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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

16.01.24

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Dos programas de que vimos falando desde o início desta rubrica, alguns tiveram ciclos de vida honrosos, outros mais breves; no entanto, à excepção dos espaços informativos e de alguns 'talk shows' e programas da manhã, é raro ver qualquer produto televisivo ultrapassar mais do que alguns anos de vida. Existe, contudo, mais uma excepção a esta regra, 'escondida' nas madrugadas de Domingo e conhecida apenas pelo sector populacional activamente interessado em emissões de cariz religioso, mas que consegue a façanha de se superiorizar, em tempo de vida, a praticamente qualquer outro programa, com excepção dos telejornais – e de o fazer em dois canais diferentes.

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Falamos da Eucaristia Dominical, nome dado, desde sempre, à transmissão ao vivo da missa de Domingo de manhã a partir de diferentes igrejas portuguesas, a qual celebra este ano exactas duas décadas desde o seu aparecimento na grelha televisiva portuguesa, afirmando-se assim como o programa mais antigo da actual grelha da TVI, e um dos mais antigos de toda a televisão portuguesa moderna.

De facto, apesar de não ser exactamente simultânea com o nascimento do quarto canal privado, a Eucaristia Dominical foi, praticamente, sinónima com as manhãs de fim-de-semana do mesmo para toda uma geração de crianças. Isto porque, para quem não tinha interesse no programa, o mesmo representava o último 'obstáculo' entre o jovem espectador e uma manhã inteira de desenhos animados, como era apanágio de qualquer dos quatro canais à época. Isto fazia com que muitos jovens de finais do século XX e inícios do seguinte (e, presume-se, ainda dos dias que correm) aguardassem com ansiedade mal disfarçada o fim da missa e do subsequente programa Oitavo Dia, para se poderem deliciar com os conteúdos especificamente a si dirigidos que se lhes seguiam.

Para quem tinha interesse efectivo no programa, havia ainda o 'bónus' acrescido de poder ouvir a missa de Domingo sem ter de se deslocar à igreja mais próxima, uma característica que a maioria dos portugueses tendia a ignorar, mas que terá, sem dúvida, feito as delícias dos mais idosos e dos cidadãos de mobilidade reduzida, para quem a deslocação devota semanal se afigurava inconveniente, desconfortável, ou mesmo impossível.

Fosse qual fosse o atractivo do programa, o certo é que haverá sempre, num País maioritariamente católico como Portugal, público para uma simples missa televisionada – como a TVI e também a estatal RTP rapidamente viriam a descobrir. Alie-se este facto aos reduzidos custos de produção e facilidade de realização de uma emissão deste tipo, e está explicado o porquê de, aos vinte anos, 'Eucaristia Dominical' estar ao mesmo nível de um Telejornal ou da 'Praça da Alegria' no panteão de programas perenes e imorredouros da televisão portuguesa.

22.05.23

NOTA: Este 'post' é dedicado ao leitor e colega 'bloguista' Pedro Serra, que deixou a sugestão nos nossos comentários.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Embora, hoje em dia, seja conhecida como uma televisão de índole popular (senão mesmo 'popularucha') aquando do seu surgimento há quase exactos trinta anos, a TVI posicionava-se como algo diametralmente oposto: um canal 'bem-comportado', ao estilo RTP2, com uma programação pouco controversa e focada, sobretudo, em conteúdos de índole mais cultural, didáctica e religiosa – ou não fosse a estação de Queluz directamente financiada, em parte, pela Igreja Católica. Naturalmente, esta abordagem estendia-se, também, à programação infantil da emissora, bastando comparar a proposta infanto-juvenil da 'Quatro' nessa primeira fase, 'A Casa do Tio Carlos', com o 'Buereré' da rival SIC para se perceber a diferença de estilos - um paradigma que se manteria, aliás, durante alguns anos, até à chegada de 'Batatoon', esse sim, um concorrente directo ao programa de Ediberto Lima e Ana Malhoa.

De facto, é difícil imaginar a SIC, mesmo a daqueles primeiros tempos, a transmitir algo tão declaradamente pouco laico como 'No Princípio: As Histórias Mais Bonitas', série transmitida pelo quarto canal em 1994 e cuja proposta passava por recontar as histórias do Velho Testamento num formato passível de agradar ao público-alvo – no caso, a animação japonesa, ou 'anime'. Anos antes de 'Zorro', 'Cinderela', 'Robin dos Bosques' e do ex-libris 'Samurai X' – e anos antes de a concorrente de Carnaxide trazer 'Dragon Ball Z' para Portugal e iniciar a maior febre de recreio do século XX no nosso país – já a emissora de Queluz dava os primeiros passos pelo Mundo dos personagens de olhos grandes, embora, novamente, por meio de uma série que os professores de Catequese podiam mostrar aos alunos como complemento educativo, e que contrastava abertamente com os conteúdos comercializantes e voltados à acção exibidos pelas outras televisões.

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Da autoria do mestre Ozamu Tezuka – lenda da primeira 'era' do 'anime', mais conhecido por ter criado os personagens de Astro Boy e Leo, o leão branco, cuja série chegou a passar na RTP e se diz ter inspirado fortemente 'O Rei Leão', da Disney – a série teve co-produção italiana (como acontecia, aliás, com tantas outras no mesmo período) e estreou originalmente em 1991; a Portugal, chegaria apenas três anos mais tarde, em versão dobrada, pela mão da recém-nascida estação independente de Queluz (que a viria, aliás, a repetir dentro de outros três anos, em 1997) tendo mais tarde sido editada, na íntegra, em VHS, pela distribuidora Ediclube, no habitual formato 'um episódio por cassette' que 'estourava' com as finanças de quem procurasse completar a colecção na íntegra – apesar de, neste caso, essa abordagem ser mais justificada do que é habitual, dado cada um dos vinte e seis episódios focar uma história bíblica distinta, podendo a junção de dois ou mais episódios numa só cassette diluir o impacto individual das mesmas.

Independentemente do formato, no entanto, a verdade é que a série chegou a marcar quem a ela assistiu naqueles anos longínquos de infância, possuindo qualidade suficiente para 'converter' até mesmo quem não tinha grande interesse em religião, ou simplesmente não era Católico. Infelizmente, a versão portuguesa transmitida pela TVI encontra-se, hoje, Esquecida Pela Net, encontrando-se os episódios disponíveis no YouTube dobrados em brasileiro ou espanhol; ainda assim, para quem tiver curiosidade ou simplesmente quiser reviver (parcialmente) as manhãs da infância, fica a 'dica...'

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