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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.03.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Hoje em dia, numa era em que tudo fica 'registado' por meio digital, é mais fácil traçar uma 'moda' ou 'febre' infantil ou adolescente até à sua origem – normalmente, uma qualquer celebridade ou 'influencer' do TikTok ou Instagram; nos anos 90, no entanto (quando o mais próximo desse paradigma eram os programas de televisão ou os filmes americanos) as referidas modas e estilos pareciam surgir do mesmo 'nada' para onde desapareciam no fim do seu 'ciclo de vida', alguns meses ou um par de anos depois – a menos, claro, que fizessem parte da nova colecção de qualquer das lojas de 'fast fashion' onde as referidas demografias adquiriam grande parte do seu guarda-roupa. O artigo de vestuário que abordamos esta Sexta insere-se nesse grupo, tendo gozado de efémera popularidade entre a juventude do dealbar do Terceiro Milénio, antes de desaparecer sem quase deixar rasto, ou mesmo grande memória em quem não chegou a ter tal artigo.

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Falamos dos casacos da marca 'Paul's Boutique', uma espécie de híbrido entre casaco 'de dar estilo' e 'quase-parka' que capturou a imaginação das adolescentes portuguesas por alturas da viragem do Milénio. Sem serem, ao contrário do que se poderia pensar, uma referência ao disco lançado pelos Beastie Boys alguns anos antes (que, por sua vez, também não se refere a esta Paul's Boutique, que era inglesa, e sim a uma outra, na Nova Iorque natal do grupo) estes casacos não deixavam, ainda assim, de proclamar alto e bom som a sua marca, bordada em garrafais letras maiúsculas nas costas da peça, criando aquele tipo de estética que quase faz parecer que a pessoa que a veste trabalha na própria loja. Nada que fizesse muita 'espécie' ao público-alvo, que envergava orgulhosamente para a escola o seu casaco 'de marca' (invariavelmente azul com letras rosa, embora aparentemente existissem outras cores) para melhor fazer inveja às amigas e chamar a atenção dos rapazes – pelo menos até ao dia em que deixaram de o fazer.

Sim, conforme já referimos acima – e à semelhança de tantas outras peças de que já aqui falámos – também estes casacos se 'desvaneceram no éter' ao fim de alguns anos, tendo praticamente deixado de se ver a partir de meados dos anos 2000, e desaparecido por completo à entrada para os 2010. Ainda assim, para uma certa faixa da população portuguesa da geração 'millennial', esta peça não terá deixado de criar memórias – talvez não tão vivas ou imediatas como as referentes às camisas da Sacoor ou blusões da Duffy, por exemplo, mas ainda assim nítidas o suficiente para serem activadas pela leitura de um artigo como este...

24.11.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui, em diversas ocasiões, falámos de peças de calçado relevantes ou cobiçadas pela juventude portuguesa de finais do século XX, dos ténis Airwalk, Converse ou Redley às socas de plataforma, passando pelas botas Texanas, da Timberland ou Doc Martens, No entanto, existe ainda uma lacuna nesse elenco de sapatos e sapatilhas, o qual pretendemos, nesta edição da Sexta com Style, rectificar: chegou a altura de falar das botas Panama Jack.

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Exemplo moderno do modelo clássico da marca.

Tão populares e desejadas, em inícios dos anos 90, como qualquer dos calçados acima mencionados, as botas em causa afirmaram-se como uma espécie de antecessoras das posteriores Timberland e CAT, apresentando o mesmo tipo de 'design', algures entre uma bota 'de passeio' e um modelo mais 'todo-o-terreno'. Fabricadas, até aos dias de hoje, exclusivamente em Espanha (concretamente, na região de Albacete) não foi de todo de espantar que um dos primeiros países a acolher e popularizar estas botas (poucos anos após o seu aparecimento, ainda em finais da década de 80) tenha sido, precisamente, o 'outro' país ibérico, onde surgiam normalmente combinadas com calças de ganga da Levi's e camisas aos quadrados, sendo sobretudo associadas aos sectores mais 'bem-comportados' da juventude da época – ou seja, os chamados 'betinhos'. Ainda assim, a posse de umas botas desta marca não deixava de ser um sinal de estatuto entre esse grupo, tanto quanto outras peças de calçado o eram para as demais 'tribos urbanas'.

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O tradicional símbolo bordado da marca.

Tendo em conta essa popularidade, não deixa de ser surpreendente que as botas Panama Jack tenham, praticamente, desaparecido do panorama juvenil português no espaço de apenas alguns anos, a ponto de, por alturas do final da década, terem já sido totalmente suplantados pelas supracitadas sucessoras. Apesar dessa perda de preponderância, no entanto, a marca subsiste até aos dias de hoje, agora com um público mais 'de nicho', mas com 'designs' e qualidade sensivelmente iguais aos de outrora, permitindo a quem queira 'reviver' a sua juventude, pelo menos parcialmente, voltar a adquirir um par das botas que fizeram a sua felicidade em tempos idos de há três décadas atrás...

07.07.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Apesar de, regra geral, uma década tender a ser referenciada como um todo (veja-se o título deste blog, por exemplo) a verdade é que um período de dez anos é mais do que suficiente para tornar o modo de vida quotidiano de uma sociedade praticamente irreconhecível. E se, em décadas transactas, essas mudanças foram mais graduais e, talvez, menos perceptíveis, os anos 90 foram, talvez, o período em que mais se verificou o oposto, ao ponto de um jovem adolescente de 1991 pouco ter a ver com um seu congénere de 1999, quer em termos de gostos mediáticos, quer de estilo de vida ou até no aspecto estético.

Um bom exemplo disto mesmo foi o calçado jovem dos anos 90. Se houve peças que atravessaram toda a década, nomeadamente os ténis 'pisa-e-brilha' ou os Converse e respectivos sucedâneos, o restante mercado sofreu profundas alterações, com constante renovação em termos de marcas, modelos e até cores populares; no espaço de apenas dez anos, os pés dos jovens portugueses passaram de envergar sapatilhas Sanjo às Redley, Skechers e Airwalk, de sandálias de plástico e chinelos 'dos trezentos' a Havaianas e das botas Doc Martens (hoje de novo em voga e que aqui terão o seu espaço) às Texanas 'em bico', Panama Jack e, acima de tudo, Timberland.

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Uma imagem que ainda faz 'babar' toda uma geração...

De facto, a recta final dos anos 90 e início da década seguinte marca a explosão em popularidade da marca americana, e sobretudo do modelo cor de crème, que – quase de um dia para o outro – passou a surgir nos pés de uma enorme parcela da juventude portuguesa, e a ser objecto de cobiça e símbolo de 'status' para a restante percentagem. Caracterizadas por terem constituído uma moda transversal a ambos os sexos – embora, entre o sexo feminino, tendessem a ser adoptada sobretudo por raparigas com um estilo mais práctico, as chamadas 'maria-rapaz' – estas botas tinham, para muitos 'putos' e adolescentes da época, o mesmo entrave de sempre: o preço proibitivo, que fazia delas item de luxo e suscitava o aparecimento no mercado 'alternativo' de um sem número de imitações e contrafacções mais ou menos convincentes, que ajudavam a 'safar' quem não tinha fundos para comprar o artigo genuíno.

O mais curioso é que, à altura da sua popularização em Portugal, esta bota já existia há várias décadas (como era, aliás, o caso também com as Doc Martens) tendo a sua demografia original sido a mesma das Martens e das não menos famosas 'biqueiras de aço': trabalhadores em profissões de índole física ou adeptos da caminhada, que precisavam de botas resistentes e duradouras. Ambas as marcas não tardaram, no entanto, a 'cair no gosto' da juventude, e por alturas da viragem do Milénio, ambas as marcas se encontravam já muito distantes do seu objectivo e público iniciais, tendo-se transformado em artigos puramente estéticos e 'da moda' – posição que, aliás, ocupam até hoje.

Mas se as Doc Martens vivem, actualmente, uma segunda vaga de popularidade, o mesmo não se pode dizer das botas 'amarelas' da Timberland, que sofreram o destino tipico de peças que se tornam demasiado populares e sofrem de sobre-exposição – ou seja, o regresso à semi-obscuridade social. Quem foi de uma certa idade entre finais dos anos 90 e meados da década seguinte, no entanto, certamente recordará a cobiça desmedida que esse artigo de calçado provocava, e a decepção ao deparar-se com o seu preço, mesmo em promoção – que, por sua vez, motivava uma visita à feira mais próxima em busca de algo que pudesse 'fazer as vezes' por um décimo do preço. Outros tempos...

28.04.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

O calçado é, regra geral, uma das melhores formas de 'datar' uma determinada moda ou estilo, sendo ainda hoje um dos principais factores a ter em contar ao tentar emular um 'look' nostálgico; a simples visão de umas socas com sola de plataforma num 'look' feminino, por exemplo, já coloca o 'outfit' algures entre finais dos anos 90 e inícios do Novo Milénio, enquanto que uns Vans aos quadrados já remetem aos últimos anos da década de 2000. Portugal não foi excepção a esta regra, tendo a moda juvenil dos últimos anos do século XX e primeiros do seguinte ficado marcados por toda uma panóplia de artigos de calçado, dos mais visualmente distintos (como os ténis All-Star com a bandeira americana ou inglesa) aos mais discretos, mas nem por isso menos cobiçados, como era o caso dos ténis da Redley.

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Oriunda do Brasil, a marca surgia em Portugal ligada ao sempre popular movimento 'surf' e 'bodyboard', associação essa que ajudava a elevar consideravelmente a reputação daquilo que eram, de outro modo, umas 'sapatilhas' de lona rasas, com sola branca e normalmente de cor única, e sem nada que as distinguisse de outros sapatos semelhantes; um daqueles casos, portanto, em que a marca, e respectivo posicionamento de mercado, 'falavam mais alto' do que a estética ou os factores distintivos do artigo em si – uma situação que continua, até hoje, a ser quase paradigmática entre as demografias mais jovens.

Fosse qual fosse o seu atractivo, a verdade é que os ténis e sapatilhas da Redley, fossem com os tradicionais atacadores ou simplesmente de enfiar no pé, rapidamente se tornaram quase 'obrigatórios' entre certos sectores da juventude portuguesa de fim de século, que as ostentava orgulhosamente para inveja dos familiares, colegas e amigos. Escusado será, também, dizer que este era um daqueles casos em que sapatos em tudo semelhantes, mas de marca genérica, e ainda imitações da marca, proliferavam no mercado, sem no entanto suscitarem grande interesse – já que, neste particular, a etiqueta era mesmo o único ponto de 'interesse',

Tal como tantas outras peças e marcas de que aqui falamos, também a Redley pareceu, de um dia para o outro, desaparecer do 'radar' dos jovens portugueses, levada na constante enxurrada das tendências de moda. Para quem, um dia, cobiçou um simples sapato de pano só porque o mesmo tinha a característica etiqueta vermelha, no entanto, este post terá decerto reavivado memórias nostálgicas de tempos que já lá vão – e, como tal, cumprido a sua missão de não deixar cair no esquecimento alguns dos mais marcantes factores da vida infanto-juvenil de finais do século XX.

02.09.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Não há ex-adolescente de finais dos anos 90 e inícios de 2000 que não se lembre delas. Juntamente com as calças boca de sino (ou as chamadas 'pata de elefante') e as 'sweats' (com ou sem capuz) ou 'pullovers' de malha formavam parte integrante da indumentária da grande maioria das raparigas do ensino secundário da altura, que não hesitavam em as exibir numa variedade de cores, apesar de as mais comuns serem os habituais branco-sujo, azul, preto e vermelho (o chamado 'esquema de cores Converse'.)

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Falamos das solas de plataforma, uma moda transversal às duas décadas acima referidas, primeiro aplicada a ténis (durante os anos 90) e, mais tarde, às famosas 'socas', que dominaram o calçado adolescente feminino durante a primeira década do novo milénio. E a verdade é que, de um ponto de vista prático (ou, se preferirem, adulto e meio 'chato') não é difícil perceber a razão do sucesso destes sapatos, já que, além das considerações puramente estéticas, os mesmos ofereciam uma série de vantagens. Senão, veja-se: além de ficarem 'a matar' com os modelos de calças acima referidos, também impediam que as mesmas roçassem pelo chão, danificando assim a base das pernas das mesmas, algo com que os rapazes da época se debatiam frequentemente em relação aos seus próprios modelos de calças largas; além disso, este tipo de calçado permitia, ainda, adicionar uns centímetros consideráveis à altura, um efeito explorado em pleno pelas bandas de 'hard rock' dos anos 80 e 90, e que não deixava de constituir também um ponto a favor para raparigas mais baixas, ou mais envergonhadas em relação à sua altura – ainda que, para as suas colegas mais altas, o efeito fosse o oposto.

Em suma, um sapato tão versátil quanto estético (quanto ao conforto, infelizmente, não nos podemos pronunciar...), que ganhou definitivamente o coração de toda uma geração de adolescentes em finais do século XX e inícios do XXI, e que - como tantas outras modas daquela época - está a ser alvo de uma reemergência no mercado, sendo bem possível que, em anos vindouros, venhamos novamente a ver adolescentes do sexo feminino a equilibrarem-se em cima deste tipo de calçado a caminho da escola...

29.07.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Num dos primeiros posts desta rubrica, abordámos as tão frequentes quanto gloriosas peças de vestuário de contrafacção que se podiam (e ainda podem) encontrar em bancas de feira e outros ambientes semelhantes, um pouco por esse Portugal afora. Aquando desse post, deixámos, no entanto, involuntariamente de fora um tipo específico de peça dessa categoria, erro que rectificamos esta semana, ao falarmos das míticas e memoráveis camisolas de malha da 'Burberry' e 'Ralph Lauren' com que todos convivemos naqueles anos de final do Segundo Milénio.

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Esta é autêntica, mas façam de conta...

Adquiríveis na mesma 'boutique' que as camisolas a imitar No Fear ou as calças de fato de treino a imitar Adidas ou Reebok – o chão da rua – estas camisolas constituíam contrafacções bem mais cuidadas do que os dois exemplos supra-mencionados, sendo o único sinal suspeito (além, claro está, do facto de serem vendidas na rua, por um preço relativamente acessível) a qualidade da malha, e as cores muitas vezes duvidosas, de que as marcas certamente não teriam aprovado para as respectivas colecções, como o azul-turquesa e o rosa-choque. De resto, estes produtos eram, em tudo, idênticos aos autenticamente comercializados pelas marcas à época, não sendo, portanto, de admirar que tenham 'enganado' muito boa gente na altura.

Tal como sucedeu com as outras peças mencionadas, também estes 'pullovers' se acabaram por tornar menos comuns à medida que a indústria da contrafacção se passou a centrar em outros estilos e marcas; no entanto, o seu carácter significativamente mais intemporal do que as outras imitações da altura faz que, de quando em vez, ainda se vá vendo uma destas camisolas surgir numa qualquer feira portuguesa, pronta a aliciar um comprador menos atento, exigente, ou a quem o símbolo da 'griffe' interesse mais do que a qualidade – adjectivos que descrevem, também, perfeitamente a maioria das pessoas que, à época, tinha no armário uma (ou mais) destas peças...

04.06.22

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 3 de Junho de 2022.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

A impressão de peças de roupa personalizadas ganhou, no final do Segundo Milénio, considerável popularidade em Portugal. A gradual expansão das tradicionais 'gráficas' e lojas de fotocópias a serviços mais variados, aliada à facilidade em encontrar t-shirts lisas por um preço relativamente acessível – muitas vezes, até, em regime 'multipack' – incentivaram muitos jovens portugueses a criar items de vestuário quer semelhantes aos que se poderiam adquirir nas lojas da especialidade (mas por menos dinheiro) quer mesmo únicos e representativos de uma situação ou vivência específica.

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O princípio era este, mas aplicado a uma 'sweatshirt', e geralmente com várias fotos em montagem

Destes últimos, o exemplo que vem imediatamente à memória são as 'sweatshirts' com montagens fotográficas, largamente favorecidas pelas raparigas adolescentes e pré-adolescentes de finais da década de 90 e inícios da seguinte. Compostas, regra geral, por fotos destinadas a ilustrar ou recordar momentos especiais (como festas de anos, viagens de finalistas, ou até, apenas, um dia ou noite bem passado na companhia das amigas) estas peças de vestuário constituíam autênticas 'molduras vestíveis', e serviam o duplo propósito de recordar o evento em causa e provocar inveja em quem lá não havia estado, sendo relativamente bem-sucedidas em ambas as frentes.

Embora, como atrás referido, tivessem sido bastante populares entre as jovens de uma certa idade durante um período de alguns anos, estas 'sweatshirts' desapareceram algo mais abruptamente do que alguns dos outros artigos de vestuário de que aqui falamos, parecendo ter saído de moda de um ano para o outro, sem deixar rasto; quem alguma vez mandou fazer e vestiu uma destas camisolas, no entanto (ou viu as amigas com elas vestidas) certamente as recordará tão vivamente como qualquer das outras modas noventistas e 'mileniais' abordadas nesta rubrica.

04.02.22

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Todos as quisemos. Muitos as tivemos. Lisas, às riscas ou aos quadrados, com o 'boneco' bordado nas costas, em grande, ou apenas em pequeno à frente, lá estavam elas orgulhosamente penduradas em qualquer feira de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 onde houvesse bancas de roupa – ou não fosse essa, precisamente, uma das épocas de ouro da contrafacção têxtil. As autênticas, essas, apenas estavam ao alcance de alguns, sendo um dos 'ex-libris' dos chamados 'betinhos', que – evidentemente – nunca seriam vistos com uma daquelas 'da feira'.

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A dada altura dos 90, isto foi símbolo de status entre os adolescentes portugueses - e não só. (Crédito da foto: Ainda Sou do Tempo)

Falamos, é claro, das lendárias camisas da Sacoor, até hoje, o único item de vestuário associado à marca lisboeta (inicialmente conhecida como Modas Belize) por toda uma geração de ex-crianças e jovens portugueses. Isto porque, durante um determinado momento acima mencionado, as referidas camisas (autênticas ou bem copiadas o suficiente para 'colarem') foram uma das peças de roupa mais desejadas pela população jovem nacional, ao mesmo nível das camisolas da No Fear, alguns anos antes, ou das contemporâneas sweat-shirts da Gap, pólos de rugby, blusões da Duffy e t-shirts da Quebramar. Pura e simplesmente TODA a gente queria ter uma – isto, claro, se já não a tivesse no armário.

E a verdade é que o sucesso desta camisa (que baralhou Nuno Markl ao ponto de este lhe dedicar toda uma rubrica da sua Caderneta de Cromos) não é difícil de explicar, pelo menos entre o público mais jovem; para além do conhecido efeito 'toda-a-gente-tem' habitual entre esta faixa etária, as referidas camisas conseguiam um excelente balanço entre o 'estilo' que todos queríamos ter naquela idade e uma certa irreverência que muitos também procuravam nas suas roupas do dia-a-dia – aqui representada pelo ratinho 'cartoon', de expressão amalucada, que não podia deixar de parecer apelativo a um público que (por muito adulto que quisesse ser, ou parecer) ainda alguns anos antes seguia as aventuras de personagens como este nos desenhos animados televisivos.

Fosse qual fosse o motivo por detrás da popularidade desenfreada destas camisas durante os últimos anos do século XX e os primeiros do anterior, a mesma é inegável. Por muito distante que estivesse (e esteja) do restante catálogo da Sacoor Brothers, esta camisa (nas suas diversas variantes) continua a ser um dos maiores sucessos de sempre para a marca de Malik, Moez, Rahim e Salim Sacoor. E mesmo tendo o seu momento de glória sido efémero – como tende a acontecer com a maioria das modas relativas a vestuário, sobretudo as dirigidas aos mais jovens – a verdade é que o 'ratinho da Sacoor' se revelou icónico o suficiente para, ainda hoje, mais de duas décadas depois do seu auge, as camisas onde orgulhosamente corria e saltava continuarem a ser tema de conversa sempre que o assunto é a nostalgia pelos anos 90 e 2000. Nada mau para um ratinho anafado...

10.12.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Apesar de a roupa de marca ter, tradicionalmente, exercido enorme influência junto dos jovens de todas as idades, os anos 90 e inícios de 2000 viram essa tendência exacerbar-se. A maior acessibilidade da roupa com nomes de marcas famosas – fosse ela genuína ou de contrafacção – tornou os itens de vestuário com logotipos reconhecíveis quase obrigatórios no guarda-roupa de qualquer jovem da época.

Foram várias as marcas que beneficiaram desta tendência, algumas das quais – como a Quebramar ou a No Fear – foram já abordadas nesta rubrica; hoje, no entanto, chega a vez de falar de outro conhecido emblema, que adornou muitos torsos de ambos os sexos ao longo da 'nossa' década e da seguinte: a Gap.

Famosa pelas suas calças de ganga e camisas, a Gap não era, no entanto, conhecida à época por qualquer destes artigos; a peça que tornou a marca visão inescapável nas escolas preparatórias e secundárias de Norte a Sul do País era bem mais casual e relaxada, e de 'design' ainda mais simples – tratava-se, pura e simplesmente, de uma 'sweatshirt' de capuz, de cor lisa, com o emblema da marca bordado em letras garrafais na frente. Sim, essa mesmo – a famosa 'camisola da Gap', que quase toda a gente tinha, ou pelo menos conhecia quem tivesse.

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Um dos itens de vestuário mais populares e desejados das décadas de 90 e 2000

Àparte o chamariz da marca, era difícil apontar qual, exactamente, era o atractivo desta 'sweatshirt'; tratava-se de uma peça bem confeccionada e resistente, como seria de esperar de um artigo de preço tão elevado, mas o 'design' era minimalista ao ponto de quase não existir, especialmente se comparado com as mais inspiradas ofertas das referidas No Fear e Quebramar, ou ainda de marcas como a Mad = Bad. Quem viveu os anos 90 enquanto jovem, no entanto certamente se lembrará que essa foi uma década de camisolas com enormes logotipos da marca em causa – normalmente de desporto – o que poderá ajudar a explicar a popularidade deste artigo, que se inseria precisamente nessa categoria.

Fosse qual fosse a razão, no entanto, a verdade é que esta peça de roupa era, inegavelmente, da preferência dos jovens (sobretudo adolescentes) sendo que o seu carácter declaradamente unissexo permitia que fosse vestida em pacífica convivência por rapazes e raparigas, sem que tal desse azo às habituais picardias ou dichotes (as quais, quando ocorriam, estavam sobretudo ligados à associação desta camisola à famigerada demografia dos 'betinhos'.)

Como seria de esperar, o sucesso da 'camisola da Gap' deu origem a 'designs' muito parecidos (e, por vezes, bem mais interessantes) por parte de lojas e marcas com menor expressão; no entanto, as mesmas eram muitas vezes recebidas com o habitual desdém que as crianças (de qualquer era) reservam a coisas 'falsas' ou 'de imitação' – ainda que, conforme referido, nem sempre o merecessem.

Como também vem sendo habitual com os itens de que aqui falamos, a popularidade destas camisolas – e da marca Gap em geral – foi alvo de um declínio acentuado ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, sendo que hoje é extremamente raro avistar alguém, quer jovem quer mais velho, com uma delas vestida; com efeito, a 'queda' da marca foi tão acentuada que há hoje quem esteja na casa dos vintes e praticamente não conheça a marca que 'virou a cabeça' de pessoas (muito) pouco mais velhas em finais da década de 90! Quem lá esteve, no entanto, sabe a 'loucura' que estas camisolas representaram, e recorda sem dúvida a sensação de orgulho por ter no armário aquela camisola com as três letrinhas mágicas bordadas na zona do peito - ou, inversamente, a inveja por não ser tão sortudo. Um impacto sem dúvida invejável, para uma peça que pouco mais era do que uma 'sweatshirt' de capuz lisa com o nome da marca na frente...

06.08.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E se em ocasiões anteriores aqui falámos das camisolas da No Fear e Mad + Bad, entre outras,  calha hoje a vez a outra ‘griffe’ marcante dos anos 90, embora esta um pouco ‘Esquecida Pela Net’ nos dias de hoje.

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Falamos da Quebra-Mar, marca 100% nacional e conhecida, sobretudo, pelos atraentes e inovadores ‘designs’ das suas ‘t-shirts’ e ‘sweatshirts’, os quais não deixavam de apelar ao públco infanto-juvenil – embora, como era o caso com a No Fear, estes não constituíssem necessariamente o público-alvo.

Famosa pelos seus desenhos quase simétricos ao estilo ‘jogo das diferenças’ – em que normalmente só uma das imagens era notoriamente diferente – as roupas desta marca faziam furor entre um certo segmento da população jovem durante a década de 90 e inícios da seguinte, embora os preços algo proibitivos das mesmas as relegassem, inevitavelmente, para a categoria de ‘roupas de betinhos’ – uma associação que talvez não fosse totalmente inocente, visto a marca estar fortemente ligada à prática dos desportos náuticos, tradicionalmente associados às classes altas, e – talvez mais significativamente - ter sido criada, precisamente, em Cascais…

‘Betices’ à parte, a verdade é que muitas crianças e jovens daquela época tinham, ou queriam ter, uma peça desta marca, fosse da sempre apetecível colecção principal ou da menos popular linha ‘Kids’. Assim, não deixa de ser motivo de espanto que, hoje em dia – quando tudo se vende no OLX ou sites similares – haja tão poucos vestígios da presença da Quebra-Mar na vivência portuguesa daquela época. Para além do site da marca, e de uma ou outra referência às suas peças modernas, não se encontra uma única camisola ou t-shirt para venda em lado nenhum; é quase como se as mesmas nunca tivessem existido - embora, tratando-se de roupa de criança, se possa dar o caso de as peças terem, pura e simplesmente, 'caido de velhas'.. Seja qual for o caso, no entanto, quem viveu o período áureo da marca certamente concordará que a popularidade da mesma durante aqueles anos justifica plenamente esta pequena tentativa de evitar que esta seja, definitivamente, ‘Esquecida Pela Net…’

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