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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

26.11.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui anteriormente mencionámos como o futebol de rua continua a ser, potencialmente, a mais intemporal de todas as brincadeiras, transitando celeremente de uma geração para a seguinte sem que a sua forma, conteúdo ou regras se alterem grandemente. E se, em tempos de Mundial, muitas crianças (tanto dos anos 90 como da actualidade) terão tirado do armário a sua bola de futebol de bandeiras para brincar com os amigos da rua ou da escola, muitas outras terão, certamente, preferido a boa e velha bola de borracha.

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Imutável há décadas, e presumivelmente por mais algumas - a boa e velha bola de borracha vermelha.

Outro daqueles objectos que se mantém relativamente inalterado ao longo das décadas, séculos e milénios (as que têm desenhos alusivos a propriedades intelectuais são, naturalmente, alvo de actualização, mas as 'clássicas' vermelhas e verdes continuam iguais ao que sempre foram) as bolas de borracha tinham, para uma criança daquele tempo - e, presume-se, também de agora - um objectivo algo distinto das suas congéneres forradas a cabedal e de aspecto oficial, dificilmente send usadas para jogos propriamente ditos, a não ser à falta de melhor; em contrapartida, as mesmas afirmavam-se como primeira escolha para qualquer jogo que não pedisse um tipo especial de bola ou, simplesmente, para 'dar uns chutos' no jardim com os familiares ou um ou dois amigos num Sábado aos Saltos.

Isto porque as 'vermelhas e verdes' colmatavam as suas desvantagens aparentes em relação a outros tipos de bola (nomeadamente o facto de serem muito mais sensíveis a brisas e ventos, tornando cada passe pelo ar num exercício de fé) com um maior grau de versatilidade e um muito menor nível de dor em caso de 'colisão' acidental ou propositada, o que as tornava favoritas para jogos que envolviam contacto físico, como o 'mata' – afinal, era muito menos doloroso ser atingido por uma bola de borracha leve do que por uma de futebol, vólei ou basquete! O preço bastante atractivo, e o facto de estarem disponíveis em qualquer drogaria de bairro – por aqui, compraram-se muitas na loja mesmo ao lado da escola – ajudava a compôr o leque de pontos positivos deste tipo de bola, e a assegurar que as mesmas se tornavam parte integrante da infância e juventude de várias gerações de crianças portuguesas-

Conforme mencionámos no início deste texto, o tipo de bola em análise neste post ainda hoje se encontra disponível em qualquer loja de bairro, e até em alguns estabelecimentos maiores, exactamente nos mesmos moldes que tinha nos anos 90, afirmando-se como um dos cada vez menos numerosos pontos de ligação entre essa década e a actual; razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas este Sábado, e para quaisquer pais que se lembrem de jogar com elas em pequenos se dirigirem ao 'chinês' mais próximo e adquirirem uma para os seus filhos...

 

05.11.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Numa edição anterior desta rubrica, falámos dos carros telecomandados, um dos 'sonhos molhados' de qualquer rapaz dos anos 90 ao aproximar-se o Natal ou o seu aniversário. No entanto, por muito que este fosse um tipo de brinquedo para exibir o mais possível nos dias e semanas imediatamente após ser recebido, o mesmo não era, nem de longe, o mais frequentemente visto ou levado à rua nos passeios diários ou de fim-de-semana com os pais; essa distinção cabia a outro tipo de 'veículo' de exterior – aqueles aos quais bastava atar um fio de cordel para se poder puxar para todo o lado.

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Exemplo moderno do tipo de brinquedo de que falamos neste 'post'

Maioritariamente destinados a ser usados por crianças mais novas, de ambos os sexos, estes brinquedos competiam com as também tradicionais rodas (sendo a única diferença o facto de as ditas serem empurradas à frente do corpo, enquanto os brinquedos com rodas eram maioritariamente puxados) bem como com os próprios carros telecomandados, dos quais havia versões simplificadas, que substituíam o complexo comando por um simples volante ou 'joystick' com um ou dois botões, e conectavam o mesmo ao carro por meio de um fio, que assegurava que o veículo se mantinha sempre a uma distância fixa da criança que o comandava. Escusado será dizer que esta alternativa 'júnior' aos populares Nikko era bastante menos apreciada entre os jovens da época (embora tivesse o seu público entre as crianças mais pequenas, para quem os carros R/C tradicionais se afiguravam excessivamente complexos) ficando a sua comercialização, normalmente, restrita a lojas de brinquedos ou drogarias de bairro, daquelas em que nunca se sabia muito bem exactamente DE ONDE vinham os artigos expostos, que não pareciam existir em mais parte nenhuma...

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Exemplo bastante típico de um veículo (quase) telecomandado...

Os restantes brinquedos deste tipo, no entanto (que tanto podiam ser veículos como animais estilizados sobre rodas) faziam bastante sucesso entre o seu público-alvo, até por serem bem mais acessíveis – o jovem médio dos anos 90 apenas teria, com sorte, um ou dois carros telecomandados no armário, mas decerto não faltariam no mesmo camiões ou barcos com um cordel atado, que se pudessem levar 'de passeio' até ao parque infantil...

Hoje em dia, como tantas das outras coisas de que vimos falando nestas páginas, este tipo de brinquedo caiu em desuso – embora outros, como as bonecas, os peluches, as bolas ou os carrinhos de plástico ou metal, retenham o seu lugar no coração das crianças e jovens, tanto como há trinta anos atrás. Assim, já só a última geração a nascer e crescer no século XX lembrará o simples prazer de arrastar atrás de si, pela rua, um veículo ou animal de plástico, e ouvir o barulho das suas rodas à medida que o mesmo galgava quilómetros na calçada...

22.10.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui por diversas vezes aludimos ao 'atraso cultural' que Portugal vivia nas décadas de 80 e 90, e que fazia com que a maioria dos produtos mediáticos e sócio-culturais só 'aterrassem' nas nossas costas vários anos, ou até décadas, após terem feito sucesso no resto do Mundo. Quando a isto se juntava a característica cíclica da maioria das modas – que tende a regressar, ou pelo menos a ser lembrada, algumas décadas após a sua popularidade inicial – o resultado inevitável era a permanência de muitas das referidas tendências no nosso país, anos depois de terem sido consideradas obsoletas no restante Mundo ocidental.

Um exemplo dessa mesma tendência foram os aros ou arcos destinados a serem balançados na cintura - os chamados ´hula hoops', dado o movimento necessário para os equilibrar lembrar a dança havaiana do mesmo nome. Tão conhecidos quanto populares em países como os Estados Unidos desde as décadas de 50 ou 60, este tipo de brinquedo estava já na sua fase de 'regresso' quando, em finais dos anos 80 e inícios de 90, chegou a Portugal, ainda a tempo de cativar algum público (sobretudo feminino) e o levar a, literalmente, testar o seu 'jogo de cintura'.

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De facto, apesar de não ser tão popular nos recreios de escolas portuguesas como outras brincadeiras de que aqui vimos falando, os arcos tiveram o seu espaço entre a juventude da geração 'millennial' – e a verdade é que a habilidade para este exercício dava, pelo menos, tanto direito a 'gabarolice' como o 'jeito' para saltar à corda ou ao elástico. Isto porque, ainda mais do que para qualquer desses, esta era daquelas actividades para as quais ou se tinha jeito, ou não se tinha; era, claro, possível treinar e melhorar a técnica, mas o ponto de partida depreendia, desde logo, mais habilidade e coordenação motora do que qualquer dos seus congéneres. Não é, pois, de admirar que os arcos tenham assumido, em Portugal, outra função, quiçá algo inesperada, e com a qual ainda hoje são conotados, como parte integrante do material de muitos professores de ginástica, que os usavam não só para a sua função designada, como também como obstáculo em exercícios de corrida, ou simples marcador de lugar ' funções alternativas a que, aliás, estes acessórios se prestavam lindamente.

Em suma, ainda que não tenham gozado em Portugal da popularidade que granjearam em outros países, os arcos 'hula hoop' foram, ainda assim, parte suficiente da infância e adolescência de muitos 'produtos' das décadas de 80 e 90 para merecerem este pequeno destaque nas nossas páginas – ainda que, por aqui, se tivesse pouco ou nenhum jeito para a 'coisa'...

08.10.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Apesar de, tecnicamente, o Verão ter já findado, e o regresso às aulas estar já instaurado em pleno nas escolas portuguesas, o calor que se vem fazendo sentir continua a convidar a uma ida à praia ou piscina, ou pelo menos, a uns salpicos na piscina de quintal; e a verdade é que, especialmente nos anos 90, nenhuma dessas actividades ficava completa sem a presença de um colchão insuflável.

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O modelo mais comum deste tipo de acessório.

Acessório intemporal, mas que teve em finais do século XX o seu auge de popularidade, os colchões aquáticos são daqueles produtos cujo apelo é, por demais, fácil de explicar – afinal, qual a criança que não gosta de se sentir a flutuar em cima de algo que oferece perfeita segurança? É o mesmo princípio das pranchas de bodyboard (outra diversão 'de praia' super-popular entre o segmento mais jovem, tanto da época como de hoje em dia) mas com a diferença de ser preciso muito mais para virar um insuflável do que uma prancha. Ainda assim, estes colchões não ficavam alheios a alguns 'tombos', sobretudo por parte de quem achava boa ideia pôr-se de pé em cima dos mesmos...

E apesar de os colchões 'normais' serem já por demais apelativos para o seu público-alvo, alguns fabricantes aperfeiçoavam ainda mais a fórmula oferecendo insufláveis com partes translúcidas ou transparentes, que permitiam ver o que se passava por debaixo do colchão, na água; e apesar de jamais criança alguma ter ido longe o suficiente da costa para ver mais do que quantidades infindáveis de areia batidas periodicamente pelas ondas, os colchões com esta simples mas entusiasmante característica puxavam, inevitavelmente, pela imaginação, criando a fantasia e expectativa de, um dia, se conseguir ver algo mais...

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Os colchões com 'janela' proporcionavam uma experiência ainda mais divertida que o habitual.

Com ou sem 'janela', no entanto, a verdade é que os colchões insufláveis (bem como os seus outros congéneres, como canoas ou barcos) foram parte integrante da infância de muitas crianças portuguesas de finais do Segundo Milénio – e, ainda que em menor escala, também de hoje em dia – tornando justificada a sua presença nesta rubrica.

24.09.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O conceito de que não é preciso conceitos muito sofisticados para entreter uma criança ou jovem (sobretudo de menor idade) foi, por várias vezes, abordada aqui no Anos 90 – e, desta feita, chega a vez de adicionar mais um 'item' a essa lista em rápido crescimento. E se também já aqui anteriormente falámos de bolas (no caso, de futebol), neste post iremos abordar uma variante desse mesmo brinquedo, muito popular na época estival que ora finda.

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O modelo mais comum deste tipo de brinquedo.

Falamos das bolas de praia insufláveis, em tempos parte integrante e obrigatória da 'bagagem' de qualquer ida à praia ou piscina de ar livre com crianças. Invariavelmente maiores do que os próprios utilizadores, e normalmente decoradas com riscas verticais coloridas alternadas com branco, ou bonecos de um qualquer 'franchise' infantil da moda, estas bolas tinham, logo aí, dois importantes atractivos para crianças abaixo de uma certa idade, nomeadamente as ainda demasiado novas para se importarem com o facto de que qualquer jogo com as mesmas era, em virtude do seu tamanho e leveza, necessariamente muito menos preciso do que uma partida de 'raquetes' ou até um jogo de 'disco voador'; um jogo de futebol, por exemplo, era praticamente impossível, e mesmo a habitual troca de bola ao estilo 'futevólei' acabava, muitas vezes, com algum dos jogadores (ou um adulto) em perseguição rápida da bola, a fim de impedir que a mesma fosse levada pela maré.

Nada, no entanto, que desencorajasse as crianças 'noventistas' de continuarem a adquirir (e a divertir-se à grande com) este tipo de brinquedo, o qual continuou a ser quase indispensável entre os brinquedos de praia ou piscina até já depois da viragem do milénio, sendo mesmo uma opção popular de brinde em promoções de Verão – as da Nivea, por exemplo, foram quase tão icónicas como as suas congéneres famosamente 'plantadas' em postes de praias por esse Portugal fora na mesma época.. Desde então, no entanto (e apesar de ainda se encontrar largamente disponível em lojas de bairro, de praia, ou até em certas grandes superfícies) este tipo de diversão tem, gradualmente, vindo a perder preponderância nas praias portuguesas, substituída por outras, mais modernas e quiçá mais apelativas para as gerações correntes; quem cresceu nas últimas décadas do século XX, no entanto, não esquecerá os momentos de pura diversão que aquelas simples bolas coloridas, 'de encher', e quase maiores do que eles lhes proporcionou nos Verões da sua infância...

10.09.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

por várias vezes aqui mencionámos que, por vezes, os conceitos mais simples são mais do que suficientes para entreter uma criança ou jovem – e o item de que falaremos neste 'post' é prova disso mesmo. Isto porque, apesar de não ser o brinquedo MAIS básico de sempre, o tema deste Sábado aos Saltos não deixa de ser pouco mais do que um pedaço de plástico ou borracha moldado numa forma arredondada – o que não o impede de ser um dos divertimentos mais populares um pouco por todo o Mundo desde, pelo menos, de finais do século XX.

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Dois 'primos' diferentes, mas de propósitos muito semelhantes.

Falamos, claro, dos clássicos 'discos voadores' (conhecidos internacionalmente como 'frisbees'), e dos seus 'irmãos mais novos', os ringues de borracha – dois tipos de produto que, em Portugal, constituíam mesmo a principal alternativa às raquetes e à tradicional bola (insuflável ou de futebol ou vólei) como o jogo de Verão por excelência. Embora tivessem, em relação aos mesmos, um 'handicap' considerável – nomeadamente, o facto de estarem sujeitos aos caprichos do vento, o que resultava em lançamentos muito pouco precisos que obrigavam, a maioria das vezes, a que um dos jogadores fosse buscar o brinquedo a uma distância considerável – estes dois 'primos direitos' colmatavam essa pecha com o facto de serem, como as raquetes, universalmente aceites por jovens e adultos de todas as idades, constituindo portanto um excelente divertimento familiar.

Também à semelhança das raquetes, os 'discos voadores' em plástico continuam a ser vendidos em larga escala hoje em dia, ainda que a sua presença nas praias e jardins portugueses seja, agora, muito menor, e o seu uso esteja maioritariamente confinado aos donos de cães de companhia – o que, aliás, acontece também com os ringues de borracha; quem cresceu em finais do século passado, no entanto, certamente terá memórias associadas a 'correrias' pela areia atrás de um disco que, de tão alta e rapidamente que voava, parecia em riscos de ir parar à praia seguinte...

29.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 27 de Agosto de 2022.

NOTA: Dado o carácter temporalmente relevante deste post, o Sábado aos Saltos programado foi adiado uma semana. Assim, os próximos dois Sábados serão ambos de Saltos.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

Apesar da enorme diversidade de títulos de qualidade para crianças e jovens, a leitura nunca foi, e continua a não ser, um passatempo consensual entre esta demografia: no entanto, para quem gosta de ler, há um evento anual que vem, desde há décadas, constituindo um dos pontos altos do calendário de cada ano: a Feira do Livro, o tradicional certame que, durante duas semanas de cada ano, reúne num só local todas as principais editoras nacionais, cada uma numa das tradicionais e icónicas 'barraquinhas', e todas oferecendo promoções e preços exclusivos para visitantes do referido evento.

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A Feira do Livro do Porto

Com lugar, habitualmente, de finais de Maio a meados de Junho (apesar de este ano terem sido adiadas um par de meses, tendo finalmente aberto na semana que ora finda, especificamente a 25 de Agosto) as Feiras do Livro de Lisboa e Porto podem já não ter o atractivo que outrora tiveram – na de Lisboa, por exemplo, sente-se a falta das tradicionais barracas coloridas, tendo a opção por um esquema de cores uniformizado em preto e castanho retirado ao certame muito do seu 'charme' visual – mas continuam a ser ponto de passagem obrigatório, a cada Verão, para os fãs de leitura (e intelectuais em geral) das duas principais cidades do País, oferecendo uma excelente oportunidade de colmatar lacunas na biblioteca pessoal, descobrir novos títulos em negócios de ocasião ou contactar em primeira mão com autores e editores. Assim, não é de todo de admirar que ambos os eventos continuem a ter níveis de adesão bastante consideráveis por parte das respectivas populações locais – até porque a localização de cada Feira (em bonitos parques do centro de ambas as cidades) propicia, e até convida, a um passeio, mesmo que não se tenha grande interesse em livros...

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O Parque Eduardo VII, a icónica localização da Feira do Livro de Lisboa

Conforme referido, no entanto, as Feiras do Livro perderam algum do charme e individualismo de que gozavam em finais do século XX e inícios do Terceiro Milénio, seguindo hoje um formato bastante mais padronizado e, como tal, menos interessante; ainda assim, a relevância e interesse deste certame no calendário cultural português continua a justificar plenamente a sua realização, que – espera-se – continuará em anos vindouros; afinal, qualquer incentivo à leitura, principalmente entre os jovens, apenas poderá ser considerado positivo...

 

06.08.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O Verão é, em Portugal, praticamente sinónimo com as idas à praia ou para parques de campismo e caravanismo – duas situações que, por sua vez, são praticamente sinónimas com os jogos de raquetes. E se, de entre estes, o 'rei' era e continua a ser o Beach Ball – que já aqui abordámos – a verdade é que os anos 90 trouxeram, pelo menos, um competidor à altura para as famosas raquetes de madeira: as luvas com velcro e bola condicentemente 'pegajosa'.

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Conhecidos no Brasil pelo nome de 'frescobol', estes híbridos de raquete, luva, e acessório de treino de artes marciais – pela maneira como eram seguros, deslizando a mão por dentro de uma pega localizada nas costas de cada raquete – foi, também, sobejamente conhecido dos 'putos' dos anos 90, tanto pelos largos momentos de diversão que proporcionava, como pela habilidade que requeria; afinal, neste jogo, não bastava atirar a bola ao ar e batê-la para o parceiro – era necessário lançá-la directamente da própria luva, à qual se encontrava colada, uma nuance que requeria tanta habilidade e 'jogo de pulso' como força por parte do lançador, sob pena de o apanhador ser obrigado a fazer uma 'acrobacia' ou ir mesmo buscar a bola ao chão. O facto de a referida bola ser aproximadamente do tamanho e peso de uma de ténis ainda tornava tudo ainda mais complicado e desafiante – e, quando corria bem, ainda mais gratificante e divertido.

Estas características, aliadas ao preço relativamente acessível e larga oferta deste tipo de jogo (à época, disponíveis em qualquer loja de praia, e mesmo em algumas lojas 'generalistas' e supermercados) fez com que o mesmo se tornasse um favorito de Verão para grande parte das crianças e jovens dessa época – uma tendência que, presumivelmente, teria continuado, não fosse o facto de este jogo (como tantos outros de que aqui falamos) ter, gradualmente, desaparecido das prateleiras, até se tornar uma daquelas anomalias nostálgicas que uma rápida pesquisa no AliExpress revela ainda existirem para compra, embora o público-alvo tenha desaparecido há pelo menos vinte anos; ainda assim, é bom saber que ainda é possível a quem teve – e adorou – este tipo de raquete apresentá-la às novas gerações, despoletando assim, potencialmente, um 'reviver' da mesma em praias e parques de campismo por esse Portugal afora, tal como se verificava no 'nosso' tempo...

 

23.07.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Com a época balnear oficialmente em curso, e as temperaturas a atingirem máximas poucas vezes vistas, poucas coisas apetecem mais do que um mergulho, seja na praia, numa piscina pública ou num dos cada vez mais raros aqua-parques ainda resistentes em certos pontos do País; isto porque, infelizmente, a outra opção disponível para as crianças e jovens dos anos 90 e 2000 já não é, pelo menos para esses mesmos ex-'putos', viável.

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Quem sabe, sabe...

Falamos das piscinas de quintal, aqueles mistos de brinquedo e instrumento utilitário que, depois de devidamente insuflados, davam a quem tinha a sorte de os possuir muitos momentos de diversão em dias de maior calor, muitas vezes até na companhia de familiares ou amigos da mesma idade.

E se é verdade que, na era do digital e da conectividade global, é difícil perceber o apelo do que era basicamente uma versão mais 'chique' de uma tina ou tanque (especialmente uma que apenas permitia um volume de água extremamente raso) a verdade é que nenhuma criança daquela época que tenha tido a sorte de ter essa experiência a trocaria por qualquer aparelho 'Bluetooth' ou 'drone', especialmente em épocas como a que actualmente se vive em Portugal, com o calor abrasador e a fazer estragos; a conveniência de apenas ter de chegar ao quintal para se refrescar (e de poder permanecer na água o tempo que se quisesse, ao contrário do que acontecia, por exemplo, com os banhos de mangueira) tinha muito mais valor do que se pudesse, à primeira vista, pensar – tanto assim que quem não tinha espaço ou dinheiro para adquirir uma destas piscinas, normalmente desejava que a situação fosse a contrária, para que também eles pudessem disfrutar da experiência que os amigos e colegas viviam naqueles Sábados em que os únicos Saltos que apetecem dar são mesmo dentro de água...

É de crer que, hoje em dia, as piscinas de quintal para crianças não tenham ainda desaparecido; afinal, a simples diversão de um banho rodeado de brinquedos (e, com sorte, amigos) é daquelas sensações verdadeiramente intemporais. A verdade, no entanto, é que estes apetrechos cada vez se vêem menos, quer em lojas, supermercados e hipermercados, quer em quintais por esse País fora, pelo que resta esperar que este não seja mais um daqueles produtos nostálgicos para toda uma geração, mas actualmente em 'vias de extinção'...

09.07.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Apesar de o futebol de rua ser, de longe, a escolha mais comum para qualquer grupo de crianças munidas de uma bola (fosse na década de 90 ou em qualquer outra altura da História) o mesmo estava longe de ser a ÚNICA opção disponível nesse aspecto; e se opções como o voleibol ou o basket eram igualmente populares, ainda que a sua prática implicasse a existência de infra-estruturas facilmente acessíveis, outros jogos havia que necessitavam, apenas, do mais básico em termos de material – uma bola, jogadores em número suficiente, e espaço para levar a cabo a actividade.

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Era o caso, por exemplo, do jogo da parede, que recentemente aqui abordámos, mas também da sempre popular 'rabia' (ou 'meiinho'), essa actividade tão popular como aquecimento para aulas de Educação Física como como brincadeira competitiva, e cujas regras eram simples: o jogador no centro do círculo tentava interceptar a bola que era casualmente passada entre os colegas, sendo substituído por quem quer que tivesse feito o passe 'transviado'.

Não havendo jogadores suficientes para uma 'rabia' ou um 'três-para-três' (o número mínimo aceitável para uma partida de futebol de rua) podia, ainda, jogar-se às 'fintas' – onde, como o nome indica, a humilhação do adversário era mais importante do que os remates ou golos – ou à sempre popular variante 'baliza-a-baliza' (também conhecida como 'baliza-balizinha') em que até quatro jogadores, divididos em equipas de dois, tentavam marcar golo de um lado ao outro do campo – ou, em certas variantes mais 'benevolentes', de qualquer ponto até à linha de meio-campo própria.

Além destes jogos 'universais' – jogados aproximadamente da mesma maneira em qualquer ponto do País – cada zona, ou até bairro ou escola, tinha as suas próprias variantes do que fazer com uma bola e um grupo de crianças ou jovens. Na nossa escola preparatória, por exemplo, vigorava em meados da década um jogo conhecido como 'Um-Dois-Mata', que consistia em dar determinado número de toques de vólei entre o grupo (normalmente dois ou três), podendo o jogador que se seguisse 'matar' um qualquer membro do círculo, mediante uma certeira 'sapatada'; no entanto, se o referido alvo almejasse agarrar a bola, em vez de ser atingido por ela, era o 'assassino' quem se teria de retirar do círculo, podendo a 'vítima' continuar em jogo.

Enfim, como terá ficado bem patente, os únicos requisitos para uma tarde de diversão com bola nos anos 90 eram um grupo de amigos e muita imaginação – um paradigma que, desconfiamos (e ao contrário de tantos outros que abordamos neste nosso blog) se manterá até aos dias que correm...

 

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