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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.07.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Num dos primeiros posts desta rubrica, abordámos as tão frequentes quanto gloriosas peças de vestuário de contrafacção que se podiam (e ainda podem) encontrar em bancas de feira e outros ambientes semelhantes, um pouco por esse Portugal afora. Aquando desse post, deixámos, no entanto, involuntariamente de fora um tipo específico de peça dessa categoria, erro que rectificamos esta semana, ao falarmos das míticas e memoráveis camisolas de malha da 'Burberry' e 'Ralph Lauren' com que todos convivemos naqueles anos de final do Segundo Milénio.

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Esta é autêntica, mas façam de conta...

Adquiríveis na mesma 'boutique' que as camisolas a imitar No Fear ou as calças de fato de treino a imitar Adidas ou Reebok – o chão da rua – estas camisolas constituíam contrafacções bem mais cuidadas do que os dois exemplos supra-mencionados, sendo o único sinal suspeito (além, claro está, do facto de serem vendidas na rua, por um preço relativamente acessível) a qualidade da malha, e as cores muitas vezes duvidosas, de que as marcas certamente não teriam aprovado para as respectivas colecções, como o azul-turquesa e o rosa-choque. De resto, estes produtos eram, em tudo, idênticos aos autenticamente comercializados pelas marcas à época, não sendo, portanto, de admirar que tenham 'enganado' muito boa gente na altura.

Tal como sucedeu com as outras peças mencionadas, também estes 'pullovers' se acabaram por tornar menos comuns à medida que a indústria da contrafacção se passou a centrar em outros estilos e marcas; no entanto, o seu carácter significativamente mais intemporal do que as outras imitações da altura faz que, de quando em vez, ainda se vá vendo uma destas camisolas surgir numa qualquer feira portuguesa, pronta a aliciar um comprador menos atento, exigente, ou a quem o símbolo da 'griffe' interesse mais do que a qualidade – adjectivos que descrevem, também, perfeitamente a maioria das pessoas que, à época, tinha no armário uma (ou mais) destas peças...

15.07.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Quando se fala em peças de roupa 'intemporais', um dos primeiros exemplos que vem à cabeça de qualquer ex-jovem dos anos 90 são os inevitáveis ténis Converse All-Star. Apesar de, à época, gozarem já de várias décadas de popularidade (a qual, aliás, continua até aos dias de hoje) é mesmo com os anos 80 e 90 que este tipo de calçado tende a ser associado, até por ter sido quando gozou o seu auge de popularidade.

Tanto assim foi que quem entrasse numa das lojas generalistas 'barateiras' tão típicas dessa era da História social portuguesa encontraria a prova acabada dessa mesma popularidade - nomeadamente, imitações mais ou menos bem-feitas do artigo original. Poder-se-à, claro, argumentar que ainda hoje é possível encontrar ténis de lona a emular o estilo clássico concebido por Chuck Taylor em lojas como a Primark; a diferença reside, no entanto, no facto de essas sapatilhas copiarem o modelo 'raso' dos All-Star (isto é, sem cano) ao passo que as imitações dos 90s optavam, invariavelmente, pela variante de cano alto, a mais popular à época.

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Um exemplo contemporâneo, neste caso para bebé

E a verdade é que, à primeira vista, estes ténis mais 'genéricos' até passavam bem por All-Star genuínos – pelo menos até serem escrutinados mais a fundo. Isto porque a principal diferença entre os modelos autênticos da marca e as cópias em causa estava nos detalhes, saindo as opções mais baratas, obviamente, a perder. Por exemplo, onde os All-Star tinham uma estampa aplicada na zona do tornozelo, estes ténis tendiam a ter pedaços de borracha - muitas vezes com um desenho de uma estrela, mas em casos menos cuidados, lisos – ou até a deixar essa área vazia; de igual modo, enquanto que os All-Star têm sempre uma risca a dividir a lateral da sola ao meio, certas cópias anónimas tendiam a omiti-la, deixando a lateral da sola lisa, num modelo mais próximo da não menos icónica versão nacional dos All-Star, os Sanjo. Detalhes pequenos, mas que ajudavam a que o artigo genuíno se distinguisse das imitações baratas, servindo para informar o consumidor no momento da compra.

Ainda assim – e talvez surpreendentemente, tendo em conta a mentalidade vigente à época – havia muita gente que sabia 'ao que ia', e não se importava grandemente; isto porque, ao contrário da maioria dos artigos declaradamente de contrafacção, estas imitações de Converse All-Star tendiam a ser socialmente bem aceites entre os mais jovens, vá-se lá saber porquê. E apesar de, hoje em dia, estarem praticamente extintos (até porque os ténis populares passaram a ser de marcas como a Adidas ou a New Balance), a verdade é que quem cresceu em Portugal em finais dos anos 90 e inícios de 2000, e não dispunha de 'fundos ilimitados' para reposição de guarda-roupa, certamente se terá cruzado, pelo menos uma vez na vida, com um par de ténis destes – por aqui, por exemplo, existiram pelo menos dois duarante os anos de adolescência - e ostentado orgulhosamente o mesmo para a escola, talvez combinado com um par das não menos inevitáveis meias brancas de raquetes...

30.04.22

NOTA: Apesar de este dever ser um Sábado aos Saltos, alterámos ligeiramente o calendário para o nosso post sobre este evento poder coincidir aproximadamente com a data em que o mesmo se realizava. Os Saltos voltam nos próximos dois Sábados.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

A par do 25 de Abril, o feriado do 1º de Maio (Dia do Trabalhador) reveste-se de especial importância no calendário português, por representar, juntamente com o seu 'parceiro', uma das mais significativas instâncias da luta por direitos e igualdade da História não só do nosso País, como mundial. Assim, não é de estranhar que, todos os anos, essa mesma data seja assinalada pela realização de marchas e comícios nas principais cidades portuguesas, a maioria organizadas ou com participação substancial de organismos como o Partido Comunista Português ou as uniões de trabalhadores UGT e CGTP.

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A Alameda, local habitual do comício do 1º de Maio em Lisboa e, até à década de 2000, da respectiva feira de rua

Para os adolescentes residentes nessas mesmas cidades nas décadas de 90 e 2000, no entanto (pelo menos aqueles que eram menos politicamente engajados) as celebrações oficiais do feriado nunca foram o principal motivo de interesse do mesmo, nem justificaram uma Saída de Sábado no dia 1 de Maio; ao invés, a razão pela qual a maioria dos jovens citadinos portugueses se deslocava ao local dos comícios na referida data estava ligada àquilo que sempre o rodeava – nomeadamente, a feira de rua que invariavelmente ali era montada.

Isto porque, ainda mais do que nas feiras tradicionais (das quais, aliás, já aqui falámos) era ali o local para encontrar as últimas novidades em roupa de contrafacção, normalmente a preços ainda mais 'simpáticos' do que era costume. Havia ali um pouco de tudo por onde escolher: calças de fato de treino com riscas, a imitar Adidas, ténis 'tirados a papel químico' dos caríssimos modelos oficiais, cópias perfeitas das lendárias camisas da Sacoor - que tinham a vantagem de oferecer padrões não disponibilizados pela própria marca, como o xadrez - meias de raquetes, t-shirts com os 'bonecos' da moda (dos personagens do Dragon Ball Z aos Simpsons, Tweety, Tartarugas Ninja, Power Rangers, Pokémon ou o que mais fosse popular entre a criançada), 'sweats' (supostamente) da No Fear, Gap ou Gant, 'pullovers' pseudo-Burberry's ou Polo Sport, pólos a imitar Lacoste, camisolas de futebol 'quase-oficiais' (entretanto monopolizadas pelas lojas de souvenirs para turistas) pólos de râguebi de origem duvidosa (e que, mesmo assim, continuavam a ser caros), e muito mais; com sorte, até se conseguia encontrar um ou outro resto de loja ou fábrica ou protótipo com defeito, adquirindo assim um artigo verdadeiramente de marca (apesar de rejeitado pela mesma) a um preço irrisório. Mesmo as contrafacções mais declaradas eram, por vezes, mais bem conseguidas do que os artigos oficiais, sobretudo por se basearem em padrões e desenhos experimentais, alguns nunca lançados pela marca, e que chegavam a ser mais interessantes do que os presentes nos referidos artigos 'de loja'.

Só a possibilidade de adquirir artigos como os mencionados no parágrafo acima já era suficiente para despertar o interesse da maioria dos jovens, mas como era (e é) tradicional neste tipo de eventos, a feira do 1º de Maio dispunha, também, das tradicionais roulottes de churros e farturas, que tornavam irresistível a proposta de uma 'asneira' gastronómica, a juntar às 'asneiras' económico-comerciais do resto da feira. O resultado era, invariavelmente, um dia bem passado (por menos que se comprasse, e comprava-se sempre alguma coisa) e a determinação de, no ano seguinte, voltar a estar presente no evento.

Infelizmente, com o passar dos anos, as feiras em torno do comício do 1º de Maio parecem ter deixado de se realizar – foi, pelo menos, esse o caso na capital, Lisboa; para quem teve a sorte de conseguir presenciar um destes eventos, no entanto, a recordação e nostalgia de passear no mesmo e admirar as camisas Sacoor de contrafacção (entre outros artigos da mesma índole) estarão, ainda hoje, bem presentes...

04.02.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Todos as quisemos. Muitos as tivemos. Lisas, às riscas ou aos quadrados, com o 'boneco' bordado nas costas, em grande, ou apenas em pequeno à frente, lá estavam elas orgulhosamente penduradas em qualquer feira de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 onde houvesse bancas de roupa – ou não fosse essa, precisamente, uma das épocas de ouro da contrafacção têxtil. As autênticas, essas, apenas estavam ao alcance de alguns, sendo um dos 'ex-libris' dos chamados 'betinhos', que – evidentemente – nunca seriam vistos com uma daquelas 'da feira'.

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A dada altura dos 90, isto foi símbolo de status entre os adolescentes portugueses - e não só. (Crédito da foto: Ainda Sou do Tempo)

Falamos, é claro, das lendárias camisas da Sacoor, até hoje, o único item de vestuário associado à marca lisboeta (inicialmente conhecida como Modas Belize) por toda uma geração de ex-crianças e jovens portugueses. Isto porque, durante um determinado momento acima mencionado, as referidas camisas (autênticas ou bem copiadas o suficiente para 'colarem') foram uma das peças de roupa mais desejadas pela população jovem nacional, ao mesmo nível das camisolas da No Fear, alguns anos antes, ou das contemporâneas sweat-shirts da Gap, pólos de rugby, blusões da Duffy e t-shirts da Quebramar. Pura e simplesmente TODA a gente queria ter uma – isto, claro, se já não a tivesse no armário.

E a verdade é que o sucesso desta camisa (que baralhou Nuno Markl ao ponto de este lhe dedicar toda uma rubrica da sua Caderneta de Cromos) não é difícil de explicar, pelo menos entre o público mais jovem; para além do conhecido efeito 'toda-a-gente-tem' habitual entre esta faixa etária, as referidas camisas conseguiam um excelente balanço entre o 'estilo' que todos queríamos ter naquela idade e uma certa irreverência que muitos também procuravam nas suas roupas do dia-a-dia – aqui representada pelo ratinho 'cartoon', de expressão amalucada, que não podia deixar de parecer apelativo a um público que (por muito adulto que quisesse ser, ou parecer) ainda alguns anos antes seguia as aventuras de personagens como este nos desenhos animados televisivos.

Fosse qual fosse o motivo por detrás da popularidade desenfreada destas camisas durante os últimos anos do século XX e os primeiros do anterior, a mesma é inegável. Por muito distante que estivesse (e esteja) do restante catálogo da Sacoor Brothers, esta camisa (nas suas diversas variantes) continua a ser um dos maiores sucessos de sempre para a marca de Malik, Moez, Rahim e Salim Sacoor. E mesmo tendo o seu momento de glória sido efémero – como tende a acontecer com a maioria das modas relativas a vestuário, sobretudo as dirigidas aos mais jovens – a verdade é que o 'ratinho da Sacoor' se revelou icónico o suficiente para, ainda hoje, mais de duas décadas depois do seu auge, as camisas onde orgulhosamente corria e saltava continuarem a ser tema de conversa sempre que o assunto é a nostalgia pelos anos 90 e 2000. Nada mau para um ratinho anafado...

13.11.21

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

Recentemente, falámos aqui das expedições ao supermercado do bairro; hoje, vamos abordar a outra formar de obter mantimentos – estes mais frescos – bem como outros artigos de uso diário, como vestuário: a ida à feira ou mercado.

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Antes de começar a falar sobre este assunto, há, no entanto, que fazer a distinção entre o mercado de bairro ou aldeia – vulgo 'a praça' – e as feiras, mais esporádicas e, normalmente, de maiores dimensões. Nos primeiros, encontrava-se (e encontra-se) sobretudo comida, com apenas algumas bancas dedicadas à venda de roupa ou artigos utilitários; já nas feiras, a distribuição é mais irmanada, havendo lugar a barracas de roupa, comida, artigos para casa, e por vezes até produtos e bens mais insólitos, como malas, electrodomésticos, brinquedos, música ou até animais. O denominador comum entre ambos é o facto de serem – tanto nos anos 90 como hoje – locais extremamente entusiasmantes da perspectiva de uma criança.

E aqui há que fazer ainda outra distinção – nomeadamente, entre aqueles que visita(va)m estes espaços como fregueses, e aqueles que acompanhavam os pais no comércio, visto ambos terem experiências diametralmente diferentes. Quem visitava para se 'aviar', certamente recordará a excitação de ver tudo o que o espaço tinha para oferecer: admirar as peças de roupa obviamente de contrafacção, analisar os brinquedos e eletrodomésticos apresentados sobre uma simples mesa de madeira, ponderar se os jogos para 'Game USA' naquela outra banca funcionaram no seu Game Boy oficial, e por aí adiante; jà quem assistia os pais na venda associará certamente as feiras e mercados a madrugadas, trabalho braçal, mas talvez também a sensação de contribuir para a economia familiar, e o orgulho de conseguir fazer uma venda por si mesmo, sem a ajuda dos pais.

Vivências, como se disse, muito diferentes, mas ambas merecedoras de serem recordadas, parte integrante que são de um tempo que já não volta mais – ainda que as feiras e mercados, em si mesmos, não tenham mudado por aí além (ou de todo) as experiências das crianças de hoje ao visitarem ou participarem neste tipo de evento são, forçosamente, diferentes, influenciadas como são por uma série de factores que, no tempo a que este blog concerne, ainda não existiam. Este pequeno texto pretendeu, pois, recordar a vivência das crianças dos anos 90 a esse respeito – quem quiser e souber, que fale de como ela era para a geração seguinte..

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