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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

12.05.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Depois de na última visita ao Quiosque termos falado da primeira tentativa da Planeta deAgostini de lançar cursos de línguas em fascículos, chega hoje a altura de completarmos a nossa análise das publicações deste tipo veiculadas pela editora durante os anos 90, com a segunda e mais frequentemente recordada série de aprendizagem de línguas disponibilizada pela Agostini durante esse período, o bem-sucedido Disney Magic English.

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Lançada em Portugal em 1997 e dirigida, ao contrário do seu antecessor, a um público explicitamente infantil, para o qual tinha atractivos claros em relação à tentativa anterior (basta atentar na licença), a série Magic English propunha-se ensinar os rudimentos da língua inglesa através de um formato baseado em exemplos tanto escritos como audio-visuais. Assim, cada nova entrega da colecção era composta tanto pelo habitual fascículo, com a explicação do tema abordado em cada número e alguns exercícios práticos em formato escrito, como por uma cassette VHS (substituída, em reedições subsequentes, por um DVD) onde excertos de desenhos animados e filmes da Disney ajudavam a cimentar os conceitos expostos na parte escrita; a esperança era de que a combinação dos exercícios do fascículo e dos exemplos práticos incluídos no vídeo ajudasse o aluno a assimilar o vocabulário necessário, tornando-o assim auto-didacta do novo idioma.

O primeiro vídeo da série; os restantes estão disponíveis aqui mesmo, no 'nosso' Sapo

Para além dos fascículos, a série incluía ainda o habitual meio para arrumação dos mesmos (neste caso, uma caixa) e ainda um dicionário de termos em Inglês, para ajudar a cimentar a aprendizagem.

Apesar do objectivo do projecto ser por demais optimista, sobretudo quando aplicado a uma demografia conhecida pela sua reduzida capacidade de atenção e concentração, a verdade é que a colecção Magic English era bem estruturada e pensada, afirmando-se, mais do que como um produto feito 'às três pancadas' para aproveitar a licença milionária, como um excelente auxiliar de estudo para pais e professores que pretendessem iniciar as crianças no estudo da língua inglesa; os excertos utilizados em cada vídeo eram cuidadosamente escolhidos e enquadrados para serem sempre relevantes ao tema em causa, e era mesmo possível aprender algum vocabulário simples em cada cassette ou DVD da série – cujos atractivos começavam, aliás, desde logo no contagiante estribilho do genérico de abertura, que alguns dos leitores deste 'post' estarão, possivelmente, a entoar mentalmente neste preciso momento.

'Have fun with Disney, every day! Have fun with Disney, every day! Have fun with Disney, e-ve-ry DAY!'

Assim, não é de estranhar que a série Magic English tenha feito tanto ou mais sucesso em Portugal do que em qualquer dos outros países onde foi lançada, e seja ainda hoje recordada com carinho pela geração à qual ajudou a ensinar Inglês; e apesar de muito deste sucesso se dever à presença de personagens Disney (as quais ajudavam a mitigar a vertente educativa do projecto) uma parte significativa do mérito deve mesmo ser atribuído aos criadores da série, por terem conseguido criar um produto educativo capaz de agradar e interessar genuinamente ao sempre difícil público a que se destinava - um privilégio normalmente reservado para propriedades como 'Rua Sésamo' e 'Artur'. Só por isso, Magic English já mereceria esta homenagem; o facto de se tratar de um lançamento genuinamente nostálgico apenas a torna duplamente merecedora.

21.04.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Um dos fenómenos mais característicos dos anos 80 e 90, e que se foi gradualmente perdendo nas duas décadas subsequentes, eram as colecções em fascículos; e, nesse campo, um nome se destacava acima de todos os outros: Planeta DeAgostini. O nome da editora espanhola aparecia, invariavelmente, associado a toda e qualquer edição deste tipo a surgir nas bancas portuguesas, transformando-a numa espécie de Panini dos fascículos coleccionáveis, e com o mesmo nível de popularidade.

Um dos factores que mais jogava a favor da Planeta nesse aspecto era a sua abrangência enquanto casa de edição; os temas das colecções propostas pela companhia ibérica durante o seu período áureo iam desde os dinossauros à guerra, passando por raças de cães, automóveis, e até - como veremos nesta série de duas partes - cursos de línguas, um dos quais se conta ainda hoje entre as edições mais memoráveis da Planeta.

Desse, no entanto, falaremos na próxima Quinta no Quiosque; hoje, cabe-nos avaliar a primeira tentativa da editora ibérica para ensinar idiomas ao grande público, através de duas séries de fascículos e cassettes áudio lançadas no início dos anos 90, relativas às línguas inglesa e francesa.

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(Imagem: CustoJusto)

Comercializados com o sempre apelativo epíteto de 'Novo Curso', e destinados a um público maioritariamente adulto, cada um dos conjuntos era composto por nove volumes, cada um constituído por vários fascículos, por sua vez acompanhados de uma cassette áudio com exercícios de pronúncia e audição relativos aos temas abordados naquele fascículo, para que os alunos pudessem praticar; no fundo, uma estrutura muito semelhante à de um tradicional livro escolar, em que cada fascículo representava um capítulo. Esta analogia podia, aliás, ser efectivada através da aquisição das tradicionais capas para guardar ou encadernar os fascículos, habituais entre as colecções da editora.

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Em termos de conteúdo, estes cursos nada ficavam a dever aos 'verdadeiros', embora tivesse a natural desvantagem de obrigar ao auto-didatismo, não sendo, por isso, especialmente benéfico ou propício a alunos que retirem mais proveito de ambientes de sala de aula, ou do acompanhamento de um tutor privado; para esses, estes fascículos talvez servissem como um bom complemento, ou forma de manter a matéria das aulas 'fresca' na memória, mas pouco valor teriam enquanto materiais únicos do aprendizado.

Ainda assim, a julgar pela frequência com que se encontram em sites como o OLX, estes cursos em fascículos terão, na sua época, tido sucesso suficiente para motivar a Planeta DeAgostini a realizar uma segunda incursão pelo universo dos cursos de línguas, desta vez com foco declarado no público infanto-juvenil, e com uma conhecidíssima licença como incentivo à compra; e os resultados (como veremos daqui a sensivelmente três semanas) foram, quase literalmente, 'Mágicos'...

31.03.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes mencionámos o fascínio que a juventude da década de 90 nutria pelos desportos radicais – perfeitamente ilustrada pelo sucesso não só de meios de locomoção como o skate, os patins em linha ou a BMX, mas também pelo sucesso do primeiro programa nacional inteiramente dedicado a este tipo de modalidade, o lendário Portugal Radical, que teve inclusivamente direito a uma versão em revista e a CD's de banda sonora lançados pelas principais editoras discográficas portuguesas.

Os desportos praticados na água não ficavam, de todo, de fora deste leque – antes pelo contrário, o 'surf', o 'bodyboard' e os seus 'parentes' menos famosos eram tão ou mais aliciantes para os jovens portugueses de finais do século XX e inícios do seguinte como qualquer dos desportos 'terrestres', como o demonstra a popularidade de toda e qualquer  marca de vestuário alusiva a esse tipo de modalidade. Mais - ao passo que estes se tinham de contentar com 'clipes' no Portugal Radical e um ou outro jogo para PlayStation ou Nintendo 64 como forma de se 'mostrarem' ao público-alvo nacional, os desportos aquáticos gozavam, cada um, de várias publicações especializadas, exclusivamente dedicadas a noticiar os mais recentes desenvolvimentos e eventos no seio de cada modalidade.

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No caso do 'surf', essa tarefa cabia, durante os anos 90, à Surf Magazine, uma daquelas publicações cujo conteúdo ficava bem explícito logo a partir do título: eram páginas atrás de páginas dedicadas à divulgação de novas pranchas, cobertura de eventos especializados, apresentação do perfil de alguns dos principais nomes da modalidade, e, claro, os inevitáveis concursos, ainda e sempre parte integrante de qualquer publicação comercial. Com um grafismo estranhamente sóbrio para uma publicação dedicada ao 'surf' e lançada em inícios de 90 – quando imperavam, na sociedade em geral, os padrões chamativos e cheios de contrastes entre cores pastel e 'neon' de fazer doer os olhos – a Surf afirmava-se, desde logo, como uma publicação sóbria, que tratava tanto os praticantes como os adeptos deste desporto de forma séria, e que não descurava a cobertura de outros elementos culturais populares entre a sua demografia-alvo, como a música; talvez por isso a publicação tenha conseguido ultrapassar a marca da década e meia de vida nas bancas, do seu lançamento em 1987 até à eventual extinção em 2003.

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Edição de 1992 da Surf Portugal, ainda com o grafismo mais vibrante

Por muito impressionante que essa marca fosse, no entanto – e era – outra ainda mais admirável foi estabelecida pela principal 'concorrente' da Surf Magazine nas bancas noventistas, a Surf Portugal. De conteúdo muito semelhante à da 'rival' (não é, afinal de contas, possível expandir muito sobre o conceito de uma única modalidade desportiva) esta publicação terá, presumivelmente, encetado com a Surf Magazine uma relação semelhante à que, no final da década, se verificaria no mundo da imprensa de jogos de vídeo, com as famosas Mega Score e BGamer – sendo que a 'Surf Portugal' tinha o atractivo extra de, nos primeiros anos, ter lançado calendários anuais, que os fãs da modalidade certamente apreciariam poder ter na parede.

De destacar, ainda, o grafismo mais 'radical' dos primeiros anos desta revista – mais na linha do que se esperaria, tendo em conta o tema e o público-alvo – o qual rapidamente se transmutaria em algo bem mais sóbrio e adulto, presumivelmente como forma de ser levada mais 'a sério', ou apenas de competir com a rival. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que esta abordagem claramente resultou, levando a quase três décadas de publicação ininterrupta – uma marca impensável para a maioria das revistas especializadas, e ainda mais para as que versam sobre interesses 'de nicho'.

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Número de 1993, já com o grafismo mais sóbrio

No final desta análise, fica a sensação de que, entre elas, as duas revistas de surf portuguesas terão feito as delícias dos adeptos da modalidade, que certamente apreciariam a possibilidade de escolher entre duas fontes de informação sobre o seu desporto favorito.

Não era apenas o 'surf' que tinha direito a representação nos quiosques e tabacarias nacionais, no entanto; o 'irmão pequeno' desta modalidade, o 'bodyboard', também contava com mais do que uma publicação disponível durante a época a que este texto respeita.

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Exemplo dos diversos grafismos da Vert magazine ao longo das décadas

Destas, a mais famosa era a ainda resistente Vert Magazine, a auto-proclamada 'Bíblia do bodyboard nacional', que continua até hoje a servir como elo de ligação entre os membros da 'triBBo' e a sua modalidade de eleição, apresentando toda a gama de artigos acima discutidos aquando da análise às publicações de 'surf' e – como estas – assentando num grafismo sóbrio e abordagem séria à modalidade, que qualquer entusiasta certamente apreciará – um facto, aliás, corroborado pela longevidade da revista, cujo ciclo de publicação caminha também já a passos largos para as três décadas.

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Como acontecia no caso do 'surf', também a referência do 'bodyboard' nacional tinha, na década em causa, concorrência à altura, sob a forma da explicitamente intitulada Body Board Portugal. De conteúdo bastante semelhante ao da rival – como também acontecia com as duas publicações dedicadas ao 'surf' - esta revista destaca-se, no entanto, por ser a única a aderir (ainda que apenas ocasionalmente) aos 'clichés' visuais normalmente associados aos desportos radicais da época – como o comprova a caveira demoníaca e puramente 'heavy metal' que se afadiga a tentar engolir o logotipo da capa do número da revista que abaixo reproduzimos... Ainda assim, tais ocorrências pautavam-se por excepções, sendo o grafismo, no cômputo geral, tão discreto como o de qualquer das outras revistas de que aqui falámos nos parágrafos anteriores.

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Em suma, os adeptos de 'surf' e 'bodyboard' dos anos 80, 90 e 2000 tinham, no que toca a publicações especializadas, tantas e tão boas opções como os entusiastas de carros ou motociclos – e mais do que os da maioria dos outros 'hobbies', como por exemplo a música. Uma situação, aliás, que se manteve no novo milénio, com o aparecimento de ainda mais publicações alusivas a estas duas modalidades – algumas, aliás, ainda existentes - embora nenhuma tão longeva quanto as analisadas neste post; ainda assim, mais uma prova de que a referida era foi mesmo a época de ouro dos desportos radicais...

10.03.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

A relutância da população portuguesa (e mundial, em geral) por se dedicar à leitura é um problema que vem sendo debatido por especialistas há já várias décadas, ao mesmo tempo que têm lugar inúmeras iniciativas – oficiais ou oficiosas – para tentar alterar esta situação, tanto da parte de entidades oficiais ou estatais, quanto privadas.

De entre as privadas, destaca-se (ou destacou-se, nos anos 80 e 90) um nome: Reader's Digest. A companhia norte-americana, fundada no início dos anos 20 com o conceito de dstribuir por correspondência revistas com o tema da leitura, conheceu êxito absoluto, quase meio século depois, nos países de língua oficial portuguesa, nomeadamente no Brasil e em Portugal, onde a revista penetrou, como tantas outras, por via da importação, mas onde atingiu sucesso suficiente para justificar um escritório de redacção próprio, a partir de finais dos anos 80.

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A revista Seleções, o principal título editado pela companhia

De facto, eram muitos os lares onde, periodicamente, chegavam pelo correio tanto a histórica revista Seleções (com o seu característico formato, mais pequeno e 'gordo' do que as tradicionais revistas portuguesas, e mais próximo dos 'gibis' infantis tão populares à época) como os não menos icónicos livros, que ofereciam versões 'condensadas' de clássicos da literatura, com foco no enredo e a maioria dos pormenores e descrições removidos – ou seja, mesmo à medida de quem não tinha grande apetência para a leitura, e só queria 'saber a história' sem ter de se preocupar com a 'palha'.

Esta abordagem foi, aliás, um dos grandes impulsionadores da 'fórmula' da Reader's Digest, que soube como cultivar o seu público-alvo sem por isso deixar de lhe dar o que este queria. Por intermédio do seu serviço de assinatura, esta companhia terá sido responsável por pôr muita gente que não gostava de ler a fazer precisamente isso, e familiarizado muitos desses mesmos leitores relutantes com alguns dos principais clássicos da literatura mundial – mesmo que em versão resumida e simplificada.

O sucesso desta mesma fórmula foi tanto, aliás, que a Reader's Digest continua firmemente implementada em Portugal, onde acaba de entrar na sua quarta década de existência; e apesar de os livros terem mudado um pouco de cariz – hoje em dia, a editora oferece sobretudo volumes de cariz cultural generalista ou centrados na saúde e bem-estar – continua ainda hoje a ser possível assinar e receber em casa a tradicional revista. Se os conteúdos também terão mudado permanece uma incógnita - provavelmente, terá mesmo sido esse o caso - mas não deixa de ser bom saber que um dos esteios da cultura portuguesa dos anos 90 (em todos os sentidos da palavra) continua vivo e de boa saúde até hoje...

18.02.22

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2022.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

NOTA: Este post não pretende promover qualquer ideologia religiosa, destinando-se, tão-somente, a recordar uma publicação que, coincidentalmente, tem ligações a determinada fé. 

Embora as escolas públicas sejam (ou devam ser) um espaço onde as crianças são livres de desenvolver as suas próprias ideologias sociais e religiosas, tal não impediu que, nos anos 90, houvesse uma tentativa de fazer com que as crianças portuguesas compreendessem, especificamente, a religião católica, nomeadamente através das aulas de Educação Moral e Religiosa Católica, que muitas escolas primárias incluíam no seu horário lectivo semanal; verdade seja dita, no entanto, aquelas horas semanais tendiam, muitas vezes, a focar assuntos que se podiam considerar do foro laico – como era o caso da cidadania, do respeito ao próximo ou da problemática da liberdade 'versus' libertinagem, por exemplo – e que era importante incutir nas crianças logo a partir de tenra idade, seguissem elas ou não a religião cristã e católica.

Era precisamente este princípio – ensinar princípios, não só cristãos como de sociabilidade geral, de forma descomprometida e divertida – que informava, na mesma época, uma publicação oriunda do Brasil, e disponível em Portugal exclusivamente através de assinatura, normalmente contraída, precisamente, em ambiente escolar: a famosa revista Nosso Amiguinho.

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Edição de  Novembro de 1986 da revista, distribuído numa escola primária de Lisboa cerca de meia década depois, como 'amostra grátis' durante uma campanha de angariação de assinaturas

Concebida em 1952 pelo editor Miguel J. Malty, a revista vem, desde então, sendo ininterruptamente publicada pela Casa Publicadora Brasileira, uma editora ligada à Igreja Adventista do Sétimo Dia, uma das fés mais populares naquele país. No total, são já setenta anos em que (à parte as habituais adaptações ao correr dos tempos, como a passagem de uma para várias cores) a revista manteve, grosso modo, o mesmo formato – uma mistura de banda desenhada, passatempos, receitas, curiosidades e, claro, transmissão de valores morais, éticos e comportamentais associados à religião em causa,. No papel de anfitriões (e, muitas vezes, receptores) neste processo de aprendizagem encontrava-se a Turma do Noguinho, um conjunto de personagens infantis criados em 1972 pelo então editor Ivn Schimidt e pelo desenhador uruguaio Heber Pintos que pretendia ser a resposta religiosa a outras 'turmas' super-populares da banda desenhada secular brasileira da época, como a da Mônica, dos Trapalhões ou do Menino Maluquinho. E apesar de os conteúdos da Nosso Amiguinho não terem (obviamente) o elemento humorístico e politicamente incorrecto que fazia com que esses trabalhos fossem tão apreciados pelo público-alvo, a verdade é que os mesmos conseguiram suficiente popularidade junto do mesmo para manter a revista no mercado durante as referidas sete décadas.

Na verdade, mesmo para quem não é Adventista de Sétimo Dia, a revista lê-se (ou, pelo menos, lia-se, nos anos 90) extremamente bem, embora os seus conteúdos não escapem – nem queiram escapar – àquele tom levemente moralista demais, que pode (e poderá) ter levado alguns a torcer o nariz à revista, tanto à época como nos dias de hoje. O preço da assinatura (que chegava a ser mais cara do que a de algumas revistas equivalentes do mercado secular) terá sido o outro principal entrave à expansão da revista no mercado português, onde penetrou em 1986, e onde permanece firme (ainda que apenas num pequeno nicho, conforme descrito acima) até aos dias de hoje.

De facto, a Nosso Amiguinho continua, hoje, a seguir 'de vento em popa', tendo actualmente o atractivo adicional de poder ser assinada directamente online, sem recurso ao mediador escolar, e continuando a oferecer a pais afectos à religião em causa (e a outros a quem a declarada afiliação religiosa não incomode) um meio de transmitir aos seus filhos em idade escolar básica mensagens e conceitos importantes, de uma forma divertida – isto, claro, se tiverem dinheiro para a assinatura...

27.01.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Numa altura em que a música portuguesa viva um dos seus mais notáveis 'estados de graça' desde o tempo da ditadura – com um número impressionante de novos grupos e artistas a surgir ou a estabelecerem-se em todos os estilos – não é, de todo, de espantar que uma grande parte da população jovem nacional tenha desenvolvido ambições e sonhos de grandeza musical no instrumento da sua preferência. A educação musical básica adquirida na escola passava a ser manifestamente insuficiente – afinal de contas, Ian Anderson, dos Jethro Tull, continua ainda hoje a ser o único roqueiro a ficar famoso pela prática da flauta – e as escolas de música enchiam-se de jovens aspirantes a Joe Satriani, Steve Harris ou Dave Lombardo, ansiosos por aperfeiçoar a sua técnica para emular os seus ídolos e, com sorte, fazer carreira em nome próprio.

Sendo este o paradigma vigente, não foi de todo surpreendente que, já na recta final do século XX e do segundo milénio (mais concretamente, no dealbar do ano de 1997), tenha surgido nas bancas nacionais uma revista especificamente dedicada a estes aspirantes a músicos – nem tão-pouco que a mesma tenha conseguido durar uns honrosos quatro anos, e divulgar os seus artigos tanto técnicos como generalistas também junto dos profissionais e amadores de música do novo milénio.

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Exemplos de capas da revista

E a verdade é que, à época, não existia em Portugal nenhuma revista como a Promúsica. A grande referência do jornalismo musical nacional – o jornal Blitz – tinha um carácter exclusivamente generalista, e as revistas que propunham um tipo de conteúdo mais técnico eram, invariavelmente, importadas – e, como tal, mais caras e de distribuição muito mais limitada. A criação de uma publicação deste tipo totalmente produzida dentro de portas permitia a músicos fora dos centros urbanos conseguir uma revista à sua medida, todos os meses, e sem ter que 'abrir os cordões à bolsa'. A revista, bem ciente desta exclusividade de mercado, apostava assim, quase exclusivamente, na vertente técnica e profissionalizante do universo da música, deixando em segundo plano as habituais entrevistas e perfis de bandas (embora essas também fizessem parte, bem entendido) em favor de testes e análises técnicas a instrumentos musicais, divulgação de fabricantes nacionais dos mesmos, notícias com foco nos 'bastidores' do ramo, e outros conteúdos destnados a fornecer informação directa sobre o mundo da música a quem ela mais interessava.

Este foco na vertente técnica e na divulgação de novos artistas não se ficava, tão-pouco, pelas páginas da revista em si, antes pelo contrário – um dos maiores atractivos da Promúsica eram precisamente as colectâneas em CD que oferecia com cada número, e através das quais divulgava alguns dos mais promissores artistas contemporâneos nacionais, ao mesmo tempo que oferecia exemplos 'auditivos' ou interactivos de alguns dos instrumentos, equipamentos e programas testados no interior da publicação. Um acrescento de cariz dois-em-um portanto, e que tornava a revista atractiva tanto para os músicos a quem se destinava como, simplesmente, para os entusiastas da boa música portuguesa, para quem estes CD's justificavam, só por si, o preço de venda.

Em suma, embora sem a longevidade de algumas das suas congéneres internacionais, a Promúsica marcou época entre um determinado segmento da população jovem portuguesa de finais do século XX e inícios do seguinte; e ainda que menos abrangente, em termos de público, do que outras publicações especializadas (como a Mega Score ou o próprio Blitz) terá, ainda assim, deixado saudades dentro dessa mesma demografia, a quem certamente agradará recordar a publicação que os acompanhou no seu percurso musical à época. Aqui fica, pois, essa homenagem a um tipo de publicação que, nesta era digital em que tudo é acessível, deixou totalmente de fazer sentido, mas que em tempos representou praticamente a única fonte de acesso a informação verdadeiramente interessante e relevante em relação ao mundo da música em Portugal...

06.01.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O segmento adolescente é, tradicionalmente, um dos mais directamente desejados pela maioria das companhias de venda e criação de produtos, seja qual for o sector. Armados com dinheiro próprio, ao contrário do público infantil, e sem despesas obrigatórias em que o gastar – além dos impulsos e desejos ainda por refrear e das emoções constantemente à flor da pele – este segmento de mercado é um dos que mais gastos não-essenciais faz, pelo que não é de admirar que, ano após ano, surjam inúmeros produtos exclusivamente a eles dedicados.

Nos anos 90, antes do advento da Internet e do subsequente acesso directo a toda e qualquer informação desejada (bem, excepto imagens de certos produtos de época que ninguém se lembrou de registar...) um dos mais prolíferos sectores no que toca a produções dirigidas em específico a adolescentes era a imprensa. Ainda sem 'smartphones' nem 'websites' de onde extrair a informação (o píncaro da tecnologia móvel no final dos 90s ainda eram os telemóveis Nokia, e os sites ainda consistiam de 'layouts' básicos, em cores berrantes, e com muitos 'gif's à mistura) os adolescentes procuravam nas bancas as últimas novidades sobre os temas que mais lhes interessavam – e a imprensa oferecia-lhes precisamente o que procuravam. Dos videojogos à música e do desporto às 'fofocas' sobre celebridades atraentes, os quiosques e tabacarias portugueses dos anos 90 tinham de tudo um pouco para agradar aos jovens, e a maioria das publicações desta era da imprensa portuguesa tiveram ciclos de vida de vários anos, senão mesmo décadas, acabando por ter como carrasco, precisamente, a Internet 2.0.

Um destes títulos, que encerrou funções em 2018 após honrosos quinze anos de publicação, foi a versão portuguesa da revista 'Ragazza', um conceito originalmente idealizado em Espanha (e não em Itália, como se poderia pensar) e que se posicionava, em termos simples, como a resposta a publicações como a 'Cosmopolitan' para um público adolescente.

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Capa de uma edição moderna da versão portuguesa da revista

Lançada em Portugal em 1993, e recheada, mês após mês, com exactamente o tipo de artigos em que se pensa quando se pensa neste tipo de revistas – de supostos 'truques' para atrair o sexo oposto a artigos com conselhos sobre saúde ou moda, passando pelos inevitáveis 'posters' de artistas bem-parecidos e pela ainda menos evitável secção de cartas das leitoras – a 'Ragazza' servia, para grande parte do seu público, como um complemento ao binómio 'Super Pop' e 'Bravo', na altura ainda importadas dos respectivos países de origem, e cujos conteúdos tendiam a ser bem mais leves e superficiais; já a 'Ragazza' conseguia combinar essa leviandade com temas bem mais sérios, mas nem por isso de menos interesse para um público ávido de conselhos, e que, regra geral, tendia a não confiar nos adultos que lhe eram próximos para os elucidar.

Não é, pois, de estranhar, que a revista tenha sido um verdadeiro sucesso de vendas à época do seu lançamento, conseguindo um nível de tracção entre a demografia-alvo (e, consequentemente, de sucesso e longevidade) a que nenhuma das suas duas concorrentes directas à época do lançamento conseguiu alguma vez almejar. Prova disso é que não existe, na Internet actual, qualquer vestígio da '20 Anos', e o artigo da Wikipédia relativo à 'Teenager' consiste de...uma linha, que menciona apenas as datas de início e fim da publicação e o nome do editor: já a ´Ragazza´ tem páginas e blogs a si dedicados, maioritariamente por ex-leitoras desiludidas com o encerramento da publicação.

A esses memoriais junta-se agora mais este, por parte de alguém que, apesar de fazer parte da metade errada da população humana para alguma vez ter lido sequer uma linha desta publicação (ainda mais à época!), nem por isso deixa de reconhecer a influência e importância, no contexto da imprensa juvenil nacional de finais do século XX e inícios do seguinte, de uma revista que, mesmo tendo sido descontinuada, continua ainda assim a viver nas mentes e nos corações das suas antigas leitoras.

17.12.21

Nota: Este post é respeitante a Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Numa era em que quase todo o conteúdo é consumido por via digital, pode custar a acreditar que, num passado não muito distante, um dos principais meios pelos quais o público infanto-juvenil consumia 'novidades' sobre as suas propriedades favoritas era através da leitura, quer de publicações generalistas, quer de outras especificamente dedicadas ao assunto ou artista em causa. E destas últimas, em particular, havia mesmo muitas entre meados e finais dos anos 90 - de publicações centradas em torno de personagens fictícias como a Barbie a complementos a programas televisivos, como a Rua Sésamo e o Batatoon, ou revistas com origem em clubes de fãs, como a do Rik e Rok, havia muito por onde escolher para uma criança dos anos 90 com interesse na cultura 'pop' ou em curiosidades generalistas apropriadas à sua faixa etária.

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A revista 'Batatoon', uma das mais bem-sucedidas publicações infantis dos anos 90

A estrutura destas revistas era, regra geral, muito semelhante - havia, normalmente, a referida secção de curiosidades, uma de passatempos (quer do tipo para completar na própria revista, ao estilo quebra-cabeças, quer do tipo em que se ganhavam prémios ao enviar uma frase ou responder a uma pergunta), uma de banda desenhada (própria ou 'licenciada') e outra alusiva à propriedade que encabeçava a revista - afinal, havia que vender o peixe... As revistas mais 'sofisticadas' teriam ainda, provavelmente, uma entrevista com uma qualquer personalidade, ou páginas centrais temáticas, enquanto as menos ambiciosas preencheriam o restante espaço com testes de personalidade ou artigos 'descartáveis' relacionados aos problemas do público-alvo. Uma receita simples, mas que dava invariavelmente bons resultados - que o digam as referidas revistas da Barbie e Batatoon, que, sem atingirem a longevidade de uma Bravo ou Super Jovem, conseguiram ter uma 'vida' relativamente digna nas prateleiras portuguesas.

À medida que o Mundo se ia tornando cada vez mais digital, no entanto, estas revistas acabaram, naturalmente, por perder espaço, até se tornarem em meras 'relíquias' nostálgicas - uma situação que, infelizmente, não dá sinais de se inverter num futuro próximo, antes pelo contrário. Ainda assim, estas revistas marcaram época, e quem as leu certamente terá delas boas memórias, justificando portanto a 'lembrança' aqui no blog...

26.11.21

Nota: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Novembro de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Apesar da variedade e qualidade das publicações periódicas dos anos 90 – que se estendiam de revistas sobre jogos de computador ou ciência a um jornal de música – a imagem que vem imediatamente à mente da maioria das ex-crianças ou jovens daquela época ao ouvir falar em 'revistas' será, quase certamente, uma qualquer capa de uma das muitas publicações semanais que ofereciam uma mistura de informações sobre a programação televisiva naquela semana com muitos, muitos artigos dedicados a 'fofocas' sobre as celebridades do momento; títulos tão icónicos quanto a TV Guia, TV 7 Dias, Nova Gente ou Maria, que pareciam 'habitar' nas mesas dos consultórios médicos ou na casa de familiares, sempre prontas a serem folheadas num momento de maior ócio, em que não houvesse nada melhor para fazer.

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Exemplos do grafismo da TV Guia em finais dos anos 80 e inícios de 90

Embora muito semelhantes, tanto estruturalmente como a nível de temáticas, estas publicações dividiam-se, ainda assim, em dois grandes grupos – de um lado, as mais declaradamente dedicadas ao jornalismo cor-de-rosa (onde se destacavam a Maria, a Ana, e a Nova Gente) e do outro, as que procuravam servir, em primeira instância, como um verdadeiro guia de programação, sendo a vertente de 'fofocas' secundária, caso da TV Guia, TV 7 Dias ou ainda da TV Mais. Não que as revistas pertencentes a este último grupo não tivessem páginas atrás de páginas dedicadas à vida dos famosos, que tinham; no entanto, as mesmas traziam, também, artigos de outro tipo, desde pequenas notícias mais sérias a peças sobre alguns dos filmes que iriam passar na televisão nessa semana, ou que se encontravam em exibição no cinema à data de publicação, entrevistas a actores e personalidades, notícias sobre desporto, ou o principal atractivo para a geração que lê este blog, os destacáveis.

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Exemplo dos conteúdos menos 'cor de rosa' proporcionado por revistas como a TV Guia

Parte tradicionalmente integrante das revistas sobre televisão desta época – sobretudo da TV Guia – os destacáveis tomavam mais frequentemente a forma de 'posters' de temas variados, que podiam ir desde uma foto de um actor ou de desportistas a uma cena retirada de uma série popular (por aqui, ficaram especialmente na memória os 'posters' do Bart Simpson a escrever no quadro, e do Sporting vencedor da Taça de Portugal 1994/95, ambos os quais tiveram lugar cativo na parede até a fita-cola secar.) No entanto, a referida TV Guia ganhava também pontos por oferecer 'capas' para filmes, que permitiam transformar uma qualquer 'cassette' gravada da televisão num 'facsimile' da fita comercial do respectivo filme, completa com texto de resumo nas costas e o título na lombada – uma solução extremamente apelativa numa altura em que a maioria dos filmes em VHS era mesmo gravado directamente a partir da transmissão televisiva, dado o preço algo proibitivo dos vídeos comerciais. Esta é, aliás a vertente pela qual a TV Guia 'clássica' mais é lembrada hoje em dia pela geração de 80 e 90, que muito e bom uso fez da mesma.

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Depois de postas nas caixas, as capas da TV Guia eram virtualmente indistinguíveis das dos lançamentos comerciais

Hoje em dia, a maioria destas revistas continua a ser publicada, e a encontrar o seu 'habitat' natural em salões de beleza e consultórios médicos por esse Portugal fora, ao lado de publicações como a Caras e a tradicional Hola!; no entanto, qualquer das mesmas é uma mera 'sombra' do que foi nos anos 90, reflectindo a mudança de paradigma introduzido pela Internet 2.0, e que teve um impacto considerável sobre os meios de comunicação tradicionais. Para quem cresceu com estas revistas resta, portanto, recorrer à memória do que costumavam ser, e às recordações de as folhear no médico, no salão de beleza ou em casa da avó...

 

04.11.21

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O ano de 1994 viu grande parte das crianças e jovens portugueses desenvolver uma verdadeira obsessão por dinossauros, as míticas criaturas pré-históricas relançadas na cultura popular pelo filme Parque Jurássico, um dos maiores êxitos de bilheteira – senão mesmo o maior – do ano anterior. Tendo a dita película encontrado grande parte do seu sucesso entre o público mais jovem, sobretudo o do sexo masculino, não foi portanto de surpreender que, durante os meses que se seguiram à sua exibição nos cinemas portugueses, essa mesma fatia de público tenha procurado coleccionar tantos objectos alusivos ao filme e à sua temática quanto possível. Fossem réplicas de dinossauros em borracha, livros sobre a vida destas criaturas ou até kits de escavação de fósseis, tudo o que se relacionasse com dinossauros ou com a pré-História em geral tinha sucesso quase garantido naquele ano de 1994.

No campo das publicações periódicas, o panorama não se afigurava por aí além diferente, pelo que a aposta de pelo menos uma editora neste autêntico filão de vendas também não se afigurou como por aí além surpreendente. A editora em causa foi a Planeta deAgostini, que aproveitou a deixa para acrescentar uma publicação sobre dinossauros ao seu já vasto leque de lançamentos pedagógicos, cursos de línguas e enciclopédias em fascículos semanais, 'adocicando-a' com um atractivo irresistível para os jovens da altura, e que garantiu que pelo menos o primeiro fascículo da série fosse um retumbante sucesso.

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Alguns dos muitos fascículos da série

Simplesmente intitulada 'Dinossauros!', esta série (originalmente oriunda do Reino Unido, onde fora criada pela Orbis Publishing) chegava às bancas na crista da onda da 'dinomania', oferecendo a quem coleccionasse todos os fascículos, não um, mas DOIS pontos de interesse; por um lado, a possibilidade de juntar todos os diferentes 'ossos' necessários à construção de um esqueleto-modelo de dinossauro, e por outro, o atractivo adicional de cada número incluir duas páginas com imagens em 3D, as quais podiam ser visualizadas com recurso aos óculos especiais oferecidos com o primeiro volume. Uma oportunidade bem aproveitada, portanto, para explorar não apenas a 'febre' dos dinossauros, mas ainda a do 3D, que na altura também grassava entre os jovens de todo o Mundo.

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Alguns dos brindes e acessórios oferecidos com a série

Qualquer conjugação destes dois elementos tinha enormes probabilidades de ser bem-sucedida, e no caso da dino-colecção da Agostini, foi exactamente isso que aconteceu, com muitas crianças a adquirirem, pelo menos, o volume inicial da série, o qual – como também era hábito naquela época – foi sujeito a uma oferta de lançamento, disponibilizando elementos extra pelo preço-base dos fascículos; a estratégia, como também era hábito, resultou em cheio, e aquele primeiro número, com o sempre popular T-Rex na capa, constituiu, à época, presença habitual nos quartos de crianças e jovens de Norte a Sul do País. Já os restantes fascículos eram comparativamente mais caros, ficando por isso reservados apenas aos mais fanáticos, e com mais dinheiro (e tempo) para gastar neste tipo de coleccionismo – o que, tendo em conta os níveis de concentração e atenção da criança média (tanto daquele tempo como de agora) poderá ter reduzido consideravelmente a dimensão do público-alvo desta série do número 2 em diante...

Ainda assim, esta foi uma colecção suficientemente memorável e temporã para justificar a inclusão neste blog nostálgico, cujo criador era, à época, da idade, sexo e persuasão ideais para sucumbir aos encantos de uma iniciativa como esta - tendo, como tal (e como muitos outros) tido em casa aquele primeiro fascículo da série...

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