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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

09.01.26

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-Feira, 08 e Quinta-feira, 09 de Janeiro de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Em tempos, falámos nesta mesma rubrica das tirinhas de BD norte-americanas, presentes na vida de muitos jovens portugueses de fins dos anos 90 principalmente através de múltiplos álbuns publicados pelas mais diversas editoras, mas também, memoravelmente, nas páginas de muitos jornais e periódicos publicados em território nacional à época.

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O 'Público' albergou, durante anos, a mais famosa e icónica tirinha de BD de jornal em território nacional.

De facto, serão poucos os 'trintões' e 'quarentões' portugueses que não se lembrem de ler, nas páginas traseiras ou suplementos infantis do 'Público' ou dos dois 'Notícias', tirinhas de séries tão populares como 'Calvin & Hobbes' ou 'Zits', sem esquecer 'Cathy', presente semanalmente no suplemento de Sábado do 'Correio da Manhã'. Mais – a escolha de 'tirinhas' não se ficava pelos Estados Unidos, tendo muitos autores portugueses encontrado também o seu espaço nas páginas de jornais e revistas de finais do século XX; o exemplo mais famoso deste paradigma continua, aliás, a marcar presença diariamente no canto superior direito da página traseira do jornal 'A Bola', onde o eterno barbeiro ironiza sobre o assunto desportivo do dia com o seu sempre conivente cliente enquanto lhe faz a 'Barba e Cabelo'.

Apesar deste exemplo perene, e de outros surgidos durante os primeiros anos do século XXI – como os trabalhos do brasileiro Angeli na revista musical 'Rock Sound' – a presença de tiras de BD nos periódicos portugueses diminuiu abruptamente, e a pique, nas décadas subsequentes, sendo hoje praticamente nula. Quem viveu aqueles tempos há trinta anos atrás, no entanto, não pode evitar sentir alguma nostalgia pela presença dos 'amigos' Calvin & Hobbes, Jeremy ou Cathy na página do costume, oferecendo-lhes um 'cantinho' onde se 'resguardar' das temáticas adultas do resto do jornal...

13.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 10 e Quinta-Feira, 11 de Dezembro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por várias vezes no passado recordámos autores de banda desenhada nacionais cujas carreiras lhes outorgaram maior ou menor grau de sucesso quer a nível nacional, quer internacional; agora, chega a vez de juntar a essa lista um criador cujo trabalho foi feito sobretudo 'nas sombras', mas sem o qual muitos dos nomes já aqui falados talvez nunca tivessem conseguido fazer despontar a sua carreira.

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Falamos de Carlos Alberto Gonçalves, fundador e presidente do Clube Português de Banda Desenhada (cujo boletim também chefiou nos primeiros anos) que, ao mesmo tempo, exercia também funções no Correio da Manhã, tornando esta Quarta aos Quadradinhos também numa Quinta no Quiosque. E a verdade é que esta associação a um periódico de referência foi altamente benéfica para a BD portuguesa como um todo, já que, ao longo das quase duas décadas que passou naquele órgão de comunicação, Gonçalves esforçou-se por dar a conhecer nomes da cena, através de entrevistas e peças especializadas, tendo-lhes assim oferecido um 'palco' mais alargado e, potencialmente, novos leitores e seguidores, o que justifica a afirmação feita no parágrafo inicial deste texto. Este 'serviço de utilidade pública' estendia-se, aliás, também ao Diário Popular e à revista 'História', onde o jornalista e artista chegou a publicar uma série de artigos alusivos à História da banda desenhada em Portugal, e outra referente ao papel das mulheres na mesma.

Nem só de divulgação se ocupava Carlos Gonçalves, no entanto, já que o mesmo chegaria, ele próprio, a editar uma 'fanzine' nos anos de viragem do Milénio, ainda que esta não tenha passado dos oito números. Além disso, o seu nome surge frequentemente ligado a festivais e concursos de BD nacionais, normalmente na qualidade de organizador ou júri, posição em que pode fazer uso dos seus vastos conhecimentos e experiência no campo para aconselhar e criticar construtivamente jovens artistas – no fundo, uma extensão natural do trabalho que vem desenvolvendo desde os inícios de carreira, e que lhe vale o título de 'cronista' da banda desenhada nacional.

21.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 20 de Novembro de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Embora, por razões óbvias, 'escapasse' ao 'radar' dos leitores mais jovens, o sector económico estava, em finais do século XX, tão bem representado na imprensa portuguesa como qualquer outro, com dois periódicos de referência a manterem sã competição, até um deles se ter visto forçado a 'retirar-se' da 'corrida', e o outro ter mudado o seu foco (como tantas outras publicações) para uma vertente exclusivamente digital. Entre 1998 e 2016, no entanto, quem trabalhava no sector financeiro – ou simplesmente se interessava por questões do foro económico e empresarial – tinha à escolha duas excelentes e muito fidedignas fontes de informação especializada.

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A primeira destas, o Diário Económico, surgia em 1989, no formato conhecido no Reino Unido por 'broadsheet', e com o principal destaque a advir das suas folhas alaranjadas, que o ajudavam a distinguir-se visualmente dos restantes jornais numa qualquer banca, quiosque ou tabacaria, facilitando a identificação ao comprador. Conhecido, também, pelas suas densas colunas de texto, em detrimento de muitas imagens ou fotografias (um dos principais factores que o tornava pouco interessante para o público jovem) este periódico rapidamente se assumiu como de referência no seu sector, sendo líder de mercado até à extinção da edição física (já depois de a edição de Sábado ter sido descontinuada, em 2010), altura em que o seu lugar foi ocupado por uma nova publicação, o Jornal Económico, que retém o segundo posto no sector da imprensa financeira portuguesa até aos dias de hoje.

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A isto ajudava, no entanto, o facto de só quase uma década após o seu surgimento o jornal em causa ter enfrentado concorrência – no caso, o Jornal de Negócios, o 'braço' especializado em finanças do poderoso Grupo Cofina, surgido em 1998, com uma abordagem e execução que – como é habitual nas publicações do grupo – procurava tornar mais simples e acessível o conceito estabelecido pelo 'rival', oferecendo uma melhor relação entre imagens e texto, artigos menos densos e maior uso de cores. Os conteúdos eram, no entanto, tão credíveis, aprofundados e fidedignos quanto os do decano concorrente, tornando este jornal numa alternativa respeitável e de qualidade ao mesmo.

Infelizmente, tal como sucederia com tantas outras publicações durante o mesmo período, nenhum dos dois jornais sobreviveria ao dealbar da era digital, com o Jornal de Negócios a ver-se, também, obrigado a adoptar um formato exclusivamente digital a partir de fins da década de 2010, vários anos após o Diário Económico ter adoptado a mesma medida, como 'último recurso', em 2016. Mas se a experiência deste último se tinha provado infrutífera, com o portal a não passar dos seis meses de vida, no caso do Jornal de Negócios, a mesma ajudou a revitalizar a publicação, que ainda hoje 'soma e segue' no domínio digital, aproveitando a posição hegemónica de que hoje goza no sector da informação financeira em Portugal. Resta, pois, esperar que este estatuto não 'suba à cabeça' dos seus editores, e que os interessados em economia residentes no País possam continuar a contar com múltiplas fontes de informação fidedigna, numa era em que a desinformação grassa em todos os sectores da sociedade, não sendo o financeiro, de todo, excepção à regra...

31.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 30 de Outubro de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Na última Quarta aos Quadradinhos, falámos das bandas desenhadas importadas, e de como era difícil ao comum bedéfilo português adquiri-las, ou sequer encontrá-las, nos anos da viragem de século e Milénio; nada melhor, pois, do que abordarmos agora as restantes revistas estrangeiras disponíveis no mercado nacional da época, relativamente às quais o problema se atenuava, ainda que não completamente.

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As revistas de música estavam entre as que mais frequentemente chegavam ao mercado português oriundas de outros países.

De facto, apesar de ser necessário encontrar uma tabacaria ou quiosque que as tivesse disponíveis (os quais rareavam), a variedade de revistas especializadas estrangeiras no mercado periódico português de finais do século XX e inícios do seguinte era consideravelmente maior que o de bandas desenhadas, tendo quase todos os nichos de interesse pelo menos uma publicação deste género trazida do estrangeiro. E se muitos desses mesmos campos eram de pouco ou nenhum interesse para as crianças e jovens que perfaziam as demografias 'X' e 'millennial', não deixava ainda assim de haver, entre o acervo de publicações do género, alguns focos de interesse. Já aqui falámos, por exemplo, da Bravo e Super Pop e das revistas de 'tricot' alemãs e francesas, mas podemos ainda falar, por exemplo, das várias revistas espanholas, francesas ou inglesas de videojogos, informática, música ou moda, ou da mítica 'Hola!', para dar apenas alguns exemplos do que os jovens podiam encontrar em bancas ou estabelecimentos mais especializados e de distribuição mais alargada.

De ressalvar que, pelo volume de publicações que enviava para Portugal mensalmente, o Brasil se afirma como um caso um pouco à parte deste paradigma – embora, curiosamente, a tendência fosse, nesse caso, inversa, com as bandas desenhadas brasileiras a ocuparem um volume de mercado maior ou igual às nacionais, mas as especializadas a ficarem consideravelmente atrás, surgindo a 'Wizard' e a 'Super Gamepower' como os únicos exemplos disponíveis com algum tipo de regularidade nos escaparates nacionais, por oposição ao muito maior número de revistas oriundas da Europa. Tal não significa, no entanto, que estas fossem, de todo, fáceis de encontrar (já para não falar no atraso de meses que apresentavam quando chegavam ao nosso País, algo particularmente inexplicável no caso de publicações oriundas de Espanha), sendo provável que o adolescente médio de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 apenas tivesse uma ou duas mãos-cheias de revistas oriundas de fora de Portugal – isto quando, como foi o caso do autor deste blog, sabia (ou tinha) sequer onde as encontrar. Talvez por isso, ou talvez pelo estilo diferente das congéneres nacionais, as revistas importadas ocupam espaço próprio na memória nostálgica das gerações daquele tempo, muitos membros das quais já terão, mesmo, ido ao armário ou sótão procurar os exemplares que ainda guardam daquele período da sua vida...

10.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 9 de Outubro de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes referimos o salutar estado da imprensa portuguesa nos anos 90, que permitia não só a existência de publicações por vezes até demasiado especializadas, como a sã concorrência de vários periódicos centrados no mesmo campo de interesse, como o automobilismo (cuja multiplicidade de revistas aqui terá, em tempo, o seu espaço), o motociclismo, os jogos de computador e consola, a informática, ou, como no caso a que este 'post' se refere, o chamado 'lifestyle', ou em bom português, a 'imprensa cor-de-rosa'.

Isto porque, a um mercado já ocupado e dominado pela 'Caras', 'VIP' e pela pioneira e decana espanhola 'Hola', os primeiros meses do Novo Milénio veriam ainda ser acrescentado mais um título, de grafismo, conteúdos e abordagem em tudo semelhantes às suas antecessoras, mas que, mesmo com essa marcada falta de originalidade, conseguiu ainda assim encontrar público suficiente para reclamar a sua parcela dentro do mercado das revistas sobre celebridades e 'jet-set'.

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Falamos da revista 'Lux', cujo número inaugural surgia nas bancas portuguesas em Maio de 2000, apoiado por uma forte campanha de 'marketing' (ou não fosse editada pela Media Capital) e pronto a 'bater de frente' com as concorrentes e a enfrentá-las 'cara a cara'. E a verdade é que, apesar de não apresentar rigorosamente nada de novo em relação a qualquer das ditas-cujas, a publicação então encabeçada pelo casal Carlos e Conceição Pissarra – ambos veteranos do meio 'cor-de-rosa', com passagens pela 'Activa' e 'Cosmopolitan', além da concorrente 'Caras' - foi, ainda assim, acolhida de braços abertos por uma demografia para quem as entrevistas e rumores sobre personagens do 'jet-set' – devidamente acompanhadas das habituais fotografias de luxuosas vivendas e famílias felizes, destinadas a provocar tanto o deslumbre como a inveja – nunca eram a mais.

Tanto assim que, antes do final do ano, a 'Lux' se viu em posição de expandir a sua proposta, lançando publicações dedicadas à decoração de interiores e aos problemas femininos, intituladas 'Lux Deco' e 'Lux Woman', respectivamente, e que foram quase tão bem recebidas como a original. Qualquer das três se mantém, aliás, até hoje nas bancas portuguesas, com a sua longevidade a constituir atestado mais que suficiente ao facto de que, se tiver qualidade e cuidado evidente e der ao público-alvo o que este procura, até um produto mediático totalmente derivativo pode constituir uma história de sucesso.

26.07.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quinta-feira, 24 de Julho de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

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A principal representante nacional do género, à época

Qualquer mudança de paradigma ou mentalidade geracional não se faz de imediato, antes pelo contrário; tradicionalmente, verifica-se a continuidade de elos de ligação aos hábitos, interesses e tradições das gerações anteriores, por forma a não as alienar do 'novo normal', e a permitir-lhes, em vez disso, uma transição gradual para o novo modo de vida. O campo da imprensa escrita não é excepção a este respeito, o que explica o porquê de diversas publicações se manterem firmes geração após geração, mesmo depois de a sua relevância e impacto terem diminuído consideravelmente.

Nos anos 90 e 2000, o principal exemplo deste fenómeno eram as revistas de lavores, dirigidas sobretudo a uma população de mais idade, com interesse nas artes do bordado, 'crochet' ou ponto-de-cruz, e que encontravam na mesma a quase totalidade da sua audiência. Compostas, quase exclusivamente, por imagens de padrões, acompanhadas de instruções sobre como os tornar realidade, estas revistas eram, para 'leigos', tão ou mais inescrutáveis que qualquer outra publicação especializada e dedicada a um 'hobby'; para conhecedores do assunto, no entanto, as mesmas constituíam um recurso valioso, que ajudava à imaginação na hora de conceber novos padrões com os quais se entreter durante os dias, semanas ou mesmo meses subsequentes – razão mais que suficiente para a sua existência continuada, mesmo no auge da afirmação cultural da geração 'Millennial', cujo interesse por lavores era, e é, praticamente nulo.

Com o passar dos anos, o advento da 'Internet das Coisas' veio tornar estas publicações, como tantas outras, redundantes e obsoletas, já que é, hoje em dia, extremamente fácil conseguir padrões de bordado ou 'crochet' na Internet, e imprimi-los ou seguir as instruções no ecrã do computador ou telemóvel. Para quem prefere fazer as coisas 'à moda antiga', no entanto, é possível que estas revistas continuem a fazer sentido e a ter razão de ser, pelo que é possível que as continuemos a ver nas bancas nacionais durante ainda mais alguns anos.

22.05.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 21 de Maio de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Uma das primeiras edições desta rubrica foi dedicada à Turma da Mônica, o popular conjunto de personagens criados pelo 'cartoonista' brasileiro Mauricio de Sousa e cujas revistas fizeram, durante várias décadas, tanto furor entre as crianças portuguesas como entre as do seu país natal, continuando inclusivamente a ser publicadas em ambos os territórios até aos dias de hoje. Foi, no entanto, nos anos 80 e 90 que a titular 'dona' do grupo e os seus inseparáveis amigos viveram a sua época áurea, motivando o lançamento de inúmeros produtos de 'merchandising' oficiais - de brinquedos a roupas e até alimentos – alguns dos quais chegaram mesmo a ser comercializados em Portugal. É de um destes – talvez o mais óbvio – que falamos em mais este 'post' combinado.

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De facto, à parte o lançamento de um livro ou de antologias de histórias (ambos os quais existiram na mesma época do que o tópico desta semana) uma revista de 'cruzadexes' talvez fosse mesmo o produto licenciado mais próximo da 'fonte' da Turma da Mônica, cujas revistas já incluíam, por vezes, uma secção de passatempos, tornando ainda mais simples a transposição e expansão dos referidos conteúdos para toda uma revista a eles dedicada.

Era disto – nem mais, nem menos – que consistiam os diversos volumes das 'Cruzadas da Turma da Mônica', tomos sensivelmente da mesma grossura das revistas mais finas de Mauricio – como 'Magali', 'Cascão' ou 'Chico Bento' – surgidas algures na primeira metade dos anos 90, tematizados aos diferentes personagens do autor e recheados não só das titulares cruzadas como também de outros populares tipos de passatempos, desde sopa de letras a quebra-cabeças e jogos das diferenças, não faltando também as inevitáveis e indispensáveis secções para colorir. Cada passatempo estava, por sua vez, rodeado dos característicos desenhos de Mauricio, que tornavam a proposta ainda mais apelativa, quer para fãs, quer mesmo para quem 'descobrisse' por acaso a revista na tabacaria, quiosque ou banca. Surpreendente, portanto, é o facto de esta edição ter tido um ciclo de vida relativamente curto, parecendo desaparecer dos escaparates sem grande alarido após apenas alguns números; enquanto durou, no entanto, a mesma revelou-se de 'consumo obrigatório' para os fãs de Mauricio e dos seus personagens, sobretudo aqueles com maior apetência e gosto pelas secções de passatempos incluídas nas suas revistas.

05.04.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quinta-feira, 3 de Abril e Sexta-feira, 4 de Abril de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Clássicos de décadas passadas, encontravam-se já em declínio nos anos 90, mas – nas suas versões modernizadas – conseguiram ainda conquistar os corações de uma última geração de crianças e jovens antes de se remeterem à obsolescência. Falamos das revistas de recortes e construção de indumentárias, um produto que combina na perfeição as temáticas das Quintas no Quiosque e das Sextas com Style, num único conceito tão simples quanto apelativo para um certo sector da população.

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Exemplo moderno 

A ideia era por demais simples: cada revista oferecia, nas primeiras páginas, um ou dois 'modelos' (nos anos 90, normalmente, um de cada sexo) aos quais podiam, depois, ser aplicados os conjuntos de roupa presentes nas restantes páginas. A diversão advinha do facto de todos estes elementos serem recortáveis, podendo os bonecos também ser erguidos em posição vertical, servindo efectivamente como 'manequins' para as indumentárias incluídas na revista, as quais se podiam acoplar a eles mediante dobragens nos sítios indicados.

É claro que nem sempre esta experiência era cem por cento 'limpa' – até porque era precisa grande precisão para recortar em volta das roupas, podendo esta experiência facilmente redundar em frustração para os mais 'desastrados' de mãos; mesmo quem conseguia cortar bem arriscava-se a que as dobras necessárias para 'vestir' os modelos se rasgassem, tornando a respectiva peça inutilizável. Tudo isto era, no entanto, aceite como parte da experiência, ajudando a torná-la ainda mais desafiante e divertida.

Como tal, mesmo sendo de 'utilização única' (uma vez 'experimentadas' todas as roupas, o interesse desvanecia-se consideravelmente) estas tradicionais revistas conseguiam, ainda, proporcionar bons momentos de diversão às crianças e jovens de finais do século XX, tal como já o haviam feito com os seus pais. Infelizmente, o dealbar da era digital veio retirar a última réstia de relevância a produtos deste tipo, e a Geração Z já sequer chegaria a ter contacto com os mesmos; quem alguma vez passou uma tarde divertida a 'vestir' aqueles bonecos da revista, no entanto, decerto compreenderá o surgimento de tais publicações nas nossas páginas, e recordará aqueles tempos de criança em que algo tão simples podia, simultaneamente, ser tão divertido...

13.03.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 13 de Março de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes abordámos produtos, programas e publicações do Portugal dos 'noventa' que, por uma razão ou outra, foram Esquecidos Pela Net, transformando-se naquilo a que normalmente se chama 'lost media' e ficando, assim, algo arredados da memória nostálgica das gerações que então cresciam e amadureciam. No entanto, grosso modo, até o mais obscuro desses produtos possibilita a escrita de algumas linhas a seu respeito, seja através de recordações e memórias pessoais, seja pelos (poucos) recursos que ainda o recordam nos meandros cibernéticos; tal não é o caso, no entanto, com a publicação de que falamos neste 'post' duplo do Anos 90, e que consegue a proeza de ser o primeiríssimo tópico a deixar o autor deste 'blog' totalmente perplexo.

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De facto, é possível que nos tenhamos precipitado ao rotular a revista 'Ultra Som' como a mais misteriosa da Internet, já que, apesar da falta de dados ou números digitalizados da mesma, era pelo menos possível discernir do que tratava pelas pistas contextuais oferecidas pela única capa disponível na Net. No caso da revista agora em análise, no entanto, nem isso é viável, já que tanto o título impossivelmente genérico como as capas mostradas no leilão OLX (mesma fonte da 'Ultra Som') não permitem mais do que uma conjectura. E se o termo 'Juvenil' utilizado como título infere a quem a revista se dirige, as capas ora desenhadas, ora feitas de colagens fotográficas não deixam claro se a mesma deve ser inserida nas Quartas aos Quadradinhos, Quintas no Quiosque, ou mesmo em ambas, à laia de uma 'Super Jovem' (publicação com a qual parece ter maiores semelhanças). Pedimos, pois, aos nossos leitores que saibam alguma coisa sobre esta revista (alô, homónimo sabe-tudo!) que nos deixem alguma pista sobre a natureza da dita-cuja; nos entrementes, no entanto, tem mesmo de ficar por aqui esta análise sobre mais um elemento ultra-Esquecido Pela Net do Portugal de finais do século XX.

21.02.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 19 e Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Podiam vir da livraria ou da tabacaria ou quiosque, e ser mais focados em conteúdos educacionais ou oferecer um pouco mais de diversão pura e dura; em qualquer dos casos, constituíam um ponto alto no dia de qualquer criança, sendo capazes de proporcionar várias horas divertidas após um dia de escola, ou mesmo durante um fim-de-semana. Falamos, claro está, dos livros com autocolantes, uma daquelas diversões intemporais e transversais a, pelo menos, as últimas três gerações, da qual falaremos em mais um 'post' duplo no Anos 90.

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Exemplo moderno do conceito em causa.

Diferentes das tradicionais cadernetas de cromos por não fomentarem o aspecto social ou coleccionista (sendo, na maioria dos casos, auto-contidos) estes livros funcionavam, no entanto, num contexto algo semelhante, oferecendo aos jovens leitores cenários e temas sobre os quais aplicar os autocolantes fornecidos em conjunto com o livro, os quais diziam, por sua vez, respeito a esse tema. Assim, um livro sobre animais teria provavelmente como fundo de página um cenário natural ou um jardim zoológico sobre os quais colar os autocolantes de 'bicharada', outro sobre viagens poderia ter estradas, portos ou aeroportos nos quais colocar carros, barcos ou aviões, ou focar-se em destinos como a praia ou o campo, cada qual com o seu grupo de autocolantes decorativos. As crianças eram, assim, incentivadas a relacionar elementos entre si de modo a que fizessem sentido, dando à experiência um aspecto didáctico que complementava a diversão inerente a um destes tomos – afinal, qual é a criança que não gosta de aplicar autocolantes aos mais diversos sítios?

Talvez por este misto de simplicidade, didatismo e apelo directo aos gostos do público-alvo, os livros com autocolantes mantêm-se 'em alta' entre as camadas mais jovens da população até aos dias de hoje, sendo ainda relativamente fáceis de encontrar nos mesmos meios que os vendiam algures há três décadas – um paradigma que, ao contrário da maioria dos que aqui vimos relembrando, não se prevê que mude num futuro próximo. Afinal, por muito avançado que seja no momento presente, o meio digital não é, ainda, capaz de reproduzir a sensação única de destacar um autocolante da respectiva folha e, com ele, 'embelezar' o cenário proposto na página, e que já há vários minutos vem 'puxando' pela imaginação...

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