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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

16.08.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Sim, depois de um fim-de-semana de férias, estamos de volta – e logo para falar de um dos temas favoritos aqui no blog: música.

E se na última edição desta rubrica, dedicámos algumas linhas a falar dos Sitiados, um dos dois grandes responsáveis pela existência de um movimento folk-rock português nos anos 90, hoje, falaremos aqui do outro, nascido quase ao mesmo tempo que o grupo de Cascais, mas um pouco mais para o interior, nomeadamente no distrito de Tomar.

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Falamos dos Quinta do Bill, grupo que derivou o seu nome do espaço onde deu os primeiros passos, cujo proprietário se chamava, precisamente, Guilherme (que em inglês fica William, cujo diminutivo é Bill.) Foi aí que, em 1987, o líder incontestado Carlos Moisés se juntou pela primeira vez a Paulo Bizarro e Rui Dias para criar um som enraizado na tradição popular portuguesa, mas que, até então, quase não havia sido explorado na cena nacional. Misturando instrumentos como a flauta, o acordeão, a rabeca ou o banjo com as tradicionais guitarras e bateria e uma atitude ‘tudo a saltar’, o grupo perfilava-se como a resposta ‘tuga’ ao que grupos como Flogging Molly, Dropkick Murphys ou The Pogues vinham apresentando do outro lado do oceano.

A originalidade do som da banda (pelo menos por terras lusas) não tardou a granjear-lhes destaque, rendendo-lhes participações nos maiores concursos e ‘expositores musicais’ nacionais da época, como a edição de 1988 do histórico Rock Rendez-Vous, ou o Aqui D’El-Rock da RTP, já no virar da década – concurso este que o grupo viria, aliás, a vencer, obtendo assim a verba necessária para a gravação do álbum de estreia.

Editado em 1992, ‘Sem Rumo’ passou ainda, no entanto, relativamente despercebido na cena musical portuguesa, tendo o grupo de esperar ainda mais um ano (e um album) para viver na pele a sensação de ser uma estrela pop ‘mainstream’; quando tal ocorreu, no entanto, ocorreu em grande, tendo a música em causa sido um dos maiores ‘hits’ daquele ano de 1993, e conseguido manter a sua relevância cultural no nosso país até aos dias de hoje.

Falamos, claro, de ‘Os Filhos da Nação’, mais conhecida hoje em dia como ‘meme’ de claque futebolística (sob a forma de ‘Os Filhos do Dragão’, hino quase-oficial dos Super Dragões, grupo de apoio do FC Porto) mas que, na sua forma original, era uma ‘malha’ de puro folk-punk-rock, com direito a letra de intervenção – a qual era, no entanto, ofuscada por aquele monstruoso refrão, que decerto alguém desse lado estará já a cantarolar.

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Os atractivos de ‘Os Filhos da Nação’, o disco, não se ficavam, no entanto, por aí; pelo contrário, quase todos os seus doze temas eram ‘malhas’, com destaque para ‘Senhora Maria do Olival’ – o muito aguardado ‘crossover’ entre Sitiados e Quinta do Bill, cantado que é por João Aguardela – e para a versão de ‘Menino’, nos mesmos moldes do que os lendários Xutos & Pontapés haviam feito anos antes com ‘A Minha Casinha’. No cômputo geral, um grande álbum de folk-rock, apadrinhado por nomes tão ilustres como Jorge Palma, que participa com voz e piano em uma faixa.

Infelizmente, tal como aconteceria com os Sitiados, os Quinta do Bill não mais conseguiriam replicar o sucesso daquele segundo álbum, e do seu mega-sucesso radiofónico. O grupo de Carlos Moisés prosseguiria actividades – encontrando-se, inclusivamente, ainda no activo! – mas com muito menos exposição mediática e quase sem ‘airplay’ radiofónico, limitando a sua base de fãs à meia-dúzia de ‘convertidos’ do costume; haverá, decerto, por aí quem saiba os nomes de todas as músicas da banda, e advogue convictamente os méritos do seu quinto álbum, mas para o português comum, os Quinta do Bill são, apenas e só, aquela banda que escreveu a música da claque do FC Porto – o que, convenhamos, não deixa de ser algo triste para uma banda de inegável valor e apostada em criar um som verdadeiramente original no panorama português da época.

Ainda assim, para quem goste de folk-rock com muita energia e uma pitada de atitude ‘punk’, os Quinta do Bill constituem uma proposta tão válida como a sua ‘banda gémea’, os Sitiados, com a ressalva de serem uma proposta de toada muito mais séria do que a (literalmente) folclórica banda de João Aguardela. Para os restantes, sobra ‘aquela’ música, cujo refrão é daqueles que, quando gritado a plenos pulmões em conjunto com uns passinhos de dança, tem o condão de fazer o ouvinte regressar no tempo, aos anos dourados da sua juventude…

Tínhamos que acabar assim, não concordam...?

 

24.05.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E dado que desde o início desta rubrica temos vindo a falar sobretudo de movimentos e estilos musicais – quer nacionais, como o ‘pimba’, quer importados, no caso do europop ou do rock alternativo – nada mais justo do que abordarmos, esta semana, um movimento que teve um enorme ‘boom’ em território nacional precisamente nos anos 90.

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Falamos, é claro, do pop-rock, estilo que viu alguns dos seus principais representantes nacionais de décadas anteriores entrar em fases de declínio de carreira durante a última década do século XX (casos dos Xutos & Pontapés, GNR, Rui Veloso ou UHF, entre outros) mas assistiu ao nascimento e consolidação de popularidade de outros tantos artistas e colectivos, alguns dos quais relevantes ainda hoje, quase trinta anos após o seu aparecimento. Os anos 90 foram, por exemplo, a década dos Sitiados, Silence 4, Mão Morta, Ornatos Violeta, Pólo Norte, Rádio Macau, Três Tristes Tigres, Quinta do Bill, Pedro Abrunhosa, Clã ou The Gift, entre muitos outros - isto, claro, sem esquecer bandas que transitavam da década anterior ainda no auge da sua forma, como era o caso dos Delfins ou Madredeus. Um verdadeiro panteão de nomes sonantes da música portuguesa, que fazia as delícias de qualquer melómano adepto das vertentes mais melódicas da música ‘de guitarras’.

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Alguns dos muitos artistas pop-rock portugueses de finais do século XX

Um dado curioso é que muitos destes grupos contavam com vocalizações femininas, fossem principais ou secundárias. Clã, Três Tristes Tigres, Rádio Macau, Entre Aspas, The Gift e Madredeus contavam todos com vocalistas femininas, algumas delas figuras bem populares e influentes da cena musical da época, como Xana e Viviane; dos restantes, os Silence 4 também contavam com vozes de apoio femininas (numa dinâmica muito semelhante à dos Pixies, com as devidas distâncias) e os Sitiados tinham em Sandra Baptista a sua segunda figura central, embora esta última não cantasse. Isto sem esquecer, é claro, as duas finalistas do Festival da Canção mais famosas da era pré-Salvador Sobral: Sara Tavares e Anabela (a sério, conseguem nomear o finalista de algum ano sem ser 1993 e 1994?) Enfim, uma excelente representatividade para o sexo feminino, que conseguia tão ou mais sucesso que os grupos e artistas masculinos.

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Quem se lembra?

No cômputo geral, pois, os anos 90 não podem saldar-se como nada menos do que uma década fantástica para a música pop e rock portuguesa – quer em termos comerciais, quer criativos. Bebendo das bases cimentadas na década anterior, os artistas que entraram em voga durante os 90s viriam, eles próprios, a erigir muitas das fundações que informariam a música portuguesa na década seguinte, e um pouco até aos dias de hoje, tornando a última década do século XX uma das melhores de sempre para se ser fã de música em Portugal.

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