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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

21.09.23

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Os anos 80 e 90 estiveram entre as décadas mais inovadoras e progressivas no tocante ao mundo da moda, tendo, entre outros feitos, introduzido na sociedade ocidental o conceito de 'super-modelos' – figuras aspiracionais cujo objectivo primário era exibir (e, por esse meio, 'vender') as mais recentes tendências e peças de cada estação. E escusado será dizer que o impacto destas novas 'musas' foi imediato e avassalador, tendo nomes como Claudia Schiffer, Naomi Campbell e Cindy Crawford sido responsáveis por interessar milhões de jovens um pouco por todo o Mundo (e até algumas pessoas mais velhas) no mercado da alta costura.

Portugal não foi excepção a esta regra, antes pelo contrário; apesar do 'atraso' a nível de estilos e tendências relativamente ao resto do Mundo (que se faz sentir até hoje, ainda que em menor escala) o nosso País viu, no decurso das referidas décadas, aumentar o interesse pelas novas colecções dos principais estilistas, o qual ficou reflectido na presença das referidas modelos nas capas de revistas tanto juvenis como mais generalistas, e no aparecimento de versões portuguesas das principais revistas de moda internacionais. Já aqui falámos, nesta mesma rubrica, da 'Elle' nacional, e, dado que a 'Vogue' lusitana ainda demoraria alguns anos a chegar, resta agora falar da edição nacional de outra referência no mundo das publicações de moda – a Madame Figaro, cuja versão portuguesa recebia o nome de Máxima, e surgia pela primeira vez nas bancas há quase exactos trinta e cinco anos, a 22 de Setembro de 1988.

maxima-1988.jpg

Capa do número 1.

Apesar desta ligação à revista francesa, no entanto, a Máxima era inteiramente criada em Portugal, sem qualquer interferência por parte de uma entidade internacional, e deixava a sua proposta editorial bem clara logo a partir do slogan publicitário: 'a revista da mulher portuguesa'. E embora a nova publicação contasse já com alguma concorrência nesse sector (por parte de revistas como a 'Guia') a sua abordagem mais virada ao jornalismo puro e duro (chegou a haver capas com a Guerra do Golfo, e reportagens sobre temas como a violação, assédio e abuso sexual ou mesmo fundamentalismo religioso) ajudou-a a marcar a diferença relativamente a publicações como a referida 'Elle' ou ainda a versão portuguesa da 'Marie Claire', nenhuma das quais sequer sonhava em oferecer o mesmo teor de artigos ou reportagens, optando normalmente por temas mais superficiais. Prova do sucesso desta linha editorial é que a tiragem inicial de quarenta e cinco mil exemplares esgotou, tornando-se a primeira indicação de um sucesso que apenas viria a aumentar em anos vindouros.

De facto, por meados da década seguinte, a 'Máxima' era já a quinta revista feminina mais vendida em Portugal, fazendo circular quase cinquenta mil cópias todos os meses, e vendo vários dos seus jornalistas receber galardões do teor do Prémio Fernando Pessoa de Jornalismo (atribuído à reportagem sobre violação); a preponderância da revista era tal, aliás, que, apenas dois anos após a sua primeira edição, a mesma se encontrava já em posição de atribuir os seus próprios prémios e galardões, no caso alusivos à indústria de Beleza e Perfumes.

Tendo em conta o sucesso inicial e a preocupação em se manter relevante e fazer jormalismo 'a sério', não é de admirar que a 'Máxima' tenha constituído uma das maiores histórias de sucesso da imprensa especializada portuguesa, tendo conseguido manter-se nas bancas – sempre com o mesmo grau de sucesso e influência – por impressionantes trinta e dois anos; paulatinamente, no entanto, até mesmo esta decana publicação se viu afectada pelo rápido declínio da imprensa física, vindo o Grupo Cofina (que adquirira os direitos de publicação à Edirevistas) a declarar o fim da mesma no início do 'Verão COVID', em Junho de 2020. Mesmo após a sua extinção, no entanto, o legado da revista continua a fazer-se sentir, tendo a mesma marcado época e exercido influência entre as gerações 'X' e 'millennial' (e mesmo junto da 'Z') o que torna mais que justa esta breve homenagem por alturas daquele que seria o seu trigésimo-quinto aniversário de publicação – um marco que a 'Máxima' nunca chegou a atingir, mas que constituiu o pretexto perfeito para celebrar a sua influência junto das mulheres portuguesas de finais do século XX e inícios do seguinte.

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