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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

05.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Eram presença assídua em frigoríficos, quadros brancos, candeeiros de secretária e outras superfícies aderentes ou metalizadas; por vezes, em simples formatos geométricos (normalmente círculos ou rectângulos) com o padrão impresso, outras cortados para se assemelharem a objectos ou mesmo formas humanas, e por vezes a segurar mensagens, notas ou panfletos, outras apenas como enfeite, já que 'ficavam bem' nos locais em causa. Falamos, claro, dos ímanes de frigorífico, os quais, apesar de ainda existentes, viveram sem dúvida o seu último período áureo na primeira década do século XXI.

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Variantes oferecidas nos cereais Kellogg's

De facto, a crescente digitalização de recursos veio tornar semi-obsoletos estes outrora super-populares objectos, hoje reduzidos a peças de colecção, recordações turísticas ou (muito ocasionalmente) suportes para o panfleto da pizzaria, até o mesmo ser utilizado ou deitado fora. É, pois, difícil a quem não viveu aqueles tempos mais simples perceber o quão entusiasmante era adicionar mais um ímane à colecção – fosse ele um brinde dos cereais, uma oferta no âmbito de uma qualquer campanha, ou apenas uma 'quinquilharia' comprada em férias ou na 'loja dos trezentos'. Quem era da idade certa durante o período em causa, no entanto, certamente se lembra de 'encher' o frigorífico de pequenas formas coloridas, algumas das quais serviam mesmo como brinquedos quando o tédio se ameaçava instalar, ou como objectos de coleccionismo; é a eles que dedicamos este 'post' tão simples quanto os próprios objectos a que se refere.

15.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 13 de Novembro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

No Portugal pré-Dragon Ball Z de meados dos anos 90 (e mesmo, durante algum tempo, em simultâneo com aquele histórico 'anime') os Power Rangers contavam-se entre as mais populares franquias entre o público mais jovem, sendo uma das pedras basilares por trás do sucesso da rubrica 'Buereré' da SIC. Os 'adolescentes com atitude' que se transformavam em super-heróis mascarados multicolores e derrotavam enormes monstros espaciais ao comando de um robô pareciam (como se vê por esta descrição) feitos 'à medida' para agradarem à demografia pré-adolescente, sobretudo no sector masculino, e foi precisamente isso que se verificou, não tardando até que a criação de Haim Saban e Shuky Levy demonstrasse ser uma verdadeira 'máquina de fazer dinheiro', dando origem a 'merchandising' (oficial e 'pirata') dos maiss diversos tipos, das inevitáveis figuras de acção, videojogos e vídeos de episódios a roupas, jogos de camafatos de Carnaval, e mesmo artigos alimentares, tendo, em Portugal, sido a primeira de muitas licenças a serem impressas no exterior dos famosos chupa-chupas Fantasy Ball, e dado a cara numa série de promoções e brindes de outros produtos 'comestíveis', como a que abordamos neste 'post'.

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(Crédito da foto: TodoColección)

Veiculados nos produtos Panrico (leia-se, Bollycao e Donettes) algures há trinta anos, os 'Powercromos Power Rangers' mais não eram do que isso mesmo – cromos autocolantes com imagens do programa da SIC e respectivos protagonistas, algumas tiradas dos próprios episódios, outras simples poses promocionais destinadas a publicitar o programa. No total, eram quase duas dezenas e meia de cromos para coleccionar – o que, claro, envolvia comer mais 'Bollycaos' do que até o mais glutão dos jovens da época poderia aguentar, fomentando o tradicional sistema de 'trocas' com outras crianças que também estivessem a fazer a colecção. A ausência de uma caderneta ou 'poster' onde colar os ditos-cujos, ou sequer de uma ordem declarada para os mesmos, fomentava, no entanto, uma utilização mais casual e descontraída para os mesmos, os quais seriam (à semelhança de outras colecções do Bollycao) mais passíveis de ser utilizados como decorações para a capa do caderno, porta do frigorífico ou gaveta da secretária do que como sérios objectos de colecção.

Ainda assim, e apesar da natureza simplista desta promoção, a popularidade da licença e do tipo de brinde entre o público-alvo tornava-a uma proposta de risco virtualmente nulo, e com enormes probabilidades de sucesso, fazendo com que não fosse preciso à Panrico pensar demasiado parra investir nesta empreitada, a qual, apesar de hoje algo esquecida, terá feito as delícias das crianças da época, habituadas a acompanhar semanalmente as aventuras dos jovens artistas marciais mascarados, e que passavam agora a poder também trazê-los no caderno ou estojo, ou colá-los no armário do quarto, afirmando assim o seu gosto por uma das mais populares séries infanto-juvenis do Portugal noventista.

24.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 23 de Outubro de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Já aqui referimos, ao falar dos brindes dos ovos Kinder, de como uma figura em vinil ou borracha era um dos melhores tipos de brinde que se podiam adquirir, fosse nos referidos ovos, nos cereais, ou em qualquer outro tipo de produto alimentar. A francesa Danone – cuja presença e influência sobre a juventude dos anos 90 era tão grande ou maior do que a que detém sobre a mesma demografia nos dias de hoje – estava, aparentemente, bem ciente deste facto, pelo menos a julgar pelos brindes que incluiu em alguns dos seus produtos nos primeiros meses do novo século e Milénio, como forma de promover a sua nova linha de iogurtes líquidos dirigidos aos mais novos.

l.kdf3 009.jpgA linha completa.

Sob o estranho mas divertido nome de Uaga, a produtora de iogurtes propunha uma colecção de sete figuras, distribuídas por um total de quatro personagens distintos – no caso, um grupo de alienígenas de pele azul e visual 'radical', tão típico do período como as 'pranchas de surf' (ou, mais concretamente, 'skimboard') em que metade dos elementos do grupo surgiam 'empoleirados'. Curiosamente, um dos personagens, Uto (o 'brutamontes' de alivio cómico, de fisionomia e musculatura menos juvenil), surgia apenas numa 'pose para a fotografia', não dispondo da variante 'radical' a que os outros tinham direito; ainda mais curioso é o facto de não se tratar do vilão, Ruffo, que tinha as duas variantes 'da praxe'.

Por oposição à maioria das linhas de brindes do mesmo tipo (a começar pelas dos próprios Kinder Surpresa) os 'aliens' da 'família' Uaga (o herói homónimo, a 'namorada' Uaganni, e os supracitados Uto e Ruffo) dispunham de toda uma mitologia, criada – tal como os próprios personagens – pela filial portuguesa da agência de 'marketing' Young & Rubicam. No caso, os três heróis eram descritos como tendo super-poderes (entre eles a capacidade de falar com os animais ou atravessar objectos) derivados do consumo de uma 'protamina cósmica' nativa do seu planeta, Gute – e que, claro, eram motivo de inveja de Ruffo,o rival de Uaga, justificando assim o conflito entre as duas partes.

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O vilão da linha, aqui 'montado' na sua prancha de 'surf aéreo'.

Este enredo, que era apresentado nos primeiros anúncios relativos à gama de iogurtes, desdobrava-se, ainda, num jogo de computador (um brinde cada vez mais comum à época) o qual aqui terá direito a análise na próxima Terça Tecnológica. Para já, ficamo-nos pela apresentação das figuras e do próprio iogurte em si, naquele que, quase sem querer, acabou por se transformar num 'post' de Quinta-feira de vertente dupla, abrangendo tanto esta imaginativa mas esquecida linha de figuras como o produto alimentar que foram criadas para representar.

03.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 02 de Outubro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer 'nativo' dos anos 90 nacionais que se encontrasse, à época, em idade pré-adolescente não hesitará em apontar os brindes alimentares – das batatas fritas, cereais, Bollycaos, ovos de chocolate, bolachas ou iogurtes – como um dos grandes elementos nostálgicos da vida de então. Discretamente desaparecidos algures em inícios do Novo Milénio, aqueles objectos inseridos na própria embalagem do alimento em causa – e que se 'pescavam' de dentro do mesmo assim este era aberto, arriscando muitas vezes a higiene dos dedos – marcaram a infância de muitas crianças e jovens de finais do século XX, que ainda hoje os recordam com afecto e saudade. E se, para os 'millennials', estas recordações envolvem, sobretudo, os Tazos, Matutolas, Caveiras Luminosas e Pega-Monstros, os membros mais novos da Geração X têm também o seu próprio 'lote' de brindes saudososamente memoráveis, dos 'Tous' e 'Janelas Mágicas' do Bollycao às duas colecções de autocolantes que focamos neste 'post'.


Oferecida nas batatas fritas da Matutano logo em inícios da década de 90, a colecção de autocolantes luminosos de fantasmas constitui o epítoma do brinde mais 'simplista' da era pré-Matutazos, quando a criança média portuguesa era menos exigente neste aspecto, e apreciava apenas a oportunidade de ganhar uma pequena quinquilharia para colar ao caderno ou à mobília do quarto e ver brilhar sempre que as condições luminosas diminuíam. Porque era este o conceito dos Fantasmas Luminosos – nem mais, nem menos. Ao contrário da maioria dos seus sucessores, a colecção não trazia associado qualquer elemento competitivo, focando-se unicamente no instinto coleccionista da maioria dos jovens, na estética ao mesmo tempo 'fofinha' e apelativa dos trinta fantasmas que a compunham, e no elemento diferenciador da luminosidade.

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E a verdade é que a aposta foi ganha com distinção, figurando estes autocolantes entre os brindes favoritos de muitos portugueses hoje na casa dos quarenta a cinquenta anos, junto dos quais fez retumbante sucesso à época do lançamento. Tanto assim que a Matutano se viu motivada a lançar, dois anos depois, uma segunda série, agora com temática alusiva à vida selvagem, mas com o mesmo conceito-base. E se leões, águias, bisontes ou rinocerontes não encaixavam tão organicamente na mecânica do brilho no escuro como fantasmas, nem por isso a promoção Feras Luminosas deixou de ser apelativa ou de fazer sucesso junto do público-alvo, agora acrescido de crianças demasiado novas para recordar os fantasmas originais, e para quem esta era a primeira experiência de encontrar autocolantes luminosos nos pacotes de batatas.

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Duas colecções, em suma, que apesar de simples, retinham aquele apelo intemporal que só algo como os autocolantes consegue gerar junto do público infantil, a ponto de quase se poder dizer que, se lançados hoje, fariam exactamente o mesmo sucesso junto das gerações Z e Alfa que fizeram no tempo dos seus pais. Infelizmente, os brindes alimentares já de há muito desapareceram do quotidiano infantil português, tendo sido discretamente 'retirados de cena' algures na década de 2010, pelo que este cenário terá, forçosamente, de ficar remetido ao campo da conjectura. Certo é que, trinta e cinco anos após o seu aparecimento nos pacotes da Matutano, os Fantasmas Luminosos ocupam, ainda, lugar de destaque na memória nostálgica da parcela mais velha da geração 'millennial' portuguesa, e da metade mais nova da geração 'X', para quem continuam a ser um dos melhores brindes alimentares alguma vez veiculados no nosso País.

13.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 11 de Setembro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Eram um dos principais símbolos de 'status' do regresso às aulas – especialmente se viessem naqueles estojos grossos com uma imagem bonita no topo, mas também na sua forma mais simples, dentro de um invólucro plástico e com uma folha de cartão com a marca a tapar as tampas. E apesar de, invariavelmente, acabarem secos e sem tampa dentro de poucas semanas (senão mesmo dias, no caso de um tratamento especialmente descuidado) eram, até esse momento, um dos 'ex-libris' das mochilas da escola de crianças e jovens da idade pré-escolar até ao ensino secundário.

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Falamos, claro, dos tradicionais marcadores, os 'todo-o-terreno' da arte infantil, já que requeriam menos precisão que os lápis de cor ou de cera, não precisavam de ser afiados como os primeiros, e duravam bastante mais do que os segundos, tornando-os ideais para crianças mais novas, menos pacientes ou simplesmente com menos talento para as artes. Mesmo quem tinha 'jeito', no entanto, não deixava de aproveitar qualquer oportunidade para comprar um estojo grande, com o espectro completo de cores (e, de preferência, da Molin) com o qual fazer inveja aos colegas de turma nas primeiras semanas do novo ano lectivo – única altura em que a maioria dos pais se mostrava disposta a fazer tal investimento, sendo que, em qualquer outra ocasião, o mais natural seria receber um estojo mais simples, de cores básicas, que fazia menos vista mas servia perfeitamente o propósito-base de pintar ou criar desenhos.

Fosse qual fosse o formato, no entanto, os marcadores formavam parte integrante do dia-a-dia de qualquer criança de finais do século XX e inícios do seguinte – e, apesar de longe da expressividade que outrora tiveram, continuam presentes no quotidiano escolar das gerações Z e Alfa, mostrando que, por mais tempo que passe, há conceitos e produtos que se afirmam como verdadeiramente imortais.

03.08.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 31 de Julho de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Embora as promoções e brindes fossem um dos grandes 'pilares' do comércio alimentício dirigido às crianças e jovens, a Olá tendia a demarcar-se das congéneres Matutano, Panrico, Cuétara, Nestlé, Kellogg's, Danone ou Longa Vida pelo facto de fazer pouco ou nenhum uso deste recurso. De facto, não há, mesmo até hoje, memória de um concurso promovido pela marca de gelados, e a única verdadeira instância de 'brindes' a acompanhar os seus gelados deu-se há exactos vinte e cinco anos, no primeiro Verão do Novo Milénio (ou último do anterior, dependendo da perspectiva.) É a essa iniciativa que dedicaremos mais este post duplo no Anos 90.

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Cartaz da Olá do ano 2000, com referência à promoção em causa.

À primeira vista, os Clikits nem pareciam ter grande interesse, sendo apenas uma variante do tradicional 'pauzinho' de madeira feita de plástico colorido e segmentado. Era apenas quando se ficava ciente das possibilidades destes paus que o génio da promoção se revelava. Isto porque os Clikits (disponíveis em dois dos gelados mais expressamente dirigidos a crianças, o Super Maxi e o Perna de Pau, bem como no tradicional gelado de laranja 'sem nome') podiam ser interligados para construir formas e padrões simples, mas ainda assim suficientes para divertirem qualquer jovem e incentivarem ao coleccionismo – além, claro, do maior consumo de gelados, por forma a conseguir mais pauzinhos para as suas construções. Uma estratégia inteligente, e que terá certamente visto aumentar os volumes de vendas dos gelados em causa ao longo daquele Verão.

Fica, pois, a dúvida sobre porque razão a Olá não voltou a tentar uma iniciativa deste tipo, preferindo regressar à sua estratégia clássica, com base no reconhecimento da marca e da respectiva qualidade. O facto de os Clikits não fazerem parte da memória nostálgica das gerações 'millennial' e 'Z' (os 'X' eram já um pouco 'crescidos') pode, no entanto, servir de indicação quanto à razão para tal tentativa não se ter repetido. Ainda assim, e apesar da curta duração, a promoção Clikits teve, sem dúvida, o seu valor, provando que – apesar de largos passos atrás das 'rivais' – a Olá era, também, capaz de levar a cabo algo deste tipo de forma relativamente bem-sucedida, e justificando esta breve recordação, no Verão em que se completa um quarto de século sobre a sua efémera presença no mercado nacional.

05.06.25

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

A estimulação sensorial (incluindo visual) é das primeiras faculdades a ser desenvolvida em qualquer criança humana, tendendo as mesmas a reagir de forma entusiástica a padrões ou cores vivas, como as que adornam a maioria dos brinquedos para recém-nascido ou bebé. Não é, pois, de surpreender que uma versão ligeiramente mais 'avançada' do mesmo conceito fizesse as delícias das crianças portuguesas dos anos 80 e 90, sob a forma de uma pequena 'quinquilharia' que, quando investigava, revelava padrões fascinantes.

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Apesar de não serem, de todo, exclusivos desta época (as gerações mais antigas terão utilizado versões menos 'de bolso' em certos contextos psicotrópicos, ou apenas de festa) os caleidoscópios estavam, à entrada para a recta final do século XX, ainda algo em voga entre as crianças lusitanas, podendo ser encontrados com relativa facilidade tanto em lojas de brindes como dos trezentos. A versão noventista deste estimulante visual surgia, concretamente, sob a forma de uma pequena luneta, cujo vidro era moldado para, sob contacto com a luz, revelar um efeito visual ou colorido apelativo, que podia depois ser movimentado ou controlado através de um mecanismo rotativo situado em torno da lente. Um daqueles conceitos aparentemente simples mas que, na era pré-digital, ajudavam a 'matar' uns bons momentos, e podiam facilmente ser partilhada com os amigos e familiares, para que também eles disfrutassem da agradável surpresa visual contida naquele minúsculo objecto.

Tal como tantos outros brinquedos e conceitos de que falamos nesta e noutras rubricas, também os caleidoscópios acabaram por efectuar uma retirada discreta do mercado nacional, tendo simplesmente desaparecido da consciência colectiva infantil após a viragem do Milénio. Quem com eles brincou, no entanto, certamente recordará a surpresa de, subitamente, ver aquele vidro aparentemente simples desdobrar-se em reflexos e padrões aparentemente impossíveis, e anteriormente insuspeitos. Razão mais que suficiente para dedicarmos algumas linhas a mais uma das muitas 'quinquilharias' noventistas que as novas gerações nunca conhecerão, mas que os seus pais recordam com carinho.

17.05.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 15 de Maio e Sexta-feira, 16 de Maio de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

De entre os muitos elementos que definiram a década de 90 em Portugal, a série de 'anime' japonesa Dragon Ball Z e as t-shirts estampadas com motivos alusivos a desenhos animados ou banda desenhada (sendo muitos destes respeitantes ao próprio Dragon Ball Z) são certamente dois dos que mais perduram na memória dos 'millennials' lusitanos. Não é, pois, de surpreender que a Pescanova tenha tentado capitalizar sobre ambas estas vertentes com uma promoção, sendo o único motivo de alguma estranheza o próprio 'timing' da oferta.

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Isto porque as estampas 'a calor' relativas à série e oferecidas nas igualmente populares caixas de douradinhos da companhia surgiam no mercado já nos primeiros meses do Novo Milénio, mais de quatro anos após o início da 'febre' Dragon Ball Z, e quando até mesmo a terceira parte, Dragon Ball GT, se encontrava já no 'retrovisor' juvenil português, estando ainda a cerca de um ano de se voltar a tornar relevante, através da repetição na 'recém-nascida' SIC Radical. Assim, não é de estranhar que a referida oferta tenha passado despercebida, e sido algo menos bem-sucedida do que outras iniciativas semelhantes lançadas no auge da popularidade da série – o que não deixa de ser lamentável, dado estas estampas, apesar de pequenas, serem bem-conseguidas, recorrendo a imagens dinâmicas e apelativas que qualquer jovem de meados dos anos 90 se orgulharia de colocar numa 't-shirt'. Pena, pois, que não se pudesse dizer o mesmo quanto aos pré-adolescentes de 2000, para quem os 'animes' de Akira Toriyama eram já coisa do passado semi-remoto...

Ainda assim, e apesar de menos 'badaladas' do que outras promoções semelhantes de que já aqui falámos, estas estampas não deixam de constituir uma belíssima ideia da parte da Pescanova, a qual teria, certamente, rendido frutos caso tivesse sido lançada um par de anos antes, e posto a juventude de Norte a Sul de Portugal a 'coleccionar' estampas, na esperança de encontrar a ultra-rara variante gigante, e fazer inveja aos colegas e amigos. Tal como foi, no entanto, esta promoção não passa de uma curiosidade esquecida da cultura popular juvenil portuguesa da viragem do Milénio...

28.03.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 27 de Março de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Já aqui por diversas vezes elencámos brinquedos que, apesar de aparentemente demasiado simplistas e básicos, não deixavam ainda assim de proporcionar bons momentos de diversão às crianças noventistas; neste 'post', recordamos um dos mais clássicos, e que, apesar de hoje algo esquecido, teve ainda assim algum impacto na infância da demografia afecta a este 'blog'.

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Falamos das caixas de sons – não as posteriores versões electrónicas, mas as originais, que se viravam de 'cabeça para baixo' para ouvir um assobio, o trinado de pássaros, o mugido de vacas, ou qualquer outro som, normalmente simulado de um ruído natural. Um conceito e resultado final que faria revirar os olhos de qualquer membro da Geração Alfa, ou até dos 'Z' mais novos, mas que foi suficiente para divertir, por alguns momentos, não só os 'X' e 'millennials' como as gerações que lhes deram origem.

E apesar de, nos anos 90, esta já não ser uma Quinquilharia particularmente comum nos estojos, mochilas ou bolsos das crianças e jovens nacionais – especialmente por comparação a outras que esta rubrica já abordou – a mesma estava, ainda assim, suficientemente presente no dia-a-dia das mesmas para justificar estas breves linhas na rubrica dedicada a pequenos objectos lúdicos comuns à época, e para potencialmente trazer à tona memórias nostálgicas para quem, em criança, tenha tido a oportunidade de brincar com uma.

08.03.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 6 de Março de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Faziam parte da colecção de quinquilharias de qualquer criança ou jovem de finais do século XX, embora muita vezes acabassem por raramente ser usados, e servissem sobretudo para ser admirados, enquanto esperavam 'aquela' ocasião especial. Falamos dos blocos de notas com desenhos como pano de fundo das páginas, sobre os quais nos debruçaremos nas linhas seguintes.

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Exemplo moderno do produto em causa.

Normalmente em formato 'de bolso', e destinados a servir como 'bloco de cabeceira' ao lado do telefone ou em cima da secretária, eram facilmente adquiríveis em qualquer boa papelaria ou tabacaria, com uma enorme variedade de motivos, desde padrões como flores ou espirais até bonecos 'genéricos', ou mesmo, em ocasiões mais raras, personagens licenciados, como Hello Kitty; por vezes, chegavam mesmo a ser levemente perfumados, o que ainda acrescia mais ao estatuto 'super-especial', e os tornava pouco adequados a anotar números de telefone ou moradas. Talvez por isso a maioria dos jovens os tirasse da gaveta apenas para mandar mensagens aos amigos ou 'paixonetas', para fazer listas de interesse pessoal, ou para admirar os motivos que adornavam as páginas, fazendo com que apenas um bloco chegasse a durar vários anos.

Apesar deste uso 'religiosamente' regrado, no entanto – e apesar de raramente saírem da gaveta das quinquilharias – pelo menos um destes blocos fará, certamente, parte das memórias remotas de qualquer português das gerações 'X' e 'millennial', as últimas para quem este tipo de produto fez sentido, antes de tudo passar a poder ser guardado no telemóvel, relegando os blocos com motivos de fundo para a pilha de produtos obsoletos que as demografias mais novas dificilmente voltarão a usar...

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