Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.12.24

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Em edições anteriores desta rubrica, falámos de brinquedos prevalentes em finais do século XX e nos primeiros anos do seguinte, e que eram capazes de proporcionar tanto um Sábado aos Saltos como um Domingo Divertido à sua demografia-alvo. Este fim-de-semana, voltamos a combinar as duas rubricas para juntar mais um nome a essa restrita, mas crescente lista.

c1b178fab6b68ac1eefb5fd13d91fe49.jpg

Falamos das bolas desmontáveis, um daqueles conceitos tão simples quanto brilhantes, e irresistíveis para qualquer ser humano de uma certa faixa etária. Tal como o nome indica, tratavam-se de bolas em plástico duro constituídas por vários painéis segmentados, os quais se podiam separar e juntar à boa maneira de peças de 'puzzle'. Era, assim, possível 'construir' uma bola, utilizá-la da forma convencional durante um Sábado aos Saltos e, terminada a brincadeira, 'parti-la' no chão e juntar as peças para, no dia seguinte, passar um Domingo Divertido a reconstruí-la. Um verdadeiro 'dois em um' que, apesar de não ser tão eficiente em cada uma das suas funções como o equivalente de 'uso único' (sendo, por exemplo, demasiado duro para ser atirado com força, e demasiado simplista para ser verdadeiramente desafiante enquanto quebra-cabeças) não deixava ainda assim de desempenhar ambas as funções de forma suficientemente competente para atrair a atenção e curiosidade do público-alvo.

Ao contrário de outros produtos aqui abordados, as bolas desmontáveis nunca chegaram a desaparecer totalmente do mercado. No entanto, tal como vários outros brinquedos de que aqui fomos falando, o seu 'nicho' actual consiste, sobretudo, de páginas e plataformas de venda grossista na Internet, sendo as mesmas praticamente impossíveis de detectar na vida quotidiana – algo que não deixa de ser curioso, dado o seu conceito relativamente intemporal, e capaz de apelar aos mais básicos insintos e gostos da população infanto-juvenil. As Gerações Z e Alfa ficam assim, infelizmente, privadas de conhecer o prazer vivido pelos seus pais em 'destruir' uma destas bolas com uma valente pancada no chão, apenas para a reconstruir quase de imediato, e reiniciar novamente o ciclo - uma daquelas sensações que nenhuma 'app' será, jamais, capaz de recriar...

 

18.06.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui por várias vezes referimos que muitos dos brinquedos mais populares entre as crianças dos anos 80, 90 e 2000 – e até, embora em menor grau, as de hoje em dia – tinham por base conceitos extremamente simples, sem por isso serem simplistas. Das Ondamanias aos tubos e microfones de eco, e dos balões 'esmurráveis' aos 'puzzles' de deslizar, são inúmeras as provas de que não era necessário 'inventar' muito para entreter o público infanto-juvenil da era pré-digital; bastava ter uma boa ideia e saber comercializá-la de modo a que se tornasse atractiva.

O produto de que falamos este Domingo é outro exemplo 'acabado' dessa teoria; afinal, trata-se, pura e simplesmente, de um cubo de plástico, feito de segmentos rotativos de diferentes cores. E, no entanto, o mesmo constituiu um dos mais desafiantes e populares brinquedos entre as crianças de finais do século XX. Trata-se do icónico 'Cubo Mágico' ('Rubik's Cube', no original) surgido em finais dos anos 70 na Grã-Bretanha e EUA, e que, durante as décadas seguinte, 'tomou de assalto' uma série de outros países, entre os quais Portugal, onde chegaria já na década de 90.

Rubiks_cube_solved.jpg

Pode parecer fácil de resolver, mas confundiu toda uma geração.

O conceito do Cubo Mágico ficava a meio caminho entre jogo e quebra-cabeças. O objectivo era alinhar todos os segmentos da mesma cor em todos os lados do sólido, de modo a que cada um dos lados ficasse inteiramente composto de quadrados de uma só cor. Este era, claro, um objectivo mais fácil de descrever do que de realizar, sendo a dificuldade de resolução do Cubo Mágico lendária entre a geração que aceitou o desafio: muita gente conseguia fazer 'linhas' da mesma cor, ao estilo Tetris, mas poucos eram os que genuinamente decifravam o Cubo na sua totalidade. De 'truques' como o de trocar os autocolantes de modo a que o cubo ficasse resolvido sem grande esforço, até ao raro caso em que o quebra-cabeças era legitimamente resolvido, são muitas as histórias partilhadas até hoje pelos 'Millennials' de todo o Mundo, e centradas em torno daquele pequeno objecto multi-colorido.

Curiosamente, apesar de ter 'saído de moda', o Cubo Mágico viria a influenciar, ainda que indirectamente, muitas futuras 'febres' entre os fãs de quebra-cabeças, como o Sudoku e, claro, o Tetris; prova mais que suficiente (se ainda fosse necessário) da influência que um conceito tão simples pode ter sobre os padrões culturais da sociedade ocidental.

17.07.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O conceito desta rubrica sempre foi documentar as diversas formas que as crianças e jovens dos anos 90 tinham de se divertir sem saírem de casa; como tal, não podíamos, evidentemente, deixar de falar de uma das mais populares e económicas formas de passar um Domingo Divertido dentro de portas - os jogos de 'papel e caneta'.

ebee8c0ad3064e33633aab68d8c5dd31.jpg

O eterno jogo do 'Stop', grande favorito dos jovens noventistas

Qualquer ex-jovem daquela época os conhece, e jogou; é, até, provável que a geração que lhes sucedeu continue a utilizá-los como distracção durante uma aula particularmente aborrecida, ou um fim-de-semana mais 'parado'. Do clássico jogo do 'galo' ao não menos clássico 'Stop', passando por aqueles quebra-cabeças desenhados cujo objectivo era apanhar o adversário em 'contrapé' com respostas de 'rasteira', eram mil e uma as formas como as crianças daquele tempo conseguiam transformar um par de folhas de papel e canetas em longos momentos de diversão, numa espécie de versão 'Domingo-em-casa' dos não menos icónicos Quantos-Queres e aviões, chapéus ou barcos de papel dobrado.

Melhor – pela sua própria natureza, estes jogos não implicavam a compra de qualquer produto (já que papel e caneta são apetrechos que tendem a existir em qualquer gaveta da sala, quarto ou escritório) e que estimulavam a actividade mental, fosse para tentar 'fechar' os caminhos ao adversário na grelha do jogo do 'galo' ou para conseguir preencher todas as colunas do jogo do 'Stop' – aqui, de preferência, com respostas menos óbvias, comuns ou imediatas, para evitar as duplicações, causadoras de 'anulamento' da respectiva categoria. Até mesmo os quebra-cabeças 'traiçoeiros' convidavam à criação de soluções para os problemas expostos, ainda que, no final, nenhuma delas fosse a correcta, dado o carácter intencionalmente falacioso das respostas.

Fosse qual fosse o jogo por que se optasse, no entanto, a diversão estava garantida, pelo menos até os jogadores perderem o interesse no jogo em causa, altura em que poderiam, simplesmente, virar para o reverso da folha e iniciar, imediatamente, outro jogo, sem precisar de retirar nada da gaveta, prateleira ou armário, ou de adquirir qualquer acessório extra - o que, sem dúvida, ajudava a tornar estes jogos tanto do agrado dos pais como das próprias crianças, fazendo deles a alternativa ideal para um Domingo Divertido de recursos limitados...

30.05.22

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 29 de Maio de 2022.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

_t2ec16z___ee9s2uip_4brc_02m5c___60_57.jpg

Eram o presente ideal: grandes, vistosos, e capazes de manter uma ou mais crianças ocupadas de alguns minutos a várias horas ou mesmo dias, dependendo da dificuldade.

Falamos dos 'puzzles', um daqueles produtos que ninguém activamente PEDIA para ter, mas dos quais também ninguém desdenhava se recebidos como parte do espólio de Natal ou aniversário – até porque constituíam uma maneira bem divertida de passar uma tarde chuvosa em casa, fosse sozinho no quarto ou em cooperação conjunta com a família ou amigos, à volta da mesa da sala.

Comercializados, em Portugal, sobretudo pela Majora e Ravensburger – sendo a primeira associada aos mais simples, e a segunda aos maiores ou mais complexos – os 'puzzles' disponíveis nas prateleiras em finais do século XX surgiam em todas as formas e feitios, podendo o número de peças ir de dez a dez mil; já o tema da imagem que se procurava construir tendia a inserir-se, maioritariamente em duas categorias - imagens tipo 'stock' de animais, carros, cidades ou paisagens, ou propriedades intelectuais de activo interesse para o público-alvo, como desenhos animados ou personagens de banda desenhada, sobretudo da Disney. Havia, mesmo, 'puzzles' que, após construídos, assumiam funções duplas como auxiliar educativo ou jogo de tabuleiro, proporcionando assim a agradável surpresa de adquirir um produto 'dois-em-um'.

E apesar de poder parecer uma questão meramente de gosto, a verdade é que a escolha da imagem tinha influência directa sobre o grau de dificuldade do 'puzzle', sendo que imagens com largas áreas vazias de uma só cor – como o céu, ou o fundo branco de uma imagem de 'stock' – tendiam a requerer significativamente mais tentativa e erro do que aquelas em que se passava algo diferente em cada peça, tendendo estas últimas a ser mais apelativas a um público infanto-juvenil, e as primeiras a uma demografia mais velha.

ravensburger-tower-bridge-at-sunset-1000pc-puzzle_

Este puzzle iria dar que fazer a muito boa gente...

Fosse qual fosse a sua natureza, no entanto, o certo é que os 'puzzles' foram mais um daqueles passatempos outrora tidos como intemporais, mas que (apesar de ainda hoje existirem e serem comercializados) acabaram mesmo por ser tornados obsoletos pela era das tecnologias digitais; hoje em dia, completar uma actividade deste tipo apenas requer uns poucos toques no ecrã de um qualquer dispositivo electrónico, tendo-se perdido a vertente de cooperação entre familiares ou amigos para a resolução de um quebra-cabeças, na maioria das vezes, verdadeiramente desafiante - ma experiência, decerto, saudosamente recordada pela geração que a viveu...

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub