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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

02.01.26

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Uma indumentária que se poderia ver nos primeiros dias de um qualquer ano da década de 90.

A proximidade estratégica do Natal (o dia de receber prendas) e do Ano Novo (o dia de estrear novas peças de roupa) torna a primeira semana de cada ano na oportunidade perfeita para vestir pela primeira vez aquilo que se recebeu no dia 25. Nos anos 90, a situação não era diferente, dando aos jovens ocasião de mostrarem pela primeira vez as roupas que haviam encontrado debaixo da árvore dias antes - uma ocasião que nenhum membro da demografia-alvo recusava ou desperdiçava.

Fossem blusões, casacosbotas, sapatos de ténis, 'sweats', camisolas, camisas, calças de ganga, fatos de treino, mochilas ou simples agasalhos (como meias, gorros ou luvas) qualquer menor de idade da época não hesitaria em envergar o máximo possível de novas peças de roupa (que, não por acaso, são conhecidas em espanhol como 'prendas') mesmo que fosse só e apenas para ir dar 'uma volta' ao jardim ou parque infantil - o que era o mais provável, já que os supermercados, hipermercados, centros comerciais, cafés, lojas de bairro e até cinemas tendiam, ainda mais que hoje, a encontrar-se encerrados. Se houvesse ocasião de ir a um desses sítios, então, é que os novos presentes eram, de certeza, estreados, de forma a fazer 'um vistaço'.

Ao contrário do que sucede com a maioria dos temas que abordamos neste 'blog', esta tendência (ou tradição, se preferirmos) pouco ou nada mudou até aos dias de hoje, continuando a ver-se, nesta altura do ano, crianças e jovens com roupas acabadas de estrear nos primeiros dias de cada ano - muitas vezes acompanhadas de pais que, ao vê-las, certamente se recordarão de quando eles próprios corriam pela rua, impantes, nas suas novíssimas roupas de Natal...

11.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 10 de Outubro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Uma das primeiras edições desta rubrica recordou os primeiros 'shoppings' surgidos em Portugal, já na ponta final do século XX. No entanto, nessa ocasião, a análise ficou-se pelos exemplos mais 'generalistas' deste tipo de grande superfície, dado todos os centros comerciais daquela 'primeira vaga' se inserirem nessa categoria. No entanto, logo no dealbar do Novo Milénjo, Portugal veria ser inaugurado em território nacional o primeiro exemplo de um outro tipo de 'shopping', mais voltado ao vestuário (embora não exclusivamente dedicado ao mesmo) e cujo foco se centrava, sobretudo, na revenda de artigos de marcas conhecidas a preços extremamente reduzidos, ainda mais do que num comum período de saldos – no fundo, um conceito equivalente a ter 'últimas rebaixas' ao longo de todo o ano, e não apenas em alturas específicas do mesmo.

Falamos, claro está, dos 'outlets', um tipo de espaço que tem nos 'shoppings' Freeport e Dolce Vita o seu expoente máximo na mente de muitos portugueses. No entanto, nenhum destes dois centros tem a honra de ter sido o primeiro do seu género no País; esse título pertence a um outro espaço, também localizado na Margem Sul do Tejo, e que, por alguma razão, é bastante menos falado do que os seus congéneres, apesar de continuar ainda em actividade após um quarto de século.

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Era, de facto, algures no ano 2000 que a zona do Carregado, em Alenquer, no Ribatejo – área já favorecida por uma grande variedade de empresas – via ser inaugurado o Campera Outlet, primeiro complexo do género em Portugal, que reunia quase cento e vinte e cinco lojas nos seus vinte e três mil metros quadrados, a maioria de vestuário, e subordinadas a uma marca específica. Além desta enorme variedade de pontos de venda para nomes conhecidos do sector, o 'outlet' abrangia ainda uma área exterior, e as habituais opções alimentares, como o McDonald's ou a Telepizza, propiciando assim aos visitantes todos os elementos necessários para um dia bem passado a aproveitar as compras de ocasião inerentes ao próprio conceito do centro. Aliada à facilidade de acessos a partir de Lisboa, esta versatilidade garantia clientela ao novo espaço, o qual não tardou a atingir o potencial que lhe era previsto, e a abrir caminho para os outros nomes mencionados neste 'post', além de muitos outros, de Norte a Sul do País.

Vinte e cinco anos após esse momento, no entanto – e apesar do importante patrocínio financeiro do Novo Banco, que apenas recentemente vendeu o espaço, agora propriedade do empresário bracarense Domingos Névoa – o Campera Outlet acabou por 'ficar para trás' relativamente aos seus concorrentes mais 'jovens', sendo hoje o mais esquecido dos três espaços do género situados do outro lado do Tejo. Ainda assim, com cento e vinte das suas cento e vinte e quatro lojas iniciais ainda em actividade este 'decano' dos 'outlets' nacionais não deixa de reunir todas as condições para ser destino preferencial de quem pretender passar uma Saída de Sábado a comprar roupa de marca (ou perfumes, ou óculos) a preços bem mais 'convidativos' do que o habitual.

01.03.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2025.

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta será uma Sexta com Style.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Num dos nossos anteriores 'posts' sobre o Carnaval, referimos que a compra de disfarces para o feriado em causa não era, de todo, a norma no Portugal de finais do século XX. De facto, numa época em que os fatos 'pré-embalados' e baratos começavam apenas a surgir nas prateleiras, sobretudo, das lojas 'dos trezentos' ou estabelecimentos semelhantes, as práticas mais comuns passavam por arranjar uma solução 'caseira' ou, mais frequentemente, recorrer a uma loja de aluguer de fatos.

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Aliando a practicidade à economia, estes estabelecimentos permitiam adquirir temporariamente uma 'máscara' bem melhor do que qualquer coisa que se pudesse criar com linha e agulha, ou através de roupas velhas e muito 'improviso', sem acartar o ónus físico e monetário de ter de 'ficar' com a mesma após o Carnaval. Não é, pois, de admirar que muitos pais e educadores escolhessem recorrer a este método aquando da chegada desta festa, garantindo assim a alegria dos filhos sem incorrerem em despesas ou encargos desnecessários.

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Exemplo moderno de uma loja deste tipo.

Curiosamente, apesar de nos anos seguintes os fatos 'embalados' se terem tornado norma – com todos os 'estereótipos' favoritos para o 'faz-de-conta', de princesas e fadas a 'cowboys', super-heróis 'genéricos' ou piratas – as lojas de aluguer de máscaras nunca chegaram a desaparecer. Antes pelo contrário, é ainda hoje possível encontrar alguns destes estabelecimentos em diversos pontos do País, com precisamente o mesmo modo de operar do que nos anos 80 e 90, parecendo quase paradas no tempo, e constituindo, por isso, uma boa aposta para Saída de Sábado para quem tem filhos pequenos e pretende economizar este Carnaval (ou apenas não ter mais um fato a ganhar pó no armário) ou simplesmente pretende uma pequena dose de nostalgia carnavalesca para animar a semana...

11.01.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2025.

NOTA: Por razões temáticas, este Sábado será de Saídas.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Como o jovem médio de finais do século XX se sentia ao regressar às aulas após o Natal, a estrear a roupa nova...

Os primeiros dias do mês de Janeiro marcam, tradicionalmente, o regresso às aulas para o segundo período lectivo, após a paragem, em Dezembro, para o Natal e Ano Novo. E, mais do que assegurar que a matéria está estudada ou os materiais em ordem, o mais importante para qualquer jovem neste recomeço é entrar 'com o pé direito' no novo ano – de preferência, tendo vestido no mesmo o ténis 'da moda' que recebeu no Natal.

Sim, o regresso às aulas após as férias de Inverno sempre foi, e continua a ser, a época por excelência para ser 'vaidoso', e 'exibir' as prendas de vestuário que se receberam no dia 25, fazendo um esforço para combinar, na primeira semana lectiva após a pausa, absolutamente TODAS as roupas novas, por mais 'estrambólicos' que fiquem os conjuntos. Para os jovens dos anos 90 e 2000, era hora de mostrar aos colegas, amigos e até rivais o blusão da Duffy, a 'camisinha' da Sacoor, o 'sweat' da Gap, Gant, Amarras, No Fear ou Quebramar, as calças de ganga da Levi's, Lois ou Charro, os ténis Converse, Redley, Airwalk ou Skechers, as botas Doc Martens, Panama Jack ou Timberland, o boné com a equipa de desporto americana 'da moda', a mochila da Monte Campo, ou mesmo acessórios como brincos, pulseiras, gargantilhas, relógios ou carteiras, artigos que nunca deixavam de causar uma reacção (fosse ela positiva ou negativa) entre os pares em causa.

Ao contrário da maioria das vivências que recordamos neste 'blog', esta continua a verificar-se até aos dias de hoje, mudando apenas as marcas e artigos cobiçados ou exibidos; assim, quem tiver filhos em idade escolar certamente estará por estes dias a viver novamente, através dos seus olhos, uma situação tão familiar quanto intemporal, que eles próprios experienciaram quando tinham a mesma idade...

30.11.24

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 29 de Novembro de 2024.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Um dos aspectos mais memoráveis e marcantes da experiência de ser adolescente em Portugal nos anos de viragem do Milénio foi a vincada demarcação da demografia juvenil nas clássicas 'tribos urbanas' já conhecidas dos filmes americanos, mas apenas então verdadeiramente chegadas a Portugal. Rótulos como gótico, 'dread' ou 'skater' vieram juntar-se aos já existentes 'betos', 'metaleiros' e surfistas, e trouxeram consigo toda uma nova gama de estilos e acessórios de moda, muitos dos quais viriam rapidamente a permear a cultura popular juvenil como um todo. É o caso do acessório de que falamos nesta Sexta com Style, com origem no movimento 'skater' mas que rapidamente se alastrou à moda juvenil 'generalista', sendo visão frequente entre os seguidores dos estilos mais alternativos durante os últimos anos do século XX e os primeiros do seguinte.

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Exemplo do acessório em causa a uso na actualidade.

Falamos dos atacadores largos, normalmente fluorescentes, que qualquer bom adepto do estilo em causa não dispensava nos seus sapatos de ténis Adidas, Airwalk, Skechers ou semelhante. Isto porque, para além da sua função declarada de oferecer maior estabilidade ao sapato e não se desatar tão facilmente (o que não deixava de ser irónico, já que eram maioritariamente usados desamarrados) os acessórios em causa davam um toque de estilo e cor a ténis cujas cores dominantes tendiam a ser o cinzento, o castanho e o preto – característica que ajuda, também, a explicar a popularidade dos mesmos junto do público alternativo feminino.

Ao contrário do que acontece com tantas outras peças de que vimos falando nesta mesma secção, os atacadores largos e fluorescentes nunca desapareceram verdadeiramente dos estilos juvenis, apenas mudando ligeiramente de configuração, e sido aplicados a novos tipos de sapatos; e, com o apreço que a actual geração de adolescentes demonstra pelas cores vivas e 'neon', não se prevê que tal tendência venha a mudar num futuro mais próximo, fazendo destes atacadores um dos poucos e mais inesperados produtos a 'unir' as mais recentes gerações de portugueses.

18.10.24

NOTA: Por motivos de relevância, este Sábado será novamente de Saída. Os Saltos voltarão nas duas semanas seguintes.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Tal como acontece com qualquer geração em qualquer parte do Mundo, também os jovens portugueses de finais do século XX tiveram as 'suas' marcas e lojas icónicas, algumas delas já abordadas nestas páginas. E se a maioria destas se incluía na categoria mais tarde conhecida como 'fast fashion' – que ainda hoje engloba lojas como a Zara/Pull & Bear, H&M, Mango, Bershka, Springfield ou Stradivarius, entre outras – havia, ainda assim, certas lojas especializadas numa só marca que capturavam a imaginação dos 'millennials' nacionais pela sua combinação de popularidade e 'designs' apelativos. Era o caso da Benetton, da Gant, da Timberland, da Gap, das incontornáveis Sacoor e Quebramar, ou ainda da loja que abordamos neste post aglutinador de Sexta com Style e Saída ao Sábado, a qual completa neste mês de Outubro vinte e oito anos de existência.

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Popularizada sobretudo pela sua ligação declarada ao movimento e cultura 'surfista', muito em voga durante toda a década de 90, a Ericeira Surf Shop não tardou a disseminar-se bem para além da sua 'base' e demografia-alvo, e a invadir os pátios de escola, sobretudo os frequentados por alunos de classes sociais mais abastadas, os chamados 'betinhos'. Assim, por alturas da viragem do Milénio, ser visto com roupas da loja em causa dava já tanto crédito social como usar qualquer das marcas acima descritas, com o bónus acrescido de as mesmas não serem facilmente encontradas numa qualquer feira, obrigando a um considerável investimento. Por outro lado, como sucedia com algumas das outras marcas populares da época, este factor tirava a Ericeira Surf Shop das possibilidades financeiras de grande parte dos jovens, reforçando a natureza algo elitista da loja e respectivos artigos e criando um sentimento de inferioridade a quem não tinha 'cachet' para os mesmos – o que, bem vistas as coisas, talvez fosse precisamente o objectivo da sua clientela, embora não necessariamente da loja em si.

Tal como a maioria das marcas e lojas que aqui abordamos, no entanto, também a Ericeira Surf Shop acabou por 'passar de moda' entre a população jovem em geral, e regressar ao seu 'reduto' mais especializado, onde permanece até hoje, agora com o nome de Ericeira Surf & Skate e um espectro mais alargado de especializações, onde se inclui também o 'snowboard'. Os portugueses de uma certa idade, no entanto, recordarão para sempre a marca pelo seu nome anterior, que tanta inveja causava ao ser lido num saco de compras ou peça de roupa de um amigo ou colega de escola. Parabéns, e que conte ainda muitos.

05.10.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 4 de Outubro de 2024.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Uma das muitas marcas populares e relevantes nos anos finais do século XX mas 'esquecidas' com o advento do Novo Milénio foi a Kappa, marca alemã de equipamentos e vestuário que em tempos marcara presença frequente nas prateleiras de lojas de desporto e secções de desporto de hipermercados ou lojas especializadas. No entanto, ao contrário de algumas outras que temos vindo a abordar nestas páginas, a mesma nunca chegou a desaparecer totalmente, tendo simplesmente perdido preponderância no seio da sociedade 'mainstream', portuguesa e não só. Prova disso é o facto de, no Verão de 2024, a Kappa se ter aliado à mais famosa cadeia de 'fast fashion' da actualidade – a incontornável Primark – para uma colaboração que poderá ajudar a outrora popular marca a recuperar o 'fôlego', e penetrar uma vez mais na consciência popular ocidental.

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No entanto, nem tudo deverá ser assim tão simples, já que a etiqueta alemã conta, em certos países, com um estigma semelhante ao da Burberrys, sendo frequentemente associada a estratos sociais mais baixos e indesejáveis – tal como, aliás, sucede também com o próprio Primark. Resta, pois, saber se esta será uma colaboração mutuamente benéfica ou se, pelo contrário, a mesma apenas interessará à demografia acima delineada, em nada alterando a reputação de qualquer das partes junto do público em geral. Entretanto, quem estiver interessado em reviver uma das marcas da sua infância e juventude poderá, desde há cerca de seis semanas, adquirir toda uma gama de itens com o logotipo da mesma em qualquer loja Primark, ou mediante compra 'online' no 'site' da mesma. Fica a 'dica' para os mais saudosistas...

27.07.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 26 de Julho de 2024.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

A natureza cíclica da moda tende a ser apercebida, sobretudo, de um contexto mais técnico, centrado em aspectos ligados à manufactura, como estilos, padrões, cortes e têxteis; no entanto, uma outra vertente deste paradigma prende-se com as marcas em si, as quais podem, no espaço de poucos anos, ir dos píncaros da popularidade ao quase total esquecimento, seja por falta de visibilidade ou, simplesmente, por as suas peças darem lugar, nas prateleiras e expositores das lojas, a artigos das suas 'sucessoras'. A marca de que falamos neste 'post' foi vítima de ambas essas situações, e, embora nunca tenha desaparecido totalmente do mercado, é hoje associada sobretudo com épocas passadas, nomeadamente com os últimos vinte anos do século XX. Falamos da Amarras, a marca pan-ibérica (as peças são criadas em Espanha mas fabricadas em Portugal) que, a partir do início dos anos 80, trouxe o mundo dos desportos náuticos para o domínio popular, através, principalmente, da sua icónica linha de 'sweat-shirts', as quais, para determinadas demografias, estão ao mesmo nível das camisas da Sacoor, das t-shirts da Quebramar ou das 'sweats' da No Fear.

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Fundada em 1978, no Bairro de Salamanca, em Madrid, Espanha (onde ainda hoje possui a sua loja principal) a Amarras logrou, durante os vinte anos seguintes, espalhar o seu símbolo por países tão distintos como o México, os EUA e, claro, Portugal, onde a concessão da manufactura das peças ajudava a facilitar a entrada e dispersão no mercado. E se a ligação à vela e ao remo conotava, de imediato, a marca com a infame sub-classe dos 'betinhos', a verdade é que nem por isso as peças da Amarras deixavam de ser desejáveis e cobiçadas de forma transversal pelas demografias jovens das gerações 'X' e 'millennial', para quem o símbolo da marca detinha alguma atractividade, ainda que sem chegar ao patamar das concorrentes acima citadas.

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A icónica 'sweatshirt' da marca, imutável até aos dias de hoje.

Nada dura para sempre, no entanto, e foi com naturalidade que o 'ciclo' da Amarras enquanto marca notável e popular se encerrou, dando lugar, ao longo dos primeiros anos do Novo Milénio, a novas 'grifes' prontas a conquistar tanto o mercado ibérico quanto o mundial. Para uma certa parcela da sociedade portuguesa, no entanto, aquelas cordas entrançadas com as letras em Arial Bold por baixo ficarão, para sempre, ligadas a 'sweat-shirts' propositalmente largas envergadas durante encontros com amigos ao fim de um dia de praia – o tipo de memória que nenhum ciclo de popularidade poderá, jamais, apagar, e que garante a esta e outras marcas um lugar permanente no coração dos 'trintões' e 'quarentões' portugueses dos dias que correm.

13.07.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 12 de Julho de 2024.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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A irreverência e necessidade de expressar a sua individualidade estão entre os factores mais importantes da fase jovem do desenvolvimento humano – e a roupa é, a par da música e da arte, um dos principais meios utilizados pelos adolescentes ocidentais para atingir esse objectivo. Não é, pois, de espantar que o mundo da moda tenha, nos últimos anos do Segundo Milénio e primeiros do seguinte, procurado ir ao encontro dessa necessidade do público juvenil, dando origem a um estilo de 't-shirt' ainda hoje muito popular entre a faixa etária em causa, baseado em 'slogans' e dichotes algures entre o humorístico e o ligeiramente 'mal-educado'.

Sucessoras espirituais das camisolas da No Fear ou Street Boy de inícios dos anos 90, estas camisolas utilizavam não só frases variavelmente irreverentes como também, muitas vezes, gráficos arrojados, inspirados na estética 'graffitti' ou em outras formas de arte 'radicais' apreciadas pelos jovens da época, e que eram utilizadas para veicular ou apenas complementar as mensagens. Já estas, por sua vez, iam de desafios à autoridade parental ou cívica até simples mostras de sentido de humor, muitas com piadas baseadas em referências que apenas uma certa 'tribo' ou sector da sociedade compreenderia, fomentando assim o sentido de pertença e individualidade do 'dono' da camisola.

Escusado será dizer que esta combinação de rebeldia com estética apelativa fez enorme e imediato sucesso entre os jovens da época, dando origem a clássicos ainda hoje vistos nas ruas de Portugal, embora já muito menos do que há vinte anos ou um quarto de século. De facto, hoje em dia, as lojas antes especializadas neste tipo de camisola têm, gradualmente, vindo a focar-se em mensagens cada vez mais neutras, e mesmo de cariz puramente turístico, promovendo as localidades onde se situam; uma pena, já que – como qualquer 'millennial' português atestará – a 'piada' destas t-shirts estava mesmo nas frases e conceitos 'bem esgalhados' e fora do comum que apresentavam, e que as ajudaram a tornar numa das primeiras grandes 'modas' juvenis do Portugal do século XXI.

10.05.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui, numa edição passada, falámos das icónicas colecções de t-shirts licenciadas da Zara de finais dos anos 90 e inícios de 2000, com temas que iam dos desenhos animados aos logotipos de bandas, e que 'vestiram' toda uma geração durante vários anos consecutivos. No entanto, ainda antes de a marca espanhola se estabelecer como a principal influenciadora da moda infanto-juvenil no tocante a camisolas de manga curta, já uma outra companhia estrangeira recém-chegada a Portugal se havia aventurado em algo semelhante, com considerável sucesso.

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Uma das mais icónicas t-shirts da linha em causa trazia os populares personagens da MTV, Beavis e Butt-Head.

Falamos do hipermercado Carrefour, o qual, em meados da década de 90, apresentou uma colecção de t-shirts para crianças e jovens capaz de cativar o seu público-alvo de forma semelhante ao que aconteceria com as da Zara, anos depois. Em comum com estas, a colecção do Carrefour tinha as licenças, entre as quais se contavam a marca de motocicletas Yamaha e o então mega-popular duo de bonecos 'metaleiros' da MTV, Beavis e Butt-Head, que 'davam a cara' numa das mais icónicas e memoráveis camisolas da linha. Ao contrário do que seria de esperar, no entanto, esta colecção não se alicerçava apenas nas licenças – pelo contrário, outra das mais bem-conseguidas t-shirts da gama trazia um tubarão estilo 'cartoon', que não destoaria numa camisola da No Fear ou Maui and Sons, mas que não pertencia a nenhuma das duas.

Estes 'designs' cuidados, aliados ao preço bastante mais convidativo do que o de uma t-shirt equivalente com logotipo de uma marca, tornaram natural o sucesso da linha do Carrefour entre o público-alvo, e até entre os 'mais crescidos', sendo bastante frequente ver miúdos e graúdos vestidos com camisolas da colecção por volta de 1995-96. Assim, e apesar de menos lembradas que as suas congéneres da Zara, estas camisolas não deixam, ainda assim, de merecer a nossa homenagem, já que, durante o seu breve apogeu, permitiram a muitos jovens portugueses iniciarem o fim-de-semana em grande Style...

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