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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.01.26

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Quis o destino que, num curioso acaso, a primeira semana do ano visse estrearem no mesmo canal nacional – a RTP 1 – com distância de exactos cinco anos, duas séries com o Alentejo como pano de fundo. A primeira era 'Alentejo Sem Lei', de 1991, um 'western spaghetti' à portuguesa (portanto, 'western açorda', como lhe chamou José Diogo Quintela no famoso segmento) com pretensões históricas, mas que sucumbia aos parcos recursos técnicos; a segunda, que trazia um registo mais sério e contemporâneo, era a telenovela portuguesa 'Roseira Brava', estreada há quase exactos trinta anos, e que abordaremos nas próximas linhas.

Gravada durante um período de cinco meses (entre Fevereiro e Julho) numa verdadeira aldeia alentejana (bem como nos estúdios da Nicolau Breyner Produções, em Vialonga) 'Roseira Brava' foi submetida a um atraso que a veria estrear apenas no ano seguinte, mesmo a tempo de competir com 'Explode Coração', na rival SIC. E se bem a produção nacional tenha (talvez inevitavelmente) perdido a 'guerra' de audiências para a congénere 'canarinha', o certo é que 'Roseira Brava' teve, ainda assim, um bom desempenho, conseguindo cativar números suficientes de audiência para justificar e cimentar a aposta da RTP em telenovelas de produção nacional.

E o facto é que, concorrência directa à parte, a produção em causa não tinha como não 'dar certo'; afinal, marcavam presença nas suas fileiras todos os 'suspeitos do costume' da televisão portuguesa da época – de Rogério Samora a Canto e Castro, José Raposo, Luís Esparteiro, Margarida Carpinteiro, Nuno Homem de Sá, Rita Salema, Virgílio Castelo, José Martinho e mesmo Simone de Oliveira, na sua estreia no mundo das telenovelas – os quais ajudavam a dar alguma dignidade ao habitual enredo cheio de reviravoltas, drama e relações interpessoais complexas e problemáticas, bem típico do género em causa. No total, foram cento e trinta episódios (os quais, curiosamente, demoraram praticamente tanto tempo a exibir como a filmar, tendo a rodagem tido lugar de Fevereiro a Julho de 1995 e a novela em si sido exibida de Janeiro a Junho do ano seguinte) que cimentavam a validade da RTP como produtora de telenovelas portuguesas naqueles anos anteriores à eventual hegemonia da TVI nesse capítulo, e que, como tal, merecem bem ser recordados neste espaço, cerca de dez dias depois de se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia em televisão.

O primeiro episódio da novela, exibido a 08 de Janeiro de 1996

 

18.01.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Para qualquer apreciador do futebol português e internacional de inícios do século XXI, Paulo Renato Rebocho Ferreira (que não deve ser confundido com o seu homónimo e 'Grande dos Pequenos' do Estrela da Amadora durante o mesmo período) será tudo menos uma Cara (Des)conhecida – antes pelo contrário, qualquer adepto da época será capaz de identificar o jogador como o lateral direito titularíssimo do 'Super-Porto' de José Mourinho, do Chelsea do mesmo Mourinho, e ainda da Selecção Nacional pós-Geração de Ouro de grande parte da década de 2000 (onde, curiosamente, se revezou com o jogador que homenageamos na última edição do Domingo Desportivo, e em relação ao qual tem quase exactamente um ano de diferença). O que poucos saberão é que, antes de ganhar tudo o que havia para ganhar a nível doméstico e internacional, e de inscrever o seu nome na lista de futebolistas históricos portugueses, o lateral-direito havia já sido figura de proa de dois históricos dos campeonatos profissionais lusitanos.

Na Selecção Sub-21.

O primeiro destes, onde o lateral oriundo de Cascais despontaria para o futebol sénior, era o Estoril Praia, então na antiga Segunda Divisão de Honra, onde Paulo Ferreira completaria a sua formação (após passagens por Alcabideche e Cascais), e em cuja equipa principal seria integrado para a época de 1998/99, quando contava 18 para 19 anos. Como a maioria das promessas nesta situação, no entanto, o jovem Paulo viu-se sem espaço, acabando por realizar apenas uma partida nessa primeira época; a diferença é que os 'canarinhos' não abdicariam do promissor jovem, que, nas duas épocas seguintes, viria a ter papel consideravelmente mais proeminente no seio da equipa (curiosamente, a médio-centro) e realizando quinze jogos na última época do século XX, e vinte e cinco na primeira do Terceiro Milénio. À entrada para o segundo ano do século XXI, o lateral já era, pois, um jogador completo, presença assídua na Selecção Nacional sub-21, e clara promessa de futuro – tanto assim que nem a chamada para o serviço militar obrigatório conseguiria travar a sua ascensão.

Ao serviço do Vitória de Setúbal.

O 'salto', no entanto, far-se-ia ainda esperar, sendo a próxima transferência de Ferreira – precisamente no final dessa época de 2000/2001 – para outro clube da 'Segundona', o ainda mais histórico Vitória de Setúbal, onde o jogador 'pegaria de estaca' quase de imediato sob o comando de Jorge Jesus, ganhando a titularidade na direita da defesa (ainda que por necessidade, já que fora contratado para jogar ao ataque, e no outro flanco!) e realizando a quase totalidade dos jogos nas duas épocas que passou no Bonfim, e tendo inclusivamente papel fulcral na subida dos sadinos à Primeira Liga, na sua segunda e última época.

E, desta vez, o momento do 'salto' chegaria mesmo para o lateral-direito, o qual, aos vinte e três anos, se via integrado no plantel de um dos 'grandes' nacionais (após acordo falhado com outro, no caso o Sporting de Lazlo Boloni, recém-sagrado Campeão Nacional pela segunda vez em três anos), ao qual o seu nome ficaria indelevelmente ligado, pelas razões já elencadas acima: em apenas duas épocas (e com menos jogos realizados do que ao serviço do Vitória de Setúbal) Ferreira 'roubaria' o lugar ao experiente Secretário e ajudaria os 'Dragões' a vencer dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e – mais relevantemente – uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões, feito inédito para uma equipa portuguesa desde a implementação do formato moderno da prova, e que colocou todos os jogadores daquele super-plantel portista no 'radar' dos grandes tubarões internacionais.

E seria mesmo um desses tubarões o próximo destino de Paulo Ferreira, que – pela mão de Mourinho, e juntamente com vários colegas de equipa no Porto – rumaria ao Chelsea, onde se tornaria pedra basilar da equipa durante as oito épocas seguintes, e onde viria a reencontrar Luiz Felipe Scolari, seu ex-técnico na Selecção. Tão marcante seria a sua contribuição para os 'Blues', aliás, que, após a 'reforma' no final da época 2012/2013, Ferreira ficaria ligado aos quadros do clube durante quase mais uma década, primeiro na qualidade de 'olheiro' e, mais tarde, de treinador-adjunto, cargo que viria posteriormente a desempenhar também no Lille, Milão e Lyon, onde actualmente exerce funções. Uma trajectória de sonho para um jovem que, enquanto Cara (Des)conhecida adolescente no banco do icónico Estádio António Coimbra da Mota, certamente apenas poderia sonhar vir a ser aquilo em que se tornou – uma das grandes referências do futebol português moderno, bem merecedor de homenagem no dia em que completa quarenta e sete anos. Parabéns, e que conte anda muitos.

17.01.26

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Hoje em dia, a compra de mobiliário e acessórios para casa em Portugal é praticamente sinónima com duas grandes superfícies multinacionais – a IKEA e a Leroy Merlin. Antes da entrada de qualquer destas companhias em Portugal, no entanto, existiam já diversas opções de cunho cem por cento nacional, algumas das coisas existentes (e resistentes) até aos dias de hoje, e outras – infelizmente – 'abafadas' pelo domínio dos dois 'gigantes' internacionais, ou de outro modo extintas 'antes de tempo'.

Deste último grupo, destaca-se o Kit-Market, outrora uma loja de referência no tocante à aquisição de móveis, mas que, nos anos da viragem do Milénio, perdera já muita da influência e renome que tivera na década anterior, muito por culpa das outras companhias de que falaremos neste artigo. Ainda assim, durante a última década e meia do século XX, a cadeia fundada em 1985 e sedeada no Centro Comercial das Olaias, em Lisboa, conseguiu ainda encontrar o seu público, não só devido à proposta à época inovadora (tendo basicamente sido o antecessor nacional da IKEA, oferecendo mobiliário desmontável que cabia ao cliente construir), como também pelo 'design' jovem e arrojado das peças (algumas com alusões a elementos como fechos 'éclair') e ainda à diversidade de produtos vendidos, que se estendiam a acessórios de moda, de entre os quais se destacavam as pulseiras pretas, muito do agrado do emergente público gótico nacional.

Apesar do sucesso, no entanto, o Kit-Market tomou, nos primeiros anos do século XXI, a decisão consciente de não travar uma luta desigual com a IKEA, encerrando funções voluntariamente e passando a sua base de clientes para a loja-mãe, a Dimensão (hoje DimensãoNova). E o facto é que aqueles anos da viragem do Milénio representaram mesmo o auge da companhia, que diversificava a sua oferta, sagrava contractos com 'designers' internacionais, e expandia o alcance da sua marca com numerosas filiais em regime de 'franchise' – isto além, claro, de oferecer móveis que aliavam a qualidade e o 'design' a preços competitivos e apelativos, permitindo à Dimensão tornar-se um dos dois grandes nomes do comércio de mobiliário em Portugal.

O outro, claro, era a Moviflor, conhecida pelo seu maior foco na publicidade (com alguns anúncios ainda hoje icónicos, um dos quais com a participação de Herman José, no papel do seu clássico personagem 'Estebes') e que, em todos os restantes aspectos, competia com a Dimensão, ainda que a sua oferta se focasse um pouco menos no 'design' do que o da concorrente, oferecendo peças mais simples e neutras e um modelo comercial mais centrada na revenda do que no fabrico próprio que caracterizava a Dimensão. Ainda assim (ou talvez como consequência disso) a companhia conseguiu lutar 'taco a taco' com a rival até 2014, ano em que – tal como o Kit-Market anteriormente – acabaria por encerrar face à concorrência da IKEA, com a agravante de, ao contrário da subsidiária da Moviflor, ter tentado fazer frente ao gigante sueco, naquela que foi uma luta previsivelmente desigual mas que ainda durou mais de uma década.

É, pois, fácil ver como a chegada da multinacional em causa ao nosso País veio causar um rombo no mercado do mobiliário, obrigando as principais empresas nacionais a encerrar actividades (como o Kit-Market ou a Moviflor) ou a mudar o seu foco (como foi o caso da Dimensão e também da pioneira e hoje septuagenária Altamira). Quem viveu os últimos anos do século XX e inícios do seguinte, no entanto, terá certamente memória de visitar estes espaços com os pais, em busca de móveis para a sala ou quartos, e de ver os seus anúncios na televisão, no intervalo dos seus programas favoritos, tornando-os assim parte integrante da memória nostálgica da geração 'millennial' nacional, e merecedores de espaço neste nosso 'blog' nostálgico.

16.01.26

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Quem foi de uma certa idade durante o início e meados da década de 90 certamente passou muitas noites aconchegado na cama com um deles vestido – ainda que, hoje em dia, seja impossível encontrar sequer uma fotografia exemplificativa, tornando este num dos raros 'posts' sem imagens do Anos 90. Referimo-nos aos pijamas com 'olhos' de plástico e 'meias' para pôr nos pés, uma das peças infantis clássicas que se podiam encontrar em lojas de roupa ou lavores da 'velha guarda'.

Normalmente constituídos por uma camisola de manga comprida com a frente em branco liso, com o habitual desenho de um qualquer personagem 'fofinho', e o restante numa cor pastel (com o azul-bebé, o verde e o amarelo a serem as mais comuns), com calças compridas e elásticas a condizer, estes conjuntos destacavam-se por terem, no lugar dos olhos 'desenhados' do personagem, dois olhos de plástico - semelhantes aos dos Pirilampos Mágicos, por exemplo – que apresentavam algum grau de movimento, o que era desde logo suficiente para tornar este tipo de pijama mais cativante do que os seus congéneres mais 'normais'. Regra geral, estes conjuntos incluíam também meias pelo tornozelo, o que permitia às crianças manterem os pés aconchegados durante as noites mais frias, oferecendo um atractivo extra para os pais na altura da compra.

Sendo extremamente intrínsecos à cultura portuguesa de uma época remota, e não tendo, normalmente, ligações a qualquer propriedade licenciada (embora, na mesma época, abundassem os pijamas 'piratas', muitos deles disponíveis na mesma prateleira dos aqui abordados) não é de admirar que estes conjuntos tenham sido, hoje em dia, totalmente Esquecidos Pela Net. Quem os chegou a usar, no entanto, certamente recordará a 'excitação' dos olhinhos que mexiam, e as muitas noites passadas com eles vestidos, naqueles tempos mais inocentes da infância pré-digital...

15.01.26

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

À entrada para o Terceiro Milénio, apesar de já prevalente em países como o Reino Unido ou os Estados Unidos, o conceito de sumo concentrado era, ainda, pouco disseminado em Portugal, onde os refrigerantes em lata e as clássicas garrafas ou 'caixinhas' de Sumol ou Compal (além dos bons e velhos sumos de frutas naturais) continuavam a constituir os principais meios de desfrutar de um refresco frutado. Tal paradigma viria a mudar, no entanto, com a chegada a Portugal de um dos baluartes deste tipo de bebida a nível internacional, ancorada por uma forte campanha de 'marketing' e publicidade que ocasionou, inclusivamente, 'jogo sujo' por parte de uma das supracitadas 'magnatas' do ramo em solo nacional.

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Falamos do Sunny Delight (ou apenas Sunny D), o popular 'quase-sumo' de 'quase-laranja' preparado adicionando uma pequena quantidade de concentrado a uma elevada quantidade de água para criar uma bebida que, apesar de ficar muito aquém de um sumo 'verdadeiro', prima pela practicidade e facilidade de preparação, e que, naquele remoto primeiro ano do século XXI, primava também pela novidade, já que nada do género havia alguma vez sido visto em Portugal. Não é, pois, de admirar que se tenha gerado entre as crianças e jovens uma pequena 'febre' em torno deste produto, com a curiosidade natural desta demografia a ser aguçada pelos factores supracitados, causando o desejo de experimentar esta bebida o quanto antes.

De facto, tal era a ameaça causada por este novo produto que a Compal se viu motivada a criar um anúncio em que ninguém menos do que Alexandra Lencastre 'manchava' o nome da Sunny Delight (sem, claro, nunca nomear a bebida) comparando a sua fraca percentagem de sumo (apenas 5%) e ingredientes artificiais com a fórmula natural da Compal. Uma táctica que roçava os limites da ilegalidade no tocante a publicidade a nível internacional, e que ficou na memória dos 'mais graúdos' como uma das 'jogadas' de marketing mais controversas de sempre em Portugal, não tendo sido surpreendente que tenha durado apenas uma 'semana de trabalho' (cinco dias úteis) antes de ser retirado para sempre das televisões nacionais.

A preocupação da produtora nacional era, aliás, infundada e exagerada, já que, um quarto de século volvido, as duas marcas continuam a dividir espaço nas prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais, e a encontrar públicos distintos e dedicados – exactamente como sucedeu quando, há pouco mais de vinte e cinco anos, surgia pela primeira vez em Portugal o concentrado que viria a motivar a posterior comercialização no País de bebidas como o Tang. E ainda que esta pequena homenagem ao seu quarto de século chegue com algum atraso (e na estação errada) não podíamos deixar passar em branco o aniversário da chegada a Portugal de uma das muitas novas marcas chegadas ao mercado português em finais do século passado e inícios do actual, e que acabaram por ganhar 'tracção' no seio do mesmo até aos dias de hoje.

14.01.26

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Numa altura em que Portugal se prepara para eleger o sucessor de um bem-amado e carismático presidente da República em final do seu segundo termo, nada melhor do que relembrar a altura, há exactos trinta anos, em que o País se preparava para fazer exactamente o mesmo, embora em circunstâncias algo díspares. Falamos das únicas Eleições Presidenciais portuguesas da década de 90, ocorridas a 14 de Janeiro de 1996, e que veriam Jorge Sampaio, do PS, ser eleito décimo-oitavo Presidente da República Portuguesa.

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Jorge Sampaio, o 18º Presidente da República Portuguesa, entre 1996 e 2005.

Mas se, nas actuais eleições, são nada menos que onze os candidatos que se degladiam pela cadeira de Marcelo Rebelo de Sousa, em 1996, a corrida para o posto de sucessor de Mário Soares efectuava-se, essencialmente, 'a dois', após tanto Jerónimo de Sousa (pelo PCP) como Alberto Matos (pela UDP, o futuro Bloco de Esquerda) terem abdicado em favor de Sampaio. O ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa via-se, assim, sozinho contra um adversário de peso – nada menos do que o ex-Primeiro Ministro, Aníbal Cavaco Silva, que procurava vingar a pesada derrota nas legislativas de 1995, que tinham visto terminar a hegemonia do PSD nesse particular.

Embora Cavaco viesse a amealhar uma quantidade nada desprezível de votos, no entanto (a maioria dos quais no Interior Norte, embora algumas regiões do Litoral Norte, como Leiria e partes do Alto Douro e Minho, tenham também votado 'em peso' à direita, criando o que viria a ser denominado como 'Cavaquistão') a sua missão declarada redundaria, ainda assim, em fracasso, já que Jorge Sampaio viria a derrotá-lo por cerca de quatrocentos mil votos, amealhando mais de três milhões contra os dois milhões e seiscentos mil de Cavaco e culminando a 'guinada à esquerda' dos órgãos legislativos portugueses iniciada por António Guterres no ano anterior. E, tal como sucederia com Guterres, o seu período à frente dos destinos do País pautar-se-ia pela tranquilidade, com obras e projectos de sucesso (como a Expo '98), estabilidade económica e poucos ou nenhuns escândalos de monta – algo a que, aliás, a personalidade pacata de Sampaio pouco se adequava.

Cavaco teria, assim, de esperar mais uma década para atingir o seu desiderato, tendo finalmente logrado ocupar a cadeira como sucessor a Sampaio após completos os dois termos deste último, em 2006. A Cavaco suceder-se-ia Marcelo, numa continuidade da Direita no poder que, prevê-se, terá continuidade no acto eleitoral que se avizinha; vejamos se, como há três décadas, a esquerda consegue 'fazer uma gracinha', e efectuar nova 'guinada', ainda que parcial, na orientação política do País...

13.01.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar de os jogos de ritmo e acompanhamento musical se terem tornado um dos principais géneros do século XXI (com títulos como 'Dance Dance Revolution' ou os diversos 'Hero'), a criação de música através de ferramentas especializadas continua a ser uma actividade de foro eminentemente técnico, realizada através de 'software' sem qualquer tipo de vertente lúdica, como o popular GarageBand. Nos anos da viragem do Milénio, no entanto, a reputada programadora e distribuidora Codemasters procurou reunir em um só título essas duas vertentes normalmente com pouco ou nenhum contacto, num projecto ambicioso que chegou a render quatro jogos, tendo os primeiros dois sido particularmente bem recebidos.

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Falamos de 'Music', lançado na Europa no início do Inverno de 1998, e da sequela 'Music 2000', surgida um ano depois. Disponíveis tanto para o previsível PC como para PlayStation, os dois títulos posicionavam-se, desde logo, como geradores de música 'sérios', sem recurso a 'truques de marketing' ou quaisquer aspectos competitivos (pese embora a presença de um modo colaborativo para até quatro aspirantes a DJ); em vez disso, os dois programas ofereciam uma variedade de 'samples' musicais (chamados 'riffs', embora nem todos fossem de guitarra) os quais podiam, através de um 'interface' simples e intuitivo, ser 'colados' para produzir faixas originais – ou, pelo menos, tão originais quanto era possível com recurso a fragmentos licenciados. E, embora o 'acervo' de 'samples' fosse forçosamente reduzido, a verdade é que qualquer dos jogos oferecia variedade mais do que suficiente para manter o interesse do utilizador durante um período de tempo mais ou menos extenso.

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De facto, estes dois jogos que terão, sem dúvida, feito as delícias de artistas de 'hip-hop' e DJ's emergentes, e entretido quanto-baste qualquer entusiasta de videojogos com uma vertente criativa e um mínimo de competência tecnológica; foi, pois sem surpresas que os mesmos se viram incluídos nas séries de 'best-sellers' tanto da Sony como da própria Codemasters, e que os fãs da série viram surgir mais duas sequelas na era da PlayStation 2 – agora acrescidas de uma licença 'de peso', e que lhes permitia ter acesso a uma gama ainda mais alargada de fragmentos musicais sob licença. No entanto, em comparação com os dois antecessores, os dois 'MTV Music Generator' ficaram aquém a nível de sucesso crítico e vendas, talvez devido ao facto de a tecnologia para criação de música ter sofrido consideráveis avanços, que o 'interface' dos novos títulos não foi capaz de acompanhar. No tocante aos dois primeiros títulos da série, no entanto, os mesmos continuam a gozar do apreço de quem, à época, os utilizou para dar largas à sua veia criativa e treinar os seus dotes de DJ amador, sendo mais do que merecedores de retrospectiva nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico.

12.01.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 10 e Domingo, 11 de Janeiro de 2026.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O dealbar da era tecnológica, e correspondente globalização do mercado de peças, fez dos anos 80 e 90 a era de ouro para a inserção de funcionalidades 'digitais' em brinquedos de outro modo tradicionais, dando azo a produtos tão icónicos e característicos da época como os carros telecomandados, bonecos e bonecas falantes, papagaios repetidores, flores dançarinas, pistolas espaciais ou veículos com luz e som, entre inúmeros outros. Deste grupo fazia, também, parte a categoria de produto abordada neste 'post', e que, como a maioria das supramencionadas, podia ser utilizada tanto dentro de casa, para um Domingo Divertido, como no decurso de um Sábado aos Saltos – embora, neste caso, fosse necessário ter cuidado para evitar acidentes ou danos ao brinquedo, sendo preferível escolher uma área segura, como o quintal de casa.

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(Crédito da foto: OLX)

Falamos dos robôs electrónicos, a maioria dos quais contava com movimento, efeitos de luz e até, em certos casos, voz sintetizada – características que, naquele dealbar da era digital, em que tudo era novo e excitante, os tornavam instantaneamente em brinquedos desejáveis e dignos de cobiça. Até mesmo os robôs mais simples e simplistas – como o representado no filme 'Toy Story' eram adições honrosas a qualquer quarto de criança (portuguesa ou não só) e motivo de interesse certo aquando da visita de amigos, ou durante um Sábado aos Saltos de sol, sozinho ou na companhia dos mesmos.

Tal como muitos outros produtos abordados nestas páginas, também os robôs de brincar viram, eventualmente, passar o seu 'momento', à medida que os interesses das crianças e jovens se viravam cada vez mais para o mundo digital e interactivo. Ainda assim, os mesmos permanecem, hoje em dia, símbolo de uma era mais simples, em que um brinquedo com movimento e alguns efeitos sonoros embutidos era suficiente para não só manter entretida uma criança durante largos períodos, mas ter lugar de destaque entre todas as suas posses.

11.01.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

O final dos anos 90 e, sobretudo, a década seguinte viram ter lugar uma mudança significativa na natureza dos chamados 'blockbusters', isto é, os filmes que ancoravam cada 'temporada' cinematográfica. Enquanto que os primeiros anos dos 'noventas' traziam ainda uma continuidade da década anterior, com aventuras de família 'Spielbergianas' como 'Parque Jurássico', 'Hook' ou 'Jumanji', e filmes de acção explosiva com Arnold Schwarzenegger ou Sylvester Stallone a dominar cada novo ciclo, no último terço da década observava-se já uma transição para 'blockbusters' mais virados para géneros como a ficção científica, o terror, a comédia desbragada ou, como no caso do filme ora em análise, a comédia de acção com energia inversamente proporcional à inteligência.

De facto, os anos a partir de 1997 representaram o ocaso dos heróis ultramusculados que haviam inspirado 'mini-culturistas' durante os quinze anos anteriores, em favor de filmes protagonizados por personagens bastante mais próximas do 'normal' em termos de poderio físico, e cujo principal atractivo era a combinação de esperteza e 'desenrascanço' com uma beleza e carisma quase impossíveis de encontrar no comum dos mortais. Era a era de Ethan Hunt (ainda hoje em 'actividade', com o seu último filme a datar do ano passado) Lara Croft, Dom Toretto e do trio de que falamos neste 'post', e que fez a sua entrada 'explosiva' nas salas de cinema portuguesas no início da época natalícia de 2000 – os 'Anjos de Charlie'.

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De facto, era a 24 de Novembro do primeiro ano do século XXI que as versões actualizadas das personagens surgidas na televisão americana na década de 70 surgiam pela primeira vez nos grandes ecrãs nacionais, a tempo de 'apaixonar' toda uma geração de adolescentes entusiastas dos filmes de acção. Isto porque as 'sex symbol' da série original – Farrah Fawcett, Kate Jackson e Jaclyn Smith – eram substituídas 'à altura' por Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore, três das principais 'beldades' Hollywoodianas da época (com Diaz, em particular, a surgir aqui no 'pico de forma'), devidamente acompanhadas por Bill Murray no papel do ajudante Bosley, o qual ajudava a dar um toque cómico à trama de acção e espionagem. Do elenco 'de luxo' faziam ainda parte John Forsythe, Sam Rockwell, Tim Curry, Kelly Lynch, Matt LeBlanc, Luke Wilson e Tom Green, num verdadeiro 'quem é quem' de ídolos adolescentes da época, que ajudava a 'empurrar' um filme que, a nível de história, não passava dos 'mínimos olímpicos' para justificar as sequências de acção e os inúmeros disfarces envergados pelos três 'Anjos'.

De facto, se há mérito a dar ao realizador McG (que se viria a tornar famoso não só pelo pseudónimo ridículo mas também por filmes como este) é o de saber manter o espírito da série original nesta adaptação para o grande ecrã. Tal como naquele caso, a intenção declarada é 'seduzir' o público-alvo, apresentando-lhe as três protagonistas numa série de vestimentas sensuais em meio às explosões e tiros, numa receita que não podia deixar de agradar à demografia a que o filme se destinava. Para quem gostava dessa combinação, a película era um prato cheio; quem procurava algo mais, no entanto, estaria a gastar o seu tempo e dinheiro ao escolher este filme.

Felizmente, o primeiro grupo era vasto o suficiente para tornar o filme um sucesso e justificar uma sequela, três anos depois, com ainda mais cenas dos 'Anjos' em biquíni ou disfarces 'sexy' e ainda menos história (além de cinco minutos de Shia LeBoeuf, ainda na sua fase de 'miúdo inocente', pré-Transformers, e de Bernie Mac como o 'novo' Bosley) bem como uma adaptação interactiva para PlayStation 2 e GameCube, universalmente considerada como um dos exemplos mais negativos a nível de jogos de acção licenciados. E ainda que o legado cinematográfico e cultural dos 'Anjos' se ficasse por aqui, pouco mais de vinte e cinco anos após a sua estreia, o primeiro filme é, ainda, lembrado por toda uma geração que, então em idade adolescente e numa era em que a Internet tinha bastante menos expressão, encontrava nele uma forma de, ao mesmo tempo, admirar três actrizes incrivelmente atraentes e desfrutar da sua 'dose recomendada' de tiros e explosões, numa fórmula que encapsulava na perfeição aquilo que viriam a ser os 'blockbusters' de acção das décadas seguintes.

09.01.26

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-Feira, 08 e Quinta-feira, 09 de Janeiro de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Em tempos, falámos nesta mesma rubrica das tirinhas de BD norte-americanas, presentes na vida de muitos jovens portugueses de fins dos anos 90 principalmente através de múltiplos álbuns publicados pelas mais diversas editoras, mas também, memoravelmente, nas páginas de muitos jornais e periódicos publicados em território nacional à época.

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O 'Público' albergou, durante anos, a mais famosa e icónica tirinha de BD de jornal em território nacional.

De facto, serão poucos os 'trintões' e 'quarentões' portugueses que não se lembrem de ler, nas páginas traseiras ou suplementos infantis do 'Público' ou dos dois 'Notícias', tirinhas de séries tão populares como 'Calvin & Hobbes' ou 'Zits', sem esquecer 'Cathy', presente semanalmente no suplemento de Sábado do 'Correio da Manhã'. Mais – a escolha de 'tirinhas' não se ficava pelos Estados Unidos, tendo muitos autores portugueses encontrado também o seu espaço nas páginas de jornais e revistas de finais do século XX; o exemplo mais famoso deste paradigma continua, aliás, a marcar presença diariamente no canto superior direito da página traseira do jornal 'A Bola', onde o eterno barbeiro ironiza sobre o assunto desportivo do dia com o seu sempre conivente cliente enquanto lhe faz a 'Barba e Cabelo'.

Apesar deste exemplo perene, e de outros surgidos durante os primeiros anos do século XXI – como os trabalhos do brasileiro Angeli na revista musical 'Rock Sound' – a presença de tiras de BD nos periódicos portugueses diminuiu abruptamente, e a pique, nas décadas subsequentes, sendo hoje praticamente nula. Quem viveu aqueles tempos há trinta anos atrás, no entanto, não pode evitar sentir alguma nostalgia pela presença dos 'amigos' Calvin & Hobbes, Jeremy ou Cathy na página do costume, oferecendo-lhes um 'cantinho' onde se 'resguardar' das temáticas adultas do resto do jornal...

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