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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

14.05.23

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 13 de Maio de 2023.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

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Um tipo de local tão interdito como irresistível para os jovens de finais do século XX.

As interdições de origem parental são parte integrante da infância de qualquer criança, independentemente da época em que tenha crescido. Apesar de alguns jovens terem mais liberdade do que outros, seja por que motivo for, poucos ou nenhuns haverá que possam, honestamente, dizer que nunca foram proibidos de participar em certas actividades ou visitar certos locais, ou admoestados por desobedecerem a essa regra. E a verdade é que, numa época em que as crianças e jovens eram consideravelmente menos vigiados do que hoje em dia, a tentação de visitar locais ou tomar parte em actividades de alto risco era quase irresistível. Edifícios abandonados, ribeiros de forte corrente, zonas interditas de locais públicos ou até lagos ou poços de considerável profundidade suscitavam um inexorável e inegável fascínio aos jovens noventistas, que os fazia arriscar um ralhete, ou até uma 'sova', simplesmente para satisfazer o desejo de explorar os referidos locais, e descobrir que maravilhas os mesmos poderiam conter.

À distância de três décadas, e tantos outros anos de experiência, é fácil ver a razão pela qual a maioria dos pais procurava manter a sua prole afastada de tais locais – desde os perigos naturais à potencial presença de elementos nocivos, ou simplesmente o risco físico que a situação acarretava, havia mil e uma razões para acatar os avisos dos mais velhos. Para uma criança, no entanto, tais alertas não passavam de paranóias, parecendo a probabilidade de os mesmos se concretizarem suficientemente remota para sequer ser factor a considerar – uma situação que se alterou, e muito, a partir do momento em que esses mesmos jovens passaram, eles próprios, a ser pais, e recordaram as situações electrizantes em que se colocavam durante um Sábado aos Saltos longe da supervisão dos adultos. Se tal mudança pode ser considerada positiva ou negativa, só o tempo o dirá, mas uma coisa é certa: a Geração Z será, certamente, bastante menos castigada por este motivo específico do que o foram os 'X' e 'millennials'...

15.04.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O facto de as crianças dos anos 80 e 90 extraírem horas de repetida diversão dos brinquedos ou ideias mais simples já se vem tornando uma espécie de temática deste nosso blog, com publicações anteriores a darem atenção a conceitos tão complexos, sofisticados e elaborados como os berlindes, as bolas saltitonas, os brinquedos de puxar e empurrar, os 'discos voadores', os microfones de eco ou até os tubos giratórios que criavam eco, já para não falar na miríade de jogos (de rua ou de casa) que os 'putos' inventavam ou aprendiam durante as brincadeiras na rua. O objecto sobre o qual nos debruçamos hoje não é excepção a esta regra, podendo tranquilamente ser adicionado a esta lista de diversões simples mas irresistíveis daqueles anos imediatamente pré- e pós-Milénio; de facto, àparte o facto de requerer algum trabalho 'manual' para ser criado, o mesmo pode, até, ser considerado um dos conceitos mais simples da mesma.

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Um baloiço de pneu de formato clássico...

Falamos dos baloiços de pneu, a grande alternativa 'feita em casa' para quem não tinha um parque infantil próximo de casa - e recordemos que, na primeira metade dos anos 90, este era ainda o caso em muitas povoações portuguesas, como nos lembrava Vítor de Sousa num lendário anúncio do Tide Máquina. Assim, muitos dos jovens da referida geração crescidos neste tipo de ambiente mais rural ou suburbano terão, provavelmente, passado significativamente mais tempo a balançar-se num pneu pendurado de uma árvore (quer horizontalmente, quer verticalmente) do que nos baloiços de um parque infantil 'a sério', sendo os mesmos parte integrante da sua memória nostálgica.

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...e a variante mais 'industrial' surgida em muitos parques infantis de meados dos anos 90

Mais surpreendente é o facto de aquilo que era inicialmente uma solução 'de recurso' para colmatar a falta de infra-estruturas ter, eventualmente, sido incorporado a essas mesmas infra-estruturas, sendo que, por alturas de meados da década de 90, muitos parques infantis urbanos começavam, eles próprios, a incluir baloiços de pneu, por vezes lado a lado com os de metal, madeira ou pano, ou por vezes até em lugar dos mesmos; nada que incomodasse muito as crianças urbanas, no entanto, já que as mesmas rapidamente descobriam neste brinquedo rústico, mas extremamente eficaz o mesmo encanto que as suas congéneres mais 'campestres' já sabiam que este possuía – e o qual lhe vale, agora, um bem merecido lugar na galeria de brincadeiras de exterior nostálgicas recordadas nestas nossas páginas...

03.04.23

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sábado, 01 de Abril de 2023.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

No dia 1 de Abril celebra-se, tradicionalmente, o Dia das Mentiras, uma data sem grande significado para os adultos, mas que, para os mais novos, era o pretexto perfeito para contar 'petas' sem por isso se meter em sarilhos, bem como para levar a cabo algumas 'partidas' mais ou menos inofensivas tendo como 'vítimas' os familiares, vizinhos ou amigos. É de algumas das mais clássicas entre essas brincadeiras que falaremos neste 'post'.download.jfif

Uma partida clássica e intemporal

Havia, por exemplo, as clássicas partidas com recurso a balões de água ou estalinhos, que embora tivessem no Carnaval o seu auge, eram também por vezes levadas a cabo em outras alturas do ano. Outro clássico eram os insectos de borracha, à época bem fáceis de arranjar como brinde nas máquinas de bolas ou em qualquer tabacaria, drogaria ou loja de brinquedos, e perfeitos para assustar os familiares à mesa ou 'esconder' num sítio onde causassem o máximo impacto. Havia, ainda, a velha brincadeira de bater à porta ou tocar à campainha e sair em disparada antes que o dono da casa aparecesse, bem como as tradicionais partidas telefónicas, normalmente efectuadas a partir de cabines telefónicas, e tendo como alvo os números gratuitos, caso em que as consequências monetárias eram mínimas (nem sequer era preciso gastar impulsos no Credifone), e a possibilidade de ser descoberto através do número menor ainda.

Estas não eram, claro, as únicas partidas levadas a cabo pelas crianças daquela época; antes pelo contrário, havia um sem-número de outras, de variados graus de 'gravidade' (dos 'nhecos' aos toques nas costas, imediatamente seguidos de um ar inocente, como se não se tivesse tocado) sendo o único limite a imaginação (e, por vezes, os princípios morais). Algumas dessas (e algumas das que acima mencionámos) continuam, mesmo, a divertir a nova geração de crianças nos dias que correm - embora, actualmente, o meio preferencial para pregar 'partidas' seja mesmo a Internet, e o cariz das mesmas se prenda mais com as identidades falsas e o chamado 'catfishing'. Quem viveu a sua juventude em finais do século XX, no entanto, terá - esperemos - chegado a estas últimas linhas deste 'post' com um enorme sorriso, ao recordar as partidas em que tomava parte ao lado dos amigos...

18.03.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

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A 'fava' saiu, claramente, ao miúdo de t-shirt laranja...

Já aqui por várias vezes mencionámos que, muitas vezes, as experiências e conceitos mais simples são, também, os mais marcantes, especialmente para a mente algo linear de uma criança; e, para quem nasceu ou cresceu nas últimas duas décadas do século XX e nos primeiros anos do seguinte, um dos melhores exemplos disto mesmo são os jogos tradicionais de rua. Com premissas e objectivos invariavelmente simples, e regras esparsas o suficiente para serem memorizadas e transmitidas oralmente entre grupos de crianças, e até entre gerações, estas brincadeiras não deixam, ainda assim, de ser das mais lembradas ao recordar os tempos de infância – e nenhuma recordação desse tipo fica completa sem lembrar os não menos simples e não menos divertidos métodos de selecção ligados a esses jogos.

Enquanto que o futebol de rua adoptava uma estratégia simples, linear e 'cientificamente' testada por incontáveis gerações de 'putos' (dois capitães auto-seleccionados que escolhiam jogadores à vez até os mesmos acabarem) as brincadeiras que ditavam que apenas uma criança fosse a 'escolhida' (normalmente para o 'coito') faziam uso de métodos bem mais criativos e divertidos, normalmente baseados numa qualquer 'cantilena', semelhante às que inspiravam os jogos de 'palminhas'. E se, em gerações passadas, essa récita foi, invariavelmente, o tradicional 'Um-dó-li-tá', as crianças dos anos 90 e 2000 tinham ao seu dispôr uma outra 'lenga-lenga', não menos memorável e tão ou mais utilizada – o icónico 'aviãozinho militar', que provavelmente seria hoje em dia 'cancelado' por incitar ao bombardeamento de nações ao redor do Mundo, mas que à época era, apenas, um dos sistemas por excelência para escolher quem 'ficava' antes de um jogo de escondidas ou apanhada.

Melhor: este sistema permitia, ainda mais que o 'Um-Dó-Li-Tá', envolver os restantes jogadores, já que a primeira selecção era destinada, não a escolher o jogador que iria 'ficar', mas apenas a apontar uma pessoa para nomear o país em que a bomba do aviãozinho havia caído, e que iria servir de base à segunda parte da escolha, em que as suas sílabas eram separadas, sendo escolhido o jogador para quem o 'seleccionador' apontasse aquando da última sílaba – um sistema que parece complexo ao ser explicado assim, mas que era perfeitamente intuitivo para qualquer criança em situação de pré-jogo.

Existiam, é claro, outras formas de seleccionar um 'contador' para ir para a parede, como o 'par ou ímpar' ou 'pedra, papel, tesoura', ou até o 'cara ou coroa'; no entanto, nenhum destes (com a possível excepção do 'pedra, papel, tesoura', que revisitaremos em tempo) era tão memorável ou nostálgico como os métodos de que falámos atrás, pelo que serão estes os que, inevitavelmente, surgirão na mente de qualquer ex-'puto' daquele tempo que tente recordar os jogos que fazia na rua com os amigos.

 

18.02.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O terceiro fim-de-semana de Fevereiro fica, no calendário lusitano, normalmente marcado pela festividade conhecida como Carnaval, a qual, por sua vez, acarreta consigo uma série de acções e tradições próprias e características, sem as quais a festa não tem o mesmo colorido. E por o Carnaval ser, historicamente, uma festa ligada à diversão (mais ou menos) sem regras, várias destas tradições tem um pendor algo 'maroto', procurando incomodar ou inconvenienciar o próximo – embora, claro, também haja algumas mais 'inocentes' e cujo espírito é meramente de festa. Este Sábado, elencamos cinco das principais diversões que punham os 'putos' noventistas aos Saltos a cada fim-de-semana de Carnaval.

  1. Serpentinas

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A menos lesante das divesões contidas nesta lista, o lançamento das tradicionais fitas em papel colorido tinha (e tem) a desvantagem de poluir bastante as ruas. Ainda assim, a sensação de ver aquela 'cobra' de papel desenrolar-se a um toque de pulso nunca deixará de ser gratificante, especialmente para uma criança ou jovem – à qual acresce, ainda, a possibilidade de ver o rolo embater numa qualquer cabeça mais desprevenida, juntando uma vertente cómico-maliciosa a todo o processo. Ainda assim, as serpentinas ficam mesmo pelos lugares inferiores da lista, por serem menos populares e versáteis do que os restantes divertimentos nela contidos.

  1. Martelinhos

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'Reciclados' das festas do São João, no Porto, os martelinhos têm a dupla aliciante de 'chatear' sem magoar, já que as suas superfícies são, regra geral, plastificadas e maleáveis, expressamente para permitirem bater nos mais diversos 'alvos', gerando a cada vez o tradicional 'pio', quase tão irritante quanto o próprio acto de levar com eles. Um 'clássico' do Carnaval, ainda hoje, que só fica a perder em relação aos três outros produtos ainda por citar no campo da versatilidade e potencial destrutivo.

  1. Balões de Água

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Já aqui lhes dedicámos um post completo – no qual, aliás, referimos o perigo de passar desprevenido debaixo de prédios de apartamentos na altura do Carnaval, tornando-se assim o alvo perfeito para um balão de água em queda livre em direcção ao alto da cabeça. Além desta vertente, os balões de água podiam ainda ser atirados a veículos – embora poucos fossem os que se atreviam, pelo alto potencial de acidentes que tal acto causava – ou usados em 'guerras' entre amigos ou rivais, razão que os via ser banidos da maioria das escolas do País nesta época do ano.

  1. Estalinhos

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Também já aqui falámos destes pequenos mas ruidosos apetrechos, ideais para assustar os mais distraídos, normalmente fazendo-os estalar mesmo nas suas costas – uma prática a que poucos conseguiam resistir durante este período...

  1. Ovos

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Um dos muitos resultados do lançamento de ovos durante o Carnaval.

A mais perigosa das diversões aqui citadas, mas também a que oferecia maior potencial destrutivo – e, por isso mesmo, a mais apreciada por quem via no Carnaval uma oportunidade de 'pregar partidas' e se portar mal sem consequências. Também, naturalmente, banido da maioria dos estabelecimentos escolares, este produto alimentar acabava ainda assim, inevitavelmente, espalhado nas roupas e cabelos dos jovens mais incautos, num efeito semelhante ao dos balões de água, mas ainda mais destrutivo – valendo-lhes, assim, a vantagem sobre os mesmos, e o primeiro lugar nesta nossa lista.

O que acharam deste Top 5? Concordam? Discordam? Esquecemo-nos de alguma 'partida'? Façam-se ouvir nos comentários!

04.02.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Em edições passadas desta rubrica, falámos de alguns dos mais populares meios de locomoção infanto-juvenis dos anos 90, dos carrinhos e motas eléctricos para os mais pequenos às bicicletas BMX, 'karts' a pedal, skates ou patins em linha; esta semana, chega a altura de adicionar mais um item a essa lista, sob a forma de um veículo intemporal e que gozou de vários 'regressos' ao longo das últimas décadas – o mais recente dos quais sob a forma de meio de locomoção sustentável urbana.

Falamos da trotinete, esse perene elo de ligação entre o 'skate' e a bicicleta, em tempos visto como estritamente para crianças pequenas, mas que, com o advento dos desportos radicais e do Novo Milénio, passou também a encontrar grande aceitação junto de um público ligeiramente mais velho, que não teria, anteriormente, querido de forma alguma ser associado a algo deste tipo.

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Exemplos modernos do que se entendia por trotinete no início e no final da década de 90.

De facto, nos primeiros anos do século XXI, as trotinetes deixaram de ser plásticas e com cores habitualmente associadas aos muito jovens, para passarem a ter um 'design' mais 'radical', em metal monocromático, e práctico, já que as mesmas se podiam dobrar ao meio e acondicionar dentro do saco oferecido no momento da compra – uma medida que, acredita-se, tenha sido bem aceite por muitos pais, já que os referidos veículos podiam, agora, ser guardados a um canto do quarto, sem que houvesse a necessidade de reservar espaço para elas na garagem. Estranhamente, e ao contrário tanto das suas antecessoras como de muitas outras modas abordadas nestas páginas, este modelo de trotinete nunca saiu totalmente de moda, sendo ainda possível ver a ocasional criança ou jovem 'a bordo' de uma.

No entanto, é indiscutível que, para as novas gerações, a palavra 'trotinete' fica, primeiramente, associada aos modelos eléctricos que é, actualmente, possível vislumbrar (muitas vezes abandonadas ou mal estacionadas) nas grandes cidades do nosso país, como parte de uma iniciativa de mobilidade urbana; assim, é possível que quem é hoje jovem nunca tenha visto, e ainda menos usado, uma das variantes clássicas movidas à força de pés. Quem o fez, no entanto, decerto terá boas memórias associadas à experiência, que poderá sempre, se assim o entender, transmitir às referidas novas gerações – usando, quem sabe, este 'post' como ponto de partida ou referência...

21.01.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Como já aqui anteriormente mencionámos, nos anos 90, eram ainda comuns no nosso País brincadeiras clássicas, trazidas de outras décadas e já em fase de 'ocaso', mas ainda populares entre as crianças e jovens. Dos berlindes ou jogo da malha aos tradicionais jogos 'de rua', como a macaca, ou de 'palminhas', eram muitas as diversões que a geração 'noventista' já não conseguiu passar à sua sucessora, sendo uma das principais aquela de que falaremos nas linhas abaixo: o jogo do pião.

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A não confundir com aquilo que nos anos 80 e 90 se entendia como 'pião' (um brinquedo musico-visual 'de chão' que se activava por meio de uma manivela situada no topo, e que atempadamente aqui terá o seu 'momento'), o instrumento de que hoje falamos é mesmo o tradicional 'bojo' de madeira com ponta em bico, vagamente em forma de pêra ou de gota de água, ao qual se atava uma corda que, depois, se soltava, fazendo com que o objecto em causa rodasse sobre si mesmo e se movimentasse numa trajectória errática. O objectivo da brincadeira era, tão simplesmente, conseguir que o pião permanecesse a rodar o máximo de tempo possível, ganhando quem almejasse esse fim. Um jogo por demais simples. mas que exigia muita coordenação e perícia, exigindo um aperfeiçoar técnico constante que era parte do desafio, e que fez as delícias de gerações de crianças nos tempos em que a tecnologia não era tão prevalente, chegando mesmo a inspirar uma popular e conhecida canção infantil.

Convenhamos que não é qualquer brinquedo que inspira uma música inteira...

Foi, aliás, precisamente esse um dos motivos por detrás da 'morte' do pião como entretenimento juvenil após o Novo Milénio: com as novas tecnologias cada vez mais acessíveis, e o surgimento de divertimentos na mesma linha, mas mais elaborados (como o Diabolo) o simples e modesto pião acabou por perder o espaço de que disfrutara durante décadas, sendo hoje em dia praticamente impossível encontrar um destes brinquedos em 'estado selvagem' – apesar de ter ainda chegado a haver, durante a década a que este blog diz respeito, versões electrónicas do brinquedo, equipadas com efeitos de som e luz. Ainda assim, o apetrecho em causa continua a ser um dos principais símbolos de codificação da infância, gozando (merecidamente) do estatuto de brinquedo 'clássico' junto de várias gerações de portugueses, e, como tal, bem merecedor de algumas linhas em sua memória.

 

24.12.22

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

As 48 horas da Consoada conformam ainda hoje, para a maioria dos portugueses, uma série de tradições e rituais, normalmente levados a cabo sempre na mesma ordem; e, destas, uma das principais, tanto nos Anos 90 como hoje em dia, serve como uma espécie de 'dois-em-um' entre Saída ao Sábado e Sábado aos Saltos.

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Falamos do jantar de Natal em família, uma Saída de Sábado que subentende, normalmente, uma reunião de parentes de vários quadrantes da 'árvore' familiar - não só os pais e avós, mas também os tios, primos (direitos e em segundo grau) e outras figuras apenas esporadicamente vistas durante o ano; e, claro, casa cheia significa, para os membros mais novos da família, mais oportunidades de passar um belíssimo Sábado aos Saltos na companhia dos primos e outros familiares da mesma idade - mesmo antes de abertas as prendas, à meia-noite ou no dia seguinte, conforme a tradição. E no final, claro, há o jantar propriamente dito, com as suas iguarias (sejam elas peru, bacalhau ou cabrito) e sobremesas típicas desta época do ano, que continuam a tornar esta parte da experiência da Consoada tão memorável para as gerações actuais como foi para a dos seus pais, e resistente a todas e quaisquer mudanças sociais verificadas nos últimos trinta anos.

 

17.12.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Apesar de não fazer parte da experiência invernal de todos os portugueses (quem mora mais a Sul certamente apenas terá tido contacto com este elemento durante as viagens de férias até às regiões mais a Norte) a neve não deixa de ter proporcionado memórias indeléveis a quem com ela convivia todos os Invernos. Ainda que este tipo de fenómeno meteorológico traga, inevitavelmente, dificuldades a quem com ela tem de lidar (seja pela necessidade de manter os lares aquecidos, seja pela interrupção forçada de actividades agrícolas ou pecuárias, ou ainda pelo extremo esforço que representa a condução sob condições inclementes) também não deixa de ser verdade que, para uma criança ou jovem, as nevascas têm um enorme potencial para diversão.

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De facto, dos bonecos de neve às lutas de bolas, passando pela patinagem, trenó, esqui ou simples criação de formas na neve recém-caída, são inúmeras as formas de transformar este fenómeno numa tarde bem passada, quer sozinho, quer em famíla ou na companhia de familiares ou amigos da mesma idade; e se, para muitos portugueses, este tipo de experiência era vivido apenas em 'segunda mão', através dos filmes de Natal ou de filmagens transmitidas pelo Telejornal, para outros tantos, tratava-se de uma vivência bem real nos últimos meses de cada ano, em que uma semana de queda de neve se traduziria, provavelmente, num Sábado aos Saltos lá fora, a tirar máximo proveito do fenómeno climatérico - sempre bem agasalhado, claro, para evitar as constipações. E para quem não tinha oportunidade de 'viver' uma nevasca em primeira mão, o desejo de o fazer era absolutamente avassalador, tornando mais do que válidas estas poucas linhas de homenagem a essa experiência tão definitiva da infância de milhares de portugueses...

26.11.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui anteriormente mencionámos como o futebol de rua continua a ser, potencialmente, a mais intemporal de todas as brincadeiras, transitando celeremente de uma geração para a seguinte sem que a sua forma, conteúdo ou regras se alterem grandemente. E se, em tempos de Mundial, muitas crianças (tanto dos anos 90 como da actualidade) terão tirado do armário a sua bola de futebol de bandeiras para brincar com os amigos da rua ou da escola, muitas outras terão, certamente, preferido a boa e velha bola de borracha.

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Imutável há décadas, e presumivelmente por mais algumas - a boa e velha bola de borracha vermelha.

Outro daqueles objectos que se mantém relativamente inalterado ao longo das décadas, séculos e milénios (as que têm desenhos alusivos a propriedades intelectuais são, naturalmente, alvo de actualização, mas as 'clássicas' vermelhas e verdes continuam iguais ao que sempre foram) as bolas de borracha tinham, para uma criança daquele tempo - e, presume-se, também de agora - um objectivo algo distinto das suas congéneres forradas a cabedal e de aspecto oficial, dificilmente send usadas para jogos propriamente ditos, a não ser à falta de melhor; em contrapartida, as mesmas afirmavam-se como primeira escolha para qualquer jogo que não pedisse um tipo especial de bola ou, simplesmente, para 'dar uns chutos' no jardim com os familiares ou um ou dois amigos num Sábado aos Saltos.

Isto porque as 'vermelhas e verdes' colmatavam as suas desvantagens aparentes em relação a outros tipos de bola (nomeadamente o facto de serem muito mais sensíveis a brisas e ventos, tornando cada passe pelo ar num exercício de fé) com um maior grau de versatilidade e um muito menor nível de dor em caso de 'colisão' acidental ou propositada, o que as tornava favoritas para jogos que envolviam contacto físico, como o 'mata' – afinal, era muito menos doloroso ser atingido por uma bola de borracha leve do que por uma de futebol, vólei ou basquete! O preço bastante atractivo, e o facto de estarem disponíveis em qualquer drogaria de bairro – por aqui, compraram-se muitas na loja mesmo ao lado da escola – ajudava a compôr o leque de pontos positivos deste tipo de bola, e a assegurar que as mesmas se tornavam parte integrante da infância e juventude de várias gerações de crianças portuguesas-

Conforme mencionámos no início deste texto, o tipo de bola em análise neste post ainda hoje se encontra disponível em qualquer loja de bairro, e até em alguns estabelecimentos maiores, exactamente nos mesmos moldes que tinha nos anos 90, afirmando-se como um dos cada vez menos numerosos pontos de ligação entre essa década e a actual; razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas este Sábado, e para quaisquer pais que se lembrem de jogar com elas em pequenos se dirigirem ao 'chinês' mais próximo e adquirirem uma para os seus filhos...

 

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