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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

18.02.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quinta-Feira, 19 de Fevereiro de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes falámos de como a hegemonia da Abril-Controljornal (ou Abril Jovem) no mercado dos 'quadradinhos' de quiosque nacionais lhe permitia levar a cabo experiências variadas sem, com isso, correr grandes riscos monetários ou financeiros. Não é, pois, de surpreender que, algures na primeira metade dos anos 90, a editora em causa tenha tentado a sua sorte num mercado então em expansão – nomeadamente, o das revistas de passatempos com personagens de banda desenhada. Surgia, assim, nas bancas o primeiro e único número de 'Brincadeiras Disney', que consistia precisamente daquilo que o título dava a entender – a saber, página após página de quebra-cabeças, cruzadexes e outros passatempos, tematizados em torno dos personagens das mega-populares revistas Disney publicadas pela Abril à época.

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Infelizmente, os conteúdos exactos deste título perdem-se nas 'brumas da memória', encontrando-se o mesmo totalmente Esquecido Pela Net (à parte uma única ficha no repositório Bazar0) e também esquecido pela memória do autor deste 'blog', que pode atestar que a revista em causa existiu lá por casa a dada altura, mas não sabe detalhar quaisquer dos seus conteúdos específicos. Assim, este terá de ser um daqueles 'posts' que pouco mais faz do que dar nota da existência de algo há muito perdido, oriundo de um tempo também ele irrecuperável, mas que deixa nada menos do que duas gerações repletas de nostalgia pela época em que a vida era mais simples e despreocupada, e um livro de passatempos do Tio Patinhas ajudava a passar uma tarde.

31.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 30 de Outubro de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Na última Quarta aos Quadradinhos, falámos das bandas desenhadas importadas, e de como era difícil ao comum bedéfilo português adquiri-las, ou sequer encontrá-las, nos anos da viragem de século e Milénio; nada melhor, pois, do que abordarmos agora as restantes revistas estrangeiras disponíveis no mercado nacional da época, relativamente às quais o problema se atenuava, ainda que não completamente.

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As revistas de música estavam entre as que mais frequentemente chegavam ao mercado português oriundas de outros países.

De facto, apesar de ser necessário encontrar uma tabacaria ou quiosque que as tivesse disponíveis (os quais rareavam), a variedade de revistas especializadas estrangeiras no mercado periódico português de finais do século XX e inícios do seguinte era consideravelmente maior que o de bandas desenhadas, tendo quase todos os nichos de interesse pelo menos uma publicação deste género trazida do estrangeiro. E se muitos desses mesmos campos eram de pouco ou nenhum interesse para as crianças e jovens que perfaziam as demografias 'X' e 'millennial', não deixava ainda assim de haver, entre o acervo de publicações do género, alguns focos de interesse. Já aqui falámos, por exemplo, da Bravo e Super Pop e das revistas de 'tricot' alemãs e francesas, mas podemos ainda falar, por exemplo, das várias revistas espanholas, francesas ou inglesas de videojogos, informática, música ou moda, ou da mítica 'Hola!', para dar apenas alguns exemplos do que os jovens podiam encontrar em bancas ou estabelecimentos mais especializados e de distribuição mais alargada.

De ressalvar que, pelo volume de publicações que enviava para Portugal mensalmente, o Brasil se afirma como um caso um pouco à parte deste paradigma – embora, curiosamente, a tendência fosse, nesse caso, inversa, com as bandas desenhadas brasileiras a ocuparem um volume de mercado maior ou igual às nacionais, mas as especializadas a ficarem consideravelmente atrás, surgindo a 'Wizard' e a 'Super Gamepower' como os únicos exemplos disponíveis com algum tipo de regularidade nos escaparates nacionais, por oposição ao muito maior número de revistas oriundas da Europa. Tal não significa, no entanto, que estas fossem, de todo, fáceis de encontrar (já para não falar no atraso de meses que apresentavam quando chegavam ao nosso País, algo particularmente inexplicável no caso de publicações oriundas de Espanha), sendo provável que o adolescente médio de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 apenas tivesse uma ou duas mãos-cheias de revistas oriundas de fora de Portugal – isto quando, como foi o caso do autor deste blog, sabia (ou tinha) sequer onde as encontrar. Talvez por isso, ou talvez pelo estilo diferente das congéneres nacionais, as revistas importadas ocupam espaço próprio na memória nostálgica das gerações daquele tempo, muitos membros das quais já terão, mesmo, ido ao armário ou sótão procurar os exemplares que ainda guardam daquele período da sua vida...

19.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 17 e Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes mencionámos a natureza salutar da imprensa periódica portuguesa em finais do século XX e inícios do seguinte. Para além da enorme variedade de jornais mais ou menos eruditos em oferta, o nosso País via também surgirem com regularidade revistas especializadas referentes aos mais diversos assuntos, quer criadas e editadas em solo nacional, quer importadas do estrangeiro, sobretudo dos mercados espanhol (pela proximidade) britânico (pela difusão e reputação) e, claro, brasileiro, cujas revistas, devido à língua partilhada e facilidade de importação, tomava para si um volume considerável do mercado português, sobretudo no tocante à banda desenhada, ramo no qual alguns exemplos persistem mesmo até aos dias de hoje. Não é, pois, de surpreender que, em meados dos anos 90, os aficionados de BD portugueses tenham visto surgir nas bancas e quiosques nacionais, não mais um dos inúmeros 'gibis' que tanto sucesso faziam por estas bandas, mas uma revista especializada com foco nos 'comics' norte-americanos, e que era, ela própria, uma adaptação de um original surgido nos Estados Unidos.

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O primeiro número da edição brasileira da revista, originalmente editado em 1996.

Tratava-se da edição brasileira da lendária revista Wizard, cujo primeiro número era lançado em terras de Vera-Cruz algures em 1996, o que – observando a habitual 'décalage' na chegada das publicações brasileiras a Portugal – a terá colocado nas bancas nacionais algures no ano seguinte. Uma situação longe de ideal para um tipo de publicação dependente da relevância temporal, mas certamente melhor do que nada para os jovens 'bedéfilos' portugueses, os quais, por essa altura, já tinham visto surgir e desaparecer a tímida tentativa da Abril-Controljornal de criar uma publicação deste tipo (a hoje algo esquecida 'Heróis', que, mesmo nos seus melhores momentos, ficava a 'léguas' da apresentação e qualidade da revista que lhe servia de inspiração) e que acolhiam de braços abertos a oportunidade de se manter a par do que ia acontecendo com os seus heróis favoritos, e logo naquela linguagem 'gingada' típica das publicações brasileiras, e que tornava a leitura ainda mais prazerosa...

De facto, ainda que não se pudesse afastar muito dos moldes da publicação-mãe (ou não fosse, na prática, um 'franchise' da mesma), a 'Wizard' brasileira fazia questão, como acontecia com tantas outras revistas daquele país, de afirmar a sua 'brasilidade', o que a tornava ainda mais apelativa para o público nacional do que a original americana, mais cara, menos acessível, e repleta daquele humor típico norte-americano que nem sempre se 'traduz' bem para os contextos de outros países. Uma receita que tinha tudo para dar certo, não fosse o facto de a 'Wizard' brasileira, na sua edição original sob a alçada da bem conhecida editora Globo, não ter chegado a ficar um ano e meio nas bancas, cessando a publicação após o número 15, para apenas a retomar já no Novo Milénio, agora pela mão da editora Panini. Essa segunda série viria a tornar-se bastante mais estabelecida, durando oito anos antes de ser extinta, e a Wizard transformada em publicação apenas digital – embora não sem deixar um legado adicional, sob a forma do site Guia dos Quadrinhos, principal referencial para compra e venda de 'gibis' no Brasil até aos dias de hoje.

Quanto a Portugal, por essa altura, a banda desenhada internacional era já uma realidade bem entranhada na cultura nacional, com lojas e revistas especializadas (entre elas a 'Wizard' original), pelo que a perda da revista brasileira não fez grande mossa. Numa era em que a oferta era praticamente nula, e ainda mais a nível internacional, no entanto, a 'verrrsão brasileirrraaaa' da icónica revista de 'comics' terá certamente, durante o seu curto tempo de vida, feito as delícias de muitos fãs de banda desenhada, e levado a que 'torrassem' a semanada numa publicação que, mesmo desactualizada, se afirmava como referência num mercado de outra forma praticamente inexistente.

02.08.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 30 de Julho de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

O sucesso da recém-estreada reinvenção cinematográfica do eterno Super-Homem – considerada por muitos fãs como a melhor representação do herói no grande ecrã desde os saudosos filmes de Richard Donner – parece ter revitalizado a presença mediática e cultural do homem de Krypton, constituindo uma espécie de 'ressurreição' do personagem para uma nova geração. Nada melhor, pois, do que aproveitarmos o continuado momento cultural de Clark Kent/Kal-El para recordarmos o momento, em meados dos anos 90, em que os bedéfilos portugueses presenciaram aquilo que parecia impossível e inimaginável: a morte do Super-Homem.

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Os diferentes volumes da saga.

Originalmente lançada ao longo de quase um ano, entre 1992 e 1993, a saga que relatava a mais pesada derrota do 'pai' dos super-heróis surgia nas bancas portuguesas mediante uma série de edições especiais, há cerca de trinta anos. A primeira parte da narrativa era contada num único album, em formato convencional mas de grossura dupla em relação ás revistas 'normais' da Abrile com brilho na capa, no qual era mostrada a chegada do monstro Apocalipse à Terra, a feroz batalha com ele travada pelo Homem de Aço, e o eventual sacrifício do mesmo como única forma de parar a perigosa criatura – um desfecho verdadeiramente inesperado (mesmo tendo em conta o título do volume) e muito comentado pelos leitores e fãs do herói.

A saga em causa estava, no entanto, longe de acabar e, enquanto os restantes heróis prestavam sentida homenagem ao seu colega caído com um 'Funeral Para Um Amigo' (em mais dois álbuns especiais, estes apenas de lombada grossa, semelhante à de um almanaque, e sem a capa 'especial' do primeiro volume), o homem de Krypton encontrava-se 'Além da Morte', num estado comatoso e alucinogéneo. Entretanto, na Terra, quatro novos heróis continuavam o seu legado, e procuravam consumar 'O Regresso do Super-Homem', num regresso aos álbuns em formato grosso e com capas trabalhadas (no caso três). Uma sequência absolutamente imperdível para qualquer fã de Kent/El, e que mudava a própria configuração de edições da Abril, a qual, após concluída a saga, reiniciaria a numeração das revistas do Homem de Aço a partir do número 1 e introduziria a nova publicação 'Superboy', dedicada ao mais popular dos quatro pseudo-Super Homens, um clone juvenil do próprio com o tipo de atitude 'radical' bem típica dos anos 90.

Mesmo sem esse acrescento ao já extenso acervo da magnata dos quadradinhos portugueses da época, no entanto, 'A Morte do Super-Homem' e volumes subsequentes representam um evento absolutamente histórico da BD, o qual teve, em Portugal, uma edição condigna à importância que acarretava – algo que nem sempre se podia dizer dos volumes supostamente 'especiais' lançados pela Abril. Assim, mesmo três décadas após o seu surgimento nos quiosques e tabacarias nacionais, esta série de volumes continua a justificar a leitura ou releitura, afirmando-se como um dos poucos lançamentos da Marvel ou DC da época a granjear esse estatuto, e justificando esta breve nota sobre a sua existência, numa altura em que Clark Kent e companhia estão mais longe da morte do que estiveram a qualquer ponto dos últimos trinta a quarenta anos...

12.06.25

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Numa edição anterior desta rubrica, abordámos aquela que parecia ser a revista mais misteriosa da Internet, sobre a qual existia, apenas e tão sómente, uma foto num leilão do OLX. Por alturas desse 'post', procurámos especular sobre o que versaria a revista, e qual seria a sua origem e contexto, sem, no entanto, obtermos grandes resultados. Felizmente, o leitor nosso homónimo (e 'historiador' de serviço sempre que erramos ou não compreendemos algum detalhe) Pedro Serras, autor do blog Desumidificador, fez o favor de providenciar informação que nos permite, finalmente, contextualizar esta revista no panorama da imprensa juvenil nacional de finais do século passado. Assim, ainda que com vários meses de atraso (desculpa, 'outro' Pedro!) aqui ficam mais algumas linhas que resolvem, finalmente, o 'mistério' da revista 'Juvenil'.

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E a verdade é que, com estas informações, a falta de informações e obscuridade da revista se tornam fáceis de explicar. Isto porque a 'Juvenil' era uma publicação nos mesmos moldes da 'Nosso Amiguinho', isto é, ligada a um grupo religioso (no caso, os Salesianos) e adquirível apenas por assinatura no seio da própria instituição. A diferença, em relação à congénere brasileira, prendia-se não só com a longevidade (tendo sido fundada ainda em finais da década de 60, e publicada ininterruptamente em formato físico durante quase cinquenta anos, até 2016, altura em que passou a ter presença apenas digital) mas também com a faixa etária a que se destinava, e que fica bem patente no título da própria revista; isto porque, se a 'Nosso Amiguinho' era declaradamente direccionada a crianças em idade de instrução primária, a 'Juvenil' apontava ao público pré-adolescente (entre os 11 e os 14 anos), havendo por isso uma maior preocupação em esclarecer dúvidas relativas a essa etapa da vida humana, e em prestar auxílio, ainda que remoto e impessoal, a quem a atravessava.

Para 'aliviar' estas temáticas mais sérias, a revista trazia ainda os habituais passatempos, páginas de anedotas e saúde, horóscopos, traduções de letras de músicas dos 'tops', secções de correio, e uma peça de teatro para ler ou encenar, se assim se desejasse, aproximando-a assim de publicações homólogas do mercado laico, como a 'Super Jovem', e garantindo o engajamento do seu público-alvo, por muito assumidamente restrito que o mesmo fosse. Sob este formato, a revista foi capaz de deixar marca em, pelo menos, três gerações de adolescentes, sendo mesmo possível que pais e filhos da mesma família tenham, ambos, lido a revista durante o seu tempo de juventude; um feito notável, e que torna esta já não tão misteriosa revista ainda mais merecedora do destaque nestas nossas páginas. Resta, pois, deixar mais uma vez os nossos agradecimentos ao Pedro, sem o qual esta 'continuação' não teria sido possível, e a 'Juvenil' teria continuado tão misteriosa e causadora de perplexidade como antes...

22.05.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 21 de Maio de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Uma das primeiras edições desta rubrica foi dedicada à Turma da Mônica, o popular conjunto de personagens criados pelo 'cartoonista' brasileiro Mauricio de Sousa e cujas revistas fizeram, durante várias décadas, tanto furor entre as crianças portuguesas como entre as do seu país natal, continuando inclusivamente a ser publicadas em ambos os territórios até aos dias de hoje. Foi, no entanto, nos anos 80 e 90 que a titular 'dona' do grupo e os seus inseparáveis amigos viveram a sua época áurea, motivando o lançamento de inúmeros produtos de 'merchandising' oficiais - de brinquedos a roupas e até alimentos – alguns dos quais chegaram mesmo a ser comercializados em Portugal. É de um destes – talvez o mais óbvio – que falamos em mais este 'post' combinado.

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De facto, à parte o lançamento de um livro ou de antologias de histórias (ambos os quais existiram na mesma época do que o tópico desta semana) uma revista de 'cruzadexes' talvez fosse mesmo o produto licenciado mais próximo da 'fonte' da Turma da Mônica, cujas revistas já incluíam, por vezes, uma secção de passatempos, tornando ainda mais simples a transposição e expansão dos referidos conteúdos para toda uma revista a eles dedicada.

Era disto – nem mais, nem menos – que consistiam os diversos volumes das 'Cruzadas da Turma da Mônica', tomos sensivelmente da mesma grossura das revistas mais finas de Mauricio – como 'Magali', 'Cascão' ou 'Chico Bento' – surgidas algures na primeira metade dos anos 90, tematizados aos diferentes personagens do autor e recheados não só das titulares cruzadas como também de outros populares tipos de passatempos, desde sopa de letras a quebra-cabeças e jogos das diferenças, não faltando também as inevitáveis e indispensáveis secções para colorir. Cada passatempo estava, por sua vez, rodeado dos característicos desenhos de Mauricio, que tornavam a proposta ainda mais apelativa, quer para fãs, quer mesmo para quem 'descobrisse' por acaso a revista na tabacaria, quiosque ou banca. Surpreendente, portanto, é o facto de esta edição ter tido um ciclo de vida relativamente curto, parecendo desaparecer dos escaparates sem grande alarido após apenas alguns números; enquanto durou, no entanto, a mesma revelou-se de 'consumo obrigatório' para os fãs de Mauricio e dos seus personagens, sobretudo aqueles com maior apetência e gosto pelas secções de passatempos incluídas nas suas revistas.

13.03.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 13 de Março de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes abordámos produtos, programas e publicações do Portugal dos 'noventa' que, por uma razão ou outra, foram Esquecidos Pela Net, transformando-se naquilo a que normalmente se chama 'lost media' e ficando, assim, algo arredados da memória nostálgica das gerações que então cresciam e amadureciam. No entanto, grosso modo, até o mais obscuro desses produtos possibilita a escrita de algumas linhas a seu respeito, seja através de recordações e memórias pessoais, seja pelos (poucos) recursos que ainda o recordam nos meandros cibernéticos; tal não é o caso, no entanto, com a publicação de que falamos neste 'post' duplo do Anos 90, e que consegue a proeza de ser o primeiríssimo tópico a deixar o autor deste 'blog' totalmente perplexo.

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De facto, é possível que nos tenhamos precipitado ao rotular a revista 'Ultra Som' como a mais misteriosa da Internet, já que, apesar da falta de dados ou números digitalizados da mesma, era pelo menos possível discernir do que tratava pelas pistas contextuais oferecidas pela única capa disponível na Net. No caso da revista agora em análise, no entanto, nem isso é viável, já que tanto o título impossivelmente genérico como as capas mostradas no leilão OLX (mesma fonte da 'Ultra Som') não permitem mais do que uma conjectura. E se o termo 'Juvenil' utilizado como título infere a quem a revista se dirige, as capas ora desenhadas, ora feitas de colagens fotográficas não deixam claro se a mesma deve ser inserida nas Quartas aos Quadradinhos, Quintas no Quiosque, ou mesmo em ambas, à laia de uma 'Super Jovem' (publicação com a qual parece ter maiores semelhanças). Pedimos, pois, aos nossos leitores que saibam alguma coisa sobre esta revista (alô, homónimo sabe-tudo!) que nos deixem alguma pista sobre a natureza da dita-cuja; nos entrementes, no entanto, tem mesmo de ficar por aqui esta análise sobre mais um elemento ultra-Esquecido Pela Net do Portugal de finais do século XX.

31.01.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Em ocasiões anteriores, recordámos nas páginas deste nosso 'blog' as revistas especificamente direccionadas a um público feminino e adolescente, fossem elas edições internacionais, de produção portuguesa, ou mesmo um misto das duas, em que a publicação faz parte de um grupo internacional, mas é localizada ou adaptada para edição em território nacional. É, precisamente, neste último grupo que se insere a revista que abordamos neste nosso regresso ao universo dos periódicos para adolescentes de finais do século XX.

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Chegada às bancas nacionais nos primeiros anos da década de 90, a versão portuguesa da 'Teenager' trazia como editora Teresa Pais, que já desempenhara a mesma função na extinta 'Élan' – uma publicação de teor quase diametralmente oposto – e que viria, mais tarde, a chefiar também a redacção da 'Telenovelas'; e a verdade é que a experiência trazida pela jornalista não deixava de ser valiosa para garantir que a 'Teenager' se mantinha a par das revistas da mesma índole - não só as dirigidas a adultos como também, mais significativamente, publicações como a 'Ragazza' ou a '20 Anos', com as quais partilhava características temáticas e até gráficas.

De facto, Pais e a sua redacção eram capazes de 'engendrar' artigos de interesse para o público-alvo e que, apesar de abordarem os mesmos temas de todas as outras publicações adolescentes da época, o conseguiam fazer com alguma profundidade e conteúdo jornalístico, por oposição à abordagem 'pela rama' de muitas das concorrentes; talvez por isso a 'Teenager' tenha logrado manter-se nas bancas durante um período bastante respeitável, ainda que não tão longevo quanto o de algumas outras revistas de que falamos neste espaço.

Infelizmente, o advento da Internet, com a sua informação gratuita e imediata, veio ditar o destino desta publicação, a qual, como a maioria das suas congéneres, rapidamente se viu obsoleta face à nova força emergente, acabando por soçobrar já na ponta final da década. Ainda assim, durante o seu tempo de vida, a revista – que, hoje em dia, se encontra consideravelmente Esquecida pela mesma Net que a tornou irrelevante – terá cumprido o seu objectivo de guiar as jovens portuguesas pela sempre difícil fase da adolescência, e de lhes proporcionar informações importantes de forma leve e confortável, merecendo por isso uma menção, ao lado das suas congéneres, neste 'blog' dedicado aos principais artefactos da cultura infanto-juvenil portuguesa de finais do século XX.

01.01.25

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Fosse pela novidade de ver os números iniciais mudarem de 19 para 20, pela efeméride histórica de, ao mesmo tempo, passar um ano, um século e um Milénio, ou pelos abundantes rumores sobre vírus de computador e o fim do Mundo, a verdade é que a entrada para o ano 2000 se perfila, ainda hoje, como talvez a mais mediática de sempre. Assim, não é de surpreender que a hegemónica e omnipresente editora Abril/Controljornal - sempre atenta a eventos sobre os quais pudesse capitalizar, de campeonatos de futebol a filmes de grande orçamento - tivesse tirado proveito da icónica data para lançar no mercado nacional mais uma das suas inúmeras revistas 'individuais' alusivas aos personagens Disney.

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De facto, ao contrário do que o título dá a entender, 'Disney Especial Ano 2000' não faz parte da decana série de 'almanaques' temáticos periodicamente lançados pela editora, sendo uma publicação de cariz único, na linha da supramencionada adaptação de Titanic ou de 'experiências' como 'Os Meus Heróis Favoritos' ou 'Arquivos Secretos do Detective Mickey'. Fosse qual fosse o motivo por detrás de tal decisão, a verdade é que a estratégia posicionava a referida edição como um número 'hiper-especial', daqueles que apenas raramente surgem no mercado, o que, aliado à topicidade do tema escolhido, terá sem dúvida ajudado a aumentar as suas vendas. Pena, pois, que o comprometimento por parte da Abril tenha sido apenas parcial, já que a segunda metade das duzentas e sessenta páginas do volume abandona a temática proposta - a de apresentar 'sucedâneos' e antepassados dos personagens em aventuras através dos séculos - transformando-se em 'apenas mais um' amontoado de histórias sem qualquer conexão aparente.

Ainda assim, a primeira metade do volume, aliada à atractiva capa (ainda que algo 'falha' de verdadeiros personagens de 'nome', sendo os sobrinhos de Donald as únicas caras imediatamente reconhecíveis) à percepcionada exclusividade da edição e à topicidade da temática escolhida, terá sido suficiente para cativar muitos jovens leitores da época, a maioria dos quais era, em maior ou menor grau, 'fiel' às revistas Disney da Abril e terá dado por bem-empregue o seu dinheiro. Estes factores são, também, mais que suficientes para justificar algumas linhas alusivas a esta edição, numa altura em que se acaba de celebrar o vigésimo-quinto aniversário da efeméride que lhe serve de tema.

05.12.24

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-feira, 04 de Dezembro de 2024.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui em diversas ocasiões falámos do quase total monopólio que a Abril Jovem (ou Abril-Controljornal) tinha sobre o mercado de banda desenhada em português dos anos 80 e 90. Fosse através de títulos próprios, fosse por meio de importações brasileiras, a editora era responsável por grande parte dos lançamentos vistos nas tabacarias ou quiosques do nosso País, sendo a grande e honrosa excepção a Turma da Mônica, que, a partir de 1987 e até aos primeiros anos do século XXI passaria a pertencer à Globo. Tendo em conta todo este domínio e hegemonia, não é de surpreender que a casa editorial em causa tenha querido, em meados da última década do século XX, 'puxar a brasa à sua sardinha' através do lançamento de uma revista própria quase inteiramente dedicada aos títulos do seu catálogo.

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Mais do que um veículo de propaganda, no entanto (que era), 'Heróis' procurava ser uma espécie de versão portuguesa e muito simplificada da lendária 'Wizard', a referência internacional por excelência para quem se interessava por banda desenhada, jogos de vídeo ou figuras de acção naquela época. Face aos preços proibitivos das edições desta última importadas quer da América do Norte, quer da do Sul, não deixava no entanto de constituir um objectivo nobre querer oferecer aos jovens nacionais uma alternativa com talvez menos qualidade, mas também a uma fracção do preço.

E a verdade é que grande parte do público-alvo, já de si habituados a padrões de qualidade pautados pelo mediano, não pareceu importar-se grandemente com os artigos curtos ou a impressão em papel de jornal, aderindo em massa à 'Heróis' durante o curto tempo da mesma nas bancas. E com alguma razão, já que, ultrapassados estes aspectos menos cuidados ou conseguidos, a revista se afirmava como uma fonte bastante razoável de informação sobre assuntos que interessavam à sua faixa demográfica alvo, sobretudo centrados nos super-heróis da Marvel e DC (que a Abril editava à época) mas passando também pelos mundos dos desenhos animados e dos videojogos, incluindo mesmo uma grelha televisiva com destaques para programas potencialmente do interesse dos mais jovens. Um recurso mais valioso do que poderia à primeira vista parecer, portanto, e que justificava bem o investimento de cem escudos – especialmente se trouxesse acoplada uma carta holográfica (ou Holoucura), como aconteceu com os primeiros números.

Tal como referido anteriormente, foi curto o tempo da vida da 'Heróis'. No entanto, mesmo com esse reduzido intervalo, a revista conseguiu deixar a sua marca junto dos jovens fãs das BD's da Abril – mesmo que hoje se encontre algo Esquecida Pela Net (ainda que seja possível encontrar pelo menos uma digitalização de um dos números publicados, no caso o número 4, que ilustra também esta publicação.) Nada mais merecido, portanto, do que dedicar este 'post' duplo a preservar a memória daquela que foi mais uma publicação de (relativa) qualidade dirigida ao público jovem português da geração 'Millennial'.

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