21.11.25
NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 20 de Novembro de 2025.
Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.
Embora, por razões óbvias, 'escapasse' ao 'radar' dos leitores mais jovens, o sector económico estava, em finais do século XX, tão bem representado na imprensa portuguesa como qualquer outro, com dois periódicos de referência a manterem sã competição, até um deles se ter visto forçado a 'retirar-se' da 'corrida', e o outro ter mudado o seu foco (como tantas outras publicações) para uma vertente exclusivamente digital. Entre 1998 e 2016, no entanto, quem trabalhava no sector financeiro – ou simplesmente se interessava por questões do foro económico e empresarial – tinha à escolha duas excelentes e muito fidedignas fontes de informação especializada.

A primeira destas, o Diário Económico, surgia em 1989, no formato conhecido no Reino Unido por 'broadsheet', e com o principal destaque a advir das suas folhas alaranjadas, que o ajudavam a distinguir-se visualmente dos restantes jornais numa qualquer banca, quiosque ou tabacaria, facilitando a identificação ao comprador. Conhecido, também, pelas suas densas colunas de texto, em detrimento de muitas imagens ou fotografias (um dos principais factores que o tornava pouco interessante para o público jovem) este periódico rapidamente se assumiu como de referência no seu sector, sendo líder de mercado até à extinção da edição física (já depois de a edição de Sábado ter sido descontinuada, em 2010), altura em que o seu lugar foi ocupado por uma nova publicação, o Jornal Económico, que retém o segundo posto no sector da imprensa financeira portuguesa até aos dias de hoje.

A isto ajudava, no entanto, o facto de só quase uma década após o seu surgimento o jornal em causa ter enfrentado concorrência – no caso, o Jornal de Negócios, o 'braço' especializado em finanças do poderoso Grupo Cofina, surgido em 1998, com uma abordagem e execução que – como é habitual nas publicações do grupo – procurava tornar mais simples e acessível o conceito estabelecido pelo 'rival', oferecendo uma melhor relação entre imagens e texto, artigos menos densos e maior uso de cores. Os conteúdos eram, no entanto, tão credíveis, aprofundados e fidedignos quanto os do decano concorrente, tornando este jornal numa alternativa respeitável e de qualidade ao mesmo.
Infelizmente, tal como sucederia com tantas outras publicações durante o mesmo período, nenhum dos dois jornais sobreviveria ao dealbar da era digital, com o Jornal de Negócios a ver-se, também, obrigado a adoptar um formato exclusivamente digital a partir de fins da década de 2010, vários anos após o Diário Económico ter adoptado a mesma medida, como 'último recurso', em 2016. Mas se a experiência deste último se tinha provado infrutífera, com o portal a não passar dos seis meses de vida, no caso do Jornal de Negócios, a mesma ajudou a revitalizar a publicação, que ainda hoje 'soma e segue' no domínio digital, aproveitando a posição hegemónica de que hoje goza no sector da informação financeira em Portugal. Resta, pois, esperar que este estatuto não 'suba à cabeça' dos seus editores, e que os interessados em economia residentes no País possam continuar a contar com múltiplas fontes de informação fidedigna, numa era em que a desinformação grassa em todos os sectores da sociedade, não sendo o financeiro, de todo, excepção à regra...











