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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

10.05.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui, numa edição passada, falámos das icónicas colecções de t-shirts licenciadas da Zara de finais dos anos 90 e inícios de 2000, com temas que iam dos desenhos animados aos logotipos de bandas, e que 'vestiram' toda uma geração durante vários anos consecutivos. No entanto, ainda antes de a marca espanhola se estabelecer como a principal influenciadora da moda infanto-juvenil no tocante a camisolas de manga curta, já uma outra companhia estrangeira recém-chegada a Portugal se havia aventurado em algo semelhante, com considerável sucesso.

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Uma das mais icónicas t-shirts da linha em causa trazia os populares personagens da MTV, Beavis e Butt-Head.

Falamos do hipermercado Carrefour, o qual, em meados da década de 90, apresentou uma colecção de t-shirts para crianças e jovens capaz de cativar o seu público-alvo de forma semelhante ao que aconteceria com as da Zara, anos depois. Em comum com estas, a colecção do Carrefour tinha as licenças, entre as quais se contavam a marca de motocicletas Yamaha e o então mega-popular duo de bonecos 'metaleiros' da MTV, Beavis e Butt-Head, que 'davam a cara' numa das mais icónicas e memoráveis camisolas da linha. Ao contrário do que seria de esperar, no entanto, esta colecção não se alicerçava apenas nas licenças – pelo contrário, outra das mais bem-conseguidas t-shirts da gama trazia um tubarão estilo 'cartoon', que não destoaria numa camisola da No Fear ou Maui and Sons, mas que não pertencia a nenhuma das duas.

Estes 'designs' cuidados, aliados ao preço bastante mais convidativo do que o de uma t-shirt equivalente com logotipo de uma marca, tornaram natural o sucesso da linha do Carrefour entre o público-alvo, e até entre os 'mais crescidos', sendo bastante frequente ver miúdos e graúdos vestidos com camisolas da colecção por volta de 1995-96. Assim, e apesar de menos lembradas que as suas congéneres da Zara, estas camisolas não deixam, ainda assim, de merecer a nossa homenagem, já que, durante o seu breve apogeu, permitiram a muitos jovens portugueses iniciarem o fim-de-semana em grande Style...

26.04.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Numa edição passada desta mesma rubrica, dedicámos algumas linhas aos ténis Airwalk, talvez a mais conhecida e cobiçada marca de ténis de skate entre a juventude dos anos 90 e inícios de 2000. No entanto, havia uma outra marca quase equiparante à supramencionada, e cujos sapatos constituiam uma excelente alternativa ou 'segunda opção' aos da mesma; é dessa 'concorrente que peso' que falaremos nesta Sexta com Style.

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Um dos icónicos modelos da marca na década de 90.

Fundada na Califórnia em 1992, a Skechers nascia das cinzas da LA Gear, marca de alguma expressão entre as demografias jovens americanas da década anterior, e visava precisamente o mesmo tipo de público-alvo, pelo menos no tocante à faixa etária. Isto porque, enquanto a LA Gear se havia afirmado como uma marca mais generalista, a Skechers visava, nessa primeira fase, sectores mais especializados da faixa jovem, nomeadamente os praticantes de 'skate', ao mesmo tempo que tentava rivalizar e competir com marcas como a Dr. Martens no mercado das botas. O foco rapidamente se alargaria, no entanto, e a marca não tardaria a conseguir o seu primeiro grande sucesso com a linha D'Lites, precursora dos ténis de sola grossa, quase plataforma, que povoariam o vestuário juvenil nas décadas seguintes. Se esse foi o grande 'cartão de visita' da marca nos seus EUA natais, no entanto (tendo, inclusivamente, dado à marca estatuto suficiente para permitur colaborações com mega-estrelas 'pop' e celebridades como Kim Kardashian) já em Portugal, foram mesmo os ténis de 'skate' que se tornaram sinónimos com o nome Skechers, e que foram activamente procurados e cobiçados pela juventude da época, tendo inclusivamente servido de 'inspiração' e modelo para um sem-número de inevitáveis imitações, algumas delas, inclusivamente, lançadas por marcas concorrentes, algumas já bem estabelecidas no mercado.

Tal como aconteceu com a Airwalk, no entanto, também a Skechers acabou, inevitavelmente, por ceder caminho a outras marcas 'da moda', como a Vans e a New Balance. À medida que o Novo Milénio avançava, e a juventude 'millennial' dava, progressivamente, lugar à 'Z', a fabricante californiana foi, progressivamente, perdendo expressão dentro do seu próprio mercado, a ponto de, um quarto de século volvido sobre o auge da sua popularidade, ser considerada, em certas partes do Mundo, uma marca de índole quase ortopédica, e favorecida pelo público idoso – uma ideia, no mínimo, causadora de dissonância cognitiva para quem, em adolescente, teve (ou sonhou ter) um par de ténis Skechers para combinar com as calças largas e t-shirt de 'skate'...

01.03.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Hoje em dia, numa era em que tudo fica 'registado' por meio digital, é mais fácil traçar uma 'moda' ou 'febre' infantil ou adolescente até à sua origem – normalmente, uma qualquer celebridade ou 'influencer' do TikTok ou Instagram; nos anos 90, no entanto (quando o mais próximo desse paradigma eram os programas de televisão ou os filmes americanos) as referidas modas e estilos pareciam surgir do mesmo 'nada' para onde desapareciam no fim do seu 'ciclo de vida', alguns meses ou um par de anos depois – a menos, claro, que fizessem parte da nova colecção de qualquer das lojas de 'fast fashion' onde as referidas demografias adquiriam grande parte do seu guarda-roupa. O artigo de vestuário que abordamos esta Sexta insere-se nesse grupo, tendo gozado de efémera popularidade entre a juventude do dealbar do Terceiro Milénio, antes de desaparecer sem quase deixar rasto, ou mesmo grande memória em quem não chegou a ter tal artigo.

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Falamos dos casacos da marca 'Paul's Boutique', uma espécie de híbrido entre casaco 'de dar estilo' e 'quase-parka' que capturou a imaginação das adolescentes portuguesas por alturas da viragem do Milénio. Sem serem, ao contrário do que se poderia pensar, uma referência ao disco lançado pelos Beastie Boys alguns anos antes (que, por sua vez, também não se refere a esta Paul's Boutique, que era inglesa, e sim a uma outra, na Nova Iorque natal do grupo) estes casacos não deixavam, ainda assim, de proclamar alto e bom som a sua marca, bordada em garrafais letras maiúsculas nas costas da peça, criando aquele tipo de estética que quase faz parecer que a pessoa que a veste trabalha na própria loja. Nada que fizesse muita 'espécie' ao público-alvo, que envergava orgulhosamente para a escola o seu casaco 'de marca' (invariavelmente azul com letras rosa, embora aparentemente existissem outras cores) para melhor fazer inveja às amigas e chamar a atenção dos rapazes – pelo menos até ao dia em que deixaram de o fazer.

Sim, conforme já referimos acima – e à semelhança de tantas outras peças de que já aqui falámos – também estes casacos se 'desvaneceram no éter' ao fim de alguns anos, tendo praticamente deixado de se ver a partir de meados dos anos 2000, e desaparecido por completo à entrada para os 2010. Ainda assim, para uma certa faixa da população portuguesa da geração 'millennial', esta peça não terá deixado de criar memórias – talvez não tão vivas ou imediatas como as referentes às camisas da Sacoor ou blusões da Duffy, por exemplo, mas ainda assim nítidas o suficiente para serem activadas pela leitura de um artigo como este...

16.02.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Ao longo do tempo de vida deste 'blog', e desta rubrica em particular, temos vindo a recordar os mais diversos estilos de calçado, não sendo as botas excepção a esta regra – até por, no Portugal dos anos 90, este ter estado entre os tipo de calçado que mais frequentemente 'entrou' e 'saiu' de moda. Das Panama Jack às botas texanas, passando pelas 'famosas' Timberland ou Doc Martens, foram muitos (e muito saudosos) os tipos e modelos de bota a adornar os pés das crianças e adolescentes (bem como de muitos adultos) durante a última década do século XX. E enquanto que alguns destes formatos estavam associados aos chamados 'betinhos', e outros a estilos mais 'alternativos', apenas um conseguia conferir, quase imediatamente, ao seu dono o estatuto de 'mauzão': as botas de biqueira de aço.

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De facto, para muitos 'millennials' nacionais, a mera menção deste termo conjurará imagens do 'metaleiro' lá da escola, ou daquele indivíduo que todos receavam, pela sua propensão para brigas e outras actividades menos do que desejáveis. Isto porque, durante o breve período em que deixaram de ser instrumentos de trabalho para passarem a moda adolescente, as botas de biqueira de aço tendiam a ser compradas e utilizadas pelo sector da 'sociedade' escolar que procurava projectar uma imagem vagamente 'perigosa', fosse a mesma puramente estética ou baseada em aspectos da sua personalidade. Talvez por isso este modelo de calçado fosse tão cobiçado por aqueles que, por uma razão ou outra, eram incapazes de se 'impôr' – talvez na esperança que, como os sapatinhos vermelhos de Dorothy ou os ténis de 'Like Mike', as mesmas lhes conferissem 'poderes' especiais de auto-confiança uma vez envergadas. O preço proibitivo das mesmas – bem como o aspecto algo austero e pouco condicente com indumentárias 'normais' – mantinha, no entanto, essa ambição no plano do simples desejo, restringindo o uso destas botas ao tal sector mais 'feio, porco e mau' da população escolar.

Mais de vinte anos depois, as botas de biqueira de aço parecem ter regressado ao nicho do calçado de trabalho, sendo raros os modelos puramente estético deste tipo de sapato, pelo menos para quem não se insere nos meandros do movimento 'metaleiro'; para qualquer 'millennial' que tenha andado no ensino secundário em finais dos anos 90 e inícios do Novo Milénio, no entanto, as mesmas continuarão, sem dúvida, a simbolizar uma certa estética e forma de estar tão invejada quanto temida nos pátios de recreio do País de então...

 

24.11.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui, em diversas ocasiões, falámos de peças de calçado relevantes ou cobiçadas pela juventude portuguesa de finais do século XX, dos ténis Airwalk, Converse ou Redley às socas de plataforma, passando pelas botas Texanas, da Timberland ou Doc Martens, No entanto, existe ainda uma lacuna nesse elenco de sapatos e sapatilhas, o qual pretendemos, nesta edição da Sexta com Style, rectificar: chegou a altura de falar das botas Panama Jack.

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Exemplo moderno do modelo clássico da marca.

Tão populares e desejadas, em inícios dos anos 90, como qualquer dos calçados acima mencionados, as botas em causa afirmaram-se como uma espécie de antecessoras das posteriores Timberland e CAT, apresentando o mesmo tipo de 'design', algures entre uma bota 'de passeio' e um modelo mais 'todo-o-terreno'. Fabricadas, até aos dias de hoje, exclusivamente em Espanha (concretamente, na região de Albacete) não foi de todo de espantar que um dos primeiros países a acolher e popularizar estas botas (poucos anos após o seu aparecimento, ainda em finais da década de 80) tenha sido, precisamente, o 'outro' país ibérico, onde surgiam normalmente combinadas com calças de ganga da Levi's e camisas aos quadrados, sendo sobretudo associadas aos sectores mais 'bem-comportados' da juventude da época – ou seja, os chamados 'betinhos'. Ainda assim, a posse de umas botas desta marca não deixava de ser um sinal de estatuto entre esse grupo, tanto quanto outras peças de calçado o eram para as demais 'tribos urbanas'.

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O tradicional símbolo bordado da marca.

Tendo em conta essa popularidade, não deixa de ser surpreendente que as botas Panama Jack tenham, praticamente, desaparecido do panorama juvenil português no espaço de apenas alguns anos, a ponto de, por alturas do final da década, terem já sido totalmente suplantados pelas supracitadas sucessoras. Apesar dessa perda de preponderância, no entanto, a marca subsiste até aos dias de hoje, agora com um público mais 'de nicho', mas com 'designs' e qualidade sensivelmente iguais aos de outrora, permitindo a quem queira 'reviver' a sua juventude, pelo menos parcialmente, voltar a adquirir um par das botas que fizeram a sua felicidade em tempos idos de há três décadas atrás...

13.10.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Os anos 90 e 2000 representaram o auge do interesse da juventude portuguesa (e mundial) nos desportos radicais e, por arrasto, de aventura. E se o skate, patins em linha, BMX ou 'surf' eram já quase dados adquiridos no que tocava ao sector infantil e adolescente, já actividades como a escalada, o 'rappel' e o montanhismo poderiam parecer menos imediatamente óbvias, mas a verdade é que não deixaram, ainda assim, de cativar os jovens lusitanos, com alguma ajuda de filmes como 'Assalto Infernal' ou 'Missão: Impossível 2'. Este interesse não tardou, também, a estender-se ao parâmetro da moda, e não demorou muito até os coletes, mochilas, calças e bolsas de cintura ou a tiracolo em tons de caqui e verde-seco ombrearem com as grandes marcas de 'surf' e 'skate' no armário do adolescente português médio.

Parecia, pois, a oportunidade perfeita para estabelecer no nosso País uma nova cadeia de lojas, especificamente dedicada a vestuário deste tipo, e para esta finalidade – e foi precisamente o que fez a espanhola Coronel Tapiocca (com um 'C' a mais, para evitar problemas legais, ainda que a mascote fosse descaradamente idêntica à do militar do mesmo nome da série de BD franco-belga 'Tintim'), que se encontrava precisamente em processo de expansão internacional, após se ter estabelecido como líder de mercado no seu país de origem. Os astros alinhavam-se, assim, para criar as condições perfeitas para aquela que viria a ser uma relação comercial de cerca de duas décadas entre o 'imitador' do coronel amigo de Tintim e os adolescentes portugueses com interesse em desporto-aventura.

Isto porque a referida loja era, numa fase inicial, um dos poucos locais onde se podiam adquirir produtos de marcas que começavam rapidamente a penetrar no universo da moda juvenil mais 'generalista', nomeadamente a ainda hoje popular Camel Active, além da sua marca própria; assim, e apesar dos preços muitas vezes proibitivos dos referidos produtos, a Tapiocca não tardou a encontrar o 'seu' público, tarefa auxiliada pela localização estratégica das suas lojas, em locais de alguma afluência e com alta percentagem de jovens, como as Avenidas Novas, em Lisboa, a Baixa da mesma cidade, ou ainda a famosamente afluente zona de Cascais.

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A fachada da loja da Baixa de Lisboa manteve o logotipo durante algum tempo depois de fechar.

Apesar deste auspicioso início, no entanto, a história da Coronel Tapiocca em Portugal acaba como tantas outras: com um declínio do interesse do público-alvo na sua área de especialização, consequente redução do volume de negócios, e consequente falência e retirada do mercado nacional, no dealbar da década de 2010. Durante algum tempo, restou ainda um mural na Baixa para servir como testemunho da presença da marca no nosso País; mais de uma década volvida, no entanto, nada resta do legado do Coronel, excepto as memórias de quem por lá passou, admirou os atraentes mas proibitivos produtos expostos na montra, ou chegou mesmo a ser cliente – às quais se juntam, agora, algumas singelas linhas neste nosso 'blog' nostálgico, à laia de contraponto às notícias sobre a falência da cadeia que compunham, até agora, o único registo 'cibernáutico' da mesma...

14.04.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os 'jeans' são, tradicionalmente, um dos elementos mais marcantes e definidores de qualquer estilo ou moda, e os anos 90 não foram excepção a esta regra; antes pelo contrário, a última década do século XX (bem como a primeira do Novo Milénio) viram as calças (de ganga ou de qualquer outro material) servir de elemento identificativo para as diferentes 'tribos' urbanas. Das calças à boca de sino das 'betinhas' às calças largas do movimento alternativo, passando pelas jardineiras, pelos camuflados típicos dos fãs de música pesada ou pelas calças de fato de treino da 'malta' mais 'dread', a parte inferior do vestuário era uma das formas mais fáceis de identificar a que grupo pertencia uma determinada pessoa; e, nos últimos anos da década em causa, um dos principais codificadores do 'pessoal' alternativo eram as imediatamente reconhecíveis calças da extinta marca Resina.

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Um 'design' bem típico da marca.

'Rainhas' entre os 'jeans' deste tipo (apesar de terem competição aguerrida por parte de outras marcas 'radicais' como a Fubu) as calças da Resina tinham como principais elementos distintivos o seu formato (invariavelmente 'largueirão', bem ao gosto dos praticantes de 'skate' ou dos entusiastas do hip-hop) e a 'mascote' de visual bem 'cool' que marcava presença em todas as suas peças, ao estilo do que sucedia, na mesma altura, com o ratinho da Sacoor ou os rapazinhos carrancudos da Mad+Bad e Street Boy. Ambos estes elementos, especialmente quando combinados, ajudavam a dar aos 'jeans' da marca um aspecto e 'design' absolutamente irresistíveis para a demografia-alvo, tornando estas calças num dos artigos de vestuário mais cobiçados pelos jovens portugueses durante um bom par de anos – uma daquelas peças que quem não tinha, queria ter, e quem tinha, raramente tireva do corpo.

À semelhança de muitas das peças e marcas acima citadas, no entanto, também a Resina viu o seu momento de glória no mercado português terminar, à medida que a marcha inexorável da moda ditava outras tendências e estilos para os jovens lusitanos, que levariam à eventual extinção da marca; ainda assim, o icónico visual das calças da marca marcou definitivamente época, fazendo parte integrante e inegável da lista de peças de vestuário imediatamente reconhecíveis por qualquer membro daquela geração da 'viragem do Milénio', e que suscitam exclamações de nostalgia sempre que são recordados ou mencionados – mesmo quando, ao contrário de alguns dos supramencionados, não fazem parte da 'linha da frente' de memórias daquela época.

17.03.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Mesmo sendo um dos artigos de vestuário mais intemporais e universais alguma vez criados, as calças de ganga não são, ainda assim, imunes a flutuações e variações derivadas da moda – antes pelo contrário. Para além dos cortes, que mudam consoante as tendências da estação, também o próprio formato das calças 'entra e sai' de moda, sendo relativamente fácil identificar a era temporal de um par de 'jeans' apenas com base neste mesmo elemento. E se os finais da década de 90 e inícios da seguinte foram a era por excelência das calças largas e à boca de sino, os anos anteriores viram surgir e popularizar-se um outro tipo de 'jeans': as icónicas jardineiras.

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Ainda hoje utilizadas pelas suas demografias original (as crianças pequenas, os trabalhadores manuais e as mulheres grávidas) as jardineiras tornaram-se, nos anos 90, parte do 'estilo' de um outro sector da sociedade – nomeadamente, a das adolescentes do sexo feminino, que as incorporaram nos seus 'looks' mais casuais e desportivos, e fizeram delas um dos mais icónicos símbolos da moda dos anos 90, sendo que quem foi da idade certa durante a última década do século XX e primeiros anos do Novo Milénio certamente se lembrará de ter usado (ou visto as familiares ou colegas de turma usar) calças deste tipo, normalmente com uma das alças (ou até ambas) desabotoadas e a pender pelas costas abaixo, e combinadas com ténis All-Star, Airwalk ou até socas plataforma.

O atractivo deste tipo de calças era, aliás, óbvio, já que as mesmas aliavam a versatilidade à practicidade e conforto (visto muitos dos modelos serem 'largueirões', eliminando a principal razão de queixa de muitos relativamente às gangas), podendo ser usadas numa grande variedade de situações informais ou semi-informais sem nunca parecerem deslocadas ou de alguma forma impróprias – desde que o artigo em causa fosse de bom corte e estivesse bem tratado, bem entendido.

Tal como a maioria das outras modas que abordámos em edições passadas desta rubrica, também as jardineiras tiveram a sua época, sendo hoje codificadas como elemento de um estilo declaradamente 'vintage', e especificamente associado aos anos 90. A tendência cíclica da moda dita, no entanto, que estas icónicas calças de ganga venham, num futuro muito próximo, a estar novamente 'na moda', e a conquistar o coração de toda uma nova vaga de adolescentes; até lá, o espírito das jardineiras continuará a ser perpetuado pelos públicos para que foram originalmente concebidas...

03.03.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

No que toca a artigos de vestuário, os ténis Converse All-Star estão entre os mais icónicos e perenes, não só da moda jovem, como do panorama em geral. A simplicidade e versatilidade destas 'sapatilhas' (que 'dizem' bem com quase tudo e podem ser usadas em praticamente qualquer situação) fez delas favoritas de cidadãos ocidentais de todas as idades desde a sua criação em meados do século XX, tendo as mesmas conseguido atravessar inúmeras tendências e mudanças na moda, mantendo-se sempre presentes e quase sempre à 'tona da água'.

Os anos 90 não foram excepção nesse aspecto; pelo contrário, os Converse gozaram, durante essa década e a anterior, de um revitalizar da sua popularidade, ligado a movimentos como o do rock alternativo e o dos desportos radicais, que chegou inclusivamente a justificar a criação de imitações 'marca branca' do icónico formato (e não, não estamos a falar da igualmente icónica 'versão portuguesa' fabricada pela Sanjo.)

No entanto, ainda que os padrões 'lisos' sejam praticamente intemporais, cada 'fase' da existência dos ténis All-Star tem, também, os seus próprios modelos 'desse tempo', desenhados para se inserirem nas tendências vigentes à época do seu lançamento, e para agradarem ao público-alvo (ou seja, o juvenil) da altura; e se, hoje, esses modelos trazem motivos alusivos a videojogos como Super Mario ou séries como Stranger Things, nos anos 90, o padrão escolhido era tão simples quanto apelativo – a bandeira dos Estados Unidos da América.

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Sim, os famosos Converse 'da bandeira', Santo Graal de qualquer criança ou jovem portuguesa (e não só, suspeitamos) de inícios da década de 90, pela sua ligação aos movimentos 'hard rock', 'heavy metal' e 'grunge' e à iconografia de artistas como Bruce Springsteen (cujo 'Born in the USA', lançado alguns anos antes, ainda fazia sucesso entre a demografia em causa). Apesar de menos versáteis do que os seus 'irmãos' monocromáticos, estes ténis adicionavam uma vertente 'vistosa' e 'radical' que compensava o facto de talvez não poderem ser usados em certas situações onde os seus congéneres seriam aceitáveis, e que os tornava objecto de desejo de grande parte da população jovem daquele tempo.

Tal como tantas outras tendências que aqui debatemos, no entanto, também o 'tempo' dos 'All-Star' 'de bandeira' acabou por passar, tendo os jovens transitado para outras estéticas (algumas também ligadas a bandeiras, como a do Reino Unido, que sucedeu à dos EUA mas não teve o mesmo sucesso); no entanto, quem, à época, se 'babou' por este modelo específico da clássica sapatilha terá, certamente, sentido uma enorme vaga de nostalgia ao ler este 'post', tendo-se potencialmente 'visto' a entrar na escola com estes ténis, ou a admirar sorrateiramente os de outro aluno...

23.09.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

A sociedade adolescente da segunda metade dos anos 90 encontrava-se (mais ou menos) rigidamente dividida em 'tribos', identificadas e identificáveis, entre outros factores, pelas marcas de vestuário que favoreciam, entre as quais havia muito poucos 'cruzamentos'; existiam, sim, marcas universalmente populares, mas eram em número relativamente reduzido, dividindo-se o mercado nacional da época, em grande medida, entre marcas de 'betinhos', marcas de surf, marcas radicais, marcas alternativas, marcas 'dreads', muitas das quais ligadas ao movimento hip-hop, e, claro, as mais populares e omnipresentes de todas: as 'marcas' de contrafacção.

No entanto, e apesar de a maioria destas facções se manterem estritamente segmentadas, não deixava de haver uma pequena 'área cinzenta', povoada por marcas vestidas por quem não era um 'dread' legítimo, mas se queria ainda assim demarcar do epíteto de 'beto'. Com os seus 'designs' largueirões (como era apanágio da época) mas ainda assim lineares o suficiente para não 'assustar' os pais menos tolerantes, marcas como a Fubu, Counter Culture ou Fishbone tinham logrado expandir-se para lá do seu nicho inicial de fãs de 'hip-hop' e 'rap', e penetrar o mercado generalista, onde um público adolescente em processo de descoberta da identidade lhes dedicou uma calorosa recepção, não tardando a integrá-las no seu vestuário quotidiano, à laia de 'fashion statement'.

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Quem foi adolescente nos anos 90, teve, ou conheceu quem tivesse, uma sweatshirt praticamente igual a esta.

Claro que, como a maioria das outras peças de que aqui falamos, também este estilo de roupa acabou, inevitavelmente, por cair em desuso, após alguns anos de domínio de mercado; quem, no entanto, cresceu e foi adolescente nos anos da viragem do milénio certamente lembrará, com mais ou menos afecto, todas ou algumas destas marcas, quer por as mesmas terem adornado o seu corpo, quer o de colegas. E numa altura em que a tendência cíclica da moda começa a trazer as peças extra-largas de volta ao imaginário de estilo dos jovens (bem como muitas das marcas daquela época), não deixa de ser bem possível que se veja, em breve, um ressurgir destas marcas, que vão, ainda, sobrevivendo no seu nicho, à espera de outra 'hipótese' de penetrarem o mercado 'mainstream'...

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