro para Sega Mega Drive, até filmes como 'Ferngully - As Aventuras de Zack e Krysta Na Floresta Tropical', passando por programas televisivos como 'Capitão Planeta' ou o desenho animado que focamos esta segunda-feira, 'Widget'

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Criada logo nos primeiros meses da década e chegada à RTP três anos depois (um ano após a Prisvídeo a ter lançado em vídeo, com dobragem em Português do Brasil), a série em causa foca-se num pequeno alienígena roxo, capaz de se transformar nos mais diversos seres e objectos, conforme a necessidade, e cuja missão é velar pela manutenção do equilbrio ecológico da galáxia. Enviado à Terra em missão urgente pelo seu superior, o Grande Sábio, este agente juvenil não tarda a juntar-se a dois jovens habitantes do planeta, no caso dois irmãos, para o proteger das diversas ameaças ecológicas e intergalácticas que enfrenta.

Uma premissa que requeria algum tacto para não parecer forçada e 'lamechas', algo em que 'Widget' é algo mais bem-sucedido do que 'Capitão Planeta' – não que tal fosse difícil. Infelizmente, no restante, a série tem muito pouco de especial, sendo bastante típica da sua época e uma das representantes mais famosas do género do 'amigo mágico', uma espécie de versão actualizada da 'fórmula Scooby-Doo', popular duas décadas antes. Em suma, da perspectiva de um 'trintão' ou 'quarentão' nostálgico pela sua infância, será perfeitamente 'visível', mas muito pouco entusiasmante – à parte, claro está, o tema de abertura, um daqueles 'épicos' também tão típicos do período, hoje interessante sobretudo como 'cápsula' de uma certa era da animação televisiva, em que muitas séries nada mais eram do que veículos (fossem para mensagens ou brinquedos) produzidos com o menor orçamento possível, e repletos de mascotes 'fofinhas' e comercializáveis, algumas mais bem sucedidas na sua aceitação pelo público-alvo do que outras, ficando Widget nesta última categoria.

Ainda assim, a série foi bem-sucedida (ou era barata) o suficiente para ter sido repetida anos depois no Canal Panda - agora em versão legendada, por oposição à dobragem original – dando a conhecer a toda uma nova geração as mensagens ecológicas do pequeno mas poderoso guardião da galáxia a quem estas linhas são dedicadas; quem sabe, pois, não venhamos, ainda, a assistir a um segundo regresso de Widget, desta vez quiçá em 3D e criado por CGI, mesmo a tempo de ensinar à Geração Alfa como cuidar do ambiente?

24.02.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A ficção científica era, sem dúvida, um dos géneros mais em alta no tocante a conteúdos televisivos norte-americanos, com séries como 'Ficheiros Secretos', 'Stargate SG-1', 'Star Trek Deep Space Nine' e a reimaginada 'Battlestar Galactica' a fazerem as delícias dos aficionados do histórico género. A estas, havia ainda que juntar uma quinta, estreada há quase exactos trinta e dois anos nos seus EUA de origem, e chegada a Portugal dois anos depois (contados praticamente ao dia), o que faz com que celebre, por estes dias, as três décadas sobre a sua estreia nacional.

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Falamos de 'Babylon 5', a inovadora 'obra literária televisionada' saída da imaginação de J. Michael Straczynski, que mais tarde utilizaria o sucesso desta série como impulsionador de uma carreira que inclui, até à data, guiões para filmes e enredos para a Marvel Comics, entre outras conquistas. Tudo começou, no entanto, na estação espacial homónima deste programa, onde se desenrolou, durante cinco temporadas (mais uma longa-metragem final), a história previamente imaginada por Straczynski, que desafiou todas as convenções televisivas ao iniciar a série já com um ponto final definido, limitando-se depois a fazer 'mover' a acção em direcção a essa conclusão. Esta abordagem, diametralmente oposta ao habitual 'enredo da semana' e ao formato de 'pontas soltas' da maioria das séries, permitiu ao autor e à sua equipa engendrar histórias multi-facetadas para cada personagem, as quais podiam durar vários episódios, ou até transitar de uma temporada para outra, afectando não só a personagem em foco, mas também aqueles que a rodeavam e até o universo mais alargado da série.

E se, hoje em dia, tal estrutura constitui a norma, à época, Straczynski e 'Babylon 5' fizeram História, produzindo uma série diferente de qualquer outra vista até então, e que não podia deixar de granjear uma considerável base de fãs. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo o programa sido muito bem recebido aquando da sua chegada à TVI, onde fez parte da grelha de Domingo à tarde na fase em que a estação era, ainda, conhecida como 'a Quatro', acompanhando-a na transição para o canal que hoje conhecemos. E apesar de o planeado 'regresso', em 2021, nunca se ter concretizado, a série tem, ainda assim, História e credenciais suficientes (em Portugal e não só) para merecer que lhe dediquemos estas breves linhas, no mês em que completa trinta e dois anos de vida, e trinta sobre a sua estreia no nosso País

30.12.24

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui dedicámos algumas linhas a 'Ficheiros Secretos', uma das mais icónicas séries de toda a década de 90, e que granjeou milhares de fãs também em Portugal aquando da sua transmissão no nosso País, pela mão de uma ainda 'jovem' TVI. No entanto, um episódio em particular apresenta relevância temporal e temática suficiente para ser isolado da série como um todo, e nos fazer revisitar o mundo dos agentes paranormais Fox Mulder e Dana Scully.

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Falamos de 'Millennium', o quarto episódio da sétima temporada do programa, cuja acção se passa, específica e declaradamente, na passagem do ano de 1999 para 2000, embora tenha passado originalmente nos seus EUA natais cerca de um mês antes, a 28 de Novembro, tendo por isso celebrado recentemente o seu vigésimo-quinto aniversário. E embora a trama em si seja mais uma de muitas histórias isoladas e centradas numa 'ameaça da semana', o episódio é, até hoje, lembrado pelos fãs da série por uma razão específica - nomeadamente, o facto de conter o primeiro beijo canónico entre a dupla de agentes protagonistas, o qual tem lugar na Times Square de Nova Iorque ao som das doze badaladas, oferecendo aos fãs da série um momento há muito aguardado e antecipado.

Esta não é, no entanto, a única particularidade digna de nota de 'Millennium', o episódio. Isto porque o mesmo constitui, primeiro que tudo, um 'cruzamento' com a série do mesmo nome, também produzida por Chris Carter - embora muito menos bem-sucedida do que a 'atracção principal' - e também transmitida em Portugal por alturas do evento homónimo (ainda que desta vez na RTP, por oposição à 'Quatro') e novamente em 2007, pelo canal Fx. É, aliás, por isso que Mulder e Scully encetam, durante a trama, uma colaboração com Frank Black, protagonista da 'outra' série (e que não deve ser confundido com o vocalista dos Pixies). Dada a relativa obscuridade de 'Millennium', no entanto, este aspecto acaba por ser 'eclipsado' pelo marcante e impactante momento canónico contido no episódio, não deixando ainda assim de constituir mais um motivo de interesse do mesmo.

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O momento em que os protagonistas das duas séries se encontram.

Quem não tiver 'programa' neste 'réveillon', ou prefira declaradamente passá-lo a ver televisão, não deve deixar de incluir este episódio temporalmente relevante na sua lista de Ano Novo (talvez por entre episódios homólogos de 'Friends' ou 'Seinfeld') e celebrar assim o vigésimo-quinto aniversário de um dos raros momentos marcantes do 'ocaso' de uma das séries mais memoráveis de finais do Segundo Milénio.

18.11.24

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As décadas de 1970 a 1990 representaram um período áureo para a produção cómica britânica, com alguns dos seus melhores e maiores nomes não só no activo, como prolíficos nas suas produções, tornando a 'marca' 'Britcom' tão conceituada quanto apetecível para qualquer estação de televisão. E ainda que nem todas as séries da altura tenham almejado expandir-se além das fronteiras das Ilhas, houve ainda assim vários nomes que lograram 'invadir' não só a Europa como também o resto do Mundo. Portugal não foi excepção, tendo acolhido, no período em causa, várias produções do género, das quais se destacavam duas, de cariz diametralmente oposto: por um lado, as diatribes coléricas de Basil Fawlty, proprietário do hotel menos bem cotado do Mundo televisivo, maravilhosamente interpretado pelo ex-Monty Python John Cleese, e por outro, as caretas e humor físico do icónico Mr. Bean, de Rowan Atkinson, que vem fazendo rir sucessivas gerações de crianças desde a sua chegada a Portugal, algures nos anos 90.

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De facto, desde essa transmissão original, no horário nobre da RTP, a série produzida e interpretada por Atkinson vem sendo presença constante na grelha não só do canal estatal como também da 'concorrente' privada SIC, que a adquiriu nos primeiros anos do Novo Milénio, criando uma situação em que o simpático personagem semi-mudo passava quase em simultâneo em dois dos quatro canais portugueses! Seja em versão original legendada ou numa quase sacrílega dobragem portuguesa (embora Mr. Bean nunca tenha muito a dizer...) as diferentes 'curtas' do personagem raramente têm saído do imaginário colectivo português, com o seu humor baseado na elasticidade física de Atkinson a garantir o apelo universal, mesmo para quem não fala Inglês nem tem familiaridade com o típico humor britânico; e apesar de a série animada produzida para capitalizar sobre a gigantesca popularidade do personagem entre o público jovem também ter passado no nosso País, continua a ser no Mr. Bean de 'carne e osso' que as crianças portuguesas imediatamente pensam ao ouvir mencionar o seu nome.

A referida popularidade só foi, aliás, auxiliada pela edição dos episódios em VHS, no tradicional formato periódico característico da Planeta deAgostini, e acompanhados do inevitável fascículo - ao qual, neste caso, poucos terão 'ligado', sendo o mesmo pouco mais que um complemento à verdadeira 'proposta de valor', no caso as 'cassettes' com episódios. Felizmente, hoje em dia, não é preciso esperar pelo próximo fascículo, sintonizar a televisão à hora correcta, nem tão-pouco gastar dinheiro para conseguir ver e rever clássicos como 'Boa Noite, Mr. Bean' ou 'Feliz Natal, Mr. Bean', graças à 'magia' de portais cibernéticos como o YouTube, os quais proporcionam a oportunidade perfeita para recordar a fonte de tantas gargalhadas ao longo da infância, e para apresentar aos membros mais 'distraídos' das novas gerações o 'Grande Mestre' das caretas silenciosas, cujo génio fica patente no clip 'de época' com que fechamos este 'post', retirado directamente da emissão do Canal 1 da RTP do ano de 1997. Desfrutem!

 

 

22.10.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 21 de Outubro de 2024.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui anteriormente dedicámos algumas linhas a 'Beverly Hills 90210', talvez a mais bem sucedida série dramática para adolescentes da sua época, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo, e que lançou bases ainda hoje utilizadas e copiadas por programas do mesmo género. O que muitos dos que acompanhavam a série na altura talvez não recordem é que o criador da mesma, Darren Star, foi responsável por outro programa do mesmo estilo, este de teor algo mais sofisticado e adulto e que, talvez por isso, não conseguiu o mesmo grau de sucesso, mas que é ainda assim relembrado com carinho por uma grande parcela da população jovem da época.

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Falamos de 'Melrose Place', série conceptualmente muito semelhante a 'Beverly Hills 90210' (e que, tal como a mesma, seria transmitida em Portugal pela RTP) mas que transpõe o cenário de uma escola secundária para um prédio de apartamentos, obtendo assim a justificação ideal para explorar a vida de personagens algo mais velhos (na casa dos vinte anos) e com situações pessoais e profissionais algo mais assentes – o que, claro, não impede que a emoção se manifeste de forma contínua e ininterrupta, seja através das habituais relações interpessoais, seja de enredos mais abertamente dramáticos e inverosímeis, ao mais puro estilo telenovela (género, aliás, em que 'Melrose' é normalmente inserido nos seus EUA natais).

No centro da trama estão oito residentes do condomínio em questão, alguns deles interpretados por actores e actrizes já famosos (como Heather Locklear, adicionada como 'chamariz' para aumentar as audiências da série) ou que o viriam a ser posteriormente (como Vanessa Williams, a Wilhelmina Slater de 'Betty Feia'). É entre este núcleo central que se desenrolam os típicos triângulos amorosos, traições, problemas quotidianos e, como já referimos, algumas situações que obrigam a muita boa-vontade, como uma ameaça de bomba que ocorre numa das últimas temporadas. No cômputo geral, um 'prato cheio' para fãs de '90210', embora sem a vertente identificativa que aquele programa tinha para a sua audiência. Ainda assim, esta 'segunda tentativa' de Darren Star é bem merecedora de algumas linhas neste nosso 'blog' nostálgico, sobretudo por ser bem possível que alguém que o leia tenha memórias nostálgicas de a ver aquando da transmissão na RTP, mesmo à distância de mais de três décadas...

15.07.24

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

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Num mercado infanto-juvenil em que a duração média do interesse de uma franquia se salda num par de anos, conseguir manter a relevância e reconhecimento ao longo de mais de meio século não pode deixar de ser visto como uma proeza; à laia de contexto, franquias tão consensuais como Pokémon, Harry Potter ou Os Simpsons existem há pouco mais de metade desse tempo, e até mesmo O Senhor dos Anéis precisou de um 'tratamento revitalizante' por parte de Hollywood e de um realizador ambicioso e com paixão pelo projecto. E, no entanto, duas séries animadas de orçamento relativamente baixo criadas em inícios dos anos 60 (!!) conseguiram a façanha de cativar, até à data, nada menos do que quatro gerações de crianças, para quem os seus protagonistas continuam a ser instantaneamente reconhecíveis; juntem-se a esta lista outras duas que lograram manter-se relevantes por cerca de metade desse tempo, e torna-se notório que a frequentemente criticada Hanna-Barbera soube criar e explorar uma receita de enorme sucesso.

Portugal não foi, de todo, excepção ao paradigma acima delineado, tendo as famílias Flintstone e Jetson, o gato 'boa-vida' Top Cat (ou Manda-Chuva) e o icónico grupo de jovens detectives com o seu cão Grand Danois falante (além de personagens como Zé Colméia e Catatau ou Pepe Legal e o seu ajudante Babalu) conhecido sucesso imediato aquando da sua primeira chegada a Portugal, quando ainda eram relativamente contemporâneos. Nessa ocasião, os populares personagens surgiam ainda com as vozes dos talentosos artistas de dobragem da lendária companhia brasileira Herbert Richards; o regresso aos televisores nacionais, no entanto (um quarto de século depois, e novamente na RTP, nomeadamente no programa 'Oh! Hanna-Barbera') era feito com as vozes originais e com recurso a legendas, numa altura em que apenas um número relativamente reduzido de séries tinha 'honras' de dobragem nacional. Nada que impedisse o sucesso dos dois Freds (Flintstone e Jones) e respectivos familiares e amigos, da família futurista encabeçada por George Jetson ou dos gatos do beco, que prontamente conquistaram a nova audiência, tal como havia acontecido com a anterior e haveria ainda (pelo menos no caso de Scooby-Doo) de acontecer com a seguinte.

De realçar que, além de serem 'atracções principais' do referido programa, os personagens de Hanna-Barbera surgiam ainda nas televisões portuguesas por meio de uma série de episódios especiais transmitidos em ocasiões 'de festa' (com destaque para 'O Natal de Zé Colmeia' e para o filme que via George Jetson e Fred Flintstone encontrarem-se pela primeira vez cara a cara) e ainda como forma de 'encher' cinco ou dez minutos de 'tempo morto', sendo Zé Colmeia, Pepe Legal e Dom Pixote (além do icónico duo de Tom e Jerry) os personagens mais frequentemente utilizados para este tipo de função. Mais tarde, já depois da saída do ar de 'Oh! Hanna-Barbera', foram ainda transmitidas na RTP duas das quatro tentativas de literal infantilização dos personagens levadas a cabo pela companhia, talvez como forma de competir com 'Tiny Toons' e 'Muppet Babies'; no entanto, nem 'Os Filhos dos Flintstones' nem os de Tom e Jerry ('Yo Yogi!' e 'A Pup Named Scooby-Doo', as duas outras séries do estilo, ficavam de fora das escolhas da RTP) conseguiram o mesmo sucesso dos seus 'progenitores', sendo a 'malha' de abertura da segunda série mencionada o elemento mais memorável de qualquer das duas.

As versões clássicas e adultas, essas, continuariam 'de vento em popa', muito por conta das transmissões no Cartoon Network inglês (canal inserido no pacote TV Cabo) e das adaptações cinematográficas em acção real de que as duas franquias mais populares da companhia gozariam em anos subsequentes (uma das quais em breve aqui terá o seu espaço); e se, hoje, haverá menos quem identifique Manda-Chuva ou George Jetson, os Flintstones e Scooby-Doo continuam a afirmar-se como ícones verdadeiramente intemporais da animação tradicional, e a cativar mesmo os corações empedernidos da cínica Geração Z – prova, como se tal ainda fosse necessário, do sucesso da fórmula e personagens criados por William e Joe em meados do século passado.

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