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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

31.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 30 de Outubro de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Na última Quarta aos Quadradinhos, falámos das bandas desenhadas importadas, e de como era difícil ao comum bedéfilo português adquiri-las, ou sequer encontrá-las, nos anos da viragem de século e Milénio; nada melhor, pois, do que abordarmos agora as restantes revistas estrangeiras disponíveis no mercado nacional da época, relativamente às quais o problema se atenuava, ainda que não completamente.

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As revistas de música estavam entre as que mais frequentemente chegavam ao mercado português oriundas de outros países.

De facto, apesar de ser necessário encontrar uma tabacaria ou quiosque que as tivesse disponíveis (os quais rareavam), a variedade de revistas especializadas estrangeiras no mercado periódico português de finais do século XX e inícios do seguinte era consideravelmente maior que o de bandas desenhadas, tendo quase todos os nichos de interesse pelo menos uma publicação deste género trazida do estrangeiro. E se muitos desses mesmos campos eram de pouco ou nenhum interesse para as crianças e jovens que perfaziam as demografias 'X' e 'millennial', não deixava ainda assim de haver, entre o acervo de publicações do género, alguns focos de interesse. Já aqui falámos, por exemplo, da Bravo e Super Pop e das revistas de 'tricot' alemãs e francesas, mas podemos ainda falar, por exemplo, das várias revistas espanholas, francesas ou inglesas de videojogos, informática, música ou moda, ou da mítica 'Hola!', para dar apenas alguns exemplos do que os jovens podiam encontrar em bancas ou estabelecimentos mais especializados e de distribuição mais alargada.

De ressalvar que, pelo volume de publicações que enviava para Portugal mensalmente, o Brasil se afirma como um caso um pouco à parte deste paradigma – embora, curiosamente, a tendência fosse, nesse caso, inversa, com as bandas desenhadas brasileiras a ocuparem um volume de mercado maior ou igual às nacionais, mas as especializadas a ficarem consideravelmente atrás, surgindo a 'Wizard' e a 'Super Gamepower' como os únicos exemplos disponíveis com algum tipo de regularidade nos escaparates nacionais, por oposição ao muito maior número de revistas oriundas da Europa. Tal não significa, no entanto, que estas fossem, de todo, fáceis de encontrar (já para não falar no atraso de meses que apresentavam quando chegavam ao nosso País, algo particularmente inexplicável no caso de publicações oriundas de Espanha), sendo provável que o adolescente médio de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 apenas tivesse uma ou duas mãos-cheias de revistas oriundas de fora de Portugal – isto quando, como foi o caso do autor deste blog, sabia (ou tinha) sequer onde as encontrar. Talvez por isso, ou talvez pelo estilo diferente das congéneres nacionais, as revistas importadas ocupam espaço próprio na memória nostálgica das gerações daquele tempo, muitos membros das quais já terão, mesmo, ido ao armário ou sótão procurar os exemplares que ainda guardam daquele período da sua vida...

20.06.24

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O conceito de um produto Esquecido Pela Net já não será, de todo, desconhecido dos leitores deste blog; de bebidas sem qualquer presença nostálgica a capas de revistas há muito esquecidas, foram já várias as temáticas aqui abordadas sobre as quais a informação não ia além de uma ou outra imagem ou registo, obrigando a uma abordagem mais especulativa, dedutiva e teorética. No entanto, até mesmo o mais obscuro dos produtos tinha, normalmente, um qualquer elemento que permitia aprofundar a temática em torno do mesmo, fossem memórias pessoais (como no caso do sumo do Astérix), pistas contextuais, ou mesmo informações contidas numa qualquer indexagem dos primórdios da Internet. A revista que trazemos do Quiosque esta Quinta desafia, no entanto, esse paradigma, afirmando-se como o produto mais obscuro alguma vez abordado neste nosso blog – sim, mais do que o sumo do Astérix, até hoje o único 'post' do Anos 90 sem qualquer imagem associada.

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Isto porque a imagem acima, retirada de um leilão do OLX entretanto extinto, representa A ÚNICA INSTÂNCIA da revista Ultra Som presente em toda a Internet, sendo a capa da mesma a única fonte de informações sobre a publicação ou os seus conteúdos, já que o leilão não oferecia informações mais específicas quanto à mesma. Tudo o que é possível saber quanto a esta obscuríssima publicação fica, portanto, reflectido na capa, que mostra tratar-se de uma revista de música de carácter generalista (Luís Represas e os Sétimo Céu partilhavam, aparentemente, as páginas do número 1 com Iron Maiden, Moonspell, Joe Satriani, Santamaria e ainda um artigo sobre música de dança), com preço unitário de trezentos e cinquenta escudos (uma soma considerável para a época em causa) lançada algures nos primeiros meses do ano de 1998 (ou não fosse a capa alusiva ao álbum Virtual XI, dos Iron Maiden, lançado em Março desse ano). Já o estilo editorial e de redacção, outras possíveis secções da revista (como críticas a discos) e outras questões referentes a conteúdos permanecem, infelizmente, uma incógnita, já que a Ultra Som parece ter-se 'afundado' sem rasto num mercado dominado pelo hegemónico Blitz e onde começavam, também, a despontar outras revistas mais especializadas.

Assim, em prol de aprofundar e melhorar este artigo, pedimos a quem conheça ou tenha informações sobre esta publicação que entre em contacto connosco; afinal, se pessoas do Mundo inteiro conseguiram, trabalhando em conjunto, encontrar a potencial fonte de uma música anónima, certamente também a base de fãs do Anos 90 conseguirá identificar aquela que é, até ver, a Revista Mais Misteriosa da Internet...

18.04.24

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

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Números de várias eras da revista, que ilustram as mudanças gráficas da mesma. (Crédito da foto: OLX.)

Embora provavelmente não estivesse entre os principais interesses dos jovens portugueses – até pelos elevados custos que comportava – a audiofilia não deixava, ainda assim, de encontrar no nosso País a sua quota-parte de aficionados, fossem eles adultos com rendimentos próprios para gastar no seu passatempo de eleição ou jovens que sonhavam poder aspirar a ter um sistema de áudio 'a sério' onde tocar as suas cassettes, LP's e, mais tarde, CD's. Apesar disso, e ao contrário de muitos outros 'hobbies' do mesmo período, o panorama de imprensa nacional não contava, durante o pico da audiofilia, nos anos 80, com qualquer revista especializada dedicada a este ramo, vendo-se os fãs de aparelhagens obrigados a comprar dispendiosas revistas estrangeiras para se manterem a par das novidades dentro do espectro.

Esta situação viria, no entanto, a mudar ainda antes da chegada da nova década, quando dois jornalistas audiófilos, Jorge Gonçalves e José Victor Henriques, embarcaram juntos numa 'irresponsabilidade' utópica: a de criar uma revista portuguesa dedicada ao Hi-Fi. Nascia, assim, a 'Audio' (mais tarde 'Audio e Cinema em Casa') a primeira e única publicação portuguesa centrada na audiofilia. Com os meios possíveis, e muita vontade e capacidade de improviso, os dois jornalistas (a quem, mais tarde, se juntaria ainda o recentemente malogrado José Francisco Júdice) logravam fazer chegar às bancas, no ano de 1989, a primeira manifestação física desse seu sonho, mas os primeiros indicadores não eram, de todo, os melhores – a 'Audio' deparava-se com a apatia de um mercado rendido à estrangeira 'What Hi-Fi?', e o segundo número, já atrasado de raiz, arriscava-se a não sair.

Contra todas as previsões, no entanto – inclusivamente dos próprios fundadores – esse número não só se concretizou como lançou um ciclo de impressionantes três décadas de publicação ininterrupta, durante as quais a 'Audio' se estabeleceu como grande fonte nacional para notícias, críticas, análises e artigos diversos respeitantes ao seu nicho de eleição. Já sem o contributo de José Victor Henriques, que saíra amigavelmente, seria Jorge Gonçalves quem 'comandaria o barco' até à extinção da revista física e passagem para a plataforma 'online', em 2021, guiando-a através das habituais reformas gráficas e de conteúdo, logrando sempre, no entanto, manter o padrão de qualidade que estabelecera nos primórdios da publicação; é, pois, natural que, por alturas do seu desaparecimento, fossem muitas as vozes que lamentavam a extinção da única verdadeira referência no campo da audiofilia em território nacional. Apesar de desaparecida, no entanto, o legado e memória da 'Audio' continuam bem vivos entre os portugueses de uma determinada idade, os quais, certamente, terão derivado considerável prazer da leitura destas linhas que, espera-se, lhes tenham proporcionado uma viagem nostálgica até ao tempo em que passavam na banca, todos os meses, para trazer para casa o mais recente número da 'sua' revista.

22.09.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Há algumas edições atrás, falámos nesta rubrica da revista Riff, tendo à data erroneamente insinuado tratar-se da primeira revista nacional dedicada ao som de peso, vulgo metal; nas próximas linhas, iremos desfazer esse equívoco, e falar da revista que merece, verdadeiramente, essa distinção, e que foi a verdadeira pioneira das publicações especializadas sobre rock pesado em solo nacional – a Rock Power.

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Capa do número 1 da revista. (Crédito da foto: Rock no Sótão)

'Braço' nacional de uma publicação de âmbito internacional, publicada em oito países (a edição lusa mantinha, aliás, o 'slogan' em inglês), a Rock Power portuguesa 'rebentava' nas bancas em Junho de 1991, tendo como editor o antigo colaborador inglês da Música e Som, Ray Bonici, e como redactores a equipa por detrás do também imensamente popular programa 'Lança-Chamas', liderada pelo inevitável António Freitas - talvez o principal dinamizador do 'som de peso' na imprensa portuguesa, e que viria também a colaborar nas duas outras revistas nacionais sobre este tópico, a Riff e a ainda mais famosa e bem-sucedida Loud! Quanto à Rock Power, a sua função e dos seus colaboradores passava, primeiramente, apenas por traduzir e adaptar os textos da edição inglesa (a qual, aliás, servia também de base à edição espanhola, em tudo idêntica à portuguesa), num molde semelhante aos de revistas 'multinacionais' como a Mega Force, Super Power ou Revista Oficial Playstation; com o passar dos números, no entanto – e à medida que a revista se estabelecia – os mesmos principiaram também a criar, de raiz, tópicos especificamente ligados à cena rock e 'heavy metal' lusa, dando à publicação uma personalidade mais vincadamente portuguesa, à semelhança do que, lá por fora, iam fazendo congéneres como a Kerrang! e Metal Hammer espanholas.

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Outro número da revista, no caso, o Nº8 (Crédito da foto: Divulgando Banda Desenhada)

Além das habituais notícias, entrevistas, biografias e críticas aos mais recentes lançamentos, a revista destacava-se, ainda, por incluir banda desenhada, nomeadamente a famosa série 'Judge Dredd', originalmente publicada na compilação de culto inglesa '2000 AD'; apenas mais uma razão para os 'metaleiros' nacionais, até então totalmente privados de conteúdos editoriais oficiais relativos à sua 'cena', desembolsarem mensalmente os 350 escudos que a revista custava - muita 'massa' em dinheiro de 1991, talvez, mas – como as linhas anteriores terão, espera-se, demonstrado – um 'sacrifício' mais do que justificado para quem, até então, tivera de recorrer a 'fanzines' amadoras para se manter a par do que se ia passando no seu panorama musical de eleição.

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Uma página de Judge Dredd, tal como apareceu no número 8 da revista. (Crédito da foto: Divulgando Banda Desenhada)

Quanto à revista em si, e apesar de não ter tido um ciclo de vida particularmente longo, nada lhe tira a distinção de ter desbravado um caminho sem o qual as posteriores 'versões melhoradas' da fórmula não poderiam ter existido – facto que, só por si, já torna merecido que se levantem um par de 'chifres' e uma imperial bem geladinha em sua homenagem.

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