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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

02.12.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No que toca a programas infantis de cariz ao mesmo tempo interactivo e remoto na televisão portuguesa de finais do século XX, vêm imediatamente à memória duas variantes: por um lado, os programas 'de auditório', como 'Batatoon' ou 'Buereré', em que as crianças ligavam para participar de passatempos e ganhar prémios, e, por outro, o lendário 'Hugo', em que era dada aos espectadores a possibilidade de assumir um papel menos passivo, e controlar activamente os acontecimentos mostrados no ecrã da televisão. E se este último é, ainda hoje, lembrado e 'reverenciado' por toda uma faixa demográfica que atingiu na 'altura certa', um outro programa semelhante, embora com a sua própria abordagem ao género, encontra-se, por sua vez, um pouco 'esquecido' pela 'sua' geração, um quarto de século após a sua estreia.

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Surgido pela primeira vez nos ecrãs nacionais em meados de Novembro de 2000, por intermédio da TVI, 'Rita Catita e o Ursinho Oops' aplicava o conceito de 'Hugo' a um contexto menos competitivo e mais narrativo, criando algo único e que não se tornaria a repetir na televisão portuguesa: essencialmente um desenho animado 'ao vivo', em que as falas eram gravadas (e, muitas vezes, improvisadas) no momento, para reflectir a conversa com a criança do outro lado da linha, ou os acontecimentos que a mesma despoletara. Assim, apesar de cada episódio ter, nominalmente, uma história, a mesma era vaga o suficiente para acomodar os 'imprevistos' da gravação ao vivo sem que, com isso, a coerência narrativa saísse prejudicada, permitindo às cianças liberdade para interagirem com os personagens titulares (e até com outras crianças que ligavam em simultâneo) conforme desejassem.

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A personagem principal e titular.

Apesar de o foco ser na história, no entanto, 'Rita Catita' adoptava também o elemento competitivo do seu antecessor em certas partes do programa, podendo as crianças testar a sua perícia e reflexos com um jogo de tiro ao alvo, por exemplo. Esta vertente ajudava, se possível, a dar ao programa ainda mais originalidade, fazendo dele uma experiência única na televisão portuguesa, senão mesmo mundial – o que torna ainda mais surpreendente o facto de a emissão ser tão pouco lembrada hoje em dia pela parcela mais nova da geração 'millennial', que teria sido o principal público-alvo da mesma naqueles primeiros meses do século XXI. Talvez a referida demografia não seja tão nostálgica quanto os seus antecessores, ou talvez o programa não tivesse sido marcante o suficiente, ou talvez se trate apenas de uma questão de tempo, e se venha a assistir, daqui a alguns anos, a uma vaga de nostalgia por 'Rita Catita'; seja como fôr, o referido programa não deixa, à data, de ser um dos mais injustamente Esquecidos Pela Net da História da televisão portuguesa, apresentando um conceito e execução verdadeiramente originais e distintos, que mereciam ter tido mais impacto na cultura popular infantil portuguesa da época em que foi transmitido.

O único 'clip' do programa ainda disponível na net.

05.11.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 4 de Novembro de 2025.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década

Já aqui anteriormente falámos d''A Hora do Lecas', o programa que catapultou José Jorge Duarte para o sucesso e o tornou ídolo entre os mais pequenos, no papel da titular 'criança grande'. Assim, e face ao sucesso de que a referida 'Hora' desfrutava entre o público-alvo semana após semana, não é de admirar que a RTP oferecesse a Duarte a possibilidade de continuar o formato (ainda que com novo titulo), mas agora em horário 'nobre' no tocante à programação infantil – nomeadamente, as manhãs de Sábado. Surgia assim, há pouco mais de trinta e cinco anos (em Outubro de 1990) a 'continuação' d''A Hora do Lecas', com o bem menos intuitivo título de 'Lecas, Mais Certo Que Sem Dúvida'.

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Apesar deste equivocado título, no entanto, o programa continuava a oferecer tudo o que a sua demografia-alvo podia pedir de um programa deste tipo – jogos interactivos (como 'penalties' ou um jogo de pesca), convidados musicais (a começar logo, em 'grande', pelos Xutos & Pontapés), entrevistas, reportagens e, claro, muito do humor típico do 'Lecas', traduzido tanto em 'sketches' curtos como em paródias de filmes de heróis de banda desenhada ou nas 'dobragens' das 'vozes' dos animais de companhia das celebridades entrevistadas, na rubrica 'Meu Dono de Estimação'. Numa vertente algo mais 'séria', a rubrica 'Quando For Grande Quero Ser...' oferecia aos jovens espectadores, uma vez por mês, a possibilidade de viverem o seu emprego de sonho durante um dia, ao lado de um profissional do sector, enfatizando assim a ligeira vertente educativa de que o programa também gozava. No global, um formato equilibrado, e que não podia deixar de agradar ao público-alvo, pese embora a ausência de desenhos animados, normalmente a 'atracção principal' deste tipo de programa. Lecas era, no entanto, uma presença mais do que magnética o suficiente para manter as crianças portuguesas cativadas durante todo um programa, eliminando a necessidade de exibir séries entre os diferentes segmentos, e dando ao programa alguma originalidade face a outros 'concorrentes'.

De referir, ainda, que foi deste programa – e dos seus segmentos musicais, protagonizados uma vez por episódio pelo próprio Lecas – que saiu o icónico disco 'As Canções do Lecas', do qual também já aqui falámos, pouco depois do 'post' dedicado à 'Hora'. Esta nova publicação vem, pois, completar a 'trilogia' dedicada a uma das grandes figuras da televisão infantil portuguesa de finais dos anos 80 e inícios de 90, e que a porção mais velha dos leitores deste 'blog' provavelmente recordará como um dos seus ídolos de infância.

14.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 13 de Outubro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Numa ocasião passada, relembrámos nestas páginas 'Uma Aventura', a série literária infanto-juvenil que, apesar de já quadragenária, continua, de alguma forma, a conseguir tracção suficiente entre o seu público-alvo (por esta altura, membro da Geração Alfa) para justificar a edição regular de novos tomos relativos ao mesmíssimo grupo de 'eternos adolescentes' que entreteve as crianças das gerações X, 'Millennial' e até 'Z'. Face a este sucesso, e à própria premissa da série de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. não é de espantar que a mesma tenha dado azo a uma adaptação televisiva, transmitida no equivalente infantil ao horário nobre (as manhãs de fim-de-semana) e sobre cuja estreia se celebram, no dia da publicação deste 'post', exactos vinte e cinco anos.

Foi, efectivamente, a 14 de Outubro de 2000 (um Sábado), que Pedro, Chico, João, as gémeas Teresa e Luísa e os seus respectivos cães, 'Caracol' e 'Faial', se apresentaram pela primeira vez em 'carne e osso' aos fãs dos livros, e a todo um novo segmento de potencial público que ficava assim a conhecer pela primeira vez a colecção. E apesar de não serem exactamente fiéis à sua caracterização nas páginas escritas – sendo vividos por actores mais velhos e com um visual mais actualizado e em linha com as sensibilidades juvenis da viragem do Milénio – eram suficientemente apelativos e interessantes para fazer os 'fiéis' regressar semana após semana, transformando a série da SIC num sucesso à altura do material de base. Tanto assim que 'Uma Aventura' lograria regressar para uma segunda série (em 2004, com um elenco logicamente totalmente renovado) e serviria de inspiração a outras adaptações de séries literárias infantis, como 'O Clube das Chaves' ou 'Triângulo Jota', as quais nunca conseguiram, no entanto, replicar o sucesso daquela primeira tentativa.

Grande parte deste sucesso devia-se ao facto de que a série d''Uma Aventura' (em ambas as suas 'encarnações') logrou sempre manter o espírito das 'Aventuras' originais (embora cada uma delas fosse expandida para se adaptar melhor ao formato televisivo) e a qualidade apresentada pela série original. O resto resumia-se a preferências individuais relativas aos actores escolhidos e à sua forma de abordar a personagem que viviam, que faziam com que alguns preferissem um grupo de actores sobre o outro, embora reconhecendo que ambos eram excelentes. Qualquer das séries continua, aliás, a ser uma excelente proposta para um serão em família, reunindo duas ou até três das múltiplas gerações cuja infância ou adolescência ficaram marcadas não só pela colecção original de livros mas também, quiçá, pelas referidas adaptações televisivas...

29.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Julho de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As séries animadas têm, tradicionalmente, sido um dos principais 'ramos' da 'árvore de divulgação' de qualquer franquia dirigida a crianças e jovens. O mundo dos super-heróis não é, de todo, excepção a esta regra (antes pelo contrário) pelo que, numa altura em que o género volta a estar na ribalta graças às estreias de 'Super-Homem' e 'Quarteto Fantástico', faz sentido recordar os vários exemplos de programas do género estreados em Portugal durante os últimos anos do século passado. E se os desenhos animados da DC, icónicos para o público norte-americano, ficavam 'grosso modo' ausentes da programação nacional (excepção feita a 'Batman – A Série Animada', de que já aqui falámos numa ocasião anterior) já os da Marvel viriam a encontrar o seu espaço na grelha televisiva da SIC, em diferentes pontos durante a segunda metade dos anos 90 – ainda que algumas se tenham afirmado como bastante mais memoráveis que outras.

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Destas, a mais frequentemente lembrada (tanto pela escrita madura e inteligente como pelo seu icónico tema de abertura e fecho) será 'X-Men', produzida em 1992 e transmitida, com dobragem portuguesa, no icónico 'Buereré' em meados da década. Baseada na fase então contemporânea da equipa de mutantes liderada pelo Prof. Xavier, a série tomava, ainda assim, bastantes liberdades por comparação com o material original, apresentando novas histórias e até um personagem inédito, Morph, que participaria de um único episódio antes de ser morto em combate. Mesmo com estas diferenças, no entanto, a série não deixou de agradar aos fãs dos mutantes da Marvel, tendo o seu continuado sucesso no seu país natal levado mesmo à produção, já na década de 2020, de uma sequela, 'X-Men '97', actualmente disponível na Disney+.

O icónico genérico da série.

Apesar de servirem como 'porta-estandarte' das séries de animação da Marvel, no entanto, os X-Men estavam longe de ser os únicos personagens da editora convertidos a um formato televisivo. O não menos icónico Homem-Aranha também teria direito a série própria – que trazia outro excelente tema de genérico e que, mesmo suplantada por exemplos posteriores, não deixa ainda assim de ser lembrada com carinho pelos fãs - e o mesmo se passaria também com o Homem de Ferro e o Quarteto Fantástico, embora qualquer destas séries tivesse tido uma passagem pelas Tvs nacionais bem mais discreta que a de Peter Parker ou da equipa mutante.

A série do 'aranhiço' tinha também uma introdução memorável.

Em comum, estes programas tinham a animação limitada, típica de produções da altura (mas ainda assim funcional para o efeito pretendido) e o grafismo e desenho dos personagens, que se saldava numa versão mais simplificada e algo mais infantil do típico estilo Marvel. O resultado era uma série de 'pratos cheios' para fãs dos super-heróis em questão, os quais, mesmo não chegando ao apuro técnico e de narrativa das séries da 'concorrente' DC, se perfilavam ainda assim como opções acima da média naquela que terá sido uma das melhores épocas de sempre para a animação televisiva, e faziam por merecer a reputação de que continuam a usufruir entre quem foi jovem naquele tempo, em Portugal e não só.

22.07.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No tocante a programas de música e telediscos no Portugal dos anos 90, a referência imediata (e praticamente única) para a maioria dos 'millennials' nacionais será o icónico 'Top +', o mais próximo a que a televisão lusa da altura chegava do estilo de programação de uma MTV, cuja reputação atravessava, à época, o oceano, fazendo muitos jovens sonhar com algo equivalente mas falado e criado em Português. No entanto, nessa mesma época, a própria RTP veiculava um segundo magazine sobre música, hoje mais esquecido, mas que, à época, representou uma importante mudança de paradigma na grelha audiovisual do Portugal pré-SIC e TVI.

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Tratava-se do 'Pop-Off', da autoria de José de Freitas, à época figura de proa nos esforços de representação do 'pop-rock' português nos 'media', e que decidia, com este formato, deitar ele próprio 'mãos à obra'. Não é, pois, de estranhar que este programa se destaque do 'irmão' do 'Canal 1' pelo seu foco exclusivo na cena portuguesa, à época num dos seus muitos períodos de florescimento. As habituais bandas internacionais que dominavam os 'tops' (incluindo o '+') eram, assim, substituídas tanto por 'suspeitos do costume' como Xutos & Pontapés, Delfins, GNR, Resistência ou Madredeus como por novas sensações do movimento, como LX-90 ou Sitiados. Eram, no total, cerca de vinte e cinco minutos diários dedicados a telediscos, reportagens e notícias sobre música portuguesa, com a apresentadora Sofia Morais a servir de elo de ligação entre os diferentes segmentos que perfaziam o programa.

Um formato que tinha tudo para agradar ao público-alvo e que, sem surpresas, viria a reter um lugar na grelha de programação do 'Canal Dois' durante dois anos - período que até parece pouco, tendo em conta a relevância da temática e a excelente execução técnica do programa, sobretudo se se tiver em conta a duração substancialmente mais considerável do contemporâneo dedicado aos 'tops' internacionais. O curto ciclo de vida não impediu, no entanto, que 'Pop-Off' conquistasse um lugar tanto no coração dos melómanos da época como na própria história dos programas musicais na televisão portuguesa, tornando praticamente obrigatórias estas poucas linhas a ele dedicadas neste nosso 'blog' dedicado, precisamente, a recordar esses e outros aspectos da sociedade portuguesa de outros tempos.

 

 

 

 

 

25.06.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 24 de Junho de 2025.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre todos os 'veteranos' da televisão portuguesa de finais do século XX, um, em particular, destacava-se pela sua capacidade de comunicar com as crianças e jovens ao seu nível, sem paternalismos, bem como de criar formatos televisivos apelativos para essa mesma demografia, que ele próprio se encarregava de apresentar. Falamos, claro, de Júlio Isidro, o já então 'decano' dos pequenos ecrãs (levava, à época, quase três décadas de actividade) responsável por clássicos infanto-juvenis em décadas anteriores (de 'O Passeio dos Alegres' a 'Clube Amigos Disney') e que, à entrada para os últimos dez anos do Segundo Milénio, procurava manter esse estatuto com mais um formato com tudo para agradar ao seu público-alvo. É desse programa, sobre cuja se celebram na próxima semana trinta e cinco anos, que falamos nas linhas abaixo.

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Na linha de propostas semelhantes da mesma época, mas mais ambicioso do que estas, 'Oito e Oitenta' propunha um conceito mais baseado na perícia, destreza e habilidade do que nas capacidades mentais ou conhecimentos, destacando-se assim, desde logo, da concorrência. As equipas participantes eram formadas por alunos de dois estabelecimentos de ensino distintos e sem qualquer relação entre si, que se 'degladiavam' em confronto directo pela oportunidade de ganhar os habituais prémios patrocinados, neste caso pela Coca-Cola. Por entre provas, havia também lugar aos quase obrigatórios momentos musicais, protagonizados pelos artistas mais 'na berra' (os GNR, por exemplo, partilharam nas redes sociais um vídeo da sua actuação no programa).

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Uma fórmula, portanto, que tinha tudo para agradar à demografia a que apontava, mas que, infelizmente, acabou por não ir além dos treze episódios (o equivalente a uma 'temporada', em termos televisivos) nem tendo chegado a terminar o ano no ar – um desempenho desapontante, numa época em que os concursos ficavam no ar durante períodos bastante mais prolongados, e que terá deixado o veterano Isidro a ponderar o que havia corrido mal; felizmente, a carreira do apresentador não viria a sofrer em consequência desta aposta menos ganha, continuando o mesmo a entreter os espectadores portugueses até aos dias de hoje. Já 'Oito e Oitenta' permanece 'eternizado' nos Arquivos RTP, pronto a ser 'redescoberto' por quem na altura o via - ou quem não sabia da existência, mas ficou interessado após ler as linhas acima...

10.06.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Os anos 90 representaram, na televisão portuguesa, a era por excelência dos programas de variedades para crianças. Já parte integrante da cultura infantil em outros países, foi apenas nos últimos anos do século XX que este tipo de programas verdadeiramente penetrou na consciência colectiva juvenil do nosso País, muito graças a uma série de icónicos e ainda hoje saudosos representantes, com os 'rivais' da SIC e TVI – 'Buereré' e 'Batatoon' – à cabeça, mas também 'A Casa do Tio Carlos', 'Mix Max', 'A Hora do Lecas', 'Clube Disney', 'Oh! Hanna-Barbera', 'Um-Dó-Li-Tá' ou as diversas permutações de 'Brinca Brincando' a conseguirem captar a atenção do público-alvo.

Com tanta e tão ilustre concorrência, não é, no entanto, de admirar que alguns programas deste tipo tenham acabado por 'perder a corrida' pelos corações dos jovens lusitanos, e ficado um pouco mais 'esquecidos' na memória nostálgica dos 'millennials' nacionais. É, precisamente, sobre um desses programas, estreado há pouco mais de três décadas na RTP1, que versam as próximas linhas.

Emitido pela primeira vez a 5 de Junho de 1995, 'Sempre A Abrir' tinha tudo para agradar à sua demografia, do título 'radical' (ou não estivéssemos em meados da década 'bué da fixe' por excelência) a um apresentador carismático, no caso Victor Emanuel, e uma selecção apelativa de desenhos animados, com destaque para a insólita adaptação em 'anime' de 'Música No Coração', à qual já aqui dedicámos espaço. O horário das tardes era, também, conducente ao sucesso, sendo ideal para quem chegava da escola e procurava desenhos animados para acompanharem o seu pão com Tulicreme e copo de leite com chocolate.

É, pois, difícil de perceber a razão pela qual 'Sempre A Abrir' falhou enquanto espaço infantil na era pré-hegemonia de Ana Malhoa e Batatinha. O programa tinha tudo para 'dar certo', e, no entanto, é hoje muito menos lembrado pela demografia que então constituía o seu público do que qualquer dos exemplos acima elencados – isto apesar de se ter logrado manter no ar durante três anos, uma eternidade no contexto em causa, e ocupado tanto a faixa das tardes de semana quanto o não menos apetecível bloco dos Sábados de manhã. A verdade, no entanto, é que, seja por que razão fôr, este bloco infantil se encontra, hoje, praticamente Esquecido Pela Net, sendo difícil conseguir informações ou material relativo ao mesmo, ou mesmo uma imagem ou vídeo para complementar este 'post'; de facto, passe o trocadilho, quase parece que o programa foi 'Sempre A Abrir' rumo ao esquecimento total. Nada que invalide que, na medida do possível, lhe procuremos dedicar algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada à televisão nacional noventista.

13.05.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No nosso último 'post', falámos do tema que General D, um dos pioneiros do 'rap' e 'hip-hop' em Portugal, havia contribuído para a banda-sonora de 'Até Amanhã, Mário', um dos filmes portugueses com maior projecção da década de 90. Nada mais justo, portanto, do que falar agora do programa de televisão que permitiu a D ser considerado para tal projecto, mediante o encontro com o produtor e compositor Tiago Lopes, com quem colaborou na faixa em causa.

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Um dos vários trios de jovens apresentadores do magazine.

Estreado logo nos primeiros meses da nova década, 'Lentes de Contacto' partia do formato muito típico dos 'magazines' juvenis da altura, como 'Caderno Diário', e adicionava-lhe um elemento de interacção humana, através da presença de entrevistados e convidados musicais, num resultado final que antecipava a fórmula do icónico 'Curto Circuito' em quase uma década. De facto, tal como o programa-estandarte da SIC Radical (e, antes, do CNL), 'Lentes de Contacto' misturava as referidas entrevistas e actuações com debates e peças informativas sobre temas de interesse directo para o público-alvo, mediadas por trios rotativos de jovens apresentadores cuja presença e forma de comunicar garantiam a tão desejada conexão com o público-alvo, exactamente como no posterior programa da TV Cabo.

Comparativamente ao 'CC', no entanto – e a outros programas semelhantes, como o 'Muita Lôco' – 'Lentes de Contacto' é relativamente Esquecido Pela Net, vindo as principais referências ao magazine do próprio 'site' da RTP. Ainda assim, e apesar de pouco falado entre os membros da Geração X portuguesa (principal demografia-alvo do programa, sendo os 'millennials' algo novos para se interessarem pelo formato) não há razão para duvidar que pelo menos alguns desses mesmos rapazes e raparigas (hoje homens e mulheres na casa dos quarenta a sessenta anos) tenham sintonizado a RTP a cada nova transmissão do programa, para acompanharem o debate daquele dia ou simplesmente apreciarem as actuações do convidado musical do dia – entre os quais, como referimos, se contou em tempos General D, a principal (mas não única) razão para recordamos este magazine nas páginas do Anos 90...

28.01.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Os anos intermédios da década de 90 foram palco de um dos mais significativos avanços da História da tecnologia moderna, a saber, o surgimento e popularização de computação gráfica e efeitos digitais a três dimensões. Aparentemente de um dia para o outro, o grande público – até então habituado a métodos de animação mais tradicionais e programas de computador com gráficos cada vez mais detalhados, mas sempre limitados às duas dimensões então possíveis – era confrontado com jogos, programas de 'software' e mesmo filmes ou séries de televisão povoadas por personagens poligonais, que habitavam cenários com tanta profundidade como eles próprios – algo, à época, perfeitamente impensável, e suficiente para deixar de 'queixo caído' qualquer cidadão comum. E se, no campo dos jogos de computador e consola, esta mudança foi 'anunciada' por títulos como 'V.R. Racing' ou 'Virtua Fighter', e no cinema por 'Toy Story' (que aqui em breve terá o seu espaço) no tocante a programas televisivos a referência é uma única, e incontornável: 'ReBoot'.

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Estreada na RTP1 em 1997, três anos depois de surgir pela primeira vez no seu Canadá natal e um par de anos depois de os portugueses terem pela primeira vez visto gráficos em 3D, a série não deixou, ainda assim, de ter impacto, e de representar na perfeição o momento vivido naqueles últimos anos do século XX. Isto porque, tradicionalmente, os 'saltos' tecnológicos do sector da televisão tendem a dar-se com algum atraso relativamente aos dos campos da informática ou cinema, devido aos reduzidos orçamentos disponíveis: assim, ainda que os PC's e consolas como a PlayStation ou Sega Saturn já apresentassem gráficos bem melhores que os da série da Mainframe Entertainment, esta continuava, paradoxalmente, a representar o padrão máximo do que se podia fazer com tecnologias 3D num contexto televisivo, não deixando assim de impressionar os jovens telespectadores nacionais.

Além desta vantagem contextual, 'ReBoot' era, também, bastante inteligente na forma como posicionava a sua trama de forma a tirar o melhor partido possível da tecnologia ao seu dispôr e, ao mesmo tempo, 'disfarçar' as lacunas da mesma. Isto porque a série era ambientada dentro da 'mainframe' de um computador (representada como uma cidade futurista) o que permitia justificar a aparência angulosa dos cenários e personagens, já que os mesmos se tratavam, literalmente, de gráficos computorizados! De facto, o grupo central da série distingue-se por ser constituído por algumas das poucas personagens humanóides daquele Mundo, conhecidas como Sprites (quase todas com tons de pele pouco ortodoxos, a fazer lembrar 'Doug', da Disney) cuja função é proteger os Game Cubes (nada a ver com a posterior consola da Nintendo!) enviados pelo Utilizador, de vírus como Megabye e Hexadecimal, os principais vilões da série, numa incorporação inteligente de alguns dos principais termos de informática da época, que permitia aos jovens espectadores familiarizarem-se com o vocabulário digital então em ascensão, ao mesmo tempo que se divertiam com as aventuras de Bob, Dot e restantes heróis da série - e que, pela primeira vez, qualifica uma série para inclusão tanto na rubrica Segundas de Séries como nas Terças Tecnológicas!

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Alguns dos personagens principais da série.

Apesar de mais famosa nos EUA e Canadá, onde continua a ser lembrada com nostálgico carinho, 'ReBoot' logrou também deixar a sua marca em Portugal, sobretudo pelo seu aspecto distinto, imediatamente reconhecível e diferente de tudo o que se havia feito e viria a fazer em termos de televisão animada. De facto, mesmo depois da popularização da tecnologia CGI, poucas séries haveria que se assemelhassem, visualmente, a esta pioneira, cujos gráficos ficam mais próximos dos de um jogo de PC ou PlayStation da época do que da tradicional série animada de Sábado de manhã, o que permitiu que, num País cuja demografia infanto-juvenil se encontrava completamente rendida a Dragon Ball Z, Power Rangers, Tomb Raider e Quake II, 'ReBoot' conseguisse, ainda assim, afirmar-se como memorável o suficiente para ainda hoje ser lembrada por certos sectores do seu público-alvo.

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O jogo alusivo à série.

E porque toda e qualquer propriedade infanto-juvenil bem sucedida dos anos 90 e 2000 tinha direito a um jogo de vídeo, também 'ReBoot' viu sair um título interactivo a si alusivo, lançado exclusivamente para a consola da Sony, na Primavera de 1998; infelizmente, o jogo foi mal recebido tanto pela crítica como pelo público 'gamer', acabando, ao contrário do seu material de base, por não deixar qualquer rasto na memória nostálgica dos 'X' e 'millennials' portugueses. No respeitante à série em si, no entanto, passou-se precisamente o oposto: quem alguma vez se cruzou com ela num dos muitos blocos televisivos infantis da época, decerto recorda até hoje, senão a trama ou personagens, pelo menos alguns dos elementos visuais da mesma, de forma semelhante ao que sucede ao recordar o primeiro contacto com outros pioneiros das tecnologias 3D. Motivo mais do que suficiente para aqui lhe dedicarmos um 'post' duplo, que a celebra tanto enquanto produto televisivo como na vertente digital e tecnológica...



 

24.12.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2024.
 
Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
 
Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.
 
Já aqui anteriormente falámos dos concursos de talentos vocais infantis, um formato muito popular na última década do século XX, e que, em Portugal, ficava ligado sobretudo à época natalícia, altura em que era invariavelmente transmitido o 'Sequim d'Ouro', o clássico festival internacional com sede em Itália e que visava apurar o melhor mini-cantor do Mundo. Talvez por isso a SIC tenha escolhido, precisamente, a Véspera de Natal para lançar aquela que era, essencialmente, uma versão nacional desse tradicional certame, e que adoptava mesmo uma expressão italiana para a sua denominação.
 

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De facto, essa astúcia ao nível do 'timing' permitiu a 'Bravo Bravíssimo' encontrar de imediato um público mais do que receptivo logo a partir da estreia, há exactos trinta anos, na Consoada de 1994. Tão-pouco viria esse sucesso a diminuir a curto prazo - pelo contrário, 'Bravo Bravíssimo' viria a manter-se no ar durante nada menos do que oito anos (sobrevivendo, inclusivamente, à passagem do Milénio) sempre com um formato imutável, com Ana Marques e José Figueiras como apresentadores, e com níveis de adesão na casa dos milhares de crianças, todos com esperança de serem considerados as novas 'mini-estrelas' nacionais. O aspecto diferenciado em relação a 'Sequino d'Ouro' ficava por conta dos campos abrangidos e aceites no programa, que extrapolavam a música e o canto e se estendiam à dança e até mesmo à ginástica, dando assim oportunidade a que ainda mais crianças mostrassem os seus talentos ao País em geral. E a verdade é que, de entre os muitos nomes que passaram pelo programa ao longo dos seus oito anos, alguns viriam mesmo a tornar-se conhecidos do grande público num contexto mais geral e alargado, como é o caso do futuro vencedor do Festival da Eurovisão, Salvador Sobral, do fadista Ângelo Freire, ou do artista de dobragens Fernando Fernandes, ou FF.
 

 
De muitos outros, não reza necessariamente a História, mas mesmo esses terão tido, depreende-se, alguns benefícios a curto prazo resultantes da sua participação no programa, sobretudo se bem qualificados. E ainda que 'Bravo Bravíssimo' tenha, eventualmente, chegado ao fim natural do seu ciclo de vida - embora parecesse ainda ter algo a oferecer ao paradigma televisivo de inícios do século XXI - o legado que deixou ao fim de oito anos foi suficiente para o tornar um dos mais emblemáticos programas televisivos do seu tempo, e o cimentar como parte da memória nostálgica dos 'millennials' portugueses, que tinham a mesma idade dos concorrentes à altura da estreia e provavelmente sonhavam, como eles, poder ir à televisão mostrar os seus talentos 'ao Mundo'; para eles, aqui fica a recordação, por altura dos exactos trinta anos da primeira transmissão do programa.
 

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