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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

16.01.23

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

E depois de na última Segunda de Séries do ano passado termos falado do mais famoso 'procurado' da História da cultura juvenil, nada melhor do que, na primeira deste ano de 2023, darmos alguma atenção à outra pessoa de quem, naquela época, se perguntou frequentemente 'Onde Está?': uma espécie de congénere feminina e menos inocente do jovem de roupa listrada, e que com ele partilha o gosto pela cor vermelha e o tema de abertura épico da sua série animada. Falamos de Carmen Sandiego, a misteriosa protagonista da série com o seu nome (ou antes, para lhe dar o título completo, 'Onde Está Carmen Sandiego?') e que, durante cinco temporoadas, 'trocou as voltas' a um grupo de adolescentes determinados a encontrá-la e fazê-la pagar pelos seus crimes, maioritariamente circunscritos a roubos.

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Produzida entre 1994 e 1999, e baseada no jogo de computador educativo lançado na década anterior (e que gozou de enorme sucesso nos seus EUA natais) a série da DIC (então hegemónica no espaço televisivo infanto-juvenil internacional) tinha o total apoio da Broderbrund, produtora do jogo-base, e partilhava com este o elemento didáctico, o qual era implementado de forma subtil e se prendia, sobretudo, com as diferentes localizações pelas quais os dois jovens protagonistas (e o seu computador inteligente) viajavam em busca da ladra de gabardine vermelha, que andava, inevitavelmente, um passo à frente do 'casalinho'.

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A protagonista da série.

Esta integração de novos conhecimentos num contexto de entretenimento sem que o resultado final parecesse forçado – que 'Carmen' partilha com ilustres como 'A Carrinha Mágica', 'Artur', a trilogia 'Era Uma Vez...', 'Castelo da Eureeka' e, claro, 'Rua Sésamo' – valeu à série um 'Daytime Emmy Award' por Excelência na Programação Infantil, no final da sua primeira temporada, em 1995.

Ao contrário do que acontecia com a maioria das séries internacionais, a transmissão de 'Carmen' em Portugal deu-se com desfasamento mínimo em relação aos EUA, tendo a série passado na emissora estatal nacional logo em meados da década, em versão dobrada e, como não podia deixar de ser, com uma adaptação perfeitamente ÉPICA do genérico original – talvez o elemento mais memorável de todo o conjunto, e prova (se ainda fosse necessária) da habilidade que os estúdios de dobragem da altura tinham para criar temas de abertura marcantes.

Tema de abertura ou ária de ópera? Um pouco de ambos...

De resto, e apesar de bem-conseguida no cômputo geral (tanto tecnicamente como em termos de história) a série não se afirmou como particularmente marcante para as crianças portuguesas daquela geração, sendo, hoje em dia, muito menos lembrada do que a adaptação para TV de 'Onde Está o Wally?' - um daqueles casos paradoxais difíceis de explicar fora do contexto da época. Ainda assim, vale a pena recordar as aventuras televisivas da ladra americana, protagonista daquele que foi mais um bom exemplo de 'edutenimento' produzido durante a década de 90...

 

29.11.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

A influência do futebol na sociedade portuguesa (e sobretudo entre o sector masculino) sempre foi, e continua a ser, famosamente transversal, afectando desde grelhas de programação televisiva ao funcionamento de negócios e estabelecimentos. O segmento mais jovem da referida demografia não é, de todo, excepção – pelo contrário, as crianças, adolescentes e jovens adultos encontram-se entre os mais fervorosos seguidores e adeptos do 'desporto-rei'.

Assim, não é, de todo, de estranhar que, em meados dos anos 90, um executivo de televisão tenha tido a ideia de incorporar o futebol, e os eternos 'despiques' que provoca mesmo entre os melhores amigos, num formato televisivo de cariz competitivo e dirigido a um público jovem – e ainda menos que o mesmo se tenha revelado um enorme sucesso entre os mesmos durante o período em que esteve no ar, já que reunia dois dos seus elementos favoritos: o futebol e a competição intelectual.

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O programa em causa, que levava o título de 'Os Donos da Bola', faria a sua estreia na SIC algures em 1994, captando as audiências da hora do almoço e conseguindo alguma tracção entre o segmento a que se destinava pelo bom e velho método do 'passa-palavra', ainda hoje uma das principais medidas do sucesso de QUALQUER produto ou serviço junto do público jovem.

Encabeçado por um jovem que, alguns anos mais tarde, se transformaria num dos nomes de referência da programação de entretenimento em Portugal - e, ainda mais tarde, em verdadeiro profissional do desporto-rei - de nome Jorge Gabriel, o concurso propunha um 'derby' entre dois concorrentes – cada um representando o seu clube de eleição - que procuravam 'marcar golos' um ao outro através da resposta correcta a perguntas sobre o mundo do futebol, sendo o progresso de cada um mostrado mediante uma (hoje rudimentar, mas à época entusiasmante) simulação computorizada. Começando 'de trás', na hoje chamada 'fase de construção', era objectivo de cada um dos jogadores conseguir avançar o mais possível campo afora, correspondendo cada resposta correcta a um passo (ou 'passe') em frente no 'relvado' virtual. A complicação advinha do facto de as respostas irem aumentando de dificuldade à medida que a 'bola' progredia, tornando-se francamente difíceis no sector mais atacante – uma mecânica que, ainda que de forma básica, acabava por reflectir o cariz do próprio futebol enquanto desporto.

Exemplo do conceito do jogo 'em acção'.

Uma fórmula, no cômputo geral, até bastante simples, mas por isso mesmo bem eficaz, que permitiu ao concurso ficar no ar durante três anos e mais de 600 emissões - vindo finalmente a ser cancelado algures em 1997 – e que chegou mesmo a suscitar uma tentativa de transladação do conceito para um formato caseiro, estilo 'jogo de tabuleiro', embora neste caso sem grande sucesso – ao que parecia, os jovens preferiam ver dois concorrentes 'espalhar-se ao comprido' na resposta a perguntas sobre desporto, do que correrem eles mesmos esse risco. Ainda assim, e apesar deste ligeiro 'soluço' a nível comercial, 'Os Donos da Bola' foi um programa que, na sua época, deu que falar, encontrou e reteve a sua audiência e implementou satisfatoriamente um conceito novo, único e original, não se podendo, por isso, considerar nada menos do que um retumbante sucesso (mais um de entre muitos à época) para a ainda jovem mas já bem estabelecida estação de Carnaxide.

15.11.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Desde a criação deste blog, e desta secção em particular, temos vindo a recordar inúmeros exemplos de programas infanto-juvenis memoráveis transmitidos nos anos 90, quer no tocante a blocos de desenhos animados, como o Buereré, a Casa do Tio Carlos, o Mix-Max, o Brinca Brincando ou o Batatoon, quer a concursos, como a Arca de Noé, Tal Pai, Tal Filho ou o(s) programa(s) que hoje aqui abordamos: o Circo Alegria, e a sua 'continuação não-oficial', o 'Vamos ao Circo'.

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Logotipo do 'Circo Alegria', o primeiro dos dois programas em análise.

E já que acima mencionámos o Batatoon, convém, desde logo, começar por referir que estes dois programas forneceram à maioria das crianças portuguesas o primeiro grande contacto com aquela que se viria a tornar a dupla de palhaços mais conhecida e famosa de Portugal, muito graças ao referido bloco vespertino de desenhos animados; sim, o concurso estreado em 1992 pela RTP, e 'repescado' dois anos mais tarde pela TVI, marca a génese da parceria entre António Branco, o Batatinha, e Paulo Guilherme, o Companhia - então com aparência e maquiagem algo diferentes, mas já com as personalidades, dinâmica e 'timings' bem definidos, tornando os seus segmentos um dos pontos altos de cada episódio (como, aliás, o foram depois no Batatoon).

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O visual de Batatinha à época, algures entre o ex-parceiro Croquete e o aterrorizante Pennywise.

Ao contrário do espaço que os tornaria famosos, no entanto, o foco do 'Circo Alegria' e do 'Vamos ao Circo' eram, não os desenhos animados, mas as provas fisicas, sempre disputadas entre duas equipas seleccionadas de entre as escolas que compunham a plateia (uma prática, aliás, bastante comum em programas de auditório infanto-juvenis da época, que nunca deixavam de contar com pelo menos um estabelecimento de ensino entre o público presente em estúdio.) Pelo meio, além das interacções entre Batatinha e a sua perene 'pulga no sapato' Companhia, ficavam ainda números musicais com artistas convidados 'da moda' (outra prática quase obrigatória em programas deste tipo à época) e, claro, as algo atrevidas sugestões do apresentador à bela assistente feminina, mediante o icónico 'Ó Mimi, apita aqui!' (que a dita talvez tenha levado a peito, motivando a sua substituição, aquando da transição para a TVI, por uma nova Mimi, de cabelo mais escuro...) De referir ainda que, além da Mimi e do inevitável Companhia, estes dois programas marcam, também, a estreia de Honório e Finório, a dupla de 'assistentes de circo' silenciosos e expressivos que acompanhariam os apresentadores até ao final da sua carreira como dupla.

Exemplo dos segmentos humorísticos do programa (crédito: Desenhos Animados PT)

No fundo, dois programas bastante parecidos, que não só estabeleceram o duo Batatinha e Companhia como grande favorito das crianças (estatuto que o Batatoon viria, mais tarde, a cimentar) como também marcaram época durante a primeira metade dos anos 90, fazendo ainda hoje parte da memória de muitos dos ex-jovens que, tarde após tarde, acompanharam com regozijo tanto as peripécias dos dois palhaços como as provas por eles engendradas, e disputadas por participantes da sua própria faixa etária. Razões mais que suficientes, portanto, para recordarmos ambos os (francamente, indissociáveis) programas, precisamente no ano em que a versão transmitida pela RTP celebra trinta anos sobre a sua primeira emissão, e a da TVI, vinte e cinco sobre a última...

Um dos programas do Natal de 1992

10.10.22

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Um axioma popular bem conhecido dita que, quando alguma coisa faz sucesso (seja uma receita, uma peça de roupa, uma fórmula musical ou literária, uma consola, um jogo de vídeo ou cartas ou, como neste caso, uma série televisiva) inevitavelmente aparecerão imitadores directos, cuja intenção declarada é atingir um grau de sucesso semelhante com um mínimo de esforço, muitas vezes na base da cópia directa; foi assim com as Tartarugas Ninja (cujo concorrente mais directo talvez seja o mais bem sucedido exemplo deste fenómeno), foi assim com 'Pokémon' e 'Digimon' e, claro, não pôde também deixar de ser assim com os Power Rangers.

De facto, a popularidade imediata de que a série da Saban gozou entre o público infantil, aliada aos baixos custos de produção, faziam com que a aposta neste tipo de série fosse de baixíssimo risco, e de retorno financeiro quase garantido; assim, não é de surpreender que tenham sido vários os exemplos surgidos na senda do sucesso de 'Mighty Morphin' Power Rangers', muitos deles produzidos e lançados pela própria companhia que adaptara o conceito original.

Destas, duas chegaram a 'dar à costa' em terras lusitanas, sensivelmente ao mesmo tempo que a sua inspiração-mor (que, ao contrário das ditas, tinha sentido os efeitos da 'décalage' cultural que atrasava a chegada da maioria dos produtos estrangeiros à Península Ibérica, normalmente por períodos entre três a cinco anos) e, tal como esta, em versão dobrada em português, mas sem terem conseguido sequer uma fracção do seu sucesso, não obstante as circunstâncias e clima cultural extremamente favoráveis.

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Falamos de 'Big Bad Beetleborgs' (que só uma década depois da sua estreia nacional teve direito a um título traduzido) e 'VR Troopers' (que nunca chegou a tê-lo) dois programas que adoptavam a fórmula pioneirizada por Mighty Morphin' – que misturava segmentos originais com actores norte-americanos a outros 'importados' directamente de uma qualquer série japonesa – sendo a única diferença a origem do material: enquanto que as diferentes séries dos Rangers eram adaptados dos chamados 'sentai'(séries sobre heróis em fatos às cores com enormes robôs, de que foi exemplo-mor em Portugal 'Turbo Ranger') estas duas séries procuravam importar para o Ocidente o outro grande género de programa deste tipo, o 'tokusatsu', que consistia de séries sobre heróis em fatos METÁLICOS às cores com enormes robôs. Uma diferença que pode parecer negligenciável, mas que ajuda a tornar algo como 'Kamen Rider' (o mais famoso exemplo do género) substancialmente diferente de qualquer série de 'Rangers' – mas que, inversamente, pode servir para explicar o porquê de nenhuma destas séries ter encontrado grande tracção entre o seu público-alvo, não indo qualquer delas além das duas temporadas.

E, no entanto, qualquer das duas via reunidas as condições para ter sucesso, não só se baseando numa fórmula com provas dadas (e já bem explorada pela mesma produtora) como também apresentando conceitos que, à época, faziam delirar a demografia-alvo, como a realidade virtual ou a banda desenhada de super-heróis; 'Beetleborgs' transformava mesmo os três protagonistas em crianças da idade dos próprios espectadores, à semelhança do que aconteceria mais tarde com o personagem Justin em 'Power Rangers Turbo'. No entanto, qualquer que tenha sido a razão – saturação do mercado, a sensação de ambas as séries não passarem de pálidas 'cópias' do original – a verdade é que nenhum dos dois conceitos se notabilizou o suficiente para merecer menção individual, ocupando sensivelmente o mesmo espaço, quer em termos de qualidade, quer de 'visibilidade' na memória nostálgica actual do público lusitano.

Ainda assim, nem tudo o que diz respeito a estas séries é totalmente deitado a perder; isto porque qualquer das duas tem genéricos de abertura quase tão 'radicais' como o dos 'padrinhos' Power Rangers, que constituem, de longe, o elemento mais memorável de ambas; de resto, nenhuma das duas merece, exactamente, mais do que o grau de notabilidade de que hoje goza, sendo ambas vistas hoje em dia (com total justiça, aliás) como o tipo de 'produto daquele tempo' que mais vale esquecer como simples 'desvario' de uma época diferente - como, aliás, indica o facto de ambas tenham sido 'repescadas', já no novo milénio, e prontamente voltado a ser ignoradas pela nova demografia-alvo, mais 'entretida' com produtos como 'Adventure Time', e sem tempo para 'tontices' antiquadas com fatos 'fatelas' e monstros de borracha...

Ambas as séries tinham nos excelentes temas de abertura o seu aspecto mais notável e memorável

 

 

 

26.09.22

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Tal como o 'anime', o género de série conhecido como 'sentai' – que segue as peripécias de um grupo de heróis com uniformes de 'lycra' às cores e robôs gigantes activados à distância – teve, durante décadas, consideráveis dificuldades em 'penetrar' no Ocidente, feito que apenas verdadeiramente conseguiu aquando da estreia de 'Mighty Morphin' Power Rangers', uma versão (quase) totalmente localizada do conceito que se viria a tornar um dos maiores êxitos de televisão infantil da década de 90, e iniciar um legado que se estende já por praticamente três décadas. Por essa altura, no entanto, já o Japão vinha criando material deste tipo há pelo menos duas décadas, tendo até alguns exemplos do mesmo conseguido extravasar os confins nipónicos e atingido sucesso noutros países – o Brasil, por exemplo, era consumidor ávido deste género de série, em grande parte devido ao seu elevado contingente nipónico, e programas como 'Ninja Jiraya', 'Changemen' ou 'Jaspion' (todos anteriores a 'Zyuranger', a série que viria a ser 'ocidentalizada' e a servir de base a 'Mighty Morphin'...') tornaram-se, a partir de meados da década de 80 e até ao inicio da seguinte, presença assídua na grelha de canais como a TV Manchete, onde fizeram as delícias de toda uma geração de crianças.

O que muitos dos que deliraram com os Power Rangers por alturas da transmissão original talvez nunca tenham sabido, no entanto, é que a referida série também não foi o primeiro contacto da juventude portuguesa com o conceito de 'sentai'; cerca de quatro anos antes de os discípulos de Zordon terem pela primeira vez surgido nos ecrãs nacionais, já a RTP tinha encetado uma primeira tentativa de apresentar este tipo de material à demografia infanto-juvenil lusa – embora sem grandes esforços de 'marketing' ou divulgação, e com uma apresentação, no mínimo, bizarra.

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Quaisquer semelhanças com 'outra' série nostálgica NÃO são mera coincidência...

A série escolhida para esta espinhosa missão foi 'Turbo Rangers' (no original, 'Kousoku Sentai Turboranger'), um 'sentai' de 1989 que chegava aos ecrãs nacionais três anos depois, em Abril de 1992, e se despedia dos mesmos pouco depois, sem deixar grande marca na memória do público-alvo; e ainda que inicialmente tão discreta reacção possa parecer surpreendente – especialmente à luz do sucesso de que já gozavam séries como 'Cavaleiros do Zodíaco' e de que viriam, pouco depois a gozar os referidos Power Rangers – os motivos para a mesma tornam-se imediatamente evidentes assim que se analisa mais a fundo o material adquirido e exibido pela RTP. Isto porque 'Turbo Ranger' era transmitida no Canal 1 em versão legendada (uma prática normal para a estação estatal à época, mesmo com séries infanto-juvenis), mas não com a faixa de áudio original; em vez disso, o programa era exibido na sua versão francesa (!!), a qual era, por sua vez, legendada em português. Ou seja, uma série japonesa era exibida em francês, com legendas em Português – uma autêntica Torre de Babel televisiva, que raramente se tornou a repetir na televisão portuguesa.

Pior – o facto de a RTP ter adquirido a versão francesa de 'Turbo-Ranger' privava os espectadores nacionais de praticamente metade da série, já que 22 dos 51 episódios do 'sentai' foram censurados aquando da sua importação para França, limitando as crianças portuguesas aos apenas 29 episódios que 'sobreviveram' ao 'lápis vermelho' dos censores – o que, por sua vez, resultou num período de exibição relativamente curto; à laia de comparação, a transmissão inicial de 'Power Rangers' correspondeu a cerca de 200 episódios, 'Power Rangers Turbo' (que NÃO é baseado neste 'sentai', mas sim em 'Car Ranger') teve 45, e até os 'imitadores' 'VR Troopers' e 'Big Bad Beetleborgs' tiveram perto de 100 episódios cada.

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Graças à censura aplicada à versão importada para o Ocidente, a equipa de Turbo Rangers teria poucas oportunidades de entrar em acção na televisão portuguesa.

Este infeliz conjunto de factores predestinou, inevitavelmente, 'Turbo Rangers' a um rápido eclipsar das ondas audiovisuais lusitanas, e consequentemente, da memória do público-alvo, a qual não prima por longeva; não é, portanto, de admirar que, para a maioria das crianças da época, 'Power Rangers' seja tido como o primeiro contacto com este tipo de programa, já que mesmo quem viu 'Turbo Ranger' certamente já havia esquecido a sua existência quatro ou cinco anos depois - e com razão; tratava-se de uma série 'sentai' perfeitamente mediana, sem qualquer inovação a nível da trama, acção ou personagens (é a típica história de cinco jovens a bordo de veículos robóticos em luta contra uma bruxa de outro planeta, os seus capangas desastrados, e os respectivos monstros gigantes), com valores de produção muito abaixo dos padrões ocidentais da época, e cujo único elemento verdadeiramente memorável e acima da média era o ultra-contagiante tema de abertura da dobragem francesa, que se cantou muitas vezes 'foneticamente' lá por casa (mesmo sem perceber uma palavra do que era dito) e que partilhamos abaixo, para que também os nossos leitores possam ficar com ele na cabeça durante décadas...

Um dos grandes temas de abertura 'esquecidos' da TV portuguesa dos anos 90.

07.09.22

NOTA: Este post é correspondente a Terça-feira, 06 de Setembro de 2022.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Para quem foi adolescente em Portugal na ponta final do século XX e inícios do novo milénio, os nomes de Rui Unas e Fernando Alvim terão, decerto, um significado bastante distinto do que têm para os restantes dos comuns mortais; isto porque, enquanto a população geral conhece estes dois homens, sobretudo, pelo seu trabalho no popular '5 Para a Meia-Noite', da RTP1, para os jovens daquele tempo os mesmos são não só 'uns gandas malucos', como a melhor dupla de apresentadores de sempre de um dos melhores programas televisivos juvenis de sempre.

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Estreado mesmo na recta final do século XX, a 15 de Setembro de 1999, o 'Curto Circuito' (ou 'CC', como era familiarmente conhecido) deu aos jovens daquele final de Segundo Milénio e inícios de Terceiro aquilo que eles já de há muito não tinham – um espaço verdadeiramente dirigido a si, e aos seus interesses, que oferecia, sem condescendências nem paternalismos, informações sobre cinema, música, videojogos, tecnologia, desporto, e até alguns temas 'de debate', sempre dentro de campos relevantes para a demografia-alvo. Escusado será dizer que a fórmula criada por Unas e Pedro Miguel Paiva foi abraçada quase de imediato por essa mesma demografia, para quem o programa – que, à época, contava com uma cara bem conhecida dos jovens portugueses como coadjuvante de Unas, no caso Rita Mendes, do Templo dos Jogos – constituía a única razão para sintonizar o hoje defunto CNL (ou Canal de Notícias de Lisboa) onde o formato começou por ganhar vida.

Rapidamente, no entanto, se tornou igualmente óbvio que o 'CC' era demasiado 'grande' para os confins daquele modesto canal, e não tardou até o programa ter nova casa; escassos dezoito meses após a sua estreia, e após uma estadia (muito) temporária no então Canal Programação da TV Cabo (e já com Alvim a fazer parelha com o 'maluco' Unas) o formato é escolhido como 'âncora' de um novo projecto ligado à SIC – um canal totalmente dirigido e dedicado ao público jovem, que levaria o nome de SIC Radical.

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Os 'gandas malucos'  originais ...

Do que se segue, reza a História da televisão portuguesa: dois apresentadores em absoluto estado de graça, um programa que cresce e se expande paralelamente ao canal que representa (e com idêntico grau de sucesso), bonecos amarelos, segmentos e rubricas que adquirem estatuto de culto (como o espaço dedicado ao rock pesado apresentado semanalmente por António Freitas), e a passagem progressiva de testemunho a outros futuros ídolos da juventude lusa, dos quais se destacam nomes hoje tão conhecidos como Diogo Beja, Pedro Ribeiro – já bem conhecido desse mesmo público enquanto apresentador de outro 'clássico' da década de 90, o Top + - João Manzarra, Diogo Valsassina e, claro, Bruno Nogueira, talvez o mais incontornável e consensual apresentador do programa desde a dissolução do duo Unas/Alvim, e ainda hoje um dos mais populares comediantes nacionais.

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...e o outro grande 'duo dinâmico' do programa

Infelizmente, os conteúdos do programa em si nem sempre acompanharam a qualidade da apresentação, sendo o período com apresentação de Bruno Nogueira e Carla Salgueiro normalmente considerado o último grande momento do 'CC' antes do declínio; ainda assim, as sucessivas gerações de espectadores do programa claramente não pareceram incomodados, como se pode comprovar pelo facto de o programa continuar no ar até aos dias de hoje, quase exactamente vinte e três anos após a sua primeira emissão, posicionando-se assim - a par de formatos lendários como 'O Preço Certo em Euros' – como um dos mais longevos programas da televisão portuguesa actual - proeza que consegue sem nunca se ter desviado do seu objectivo inicial, e tendo mantido sensivelmente o mesmo formato, um feito admirável, independentemente do que se pense sobre o estado do programa hoje em dia.

Quem 'esteve lá' no início, no entanto, sabe que, por melhor que o 'CC' actual seja, tempos houve em que o programa conseguiu ser, ainda, muito, muito melhor, e constituir a referência que a 'malta jovem' daquele tempo tanto procurava – tempos esses que esperamos ter conseguido reviver (ainda que apenas parcialmente) nestas breves linhas de tributo a um dos mais históricos formatos para jovens da História da televisão portuguesa moderna.

O 'ganda maluco' Rui Unas com a verdadeira estrela da fase inicial do programa

29.08.22

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Qualquer criança ou adolescente que tenha crescido entre finais dos anos 80 e inícios do Terceiro Milénio saberá que esse mesmo intervalo constitui o período áureo para os desportos radicais, cuja globalização ajudou a atrair o interesse da camada da população sempre 'à coca' de novos 'hobbies' e passatempos; assim, não é de estranhar que essa 'febre' rapidamente tenha sido apropriada pelas corporações mediáticas e comerciais e utilizada como chamariz na divulgação dos mais variados produtos e serviços. Os personagens 'radicais', de crista, boné para trás e dialecto a condizer – mas sempre com bom coração e preocupados com questões como o ambiente ou a solidariedade social, claro - não só tomaram conta das prateleiras de supermercado, como também dos ecrãs, tanto de cinema como de televisão.

Este último campo, em particular, viu surgir, em finais dos anos 80, um dos exemplos mais flagrantes desta tendência, e que a combinava descaradamente com outro grande foco de interesse da demografia-alvo da altura, os dinossauros, e com o também sempre apetecível conceito das viagens no tempo, para criar o sonho de qualquer dirigente televisivo da altura – uma série perfeitamente sinergética e pronta a fazer sucesso entre os jovens daquela época.

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A série em causa, 'Denver, O Último Dinossauro' provou ter 'pernas' suficientes para não só se 'esticar' para uma segunda temporada como ser exportada internacionalmente, uma honra que nem todas as séries almejavam (em Portugal, passou na RTP, em versão dobrada, logo nos dois anos seguintes à sua estreia nos Estados Unidos). E apesar de, trinta anos volvidos, parecer uma daquelas séries que é tão 'de época' que chega a doer – ao mesmo nível de 'Power Rangers' ou 'Tartarugas Ninja' – foi precisamente essa especificidade que lhe permitiu ganhar tracção entre o público jovem do seu tempo.

De facto, a 'datação em carbono' desta série poderia ser feita simplesmente com base na premissa, que vê quatro jovens praticantes de skate e BMX descobrirem e albergarem um dinossauro (ou aquilo que, à época, se entendia como um) que ensinam a falar, a andar de skate (obviamente) tocar guitarra eléctrica (naturalmente) e a usar óculos escuros 'radicais' (claro) e que, em troca, os leva a viajar pelo tempo até à Pré-História, permitindo-lhes aprender mais sobre a vida durante esse período. Uma espécie de mistura entre 'ET' e 'Bill e Ted', que resulta numa daquelas sinopses mirabolantes que só podia mesmo ter vindo de um período em que répteis especialistas em artes marciais e ratos antropomórficos aficionados de Harley-Davidsons eram considerados conceitos normais para a programação infantil.

Infelizmente, 'Denver' nunca chega a esse patamar de qualidade, ficando-se pelo nível médio de séries da altura – onde se incluem outros programas contemporâneos, como 'Widget' ou 'Capitão Planeta' – e sendo sobretudo memorável (além de por ter servido de inspiração a um dos brinquedos 'movidos a moedas' mais comuns daquele tempo) pelo seu 'bem esgalhado' tema de abertura, um dos muitos clássicos que a época em causa nos proporcionou, e que (juntamente com o conceito totalmente 'ver para crer') lhe merece lugar de destaque nesta nossa rubrica nostálgica.

A versão portuguesa do mítico tema de abertura da série (em cima) e alguns episódios-tipo da mesma (em baixo)

24.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 23 de Agosto de 2022.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

O conceito de 'programa de Verão' traz, normalmente, à memória imagens de apresentadores saltitantes e artificialmente entusiasmados e artistas 'pimba' fazendo 'playback' dos seus mais recentes êxitos. Trata-se de uma fórmula com décadas de existência e que, pelo sucesso que sempre vem acarretando, dificlmente é ou virá a ser alvo de grandes alterações - de facto, o mais provável é que qualquer português que ligue a televisão durante uma tarde de fim-de-semana deste mesmo Verão de 2022 dê de caras com um exemplo deste tipo de programa, que nem a pandemia de COVID-19 conseguiu travar, muito menos 'matar'.

Apesar de o ditado popular rezar que 'em equipa que ganha, não se mexe', no entanto, foi precisamente isso que a SIC decidiu fazer durante alguns Verões do fim do Segundo Milénio e inícios do Terceiro: criar um programa de Verão que interessasse activa e directamente ao público infanto-juvenil, especificamente ao segmento pré-adolescente e adolescente. O resultado foi o Dá-lhe Gás!, um formato centrado na realização de jogos e provas físicas de cariz competitivo e com banda sonora composta por artistas 'da moda', que viria a almejar sucesso suficiente para justificar a realização de precisamente cem programas, divididos ao longo de sete Verões.

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Apresentado por um trio constituído por Jorge Gabriel, Raquel Prates e Catarina Pereira - todos, à época, nomes 'em alta' no segmento 'jovem' da televisão portuguesa - o concurso reunia concorrentes de escolas de todo o País, que disputavam entre si uma série de eventos de cariz físico e desportivo, muitos deles de índole 'radical', ou não fossem aqueles os anos de maior sucesso e interesse por desportos extremos em Portugal; o ambiente de entusiasmo e animação era, conforme já referimos, auxiliado pela música escolhida pela produção, que consistia de 'hits' electro-pop tão conhecidos e icónicos para a época como 'Follow The Leader', 'Blue (Da Ba Dee)', 'Ooh La La La' ou 'Samba de Janeiro' - todos, aliás presentes no alinhamento da colectânea em CD alusiva ao programa, lançada no ano 2000, um ano depois da estreia do mesmo, e durante a sua fase de maior sucesso.

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Capa do CD alusivo à banda sonora do programa, lançado em 2000

A fórmula, no entanto, provaria ter ainda 'pernas' para se aguentar nada menos do que mais seis anos, vindo o programa a terminar apenas no Verão de 2006, quando o panorama televisivo nacional já começava, definitivamente, a distanciar-se do paradigma de finais dos anos 90, e a demografia que acompanhara o programa durante os anos anteriores perdia gradualmente o interesse no mesmo; ainda assim, essa mesma demografia não terá, decerto, deixado de criar memórias nostálgicas de tardes de Verão passadas em frente à televisão, acompanhando os esforços de outros jovens da sua idade e, certamente, desejando poder tomar parte numa edição futura do programa...

Emissão completa do programa, que, embora sem música, permite ver a estrutura e formato do mesmo.

16.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Nas últimas semanas, este blog debruçou-se numerosas vezes sobre a carreira de Will Smith, um dos mais populares actores e 'rappers' das décadas de 90 e 2000; assim, era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, a nossa atenção se voltasse para a série que lhe permitiu começar o seu percurso em direcção a esse estatuto - a lendária 'sitcom' 'O Príncipe de Bel-Air'.

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Este post podia bem terminar aqui, e a maioria dos nossos leitores seriam capazes de criar a sua própria versão das próximas linhas; TODA a gente viu pelo menos um episódio d''O Príncipe de Bel-Air', senão aquando da sua transmissão original na embrionária SIC, em 1992, então na re-exibição no canal mais Radical da estação de Carnaxide, na década seguinte, ou até na Internet, onde é uma das comédias favoritas da geração 'nerd'. Do estatuto de culto da música de abertura - que grande parte das duas últimas gerações saberá de cor, ou pelo menos quase - aos 'GIFs' de Carlton Banks a fazer a sua dança característica (obviamente apelidada de 'The Carlton') a influência desta série na cultura 'pop' actual é quase inescapável, tornando qualquer contextualização redundante.

Quem não sabe esta letra, certamente, viveu debaixo de uma pedra nos últimos trinta anos...

Tentemos, ainda assim, dedicar algumas linhas a esse objectivo: 'The Fresh Prince' estreou nos primeiros meses da década de 90, na cadeia americana NBC, como forma de capitalizar sobre a fama musical da dupla protagonista, Smith e o seu parceiro Jazzy Jeff; enquanto que a carreira de ambos como criadores de 'hip-hop' entraria em trajectória decrescente, no entanto, seria como actores de comédia que ambos ficariam conhecidos entre toda uma nova geração de jovens, tendo a nova série ultrapassado até os já elevados níveis de sucesso da música da dupla.

No total, foram seis temporadas de aventuras e desventuras de Will (uma versão ficcionalizada do próprio Smith) no ambiente estranho que era a casa dos seus tios ricos, no titular bairro de luxo em Los Angeles, na Califórnia, as quais renderam personagens tão memoráveis quanto Will, Jazz (Jazzy Jeff, também basicamente a fazer dele mesmo), o mordaz mordomo Geoffrey, o iirascível mas compreensivo Tio Phil ou o supracitado Carlton, primo 'betinho' de Will que servia magnificamente a função de contrastar completamente com o mesmo - todos interpretados por actores talentosos, e cuja química mútua constituía um dos pontos fortes da série.

Como se tal não bastasse, 'O Príncipe...' contou ainda com participações especiais de alguns dos maiores nomes da cultura 'pop' norte-americana da época, de Tyra Banks a Naomi Campbell, Whoopi Goldberg, Jay Leno, e até o futuro presidente Donald Trump (que, aliás, era presença assídua em filmes e séries à época) - uma estratégia, aliás, adoptada anos mais tarde pela RTP para a adaptação televisiva de 'As Lições do Tonecas', embora a uma escala bem menor e mais local. Apenas mais um factor de atracção para um público-alvo, na sua larga maioria, já 'rendido' ao lendário charme de Smith e às mirabolantes peripécias engendradas pelos argumentistas da série, que, em conjunto, a ajudaram a tornar num dos maiores e mais memoráveis sucessos de televisão internacionais da década - estatuto que, aliás, a cultura nostálgica e 'nerd' (de que este blog faz parte) lhe permite continuar a manter, precisamente três décadas depois da sua transmissão inicial por terras lusas...

26.07.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Quem pensa em blocos de programação infantis da TVI de finais dos anos 90, decerto pensará de imediato no lendário Batatoon, um dos maiores sucessos da História do canal, e um dos mais conhecidos e populares programas infantis de sempre em Portugal, principalmente devido à sua mirabolante grelha de desenhos animados, que incluiu séries  como 'Samurai X', 'Sonic Underground', 'Navegantes da Lua', 'Homens de Negro' ou 'Digimon Adventure'; quem, no entanto, assistia ao mesmo canal aos dias de semana da parte da manhã, durante a mesma época, certamente se lembrará de um segundo programa, apresentado por uma dupla de 'bonecos' com pinta de radialistas e química a condizer que, sem nunca ter atingido os níveis de audiência do congénere das tardes da 'Quatro', apresentou ainda assim uma alternativa bem válida ao mesmo para quem tinha aulas depois do almoço.

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Falamos de 'Mix Max', bloco infanto-juvenil estreado mesmo ao 'cair do pano' do novo milénio – a primeira emissão vai ao ar algures em 1999 - e que, sem bater o recorde de longevidade do Batatoon, conseguiu ainda assim permanecer nos ecrãs nacionais uns honrosos dois anos, até 2001. De conceito substancialmente diferente do programa dos palhaços Batatinha e Companhia (apesar de uma sinopse divulgada no artigo relativo ao programa do nosso congénere Desenhos Animados Anos 90 falar em audiência ao vivo, bem como de um terceiro boneco, do sexo feminino, este formato planeado nunca chegou a ser levado avante, sendo o programa uma emissão exclusivamente de estúdio e centrada no duo homónimo) este bloco vivia muito mais da qualidade e interesse dos segmentos e desenhos animados que exibia, o que poderá explicar o porquê de não ter durado tanto quanto o seu programa-irmão, cuja índole era bem mais variada; ainda assim, os apresentadores DJ Mix e MC Max – um daqueles duos de 'melhores inimigos', à semelhança dos 'colegas' Batatinha e Companhia e de personagens como Egas e Becas, da Rua Sésamo, com uma aparência que lembrava um cruzamento entre Terrence e Phillip, de 'South Park', e o famoso 'Boneco Amarelo' do 'Curto Circuito' – chegaram a ser responsáveis por proporcionar muitos e bons momentos às crianças e jovens nacionais, nomeadamente através da exibição dos excelentes 'animes' inspirados em histórias clássicas, aos quais já aqui dedicámos um 'post'.

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A carismática dupla de apresentadores do programa

Ainda assim, fosse pelo horário menos ideal fosse pelo teor mais simplista do próprio conceito do programa, a verdade é que Mix e Max nunca lograram intrometer-se no 'monopólio' que Batatinha e Companhia detinham sobre os programas infantis da estação de Queluz à época – uma situação que nem um tema de abertura tão ou mais memorável que o do programa dos palhaços ajudou a alterar.

O contagiante genérico do programa não foi, infelizmente, suficiente para o tornar mais memorável junto do público-alvo.

Quem lá esteve, no entanto, sabe que este programa, apesar de 'menor', tinha ainda assim os seus méritos, nomeadamente o de proporcionar desenhos animados de qualidade a quem não conseguia estar em casa a horas de ver o 'Samurai X' ou os 'Digimon' – argumento, por si só, mais que suficiente para lhe valer a homenagem nesta rubrica do nosso blog.

'Spot' promocional alusivo ao programa

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