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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

09.09.21

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 8 de Setembro de 2021.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

O final da década de 90 viu exacerbar-se em Portugal o gosto pela animação e banda desenhada japonesas, hoje em dia mais vulgarmente conhecidas como anime e manga. Embora esta tendência não tenha surgido ‘do nada’ – já desde a década anterior que a então chamada ‘Japanimação’ vinha ganhando terreno no país, sobretudo no mercado de vídeo – foi mesmo durante os anos finais do século XX e inícios do século XXI que este tipo de conteúdo teve o seu primeiro grande ‘boom’ no nosso país, com o lançamento e subsequente popularização de diversos clássicos do desenho animado para adultos nipónico.

Um desses clássicos, que curiosamente serve de ‘elo de ligação’ entre as duas eras de interesse por produtos áudio-visuais japoneses no nosso país, foi Akira, a lendária saga futurista criada por Katsuhiro Otomo em 1988 e cujo respectivo filme chegaria a Portugal em formato direct-to-video no início da década seguinte. Já quanto à banda desenhada que havia dado origem à referida longa-metragem (um épico de mais de 2100 páginas!) a situação foi um pouco diferente, sendo que inicialmente, o único acesso à série por parte do público português era através da edição brasileira, publicada em fascículos estilo ‘gibi’pela editora JBC; já a edição em ‘português de Portugal’ apenas seria editada mais de uma década e meia após o lançamento do original no Japão, com o primeiro tomo a surgir apenas em 1998, pela mão da Meribérica-Liber.

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Capa do primeiro volume de 'Akira' publicado em Portugal

A espera pelo aparecimento da série nas livrarias portuguesas acabou, no entanto, por valer a pena; isto porque a edição portuguesa de ‘Akira’ não era um qualquer ‘livro aos quadradinhos’ igual a tantos outros, mas sim uma verdadeira colecção literária, com direito a capa cartonada, impressão de alta qualidade, tradução cuidada e número considerável de páginas, mais próxima dos álbuns franco-belgas do que das revistas da Marvel ou DC. Publicados entre 1998 e 2004, estes volumes foram, infelizmente, descontinuados antes de a saga poder atingir a sua conclusão, ficando a versão portuguesa de ‘Akira’ incompleta, mesmo para quem possuía todos os livros!

Uma curiosidade quanto a esta colecção é o facto de não se saber exactamente quantos volumes foram publicados em Portugal. Embora, actualmente, só seja possível encontrar doze (sendo o último extremamente difícil de encontrar), o site da Bedeteca dá conta da existência de dezanove - sendo os últimos sete, se existirem, extremamente raros.

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...número 16...?! Mas...mas...

Independentemente do número de tomos lançado, no entanto, o que é, sim, consensual é o facto de a BD ter ficado, em todo o caso, incompleta, um erro que demoraria outros quinze anos a ser corrigido, desta vez pela mão da JBC, mesma editora responsável pela versão brasileira duas décadas antes.

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Primeiro volume da reedição pela JBC

Ainda assim, mesmo com o ‘pequeno defeito’ de ter ficado incompleta, a edição de ‘Akira’ pela Meribérica-Liber vale bem a pena para qualquer entusiasta de manga, pelo seu alto padrão de qualidade e evidente cuidado na apresentação e grafismo. Foram essas características – além da qualidade e popularidade do material original – que ajudaram a garantir que ‘Akira’ era merecedor de um lugar nesta secção do nosso blog…

26.08.21

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 26 de Agosto de 2021.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Na última edição desta rubrica, recordámos ‘Calvin e Hobbes’, talvez o mais famoso e popular exemplo das ‘comic strips’ norte-americanas no nosso país. No entanto, apesar de ter sido o mais emblemático título deste tipo publicado no nosso país, a série sobre o menino traquinas e o seu amigo imaginário de peluche esteve longe de ser a única a cruzar o oceano até às nossas paragens – pelo contrário, o sucesso de que a série gozou em Portugal motivou a editora que a lançara, a Gradiva, a arriscar a sorte com outras propriedades intelectuais do mesmo tipo. É delas – bem como de outras publicadas por editoras concorrentes – que falaremos no post de hoje.

E começando, desde logo, pela Gradiva, podemos recordar séries como Cathy, Foxtrot e (já no novo milénio) Zits, todas presença comum nos suplementos de banda desenhada dos jornais norte-americanos da época, e todas chegadas a Portugal exactamente no mesmo formato em que haviam sido publicadas no seu país de origem – os álbuns eram precisamente os mesmos, com as mesmas capas e as mesmas tiras, tendo apenas sido traduzido e adaptado o conteúdo conforme necessário. Escusado será dizer que, apesar de nenhuma delas ter atingido o nível de sucesso generalizado de ‘Calvin e Hobbes’, todas tinham o seu público, muitas vezes conseguido acidentalmente, apenas por virtude de se tratar de banda desenhada (Cathy, por exemplo, é declaradamente dirigida a um público feminino adulto, e terá certamente deixado muitos jovens confusos quanto a como e porque é que aquilo tinha piada.) Ainda assim, qualquer destas séries fez sucesso suficiente em Portugal para justificar a continuidade da publicação e, como tal, qualquer delas merece umas linhas neste nosso blog.

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Alguns dos muitos álbuns publicados pela Gradiva

Ainda antes de a Gradiva se ter lançado na aventura dos ‘comic strips’ americanos, no entanto, já outras editoras vinham tratando de editar algumas das mais populares propriedades desse meio, traduzidas para o ‘nosso’ português. No entanto, ao contrário das propriedades anteriormente citadas, clássicos como Peanuts, Garfield ou Haggar o Horrível nunca encontraram ‘casa’ fixa no nosso país, saltando de editora em editora ao longo dos anos sem que nenhuma conseguisse ‘segurar’ a publicação. Edinter, Meribérica-Liber, Horizonte e Dom Quixote foram apenas algumas das editoras que pegaram, ou tentaram pegar, nestas séries entre finais dos anos 80 e inícios do século XXI, obtendo sempre o sucesso que já é quase inerente a estes nomes mais clássicos, mas nunca o suficiente para levar a algo mais do que uns quantos álbuns publicados. Destas, a mais bem sucedida talvez tenha sido a Dom Quixote, que, durante a década de 90, conseguiu lançar no mercado uma série relativamente longa de álbuns com as aventuras mais modernas de Garfield, que vale bem a pena procurar adquirir.

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O primeiro volume da colecção de Garfield lançada pela Dom Quixote

Não é, pois, difícil perceber que, apesar de nenhum ter chegado aos píncaros de sucesso de ‘Calvin e Hobbes’, os ‘comics’ de jornal norte-americanos tiveram uma presença discreta, mas honesta no nosso país, encontrando, na sua maioria, um público bastante receptivo ao seu humor clássico e personagens marcantes e memoráveis. Hoje em dia, tal presença encontra-se, talvez, um pouco mais esbatida, mas durante os anos que nos concernem, foi, sem dúvida, suficientemente marcante para justificar estas linhas aqui no Anos 90…

 

11.08.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Desde o início desta rubrica que temos vindo a focar as nossas atenções, sobretudo, no estilo de bandas desenhadas disponíveis nas tabacarias, papelarias e quiosques daquele Portugal dos anos 90. No entanto, este não foi o único tipo de BD a fazer sucesso entre a população jovem da época; houve um outro género que se popularizou, precisamente, durante essa década, e que perdurou até, pelo menos, meados da seguinte – os álbuns de tirinhas originalmente publicadas nos jornais diários e semanários norte-americanos, as chamadas ‘comic strips’. E dentro dos álbuns de ‘comic strips’; houve uma dupla que se notabilizou acima de todas, ao ponto de ser praticamente sinónima com este estilo para a maioria das crianças portuguesas.

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Falamos, como é óbvio, de Calvin e Hobbes, o ‘pestinha’ de seis anos e o seu amigo imaginário / tigre de peluche com nomes de filósofos renascentistas que cativaram a juventude portuguesa da época com a sua mistura de tirinhas cómicas-sarcásticas com outras mais filosóficas e reflexivas, muito pouco habituais na era do ‘berrante e movimentado’.

Nascidos, ainda nos anos 80, da imaginação de Bill Watterson, um ex-‘cartoonista’ político, a dupla almejava representar, em simultâneo, a inocência, imaginação e poder de observação demonstrado pela maioria das crianças. Para almejar este objetivo, Watterson dividia a personalidade típica infantil entre dois personagens, ficando Calvin com a faceta mais imaginativa e irrequieta, e o seu tigre – em grande parte baseado na gata de Watterson - com a parte mais reflexiva, observante e sensata. Esta dinâmica, que o criador explorava de forma perfeita, dava à tirinha um equilíbrio que faltava em muitas outras, mais explicitamente viradas à comédia, fazendo de Calvin and Hobbes, os personagens, quase como que sucessores naturais dos famosos ‘Peanuts’, de Charles Schulz; e, tal como ‘Peanuts’, não tardou até a BD de Watterson se tornar um êxito entre o público jovem.

Portugal – onde a BD chegava em início dos anos 90, com a habitual meia-dúzia de anos de atraso, pela mão da editora Gradiva – não foi excepção à regra neste aspecto. De facto, a maioria das crianças portuguesas dos anos 90 e 2000 tinha na sua colecção pelo menos um dos álbuns de Calvin & Hobbes editados no nosso país – fosse um dos ‘normais’ ou um dos especialíssimos e muito cobiçados álbuns ‘grande formato’ e provavelmente várias peças de ‘merchandise’ alusivas à dupla - inevitavelmente, piratas, sendo que NUNCA houve ‘merchandising’ oficial de Calvin and Hobbes, por vontade expressa de Watterson, conforme o próprio conta no seminal álbum de aniversário da dupla, ‘Parabéns Calvin & Hobbes’.

Ainda assim, tal não impedia a existência de t-shirts, autocolantes e outros artigos ilustrados pelas mais famosas cenas desenhadas por Watterson, e que faziam as delícias das crianças e adolescentes portuguesas, e um pouco por todo o Mundo.

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O seminal álbum de celebração dos dez anos da dupla, editado pela Gradiva, e um dos muitos produtos alusivos à mesma, de cariz não licenciado

Infelizmente, foi ainda na década de 90 que Bill Watterson resolveu encerrar actividades, desiludido com o rumo que a indústria de ‘comic strips’ norte-americana estava a tomar. Estávamos em 1995 quando o autor da mais famosa representante do género declarou que não criava mais…e não criou. Nos vinte e cinco anos seguintes, não saiu nem mais uma tira, nem mais um desenho, nem mais uma história alusiva à dupla, tendo os seus milhões de fãs espalhados pelo globo tido de se contentar com o material pré-existente.

Entretanto, a era de ouro dos sindicatos de ‘comics’ viria, também ela, a acabar e, com ela, a publicação em massa deste tipo de álbuns, que – embora ainda se vejam nas livrarias – já não têm a preponderância que em tempos tiveram entre a população jovem, mais virada para o digital que para as leituras. Ainda assim, a influência que um ‘puto traquina’ e o seu tigre de peluche tiveram em toda uma geração de leitores portugueses não pode ser menosprezada, e justifica bem a atribuição de meia dúzia de parágrafos num blog nostálgico a esta marcante série de BD do ‘nosso’ tempo…

28.07.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Quem, nos anos 90, se dirigia à banca mais próxima em busca de revistas Disney, da Turma da Mônica ou de super-heróis, certamente repararia numa outra revista algo ‘esquecida’ a um canto, mais pequena do que as outras, e que, com o seu algo ultrapassado tema ‘western’ (ou, como se dizia na altura, ‘de cowboys’) e estilo de desenhos algo mais classico, parecia algo deslocada entre as suas congéneres mais modernas, quase como se tivesse sido ‘teleportada’ para ali de uma era completamente diferente.

E a verdade é que esta primeira impressão não andava longe da verdade; a revista em causa era mesmo ‘importada’ de outra era – especificamente, do final dos anos 40 – tendo-se o seu estilo mantido praticamente imutável no meio século subsequente. Sim, em plenos anos 90, estava disponível em Portugal uma revista que não só havia sido publicada ininterruptamente durante mais de quarenta anos, mas que havia conseguido sobreviver todo esse tempo sem ter mudado sequer um elemento da sua fórmula original. E a melhor parte? A dita revista continua a ser publicada até aos dias de hoje, perfazendo quase setenta e cinco anos de publicação ininterrupta – e sempre mantendo o espírito original dos anos 40!

download.jpgO número 1 de Tex

A referida série é, claro, Tex, aquela criação italiana importada do Brasil que ninguém lia, mas todos conheciam, e que aparentemente era popular o suficiente para continuar a ser encomendada por bancas e tabacarias um pouco por todo o nosso país – bem como para justificar uma tentativa de edição em língua portuguesa, já nos anos 90.

E, no entanto, a maioria das crianças daquele tempo terá, certamente, dificuldade em perceber um fenómeno como este, apenas comparável em longevidade ao lendário Archie norte-americano; isto porque [i]Tex[/i], com o seu clima ‘western spaghetti’, passava completamente ao lado das áreas de interesse da demografia que lia ‘quadradinhos’ nos anos 90. De facto, em comum com os personagens infantis mais populares da época, Tex Willer só tinha mesmo o facto de usar sempre a mesma roupa – no caso, um chapéu castanho, camisa amarela e clássicos jeans azuis-escuros.

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Um exemplar da revista já dos anos 90

Sendo esse o caso, no entanto, a quem devia o ‘cowboy’ aos quadradinhos o seu considerável sucesso? A resposta, algo inesperada, passava pelo público mais velho. De facto, enquanto que na escola era raro encontrar quem lesse, de quando em vez, lá se via um leitor mais adulto a comprar um número na tabacaria da esquina…

Mesmo com esta ressalva, é difícil imaginar a razão exacta para Tex ter sido importado durante tanto tempo, e mesmo publicado em português ‘de Portugal’; presença perene nas bancas portuguesas, para a maioria das crianças, a revista era, no entanto, não mais do que um pano de fundo para as publicações que verdadeiramente lhes interessavam. Ainda assim, haveria certamente quem lesse; afinal, nenhuma revista se consegue manter nas bancas durante mais de três quartos de século se não tiver quem a compre…

14.07.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Depois de termos feito das revistas Disney da Abril Morumbi o tema de uma das primeiras edições das Quartas aos Quadradinhos, voltamos hoje a falar dos mais famosos personagens de banda desenhada de sempre, desta vez para abordar um tema que, na altura, abordámos mas não aprofundámos: a presença dos mesmos em contextos externos ao das revistas que periodicamente chegavam às bancas.

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O primeiro fascículo do suplemento, datado de 1991

Especificamente, vamos hoje falar do singelamente chamado ‘suplemento Expresso Abril Jovem’, uma adição auto-explicativa ao popular semanário durante a primeira metade dos anos 90, e que, como o nome indica, almejava trazer a banda desenhada da Disney a um público (ainda) mais alargado, que talvez não prestasse atenção à secção de BD do quiosque ou papelaria local, mas que potencialmente se interessaria se as histórias viessem inseridas no seu jornal do costume.

A verdade é que, qualquer que fosse a motivação por trás desta iniciativa, a mesma resultou em cheio; a inserção destes fascículos no semanário de referência em Portugal não só dava aos mais jovens algo para ler enquanto os pais assimilavam o jornal em si, mas também lhes dava uma razão para convencerem os pais a tornar a compra do mesmo regular, caso ainda não o fosse – afinal, uma iniciativa deste tipo não pode deixar de apelar à vertente ‘coleccionista’ inata a todas as crianças.

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Uma edição comemorativa do aniversário da Gibiteca, com o popular personagem Biquinho

Quanto às histórias incluídas nestes fascículos, em nada diferiam das que se podiam encontrar, semanal ou quinzenalmente, nas revistas publicadas nas bancas. Não havia, aqui, lugar à publicação de histórias mais clássicas ou raras – eram, pura e simplesmente, as típicas histórias Disney que todos conheciam e de que todos gostavam. E se, de uma perspectiva adulta, esta característica pode parecer algo desapontante, a verdade é que as crianças da época não lhe atribuíram tanta importância; afinal, o que interessava era ter que ler, e que de preferência não fosse repetido…

Com ou sem novidades, no entanto, a verdade é que este suplemento foi popular o suficiente para continuar a formar parte integrante do semanário durante vários anos; no entanto, a sua natureza algo simplista fez, também, com que acabasse por desaparecer sem grande alarido, e sem que muita gente se desse conta. Ainda assim, uma iniciativa louvável, e que abriu caminho a outras (e ainda melhores) iniciativas conjuntas entre jornais e editoras de banda desenhada, nas décadas seguintes. Só isso já justificaria a existência deste suplemento – isto, claro, se mais justificações fossem necessárias…

03.07.21

NOTA: Este post corresponde a Quarta-feira, 30 de Junho de 2021.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Na nossa Segunda de Séries sobre Os Dinossauros, mencionámos a quase ausência de ‘merchandise’ à altura da grande popularidade da série entre as crianças. Para além das habituais t-shirts e de um algo incongruente jogo de tabuleiro (havia propriedades muito mais famosas que não os tinham), pouco havia para manter os jovens fãs da série ocupados e entretidos entre episódios.

É por isso que causa tanta estranheza descobrir que ‘Os Dinossauros’ teve direito a uma revista aos quadradinhos própria – e que a mesma chegou a ser editada em Portugal, apesar de só quem lá esteve poder comprovar esse facto.

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A ÚNICA imagem da edição portuguesa de 'Os Dinossauros'

Sim, leitores, a revista portuguesa de ‘Os Dinossauros’ é mais um membro do grupo dos Esquecidos pela Net, existindo exactamente UMA imagem da mesma em toda a Googlesfera; o que até nem é de surpreender, tendo em conta que a série foi um fenómeno bastante ‘de época’, e a revista não foi mais do que um complemento destinado a ‘sacar mais uns cobres’ antes de as crianças passarem à próxima febre. Acabado o ciclo de vida da série, acabou também o da revista, que ainda assim conseguiu chegar aos 20 números, os mesmos da versão brasileira, de onde aliás a BD portuguesa retirava quase todo o seu material.

(De referir que, ao contrário do que aconteceu com as revistas da Disney ou Marvel/DC, a versão brasileira de 'Os Dinossauros' nunca chegou a ser exportada para Portugal; as edições que por cá saíram eram publicadas pelo próprio ramo nacional da Editora Abril.)

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Exemplo do estilo de ilustrações da BD

Em termos técnicos e qualitativos, a BD de ‘Os Dinossauros’ salda-se pela mediania aceitável típica do quadradinhos de ‘meio da tabela’ daquela época. Quer isto dizer que as histórias são engraçadas, os desenhos são cuidados (e reproduções exactas do estilo da série em ilustrações 2D) mas nada perdura ou fica na memória da mesma maneira que as melhores histórias da Turma da Mônica ou da Disney; era ‘só mais’ um título da ‘era de ouro’ dos quadradinhos, em que qualquer coisa vendia desde que tivesse personagens fofinhos ou fosse baseado num programa que as crianças vissem. Foi nesta última vertente que ‘Os Dinossauros’ apostou todas as suas fichas – era, declaradamente, um produto de consumo imediato e a curto prazo, semelhante à BD das Tartarugas Ninja (uma publicação, aliás, sensivelmente equivalente a nível de qualidade.)

Enfim, apesar de sem dúvida ter entretido muitas crianças nos anos 90, esta é uma revista que, sem o seu contexto de ‘cultura pop’, merece o esquecimento a que a Internet a votou. Ainda assim, para quem a leu, ainda que sem grande fanatismo (como foi o caso por estas bandas) vale sempre a pena recordar mais um dos títulos esquecidos dos ‘nossos’ Anos 90…

16.06.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

As bandas desenhadas com temática futebolística são tudo menos comuns – e nos anos 90, ainda menos o eram. Se a década de 70 havia tido Sport Billy, a de 80 Pelezinho, e o novo milénio viria a ter Ronaldinho Gaúcho e Neymar (estas três últimas da Mauricio de Sousa Produções, ‘especialista’ neste tipo de história) os anos 90 não viram ser editado qualquer título alusivo a esta temática, pelo menos que chegasse a Portugal. Nem mesmo a BD franco-belga ajudava, estando os heróis da mesma mais virados para aventuras do que para competições desportivas (e quando competiam, era em desportos como a corrida, como era o caso com Michel Vaillant.)

Num post em que se pretende falar de revistas aos quadradinhos dos anos 90 e, ao mesmo tempo, fazer alusão ao Campeonato Europeu que ora se desenrola – ou, pelo menos, a futebol em geral – é, portanto, mesmo preciso puxar pela imaginação; felizmente, imaginação é coisa que não falta por aqui – e, como tal, conseguimos mesmo arranjar maneira de ligar estes dois temas, falando dos dois maiores apaixonados pelo desporto-rei daquela época.

Situados em lados opostos da barreira Disney/Mauricio de Sousa que dividiu e continua a dividir a BD brasileira, estes dois personagens personificam o fanatismo brasileiro por futebol, o qual rivaliza ou até supera o do continente europeu; assim, numa semana em que nos debruçamos sobre o futebol nas suas mais diversas formas, nada mais justo do que prestar-lhes a devida homenagem.

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E começamos, desde logo, pelo representante da Disney – nada mais, nada menos do que o personagem mais declaradamente brasileiro do seu elenco, Zé Carioca, o qual, depois de as suas histórias terem sido definitivamente e exclusivamente centralizadas nos estúdios brasileiros da Disney, passou a aparecer frequentemente ‘trajado a rigor’ com o uniforme cor-de-rosa da equipa do seu bairro, o Vila Xurupita F. C., no qual actua como ponta-de-lança e goleador. De igual modo, várias das histórias do personagem passaram a ter como tema central o futebol, e as agruras do ‘time’ amador de Zé, Pedrão, Nestor, Afonsinho e companhia – o qual, apesar de não ser lá grande ‘espingarda’, chegou a ter oportunidade de enfrentar o Flamengo (equipa do coração de Zé) num jogo beneficente, numa história muito bem conseguida.

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Uma das edições especiais de Zé Carioca alusivas ao Mundial de Futebol, esta lançada nos anos 90

A paixão de Zé pela ‘bola’ estende-se, no entanto, para lá dos limites do terreno de jogo, sendo que quando não está em campo, o papagaio é muitas vezes visto a ‘sofrer’ em frente à televisão, já que dinheiro para ir ao estádio, raramente existe (sendo as excepções as vezes em que consegue assistir ao vivo a um Campeonato do Mundo, em edições especiais temáticas.)  Enfim, um ‘adepto-modelo’, com o qual muitos de nós certamente se identificavam e identificarão.

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O mesmo, aliás, pode ser dito do seu congénere do outro lado da ‘barricada’ (e do eixo Rio-São Paulo), o igualmente fanático Cascão. E se Zé Carioca representa o adepto adulto, ainda que irresponsável, Cascão representa a criança que todos fomos, ou pelo menos, contra quem todos jogámos – aquele ‘puto’ que tinha jeito para a ‘bola’, ‘levava tudo à frente’, driblava meia equipa e marcava grandes golaços. É precisamente isto que vemos Cascão fazer na maioria das histórias em que o vemos jogar futebol, e mesmo os amigos não têm qualquer pejo em o considerar a ‘estrela’ das suas ‘peladinhas’ – em contraste directo com o melhor amigo Cebolinha, que é considerado ‘grosso’ (‘tosco’). Este chegou, mesmo, a ser o tema central e único de não uma, mas duas publicações da MSP,, uma ainda nos anos 90 e outra mais recente.

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A edição temática sobre futebol lançada nos anos 90, com Cascão como protagonista

Tal como com Zé Carioca, no entanto, a paixão de Cascão extravasa os jogos de rua com os amigos; ‘doente’ pelo Corinthians, por quem sonha um dia jogar, o ‘sujinho’ da MSP é muitas vezes visto com a camisola do ‘Timão’ orgulhosamente envergada, e chega mesmo a acompanhar o pai a jogos do seu clube do coração, durante os quais vibra incessantemente. Mais uma vez, quem não se identificar, que atire a primeira pedra…

Em suma, apesar de não residirem na Europa nem terem sido criados por artistas europeus, estes dois personagens simbolizam de tal forma a paixão global e internacional por futebol, que acabam por se encaixar perfeitamente nesta semana especial europeia; porque se a presente competição fosse um campeonato mundial em que o Brasil participasse, podem crer que os dois estariam lá, na primeira fila, lado a lado, vestidos a rigor, e a fazer a festa…

19.05.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

E se da última vez falámos de um título tão obscuro que apenas gerou alguns resultados numa pesquisa do Google, esta semana falamos de uma série de publicações que verdadeiramente justificam o epíteto de Esquecidos Pela Net; três conjuntos de revistas de BD que, entre elas, e depois de busca MUITO exaustiva, geraram TRÊS resultados em motores de pesquisa (dois no OLX e um no eBay de ESPANHA…) Caros leitores, bem-vindos ao post que quase não teve imagens; hoje, recordamos as revistas aos quadradinhos ‘feitas em Portugal’ dos personagens de Hanna-Barbera.

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Um de apenas dois números da revista dos Flintstones disponíveis online...

Sim, deste lado também não percebemos porque é que estas revistas são TÃO obscuras, quando tratam de personagens que todos conhecemos e estimamos, como Zé Colmeia ou os Flintstones. Mas a verdade é que, ao pesquisar por estes títulos, a esmagadora maioria dos resultados faz referência às edições brasileiras dessas mesmas publicações, as quais também chegaram a ser importadas para Portugal à época (por aqui, por exemplo, tínhamos pelo menos um número da versão brasileira de ‘Manda-Chuva’.) Não fosse pelo facto de nós próprios termos tido vários números das séries portuguesas, juraríamos ter sonhado com a existência das mesmas - e sim, se tivéssemos tido os referidos números ‘à mão’, este post teria sido ilustrado com fotografias do nosso próprio acervo. No entanto, e como a foto acima prova, estas publicações existiram mesmo, ainda que por um período de tempo muito mais breve do que qualquer das outras revistas de que temos vindo a falar, e infinitamente menor do que o das congéneres brasileiras, o que pode explicar o ‘esquecimento’ por parte do grande público.

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...e a ÚNICA imagem da revista 'Zé Colmeia'

Lançadas no início dos anos 90 para tentar aproveitar o sucesso do programa ‘Oh! Hanna Barbera’, que passava as versões em desenho animado destes e outros heróis, as três revistas (uma delas com o mesmo nome do programa, e dedicada a histórias de personagens que não ‘coubessem’ nas outras duas) apresentavam basicamente as mesmas histórias das edições internacionais, mas com traduções em Português ‘de Portugal’ – essencialmente, uma repetição da estratégia que já rendera dividendos à Abril aquando da adaptação das várias revistas Disney. No entanto, ao contrário dos 'gibis' oriundos do ultramar (que eram perfeitamente vulgares e iguais a quaisquer outros) estas revistas tinham lombada 'grossa' -semelhante à das revistas do Pateta ou Mônica - e papel lustroso, de qualidade superior ao dos títulos supra-citados.

No entanto, a boa apresentação e razoável adaptação do material não foi suficiente para garantir a longevidade destas revistas. Talvez por os personagens dizerem menos aos entusiastas de BD, ou talvez por as versões em desenho animado serem mesmo consideradas melhores, o público infantil não se mostrou tão interessado nos quadradinhos da Oh! Hanna-Barbera como no programa, o que fez com que, inevitavelmente, estes títulos acabassem mesmo por desaparecer sem grande alarido quando o mesmo saiu do ar…

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O único outro vestígio remanescente da existência destas revistas

Mesmo assim, vale a pena recordar mais uma série de livros aos quadradinhos Esquecidos Pela Net, mas que fizeram – ainda que fugazmente – a alegria das crianças portuguesas durante aquela década mágica de 90. Contaram-se entre essas crianças? Tinham alguma destas revistas? Partilhem nos comentários, para sabermos que não fomos os únicos a ler isto…

29.04.21

NOTA: Este post corresponde a Quarta-feira, 29 de Abril de 2021.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

E porque o tema desta semana (até agora) têm sido as Tartarugas Ninja, nada mais justo do que continuar nessa senda e falar da revista de banda desenhada alusiva às aventuras do quarteto, publicada em Portugal no início da ‘nossa’ década.

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Não, não estamos a falar do original de Peter Laird e Kevin Eastman, no qual tudo o resto foi baseado – esta revista de BD era já um produto puramente ‘corporate’, com o fim único de aproveitar a ‘Tartamania’ que se espalhava pelo Mundo naquela passagem de década dos anos 80 para os 90. E, a julgar pela longevidade – 7 anos, segundo certas fontes! – poderá dizer-se que definitivamente o conseguiu.

Apesar desse longo período de publicação, no entanto, esta revista parece ter sido largamente ‘esquecida’ pela Internet – pelo menos na sua encarnação portuguesa. Aparte os sempre fiáveis sites de leilões (invariavelmente os primeiros resultados em pesquisas por coisas daquele tempo) não há quaisquer registos desta BD sequer ter existido no nosso país. Felizmente, estivemos ‘lá’, comprámos e lemos vários números da revista, e ainda retemos suficientes memórias para vos podermos contar como foi. Por isso orgulhem-se, caros leitores, pois vão ficar associados à fonte número 1 de material sobre a BD portuguesa das Tartarugas Ninja!

Primeiro que tudo, há que ressalvar que não – a revista NÃO foi publicada durante sete anos. Nada que se pareça. Foi, mais ou menos, contemporânea da ‘Tarta-Mania’ em Portugal, ou seja, existiu durante os primeiros anos da década de 90, quando a série era a coisa mais falada entre a miudagem lusa, e desapareceu discretamente ‘no éter’ quando a febre passou. Um percurso que não surpreende, já que, como dissemos acima, a BD era um produto de marketing, mais do que algo feito com paixão e dedicação.

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Não garantimos, mas quase apostamos que estará aqui representada uma colecção completa do título...

Não que a mesma fosse má de todo – para o propósito a que se destinava, podia até ser bem pior. Só não era BOA. Publicada em formato A4, à semelhança das revistas ‘para crescidos’ ou dos ‘comics’ norte-americanos, e vendida por exorbitantes (para a época) 120 escudos, a revista trazia um estilo gráfico original (talvez a parte mais cuidada da BD), mas demasiado ‘adulto’ para um público alvo cuja média de idades rondava os 8 anos; chegava quase a ser caricato ver personagens como Man Ray desenhados num estilo com aspirações a realista, ao estilo da Marvel ou DC. Quanto à escrita…bem, digamos que, apesar das histórias nem serem más, a tradução estava longe de ganhar quaisquer prémios – e isto numa altura em que a Abril Jovem lançava no mercado, todos os meses, revistas em ‘brazuquês’, ou seja, com localizações semi-acabadas às três pancadas. A BD dos Tarta-Heróis não sofria desse mal, mas sofria de todos os outros, desde palavras deslocadas dos balões até frases algo ‘manhosas’ a nível de gramática e sintaxe. É verdade que estas não são prioridades que tendam a ser seguidas por revistas de BD deste tipo, mas ainda assim, se um ‘Tarta-Maníaco’ de 6 anos se apercebe que algo está mal, é porque algo está mesmo muito mal.

Ultrapassados estes aspetos técnicos, sobrava uma revista mediana para o período de tempo em questão, muito longe dos líderes de mercado em termos de BD de acção, mas que servia bem o seu propósito, e aliciava q.b. o seu público-alvo para ir mantendo o seu lugar no ‘comboio’ da ‘Tarta-Mania’. Nada que ficasse para a história, mas – apesar dos defeitos – também nada que fizesse quem leu dar o seu tempo por perdido.

E vocês? Lembram-se? Provavelmente não, dado que – como dissemos – este é um post com base em memórias pessoais. Ainda assim, se alguém por aí leu, que mande avisar, para sabermos que não fomos os únicos leitores desta surpreendentemente obscura revista!

18.03.21

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A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Neste post inaugural, traçaremos o percurso da mais bem-sucedida tentativa de publicar comics americanos em terras lusas – as icónicas séries da Marvel e DC publicadas pela Editora Abril Controljornal em meados da década de 90.

Embora atravessassem, à época, mais um dos seus frequentes períodos áureos, as BDs de super-heróis não eram algo com tradição em Portugal. A maioria dos títulos disponíveis chegava às bancas diretamente do Brasil – mesma origem de outras ‘revistinhas’ icónicas, como as da Turma da Mônica – e apesar das tentativas regulares, por parte de diferentes editoras, de criar publicações deste tipo 100% nacionais, nunca nenhuma conseguiu o nível de sucesso de que gozavam as suas congéneres importadas.

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Uma das muitas revistas de super-heróis importadas do Brasil à época

Esta situação viria a alterar-se por volta do ano de 1995, quando a Abril Controljornal (antes Abril Morumbi) decide mais uma vez arriscar na criação de revistas de BD de super-heróis 100% nacionais. Seguindo a máxima que diz que ‘em equipa que ganha não se mexe’, a editora optou, sensatamente, por não arriscar demasiado no formato ou conteúdo destes novos comics, mantendo o mesmo formato pequeno das edições sul-americanas (o chamado ‘formatinho’) e limitando-se a ‘aportuguesar’ os textos para eliminar os ‘brasileirismos’. Esta táctica, que permitia reduzir o custo das revistas de modo a que fossem acessíveis a bolsos mais jovens, rapidamente começou a surtir efeito, com as BDs portuguesas a ‘expulsarem’ as brasileiras das bancas quase por completo, iniciando um período de aproximadamente três anos de hegemonia da Abril no mercado dos super-heróis.

Durante estes anos (sensivelmente de 1995 até 1998) a editora investiu numa selecção dos mais populares títulos americanos, publicando indiscriminadamente as principais propriedades da Marvel (Homem-Aranha, X-Men e Wolverine) e da DC (Super-Homem, Batman e Liga da Justiça.)  A receção extremamente positiva que estes títulos receberam permitiu, até, que a Abril expandisse o seu raio de ação a publicações de cariz temático ou especial - como ‘Origens dos Super-Heróis Marvel’, que republicava histórias da chamada silver age - ou a séries menos conhecidas ou populares, como o universo 2099 da Marvel ou o impagável Superboy, da DC. Foi, até, criada uma revista totalmente dedicada a este tipo de lançamentos, a criativamente intitulada 'Heróis' - uma espécie de parente (muito) pobre da referência norte-americana (e brasileira) Wizard, de conteúdo muito mais básico e virado a um público muito mais jovem. Ainda assim, o título conseguiu algum sucesso enquanto durou, sobretudo devido ao preço 'simpático' para os bolsos do público-alvo.

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Número inaugural da revista 'Heróis'

As razões para este sucesso são fáceis de explicar – apesar de algumas falhas (como a permanência de formas gramaticais ‘abrasileiradas’ em quase todos os números de quase todas as revistas), a Abril teve a sorte de conseguir material da última grande fase dos comics americanos à época. Da Marvel foram publicadas, por exemplo, as sagas Venom e Carnage do Homem-Aranha e a fase original da X-Force; da DC, surgiram, entre outras, a ‘storyline’ em que Bruce Wayne é paralisado por Bane e substituído por um Batman mais jovem e futurista, e a mítica e icónica saga da morte (e retorno) do Super-Homem. Mesmo com as supramencionadas falhas – na tradução e não só – este material era suficientemente forte para atrair o público-alvo, gerando vendas consistentemente altas para a editora durante os primeiros dois anos de publicação das revistas.

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Dois dos especiais da saga 'A Morte e o Regresso do Super-Homem'

O ano de 1998 não foi, no entanto, tão prolífico para a editora, que viu o interesse nos seus comics diminuir consideravelmente – e, com ele, as vendas. Assim, ainda nesse mesmo ano, aquele que havia sido o argonauta dos ‘quadradinhos’ de super-heróis portugueses suspendia a publicação de todas as suas revistas, voltando a deixar os fanboys lusitanos à mercê de importações americanas proibitivamente caras e difíceis de encontrar, ou na melhor das hipóteses, números antigos comprados a alfarrabistas. Voltavam os ‘anos negros’…

Demoraria apenas um ano, no entanto, até esta situação se voltar a alterar, e os heróis americanos (embora apenas os da Marvel) voltarem às bancas portuguesas - desta vez pela mão de uma editora com muito melhor reputação entre os geeks, e cujo trabalho foi, objetivamente, muito melhor e mais cuidado que o da Abril - e gerarem uma nova vaga de interesse nos comics americanos em Portugal. Mas dessa falaremos noutra ocasião – até porque a verdade é que, mesmo com todos os seus defeitos, as revistas aos quadradinhos da Marvel e DC publicadas pela Abril marcaram uma época, e constituíram o primeiro contacto de muitos futuros fanboys com os icónicos heróis e vilões da BD norte-americana. E vocês? Contavam-se entre este número? Se sim, qual o vosso herói favorito? (Daqui, sempre foi e sempre será o inimitável Homem-Aranha.) Digam de vossa justiça nos comentários!

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