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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.05.22

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Como já aqui mencionámos aquando dos nossos posts sobre os álbuns de tirinhas de banda desenhada dos anos 90 e sobre a sua série animada, o gato Garfield era e continua a ser um dos mais populares personagens de banda desenhada de sempre, e um dos únicos capaz de atravessar e unir gerações, estando as crianças de hoje em dia tão familiarizadas com o personagem como a geração dos seus pais. Mesmo em plena era digital, o gato listrado cor de laranja continua a motivar a criação e edição de desenhos animados, filmes, jogos de computador, e outros items de merchandising das mais variadas índoles; curiosamente, a única coisa que Garfield não tem visto ser lançado no mercado nacional com a sua cara são, curiosamente, álbuns de banda desenhada.

Nos anos 90, no entanto, passava-se precisamente o oposto – o produto alusivo a Garfield que mais facilmente se encontraria numa loja portuguesa era, precisamente, um dos muitos volumes de BD publicados ao longo da década por nada menos do que três editoras diferentes.

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Um dos muitos volumes em formato comprido editados pela Meribérica-Liber

A primeira a adentrar-se pelo mundo do gato de Jon Arbuckle foi a Meribérica-Liber, ainda nos anos 80, com uma série de volumes em formato 'comprido' que reuniam algumas das primeiras tiras do personagem, quando os seus traços eram, ainda, significativamente diferentes. Esta série seria, a breve trecho, interrompida, mas (curiosamente) retornaria às livrarias portuguesas quase uma década depois de ter sido descontinuada, resumindo-se, até ao dealbar do novo milénio, a publicação de novos álbuns, como se nada tivesse, entretanto, acontecido.

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'O Álbum do Garfield', o único volume do personagem editado pela Bertrand (1990)

A verdade, no entanto, passa precisamente pelo oposto, sendo que, durante o interregno em causa, a edição das tirinhas de Garfield foi assumida por duas outras lendárias casas literária portuguesas, a Bertrand e a Dom Quixote. A participação da primeira resumiu-se a um livro, 'O Álbum do Garfield', que reunia tiras clássicas em formato A4 de capa mole; a segunda, no entanto, lançaria seis álbuns alusivos ao personagem no início dos anos 90, que ainda hoje permanecem os melhores volumes de tirinhas de Garfield alguma vez editados em Portugal. Num mais tradicional formato A4 de capa dura, estes seis volumes conseguiam a proeza de incluir tiras mais ou menos contemporâneas com o que vinha sendo publicado nos EUA na mesma altura, o que, à época, era nada menos do que um feito. Infelizmente, a participação da Dom Quixote na 'saga' do gato mais preguiçoso do Mundo ficou-se por aí, sendo que a qualidade destes álbuns merecia definitivamente edição continuada.

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O primeiro álbum da excelente série de seis publicada pela Dom Quixote a partir de 1992

O novo milénio não veio esmorecer o entusiasmo pelo material alusivo ao gato alaranjado; antes pelo contrário, já no novo milénio, o mesmo regressaria ainda mais uma vez às bancas e livrarias portuguesas, desta vez por mão da Book Tree e em álbuns cujo formato ficava a 'meio caminho' entre as duas tentativas anteriores, com capa mole e uma configuração 'quadrada', algures nas proximidades do A5, mas sem o ser.

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Exemplo da série de livros de Garfield lançada pela Book Tree, já nos anos 2000

Desde então, a publicação de álbuns de Garfield não dá sinais de abrandar, apesar de, hoje em dia, o gato ser, sobretudo, estrela da televisão e Netflix (pelo menos em Portugal; no Brasil, contracena actualmente, numa aventura multi-volumes, com a Turma da Mônica, um estatuto reservado, naquele país, apenas a mega-estrelas da BD, como os principais personagens da Disney.) Quem chegou a ler estes álbuns publicados naqueles finais do século XX, no entanto, certamente terá boas memórias de muitas gargalhadas dadas à custa daquelas inspiradas tirinhas, das quais deixamos abaixo uma das nossas favoritas.

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30.03.22

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Depois de, em edições passadas desta rubrica, termos falado das revistas de banda desenhada da série 'Os Dinossauros' e da Hanna-Barbera, chega agora, mais uma vez, a altura de nos debruçarmos sobre uma publicação tão esquecida que a maior dificuldade foi mesmo arranjar imagens para ilustrar este post (como sempre, obrigado, OLX!)

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Uma das únicas duas imagens disponíveis que permitem verificar a existência efectiva desta revista

E a verdade é que, tal como nos outros dois casos acima mencionados, esta não deixa de ser uma situação caricata, dado que a referida revista foi editada pela editora de BD em Portugal por excelência - a Abril Controljornal - e era baseada numa propriedade intelectual tão ou mais popular (e certamente mais perene) entre o público-alvo – no caso, os ainda hoje mega-populares Looney Tunes.

E no entanto, onde informações sobre as outras publicações de banda desenhada editadas na mesma altura pela Abril - sejam as revistas Disney ou as de super-heróis da Marvel e DC - são relativamente fáceis de encontrar, a existência da revista 'Bugs Bunny' (apenas uma de várias tentativas feitas através das décadas de trazer os personagens da Warner Brothers para o mundo dos quadradinhos, desta feita, presume-se, para aproveitar a popularidade renovada de que gozavam por ocasião do lançamento do filme 'Space Jam') apenas é corroborada, no omnisciente Google, pela sua aparição num ou outro leilão de BD's no referido OLX; de resto, a referida publicação bem podia não ser mais do que uma memória fabricada por este que vos escreve...

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A segunda e última imagem destas revistas existente na Internet, retirada do mesmo leilão que providenciou a anterior. Uma ressalva para a piada infame da capa da esquerda...

Não sendo esse o caso, no entanto, falemos um pouco da revista que levava o nome do eterno líder dos Looney Tunes (isto apesar de o foco ser irmamente distribuído entre todos os personagens). Tal como as referidas 'Dinossauros' e 'Hanna-Barbera' (ou ainda certas revistas e álbuns Disney) as mesmas mais não eram do que agregados de histórias publicadas na sua congénere norte-americana, devidamente traduzidas para português europeu contemporâneo, mas sem quaisquer outras alterações ao material original – o que não era, necessariamente, um defeito, já que as referidas histórias apresentavam arte bastante cuidada, digna do estatuto dos personagens, mesmo se os enredos (como, aliás, era costume nestas BD's 'menores') deixavam um pouco a desejar.

Sem ser tão memorável quanto as referidas revistas Disney, ou as de Mauricio de Sousa – estavam bastante mais próximas, em conceito como em temática e até execução, de 'Oh! Hanna-Barbera' e 'Flintstones' – a revista 'Bugs Bunny' afirmava-se, ainda assim, como uma fonte razoável de entretenimento para o seu público-alvo, o que torna ainda mais intrigante o completo esquecimento a que a mesma foi votada nas décadas subsequentes. Seja qual for o motivo, no entanto, não restam dúvidas – a edição portuguesa de 'Bugs Bunny' (pelo menos a da década de 90) entra direitinha na galeria das publicações 'Esquecidas Pela Net' que este blog tem feito questão de recuperar...

16.02.22

NOTA: Esta é a versão expandida deste post, que foi inicialmente publicado com bastante menos dados, e um texto mais vago. 

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Às vezes, há coisas assim. Uma editora quase monopolista de um determinado sector decide editar algo um pouco mais elaborado e sofisticado, de modo a assinalar um marco, e essa obra, em vez de se tornar um estandarte do seu catálogo, cai quase totalmente no esquecimento, largamente ofuscada na memória colectiva por edições bem mais corriqueiras e banais.

É, precisamente, essa a situação em que se encontram dois livros de capa dura lançados pela Editora Abril em 1992, em exclusivo para a Nestlé, presume-se como parte de uma qualquer promoção.

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E dizemos 'presume-se' porque, à parte UMA ÚNICA fotografia oriunda de um leilão actualmente activo no OLX, não existem quaisquer informações sobre estes dois livros na Net. Rigorosamente NADA. Se o volume centrado no Rato Mickey não sobrevivesse, ainda hoje, na estante lá de casa, não teríamos ficado a saber da sua existência, nem do contexto em que foi publicado. Assim sendo, podemos, pelo menos, falar – ainda que MUITO brevemente – sobre esse volume e o seu congénere, respeitante ao outro personagem principal das BD's Disney da época, o Pato Donald.

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As únicas informações sobre os volumes encontram-se na secção de detalhes técnicos no interior da primeira página

Tendo como título, tão-somente, o nome do personagem que focam (o que, convenhamos, também não ajuda à pesquisa) os mesmos apresentam capas que sugerem um clima de festa, com Donald e Mickey vestidos com roupas 'radicais', bem na moda para o período em causa, sobre um fundo de serpentinas. A apresentação é, aliás, toda ela luxuosa: tratam-se de álbuns de capa dura e lombada grossa, que, caso tivessem estado disponíveis nas bancas, teriam sem dúvida tido um preço de revenda elevado.

Os conteúdos, esses – pelo menos no respeitante ao volume constante da nossa colecção –pouco têm, infelizmente, de especial. Àparte a apresentação cuidada e o formato cartonado, de livro 'a sério', estas duas obras em nada diferem da comum revista de BD Disney comercializada pela própria Abril à época, podendo perfeitamente ter sido comercializados como um dos volumes do Hiper Disney ou Show Disney sem que se tivesse notado grande diferença. Isto porque nem as habituais secções inerentes a livros deste tipo – como resumos da história dos personagens, cronologias, etc. - se encontram presentes em qualquer dos dois tomos, que apresentam a primeira história logo a seguir à folha de capa, e a última logo antes da habitual folha em branco das costas – exactamente como se de uma publicação semanal normal se tratasse. O aspecto exterior tem, pois, uma função puramente estética, fazendo com que estes livros pareçam algo especial e exclusivo, e que valha a pena porfiar para conseguir no contexto desta promoção; e, nesse aspecto, há que admitir que os mesmos são bem sucedidos.

Quanto à raridade (ou não) das histórias incluídas em cada volume, não nos podemos, infelizmente, pronunciar – para nós, em criança, tratavam-se de escolhas perfeitamente vulgares, mas é bem possível que tal não seja, necessariamente, o caso, ganhando assim estes livos um atractivo adicional à aquisição. Sem esse chamariz, no entanto, a mesma apenas é justificada pelas capas muito bem conseguidas, e que sem dúvida se integram muito bem na colecção de qualquer aficionado de banda desenhada; de resto, não é difícil perceber porque, num Portugal que ainda compra, vende e troca em larga escala as revistas Disney publicadas pela Abril - especialmente as mais raras, como é o caso - estes dois volumes constituam, até agora, o melhor exemplo de um produto verdadeiramente Esquecido pela Net...

 

02.02.22

NOTA: As imagens deste post foram retiradas do 'site' pessoal de António Jorge Gonçalves, em http://www.antoniojorgegoncalves.com/livros-books.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Na última edição desta rubrica, falámos de 'Lisboa Às Cores', um esforço conjunto entre o ilustrador António Jorge Gonçalves, o escritor Nuno Júdice e o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa distribuído pelas escolas primárias da região metropolitana de Lisboa em 1993 e destinado a sensibilizar as crianças da capital, não só para a arte, como para a beleza da sua cidade.

Mas se para os mais novos este foi o primeiro contacto com os desenhos de Gonçalves, para o público um pouco mais velho, o ilustrador já era bem conhecido, nomeadamente por ter ganho, nesse mesmo ano de 1993, o prémio de Melhor Álbum Português no maior festival de banda desenhada em Portugal (o da Amadora) com o seu volume de estreia, 'Ana' - a primeira de três obras criadas em parceira com Nuno Artur Silva (já presente nestas páginas através do seu trabalho com Hemran José, e mais tarde fundador das Produções Fictícias, responsáveis por alguns dos melhores programas de humor da História da televisão e rádio portuguesas) e que tinham como protagonista o detective privado Filipe Seems.

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'Ana', o álbum de estreia do ilustrador, premiado na esição de 1993 do Festival de BD da Amadora 

Naturalmente, este prémio acabou mesmo por impulsionar uma carreira que, durante a restante década, viu serem produzidos, além do referido livro institucional para a CML, um segundo volume das aventuras de Filipe Seems, logo no ano seguinte, e dois livros mais experimentais: 'A Arte Suprema' (1997) considerado o primeiro romance gráfico português e criado em parceria com Rui Zink, e 'O Senhor Abílio' (1999) uma obra a solo, sem texto, e mais catártica, destinada como era a ajudar Gonçalves a processar as emoções inerentes a uma mudança para Londres, e que surgiu primeiramente sob a forma de tiras, num lugar algo inusitado para a criação artística – a revista 'Linhas Cruzadas', publicação interna da companhia telefónica portuguesa Portugal Telecom.

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Capa da colectânea de tiras 'O Senhor Abílio', de 1999

O novo milénio veria a carreira de Gonçalves continuar de vento em popa, com a publicação do terceiro e último volume das aventuras do detective Seems, em 2003, a abrir caminho para mais uma série de obras (a última das quais em 2018) que ajudaram a cimentar ainda mais o nome do autor entre os fãs de banda desenhada nacional. Foram, no entanto, aqueles primeiros trabalhos lançados na 'nossa' década que verdadeiramente revelaram António Jorge Gonçalves ao Mundo, pelo que se afigura mais do que justa a singela homenagem prestada nesta página àquele que é, ainda hoje, um dos maiores nomes da banda desenhada independente e contemporânea em Portugal...

29.12.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os filmes da Disney têm sido, quase desde a sua popularização, sucessos absolutos entre a população infanto-juvenil, seja nas salas de cinema ou no circuito 'home video'; assim, não é de surpreender que rapidamente tenham surgido variações e alternativas a estes mesmos filmes, a maioria das quais oriunda do seio da própria Walt Disney. De adaptações áudio (das quais paulatinamente falaremos) a jogos e programas de computador alusivos aos diferentes filmes, foram muitos os produtos adjacentes lançados pela companhia entre o final da década de 80 e o início do novo milénio - e, de entre estes, um dos filões mais explorados foi precisamente a adaptação em banda desenhada dos filmes e séries animados lançados pela companhia.

A esse propósito, já aqui falámos da colecção ´Álbuns Disney´, que reunia histórias paralelas protagonizadas por alguns dos mais populares personagens áudio-visuais da companhia, publicadas na americana 'Disney Adventures' e subsequentemente traduzidas para português; no entanto, em finais da década a que este blog diz respeito, um dos principais diários portugueses expandiu ainda mais este conceito, apresentando uma colecção de adaptações directas e integrais de cada um dos filmes até então lançados pela Walt Disney Company, que tinham como principal particularidade o facto de serem bilingues, com cada conjunto de duas páginas a conter exactamente as mesmas ilustrações, diferindo apenas o idioma em que o texto estava redigido - de um lado em Português, do outro, em Inglês.

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A colecção integral

Veiculada em conjunto com o Diário ou Jornal de Notícias (embora, conforme era hábito com as colecções e suplementos dos jornais da época, também pudesse ser adquirido separadamente, mediante pagamento de uma quantia fixa) a série de clássicos Disney em banda desenhada bilingue teve ao todo treze volumes, os quais englobavam uma selecção algo anárquica de filmes entre os que haviam sido lançados pela companhia à época, sem lugar a quaisquer considerações cronológicas ou de completismo; para se ter uma ideia, a colecção começava com 'Toy Story - Os Rivais' (o filme mais recente dos incluídos na série), aparecendo 'Branca de Neve e os Sete Anões' (o primeiro filme Disney de sempre) e 'Pinóquio' (o segundo) apenas no terceiro e quarto números, já depois de '101 Dálmatas'. Os restantes volumes seguiam a mesma toada, com 'Aladino' entre 'Peter Pan' e 'Bambi' e 'Pocahontas' antes de 'O Rei Leão', que encerrava a série.

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A lista incluída no verso de cada volume ilustrava bem a ordenação anárquica da colecção

Nada, no entanto, que beliscasse a qualidade da série, que apresentava desenhos ao estilo 'Disney Adventures' e textos que adaptavam fielmente (ainda que por vezes com menos diálogos) os guiões dos filmes em causa. Quando combinados com um grafismo cuidado e encadernação mais próxima dos álbuns franco-belgas do que do habitual formato 'gibi' favorecido pela Editora Abril, estes elementos faziam com que valesse bem a pena investir nesta colecção, especialmente para quem quisesse aprender ou ensinar inglês a um público infanto-juvenil de forma divertida e interessante. De facto, o sucesso desta série poderá ter estado na génese de uma outra empreitada pelo ensino de línguas com chancela Disney, da qual falaremos aqui muito em breve; para já, aqui fica a merecida homenagem a uma excelente colecção de livros infantis, de uma altura em que as colecções oferecidas como brinde pelos jornais eram, por vezes, quase mais interessantes do que os próprios conteúdos dos mesmos...

01.12.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

A comunicação institucional e educacional dirigida aos jovens sempre foi (e continua a ser) uma das maiores pechas da estratégia de marketing da maioria das empresas e organizações. Muito mais inteligentes e argutos do que normalmente se pensa serem – bem como brutalmente honestos – os jovens não têm qualquer pejo em 'votar com os pés' quando algo que lhes é ditigido fica abaixo das expectativas – uma atitude que ainda se agrava mais quando o conteúdo em causa adopta um tom condescendente ou forçado.

Este facto – já sobejamente comprovado – não desencoraja, no entanto, as empresas de continuarem a tentar a conexão com o público jovem, através dos mais variados meios; e, nos anos 90, Portugal assistiu precisamente a uma destas tentativas, por parte da companhia nacional de energia e electricidade, a EDP.

Com o intuito de sensibilizar as demografias mais jovens para a problemática da poupança de energia, a companhia apresentava, em meados da década, uma campanha baseada em dois veículos, ambos protagonizados pela tentativa de mascote da EDP, o (ou A) Luzinha; do anúncio de televisão animado, falaremos aqui dentro em breve, sendo que hoje examinaremos (na medida do possível) o volume de banda desenhada editado pela distribuidora energética como parte desta campanha.

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A capa do Volume

E dizemos 'na medida do possível' porque 'Operação Contra-Luz' se insere firmemente na categoria dos 'Esquecidos Pela Net'; à parte a listagem em directorias de BD editada em Portugal, não existe informação absolutamente NENHUMA sobre esta publicação, nem sequer nos habituais e sempre confiáveis blogs sobre nostalgia (olá, malta!) Este é um daqueles posts em que o Anos 90 vai desbravar caminho rumo ao topo dos resultados do Google...sobre um tema que decerto interessará a muito pouca gente.

Passemos, pois, à nossa missão documental, e falemos de 'Luzinha em Operação Contra-Luz'. Editado pela empresa de comunicação Espectro, autora da campanha e criadora do personagem, parece tratar-se da habitual história em que um vilão tenta roubar ou gastar energia, cabendo ao nosso andrógino herói (ou será heroína?) tentar travá-lo. E dizemos 'parece' porque – mais uma vez – só existe UM painel da história digitalizado, e é perfeitamente inconclusivo.

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O único painel da história existente em formato digital

Pela pequena amostra que existe, no entanto – um painel e a capa – consegue perceber-se que esta é, pelo menos, uma BD cuidada do ponto de vista técnico e gráfico – como, aliás, também o é o anúncio televisivo. Embora a escolha de fonte para as letras não seja a melhor, os desenhos são bons e têm um estilo próprio e personalizado, na linha do que vinham produzindo outras agências e estúdios portugueses, como a Animanostra; se a história estava ao mesmo nível, nunca saberemos, embora a natureza institucional e educacional do volume faça prever que não seja esse o caso...

Ainda assim, é sempre curioso relembrar este tipo de obra muito situacional e que, precisamente por isso, poucas ou nenhumas repercussões culturais acarreta; é crível que, hoje em dia, sejamos dos poucos que sequer se lembram do/a Luzinha (de quem, aliás, tínhamos um boneco em vinil), quanto mais da banda desenhada que protagonizou. Se aí por fora houver mesmo quem tenha lido isto, no entanto, fica a nota: adorávamos saber mais sobre este volume, que concerteza lemos na altura, mas que esquecemos totalmente no quarto de século subsequente – como, aliás, tende a ser o caso com tomos como este...

17.11.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Nos anos 90, a Disney vivia um estado de graça em todas as frentes. Os seus filmes de animação (a principal vertente por que eram conhecidos) atravessavam uma segunda era de ouro, o mesmo se passando com as suas séries animadas; os seus parques temáticos estavam entre os destinos mais desejáveis do Mundo; e, apesar da pouca presença no mercado norte-americano, os seus livros de banda desenhada continuavam a fazer sucesso em mercados como o brasileiro, o italiano ou o português, onde as revistas Disney apenas eram rivalizadas em popularidade pelas de super-heróis da Marvel e DC – que, por serem publicadas pela mesma editora, não se podiam exactamente considerar concorrentes – e pelas da Turma da Mônica (estas sim, em competição directa.) Em Portugal em particular, não havia, à época, praticamente, criança ou jovem de uma certa idade que não conhecesse e lesse as histórias de Mickey, Pateta, Donald e companhia, as quais marcavam mesmo presença em suplementos de jornais e até em manuais escolares.

Tendo em conta este panorama, não é de todo surpreendente que a referida editora Abril se tenha sentido à vontade para expandir o seu raio de acção a histórias e personagens mais periféricos dentro do universo Disney, alguns dos quais acabavam de fazer a transição do mundo do cinema ou televisão para o dos quadradinhos, de Aladino, Ursinho Puff ou Mulan a Doug ou Pato da Capa Preta.

Estes e outros heróis Disney chegariam mesmo, no entanto, às bancas portuguesas em meados da década, através de uma colecção de álbuns temáticos em formato 'de luxo', com páginas A4 e papel grosso e brilhante. Simplesmente intitulada 'Álbuns Disney' (o que não ajuda nada no que toca à procura de referências um quarto de século depois) estes volumes faziam por justificar o preço mais elevado em relação às publicações Disney 'normais', algumas das quais ofereciam mesmo mais páginas de histórias, ainda que com personagens mais corriqueiros dentro do universo da companhia.

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Lá em casa havia este.

E por falar em histórias, as contidas em cada um destes volumes mais não eram do que traduções do material que saía na popular 'Disney Adventures' norte-americana, na altura uma das poucas fontes de banda desenhada Disney naquele continente, e conhecida precisamente por elaborar enredos aos quadradinhos para heróis mais conhecidos pelos seus feitos no mundo do celulóide ou das ondas televisivas; e a verdade é que estas se tratavam de histórias cuidadas, bem escritas e desenhadas, e bem merecedoras da atenção do seu público-alvo.

Infelizmente, a adesão a esta série foi bastante reduzida por comparação à das revistas mensais ou quinzenais, talvez devido ao preço mais elevado e distribuição mais limitada. De igual modo - e talvez como consequência da sua pouca popularidade na altura da publicação - hoje em dia, esta colecção entra directamente para a galeria dos 'Esquecidos Pela Net', sendo precisa uma pesquisa muito específica para encontrar sequer uma imagem de uma capa da colecção. Resta, pois, ao Anos 90 'desenterrar' mais esta pérola da época, e fornecer-lhe o 'lugar ao sol' que nunca conseguiu ter até hoje...

03.11.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

A História da banda desenhada importada em Portugal está, grosso modo, dividida em dois grupos; por um lado, as bandas desenhadas 'de quiosque', normalmente produzidas no prolífico sistema norte-americano e importadas para a Lusitânia via Brasil ou Itália, e por outro, as BD's em álbum, geralmente algo mais 'intelectuais' e provenientes dos países da Europa francófona (embora pelo menos uma série, de considerável sucesso no nosso País, fosse oriunda de Espanha.)

Desde as décadas de 1960 e 70, estas duas vertentes têm convivido lado a lado na vida das crianças e jovens portugueses, sem que nenhuma consiga a preferência definitiva dos mesmos – e os anos 90 não foram excepção nesse campo. Se é verdade que as revistas da Disney, Marvel ou Turma da Mônica eram mais conhecidas e populares, até por serem de mais fácil acesso e terem preços mais acessíveis, também é facto que não era preciso procurar muito para encontrar uma criança que tivesse, pelo menos, um ou dois álbuns de Astérix, Lucky Luke ou Tintim em casa.

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Capa da edição original e reedição do primeiro álbum de Astérix

Grande parte da responsabilidade por esta situação, pelo menos no que às BD franco-belgas diz respeito, é da editora Meribérica-Liber, principal porta-estandarte deste tipo de obra literária, tanto no Portugal dos anos 90 como no de hoje em dia. Foi (e é) por mérito desta editora, e dos seus esforços por adquirir as licenças das mais populares séries criadas nos países francófonos, que a maioria das crianças daquela década (e das seguintes) tiveram o primeiro contacto com os heróis acima citados, bem como com outros como Spirou (o eterno 'quarto grande'), Corto Maltese, Michel Vaillant, Spaghetti, Gaston, Cubitus ou Achille Talon. Embora a maioria destes heróis já tivesse aparecido na revista 'Tintim' (publicação histórica da imprensa portuguesa, publicada durante nada menos de 15 anos, entre os finais da década de 60 e inícios da de 80 e que serviu de porta de entrada para a maioria destes personagens no nosso país) os álbuns da Meribérica serviram para os apresentar a toda uma nova geração – táctica que, aliás, resultou em pleno, dando azo a três décadas de publicação ininterrupta das suas aventuras em Portugal, além de vários álbuns periféricos, como o álbum de texto corrido de Astérix sobre como Obélix caiu no caldeirão de poção mágica em pequeno, ou o recente 'remake' de Lucky Luke que toma a dúbia opção de o montar numa bicicleta, em pleno Velho Oeste americano do século XIX (!)

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A duvidosa reimaginação recente de Lucky Luke

Re-imaginações duvidosas à parte, o que é certo é que estes álbuns cativaram mesmo o seu público-alvo, com a sua mistura bem característica de diálogos humorísticos, aventura, personagens memoráveis, e um toquezinho de 'pastelão', embora este fosse sempre usado como acessório, e nunca como centro do humor dos livros. Quando combinadas com o controlo de qualidade e atenção ao detalhe da maioria dos criadores franco-belgas de primeira e segunda linha (ou seja, aqueles que eram bons o suficiente para serem exportados) estas características faziam (e fazem) das principais séries da Meribérica apostas seguras para quem procurava bandas desenhadas infantis mais 'inteligentes' do que a média. Alguns destes personagens chegaram, inclusivamente, a originar 'merchandising' do mais insólito, como foi o caso do sumo de frutas Astérix, lançado em final dos anos 90, mas do qual, infelizmente, não restam quaisquer provas na Internet – sobre este assunto, têm de acreditar em chegou a beber o referido sumo numa ou outra festa de anos...

Numa altura em que a BD se volta a popularizar em Portugal, e em que cada vez mais lojas da especialidade surgem por esse Portugal afora, é de prever que as BD da Meribérica, e de outras editoras entretanto formadas, continuem com tendência ascendente – mesmo sabendo que não haverá, por exemplo, novos álbuns de Astérix, o grande filão da editora. Isto porque mesmo os livros mais antigos das principais séries da editora têm um certo carácter intemporal, que faz com que possam ser tão bem aceites e populares entre as crianças da década de 2020 quanto o foram junto dos seus pais, os 'putos' dos 90. ou até dos pais destes, aquando da publicação original das séries no nosso país; resta, pois, esperar para ver se, nesta era cada vez mais digital e imediatista, estes heróis clássicos conseguem continuar a prender o interesse do seu público-alvo.

21.10.21

NOTA: Este post corresponde a Quarta-Feira, 20 de Outubro de 2021

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar da grande expressão comercial que a banda desenhada internacional teve (e continua a ter) no nosso país ao longo das décadas, a produção nacional da mesma era, foi e continua a ser quase insignificante, tanto num contexto internacional como mesmo dentro de portas. Ao contrário, por exemplo, do mundo da música, no qual Portugal conta com muitos e muito respeitados artistas, a BD nacional não conta, praticamente, com quaisquer nomes dignos de nota, ou que possam sequer ombrear com os criadores 'de culto' de outras nações europeias ou mundiais.

Parte desta inexpressividade deve-se, admitidamente, à falta de meios através dos quais veicular a sua arte. A produção de publicações ligadas à BD em solo português tem sido, historicamente, quase tão fraca como a própria criação artística, o que também não motiva por aí além os poucos nomes ligados ao meio existentes no nosso país; mesmo em plena era da Internet, e com cada vez mais ênfase governamental na cultura, continuam a ser poucos ou nenhuns os meios ao dispôr de um desenhista que queira divulgar a sua arte – e, como seria de esperar, a situação era ainda menos encorajadora numa época em que não existiam quaisquer destes recursos.

Em inícios da década, no entanto, houve uma publicação que tentou mudar este paradigma, e oferecer aos artistas de banda desenhada nacionais pelo menos um meio que possibilitasse a sua exposição a um maior número de potenciais fãs; uma iniciativa arrojada, que acabou por não resultar, e que se afirma, hoje em dia, como pouco mais do que uma nota de rodapé na História da banda desenhada em Portugal, mas que merece ainda assim ser recordada, quanto mais não seja pela coragem que os seus criadores exibiram em tentar fazer vingar tal conceito em plena era da decadência da BD no nosso país.

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Capa do número inaugural da revista

Falamos da revista LX Comics, uma publicação editada durante apenas cerca de um ano – entre 1990 e 1991 – e que tinha como fito, precisamente, dar a conhecer alguns dos talentos lusitanos no campo dos 'quadradinhos', novelas gráficas e demais meios de narrativa plástica. Numa revista que procurava preencher o espaço deixado vago, poucos anos antes, pelas referências 'Tintim' e 'Mundo de Aventuras', não havia espaço a super-heróis da Marvel ou DC, nem a historietas cómicas da Disney – a LX Comics apresentava-se como uma publicação séria, de culto (ou nicho, se preferirem) e com pretensões abertamente artísticas...o que pode ter contribuído para o seu rotundo falhanço.

De facto, numa altura em que a banda desenhada ainda era considerada, por muitos, uma coisa 'de crianças', e em que as mesmas constituíam grande parte do público comprador de 'quadradinhos', tentar uma empreitada como a LX Comics, sem quaisquer concessões comerciais ou mesmo um grande nome através do qual despertar interesse, foi, no mínimo, arriscado; mal comparado, seria como se a World Wrestling Federation de meados dos anos 90 despedisse Bret Hart, Shawn Michaels e o Ultimate Warrior, e procurasse ainda assim competir de igual para igual com a rival World Championship Wrestling, que tinha Hulk Hogan e Ric Flair. Ainda assim, e como se disse acima, há que dar os parabéns aos criadores desta revista pela sua inabalável coragem e visão de futuro – pena que as mesmas não tenham sido postas a uso duas ou três décadas mais tarde...

26.08.21

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 26 de Agosto de 2021.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Na última edição desta rubrica, recordámos ‘Calvin e Hobbes’, talvez o mais famoso e popular exemplo das ‘comic strips’ norte-americanas no nosso país. No entanto, apesar de ter sido o mais emblemático título deste tipo publicado no nosso país, a série sobre o menino traquinas e o seu amigo imaginário de peluche esteve longe de ser a única a cruzar o oceano até às nossas paragens – pelo contrário, o sucesso de que a série gozou em Portugal motivou a editora que a lançara, a Gradiva, a arriscar a sorte com outras propriedades intelectuais do mesmo tipo. É delas – bem como de outras publicadas por editoras concorrentes – que falaremos no post de hoje.

E começando, desde logo, pela Gradiva, podemos recordar séries como Cathy, Foxtrot e (já no novo milénio) Zits, todas presença comum nos suplementos de banda desenhada dos jornais norte-americanos da época, e todas chegadas a Portugal exactamente no mesmo formato em que haviam sido publicadas no seu país de origem – os álbuns eram precisamente os mesmos, com as mesmas capas e as mesmas tiras, tendo apenas sido traduzido e adaptado o conteúdo conforme necessário. Escusado será dizer que, apesar de nenhuma delas ter atingido o nível de sucesso generalizado de ‘Calvin e Hobbes’, todas tinham o seu público, muitas vezes conseguido acidentalmente, apenas por virtude de se tratar de banda desenhada (Cathy, por exemplo, é declaradamente dirigida a um público feminino adulto, e terá certamente deixado muitos jovens confusos quanto a como e porque é que aquilo tinha piada.) Ainda assim, qualquer destas séries fez sucesso suficiente em Portugal para justificar a continuidade da publicação e, como tal, qualquer delas merece umas linhas neste nosso blog.

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Alguns dos muitos álbuns publicados pela Gradiva

Ainda antes de a Gradiva se ter lançado na aventura dos ‘comic strips’ americanos, no entanto, já outras editoras vinham tratando de editar algumas das mais populares propriedades desse meio, traduzidas para o ‘nosso’ português. No entanto, ao contrário das propriedades anteriormente citadas, clássicos como Peanuts, Garfield ou Haggar o Horrível nunca encontraram ‘casa’ fixa no nosso país, saltando de editora em editora ao longo dos anos sem que nenhuma conseguisse ‘segurar’ a publicação. Edinter, Meribérica-Liber, Horizonte e Dom Quixote foram apenas algumas das editoras que pegaram, ou tentaram pegar, nestas séries entre finais dos anos 80 e inícios do século XXI, obtendo sempre o sucesso que já é quase inerente a estes nomes mais clássicos, mas nunca o suficiente para levar a algo mais do que uns quantos álbuns publicados. Destas, a mais bem sucedida talvez tenha sido a Dom Quixote, que, durante a década de 90, conseguiu lançar no mercado uma série relativamente longa de álbuns com as aventuras mais modernas de Garfield, que vale bem a pena procurar adquirir.

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O primeiro volume da colecção de Garfield lançada pela Dom Quixote

Não é, pois, difícil perceber que, apesar de nenhum ter chegado aos píncaros de sucesso de ‘Calvin e Hobbes’, os ‘comics’ de jornal norte-americanos tiveram uma presença discreta, mas honesta no nosso país, encontrando, na sua maioria, um público bastante receptivo ao seu humor clássico e personagens marcantes e memoráveis. Hoje em dia, tal presença encontra-se, talvez, um pouco mais esbatida, mas durante os anos que nos concernem, foi, sem dúvida, suficientemente marcante para justificar estas linhas aqui no Anos 90…

 

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