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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

02.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 30 de Setembro de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última edição destas Quintas ao Quilo, falámos aqui das pastilhas Gorila, as quais eram praticamente sinónimo da expressão ‘pastilha elástica’ para as crianças portuguesas até meados dos anos 90; pois foi nessa altura que surgiu em cena um concorrente directo à hegemonia símia – no caso, um gato de óculos escuros com pinta de ‘gajo fixe’, e cujo produto, apesar de importado e não tão icónico como o do gorila lusitano, conseguiu ainda assim usurpar uma tranche significativa do mercado.

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Falamos, é claro, das pastilha Bubblicious e Bubbaloo, mais conhecidas entre os ‘putos’ portugueses como a principal (e praticamente única) alternativa para quem queria uma pastilha elástica mais macia e menos ‘combativa’ do que a Gorila – ou, alternativamente, quem procurava algo um pouco diferente da norma no que tocava a doces para mascar. Isto porque o principal atractivo da Bubbaloo era o facto de – ao contrário de qualquer outra pastilha existente no mercado – ser recheada de geleia líquida, a qual irrompia do interior da pastilha e inundava as papilas gustativas logo à primeira trinca, oferecendo assim uma espécie de ‘dois doces pelo preço de um’ a quem dispendesse os (caríssimos!) 15 ou 20 escudos a que cada pastilha desse tipo era comercializada. Este factor não terá, certamente, sido alheio ao sucesso da pastilha, quer em Portugal, quer no estrangeiro – afinal, que criança não gosta de surpresas, inovações e outros ‘truques’ nos produtos a ela dirigidos?

No entanto, a Bubbaloo não alicerçava a sua estratégia de marketing simplesmente na inovação, abrangendo também a fatia de público que mais não queria do que uma pastilha mais tradicional, mas menos difícil de comer do que a Gorila – e que encontrava na marca ‘baixa gama’, a Bubblicious, precisamente a resposta a esse seu desejo. Notáveis e ainda hoje lembradas pela textura fofa e sabores acentuados (bem mais do que no caso das Gorila) estas pastilhas terão, certamente, suscitado dúvidas existenciais em crianças que gostavam de ambas as marcas, mas só tinham os dez escudos correspondentes a uma única pastilha…

Qualquer que tenha sido o caso, no entanto, o impacto das Bubbaloo e Bubblicious entre a camada mais jovem foi inegável – tanto assim que a marca continua de vento em popa, discutindo o monopólio do mercado das pastilhas com a Gorila, tal como o fez desde a sua entrada no nosso país, há já quase três décadas. Boas notícias para os fãs de pastilhas elásticas, que continuam a ter dois óptimos produtos de entre os quais escolher…

 

10.09.21

NOTA: Este post é relativo a Quinta-feira, 9 de Setembro de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

De todos os ‘snacks’ normalmente associados às crianças e adolescentes, as pastilhas elásticas perderão apenas para os chupa-chupas e batatas fritas no que toca à associação de ideias – e com bons motivos. Seja como forma de ‘entreter’ numa aula ou espera particularmente aborrecida, seja para aferir quem consegue fazer o maior balão (ou, se forem particularmente dotados, até dividir um balão em dois) ou até para oferecer à pessoa que se ‘curte’, à laia de subtil presente, a verdade é que a maioria das crianças tende a gravitar para este tipo de doce, até pelo seu preço unitário extremamente baixo, convidativo até à mais vazia das carteiras.

Isto em Portugal, claro – há países onde as pastilhas apenas são vendidas em embalagens tipo Chiclets, não conhecendo as respectivas crianças as alegrias das ‘chiclas’ vendidas avulso, nem daquele tipo de pastilha de que falaremos no post de hoje, de goma extra-dura e que obrigam os dentes a uma verdadeira ‘aula de ginástica’ para as amolecer, tornando-as por isso o pesadelo de qualquer dentista.

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Falamos, claro, das pastilhas Gorila, um produto tão reconhecivelmente português como os sumos Compal (de que aqui falaremos paulatinamente) ou as papas Milupa, e que leva já quase meio século a pôr as crianças portuguesas a ‘mascar’.

Criadas pela Lusiteca (também responsável pelos rebuçados Penha, entre outras marcas bem conhecidas de quem aprecia doces) em 1975, as pastilhas Gorila surgem hoje em vários formatos, juntando-se á tradicional pastilha da nossa infância e respective versão ‘Super’ (mais fina e comprida) uma variante sem sal, e até um chupa-chupa; no entanto, para uma larga camada da população portuguesa, o nome estará, para sempre, ligado àqueles rectângulos brancos grossos, embrulhados em papel colorido codificado conforme os sabores, e que se compravam a cinco ou dez escudos cada no café da esquina ou no quiosque ao pé da escola. Durante, pelo menos, as primeiras duas décadas de existência, as pastilhas Gorila eram ‘as’ pastilhas elásticas portuguesas – se havia alternativas, estas não eram, a maior parte das vezes, sequer consideradas pelo público-alvo.

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Ah, memórias...

A partir da primeira metade dos anos 90, esse paradigma viria a mudar ligeiramente, com o aparecimento da primeira concorrente à altura para a Gorila – a poderosa ‘multinacional’ Bubbaloo, cujo ‘truque’ de rechear as pasilhas com uma espécie de geleia ‘caiu no goto’ dos jovens portugueses, tendo tanto esta pastilha como a sua a versão sem geleia, a Bubblicious, sido sucessos imediatos entre a demografia em causa, e posto em causa o reinado incontestado das Gorila.

Ainda assim, embora tivesse perdido o monopólio do mercado, as pastilhas nacionais por excelência retiveram uma fatia suficientemente grande do mercado para continuarem de vento em popa, e cativarem – até agora – mais duas gerações de jovens portugueses, para não falar daqueles que cativam a partir de cafés lusitanos em países estrangeiros (e podemos afirmar, por experiência própria, que ver uma caixa de Gorilas na montra de uma pastelaria em Londres é uma sensação difícil de qualificar.) Assim, não é de admirar que, quase cinquenta anos após o seu lançamento, estes singelos mas populares doces continuem a ter presença cativa nas prateleiras da maioria dos cafés, pastelarias e quiosques de Norte a Sul do país…

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E nem falámos dos cromos...

 

19.08.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

E numa altura em que o assunto do dia é a retirada das cafetarias das escolas de certos ‘clássicos’ (os pães com chouriço) e outros produtos que nunca nenhum bar de escola teve (se a vossa escola servia pizzas, tiveram mais sorte do que nós...) nada melhor do que prestar homenagem a esses indispensáveis espaços, tal como eles eram na ‘nossa’ década – verdadeiros repositórios de tudo o que era apetecível para as crianças em termos de comida, desde os clássicos bolos (poucos outros países rivalizam com Portugal nesse aspecto) passando por snacks tradicionais como os Bollycaos ou as batatas fritas, até guloseimas como chocolates, pastilhas elásticas ou chupa-chupas, ou ofertas um pouco mais elaboradas, como as sandes de ovo, os rissóis ou os referidos pães com chouriço) isto sem, claro, esquecer os sumos e refrigerantes).

Em suma, qualquer que fosse a opinião de um jovem sobre o que se devia ou não comer no intervalo, era (quase) certo e sabido que o encontraria no bar ou cafetaria da escola; só não havia mesmo sanduíches feitas em casa pela Mãe…

É, assim, mais que merecida esta nossa homenagem a esses espaços que alimentaram milhões de crianças durante toda uma década, fornecendo-lhes sempre aquilo de que elas mais gostavam. Por isso, o nosso obrigado, cafetarias de escola!

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29.07.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Puxa um Push Pop

Puxa-lhe o gusto

Fecha um Push-Pop

E guarda o restooo!

Chupa-chupas com ‘caixinha’, que permitia guardá-los para ‘segundas núpcias’ – uma oportunidade de mercado tão útil, lógica e rentável que o mais surpreendente é ter levado até 1996 até alguém se lembrar de a tornar realidade. E escusado será dizer que, quando isso aconteceu, o sucesso foi imediato, e considerável.

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Sim, chegou hoje a vez de falarmos do Push-Pop, um dos quatro chupa-chupas que toda a criança dos anos 90 recorda com nostalgia (sendo os outros os chupas de apito, os chupas azedos e, claro, os ‘oficiais’ da Chupa Chups) e o único que se podia levar no bolso para a sala de aula sem ficar com as calças todas pegajosas e o chupa feito em geleia.

Isto porque, como já explicámos acima, os Push Pop tinham uma mecânica tão simples quanto genial, a qual se reflectia no próprio nome; em vez de virem no tradicional ‘pauzinho’, estes doces eram apresentados num tubo ao estilo batom de cieiro, e com um modo de funcionamento semelhante – para comer o chupa, rodava-se o tubo, e quando se queria parar, bastava rodar no sentido contrário, pôr a tampinha, e ele era novamente empurrado para baixo, onde ficava a aguardar a próxima ocasião. Um modo de funcionamento aparentemente básico, mas que abria inúmeras possibilidades para o público-alvo, que se via subitamente cara-a-cara com uma solução para o problema dos chupas engolidos à pressa porque estava na hora de entrar na aula, ou no treino de karaté, ou de jantar; agora, qualquer que fosse a situação, bastava fazer como indicava o anúncio, fechar o Push Pop, e guardar o resto. E a verdade é que, a maioria das vezes, era mesmo preciso fazer uso desta funcionalidade, porque estes chupas tinham muito que comer!

É claro que, por muito bem que funcionasse, este mecanismo não era perfeito; dependendo do ‘tratamento’ que se tivesse dado ao chupa, era possível que este se colasse um pouco à tampa, deteriorando a sua própria qualidade; no entanto, este era um risco que a maioria das crianças não se importava de correr, só para poder usufruir da magnífica funcionalidade concebida pelos criadores deste doce (um daqueles conceitos a que hoje em dia se chamaria ‘disruptivo’).

E para quem está, neste momento, a ter acessos de nostalgia ao lembrar este mítico chupa-chupa da sua infância, resta ressalvar que o Push Pop ainda hoje é fabricado vendido – embora não seja bem certo onde se podem encontrar estes nostálgicos doces. Será, talvez, um típico caso de ‘Google to the rescue’… Entretanto, vale bem a pena recordar aquela que foi uma das guloseimas mais marcantes para a geração que nasceu ou cresceu na segunda metade dos anos 90.

 

08.07.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A maioria das crianças gosta de chupa-chupas. A maioria das crianças também gosta de brinquedos e acessórios que lhes permitam fazer muito barulho sem grande esforço, como apitos. Era apenas uma questão de tempo até alguém juntar as duas ideias e criar um sucesso de vendas. Nos anos 90, esse ‘alguém’ acabou por ser a espanhola Chupa Chups, que lançava no mercado os seus Melody Pops, também conhecidos pela sua designação alternativa de ‘chupas de apito’.

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O conceito deste doce era único na sua simplicidade: cada Melody Pop era, basicamente, um mini-apito – daqueles compridos e longos estilo flauta, não dos de polícia ou árbitro desportivo - mas feito de doce com sabor artificial de morango, em vez de plástico ou metal. A criança podia, pois, unir o útil ao agradável, fazendo tanto ‘estardalhaço’ quanto quisesse (ou quanto o mecanismo básico de ‘ar pela ranhura’ do apito permitisse) enquanto saboreava um chupa-chupa acima da média, como era apanágio da Chupa Chups. Só era preciso ter cuidado para não cair na tentação de trincar o topo do chupa-chupa – caso contrário, passar-se-ia a ter ‘apenas’ um doce, em vez do apelativo dois-em-um inicial…

Mesmo tendo isto em conta, o grau de popularidade destes doces entre o público-alvo não era, de todo, de estranhar; antes pelo contrário, curioso seria se estes doces NÃO tivessem pegado entre as crianças e jovens. Numa era em que a Chupa-Chups procurava inovar o mercado dos doces – era, também, da marca espanhola o outro grande ‘chupa’ memorável da década, o Push Pop – os ‘chupas de apito’ foram, sem dúvida, um excelente acrescento às escolhas já disponíveis nos balcões e prateleiras de estabelecimentos Portugal fora, e os números de vendas provavam isso mesmo. Tanto assim que não tardaram a surgir chupa-chupas de apito de ‘marca branca’, conceptualmente funcionais, mas de acabamento e apresentação menos cuidada, os quais se podiam muitas vezes encontrar entre as gomas e os chupa-chupas azedos, em tabacarias e cafés de Norte a Sul do País.

Qualquer que fosse a versão consumida – e a ‘marca branca’ devia surpreendentemente pouco à oficial, diga-se de passagem – uma coisa é certa: os Melody Pops e outros ‘chupas de apito’ foram um dos principais elementos de uma ‘época de ouro’ no que toca  a doces industriais em Portugal, e mereciam ser tão lembrados quanto os igualmente saudosos Push Pops. Talvez esta pequena homenagem neste nosso blog em ascensão ajude a pôr em marcha um reviver deste populares ‘pirulitos’; ou, se não, pelo menos deu para recordar um doce que muitos de nós adorávamos, e gostávamos de ver regressar…

25.06.21

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 25 de Junho de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de, tradicionalmente, serem poucos ou nenhuns os produtos alimentares directamente alusivos a campeonatos internacionais de futebol (quanto muito, haverá uma ou outra promoção em produtos já existentes, mas sem nunca afectar a ‘essência’ dos mesmos, por assim dizer) houve pelo menos um alusivo ao desporto-rei em si, enquanto conceito lato – e era tão bom, que vale bem a homenagem nesta ‘semana Europeia’.

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Tratavam-se – aliás, tratam-se, pois o produto ainda existe – dos Cheetos Futebolas, que consistem exactamente naquilo que o nome indica, ou seja, os populares ‘snacks’ de milho da Matutano, mas moldados em formato de bola, em vez dos tradicionais palitos de maior ou menor espessura. À primeira vista, isto pode não parecer nada de extraordinário (certamente nada que mereça um post por si só, especialmente quando ainda há pouco tempo falámos dos snacks da Matutano em geral) mas os Futebolas escondem mais um segredo, que acaba por justificar este destaque – nomeadamente, o facto de serem muito melhores do que os Cheetos ‘normais’.

Passamos a explicar – sabem como os Cheetos sabem, mais do que nada, àquele ‘pó’ laranja de que são cobertos? Ou a pó de queijo, no caso da variante desse sabor? Pois agora imaginem se não fosse esse o caso. Imaginem se os Cheetos soubessem àquilo a que é suposto saberem, ou seja, a milho e queijo; aí têm o sabor dos Cheetos Futebolas. Mais secos do que as outras variantes (no bom sentido) por serem feitos no forno em vez de fritos, estes ‘snacks’ sabem, mais do que nada, a um cruzamento entre Cheetos e os deliciosos precursores dos Doritos, os Fritos – uma mistura que, diga-se, resulta muito, mas mesmo muito bem.

Quando somado à atenção ao detalhe na confecção destes ‘snacks’ (as bolas têm pequenas linhas embutidas, a simular as costuras das bolas de futebol) este factor fazia, e continua a fazer, dos Cheetos Futebolas uma proposta bem atractiva para os fãs de futebol comerem enquanto viam – ou vêem - os jogos de Portugal, o que acaba por justificar a sua inclusão nesta quinzena de apoio à Selecção.

27.05.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Os cereais de pequeno-almoço fizeram, fazem e provavelmente continuarão a fazer parte da experiência de ser criança. Parte integrante de muitos pequenos-almoços durante os anos formativos, estes produtos apresentam a combinação perfeita entre sabor apelativo, brindes ainda mais apelativos, e uma composição suficientemente ‘no limiar’ da comida saudável para justificar o consumo repetido sem muita insistência junto dos pais. Quer sejam comidos a seco, postos no leite, ou postos na tigela para depois se deitar o leite por cima (por aqui, ainda hoje se opta pela segunda opção), os cereais são daquelas coisas que provavelmente nunca vão desaparecer, ou sequer decrescer em popularidade.

Isto não significa, no entanto, que ‘de quando em vez’ não haja cereais que fiquem para trás na grande corrida às prateleiras. Embora a maioria dos nossos favoritos da infância continuem bem presentes em qualquer superfície comercial, dos básicos Corn Flakes aos Frosties (basicamente a mesma coisa, mas com o açúcar adicionado de antemão, e mascote ‘à maneira’), Estrelitas ou Nesquik, a verdade é que houve mesmo tipos de cereal que foram retirados do mercado – alguns, inclusivamente, na época a que este blog diz respeito. O post de hoje recorda, precisamente, esses cereais que, nos anos 90, faziam as delícias da miudagem, mas que hoje se encontram total ou parcialmente defuntos – curiosamente, todos comercializados pela Nestlé, que se pode considerar ter tido algum ‘azar’ nesse capítulo na década em causa.

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O primeiro exemplo deste fenómeno a ter lugar durante o nosso tempo de vida passou-se com as Crépitas, criadas e comercializadas pela Nestlé nos anos 80, e que desapareceram das prateleiras, sem grande alarido, mais ou menos a meio da década seguinte, deixando pouco ou nenhum rasto. Embora não fosse o cereal preferido de ninguém, as Crépitas constituíam uma escolha relativamente ‘sólida’ quando não se queriam levantar muitas ‘ondas’ com os pais, e terá decerto havido quem lhes tivesse sentido a falta.

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Uma caixa norte-americana contemporânea, e semelhante, à disponível em Portugal

Ainda no início da década, um cereal de caixa vermelho-berrante, também da Nestlé, trazia para as prateleiras portuguesas um conceito irresistível, importado dos Estados Unidos: ‘marshmallows’ multi-coloridos misturados nos cereais de todos os dias. Com uma proposta de valor destas, não admira que os Lucky Charms tenham feito sucesso entre os jovens daquele tempo…!

No entanto, a dada altura, estes cereais desapareceram mesmo de circulação, sem qualquer pré-aviso, obrigando os seus muitos e desconsolados fãs a procurarem uma nova alternativa para a sua refeição da manhã. A alegada razão para esta remoção (a qual, aliás, teve efeito a nível mundial) seria o elevado teor de açúcar dos ‘marshmallows’, que ficava acima dos limites internacionais para alimentos deste tipo; problema esse que, nos anos intervenientes, terá sido devidamente sanado, visto os Lucky Charms terem regressado às prateleiras - pelo menos às americanas. Em Portugal (bem como em outros países, como o Reino Unido) estes cereais continuam a só estar disponíveis em lojas de importação, a preços absolutamente exorbitantes, e certamente proibitivos para aquele que costumava ser o seu público-alvo; já aqueles que, entretanto, cresceram e adquiriram poder de compra, até podem achar graça a dar 7 euros por uma caixa de cereais da sua infância, mas não será certamente uma experiência a repetir todas as semanas…

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Mas se os Lucky Charms regressaram (ainda que em locais específicos, e muito mais caros), outro cereal líder de vendas na década de 90 foi mesmo vítima de extinção total e completa. ‘Patrocinado’, pelo menos em Portugal, pelos sobrinhos do Pato Donald (numa inusitada parceria entre a Nestlé e a Disney) o saudoso Trio foi, como os Lucky Charms, vítima das normas que decretavam uma redução no nível de açúcar dos cereais infantis. Ao contrário do que aconteceu com os cereais do duende Lucky, no entanto, a Nestlé não parece ter arranjado maneira de sanar ESTE problema – até porque o próprio conceito do cereal tornava essa missão praticamente impossível. Ao contrário dos pedaços açucarados localizados e em número limitado dos Lucky Charms, no caso do Trio, os corantes e adoçantes eram aplicados aos próprios grãos do cereal, que surgiam em três cores (e sabores) diferentes – caramelo, mel e baunilha (daí o nome Trio, e o memorável slogan, em que um coro de crianças cantava os três sabores). Pequenas ‘bombas’ de açúcar concentrado, portanto – embora deliciosas quando posta dentro do leite, o qual tingiam com uma pálida tonalidade decorrente da mistura das três cores dos cereais. Talvez o mais saudoso dos três cereais aqui apresentados, mas também aquele cuja extinção é mais fácil de compreender e justificar.

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Dos três cereais mostrados neste anúncio de meados da década de 90, só um ainda está disponível nos dias de hoje...

O Trio foi, no entanto, a última grande perda no campo dos cereais de pequeno-almoço em Portugal; desde o seu desaparecimento, há já quase duas décadas, o leque de escolhas dos consumidores portugueses neste campo tem-se mantido mais ou menos imutável, com as mesmas gamas perenes que já existiam quando os cereais acima relembrados desapareceram. Ao contrário dos EUA, onde cada nova ‘febre’ cultural vem acompanhada de um cereal a condizer, neste país de brandos costumes à beira-mar plantado, ficamos perfeitamente satisfeitos com os nossos Chocapic e Nesquik, Estrelitas e Cheerios, Clusters, Golden Grahams, Corn Flakes e Special K. Ainda assim, vale a pena relembrar que, embora incomum, o fenómeno de desaparecimento de cereais das prateleiras não é, de todo, inédito – e pode ainda dar-se o caso de a geração actual ficar, de um dia para o outro, sem um dos seus pequenos-almoços favoritos. Nós sabemos – passámos pelo mesmo…

13.05.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Olá, e bem vindos de volta ao blog que vos recorda a vossa infância, um post de cada vez. E porque esta paragem forçada nos fez ficar com fome – tanto figurativa, de escrita, como literal – nada melhor do que celebrarmos dois regressos de uma vez com uma Quinta ao Quilo dedicada ao retorno, para esta época balnear, de um ‘clássico’ emblemático dos Verões dos anos 90, e que tinha andado arredado da selecção da respectiva fabricante – o saudoso Super Maxi.

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Parte da ‘tríade sagrada’ de gelados da Olá representados por mascotes – juntamente com Epá e Perna de Pau - o Super Maxi tendia a ser um dos mais frequentemente escolhidos pela miudagem de finais do século XX. Não porque fosse particularmente bom (na prática, era apenas uma versão um bocadinho melhor daqueles gelados de chocolate e creme que se compram no supermercado em caixas de 6 ou 12), mas porque era um dos, senão mesmo o gelado mais barato da Olá – uma característica que, aliás, se mantém neste regresso à activa, em que o Super Maxi se apresenta sem grandes desvio de preço em relação à última vez que o vimos.

Para os bolsos sempre bastante condicionados das crianças daquele tempo, este gelado era dos que oferecia melhor relação preço-quantidade (a de preço-qualidade ficava para os seus ‘irmãos espirituais’ da série das mascotes, bem como para os mais discretos Feast e Mini Milk.) Mesmo não sendo particularmente grande (apesar do nome algo 'enganador'), o Super Maxi era mesmo, de todos os gelados da Olá, aquele que oferecia a combinação mais apelativa de preço, quantidade de gelado, e representação por um bonequinho animado facilmente identificável – a qual nem a promessa da ‘bola de tinta comestível’ no fundo do Epá conseguia, muitas vezes, derrotar. Talvez fosse por isso que tantas crianças o comiam, e com tanta frequência, preferindo-o às opções objectivamente muito melhores que o rodeavam. Isso, ou o facto de, às vezes, só apetecer mesmo um gelado de chocolate e creme básico, até meio ‘rafeiro’ (no pun intended),  descrição que se adapta como uma luva ao Super Maxi.

Sê, pois, bem vindo de volta, Maxi – e que o teu gelado bom, básico e barato cative a nova geração de crianças como cativou a anterior!

 

 

22.04.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

E se em posts anteriores falámos de ‘bombas de calorias’ como o Bollycao e as batatas fritas da Matutano, hoje falamos de um alimento um pouco menos ‘nocivo’ para a saúde (embora não muito) e ainda mais delicioso: os lendários Galak Buttons.

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Quem provou, já está a salivar...

Uma variante, como o nome indica, do Galak – o chocolate branco da Nestlé, versão europeia e latino-americana do famoso Milky Bar – o conceito dos Galak Buttons era simples, e estava escarrapachado no próprio nome do produto: era o mesmo chocolate branco de sempre, só que em vez de vir em barra, era cortado em pequenas drageias. Ou, pelo menos, a Nestlé *afirmava* ser o mesmo chocolate – porque quem alguma vez comeu estes Buttons ficará, para sempre, com muitas dúvidas.

Quem fez parte desse lote de felizardos já deve estar a acenar com a cabeça, e a perceber exatamente onde estamos a querer chegar: porque o facto é que, se o Galak era bom (e era), os Galak Buttons atingiam todo um outro nível. Talvez fosse do formato em drageias, talvez fosse um truque da Nestlé para enganar as nossas papilas gustativas, mas a verdade é que os pequenos ‘botões’ de chocolate branco eram (ou pareciam) muito melhores do que o seu ‘irmão mais velho’ em formato de barra. A textura macia e suave fazia o chocolate parecer derreter-se na boca (com um ligeiro ‘refego’ nas costas da drageia que ainda ajudava mais a essa impressão) e o teor de açùcar ficava mesmo ‘no ponto’ – nem demasiado doce, como costuma acontecer com o chocolate branco, nem tão pouco doce que afastasse o público infantil, o principal consumidor do produto. Estas características, aliadas ao tamanho também ele ‘no ponto’ do saquinho, tornavam os Buttons numa experiência de guloseimas absolutamente P E R F E I T A,  e levavam a que o dito saquinho ficasse vazio ‘num ápice’, e o feliz dono do mesmo de barriga cheia, e com vontade de comer mais…

Infelizmente, tal como muitos dos ‘snacks’ visados nesta rubrica do blog, os Galak Buttons são daquelas coisas que dificilmente voltaremos a ver à venda em Portugal. Em algum ponto entre o final dos anos 90 e o presente, as deliciosas drageias desapareceram das prateleiras portuguesas, sem deixar qualquer rasto, além das boas memórias de toda uma geração. Lá por fora, o Milky Bar continua a existir, e a ser um sucesso de vendas entre miúdos e graúdos…mas não é a mesma coisa. Nem a barra, nem os Buttons sabem como aqueles que comíamos na infância, e infelizmente, tal não se deverá só às duas décadas de vida que todos temos a mais desde então – o sabor do chocolate é mesmo diferente, não permitindo assim recriar em pleno a deliciosa experiência das nossas infâncias. Bem, pelo menos temos as memórias a que nos agarrar…

E vocês? Partilham com o Anos 90 as boas memórias deste chocolate? Deixem as vossas opiniões e impressões nos comentários! Entretanto, fiquem com o filme  desenhos animados sobre o golfinho branco e o rapaz loiro que eram mascotes da Galak à época, realizado e lançado em 1971. (E sim, é 100% real…)

 

 

26.03.21

NOTA: Este post corresponde a quinta-feira, 25 de Março de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

E começamos por um que, embora exista até aos dias de hoje, marcou verdadeiramente época para a primeira geração de ‘millennials’ – o Bollycao.

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A tradicional embalagem do Bollycao nos anos 90, antes da mudança para vermelho.

Um forte candidato ao prémio de ‘melhor campanha de marketing para um alimento pouco excitante’ de sempre, o Bollycao – introduzido no mercado português em 1985, mesmo ano do aparecimento dos Donuts - era, pura e simplesmente, um pãozinho com chocolate, semelhante ao que se podia adquirir em qualquer supermercado ou padaria (ou até fazer em casa, usando outro alimento marcante dos anos 90, o Tuli-Creme) só que menos fresco, e mais processado. E sabendo que o produto em si não era mais do que isto, fica a pergunta: porquê tanto sucesso?

A resposta, como sempre, está numa estratégia comprovadamente eficaz, e já testada em outros alimentos, como os cereais – a inclusão de brindes com cada embalagem do produto. No caso do Bollycao, esses brindes consistiam, entre outros, da ‘Janela Mágica’ - pequenos mini-diapositivos com ‘animações’ simples - dos famosos cromos, primeiro da lendária colecção ‘Tou’ e, mais tarde, alusivos aos ‘franchises’ mais popular da altura (sim, houve do Dragon Ball Z. CLARO que houve do Dragon Ball Z!) e do jogo de cartas BoliKaos, semelhante aos da Top Trumps. Estes cromos e brindes (semelhantes, aliás, aos dos Donuts e Donettes, que também eram da Panrico) eram mesmo, para muitos, o principal incentivo para comprar ou pedir aos pais um Bollycao, em vez de uma alternativa que todos sabíamos ser mais fresca e saborosa, como um bolo do dia.

Basicamente, a Panrico não só soube ‘vender’ o seu produto como algo diferente das múltiplas outras alternativas disponíveis, como também percebeu quais os elementos-chave para obter sucesso de vendas junto do público infanto-juvenil. Foi essa combinação de fatores que rendeu ao Bollycao o posto de honra na lista dos ‘snacks’ embalados favoritos de muitas crianças, e que o faz ser recordado até hoje por toda uma geração.

Foi tanto o sucesso do humilde pãozinho com chocolate que a Panrico arriscou mesmo, em meados dos anos 90, o lançamento de ‘variantes’, das quais a mais conhecida é o Bollycao Mix, cujo recheio combinava pasta de chocolate normal e chocolate branco. No entanto, como acontece na maioria dos casos deste tipo, estas variantes nunca chegariam sequer perto do sucesso do Bollycao original, acabando por desaparecer discretamente das prateleiras ao fim de algum tempo.

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E como não podia deixar de ser, tal como qualquer outro produto de sucesso, o Bollycao também teve os seus imitadores e ‘sósias’, determinados a roubar algum do ‘market share’ da Panrico. O primeiro desafio veio da Bimbo, através do imaginativamente chamado BimboCao, cuja embalagem era, digamos, ‘inspirada’ no snack da Panrico – que mais tarde viria a ‘retribuir o favor’ com a embalagem do Bollycao Mix, que copiava explicitamente o design da embalagem da concorrente. No entanto, embora em Espanha a ‘luta’ entre estas duas marcas tenha sido bastante acirrada, em Portugal, o Bollycao saiu como claro vencedor, com a Panrico, inclusivamente, a assimilar a Bimbo, que hoje em dia produz…Bollycaos!

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Se o Bollycao fosse a Barbie, o BimboCao seria a Sindy...

Assim, de longe o concorrente mais bem sucedido neste aspeto foi o Chipicao, importado para Portugal pela Chipita em 1995 como resposta direta ao sucesso de vendas da Panrico, e que. mesmo com 10 anos de atraso em relação ao principal concorrente, se conseguiu ainda assim estabelecer no mercado, onde aliás sobrevive até hoje.

Talvez a raiz do sucesso do Chipicao se deva ao facto de (ao contrário do malogrado BimboCao) ele não ser uma cópia EXACTA do Bollycao. Efetivamente, onde este tinha um formato tipo cachorro-quente, o Chipicao apresentava-se em formato ‘croissant’, o que era já de si um diferencial. A embalagem era, também, bastante diferente da do Bollycao, apostando também na cor amarela, mas apresentando um aspeto gráfico muito mais cuidado, inclusivamente com recurso a uma mascote ‘radical’ (e em 3D!), como era apanágio da época.

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A primeira embalagem portuguesa do Chipicao, com a sua mascote totalmente anos 90.

No entanto, enquanto produto comestível, o Chipicao era algo inferior ao Bollycao, mais fofo mas com uma distribuição de chocolate muito menos generosa do que a da sua congénere da Panrico (sendo que, muitas vezes, tanto o pão como a própria pasta de chocolate se apresentavam ressequidos, tornando o bolo praticamente incomestível.)

Isto seria, talvez, desculpável se este concorrente do Bollycao trouxesse brindes à altura do seu rival direto; no entanto, mais uma vez, a Chipita não estava à altura do desafio, sendo que os cromos do Chipicao (quando os havia) não eram nem de longe tão memoráveis quanto os do pão com chocolate da Panrico (o mesmo se passando, aliás, com o BimboCao). O bolo da Chipita ainda tentou aproveitar a onda dos ‘Tazos’, mas partiu com demasiado atraso para ter qualquer impacto nesse aspeto – para além do facto de os seus Tazos serem muito pouco memoráveis quando comparados aos da Matutano ou a outros, como os dos Power Rangers.

Ainda assim, tanto o Bollycao como o Chipicao (que também chegou a ter variantes, com recheio de morango ou baunilha, entre outros) marcaram uma época, e ambos tiveram os seus fãs – e é muito provável que os continuem a ter. Afinal, como referimos acima, qualquer dos dois produtos continua disponível nas prateleiras, e qual é a criança que não gosta de um bolo processado, com recheio de creme, brindes ‘à maneira’, valor nutritivo nulo, e a que a maioria dos pais torce o nariz? Esta combinação era praticamente garantia de vendas nos anos 90, e as crianças, ainda que tenham mudado desde então, também não mudaram assim tanto…

E vocês? Quais as vossas memórias destes dois bolos clássicos dos cafés e supermercados portugueses? De qual gostavam mais? Digam de vossa justiça nos comentários! Entretanto, fiquem com um anúncio clássico para vos reavivar a memória...

               

 

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