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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

14.01.26

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Numa altura em que Portugal se prepara para eleger o sucessor de um bem-amado e carismático presidente da República em final do seu segundo termo, nada melhor do que relembrar a altura, há exactos trinta anos, em que o País se preparava para fazer exactamente o mesmo, embora em circunstâncias algo díspares. Falamos das únicas Eleições Presidenciais portuguesas da década de 90, ocorridas a 14 de Janeiro de 1996, e que veriam Jorge Sampaio, do PS, ser eleito décimo-oitavo Presidente da República Portuguesa.

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Jorge Sampaio, o 18º Presidente da República Portuguesa, entre 1996 e 2005.

Mas se, nas actuais eleições, são nada menos que onze os candidatos que se degladiam pela cadeira de Marcelo Rebelo de Sousa, em 1996, a corrida para o posto de sucessor de Mário Soares efectuava-se, essencialmente, 'a dois', após tanto Jerónimo de Sousa (pelo PCP) como Alberto Matos (pela UDP, o futuro Bloco de Esquerda) terem abdicado em favor de Sampaio. O ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa via-se, assim, sozinho contra um adversário de peso – nada menos do que o ex-Primeiro Ministro, Aníbal Cavaco Silva, que procurava vingar a pesada derrota nas legislativas de 1995, que tinham visto terminar a hegemonia do PSD nesse particular.

Embora Cavaco viesse a amealhar uma quantidade nada desprezível de votos, no entanto (a maioria dos quais no Interior Norte, embora algumas regiões do Litoral Norte, como Leiria e partes do Alto Douro e Minho, tenham também votado 'em peso' à direita, criando o que viria a ser denominado como 'Cavaquistão') a sua missão declarada redundaria, ainda assim, em fracasso, já que Jorge Sampaio viria a derrotá-lo por cerca de quatrocentos mil votos, amealhando mais de três milhões contra os dois milhões e seiscentos mil de Cavaco e culminando a 'guinada à esquerda' dos órgãos legislativos portugueses iniciada por António Guterres no ano anterior. E, tal como sucederia com Guterres, o seu período à frente dos destinos do País pautar-se-ia pela tranquilidade, com obras e projectos de sucesso (como a Expo '98), estabilidade económica e poucos ou nenhuns escândalos de monta – algo a que, aliás, a personalidade pacata de Sampaio pouco se adequava.

Cavaco teria, assim, de esperar mais uma década para atingir o seu desiderato, tendo finalmente logrado ocupar a cadeira como sucessor a Sampaio após completos os dois termos deste último, em 2006. A Cavaco suceder-se-ia Marcelo, numa continuidade da Direita no poder que, prevê-se, terá continuidade no acto eleitoral que se avizinha; vejamos se, como há três décadas, a esquerda consegue 'fazer uma gracinha', e efectuar nova 'guinada', ainda que parcial, na orientação política do País...

18.12.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

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A última década do século XX sobressai, à distância de trinta anos, como uma era de sensibilização para diversos assuntos até então relativamente ignorados e menosprezados, mas aos quais era importante – quase indispensável – começar a dar mais atenção. E, entre assuntos algo mais 'sérios' e impressionantes para a juventude da época (como as drogas, a SIDA, a fome em África ou os direitos das minorias) existiam também outros mais 'corriqueiros', com escala e impacto significativamente menores, mas que afectavam mais directamente o quotidiano das crianças e jovens, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo. Era o caso, por exemplo, da ecologia, ou do tópico que abordamos neste 'post' duplo, a nutrição infantil.

De facto, enquanto Jamie Oliver se preparava para revolucionar o sistema de refeições escolares inglês, em Portugal, era a Nestlé quem fazia por que, no País, houvesse Crianças Mais Saudáveis. Era este o nome dado ao programa desenvolvido pela produtora alimentar multinacional, em parceria com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, e lançado em Julho de 2000, com o intuito de sensibilizar crianças em idade pré-escolar e primária (concretamente entre os três e os dez anos) quanto à importância de uma alimentação equilibrada e saudável, através de uma série de iniciativas, eventos e desafios lúdico-didácticos levados a cabo em, e junto de, escolas de Norte a Sul do País – o que também teria qualificado esta iniciativa, potencialmente, para uma Saída de Sábado.

E o mínimo que se pode dizer é que a iniciativa se saldou num retumbante sucesso, dado facto de ter acabado de celebrar os seus vinte e cinco anos, no caso com um evento na sede da própria Nestlé, com a participação da turma vencedora do desafio deste ano. Um aniversário marcante para uma iniciativa meritória, e que, espera-se, continue por muitos anos a melhorar os hábitos alimentares de gerações vindouras, com o apoio daquelas (entretanto 'crescidas') que ajudou a 'aprender a comer'...

03.12.25

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

O mês de Abril tem, tradicionalmente, fortes conotações políticas, dado ter marcado o início, há já mais de cinco décadas, da democracia moderna no País. Assim, não é de admirar que o quarto mês do primeiro ano do Terceiro Milénio tenha visto nascer o 'número que falta' de partidos políticos – isto é, dois. O que é, efectivamente, surpreendente é que esses dois partidos se tenham posicionado em extremos diametralmente opostos do espectro político nacional.

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De facto, enquanto que o Ruptura/FER (Frente Esquerda Revolucionária) se posicionava ainda mais à esquerda que o Partido Comunista – alicerçando-se em ideologias trotskistas – o Partido Nacional Renovador alinhava no 'pólo' oposto, tendo essencialmente sido o antecessor do Chega!, e primeiro partido 'oficial' de extrema-direita no País; quis o destino que ambos 'nascessem' a poucos dias de distância do adversário que passariam as duas décadas seguintes a opôr.

E se o PNR (mais tarde Ergue-te, sendo pioneiro da utilização de exclamações como nomes de partidos políticos) ganharia a notoriedade que um partido nos seus moldes inevitavelmente granjearia, o Ruptura/FER teve um percurso bem mais discreto, sendo o seu principal motivo de interesse o facto de alguns dos seus militantes terem contribuído para o crescimento do Bloco de Esquerda. No entanto, num verdadeiro exemplo de 'lebre e tartaruga', foi o partido de esquerda quem logrou sobreviver até aos dias de hoje, tendo-se independentizado do Bloco e assumido a designação Movimento Alternativa Socialista, ao passo que o PNR/Ergue-te sucumbia à sua própria incapacidade de apresentar relatórios e contas, vindo a extinguir-se em Junho de 2025 (quase exactamente um quarto de século após a sua fundação) na sequência de três falhas neste capítulo, deixando o Chega como partido monopolista no sector da extrema-direita. Histórias e destinos muito diferentes para dois 'gémeos' nada idênticos, representativos dos dois extremos mais 'radicais' da política portuguesa.

19.11.25

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Em 1998, a chamada 'dinomania' já se havia esvaído um pouco, tanto em Portugal como no resto do Mundo – afinal, 'Parque Jurássico' (o grande catalista do interesse de toda uma geração por dinossauros, e responsável por um aumento significativo na venda de réplicas em borracha daqueles animais) tinha estreado há já quase meia década, o que, em 'anos de criança', o tornava praticamente num 'fóssil' igual aos que retratava. No entanto, justamente quando o interesse pelos gigantes pré-históricos começava a esmorecer, duas descobertas fascinantes, feitas em pleno solo português, vieram relançar o fascínio pelas criaturas em causa.

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Um dos fósseis encontrados na Lourinhã, no caso um ninho de ovos de crocodilo com vários milhões de anos.

Isto porque foi nesse ano que tiveram lugar dois acontecimentos paleontólogicos de relevo, ambos ligados à mesma faixa de areia na região Centro de Portugal. Isto porque não só era descoberto nesse ano, na praia de Paimogo, um ninho com centenas de ovos fossilizados de dinossauro (e, como se veio a revelar mais tarde, também de crocodilo) como também era oficialmente atributo estatuto de espécie distinta ao esqueleto encontrado naquele mesmo local mais de uma década e meia antes, ao qual era dado o nome de 'Lourinhanossaurus Antunesi', em honra do paleontólogo responsável pela sua descoberta.

De uma assentada, os fãs de dinossauros tinham, assim, dois eventos de monta para celebrar, ambos praticamente 'às portas' da capital portuguesa, fazendo com que os dinossauros parecessem mais próximos do que nunca, senão temporalmente, pelo menos geograficamente. Tal contribuiu, naturalmente, para reavivar o interesse de muitas crianças e jovens pela pré-história, e especificamente pelos animais em causa - embora nunca se tenha chegado a verificar uma segunda 'dinomania' – e, juntamente com a descoberta das gravuras rupestres de Foz Côa, entrou para a História paleontológica portuguesa como um dos maiores acontecimentos do campo na década de 90.

Ao contrário do que sucederia com Foz Côa, no entanto, só já numa fase bastante adiantada do Terceiro Milénio é que a Lourinhã conseguiria 'capitalizar' sobre a sua reputação como 'capital portuguesa dos dinossauros', com a abertura do Dinoparque, em 2018 – mais de duas décadas após os seus 'cinco minutos de fama' nos círculos paleontológicos, e na sociedade portuguesa em geral. Como diz o ditado, no entanto, 'mais vale tarde que nunca', e a localidade continua até hoje a ser associada aos fascinantes gigantes do princípio dos tempos, e a tirar dividendos das descobertas ali feitas nas décadas de 80 e 90, e que puseram pela primeira vez (e de forma bastante literal) os dinossauros no 'mapa' português...

07.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 05 de Novembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

O espectro político no Portugal pós-25 de Abril de 1974 é famosamente bipartido, com o Partido Socialista e o Partido Social Democrata a 'revezarem-se' mais ou menos assiduamente no comando do País. Ainda assim, este padrão deixa espaço para algumas anomalias, com certos Primeiros-Ministros a lograrem revalidar o seu termo e mesmo a atingirem maiorias absolutas. O caso mais recente, e fresco na memória dos Portugueses, será o do 'destronado' António Costa, mas as gerações mais velhas recordam outro período, ainda mais longo e não menos célebre, em que o País viveu sob a égide dos mesmos Chefes de Estado durante mais de uma década – o famoso 'Cavaquismo', que viu a dupla de Mário Soares e Cavaco Silva fomentar o crescimento económico do território e conseguir duas maiorias absolutas.

Infelizmente, tal como sucederia com Costa um quarto de século depois, este paradigma ultra-vitorioso levaria a algum excesso de confiança por parte da dupla, o qual se traduziria em alguns 'exageros' no terceiro e último mandato de Cavaco, cuja contestação, aliada a uma crise económica 'importada' da Europa, resultou, inevitavelmente, no fim do seu 'reinado', e numa pronunciada 'guinada à esquerda' por parte dos votantes, que, nas eleições de Outubro de 1995, elegeriam como Primeiro-Ministro o Socialista António Guterres, 'quebrando' a hegemonia cavaquista e retomando o ciclo de 'alternâncias' parlamentares, o qual só voltaria a ser quebrado por António Costa.

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Tal como sucedera nos primeiros mandatos do anterior executivo, o XIII Governo Constitucional da República Portuguesa (sobre cuja tomada de posse se celebraram na semana passada exactos trinta anos) pôs grande parte do seu foco no crescimento e estabilidade económica do País, procurando mitigar os efeitos da recente crise económica e colocar a nação, uma vez mais, dentro dos critérios de convergência cambial da União Europeia. No entanto, os seus legados mais duradouros talvez sejam a introdução do Rendimento Mínimo Garantido, o aumento dos apoios sociais, o investimento na educação e a inserção de mais mulheres na força laboral e profissional, reduzindo as disparidades de género que ainda se faziam sentir à época, tendo o executivo tirado proveito de um período relativamente calmo (tanto a nível interno como externo) para corrigir alguns dos problemas que ameaçavam o futuro económico do País, tendo o seu termo ficado, ainda, marcado pela realização, com distinção, da EXPO '98 - ainda hoje um dos maiores e mais reconhecidos marcos culturais da História do Portugal contemporâneo - e pela cedência de Macau à China, nas últimas horas do Segundo Milénio.

Apesar deste saudável clima económico, no entanto, Guterres não passaria totalmente incólume a controvérsias (sobretudo ligados a alguns comentários menos 'palatáveis' sobre a homossexualidade, ou ao famoso desastre de Entre-os-Rios, em 2001) e, embora o seu executivo tão-pouco havia sido marcado por factores excessivamente negativos, como sucederia mais tarde com os de, Pedro Santana Lopes, ou do infame José Sócrates, o Partido Socialista viria a sofrer, em Dezembro de 2001, uma derrota de tal forma retumbante que Guterres colocaria o lugar à disposição, levando à dissolução do Parlamento pelo sucessor de Mário Soares, o também socialista Jorge Sampaio. Nas eleições, o novo líder socialista, Ferro Rodrigues, viria a ser derrotado pelo rival social-democrata, Durão Barroso, perpetuando a tendência 'bipolar' e bipartidária da Democracia portuguesa. Ainda assim, como grande responsável pelo fim do Cavaquismo (e um de apenas dois executivos portugueses a iniciar e terminar mandatos completos na década de 90), o XIII Governo Constitucional não deixa de merecer esta nota por alturas do trigésimo aniversário da sua subida ao poder, um dos maiores marcos da política portuguesa na década em causa,

23.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 22 de Outubro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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Hoje em dia, o direito das crianças e jovens a serem tratados com justiça e equanimidade, e protegidos de abusos morais, físicos ou psicológicos, é um dado tão adquirido no seio da sociedade portuguesa (e do Mundo ocidental em geral) que é genuinamente surpreendente constatar que este paradigma é consideravelmente mais recente do que inicialmente se poderia pensar. De facto, foi apenas há exactos trinta e cinco anos que Portugal revogou o documento criado pela Organização das Nações Unidas no ano anterior, e que pretendia, precisamente, salvaguardar os cidadãos menores de idade contra um sem-número de situações a que estes se podiam, potencialmente, ver expostos, proporcionando-lhes um enquadramento legal no qual se resguardarem.

O calendário marcava, efectivamente, a data de 21 de Outubro de 1990 - dez meses depois de o País ter assinado o documento, e exactos trinta dias após o ter ratificado - quando as cerca de cinco dezenas e meia de estatutos e medidas delineadas na carta legal designada por Convenção Sobre os Direitos das Crianças entravam oficialmente e legalmente em vigor em Portugal, salvaguardando os menores de idade residentes no território nacional de situações de violência doméstica, tráfico, abusos psicológicos, repressão ou negligência, que passavam, a partir desse momento, a ser puníveis por lei. E apesar de esse tipo de acção não ter, infelizmente, desaparecido como consequência da carta em questão – nem em Portugal nem, infelizmente, em qualquer outro país do Mundo – a mesma ajudou, ainda assim, a garantir aos menores de idade o estatuto de sujeitos de direito (e jurídicos) aos olhos do Estado, atribuindo-lhes, senão paridade com os adultos, pelo menos um grau subtancial de protecção, de que até então não dispunham, e que viria a informar as )(até agora) três décadas e meia desde a sua assinatura. Razão mais que suficiente, pois, para celebrarmos nas nossas páginas (tantas vezes dedicadas a produtos ou programas dirigidos a crianças e jovens) o aniversário dessa marcante efeméride, que permitiu às gerações 'X' e 'millennial' viverem uma infância e adolescência seguras, alegres e despreocupadas.

09.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 8 de Outubro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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O sistema governamental e ministerial encontra-se, no Portugal de hoje em dia, relativamente bem definido, sabendo os cidadãos nacionais, grosso modo, com que pastas e departamentos contar quando cada novo Governo toma posse. Tal não impede, no entanto, que qualquer executivo possa efectuar (e efectivar) mudanças neste mesmo organigrama – algo que, apesar de raramente tentado, tem ainda assim precedente em Portugal no último quarto de século.

De facto, aquando da sua entrada em funções, em 1999, o décimo-quarto Governo Constitucional da República Portuguesa adicionava um novo Ministério ao quadro já existente, a que dava o nome de Ministério da Igualdade. Para ministra encarregue deste novo departamento, cuja função era assegurar a igualdade laboral entre homens e mulheres, era nomeada a anterior Ministra da Saúde, Maria de Belém Roseira, figura já bem conhecedora dos meandros políticos portugueses, e cujo currículo indicava estar mais do que à altura do desafio.

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Maria de Belém Roseira foi Ministra da Igualdade durante todo o breve tempo de vida do departamento.

O desafio em si, no entanto, acabou por não ser particularmente longo ou complexo – antes pelo contrário. O Ministério da Igualdade entraria para a História de Portugal, não pelo papel que teve na regulação da discriminação laboral, mas pelo seu curto tempo de actividade tendo sido extinto após pouco mais de um ano, sem nunca ter sido mais do que uma bizarra nota de rodapé no mapa legislativo português. Na altura em que acabam de se completar vinte e cinco anos sobre a sua extinção (ocorrida em Setembro de 2000) não deixa, no entanto, de ser interessante recordar esta estranha e efémera adição aos Ministérios de sempre, por parte de um Governo que tentou, claramente, fazer algo de diferente (e honroso) mas cuja ideia se salda apenas, um quarto de século depois, como um dos maiores falhanços de sempre da política portuguesa.

26.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 24 de Setembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Até bem recentemente, com o casamento de Kate Middleton com o Príncipe William de Inglaterra, o termo 'casamento real' era quase sinónimo com o anterior matrimónio no seio da Família Real inglesa – o casamento de Carlos e Diana, levado a cabo com pompa e circunstância na histórica Abadia de Westminster, em Londres, em 1984. E porque Portugal não leva a bem ficar atrás de qualquer outro país da União Europeia, a década seguinte veria o nosso País tentar realizar a sua própria versão ´à portuguesa' do evento, com o habitual atraso de vários anos, uma fracção do orçamento e da atenção, nenhumas implicações políticas e de governação (à entrada para o evento, poucos eram os que sabiam que Portugal sequer tinha um rei), e os Jerónimos a 'fazer' de Westminster. O resultado, previsivelmente, foi bem menos memorável que a versão original, pese embora persista ainda na memória dos portugueses nascidos até finais da década de 80.

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Isto porque, brincadeiras à parte, o casamento de D. Duarte Pio, Duque de Bragança, com Isabel de Herédia foi suficientemente grandioso para justificar o acompanhamento televisivo, e o significativo 'share' de audiência que o mesmo conseguiu – afinal de contas, é muto difícil à maioria dos seres humanos (e decididamente aos portugueses) conseguirem resistir a uma boa cerimónia. Assim, terão sido inúmeros os jovens lusitanos que acompanharam em directo o acontecimento, através da RTP, certamente sintonizada por um qualquer familiar mais velho. E embora quase nenhum deles soubesse, até àquele momento, quem era ou que título tinha D. Duarte Pio (um rei nunca oficialmente empossado, e cujo nome não figura, subsequentemente, nos livros de História) o ar bonacheirão e radiante do mesmo ao lado da nova esposa (fazendo lembrar um tio-avô simpático e brincalhão) ajudou a que muitos simpatizassem de imediato com o monarca, e passassem a acompanhar o seu 'trajecto' rumo a um final feliz ao lado da nova Duquesa.

E a verdade é que tal se veio mesmo a verificar, com o casal a permanecer junto até aos dias de hoje, trinta anos depois, e a dar à luz três filhos, cujos nomes intermináveis, com quatro nomes próprios e outros tantos apelidos, chegou a ser 'meme' corrente no Portugal da época: os infantes Afonso e Dinis e a infanta Maria Francisca, ela própria recentemente casada. Apesar de ser muito pouco provável, senão impossível, que Portugal volte a ser uma monarquia, caso isso aconteça, a sucessão está, assim, bem assegurada, como resultado de um processo que se começou a delinear numa tarde de fim-de-semana de Primavera, há já mais de trinta anos, e cujo primeiro passo colou grande parte do País ao ecrã de televisão, para presenciar uma efeméride então inédita no seu tempo de vida, e cujos efeitos perduram até aos dias de hoje.

12.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Setembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

A existência (ou não) de vida inteligente em outros corpos galácticos que não apenas a Terra tem, pelo menos desde há dois séculos, exercido um fascínio considerável sobre grande parte da população Mundial, não sendo Portugal excepção à regra. A dificuldade em explicar certos eventos a nível cognitivo, aliada à tendência muito humana para extravasar e extrapolar acontecimentos, leva a que muitos indivíduos um pouco por todo o Mundo acreditem na existência de raças extraterrestres, capazes de se deslocar pelo espaço em veículos mecanicamente muito mais avançados do que os tradicionais carros e, assim, visitarem outros planetas, entre eles a Terra. E ainda que continuem a existir poucas ou nenhumas provas de que seja este o caso (e nenhuma delas conclusiva) a verdade é que, uma vez por outra, ocorre algo que se afigura verdadeiramente difícil de explicar racionalmente. Um desses eventos, sobre o qual se celebraram há poucos dias exactos trinta e cinco anos, teve lugar numa improvável aldeia do interior de Portugal, onde várias pessoas afirmaram ter avistado um Objecto Voador Não Identificado (OVNI), naquele que permanece, até hoje, o mais significativo evento ligado à vida extraterrestre a ter ocorrido no nosso País.

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Uma das quatro fotos existentes do OVNI de Alfena, conhecido como a 'Medusa' devido à sua forma.

Foi às oito e meia da manhã do dia 10 de Setembro de 1990 que diversos habitantes da aldeia de São Vicente de Alfena, no concelho de Valongo, na Área Metropolitana do Porto, afirmaram ter avistado um objecto estranho no céu, o qual permaneceria sobre a aldeia durante cerca de cinquenta minutos, ora estático, ora em movimento. Fotografias tiradas por uma das testemunhas, e autenticadas tanto pela NASA como pela Kodak, mostrariam tratar-se de um objecto esférico e com apêndices a fazer lembrar patas ou tentáculos, configurando uma aparência algures entre a de um disco voador estereotipado e a do organismo marinho conhecido como medusa, nome pelo qual ficou informalmente conhecido.

Esta prova foi, desde logo, considerada suficiente para dar início a uma investigação internacional sobre o incidente, e a pacata aldeia nortenha via-se assim, de um dia para outro, no epicentro de uma pesquisa digna dos 'Ficheiros Secretos', que envolvia agências francesas e americanas, além de vários laboratórios nacionais, na tentativa de discernir a natureza e origem do objecto, tendo a ocorrência chegado mesmo a ser tema de um episódio de uma série sobre eventos ligados ao contacto extraterreste produzida pela National Geographic. E ainda que a maioria das pesquisas tenha sido inconclusiva, os cientistas conseguiram, ainda assim, concluir que o objecto não se assemelhava a qualquer dispositivo aéreo conhecido e que pudesse ajudar a explicar o mistério, como uma sonda ou um balão metereológico. Tendo o evento tido lugar décadas antes da comercialização em massa de 'drones' teleguiados, o objecto no céu de Alfena permaneceu, assim, impossível de identificar, acabando por ser 'arquivado' na memória popular como mais uma prova de que existe algo mais na vastidão do espaço, que talvez procure estabelecer contacto com os habitantes de outros planetas ou, no mínimo, visitá-los – algo que qualquer habitante de São Vicente de Alfena presente naquela manhã de Setembro há trinta e cinco anos decerto não terá qualquer problema em corroborar...

23.07.25

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Apesar de o balanço de poder no panorama político português se vir mantendo mais ou menos estável desde a implementação da democracia liberal no pós-25 de Abril, tal não invalida que, paulatinamente, novas caras e forças procurem deixar a sua marca na governação do País. Infelizmente, salvo muito raras excepções (a principal das quais já aqui abordada) esses partidos acabam por ter uma expressão muito reduzida – para não dizer mínima, ou mesmo nula – e por se remeter rapidamente à obscuridade do fundo do boletim de voto, e à esperança que haja alguém disposto a apostar neles a cada novo acto eleitoral. O grupo de que falamos neste post – a poucos dias daquele que seria o trigésimo-quinto aniversário da sua fundação – não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo, antes pelo contrário, constituído um exemplo perfeito da trajectória da maioria das iniciativas deste tipo.

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Surgido a 26 de Julho de 1990, pela mão de Manuel Sérgio, o Partido da Solidariedade Nacional até conseguiu alguma tracção no seu primeiro acto eleitoral (o de 1991) muito graças ao efeito conjunto do 'factor novidade' (sempre apelativo para uma população sedenta de alternativas políticas) e de um programa eleitoral explicitamente focado nos reformados, uma das camadas populacionais que tradicionalmente mais sofre com a falta de medidas e apoios estatais. De facto, apesar de a percentagem de voto no novo partido se ter saldado em pouco mais de 1.6%, tal foi, ainda assim, suficiente para garantir ao fundador e presidente um lugar na Assembleia da República – um feito que não deixa de ser notável para um partido recém-fundado.

Este auspicioso início não teria, no entanto, continuidade em eleições subsequentes, tendo a 'fama' do PSN sido 'sol de pouca dura'. De facto, em apenas quatro anos, o partido perdeu quase 1.4% dos seus eleitores, ficando os dois outros actos em que participou, em 1995 e 1999, marcados por uma adesão de apenas 0.2%, percentagem que deixava o grupo de Manuel Sérgio fora dos lugares da Assembleia. Nada que impedisse o Presidente do partido de sonhar alto, no entanto, tendo-se Sérgio apresentado como candidato a Eurodeputado em ambos os actos eleitorais para o Parlamento Europeu, em 1994 e 1999; escusado será dizer que nenhuma das duas campanhas rendeu quaisquer frutos, tendo a representação portuguesa naquele organismo ficado a cargo de nomes com bastante maior projecção. A Manuel Sérgio, restava apenas regressar ao 'rame-rame' da política em pequena escala, do qual não lograria tornar a sair durante a meia década de vida que restava ao PSN.

De facto, logo nos primeiros dias do ano de 2006, o partido fundado pouco mais de uma década e meia antes viria a ser oficialmente dissolvido, assumindo o falhanço da sua tentativa de encontrar o seu espaço numa cena política já demasiado formatada e bipartida para acolher partidos de tão pouca expressão. A breve passagem de Manuel Sérgio e do Partido da Solidariedade Nacional pela política portuguesa salda-se, pois, em apenas mais uma de tantas 'notas de rodapé' já anexadas a esse mesmo panorama, e cujo número vem continuando a crescer até aos dias de hoje: afinal, a esperança é a última a morrer, e qualquer bom político tem um quê do idealismo e vontade de mudar o Mundo que, em 1990, tinham Manuel Sérgio e o seu PSN...

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