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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

26.11.21

Nota: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Novembro de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Apesar da variedade e qualidade das publicações periódicas dos anos 90 – que se estendiam de revistas sobre jogos de computador ou ciência a um jornal de música – a imagem que vem imediatamente à mente da maioria das ex-crianças ou jovens daquela época ao ouvir falar em 'revistas' será, quase certamente, uma qualquer capa de uma das muitas publicações semanais que ofereciam uma mistura de informações sobre a programação televisiva naquela semana com muitos, muitos artigos dedicados a 'fofocas' sobre as celebridades do momento; títulos tão icónicos quanto a TV Guia, TV 7 Dias, Nova Gente ou Maria, que pareciam 'habitar' nas mesas dos consultórios médicos ou na casa de familiares, sempre prontas a serem folheadas num momento de maior ócio, em que não houvesse nada melhor para fazer.

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Exemplos do grafismo da TV Guia em finais dos anos 80 e inícios de 90

Embora muito semelhantes, tanto estruturalmente como a nível de temáticas, estas publicações dividiam-se, ainda assim, em dois grandes grupos – de um lado, as mais declaradamente dedicadas ao jornalismo cor-de-rosa (onde se destacavam a Maria, a Ana, e a Nova Gente) e do outro, as que procuravam servir, em primeira instância, como um verdadeiro guia de programação, sendo a vertente de 'fofocas' secundária, caso da TV Guia, TV 7 Dias ou ainda da TV Mais. Não que as revistas pertencentes a este último grupo não tivessem páginas atrás de páginas dedicadas à vida dos famosos, que tinham; no entanto, as mesmas traziam, também, artigos de outro tipo, desde pequenas notícias mais sérias a peças sobre alguns dos filmes que iriam passar na televisão nessa semana, ou que se encontravam em exibição no cinema à data de publicação, entrevistas a actores e personalidades, notícias sobre desporto, ou o principal atractivo para a geração que lê este blog, os destacáveis.

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Exemplo dos conteúdos menos 'cor de rosa' proporcionado por revistas como a TV Guia

Parte tradicionalmente integrante das revistas sobre televisão desta época – sobretudo da TV Guia – os destacáveis tomavam mais frequentemente a forma de 'posters' de temas variados, que podiam ir desde uma foto de um actor ou de desportistas a uma cena retirada de uma série popular (por aqui, ficaram especialmente na memória os 'posters' do Bart Simpson a escrever no quadro, e do Sporting vencedor da Taça de Portugal 1994/95, ambos os quais tiveram lugar cativo na parede até a fita-cola secar.) No entanto, a referida TV Guia ganhava também pontos por oferecer 'capas' para filmes, que permitiam transformar uma qualquer 'cassette' gravada da televisão num 'facsimile' da fita comercial do respectivo filme, completa com texto de resumo nas costas e o título na lombada – uma solução extremamente apelativa numa altura em que a maioria dos filmes em VHS era mesmo gravado directamente a partir da transmissão televisiva, dado o preço algo proibitivo dos vídeos comerciais. Esta é, aliás a vertente pela qual a TV Guia 'clássica' mais é lembrada hoje em dia pela geração de 80 e 90, que muito e bom uso fez da mesma.

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Depois de postas nas caixas, as capas da TV Guia eram virtualmente indistinguíveis das dos lançamentos comerciais

Hoje em dia, a maioria destas revistas continua a ser publicada, e a encontrar o seu 'habitat' natural em salões de beleza e consultórios médicos por esse Portugal fora, ao lado de publicações como a Caras e a tradicional Hola!; no entanto, qualquer das mesmas é uma mera 'sombra' do que foi nos anos 90, reflectindo a mudança de paradigma introduzido pela Internet 2.0, e que teve um impacto considerável sobre os meios de comunicação tradicionais. Para quem cresceu com estas revistas resta, portanto, recorrer à memória do que costumavam ser, e às recordações de as folhear no médico, no salão de beleza ou em casa da avó...

 

16.11.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Quando se fala em inovações tecnológicas, em particular durante as décadas de 90 e 2000, a maioria das pessoas pensa, de imediato, nos avanços feitos durante essa década no campo da informática e programação, as 'faces' mais visíveis do enorme salto vivenciado durante essa época; no entanto, esta evolução esteve longe de se manifestar apenas nesse campo, tendo as referidas décadas assistido a uma série de 'revoluções silenciosas' sob a forma de inovações que, por serem menos óbvias e aparentes, não gozaram de tanta atenção. É precisamente de um desses avanços mais discretos – mas não menos memorável para quem dele usufruiu – que vamos hoje falar.

A passagem dos tradicionais televisores de antena para os então inovadores modelos digitais, sensivelmente em meados da década, veio revelar tanto aos fabricantes como aos responsáveis de programação uma série de potencialidades tecnológicas, que os mesmos não tardaram a explorar; uma dessas potencialidades – já conhecida pelos ingleses há mais de duas décadas, mas ainda inovadora no Portugal de então - prendia-se, precisamente, com a possibilidade de transmitir informação em formato de texto digital, semelhante ao que se veria num computador da época, o qual podia ser acedido com o simples premir de um botão no comando do televisor. O resultado foi uma funcionalidade que, naqueles anos pré-Internet 2.0, constituiu a principal forma de muito boa gente interagir com o seu canal de televisão favorito: o Teletexto.

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Uma imagem que não pode deixar de evocar memórias

Sim, o Teletexto – aquele conjunto de ecrãs saídos directamente de um computador IBM de inícios da década, e que permitia aos responsáveis pelo mesmo divulgar informações sobre a programação da semana, curiosidades sobre os mais diversos temas, resultados desportivos, concursos e promoções exclusivos, bem como implementar serviços de legendagem para surdos, serviços de 'chat' ou até pequenos jogos; no fundo, uma espécie de 'mini-website' ou motor de pesquisa embutido na própria onda do canal, e que não requeria a obtenção de qualquer tecnologia adicional, bastando possuir uma televisão compatível e o respectivo comando para poder desfrutar deste serviço.

Inicialmente disponibilizado apenas pelos canais estatais – a SIC e a TVI só 'apanhariam a carruagem' já no novo milénio – este serviço foi, quase de imediato, um enorme sucesso entre públicos de todas as idades; a conjugação entre a comodidade e acessibilidade do serviço, os conteúdos verdadeiramente úteis e a facilidade de navegação – que permitia até aos mais informaticamente iletrados encontrar aquilo que procuravam – tornaram aquele botãozinho na fila de topo ou base dos comandos televisivos da época um dos mais frequentemente pressionados, particularmente quando se queria matar uns minutinhos até ao próximo programa.

A chegada ao país da TV Cabo, também em meados da década, apenas veio exacerbar este fenómeno, já que quase todos os inúmeros canais estrangeiros disponibilizados nos pacotes iniciais da Cabo em Portugal vinham equipados com Teletexto; e se ler as informações e curiosidades generalistas disponibilizadas pela RTP já era entusiasmante, imagine-se o que sentiriam fãs da MTV, Eurosport ou Cartoon Network ao descobrirem que podiam ler páginas inteiras sobre a sua temática favorita, mesmo ali, no ecrã da televisão...

É claro que a 'avalanche' tecnológica das duas primeiras décadas do século XXI rapidamente veio tornar o Teletexto obsoleto; hoje em dia, apesar de resistir ainda e sempre à 'invasora' Internet, o serviço é praticamente redundante, estando a maioria das informações disponibilizadas pelo mesmo acessíveis em qualquer página de Internet – a qual pode, inclusivamente, ser aberta na própria televisão, desde que a mesma possua as funcionalidades correctas. Ainda assim, para muitos ex-jovens dos Anos 90 – bem como, suspeitamos, algumas das gerações mais velhas – esta continua a ser uma ferramenta saudosa, associada a muitos e bons momentos de esforço ocular para tentar ler aquele texto em cores garridas sobre fundo preto...

10.11.21

NOTA: Este post é correspondente a Terça-feira, 09 de Novembro de 2021.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Quem sintonizava a RTP às tardes de semana no final dos anos 80 e início dos 90 (no tempo dos logotipos C1 e TV2 e dos separadores RDP) certamente terá memórias de uma senhora loira, de cabelo comprido, que se sentav a contra um fundo acinzentado e apresentava séries e uma sucessão dedesenhos animados nada menos que históricos, desde o lendário anime de Tom Sawyer ao visado na nossa última Segunda de Séries, o inesquecível Bocas.

Pois é desse mesmo programa (e dessa mesma senhora, que dele é indissociável) que vamos hoje falar. O programa, como quem viu decerto estará lembrado, chamava-se Agora, Escolha, e a senhora era Vera Roquette, figura-chave da RTP durante aquelas décadas, e não apenas por virtude deste programa.

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Nascido em 1986, da mente de Carlos Pinto Coelho, o Agora, Escolha destacava-se, desde logo, pelo conceito inovador – em vez de simplesmente apresentar ao espectador aquilo que a estação havia determinado, era-lhe dada a escolha entre duas opções (daí o nome do programa). Essas mesmas opções – sempre diferentes de um programa para o seguinte, e muitas vezes díspares ao ponto da quase aleatoriedade – eram delineadas pela apresentadora no início de cada emissão, juntamente com instruções sobre como os espectadores poderiam votar no seu 'bloco' preferido, A ou B; e se, hoje em dia, este tipo de votação teria lugar numa rede social, à época, a mesma efectivava-se pelo meio de comunicação mais imediato de entre os disponíveis, o telefone (numa linha de valor acrescentado, claro está.) Enquanto os espectadores votavam no 'bloco' que mais lhes agradava, Roquette ia apresentando desenhos e cartas que lhe chegavam, a grande maioria de leitores mais novos, cuja audiência era motivada pelo desenho animado que também sempre passava neste interregno.

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A carismática apresentadora, como muitos se lembrarão dela

É claro que o carácter democrático do programa era, em parte, simulado, através da criação de parelhas desequilibradas ao ponto de o resultado final ser óbvio; a primeiríssima emissão, por exemplo, propunha a escolha entre uma popular série de ficção científica norte-americana e um bailado – e não será decerto preciso pensar muito para perceber quem ganhou... Ainda assim, o conceito era 'transparente' o suficiente para ganhar a adesão do público (à qual também não ficava alheio o carisma da apresentadora) e se manter no ar durante oito anos, de meados dos anos 80 a meados da seguinte, tendo tido, inclusivamente, direito a 'promoção' da ainda hoje periférica RTP 2 para o Canal 1, à época ainda o maior dos canais portugueses.

Escusado será também dizer que um programa com o nível de sucesso do 'Agora, Escolha' (e lembrado com saudade por tanta gente) não poderia deixar de originar tentativas de repetir a fórmula – as quais, neste caso específico, vieram da própria RTP, que tentou ressuscitar o formato não uma, mas duas vezes no espaço de apenas quatro anos: primeiro em 2011, com apresentação de Marta Leite de Castro, e mais tarde em 2015. No entanto, isoladas do contexto das transmissões originais – sem o factor novidade, a grelha de programação da época, a apresentadora simpática, os desenhos dos miúdos, o Bocas e o Tom Sawyer – e com a adição de alguns detalhes perfeitamente inúteis a uma fórmula que funcionava (como o 'focus group' da versão de 2015, cujas sugestões destinadas a influenciar a escolha destroem por completo a premissa de liberdade de escolha oferecida pelo original) não é de surpreender que ambas estas tentativas tenham falhado redondamente, e tido um impacto praticamente nulo na memória colectiva portuguesa, e embora seja possível que, daqui a vinte anos, alguém escreva um artigo nostálgico sobre a edição de 2011 ou 2015 do Agora Escolha, é também muito pouco provável...

Já o original continua a viver na memória de milhares de portugueses que o experienciaram à época – entre os quais, certamente, milhares de ex-jovens que, ao verem o título e tema deste post, já terão provavelmente corrido ao YouTube, para recordar um dos programas mais inovadores e merecidamente populares da sua infância e adolescência. Para esses, deixamos aqui uma ajudinha...

 

18.10.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Hoje em dia, os Anos 90 são infames na cultura 'pop' por terem sido a década, por excelência, dos desenhos animados 'fofinhos' – aqueles em que nunca ninguém se magoava, eram todos amigos e aprendiam juntos lições de vida, normalmente 'recicladas' de outros programas semelhantes. Este tipo de série era quase tão comum como os desenhos animados de acção, e tinha como fim expresso servir como antítese aos mesmos, a fim de tentar minorar o seu efeito entre a população jovem; e embora este objectivo nem sempre tivesse sido atingido, a verdade é que este tipo de desenho animado fazia sucesso suficiente para continuar a ser produzido, e exibido lado a lado com as Tartarugas Ninja e Moto-Ratos desta vida. E de entre os muitos (demasiados) exemplos deste fenómeno, destacam-se (pelo menos para as crianças portuguesas) dois: por um lado, os Ursinhos Carinhosos, de quem paulatinamente aqui falaremos, e por outro, o tema do post de hoje – os Pequenos Póneis.

Os leitores mais jovens que tenham acabado de ler a referência acima feita a desenhos animados dos Pequenos Póneis certamente estarão já a pensar na série contemporânea, que fez grande sucesso entre o público adolescente; no entanto, quem é mais velho certamente se terá lembrado, em primeira instância, da tentativa anterior de produzir uma série animada baseada no 'franchise', e que chegou a passar em Portugal na RTP2. E dado o tema deste nosso blog, é mesmo desta última que falaremos.

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Lançada nos EUA em 1992, mas exibida no nosso país apenas três anos mais tarde, 'Histórias dos Pequenos Póneis' (no original, 'My Little Pony Tales') faz jus à descrição que acima fizemos deste tipo de série; todos os elementos estão presentes, das histórias inofensivas aos personagens sempre sorridentes e compreensivos – com excepção, claro está, dos póneis do sexo masculino, que correspondem exactamente ao estereótipo que o público-alvo associa ao mesmo, sendo jocosos e vagamente rufias para com as delico-doces meninas pónei, que nada fazem para justificar tal tratamento. Tudo, portanto, muito simplista, preto-no-branco, politicamente correcto, e muito, MUITO '90s'.

Ainda assim, talvez devido ao sucesso continuado e perpétuo dos brinquedos que tentava vender, a série ganhou tracção suficiente para justificar uma temporada inteira (13 episódios) e até um lançamento em DVD (pela Prisvídeo, quase 15 anos depois da emissão da série em Portugal!) – embora, admitidamente, o seu legado não passe muito daí. Hoje em dia, a série é quase risível de tão 'fofinha', embora seja de prever que não deixe de agradar à demografia equivalente àquela que a acompanhou nos anos 90, ou seja, raparigas em idade pré-escolar e primária – as mesmas que acompanharam, também, a série mais moderna. Para os mais velhos – potencialmente já pais dessas mesmas crianças – fica a memória, ainda que vaga, de uma série que se adorava ou com que se gozava (dependendo do sexo) e cujo elemento mais duradouro foi mesmo a música de abertura...

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