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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.05.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última edição desta rubrica, recordámos as mini-caixas de Smarties, presença habitual nos saquinhos de lembranças distribuídos em certas festas de anos: hoje, chega a altura de falarmos de um produto adjacente – de facto, quase idêntico – mas cujo mercado era bem menos alargado, e a marca bem menos conhecida, ainda que reconhecível pela geração que com ela conviveu.

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Falamos das Pintarolas, nada mais nada menos do que os 'Smarties ibéricos'. Em tudo semelhantes aos discos redondos de puro açúcar comercializados pela Nestlé, o mais surpreendente em relação às variantes da Imperial (à época, um sério competidor no panorama ibérico dos doces e guloseimas) foi o facto de terem, apesar da óbvia concorrência, conseguido arranjar o seu 'nicho' em tão concorrido mercado; porque a verdade é que – fosse por que motivo fosse – havia pouco quem, à época, não tivesse pelo menos noção da existência destas 'imitações' dos Smarties (bem como dos seus 'primos' ligeiramente maiores, os Lacasitos, da espanhola Lacasa, versão 'alternativa' dos ainda mais populares M&M's). De facto, a marca Pintarolas era tão popular que chegou mesmo, em finais dos anos 80, a dar azo a calendários de parede próprios, algo de que poucos outros produtos do seu tipo e posicionamento de mercado se podiam gabar.

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Um dos calendários das Pintarolas (crédito da imagem: Enciclopédia de Cromos)

Mais - ao contrário de muitos dos produtos abordados nestas páginas, tanto as Pintarolas como os Lacasitos não só continuam a ser comercializados, como se souberam adaptar às sucessivas 'modas' infantis, apresentando hoje associações a propriedades como os Mínimos (de 'Gru, o Maldisposto') ou a Porquinha Peppa; um percurso de sucesso nada menos que impressionante, para um produto que nunca foi (ou quis ser) mais do que uma 'alternativa regional' a uma marca conhecida...

28.04.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última Quarta de Quase Tudo, abordámos no Anos 90 as festas de anos infantis daquela época, tendo nesse mesmo 'post' mencionando o facto de que muitas delas incluíam, à saída, um pequeno saquinho de 'gratificações', oferecido pela família do aniversariante a cada convidado, para lhe agradecer a presença na festa. E embora os conteúdos destes 'pacotes' reservassem, por vezes, algumas surpresas (por aqui, por exemplo, recebeu-se certa vez um boneco do GI Joe em tamanho miniatura) os mesmos tendiam a centrar-se sobre doces e guloseimas de menores dimensões ou individualizáveis, como Sugus, rebuçados ou chupa-chupas.

Em meio a este tipo de doce, no entanto, os referidos saquinhos incluíam, invariavelmente, um outro 'brinde' nunca visto fora desse contexto, pelo menos na altura: as mini-caixas de Smarties.

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Exemplo moderno das referidas caixas

Apesar de serem precisamente e simplesmente aquilo que pareciam (uma caixinha de papel com talvez uma dúzia de Smarties dentro, sem qualquer outra particularidade que não fosse o ser especialmente criada para uso em ocasiões deste tipo, como festas de anos, eventos infantis ou até no contexto do Halloween norte-americano) receber uma destas caixas após uma festa de anos não deixava de ter os seus atractivos – nomeadamente, o facto de a dose contida no interior da mesma ser suficientemente pequena para poder ser comida toda de uma vez, sem que a criança se sentisse culpada ou os pais a evitassem. Para além disso, cada caixa trazia impresso no verso e numa das laterais um pequeno desenho, muitas vezes parte de uma imagem maior que se obtinha juntando todas as caixinhas de um determinado lote, levando a inevitáveis comparações e tentativas de criar o mosaico completo em conjunto com os outros convidados. Em suma, um brinde que, apesar de aparentemente simples, não deixava ainda assim de 'cair no gosto' de quem o recebia.

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As caixas incluídas no mesmo 'pack' formavam muitas vezes um mosaico quando juntas umas às outras

À semelhança de muitos dos doces nostálgicos de que aqui falamos, uma rápida pesquisa na Internet revela que estas mesmas caixinhas continuam a ser produzidas até aos dias de hoje, embora não nos seja possível discernir se as mesmas continuam a ser utilizadas para a mesma função que exerciam naquele tempo (talvez algum leitor que conheça crianças ainda em idade de ir a festas infantis nos possa elucidar neste aspecto); certo é que, para toda uma geração de jovens, as icónicas mini-caixinhas foram quase sinónimas com celebrações de aniversário, quer próprias, quer de colegas e amigos, merecendo bem estas poucas linhas de homenagem.

08.04.22

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 07 de Abril de 2022

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

As épocas festivas são, regra geral, indissociáveis das suas comidas típicas; mesmo em países menos enamorados da gastronomia do que Portugal, os pratos e guloseimas típicos de uma certa época são das primeiras coisas a vir à mente. E se, por terras lusas, o Natal é a principal 'festa gastronómica' - com os tradicionais bolo-rei, rabanadas, filhozes e bacalhau - a Páscoa pouco atrás lhe fica, sendo a época por excelência do folar e, claro, das amêndoas e ovos de chocolate.

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E se as crianças de hoje em dia têm muita e boa variedade de escolhas nesse capítulo, nos anos 90, a situação era - se possível - ainda melhor, com várias fabricantes de chocolate a atravessar 'estados de graça' que lhes permitiam pôr no mercado ovos cada vez mais extravagantes - muitos deles com brindes a condizer - que faziam as delícias das crianças de uma certa idade. Das mais ´humildes´, como Imperial e Favorita, às famosas, como a Kinder (cujos ovos eram, invariavel e previsivelmente, os 'reis' da época, pelo simples facto de mais não serem do que versões 'gigantes' dos famosos ovos da marca) eram muitas as alternativas ao dispôr das crianças - e respectivos pais - no que tocava a adquirir ovos para comer no fim-de-semana prolongado.

Melhor - a maioria destes ovos eram, após a aquisição, utilizados para o outro grande ponto alto do fim-de-semana pascal - a saber, a famosa caça aos ovos, tradição que continua bem viva, tanto em Portugal quanto em outros países, e que dá um colorido ainda mais especial à festa. Tanto assim é, aliás, que as caças aos ovos constituem uma das poucas instâncias em que a maioria das crianças não tem quaisquer problemas em se levantar mais cedo do que o habitual - especialmente por a recompensa de tal esforço ser uma divertida brincadeira a terminar em 'quilos' de chocolate...

Enfim, apesar de, no essencial, não diferir muito do que se vive actualmente (e do que se viveu em outras épocas) a Páscoa dos anos 90 pautava-se pela diversidade e qualidade dos seus doces e guloseimas, na sua esmagadora maioria irresistíveis para o público-alvo - e entre os quais os ovos de chocolate assumiam, previsivelmente, lugar de destaque...

17.03.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Já aqui foi referido inúmeras vezes que, nos anos 90. não eram necessárias grandes inovações tecnológicas ou conceitos 'avant-garde' para fazer as delícias do público mais jovem, pelo contrário; muitas vezes, eram mesmo as coisas mais simples que ganhavam tracção entre a miudagem, a ponto de se manterem relevantes e populares entre essa demografia até aos dias de hoje – um feito ainda mais notável se tivermos em conta que o tempo médio de vida de uma 'febre' dos anos 90 era de entre alguns meses a um ano.

O produto que recordamos hoje é prova cabal desse mesmo apanágio, tendo atravessado as décadas (entre elas a de 90) sem nunca perder o apelo junto do público mais jovem, e mantendo sempre imutável o seu já de si simplicíssimo conceito, que em nada mais consiste do que num tubo recheado de minúsculas pastilhas semi-azedas, e encabeçado por um mecanismo dispensador na forma da cabeça de um popular personagem infantil.

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Exemplos de dispensadores dos anos 90

Sim, falamos precisamente dos dispensadores de Pez, um artefacto (e respectiva guloseima) famosa a nível mundial pelo menos desde a década de 1960, e que continua até aos dias de hoje a constituir um apelativo misto de guloseima e brinquedo para crianças e jovens de uma certa idade. E apesar de os motivos disponíveis se irem, obviamente, adaptando aos tempos - nos anos 90, por exemplo, os clássicos e imortais personagens dos Looney Tunes ou da Disney dividiam o seu espaço com mascotes da Nintendo e Sega, ou bonecos da Rua Sésamo – o conceito-base permance, conforme já referimos, imutável: as drageias Pez são colocadas no tubo e, posteriormente, libertadas uma a uma através de um mecanismo de 'patilha' impulsionado por um toque na cabeça do personagem que encima o tubo. À medida que o tubo se vai esvaziando, a base vai-se, progressivamente, elevando, de modo a que haja sempre uma drageia à 'boca' do dispensador, directamente atrás da cabeça do boneco, pronta a ser libertada quando o mecanismo é accionado.

Um conceito sumamente simples, mas que resulta bem o suficiente para manter estas pastilhas duras, com aspecto de comprimido e sabor a chupa-chupas ácidos, nas prateleiras dos supermercados desde há já várias décadas; afinal, conforme se referiu no início deste texto, por vezes, são os conceitos mais simples, básicos e despretensiosos que mais rapidamente acabam por 'pegar' entre a criançada...

24.02.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Hoje em dia, a prática de fumar tabaco é activamente desencorajada na grande maioria da sociedade ocidental, com medidas cada vez mais restritivas e alternativas cada vez mais viáveis a serem implementadas como forma de reduzir o número de afectados por este vício. No século passado, no entanto, não era exactamente este o paradigma; pelo contrário, até à última década do Segundo Milénio, o tabaco era uitas vezes visto como um símbolo de 'status' social, tanto por alguns adultos, como pela maioria das crianças e jovens - o que, em perspectiva, torna os esforços para erradicar esta substância da vida quotidiana das mesmas nada menos do que louváveis.

A não ajudar nada a este 'estado da arte' estava um produto bastante popular entre o público mais jovem, e que, pela sua natureza, se tornou naturalmente um dos primeiros e mais óbvios 'alvos' da guerra ao tabaco: os cigarros de chocolate.

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Muitas vezes com caixas a fazer lembrar (ou mesmo a imitar quase integralmente) os maços que os pais da demografia-alvo traziam no bolso, estes doces – que não faziam parte da categoria dos que se tinham em casa em permanência, sendo sobretudo um complemento a ocasiões especiais, como idas ao estádio para ver o futebol – revelavam também grande atenção ao detalhe no tocante ao interior do próprio pacote; isto porque não só o número de rolinhos de chocolate dentro do mesmo era mais ou menos equivalente ao número de cigarros num maço, mas cada um deles se encontrava envolto numa folha de papel de seda, que (pelo menos à primeira vista) criava um efeito muito semelhante ao da mortalha de um cigarro de verdade, Quando combinados com as caixas também bastante cuidadas, estes elementos ajudavam a criar uma ilusão que, embora na prática desfeita assim que o 'cigarro' era desembrulhado e se transformava 'apenas' em chocolate, permanecia na imaginação das crianças durante o tempo suficiente para se acabar de comer os doces em causa – ou antes, de os segurar entre os dedos e fingir tirar 'bafos', que eventualmente se transformavam em trincas.

Este aspecto – o de constituir não só um doce, como também um veículo para uma brincadeira de 'faz-de-conta' – era mesmo o principal atractivo dos cigarros de chocolate, cujo gosto, por si só, nunca os teria tornado tão populares como o foram. De facto, embora muitas vezes comercializados por companhias de renome na indústria do chocolate – como a francesa Jacquot ou a brasileira Garoto – aqueles rolinhos tinham um gosto muito característico, que só quem comeu saberá evocar; a consistência era, ao mesmo tempo, crocante e arenosa (quase como a de um salame de chocolate, por exemplo) enquanto o paladar ficava marcado pelo excesso desnecessário de açúcar, ficando ao nível daqueles 'sucedâneos' de chocolate vendidos em barra, e também bastante populares à época. Enfim, um chocolate 'barato' (objectivamente, nem ao nível daqueles chocolates em forma de bolas de Natal chegava) que alicerçava toda a sua estratégia de 'marketing' e vendas no aspecto e abordagem diferenciados – os quais, felizmente, acabavam por resultar favoravelmente.

Hoje em dia - e apesar de uma caixa de cigarros de chocolate não ser avistada numa prateleira de café ou supermercado há pelo menos um quarto de século – estes doces podem ainda ser adquiridos nessa 'caixinha de tesouros' e surpresas chamada Internet; no entanto, com a 'mística' em torno do tabaco drasticamente diminuída pelas medidas referidas no início deste texto (e a pouca qualidade do produto em si) é de duvidar que os mesmos voltem a ser populares entre o público jovem, como o foram no início dos anos 90. Posts como este, e outros facilmente acessíveis mediante uma rápida pesquisa, provam que o valor dos cigarros de chocolate é, hoje em dia, puramente nostálgico - e ainda bem, já que existem nos escaparates opções bem melhores pelas quais arriscar cáries e quilos a mais...

03.02.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No esquema global dos doces dirigidos a crianças, os simples quadrados de fruta mastigáveis podem, a princípio, parecer não ocupar lugar de grande destaque; no entanto, como os rebuçados da Penha continuam, cabalmente, a provar, existe mesmo um mercado para este tipo de guloseima entre o público infanto-juvenil – quanto mais não seja, como presença perene, indiscutível e indispensável das mesas de festa de anos (e, nos anos 90, também dos respectivos saquinhos de recordação.)

O doce que hoje abordamos, no entanto, nem carecia da justificação ou contexto de um aniversário para ser atractivo para o seu público-alvo; tão clássicos quanto os rebuçados da Penha (e, tal como estes, ainda largamente disponíveis nos dias de hoje) os Sugus eram, e continuam a ser, simultaneamente uma das mais simples e mais bem sucedidas guloseimas comercializadas em Portugal, havendo pouco quem desdenhe destes quadradinhos de fruta a meio caminho entre o rebuçado e a pastilha elástica.

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O que grande parte dos consumidores de Sugus, tanto à época como actuais, talvez não saiba é que estes doces têm já quase um século de História, tendo sido primeiramente comercializados na sua Suíça natal em inícios dos anos 30. Não menos espantoso é o facto de, desde essa altura, a sua essência pouco se ter alterado, tendo os Sugus resistido a inúmeras mudanças no mercado em que se inserem com pouco mais do que uma mudança de embalagem ou mascote (antes do macaquinho que todos conhecemos, a linha era representada por dois jovens cuja estilização étnica levantaria hoje, sem dúvida, vários pares de sobrancelhas.)

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Errrrmmm...pois...eram outros tempos...

O produto, esse, continua a ser exactamente o mesmo – mais sabor, menos sabor – e a fazer as delícias de geração após geração de crianças, as quais, por muito que a sociedade avance, continuam a ter enorme dificuldade em resistir ao chamamento de um quadrado de puro açúcar com vago sabor a laranja ou cereja, e embrulhado num papel da cor da fruta a que supostamente sabe. Uma receita simples, mas que prova - se tal ainda fosse necessário - que nem sempre um produto tem de ser muito elaborado ou sofisticado para ganhar tracção no mercado: por vezes - como estes quadradinhos de fruta tão bem demonstram - é mesmo na simplicidade que reside o segredo do sucesso...

 

13.01.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Para as crianças dos anos 90, o conceito de 'douradinhos' estava indelevelmente associado, ao ponto de ser quase sinónimo, com uma só marca – a Iglo, vertente europeia da anglófona Bird´s Eye – e respectiva mascote homónima – o Capitão Iglo (originalmente Captain Bird's Eye), um 'lobo do mar' da velha guarda cuja principal preocupação era garantir que, durante as suas expedições de pesca nos mares do Norte, os seus marujos apanhavam sempre o peixe mais fresco com o qual produzir os palitos de peixe panado ultra-congelados que tanto sucesso faziam entre a miudagem.

Este monopólio de mercado não impediu, no entanto, uma das principais rivais da Iglo de, em meados da década, tentar a sua sorte na comercialização deste tipo de produtos, sob a denominação Croustibat.

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Embalagem francesa do produto, que continua a ser comercializado no seu país natal

Originalmente idealizado em França (o próprio nome do produto parece, aliás, ser um 'portmanteau' de 'croustillants batôns', ou 'pauzinhos crocantes', o que acaba por ser uma descrição praticamente literal do que é um douradinho) e trazido para Portugal pela mão da Findus o conceito Croustibat 'amarava' em terras lusas pronto a comercializar, com grafismo, campanhas de marketing e até mascote própria, um peixe de chapéu de marinheiro e músculos à Popeye, pronto a enfrentar cara-a-cara o Capitão Iglo e acabar com a sua hegemonia. O investimento na penetração de mercado desta marca foi tal que chegou a ser feito um jogo de computador - uma adaptação gráfica de um dos jogos da série 'Gobliiiins!' com a mascote da gama como protagonista, que é hoje mais lembrado do que o próprio produto em si - uma honra a que, em Portugal, apenas o bem mais reconhecível Coelho Quicky havia, até então, almejado.

 

Vídeo integral do jogo de Croustibat, com direito até ao memorável anúncio da marca no início

Infelizmente, todos estes esforços se provaram ser em vão, já que os douradinhos Croustibat não duraram mais do que um par de anos nas prateleiras portuguesas, acabando por desaparecer das prateleiras de forma discreta, e sem nunca terem representado real ameaça ao domínio absoluto do Capitão Iglo sobre a arca dos congelados de peixe – o exacto oposto, certamente, do que a Pescanova pretendia ao importar para Portugal o conceito.

Quanto mais não seja, no entanto, a experiência Croustibat terá servido como caso de estudo, já que, nas três décadas subsequentes, nenhuma marca se atreveu a repetir a 'gracinha' de tentar fazer frente à Iglo no tocante a douradinhos, sendo que a única concorrência aos mesmos existente nos dias de hoje continua a vir das 'barrinhas de pescada' da Pescanova (que não quer, concerteza, incorrer em violação de uma marca e nome registados...) edos também já clássicos Peskitos, a alternativa aos douradinhos da Pescanova que ganha pontos por moldar os seus fritos em forma de peixe, mas perde por não te um nome ou mascote reconhecíveis -que ocupam um confortável segundo lugar como alternativa ao mais conhecido produto da Iglo. Quanto ao nome Croustibat em si, o mesmo acabou por ficar imortalizado, já no novo milénio, como denominação de uma banda integrante do movimento punk/hardcore português – mas isso seria já assunto para outra secção deste blog; para já, fica aqui a recordação desta história de David e Golias que, ao contrário da tradicional fábula, não se traduziu num triunfo do mais fraco, antes pelo contrário...

 

23.12.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A doçaria regional portuguesa é conhecida pela sua grande variedade de opções para todas as ocasiões, e o Natal não é excepção; mas entre as azevias, os coscorões e as lampreias de ovos, há um doce que se destaca acima de todos, e que simboliza, para muitos portugueses, a culinária da quadra.

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Falamos, claro, do bolo-rei, aquela deliciosa confecção encimada com frutos secos e frutas cristalizadas (ou, no caso da variante 'rainha', apenas com os primeiros) e que rivaliza favoravelmente com as especialidades natalícias de qualquer outro país do Mundo - incluindo congéneres como o 'stollen' alemão ou o 'fruitcake' norte-americano. Melhor - tirando a maior industrialização (antigamente, dificilmente se encontrava este bolo em supermercados) o bolo-rei sofreu muito poucas alterações na sua essência, continuando a ser (quase) exactamente aquilo que sempre foi, desde a sua introdução e popularização em Portugal, em inícios do século XIX.

É no 'quase', no entanto, que reside o cerne deste post; isto porque quem tem idade para se recordar dos assuntos falados neste blog certamente sentirá, ano após ano, falta de dois elementos já de há muito retirados do bolo-rei, mas que ainda marcaram muitos Natais e dias de Ano Novo da nossa infância: o brinde e a fava.

Tradicional brindes oferecidos nos Bolo Rei portug

 

Ambas intimamente ligadas à tradição do bolo-rei (quem encontrasse o brinde podia considerar-se sortudo, enquanto que quem tivesse na sua fatia a fava tinha de pagar o bolo seguinte - daí a expressão 'sair a fava' como sinónimo de 'ter azar') as duas 'surpresas' anteriormente contidas neste bolo foram retiradas, precisamente em 1999, após a aprovação de uma lei europeia que proibia a comercialização de géneros alimentícios com brindes misturados; apesar de o bolo-rei ter inicialmente sido considerado excepção, pelo significado cultural do seu brinde e da fava, o mesmo acabou mesmo por se ver despojado dos seus elementos tradicionais quando a referida lei foi revista, dois anos mais tarde.

Até hoje, apesar de não ser exactamente proibido vender o bolo com brinde e fava, é essa a percepção geral, sendo o mesmo comercializado sem qualquer dos dois elementos já desde o inicio do século. Uma pena, visto que eram precisamente estas duas 'surpresas' que davam o carácter ao bolo-rei, e tornavam a experiência de o comer ainda mais memorável; sem eles, resta um bolo ainda (e sempre) delicioso, mas já sem aquele pequeno 'extra' que tanto nos deliciava nas nossas infâncias. Ainda assim, a compra (e posterior partilha) de um bolo-rei é uma daquelas experiências sem as quais nenhum Natal luso podia passar - fosse nos anos 90, ou nos dias de hoje. Com ou sem 'surpresas' adicionais...

02.12.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

'O bom sabor da selva.'

Este é um 'daqueles' posts; aqueles que não começam com qualquer tipo de introdução ou contextualização, mas que arrancam da única maneira possível quando se fala do assunto em causa: com aquilo pelo qual o mesmo é mais lembrado hoje em dia. E no caso do Um Bongo, esse aspecto é mesmo, e definitivamente, a música e o 'slogan' do lendário anúncio televisivo, que muitos dos que nos lêem ainda serão decerto capazes de recitar (ou cantarolar) palavra por palavra. Ainda hoje um dos momentos maiores da publicidade em Portugal, o anúncio do Um Bongo é prova cabal do poder que uma boa campanha de 'marketing' verdadeiramente exerce sobre o destino de um produto.

Isto porque o Um Bongo, enquanto sumo, não se destacava particularmente da concorrência em nenhum aspecto. O sabor 'tutti-frutti' - a 'festa de oito frutos' de que fala o anùncio - era a sua característica mais distintiva, numa era em que tudo era laranja ou ananás (o próprio Um Bongo era também comercializado numa variante de laranja, bem menos popular do que a original), mas apesar de ser acima da média para um sumo de supermercado, a oferta da Libby's (mais conhecida, à época, como distribuidora do Lipton Ice Tea) não se podia exactamente considerar extraordinária; em suma, sem o anúncio, o Um Bongo era 'apenas' mais um bom sumo – tanto assim que, ainda hoje, a marca é sobretudo lembrada pela cantilena entoada pelos animais animados, sendo a nostalgia referente ao mesmo mais centrada na campanha publicitária do que propriamente no sabor.

E o alcance e influência dessa campanha não se ficou pelas vendas e criação de nostalgia pelo seu 'jingle'; no seu auge, nos anos 90, o Um Bongo era um dos principais patrocinadores do Jardim Zoológico de Lisboa, fazendo a óbvia conexão com a espécie de antílope do mesmo nome, bem como entre os elefantes e macacos animados que o representavam e aqueles, de carne e osso, que se podiam ver no Zoo. (Esta táctica era, aliás, também empregue por produtos como o Nesquik e o Tuli-Creme, que encontravam na publicidade em cartaz e patrocínio dos animais do Zoo uma oportnnidade de porem o seu produto à frente de um elevadíssimo número de crianças e, ao mesmo tempo, saírem 'bem na fotografia' por apadrinharem a conservação animal.)

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Cinismos à parte, no entanto, a verdade é que o Um Bongo – que, aliás, ainda hoje existe, sendo agora produzido pela Sumol/Compal – foi um dos produtos alimentares mais marcantes dos 'nossos' anos 90, surgindo apenas atrás de clássicos como o Bollycao ou as batatas da Matutano (que, aliás, muitas vezes acompanhava) na lista dos mais lembrados pelos ex-'putos' daquela geração. No entanto, seria também desingénuo fingir que muitas dessas lembranças não estão ligadas ao seu mítico anúncio televisivo... 'Um Bongo, Um Bongo, o bom sabor da selva...!'

12.11.21

Nota: Este post é respeitante a Quinta-feira, 11 de Novembro de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A associação a fenómenos culturais de sucesso é, desde há pelo menos três quartos de século, uma das principais tácticas publicitárias utilizadas por companhias, produtos e marcas que se procuram destacar no mercado. Dos anúncios em que os Flintstones exaltavam as virtudes de um bom cigarro, nos anos 60, até à passagem da roupa do Pai Natal de verde para vermelha (cores da Coca-Cola, responsável pela campanha que cimentou a mudança) ou simplesmente ao patrocínio de eventos desportivos, culturais ou sociais (muito bem parodiado pelos Fúria do Açúcar no hino 'Eu Gosto É Do Verão'), esta união afirma-se, desde sempre, como um dos pilares da publicidade moderna, e vem tendo cada vez mais preponderância na vida quotidiana da sociedade ocidental.

Nos anos 90, não era diferente, sendo numerosas as companhias e marcas que procuravam elevar o seu perfil através da ligação a fenómenos mediáticos, sobretudo se apreciados pelo público jovem, à época o principal visado por grande parte das mensagens publicitárias; e um dos melhores exemplos deste fenómeno foi a associação da companhia de bebidas Frisumo a um programa de televisão não directamente dirigido à referida demografia, mas que era inequivocamente apreciado pela mesma – o Agora Escolha.

A referida ligação, que tomou a forma de patrocínio, efectivou-se a partir de 1993, tendo o 'timing' da Frisumo sido perfeito no que toca a exposição mediática, já que este foi, precisamente, o ano em que o programa de Vera Roquette transitou da periférica RTP2 para o Canal 1 - então ainda o principal canal da televisão portuguesa – ganhando, assim, uma exposição significativamente maior tanto para si, como para a marca em causa e para o seu recém-criado representante, o Tampinhas, uma carica de ténis, atitude 'radical' e (mais tarde) boné para trás, como convinha a qualquer mascote que se prezasse nos anos 90. Elevado a mascote oficial do programa, o Tampinhas surgia no ecrã ao lado de Vera Roquette, com quem interagia, tanto quanto a limitada tecnologia de inícios dos 90 permitia.

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A mascote da Frisumo em destaque num dos programas da época

Uma jogada certeira, que ajudou a catapultar a Frisumo de 'apenas' mais uma fabricante de refrigerantes, menos badalada e apreciada do que rivais como a Sumol ou a própria Coca-Cola, para uma das marcas preferidas da juventude, e a transformar o Tampinhas numa das caras mais reconhecíveis da publicidade infanto-juvenil da época, a par do Urso Tuli ou das mascotes de cereais da Kellogg's e Nestlé – e, apesar de o Agora Escolha ter durado menos de um ano após a celebração do contrato com a Frisumo, ainda um dos melhores exemplos de sinergia entre marcas e veículos mediáticos da história da publicidade portuguesa

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O Tampinhas viria a tornar-se uma das principais mascotes alimentícias portuguesas

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