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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

10.04.22

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 08 de Abril de 2022.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já anteriormente aqui se discutiu o impacto que o movimento alternativo - quer na vertente 'rock', quer 'hip-hop' - teve sobre a juventude portuguesa de finais do segundo milénio; e um dos aspectos mais visíveis dessa mesma influência era a forma de vestir, um dos principais identificadores externos do 'estilo' a que se pertencia. E enquanto os 'betinhos' tinham as 'sweats' da Gap, as camisas Sacoor, os pólos de 'rugby', os sapatos de vela, os blusões da Duffy e as calças à boca de sino, os 'dreads' tinham os panamás às florzinhas (aos quais paulatinamente chegaremos), os bonés de equipas desportivas, os ténis Airwalk, as 'sweats' de marcas de surf e skate, e aquela que era literalmente a 'alternativa' às calças à boca de sino: as calças largas.

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Sim, durante um período de dois ou três anos, no final do século XX, um dos items mais desejados pela maioria dos jovens de tendência mais 'alternativa' foram calças de corte propositalmente largo (as bases das pernas tapavam, idealmente, todo o topo dos ténis), cujos bolsos se estendiam quase até aos joelhos (ou à base do rabo, no caso dos bolsos de trás), acomodando sem problemas um 'walkman' ou 'discman', uma consola portátil, ou até algo como um livro, uma barra de chocolate ou uma sanduiche. Fosse na vertente ganga (sempre com as tradicionais costuras brancas, que não deveriam faltar num item deste tipo) fosse no ainda mais popular formato 'chino' (cinzento ou, preferencialmente, bege ou cor de creme), de corte masculino ou feminino, as calças deste tipo eram parte indispensável do vestuário tanto de quem era 'dread', como de quem queria ser; e quem não tinha (e não tinha dinheiro para comprar) um par, 'caçava com gato', isto é, comprava simplesmente um par de calças normal, vários tamanhos acima, e apertava-o na cintura para que servisse. O importante era que o efeito visual fosse o correcto...

Como tantas das peças de que aqui falamos (incluindo o seu indispensável complemento, os ténis de 'skate', e as 'rivais' boca de sino) as calças de formato largo acabaram, com o passar dos anos, por voltar ao seu reduto mais 'de nicho', tanto na sociedade portuguesa, como um pouco por todo o Mundo; quem 'lá esteve', no entanto, não esquece o impacto que essa vestimenta teve numa parte significativa da população jovem nacional da época, para quem era (mais um) elemento-chave de identificação e 'localização' social...

25.03.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Um dos principais aspectos da moda dos anos 90 – para além do seu gosto, muitas vezes, duvidoso – foi a sua compartimentalização, muitas vezes coincidente com o conceito de 'tribos urbanas' que continua, ainda hoje, a dividir a juventude ocidental. Em Portugal, concretamente, existiam as marcas 'de betinhos' - como a Lacoste, Polo Sport, Tommy, Gap, Sacoor, Quebramar ou Duffy, isto sem falar nos clássicos pólos de râguebi ou calças à boca de sino - as de surf, como a Billabong, Ocean Pacific, Body Glove, Scorpion Bay, Quiksilver, Hang Loose, Lightning Bolt ou O'Neill, as de desporto e moda casual (das muito imitadas Reebok, Adidas ou Puma às menos conhecidas Lotto, Umbro, Pony, Fila, Kappa, Sanjo ou Le Coq Sportif) e as alternativas ou 'radicais', normalmente (embora não exclusivamente) associadas ao movimento 'skater'. Dessas, já aqui abordámos, anteriormente, as 'sweats' da No Fear e marcas derivadas, e ainda os ténis Airwalk, acessório quase obrigatório para quem se considerasse (ou quisesse considerar) parte dessa 'tribo' nos anos finais da década; essas estavam, no entanto, longe de ser as únicas marcas que compunham essa sub-categoria da moda infanto-juvenil da época, pelo que, esta Sexta, falaremos de algumas das restantes.

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A Dickies foi uma das muitas marcas a beneficiar da febre do 'skate' dos anos 90

E quem foi, quis ser, ou teve amigos que tenham sido, 'radicais' durante a referida década, bem como a seguinte, certamente já está a recitar uma litania de nomes que remetem directamente para o ensino preparatório e secundário – da Fishbone à Fubu, Etnies, Skechers ou Counter Culture, foram várias as marcas adoptadas pelos jovens de inclinação 'radical' durante essas duas épocas, muitas vezes como forma de emular os seus ídolos, que 'trajavam' de forma semelhante. Até mesmo marcas que não estavam directamente associadas à sub-cultura em causa – como a Dickies, cuja especialidade são roupas de trabalho para profissionais da área dos serviços – acabaram por beneficiar deste fenómeno, tendo gozado de alguns anos de grande popularidade entre o público jovem em geral, e entre os mais 'alternativos' em particular.

Como acontece com a maioria dos temas explorados nestas páginas, no entanto, também a moda dos desportos radicais evoluiu com o passar das décadas, voltando a assumir um carácter mais 'de nicho' do que tinha nos anos 90, em que qualquer mascote de desenho animado que se prezasse era vista em cima de um 'skate' pelo menos uma vez; por consequência, também as marcas associadas a este movimento (e outros igualmente alternativos) se tornaram presença menos comum na sociedade jovem nacional, acabando inevitavelmente por ser substituídas por uma 'nova geração' de logotipos, vestidos pela nova geração de 'skaters' e praticantes de BMX ou patins em linha. Quem fez parte dessa 'tribo' nos anos 90 e 2000, no entanto, terá sem dúvida disfrutado, nestes passados momentos, de uma agradável viagem nostálgica pelas marcas da sua infância e adolescência – e, quiçá, sentido sob os joelhos o atrito do asfalto da rua ou pátio da escola, indicativo de mais uma de muitas quedas...

11.03.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Hoje em dia, comprar roupa remotamente já não é nada de novo; pelo contrário, as lojas online de grandes retalhistas, pequenas lojas independentes em sites como o Etsy, ou até serviços de importação e expedição como a Shein e BooHoo vão-se cada vez mais tornando o método por excelência para adquirir novos artigos de vestuário a preços mais convidativos e com maior variedade do que as lojas tradicionais, e iguais facilidades de troca.

Muito antes de qualquer destes serviços sequer pensar em existir, no entanto, já uma outra companhia multi-nacional inovava e 'disrupcionava' o mundo do comércio de moda, com um esquema muito semelhante ao hoje seguido por estas lojas – com o benefício adicional de os clientes não terem de ir à procura do catálogo, que era automaticamente enviado para a sua caixa do correio duas a três vezes por ano.

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Falamos, claro, da La Redoute, o primeiro contacto que muitos jovens portugueses dos anos 90 tiveram com o conceito de compras à distância. Com um historial cujo início se perde no tempo, a produtora têxtil francesa terá começado por ser uma fábrica de fiação tradicional – sedeada na rua que lhe dá o nome, em Roubaix, no Norte da França – até os elevados volumes de stock terem dado ao fundador Pierre-Joseph Pollet, um ex-agricultor transformado em magnata têxtil, a ideia de vender as suas peças por correspondência, primeiro através de anúncios num jornal local e, mais tarde, mediante a distribuição de um catálogo próprio. O sucesso desta iniciativa ultrapassou quaisquer metas que o fundador pudesse ter delineado, sendo que, quatro décadas depois de Poullet ter tido a sua revolucionária ideia, uma em cada cinco familias francesas comprava artigos La Redoute.

Com tais níveis de popularidade, o próximo passo era óbvio, e passava pela expansão internacional, sendo Portugal um dos países contemplados pela mesma. Surge assim, em 1987, a La Redoute Portugal, parte do grupo de venda à distância Europirâmide, e responsável pela criação e distribuição dquele catálogo que tantas crianças se habituaram a ver na pilha do correio ou mesa de cabeceira de casa, e a folhear para ver o que continha. Com 16 páginas e uma tiragem inicial de 60 mil exemplares, o catálogo foi um sucesso de tal modo retumbante que permitiu à La Redoute Portugal tornar-se sócia maioritária do grupo Europirâmide e, mais tarde, adquiri-lo por completo.

A década seguinte apenas veria exacerbar-se o sucesso da La Redoute Portugal, que lançaria um segundo catálogo especializado em tamanhos grandes e, já no ocaso da década, um cartão de fidelidade próprio, semelhante ao utilizado pela maioria dos supermercados e outras grandes superfícies. Pelo meio ficaria, ainda, uma distinção como melhor empresa comercial portuguesa, em 1993, bem como a retoma integral do catálogo francês (com excepção da secções de móveis e electrodomésticos) em 1997.

Este paradigma manteve-se até aos primeiros anos do novo milénio, sendo que os primeiros cinco viram surgir mais dois catálogos impressos, ao mesmo tempo que a empresa se expandia para as emergentes plataformas 'online'; subsequentemente, já na década de 2010, o clássico e tradicional catálogo seria finalmente extinto, afirmando-se a La Redoute exclusivamente como uma retalhista online, na linha do que vinham fazendo as suas concorrentes directas e indirectas.

Ainda assim, e apesar da sua extinção efectiva, o clássico catálogo da companhia francesa continua vivo nas memórias de toda uma geração de jovens, que o associam a todo um conjunto de memórias da sua infância e adolescência, prolongando assim, senão a sua vida útil, pelo menos a sua vida enquanto artefacto cultural de uma certa época da sociedade portuguesa.

04.02.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Todos as quisemos. Muitos as tivemos. Lisas, às riscas ou aos quadrados, com o 'boneco' bordado nas costas, em grande, ou apenas em pequeno à frente, lá estavam elas orgulhosamente penduradas em qualquer feira de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 onde houvesse bancas de roupa – ou não fosse essa, precisamente, uma das épocas de ouro da contrafacção têxtil. As autênticas, essas, apenas estavam ao alcance de alguns, sendo um dos 'ex-libris' dos chamados 'betinhos', que – evidentemente – nunca seriam vistos com uma daquelas 'da feira'.

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A dada altura dos 90, isto foi símbolo de status entre os adolescentes portugueses - e não só. (Crédito da foto: Ainda Sou do Tempo)

Falamos, é claro, das lendárias camisas da Sacoor, até hoje, o único item de vestuário associado à marca lisboeta (inicialmente conhecida como Modas Belize) por toda uma geração de ex-crianças e jovens portugueses. Isto porque, durante um determinado momento acima mencionado, as referidas camisas (autênticas ou bem copiadas o suficiente para 'colarem') foram uma das peças de roupa mais desejadas pela população jovem nacional, ao mesmo nível das camisolas da No Fear, alguns anos antes, ou das contemporâneas sweat-shirts da Gap, pólos de rugby, blusões da Duffy e t-shirts da Quebramar. Pura e simplesmente TODA a gente queria ter uma – isto, claro, se já não a tivesse no armário.

E a verdade é que o sucesso desta camisa (que baralhou Nuno Markl ao ponto de este lhe dedicar toda uma rubrica da sua Caderneta de Cromos) não é difícil de explicar, pelo menos entre o público mais jovem; para além do conhecido efeito 'toda-a-gente-tem' habitual entre esta faixa etária, as referidas camisas conseguiam um excelente balanço entre o 'estilo' que todos queríamos ter naquela idade e uma certa irreverência que muitos também procuravam nas suas roupas do dia-a-dia – aqui representada pelo ratinho 'cartoon', de expressão amalucada, que não podia deixar de parecer apelativo a um público que (por muito adulto que quisesse ser, ou parecer) ainda alguns anos antes seguia as aventuras de personagens como este nos desenhos animados televisivos.

Fosse qual fosse o motivo por detrás da popularidade desenfreada destas camisas durante os últimos anos do século XX e os primeiros do anterior, a mesma é inegável. Por muito distante que estivesse (e esteja) do restante catálogo da Sacoor Brothers, esta camisa (nas suas diversas variantes) continua a ser um dos maiores sucessos de sempre para a marca de Malik, Moez, Rahim e Salim Sacoor. E mesmo tendo o seu momento de glória sido efémero – como tende a acontecer com a maioria das modas relativas a vestuário, sobretudo as dirigidas aos mais jovens – a verdade é que o 'ratinho da Sacoor' se revelou icónico o suficiente para, ainda hoje, mais de duas décadas depois do seu auge, as camisas onde orgulhosamente corria e saltava continuarem a ser tema de conversa sempre que o assunto é a nostalgia pelos anos 90 e 2000. Nada mau para um ratinho anafado...

21.01.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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A Pony é apenas uma das muitas marcas de roupa desportiva dos anos 90 que se encontram, hoje em dia, 'desaparecidas' da cultura popular

Sanjo. Pony. Fila. Le Coq Sportif. Kappa. Todos as conhecemos. Todos as vestimos. Marcas que, não sendo 'topo de gama' do vestuário casual-desportivo dos anos 90, não ficavam ainda assim mal vistas junto das mais conhecidas Adidas, Reebok, Nike ou Puma. Marcas que, infelizmente, se encontram hoje em dia extintas ou em extinção (pelo menos de uma perspectiva sócio-cultural), vivendo portanto, sobretudo, na memória de quem era menos 'mainstream' (ou tinha menos dinheiro) no tocante a comprar roupa de desporto em finais do século XX.

Numa altura em que a variedade dentro do mercado de vestuário pseudo-desportivo é tão pouca que se torna quase aborrecido entrar numa loja do género – porque sabemos que vamos ver Adidas, Nike, New Balance, com sorte ou um outro Converse, e pouco mais – pode parecer difícil acreditar que, há menos de uma geração atrás, as crianças e jovens (em Portugal e não só) tinham uma enorme gama de marcas por onde escolher no momento de adquirir ténis, t-shirts, bonés e outros artigos indispensáveis ao estilo casual-juvenil; e embora, como mencionámos anteriormente, nem todos estes nomes tivessem o mesmo peso, o mais importante era mesmo a marca ser reconhecível, e o artigo ser (ou, pelo menos, passar por) genuíno - ou não fossem os anos 90 a era de ouro do vestuário de contrafacção; reunidas estas condições, e salvo raras e honrosas excepções, a maioria das marcas seria bem aceite junto de um grupo de determinada idade.

No entanto, à medida que os anos avançavam, e o segundo milénio dava lugar ao terceiro, a maioria destas marcas foram, lentamente, desaparecendo da consciência popular, juntando-se a nomes de outros quadrantes, como a No Fear e a Quebramar, no grande e constantemente renovado cemitério das 'cenas da infância' - mesmo quando, como no caso da Pony, continuavam a constituir uma referência dentro de um determinado nicho (no caso, o basquetebol profissional.) Cabe, portanto, hoje a blogs como o nosso a missão de manter viva a memória destas marcas 'menores', mas que todos tínhamos no armário naqueles tempos já distantes...

24.12.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Assim que o frio começa a apertar - e normalmente, em Dezembro, já há muito que apertou - sabe bem ter um agasalho mais grosso e impermeável, dentro do qual se possam enfrentar as intempéries que o Inverno normalmente reserva. E, para a juventude da segunda metade dos anos 90, um agasalho deste tipo que não tivesse no peito um bordado redondo com um ganso em vôo praticamente 'não contava'.

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Foi sensivelmente em meados da década que os famosos blusões de penas Duffy adentraram a consciência colectiva de toda uma demografia. Ao contrário de outras 'modas' de que aqui vimos falando, estas peças de roupa não têm, nem nunca tiveram, um ponto de origem definido; simplesmente 'passaram a existir', de um ano para o outro, e dentro de pouco tempo, toda a gente de uma certa idade parecia ter (ou querer ter) o seu.

Também ao contrário de alguns dos outros temas abordados nas páginas deste blog, não é difícil perceber por que razão os blusões da Duffy se tornaram tão populares, quando outros 'kispos' deste tipo eram muitas vezes vistos como sendo 'fatelas', especialmente a partir de uma certa idade; para além do óbvio factor 'todos-têm-também-quero', os artigos da marca do ganso apresentavam qualidade condicente com o seu preço (mesmo muito) elevado, tendendo um só blusão a chegar para várias épocas, tipicamente até deixar de servir ao dono ou dona. Os 'anoraks' Duffy eram, assim, dos poucos artigos de marcas populares a verdadeiramente justificarem o investimento.

Tal como ocorria com tudo o que ganhasse alguma popularidade entre os jovens, no entanto, nem todos os supostos blusões Duffy vistos nos pátios de escolas e clubes por esse Portugal fora eram verdadeiramente da marca; como era hábito à época (e hoje em dia, embora menos) proliferavam no mercado as imitações baratas, que passavam por autênticas à primeira vista, mas não resistiam a um escrutínio mais de perto. Como também era hábito, qualquer criança ou jovem cujo blusão fosse identificado como 'falso' era, de imediato, alvo do escárnio dos colegas - muitos deles, ironicamente, também provavelmente vestidos com blusões de imitação.

Hoje em dia, a Duffy ainda existe, tendo inclusivamente tentado reviver os seus icónicos blusões para os tempos modernos; no entanto, e apesar destes esforços, a iconografia do blusão de penas com 'patch' de um ganso a voar fica mesmo (pelo menos em Portugal) indelevelmente ligada aos anos 90, em que esta peça de roupa mais utilitária que 'estilosa' chegava a ter estatuto de presente desejado debaixo do sapatinho nesta época do ano...

10.12.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Apesar de a roupa de marca ter, tradicionalmente, exercido enorme influência junto dos jovens de todas as idades, os anos 90 e inícios de 2000 viram essa tendência exacerbar-se. A maior acessibilidade da roupa com nomes de marcas famosas – fosse ela genuína ou de contrafacção – tornou os itens de vestuário com logotipos reconhecíveis quase obrigatórios no guarda-roupa de qualquer jovem da época.

Foram várias as marcas que beneficiaram desta tendência, algumas das quais – como a Quebramar ou a No Fear – foram já abordadas nesta rubrica; hoje, no entanto, chega a vez de falar de outro conhecido emblema, que adornou muitos torsos de ambos os sexos ao longo da 'nossa' década e da seguinte: a Gap.

Famosa pelas suas calças de ganga e camisas, a Gap não era, no entanto, conhecida à época por qualquer destes artigos; a peça que tornou a marca visão inescapável nas escolas preparatórias e secundárias de Norte a Sul do País era bem mais casual e relaxada, e de 'design' ainda mais simples – tratava-se, pura e simplesmente, de uma 'sweatshirt' de capuz, de cor lisa, com o emblema da marca bordado em letras garrafais na frente. Sim, essa mesmo – a famosa 'camisola da Gap', que quase toda a gente tinha, ou pelo menos conhecia quem tivesse.

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Um dos itens de vestuário mais populares e desejados das décadas de 90 e 2000

Àparte o chamariz da marca, era difícil apontar qual, exactamente, era o atractivo desta 'sweatshirt'; tratava-se de uma peça bem confeccionada e resistente, como seria de esperar de um artigo de preço tão elevado, mas o 'design' era minimalista ao ponto de quase não existir, especialmente se comparado com as mais inspiradas ofertas das referidas No Fear e Quebramar, ou ainda de marcas como a Mad = Bad. Quem viveu os anos 90 enquanto jovem, no entanto certamente se lembrará que essa foi uma década de camisolas com enormes logotipos da marca em causa – normalmente de desporto – o que poderá ajudar a explicar a popularidade deste artigo, que se inseria precisamente nessa categoria.

Fosse qual fosse a razão, no entanto, a verdade é que esta peça de roupa era, inegavelmente, da preferência dos jovens (sobretudo adolescentes) sendo que o seu carácter declaradamente unissexo permitia que fosse vestida em pacífica convivência por rapazes e raparigas, sem que tal desse azo às habituais picardias ou dichotes (as quais, quando ocorriam, estavam sobretudo ligados à associação desta camisola à famigerada demografia dos 'betinhos'.)

Como seria de esperar, o sucesso da 'camisola da Gap' deu origem a 'designs' muito parecidos (e, por vezes, bem mais interessantes) por parte de lojas e marcas com menor expressão; no entanto, as mesmas eram muitas vezes recebidas com o habitual desdém que as crianças (de qualquer era) reservam a coisas 'falsas' ou 'de imitação' – ainda que, conforme referido, nem sempre o merecessem.

Como também vem sendo habitual com os itens de que aqui falamos, a popularidade destas camisolas – e da marca Gap em geral – foi alvo de um declínio acentuado ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, sendo que hoje é extremamente raro avistar alguém, quer jovem quer mais velho, com uma delas vestida; com efeito, a 'queda' da marca foi tão acentuada que há hoje quem esteja na casa dos vintes e praticamente não conheça a marca que 'virou a cabeça' de pessoas (muito) pouco mais velhas em finais da década de 90! Quem lá esteve, no entanto, sabe a 'loucura' que estas camisolas representaram, e recorda sem dúvida a sensação de orgulho por ter no armário aquela camisola com as três letrinhas mágicas bordadas na zona do peito - ou, inversamente, a inveja por não ser tão sortudo. Um impacto sem dúvida invejável, para uma peça que pouco mais era do que uma 'sweatshirt' de capuz lisa com o nome da marca na frente...

23.10.21

Uma das nossas primeiras Sextas com Style de sempre aqui no blog recordou as icónicas sweat-shirts da No Fear que todos usámos em meados dos anos 90; pois bem, a marca preferida de todo o miúdo de dez anos daquela época está de volta, e logo com uma colaboração 'em grande' – nada mais, nada menos do que com a conhecidíssima e super-popular cadeia de lojas H&M.

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Aquela que é a segunda colaboração da marca com um 'franchise' de vestuário e acessórios – após a tímida tentativa de regresso há alguns anos, em parceria com a inglesa Sports Direct – irá ter um âmbito global, e colocar o inconfundível logotipo dos anos 90 numa vasta selecção de produtos comercializados pela marca, conforme noticiado no próprio site internacional da H&M.

Como blog sempre atento às questões de revivalismo dos anos 90, não podíamos obviamente deixar passar em branco esta oportunidade, tendo a agradecer à Maria Ana – autora do nosso blog irmão, o Lookout – por nos ter dado a conhecer esta informação. Quanto aos nossos restantes leitores, agora é a oportunidade de comprar aquela 'sweat' que queriam mas não tiveram em pequenos – afinal, um quarto de século não tornou a roupa da No Fear menos 'fixe', antes pelo contrário...

 

06.08.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E se em ocasiões anteriores aqui falámos das camisolas da No Fear e Mad + Bad, entre outras,  calha hoje a vez a outra ‘griffe’ marcante dos anos 90, embora esta um pouco ‘Esquecida Pela Net’ nos dias de hoje.

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Falamos da Quebra-Mar, marca 100% nacional e conhecida, sobretudo, pelos atraentes e inovadores ‘designs’ das suas ‘t-shirts’ e ‘sweatshirts’, os quais não deixavam de apelar ao públco infanto-juvenil – embora, como era o caso com a No Fear, estes não constituíssem necessariamente o público-alvo.

Famosa pelos seus desenhos quase simétricos ao estilo ‘jogo das diferenças’ – em que normalmente só uma das imagens era notoriamente diferente – as roupas desta marca faziam furor entre um certo segmento da população jovem durante a década de 90 e inícios da seguinte, embora os preços algo proibitivos das mesmas as relegassem, inevitavelmente, para a categoria de ‘roupas de betinhos’ – uma associação que talvez não fosse totalmente inocente, visto a marca estar fortemente ligada à prática dos desportos náuticos, tradicionalmente associados às classes altas, e – talvez mais significativamente - ter sido criada, precisamente, em Cascais…

‘Betices’ à parte, a verdade é que muitas crianças e jovens daquela época tinham, ou queriam ter, uma peça desta marca, fosse da sempre apetecível colecção principal ou da menos popular linha ‘Kids’. Assim, não deixa de ser motivo de espanto que, hoje em dia – quando tudo se vende no OLX ou sites similares – haja tão poucos vestígios da presença da Quebra-Mar na vivência portuguesa daquela época. Para além do site da marca, e de uma ou outra referência às suas peças modernas, não se encontra uma única camisola ou t-shirt para venda em lado nenhum; é quase como se as mesmas nunca tivessem existido - embora, tratando-se de roupa de criança, se possa dar o caso de as peças terem, pura e simplesmente, 'caido de velhas'.. Seja qual for o caso, no entanto, quem viveu o período áureo da marca certamente concordará que a popularidade da mesma durante aqueles anos justifica plenamente esta pequena tentativa de evitar que esta seja, definitivamente, ‘Esquecida Pela Net…’

09.07.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui falámos, num post anterior, das sweat-shirts da No Fear; no entanto, e apesar de serem a face ‘mais visivel’ deste tipo de peça nos anos 90, as camisolas da marca americana não foram, de todo, as únicas representantes do mesmo, pelo menos em Portugal. De facto, na mesma época em que a referida marca esteve no seu auge, havia não uma, não duas, mas TRÊS marcas concorrentes a produzir o mesmo tipo de vestuário, todas com grande aceitação por parte do público infanto-juvenil.

Curiosamente, todas estas marcas trilhavam caminhos muito parecidos em termos de design, estando as suas estampas próximas não só das da No Fear, como umas das outras; de facto, o mais certo é que um leigo – ou alguém que, mais distraído, não lesse o nome da marca por baixo dos ‘bonecos’ – confundisse, à primeira vista, estas marcas, tal era a semelhança entre as peças que comercializavam.

A primeira destas marcas era a Bad + Mad, conhecida pelas suas t-shirts e sweat-shirts adornadas por ‘cartoons’ radicais e irreverentes, na sua maioria protagonizados pela mascote da marca, um jovem sem nome, de ‘crista’ espetada e cabelo rapado dos lados, muitas vezes visto em situações algo politicamente incorrectas. Era, precisamente, este lado rebelde, bem típico da segunda metade dos 90s que, aliado aos excelentes e detalhados desenhos, atraía o público-alvo, tornando estas camisolas (principalmente as de manga comprida) num item quase universal entre a população em idade escolar, e sobretudo os adolescentes.

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Um 'design' bem típico da Bad + Mad

Numa senda muito parecida surgia a brasileira Bad Boy, marca – à época – algo conotada com a prática do ‘skate’ (como, aliás, eram todas as referidas neste post, incluindo a própria No Fear.) Tal como as suas congéneres – tanto as referidas anteriormente como aquela de que falaremos em seguida – esta linha pautava-se pelos desenhos algures entre o ‘cartoon’ e o ‘grafitti’, os quais, aliados ao próprio nome bem rebelde da marca, ‘caíam no goto’ dos jovens da época, transformando a Bad Boy em mais uma daquelas marcas bem aceites e bem vistas em qualquer recreio de escola dos anos 90.

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Os 'designs' da Bad Boy eram mais centrados no logotipo da marca

Em concorrência directa tanto com estas duas marcas, como com a No Fear, havia ainda uma terceira, a qual, graficamente, se afirmava como uma espécie de fusão de todas elas. Tratava-se da Street Boy, uma marca que oferecia tanto os ‘cartoons’ incorrectos da Mad + Bad (uma das suas camisolas mais conhecidas retrata um rapaz, muito parecido com a mascote da referida marca, sentado na sanita, em pleno acto de ‘filosofar’) como da No Fear (outro dos seus ‘designs’ apresentava um par de olhos franzidos numa expressão de irritação, exactamente como um dos modelos mais conhecidos da marca americana). Infelizmente, o nome algo genérico da marca torna uma pesquisa Google nos dias de hoje extremamente difícil, tornando, mesmo que involuntariamente, a Street Boy em mais uma adição ao grupo dos Esquecidos pela Net. E a verdade é que a marca não o merecia, já que os seus ‘designs’ e a qualidade das suas peças pouco ficavam a dever às marcas mais conhecidas.

No fundo, três marcas quase intercambiáveis, e que, com a No Fear, formavam a ‘Santa Trindade’ das sweat-shirts para crianças e jovens entre os 8 e os 18 anos no Portugal dos anos 90; e, quem sabe, talvez o facto de pelo menos três  das quatro ainda existirem nos permita sonhar com uma redescoberta, a curto prazo, destas marcas por uma nova geração de jovens à procura de algo ‘fixe’ para vestir. Mesmo que tal não aconteça, no entanto, é bom saber que, num mundo cada vez mais politicamente correcto, ainda há quem se atreva a ser irreverente e se desviar do ‘politicamente correcto’…

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