15.01.26
Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.
À entrada para o Terceiro Milénio, apesar de já prevalente em países como o Reino Unido ou os Estados Unidos, o conceito de sumo concentrado era, ainda, pouco disseminado em Portugal, onde os refrigerantes em lata e as clássicas garrafas ou 'caixinhas' de Sumol ou Compal (além dos bons e velhos sumos de frutas naturais) continuavam a constituir os principais meios de desfrutar de um refresco frutado. Tal paradigma viria a mudar, no entanto, com a chegada a Portugal de um dos baluartes deste tipo de bebida a nível internacional, ancorada por uma forte campanha de 'marketing' e publicidade que ocasionou, inclusivamente, 'jogo sujo' por parte de uma das supracitadas 'magnatas' do ramo em solo nacional.

Falamos do Sunny Delight (ou apenas Sunny D), o popular 'quase-sumo' de 'quase-laranja' preparado adicionando uma pequena quantidade de concentrado a uma elevada quantidade de água para criar uma bebida que, apesar de ficar muito aquém de um sumo 'verdadeiro', prima pela practicidade e facilidade de preparação, e que, naquele remoto primeiro ano do século XXI, primava também pela novidade, já que nada do género havia alguma vez sido visto em Portugal. Não é, pois, de admirar que se tenha gerado entre as crianças e jovens uma pequena 'febre' em torno deste produto, com a curiosidade natural desta demografia a ser aguçada pelos factores supracitados, causando o desejo de experimentar esta bebida o quanto antes.
De facto, tal era a ameaça causada por este novo produto que a Compal se viu motivada a criar um anúncio em que ninguém menos do que Alexandra Lencastre 'manchava' o nome da Sunny Delight (sem, claro, nunca nomear a bebida) comparando a sua fraca percentagem de sumo (apenas 5%) e ingredientes artificiais com a fórmula natural da Compal. Uma táctica que roçava os limites da ilegalidade no tocante a publicidade a nível internacional, e que ficou na memória dos 'mais graúdos' como uma das 'jogadas' de marketing mais controversas de sempre em Portugal, não tendo sido surpreendente que tenha durado apenas uma 'semana de trabalho' (cinco dias úteis) antes de ser retirado para sempre das televisões nacionais.
A preocupação da produtora nacional era, aliás, infundada e exagerada, já que, um quarto de século volvido, as duas marcas continuam a dividir espaço nas prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais, e a encontrar públicos distintos e dedicados – exactamente como sucedeu quando, há pouco mais de vinte e cinco anos, surgia pela primeira vez em Portugal o concentrado que viria a motivar a posterior comercialização no País de bebidas como o Tang. E ainda que esta pequena homenagem ao seu quarto de século chegue com algum atraso (e na estação errada) não podíamos deixar passar em branco o aniversário da chegada a Portugal de uma das muitas novas marcas chegadas ao mercado português em finais do século passado e inícios do actual, e que acabaram por ganhar 'tracção' no seio do mesmo até aos dias de hoje.




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