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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

15.02.24

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes nos referimos às décadas de 80, 90 e 2000 como a 'era de ouro' da imprensa portuguesa. De facto, e ao contrário do que sucede hoje em dia, o sector respirava saúde, permitindo tanto às editoras e distribuidoras como aos próprios profissionais do meio incorrer em certos riscos impossíveis e impensáveis em décadas anteriores ou subsequentes. Entre publicações absurdamente especializadas e outras que não teriam cabimento nem seriam possíveis em qualquer outra era, o mercado de periódicos português viu-se, durante o período em causa, 'inundado' por uma série de novos títulos, alguns dos quais perdurariam durante várias décadas, enquanto outros se extinguiriam após passagem curta mas fulgurante pelas bancas nacionais.

De entre este último grupo, há uma publicação que se destaca acima de todas as outras, sobretudo para os elementos da 'geração X', que eram precisamente da idade certa para a apreciar; uma revista saudosamente recordada pelo seu estilo gráfico e redactorial único (o qual é mesmo creditado como inspiração para o aparecimento, uma década depois da comunidade 'blogger') e pelo verdadeiro 'painel de honra' que constituía o seu núcleo redactorial. Falamos da revista 'K' (ou 'Kapa'), um periódico que deixou, em apenas três anos, o tipo de marca que, regra geral, leva o dobro do tempo a conseguir.

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A colecção pessoal da 'dona' do blogue 'Feridas & Calos'.

Fundada por Miguel Esteves Cardoso, logo no início da nova década, com o intuito de abordar tudo aquilo que as publicações já existentes não tinham coragem de abordar, a 'K' tinha como maior atractivo um elenco de colaboradores de luxo, que ia desde escritores como Agustina Bessa-Luís, Vasco Pulido Valente, Rui Zink ou o próprio Esteves Cardoso a artistas como Pedro Ayres de Magalhães, passando por figuras políticas como Paulo Portas (que mais tarde se juntaria a Esteves Cardoso para fundar o não menos mítico, mas bastante mais duradouro jornal 'O Independente') ou a mãe deste último, Helena Sacadura Cabral. Em comum, estas figuras tinham apenas o desejo de fundar uma revista iconoclasta, em que a alta e a baixa cultura se misturassem, e em que os gostos pessoais dos redactores e colunistas também tivessem lugar, em desafio directo às regras do bom jornalismo.

O resultado foi uma publicação, nas próprias palavras do seu primeiro editorial, 'mais comunicativa que informativa', cujo objectivo era pura e simplesmente ser lida, e cuja atitude franca e frontal quanto à sua missão editorial caiu, de imediato, no 'gosto' da então geração jovem, que se revia sobremaneira nos textos e grafismos irreverentes, e que apreciava a exploração de temas tendencialmente ostracizados pela imprensa tradicional, muitos deles tidos mesmo como tabu pela sociedade em geral; o preço de capa de trezentos escudos (mais tarde quatrocentos, e depois seiscentos e cinquenta) acabava, assim, por se poder considerar justo, face à riqueza e qualidade dos conteúdos veiculados em cada edição mensal.

Apesar do carácter inovador, e de ter de imediato encontrado a sua demografia, a 'K' não duraria nas bancas mais do que três anos, tendo o ano transacto marcado os trinta anos sobre a edição do seu último número; ainda assim, e apesar do 'vazio' deixado por uma revista ainda hoje inigualada, e muito à frente do seu tempo, aqueles que tiveram a sorte de conviver com a 'K' durante o seu tempo de vida não se escusarão a cantar loas à mesma, nem a ressalvar a sua importância para movimentos culturais e informacionais posteriores. Um marco geracional, portanto, bem merecedor de ser recordado nas páginas deste blog respeitante à década da sua publicação.

25.01.24

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

As décadas de 90 e 2000 representaram, possivelmente, o auge da imprensa infanto-juvenil em Portugal. Entre as inúmeras revistas aos quadradinhos e a profusão de publicações especializadas nos mais diversos ramos, difícil era encontrar uma criança ou jovem da altura que não comprasse pelo menos um dos muitos títulos disponíveis. De igual forma, o mercado mais 'adulto' viu também surgirem, durante este período, publicações como a Visão, a Sábado ou o menos duradouro mas não menos icónico 24 Horas, a juntar à panóplia de revistas e jornais estabelecidos já existentes, um panorama que, infelizmente, se alterou diametralmente nos últimos anos.

Em meio a toda esta oferta, no entanto, uma demografia ficava um pouco esquecida – a dos jovens mais velhos, já saídos da adolescência, mas a quem a abordagem mais política dos títulos supramencionados ainda não interessava particularmente. Foi com esse mercado em mente que surgiu, já em finais da década, uma publicação centrada na transmissão e debate de temas de interesse para a juventude, mas sob uma perspectiva mais evoluída, e com toques de humor e sarcasmo à mistura; e embora a mesma não tenha vingado, 'sobrevivendo' apenas durante cerca de um ano, há ainda assim que reconhecer o esforço dos envolvidos, entre os quais se contam nomes sonantes do humor lusitano, ligados às miticas Produções Fictícias.

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A original francesa que informava a 'versão' nacional.

Falamos da revista '20 Anos', a localização em português da revista francesa do mesmo nome, e um daqueles títulos completamente Esquecidos Pela Net que só tem teve contacto directo relembra, não havendo dela qualquer registo fotográfico digitalizado, nem tão-pouco os habituais leilões do OLX. Neste caso, devemos as (poucas) informações que temos ao Pedro Serra, que, apesar de fora da demografia-alvo, tinha acesso às revistas através da irmã mais velha (por aqui, a irmã era mais nova, sendo o autor também demasiado jovem para ter interesse na referida publicação). É, pois, graças ao relato em primeira mão do nosso homónimo e leitor assíduo que ficamos a saber que a '20 Anos' não se focava apenas num tema, propondo uma gama abrangente de conteúdos, sendo o denominador comum a irreverência e o humor. O próprio Pedro refere as 'tirinhas' de banda desenhada e os famosos 'testes de personalidade' tão típicos da época como os grandes destaques, tendo estes últimos a particularidade de serem redigidos por dois ex-alunos de Comunicação Social da Universidade Católica, de seus nomes Miguel Góis e Ricardo Araújo Pereira...

É também o Pedro quem sugere que a curta vida da revista se terá devido à dificuldade em encontrar a sua audiência, o que se afigura peculiar, dado serem, à época, muito poucas as publicações que 'fizessem a ponte' entre o universo das Super Pop, Bravo, Ragazza ou Super Jovem e os periódicos mais adultos, pelo menos de uma perspectiva generalista; por outras palavras, em teoria, pareceria haver mercado para uma 'versão jovem' de algo como a revista 'Guia', que parecia ser a proposta da '20 Anos'. Sejam quais tenham sido as razões por detrás do seu 'falhanço', no entanto, a verdade é que haverá pouco quem recorde aquela que tentou ser uma publicação revolucionária para a sua época, mas acabou como apenas uma 'nota de rodapé' meio 'apagada' na História da melhor fase de sempre da imprensa periódica portuguesa...

04.01.24

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Embora tradicionalmente dominada pelos três aparentemente perenes jornais diários, a imprensa desportiva em Portugal tem visto, ao longo dos anos, serem feitas várias outras tentativas de penetração de mercado, nomeadamente através do lançamento de revistas especializadas. Infelizmente, são poucos os exemplos deste tipo de publicação que atingem, verdadeiramente, algum grau de sucesso, preferindo o público, invariavelmente, adquirir os 'magazines' ligados aos três diários, em vez de uma publicação nova. De facto, as únicas publicações dignas de nota nas últimas três a quatro décadas foram a 'Futebolista' (publicada já no Novo Milénio) e a revista de que falamos hoje, que conseguiu obter uma longevidade honrosa entre o seu aparecimento em meados da década de 80 e a sua extinção em inícios da seguinte.

104638175.jpg(Crédito da foto: TodoColección)

Falamos da simplesmente intitulada 'Foot', uma daquelas publicações de que hoje restam apenas as capas, no contexto de leilões em 'sites' como o OLX e o TodoColección (de onde sai a capa que ilustra este 'post'); assim, e à semelhança do que aconteceu anteriormente com revistas como a 'Basquetebol', quaisquer ilações sobre o conteúdo proposto por esta publicação têm, necessariamente, de ser retiradas apenas das 'parangonas', cabeçalhos e imagens das referidas capas. Com base neste elementos, é possível deduzir que a 'Foot' se centrava, sobretudo, no futebol nacional, com natural ênfase nos três 'grandes', mas sem esquecer o que se passava no panorama internacional, quer a nível de clubes, quer de selecções - e, ao contrário de outras publicações do género, sem deixar espaço a outras modalidades; esta era, exclusivamente, uma revista de futebol, à semelhança do que, uma década mais tarde, sucederia com a 'Mundial'.

Sendo o mesmo, de longe, o desporto mais popular em Portugal, foi com naturalidade que a 'Foot' encontrou o seu público, logrando manter-se nas bancas do seu lançamento em 1984 até pelo menos a Dezembro de 1990, mês em que saiu a revista que ilustra esta publicação. Assim, e apesar de a grande maioria da sua trajectória ter tido lugar na década de 80, a revista em causa qualifica-se para inserção nas páginas desta nossa rubrica, que, como sucedeu em casos anteriores, passa por definição a ser a principal fonte de informação sobre esta publicação algo 'Esquecida Pela Net', mas decerto lembrada pelos adeptos da geração 'X' , pelos 'millennials' mais velhos, e por qualquer outro adepto que já seguisse as competições profissionais portuguesas nos anos 80.

06.12.23

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Qualquer período hegemónico que se estenda por vários anos, ou até décadas, é praticamente impossível de manter inalterado; por muito poucas mudanças que se procurem fazer num contexto deste tipo, algo acabará, inevitavelmente, por se alterar ou evoluir. É, pois, importante estabelecer, em situações deste tipo, elos de ligação que permitam manter o produto ou criador em causa reconhecível para lá de quaisquer diferenças superfíciais no conteúdo; e uma boa maneira de conseguir este objectivo é estabelecer uma ou mais 'tradições', levadas a cabo em intervalos periódicos ou na época do ano apropriada. Para a Abril-Controljornal, praticamente monopolista do mercado nacional de 'livros aos quadradinhos' de finais do século XX e inícios do XXI – uma dessas tradições prendia-se com o lançamento, todos os meses de Dezembro, de um ou mais títulos de BD Disney dedicados ao Natal. E apesar de ter tido particular expressão até inícios da década de 90, a verdade é que esta tradição se mantinha ainda vigente nos últimos anos do Segundo Milénio, como o prova o título que abordamos nesta primeira de duas Quartas aos Quadradinhos de Natal.

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Lançado há exactos vinte e seis anos, em Dezembro de 1997, 'Disney Natal Especial' insere-se na vasta categoria de títulos de 'número único' lançados pela Abril durante esse período da sua existência, juntando-se a revistas como 'Os Meus Heróis Favoritos', 'Arquivos Secretos do Detective Mickey' ou a edição tematizada em torno do filme 'Titanic', todas lançadas num espaço de dois anos entre 1996 e 1998. Ao contrário destas, no entanto, o propósito desta edição é bem claro, pretendendo a mesma preencher a 'vaga' de 'revista Disney de Natal' daquele ano. Para esse efeito, 'Disney Natal Especial' apresenta onze histórias (mais uma tirinha de página única) espalhadas ao longo das suas cem páginas, fazendo por justificar o preço de 310$00, à época alinhado com o de outras edições 'grossas', como o 'Disney Especial'.

Previsivelmente, todas e cada uma das BD's incluídas no volume tem um tema em comum – no caso, a quadra natalícia, e todas as celebrações em torno da mesma. Esta é, no entanto, mesmo a única linha condutora entre as histórias da revista, já que, apesar de a maioria das mesmas ter sido produzida poucos anos antes do lançamento do título, chega a haver em 'Disney Natal Especial' histórias de finais dos anos 70 e inícios da década seguinte, cujo estilo e atmosfera são marcadamente diferentes dos das mais 'actuais' produções italianas. De igual modo, outro aspecto que poderia ter ajudado a unificar a selecção, mas que acaba por não ser 'levado a termo' é o foco no núcleo dos patos, que monopoliza oito das doze histórias incluídas, sendo as restantes três protagonizadas por Mickey e Pateta (em dois casos) e pelo elenco da série animada 'TaleSpin' (ou 'Aventuras do Balu'), que tinha, à época, título próprio, mas que não viria a passar em Portugal ainda durante alguns anos, sendo os seus personagens conhecidos das crianças portuguesas apenas através da inclusão de algumas das suas aventuras em títulos deste tipo.

Ainda assim, e apesar destas idiossincrasias, 'Disney Natal Especial' terá acabado por cumprir a sua função de 'dar que ler' aos fãs de quadradinhos Disney na quadra natalícia de 1997. E por não termos tido conhecimento da sua existência aquando do seu vigésimo-quinto aniversário – altura em que lhe teríamos dedicado um 'post' celebratório dessa efeméride – procuramos agora, um ano depois, corrigir esse deslize, e falar daquela que viria a dar o mote para muitas mais edições 'isoladas' de Natal no século e Milénio seguintes, mas que à época de publicação se afirmava, passe a expressão, como artigo único no panorama da BD Disney em Portugal.

23.11.23

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Em finais do século XX, a revista desportiva era já parte do panorama editorial de vários países de todo o Mundo, com publicações tão famosas e sonantes como a 'Sports Illustrated' norte-americana ou a 'France Football'; em Portugal, no entanto, o paradigma era um pouco diferente, com a imprensa desportiva (pelo menos a não-especializada) a ser dominada pelos três 'eternos' diários desportivos, que só em inícios do século XX deixariam espaço a revistas como a 'Futebolista'. Tal hegemonia não impediu, no entanto, que pelo menos uma publicação tentasse 'furar fileiras' e afirmar-se no espaço editorial desportivo português, tendo mesmo chegado a atingir um moderado grau de sucesso nesse desiderato.

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Exemplo dos dois tipos de grafismo da revista durante o seu tempo de vida (Crédito das fotos: OLX.)

Falamos da 'Mundial', uma revista que, apesar de se estender periodicamente a outros desportos, tinha como foco central (e perfeitamente natural) o futebol, que ocupou a maioria das capas da revista desde o seu lançamento, algures em meados dos anos 90, até ao seu desaparecimento das bancas, ainda antes do final do Novo Milénio. Infelizmente, não nos é possível precisar melhor o espectro temporal da publicação, dado esta ser – como a também noventista 'Basquetebol' – uma daqielas revistas das quais poucos vestígios restam para lá de uma série de anúncios da OLX e do ocasional 'post' nostálgico no Facebook – por outras palavras, uma Esquecida Pela Net.

Daquilo que as capas permitem averiguar, a 'Mundial' procurava ter cuidado em alternar o foco entre diversos clubes, bem como entre os principais jogadores de cada um deles, e até aos principais nomes internacionais da época – isto para além de uma marcada (e também bastante natural) vertente de apoio à Selecção Nacional, que vivia, à época, alguns dos seus melhores anos, com a Geração de Ouro a 'dar cartas'. De igual modo, a presença de artigos sobre outras modalidades e eventos - como o 'bodyboard', a Fórmula 1 ou até as Olimpíadas - vem da análise dessas mesmas capas, sendo praticamente impossível encontrar, hoje, dados sobre a editora, longevidade ou até número de páginas da revista – facto algo insólito, tendo em conta que outras publicações da mesma altura (1996-98, pelo menos) se encontram ainda bem documentadas na 'autoestrada da informação'! Ainda assim, é também possível observar uma mudança de grafismo na 'Mundial' entre 1996 e 98, presumivelmente para ajudar a dar um ar menos austero à revista, e mais condicente com o que o público jovem da época procurava de uma publicação deste tipo.

Tendo em conta o posterior sucesso da referida 'Futebolista' e outras publicações semelhantes, não deixa de ser bizarro que a 'Mundial' seja tão pouco lembrada entre os fãs de jornais e revistas de desporto nacionais. No entanto, uma das missões declaradas deste nosso blog é, precisamente, não deixar que tais artefactos de finais do século XX se percam para sempre, e, nesse aspecto, era nosso dever fazer a nossa parte para assegurar que esta 'Mundial' não era vetada ao esquecimento pela mesma geração que, em tempos, a comprou e leu religiosamente - uma missão que, esperamos, se venha a provar bem-sucedida.

21.09.23

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Os anos 80 e 90 estiveram entre as décadas mais inovadoras e progressivas no tocante ao mundo da moda, tendo, entre outros feitos, introduzido na sociedade ocidental o conceito de 'super-modelos' – figuras aspiracionais cujo objectivo primário era exibir (e, por esse meio, 'vender') as mais recentes tendências e peças de cada estação. E escusado será dizer que o impacto destas novas 'musas' foi imediato e avassalador, tendo nomes como Claudia Schiffer, Naomi Campbell e Cindy Crawford sido responsáveis por interessar milhões de jovens um pouco por todo o Mundo (e até algumas pessoas mais velhas) no mercado da alta costura.

Portugal não foi excepção a esta regra, antes pelo contrário; apesar do 'atraso' a nível de estilos e tendências relativamente ao resto do Mundo (que se faz sentir até hoje, ainda que em menor escala) o nosso País viu, no decurso das referidas décadas, aumentar o interesse pelas novas colecções dos principais estilistas, o qual ficou reflectido na presença das referidas modelos nas capas de revistas tanto juvenis como mais generalistas, e no aparecimento de versões portuguesas das principais revistas de moda internacionais. Já aqui falámos, nesta mesma rubrica, da 'Elle' nacional, e, dado que a 'Vogue' lusitana ainda demoraria alguns anos a chegar, resta agora falar da edição nacional de outra referência no mundo das publicações de moda – a Madame Figaro, cuja versão portuguesa recebia o nome de Máxima, e surgia pela primeira vez nas bancas há quase exactos trinta e cinco anos, a 22 de Setembro de 1988.

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Capa do número 1.

Apesar desta ligação à revista francesa, no entanto, a Máxima era inteiramente criada em Portugal, sem qualquer interferência por parte de uma entidade internacional, e deixava a sua proposta editorial bem clara logo a partir do slogan publicitário: 'a revista da mulher portuguesa'. E embora a nova publicação contasse já com alguma concorrência nesse sector (por parte de revistas como a 'Guia') a sua abordagem mais virada ao jornalismo puro e duro (chegou a haver capas com a Guerra do Golfo, e reportagens sobre temas como a violação, assédio e abuso sexual ou mesmo fundamentalismo religioso) ajudou-a a marcar a diferença relativamente a publicações como a referida 'Elle' ou ainda a versão portuguesa da 'Marie Claire', nenhuma das quais sequer sonhava em oferecer o mesmo teor de artigos ou reportagens, optando normalmente por temas mais superficiais. Prova do sucesso desta linha editorial é que a tiragem inicial de quarenta e cinco mil exemplares esgotou, tornando-se a primeira indicação de um sucesso que apenas viria a aumentar em anos vindouros.

De facto, por meados da década seguinte, a 'Máxima' era já a quinta revista feminina mais vendida em Portugal, fazendo circular quase cinquenta mil cópias todos os meses, e vendo vários dos seus jornalistas receber galardões do teor do Prémio Fernando Pessoa de Jornalismo (atribuído à reportagem sobre violação); a preponderância da revista era tal, aliás, que, apenas dois anos após a sua primeira edição, a mesma se encontrava já em posição de atribuir os seus próprios prémios e galardões, no caso alusivos à indústria de Beleza e Perfumes.

Tendo em conta o sucesso inicial e a preocupação em se manter relevante e fazer jormalismo 'a sério', não é de admirar que a 'Máxima' tenha constituído uma das maiores histórias de sucesso da imprensa especializada portuguesa, tendo conseguido manter-se nas bancas – sempre com o mesmo grau de sucesso e influência – por impressionantes trinta e dois anos; paulatinamente, no entanto, até mesmo esta decana publicação se viu afectada pelo rápido declínio da imprensa física, vindo o Grupo Cofina (que adquirira os direitos de publicação à Edirevistas) a declarar o fim da mesma no início do 'Verão COVID', em Junho de 2020. Mesmo após a sua extinção, no entanto, o legado da revista continua a fazer-se sentir, tendo a mesma marcado época e exercido influência entre as gerações 'X' e 'millennial' (e mesmo junto da 'Z') o que torna mais que justa esta breve homenagem por alturas daquele que seria o seu trigésimo-quinto aniversário de publicação – um marco que a 'Máxima' nunca chegou a atingir, mas que constituiu o pretexto perfeito para celebrar a sua influência junto das mulheres portuguesas de finais do século XX e inícios do seguinte.

30.08.23

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

É já um tema recorrente nesta rubrica do nosso blog que a Abril-Controljornal gozava, em finais do século XX, de uma hegemonia no mercado nacional de banda desenhada que lhe permitia não só arriscar, como também aumentar progressivamente o número de publicações do seu catálogo, fossem estas referentes aos heróis da Marvel ou DC ou ao principal filão da editora, as revistas Disney. Com isso em mente, não é, de todo, de admirar que, há exactos vinte e cinco anos, surgisse nas bancas portuguesas ainda mais uma revista alusiva a Mickey, Pateta, Donald e restantes personagens já tão conhecidos dos jovens portugueses.

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Capa do número 1, lançado há exactos vinte e cinco anos, em Agosto de 1998.

Tratava-se de 'Série Ouro' (não confundir com a 'Série Ouro Disney' brasileira), uma publicação tematizada, com as histórias seleccionadas para cada número a obedecerem a um conceito central, à semelhança do que já acontecia com o 'Disney Especial'. De facto, a melhor maneira de encarar esta nova série (cujo primeiro número, alusivo ao futebol, era lançado mesmo a tempo de capitalizar sobre a febre do Mundial de França '98) é como uma alternativa mais 'em conta' à referida publicação, com consideravelmente menos páginas mas (em consequência) um preço bastante mais convidativos às carteiras dos jovens 'noventistas' médios – um papel que 'Série Ouro' cumpre com louvor.

Talvez tenha sido graças a esta combinação de factores que a nova publicação tenha conseguido alguma tracção junto do mesmo público-alvo que 'virara, anos antes, as costas' a 'Top Disney', revista sem tema nem orientação discernível, e vendida quase pelo mesmo preço de um 'Disney Especial'; fossem quais fossem as razões por detrás do seu sucesso, no entanto, a verdade é que 'Série Ouro' mostrou ter alguma longevidade, tendo sido editada quase ininterruptamente durante os sete anos seguintes, e sobrevivendo mesmo à passagem da licença Disney da Abril-Controljornal para a Edimpresa, em 2003 – embora, por esta altura, tivesse já periodicidade bimestral, por oposição a mensal.

No total, foram setenta e três números entre Agosto de 1998 e Novembro de 2005, os quais apresentam todas as qualidades e defeitos desta era da BD Disney, não escapando às inevitáveis histórias produzidas em Itália, e ainda menos ao 'aportuguesamento' das falas de Zé Carioca e Urtigão, com resultados perfeitamente risíveis (no mau sentido). Ainda assim, por comparação com outras edições e colecções da mesma altura, 'Série Ouro' constituiu uma adição perfeitamente válida ao catálogo de uma editora que, à época, parecia não conseguir falhar o alvo, e terá deixado memórias nostálgicas a pelo menos uma parte da considerável base de fãs das bandas desenhadas Disney de finais dos anos 90 e inícios do Novo Milénio.

17.08.23

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-feira, 16 de Agosto de 2023.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os meses de Julho e Agosto continuam, ainda hoje, a marcar o período em que muitas crianças e jovens portugueses vão de férias, e em que outros tantos voltam das mesmas - processo esse que envolve, invariavelmente, longas e aborrecidas viagens de carro ou de transportes públicos até ao destino escolhido. E se, hoje em dia, é relativamente simples mitigar o aborrecimento dos mais novos durante essas deslocações, por intermédio de iPads ou consolas portáteis, nos anos 90, a história era algo diferente - e, apesar da existência dos Game Boy, Game Gear e jogos LCD, os livros e revistas de banda desenhada continuavam a ter um papel preponderante no entretenimento da demografia em causa, nomeadamente através de publicações como o Disney Gigante e o Almanacão de Férias da Turma da Mônica, dois óptimos 'companheiros' para as crianças lusas que partiam em viagem no Verão de 1991.

Quem tinha a sorte de se deslocar ao estrangeiro (ou, pelo menos, de andar de avião) nesse mesmo período, no entanto, dispunha ainda de um terceiro companheiro de viagem, disponibilizado pela companhia aérea nacional TAP. Tratava-se da chamada 'Tap Júnior', uma revista de bordo especificamente dirigida aos mais novos e que contava, entre outros atractivos, com a sempre popular banda desenhada da Disney, então força dominadora nos quiosques de Norte a Sul do País.

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Capa do número 2, única disponível na Web.

Foram pelo menos quatro os números desta revista (ou suplemento) publicados a partir de Julho de 1991, todos com trinta e seis páginas, e cada um com um sortido de histórias (curtas ou mais compridas) do extenso acervo da Abril, algumas das quais chegariam mesmo a sair em outras publicações 'oficiais' da editora. Infelizmente, mais informações são impossíveis de conseguir, já que a revista foi totalmente Esquecida Pela Net, sendo o único registo a sua entrada na 'Bíblia' da Disney, o site I.N.D.U.C.K.S - de onde foi tirada a capa que ilustra esta publicação, único registo desta publicação de que poucos se lembrarão, mas que constituiu uma iniciativa louvável por parte da TAP para distrair os seus passageiros mais novos naquele início dos anos 90.

20.07.23

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O advento da Internet veio ajudar a preservar para sempre, em formato digital, informação sobre a esmagadora maioria dos tópicos alguma vez existentes, desde pessoas e acontecimentos a espécies de flora e fauna e, claro, produtos ou criações mediáticas. Mesmo com o avassalador volume de factos compilados por essa Internet fora, no entanto, o registo não é cem por cento perfeito, e, por vezes, sucede haver um qualquer tópico relativamente ao qual não existe na 'rede' qualquer tipo de informação; normalmente, trata-se de algo de índole mais obscura, mas há também registos, neste mesmo blog, de tal fenómeno ter ocorrido com algo tão inócuo como sumos infantis, iogurtes líquidos, pastas de dentes ou mesmo revistas de banda desenhada, que parecem ter sido sumariamente Esquecidos Pela Net, não sendo possível encontrar mais do que uma ou outra imagem, normalmente oriunda de listagens de vendas em sites como o OLX.

O tópico desta visita ao Quiosque insere-se nesse mesmo grupo, vindo a única prova da sua existência de dois 'listings' do OLX diferentes, os quais partilham, inclusivamente, um número em comum. Trata-se da revista 'Basquetebol', uma publicação especializada aparentemente disponível em inícios dos anos 90 (os números retratados datam de 1992) e que, pelas fotos e 'chamadas' de capa disponiveis, parecia abordar tanto a sempre popular NBA quanto a histórica liga profissional portuguesa, à época impulsionada por nomes como Carlos Lisboa.

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Os quatro únicos números conhecidos da revista (fonte da imagem: OLX.)

De facto, os poucos números que sobreviveram ao teste do tempo dedicam igual espaço de capa a destaques sobre os Jogos Olímpicos daquele ano (onde brilhava, fulgurante, a melhor equipa de basket de todos os tempos, 'movida' pelo génio de um jovem Michael Jordan, ainda longe de contracenar com Bugs Bunny) e à fase de qualificação realizada pela selecção de cadetes portuguesa, ou ainda a equipas como o Estrelas da Avenida, Benfica, Illiabum ou Santarém, apelando assim tanto a fãs das equipas mais conhecidas como aos verdadeiros aficionados e seguidores da 'cena' nacional.

Como curiosidade, o facto de os desportistas retratados nas fotos de capa serem, ainda, jogadores mais 'antigos', como Wilt Chamberlain ou 'Magic' Johnson – algo que pode parecer estranho a um 'puto' de finais dos 90, mais habituado a ver as caras de Jordan, Pippen, Rodman, Shaq ou Charles Barkley nesse tipo de contexto, mas que faz todo o sentido, tendo em conta que esta revista foi publicada quase meia década antes do 'período áureo' desses nomes. Chamberlain, Johnson ou James Worthy (capa do número 3) eram as grandes estrelas da altura, e a sua presença nestas capas (bem como, suspeita-se, nos 'posters' oferecidos no interior de cada edição) terá, certamente, surtido tanto efeito quanto a imagem de Jordan numa publicação semelhante meia dúzia de anos depois.

A falta de mais registos impede, no entanto, quaisquer ilações factuais quanto ao volume de vendas ou sucesso da revista em causa, ou ainda em relação às razões para o seu término, que parece ter-se dado, no máximo, no ano seguinte, 1993. Se, no entanto, tiver havido entre a nossa 'base' de leitores algum assinante ou comprador assíduo da revista, quaisquer informações adicionais serão extremamente bem vindas; até lá, aqui fica a informação possível sobre mais um produto noventista a arquivar na 'gaveta' dos 'Esquecidos Pela Net'...

12.07.23

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Uma das muitas tradições, entretanto perdidas, dos tempos áureos dos 'livros aos quadradinhos' eram os super-almanaques de Verão – edições especiais, normalmente em formato A4, com mais páginas do que as vulgares revistas quinzenais ou mensais (e mais conteúdo que os almanaques e edições 'grossas' normais, visto o formato ser maior) e, muitas vezes, complementados com várias páginas de passatempos, sendo a ideia permitir aos jovens leitores terem não só o que ler, mas também com que entreter o cérebro durante as férias na praia ou no estrangeiro. E se o mais famoso exemplo deste tipo de formato foi o 'Almanacão de Férias' da Turma da Mônica de Mauricio de Sousa, não deixaram de haver, ao longo dos anos, outras tentativas, nomeadamente por parte da Editora Abril, embora nunca com o mesmo sucesso.

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Uma dessas tentativas, lançada há exactos trinta e dois anos (em Julho de 1991) foi o 'Disney Gigante', uma publicação que – à excepção da ausência de passatempos – segue à risca a fórmula para um almanaque deste tipo, apresentando onze histórias e cerca de cento e trinta páginas em formato A4, como forma de justificar o ainda hoje exorbitante preço de 600 escudos (mais tarde 750-800). E a verdade é que, ao contrário de algumas das outras edições da Abril do mesmo período, estes títulos esforçam-se por apresentar aventuras transversais a todo o elenco de personagens habituais nos 'quadradinhos' Disney da altura, extravasando os habituais e inevitáveis núcleos de Mickey e Pato Donald; na primeira edição, por exemplo, couberam histórias de Tico e Teco, Havita, Quincas, Banzé, a dupla de bruxas Maga Patalójika e Madame Min (coadjuvantes frequentes na banda desenhada, embora nem tanto no cânone cinematográfico ou televisivo), e até dos Três Porquinhos e de Dumbo, que contracena com os sobrinhos de Donald (!) em 'Viagem ao Espaço', um daqueles 'crossovers' aleatório e sem grandes alardes frequentes nas revistas Disney da época. Só faltaram mesmo Urtigão e Zé Carioca, o que até acaba por ser positivo, dado poupar os jovens leitores às horríveis versões 'saloia' e 'brazuquesa' dos personagens.

Reside, aliás, precisamente na selecção de histórias o principal ponto de interesse de 'Disney Gigante'; isto porque, além das habituais produções nórdicas, holandesas ou latinas, estes livros incluem, também, pelo menos uma produção do período clássico dos Estúdios Disney, originalmente publicada em 1936 (!!) e criada por dois nomes sonantes da BD Disney da época, o argumentista Ted Osborne e o desenhista Al Taliaferro. No caso, trata-se de uma história com Lobão e os Três Porquinhos que, apesar de destoar notoriamente do estilo gráfico das restantes, acaba por valer o investimento para quem tenha curiosidade em ler produções daquele período (a esses, recomenda-se também a compra do 'Álbum Disney' de Mickey, editado pela Verbo no ano anterior a este 'Disney Gigante', em que todas as histórias incluídas são do período clássico.)

Apesar dos pontos de interesse acima salientados, no entanto, foi curto o tempo de vida de 'Disney Gigante' - o que não deixa de ser surpreendente, dada a margem de manobra da hegemónica Abril à época, que lhe permitia fazer todo o tipo de experiências, muitas delas bem menos válidas do que este almanaque. Ainda assim, para aquilo que foi, 'Disney Gigante' teve o mérito de, pelo menos, se colocar no percentil mais alto da escala de qualidade da Abril, fazendo com que ainda valha a pena adicionar estes volumes à colecção, mesmo três décadas após o seu lançamento – algo de que muito poucos 'livros aos quadradinhos' publicados pela Abril à época (sejam da Disney ou da Marvel e DC) se podem hoje gabar.

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