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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.12.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

No Portugal de meados de 90 e inícios de 2000, qualquer fenómeno cultural servia como pretexto para o lançamento de um disco tematizado, fosse com as músicas que formavam a banda sonora do programa em causa, fosse com músicas (mais ou menos vagamente) relacionadas ao tema da mesma. É deste último caso que tratamos no 'post' de hoje, em vésperas de aniversário da final do programa a que o disco é alusivo.

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Falamos, é claro, do duplo-CD oficial da primeira série do 'Big Brother', publicado pela BMG algures no último quarto do ano 2000 (na mesma altura em que o programa da TVI captava audiências recorde um pouco por todo o País) e cujo alinhamento trazia músicas e grupos - presumivelmente - favorecidos pela dezena e meia de concorrentes participantes naquela primeira e histórica 'casa'. Ficava, assim, explicada a disparidade de estilos do lançamento, que faria corar um qualquer volume da série Now! com a sua mistura do rock alternativo radiofónico de Guano Apes, HIM e Lit com a pop comercial de Westlife, Five e Pink, os ritmos brasileiros de Adriana Calcanhotto, Daniela Mercury ou Fábio Júnior, o pop-rock bem português de uns Delfins, Pólo Norte ou Sara Tavares ou até a 'europop' de Lou Bega - uma autêntica 'salgalhada' de estilos que, apesar de bem típica das compilações da época, acabava por não 'apontar' a nenhum público, já que cada sector melómano apenas encontrava 'meia dúzia' de músicas para o seu gosto.

Apesar deste ecletismo exacerbado e exagerado, no entanto, o disco era bem sucedido na sua tentativa de apresentar (e representar) a diversidade dos diferentes concorrentes da casa através do seu gosto musical, e terá representado compra obrigatória para os milhões de fãs do programa de Norte a Sul do território, sendo um daqueles lançamentos em que o próprio nome na capa já assegurava, por si mesmo, um alto volume de vendas. Razão mais que suficiente para o recordamos, em vésperas da data que mudou para sempre a vida de um dos indivíduos cujo gosto musical nele se encontra representado.

01.12.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

O já aqui muito discutido 'boom' do pop-rock nacional de meados dos anos 90 não teve nas sonoridades mais radiofónicas o seu único expoente; embora as mesmas tenham dominado a 'cena' à época, e sejam hoje associadas com a dita, houve também muitos artistas mais alternativos que souberam 'aproveitar a onda' para se mostrarem a um público mais vasto. Foi o caso, por exemplo, dos Mão Morta, Lulu Blind, e do colectivo que abordamos esta Segunda-feira, e que logrou ter uma das mais auspiciosas carreiras de entre as bandas desta vertente menos comercial.

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Formados em 1994 em torno do vocalista Miguel Guedes, os portuenses Blind Zero posicionavam-se, inicialmente, como o 'representante' português na cena 'grunge' que, então, ainda fazia sucesso um pouco por todo o Mundo. Com esta sonoridade mais pesada e intensa gravam um EP, que esgota em apenas nove dias, e a estreia 'Trigger', ambos há exactos trinta anos. E se o primeiro destes registos se tornou item de colecção, o segundo lançaria mesmo os Blind Zero para a fama nacional, muito graças ao tema 'Recognize', que levou a que o colectivo portuense passasse a fazer parte da colecção de muitos 'roqueiros' nacionais.

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Esses mesmos fãs terão, no entanto, tido um choque quando, logo no ano seguinte, Guedes e seus 'comparsas' surgem com uma sonoridade mais 'calcada' no 'hip-hop' do que propriamente na 'imitação' de Pearl Jam que apresentavam em 'Trigger'. O EP 'Flexogravity' era, inclusivamente, um esforço conjunto com os conterrâneos Mind Da Gap, numa 'jogada' que desassociava definitivamente os Blind Zero da cena 'rock' e 'grunge', gerando controvérsia entre os fãs mas também libertando a banda para fazer aquilo de que realmente gostava: um som de fusão, que marcaria o restante da sua carreira.

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O primeiro 'aperitivo' desse novo som surgiria, novamente, em rápida sequência com os lançamentos anteriores, tendo 1996 visto o grupo lançar um álbum ao vivo na Antena 3 (um 'marco' obrigatório para bandas 'mainstream' portuguesas da época) e articipar num concurso de jovens talentos de âmpbito europeu (que acaba mesmo por vencer com uma nova composição, 'My House') antes de, já em 1997, lançar então o sucessor 'oficial' de 'Trigger', 'Redcoast', que tem a particularidade de ter sido um dos primeiros 'CDs aumentados' ('enhanced CDs') da Europa, apresentando conteúdos multimédia quando inserido num leitor de CD-ROM. Além dessa peculiar distinção, o álbum contava ainda com a produção do famoso Mark Wilder, nos estúdios Sony de Nova Iorque, continuando o percurso declaradamente profissionalizante da banda.

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Após 'Redcoast', o alucinante ritmo de trabalho da banda abranda um pouco, tendo o grupo gravado apenas uma música em 1998, 'The Wire', e tirado os dois anos seguintes para trabalhar no seu próximo álbum, que viria a sair em 2000. Com o título 'One Silent Accident' e produção de mais um nome sonante, Don Fleming, este álbum ajudaria a 'dar o mote' para mais duas décadas de sucesso no Novo Milénio, com direito a mais oito lançamentos, concertos ao vivo na MTV (um dos quais em Milão, na festa de lançamento da MTV Portugal) e mesmo um Video Music Award para Melhor Banda Portuguesa em 2003 – uma distinção que terá, previsivelmente, deixado 'inchado' qualquer fã de 'rock' português, mesmo aqueles que só conheciam o grupo dos seus já distantes primórdios como 'grungers' 'à portuguesa'. E apesar de o último registo da banda datar já de 2017 (com um regresso a sonoridades mais 'rock', pela primeira vez em mais de duas décadas) os Blind Zero continuam 'por aí', a marcar presença e posição nos palcos nacionais, como vêem já fazendo, praticamente sem interrupções e a nível tanto nacional como internacional, há quase exactas três décadas...

22.07.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No tocante a programas de música e telediscos no Portugal dos anos 90, a referência imediata (e praticamente única) para a maioria dos 'millennials' nacionais será o icónico 'Top +', o mais próximo a que a televisão lusa da altura chegava do estilo de programação de uma MTV, cuja reputação atravessava, à época, o oceano, fazendo muitos jovens sonhar com algo equivalente mas falado e criado em Português. No entanto, nessa mesma época, a própria RTP veiculava um segundo magazine sobre música, hoje mais esquecido, mas que, à época, representou uma importante mudança de paradigma na grelha audiovisual do Portugal pré-SIC e TVI.

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Tratava-se do 'Pop-Off', da autoria de José de Freitas, à época figura de proa nos esforços de representação do 'pop-rock' português nos 'media', e que decidia, com este formato, deitar ele próprio 'mãos à obra'. Não é, pois, de estranhar que este programa se destaque do 'irmão' do 'Canal 1' pelo seu foco exclusivo na cena portuguesa, à época num dos seus muitos períodos de florescimento. As habituais bandas internacionais que dominavam os 'tops' (incluindo o '+') eram, assim, substituídas tanto por 'suspeitos do costume' como Xutos & Pontapés, Delfins, GNR, Resistência ou Madredeus como por novas sensações do movimento, como LX-90 ou Sitiados. Eram, no total, cerca de vinte e cinco minutos diários dedicados a telediscos, reportagens e notícias sobre música portuguesa, com a apresentadora Sofia Morais a servir de elo de ligação entre os diferentes segmentos que perfaziam o programa.

Um formato que tinha tudo para agradar ao público-alvo e que, sem surpresas, viria a reter um lugar na grelha de programação do 'Canal Dois' durante dois anos - período que até parece pouco, tendo em conta a relevância da temática e a excelente execução técnica do programa, sobretudo se se tiver em conta a duração substancialmente mais considerável do contemporâneo dedicado aos 'tops' internacionais. O curto ciclo de vida não impediu, no entanto, que 'Pop-Off' conquistasse um lugar tanto no coração dos melómanos da época como na própria história dos programas musicais na televisão portuguesa, tornando praticamente obrigatórias estas poucas linhas a ele dedicadas neste nosso 'blog' dedicado, precisamente, a recordar esses e outros aspectos da sociedade portuguesa de outros tempos.

 

 

 

 

 

01.04.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

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A chegada a Portugal da TV Cabo abriu novos horizontes aos quais o português médio não estava, de todo, habituado. Mesmo quem tinha televisão por satélite gozava de pouco mais do que alguns canais adicionais (e nem sempre com transmissão clara) enquanto que o novo serviço punha à disposição dos seus assinantes centenas de canais de uma só vez, todos (ou quase) com transmissão perfeita, e dentro dos mais diversos 'nichos' especializados. Para os espectadores mais jovens, em particular, isto representava uma amplitude consideravelmente maior no tocante a canais desportivos, de desenhos animados e, claro, de música, um dos mais perenes e intemporais interesses de qualquer criança ou adolescente.

E se os 'millennials' lusitanos haviam, até então, tido de se contentar apenas com o icónico 'Top +', a TV Cabo veio trazer-lhes a possibilidade de sintonizar canais de que, até então, apenas se ouvia falar em filmes ou programas de televisão estrangeiros, como a MTV e o VH1. De súbito, aquela parca 'horinha' semanal de 'videoclips' e êxitos de tabela transformava-se numa emissão praticamente perpétua, composta não só pelos vídeos 'da moda' como também por entrevistas a músicos e bandas, galas (como os icónicos MTV Video Music Awards, que mantiveram acordados pela noite dentro muitos jovens da época) notícias do foro musical, programas de curiosidades (como o 'Pop-Up Video' do VH1) documentários biográficos (como o lendário 'Behind The Music', do mesmo canal) e até conteúdos apenas tangencialmente ligados ao Mundo da música, os quais viriam, eventualmente, a 'tomar de assalto' a MTV, e a escorraçar os vídeos musicais pela qual a mesma se tornara conhecida.

Tal situação ainda estava, no entanto, a alguns anos de distância, pelo que os 'millennials' portugueses puderam, ainda, viver o 'auge' dos dois canais, a par da 'alternativa' nacional Sol Música (que já aqui teve o seu espaço) e do canal alemão VIVA, que permitia conhecer algumas das 'bizarrias' que iam fazendo sucesso na Europa Central. Um 'cardápio' com algo para todos os gostos, que não podia deixar de satisfazer os melómanos inveterados – mesmo faltando nele alguns 'ingredientes-chave', como o 'Headbangers' Ball', o programa de hard rock e heavy metal da MTV norte-americana, mas que não fazia parte da grelha da inglesa.

E se as constantes reestruturações de canais da TV Cabo vieram relegar estes canais de música para longe dos lugares de destaque que então ocupavam, a verdade é que pelo menos um – a MTV – 'resiste ainda e sempre ao invasor', qual Astérix dos canais musicais. Infelizmente, mesmo esse canal se encontra, hoje, muito desvirtuado, e quase irreconhecível para quem o conheceu nos anos 90 e 2000, quando – ao lado dos 'irmãos' nacionais e estrangeiros – constituiu um dos principais atractivos para se tornar assinante do novo e revolucionário serviço de televisão por cabo, e fez a alegria de milhares de jovens de Norte a Sul do País com as suas novidades áudio-visuais e culturais.

17.03.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

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Sim, tecnicamente, é 'batota' incluir um álbum musical lançado em 2022 num 'blog' sobre as décadas finais do século XX; no entanto, quando esse mesmo CD traz na capa um icónico 'Walkman' amarelo, e consiste de 'clássicos' radiofónicos por grupos como Os Lunáticos, Anjos, Santamaria ou Resistência, não há como não lhe dedicar espaço nestas nossas páginas. E embora haja que reconhecer que, passado o agradável 'choque' nostálgico, o alinhamento está longe de ser perfeito – as bandas acima citadas 'repetem' na segunda metade do disco, ao mesmo tempo que artistas tão ou mais seminais, como Silence 4, Excesso, D'ArrasarSantos & Pecadores, Pedro Abrunhosa, Paulo Gonzo ou Fúria do Açúcar, entre tantos outros, ficam de fora – o projecto em si é, ainda assim, de louvar, e deverá agradar a qualquer português das gerações 'X' e 'Millennial', mesmo sem lhe encher totalmente as medidas, e falhando no essencial da sua missão de capturar uma 'Polaroid' dos 'tops' nacionais da época. Fica lançado o repto para um potencial segundo volume; entretanto, podem recordar tempos mais simples e despreocupados ouvindo a primeira colectânea no Apple Music – embora, infelizmente, ainda não no YouTube...

25.11.24

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

No que diz respeito a nomes sonantes e incontornáveis da música portuguesa, há uma banda que se continua a destacar acima de todas as outras: os Xutos e Pontapés. Mesmo no ocaso da carreira e com uma fracção da relevância e base de fãs que tinham no pico da carreira, o colectivo liderado por Tim continua a ser o primeiro nome que vem à mente da grande maioria dos melómanos portugueses ao listar artistas musicais de destaque na cena nacional. É, pois, tudo menos surpreendente que os roqueiros lisboetas tenham sido alvo, por ocasião dos seus vinte anos de carreira, de um álbum de tributo, que reúne outros tantos artistas, dos mais diversos estilos, para interpretar algumas das mais conhecidas 'malhas' do grupo.

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Explicitamente intitulado 'XX Anos, XX Bandas' (aproveitando a simbologia do X, desde sempre inerente à imagem da banda) o álbum em questão era lançado algures há vinte e cinco anos, nos últimos meses do Segundo Milénio, ainda mais do que a tempo de atingir o topo das tabelas de vendas, embora não de figurar na lista dos mais vendidos do ano. E se o próprio conceito do disco já era, só por si, suficiente para assegurar o sucesso do mesmo, a Valentim de Carvalho (a editora de sempre dos Xutos) não se ficou por menos, e, ao invés de lançar algo 'amanhado' aos Pontapés, reuniu a 'nata' musical portuguesa para prestar homenagem ao grupo, sem olhar a estilos musicais - ao longo destas duas dezenas de músicas pode ouvir-se desde o rap de Boss AC ou Da Weasel ao 'grunge' de Lulu Blind, passando pelo puro punk lisboeta de Despe & Siga e Censurados (estes últimos reunidos expressamente para gravar a sua faixa para o projecto, 'Enquanto a Noite Cai'), pelo rock gótico-teatral dos Mão Morta, pelo 'folk-punk' de Quinta do Bill e Sitiados e pelo trip-hop dos Cool Hipnoise. O foco maior fica, no entanto, por conta do pop-rock, segmento em que os Xutos & Pontapés se inserem, sendo o grupo de Tim e companhia aqui homenageado por 'colegas de cena' como Clã, Jorge Palma, Ornatos Violeta, GNR, Entre Aspas, Rádio Macau, Sétima Legião ou Rui Veloso, além dos Ex-Votos, projecto de Zé Leonel, membro fundador dos Xutos e figura-chave da cena 'punk' do bairro de Alvalade, com a qual o grupo mantinha laços estreitos numa fase inicial, e cujo primeiro álbum celebra também este ano três décadas de existência. Para a 'chuva de estrelas' ficar completa, só ficou mesmo a faltar um representantes do 'heavy metal', como Moonspell ou RAMP.

Com tal diversidade musical (e por parte de um alinhamento de luxo) não é de admirar que o principal foco de interesse de 'XX Anos, XX Bandas' seja mesmo descobrir como cada um dos artistas transformou o tema original para o adaptar ao seu estilo – tal como não se afigura surpreendente que os resultados sejam algo variáveis, embora mantendo sempre o alto padrão de qualidade expectável por parte dos nomes envolvidos. Goste-se mais ou menos de um ou outro tema, no entanto, seria difícil pedir melhor tributo à maior banda portuguesa de todos os tempos, ou melhor maneira de celebrar um marco como o dos vinte anos de carreira, que o grupo assinalou também com um lendário concerto no Festival do Sudoeste, em suporte a este mesmo disco. De facto, mesmo a um quarto de século de distância, 'XX Anos, XX Bandas' continua a constituir uma excelente experiência sonora, pelo que a melhor maneira de terminar este 'post' é mesmo com a partilha do álbum em causa, disponível na íntegra no YouTube, e que permite constatar e comprovar tudo o que sobre ele foi dito nas últimas linhas. Reservem, portanto, uma hora e vinte minutos, e desfrutem de uma 'constelação' de artistas a tocar algumas das mais icónicas canções da História da música moderna em Portugal.

11.11.24

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Um dos primeiros 'posts' musicais deste nosso blog versava sobre os Silence 4, ainda hoje quiçá o maior e mais reconhecível 'one-hit wonder' da História da música portuguesa – pelo menos, se descontarmos certos artistas 'pimba'. Nada mais justo, portanto, do que celebrar, esta Segunda-feira, o seu vocalista, David Fonseca, que comemora por estes dias os seus vinte e cinco anos de carreira a solo, numa iniciativa que dura já desde o ano passado.

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Originalmente conhecido como membro dos Silence 4, que 'estouravam' no Verão de 1998 com o lendário 'Silence Becomes It', David já nessa altura se destacava pelo seu timbre original e único, algures entre um Rui Reininho com menos arroubos e trejeitos e algum vocalista do movimento 'new wave' e gótico da década anterior. Foi, portanto, com naturalidade que, após o fim do grupo em causa (em 2001, quando já pouco mais eram do que uma memória distante na consciência popular portuguesa) o vocalista tenha mesmo decidido seguir carreira a solo, a qual se iniciava dois anos depois com 'Sing Me Something New'. Seguir-se-iam um EP, um álbum de 'sobras', oito álbuns 'normais' e outros tantos de Natal, estes últimos lançados anualmente entre 2009 e 2016, com direito a 'dose dupla' em 2015.

A sonoridade desta nova fase alicerçava-se numa base ainda mais 'pop' que os Silence 4, ainda que numa vertente mais de 'cantautor', aproveitando o multi-instrumentalismo do músico. Não é, pois, de surpreender que as suas canções melodiosas e agradáveis tenham 'caído no gosto' do grande público ao longo dos últimos vinte anos, como já o haviam feito as do seu grupo original, ainda no Segundo Milénio. Parabéns pelo marco, David, e que venham mais vinte e cinco!

14.10.24

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

De entre as muitas salas de espectáculos e bares da noite lisboeta, o Rock Rendez-Vous foi, a par do Johnny Guitar, uma das mais históricas e influentes, e continua até hoje a ser das que mais memórias e nostalgia despertam entre os portugueses de uma certa idade e com gosto pela música. E ainda que os muitos concertos ali realizados tenham uma palavra a dizer no tocante a esse estatuto, é inegável que grande parte do mesmo se devia ao histórico Concurso de Música Moderna, tão sinónimo com o espaço que muitas vezes se confunde com o mesmo, naquilo a que hoje se chama um 'efeito Mandela'.

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O livre-trânsito de uma das bandas a concurso, os Gritos Oleosos.

De facto, foi o referido concurso - realizado consecutivamente entre 1984 e 1989 – que deu a conhecer grupos como os Mler Ife Dada (vencedores da primeira edição), Ritual Tejo e Sitiados, todos os quais tiveram oportunidade de gravar para a Dansa do Som, a editora ligada ao concurso e ao próprio Rock Rendez-Vous em si. Assim, não é de estranhar que, cinco anos após a última edição anual, a competição tenha sido 'revivida' a título esporádico, e proporcionado uma despedida 'em alta' para um dos grandes eventos musicais do Portugal oitentista. Isto porque o sétimo e último Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous - levado a cabo há quase exactos trinta anos, a 16 de Outubro de 1994 - teve honras de transmissão na RTP, um facto que demonstra bem a importância cultural e mediatismo que o evento havia adquirido desde a sua criação, dez anos antes.

Curiosamente, esta última edição do concurso manteve a tendência, verificada na esmagadora maioria dos seus antecessores, de atribuir a vitória a bandas que acabariam por nunca singrar, pese embora o disco lançado como prémio pela classificação no concurso. Para a História, nesta 'reencarnação' do evento, ficavam Drowning Men (mais tarde Geração X, e depois Os Vultos), Jardim Letal e Neura, nenhum dos quais é hoje lembrado ou conhecido pela esmagadora maioria da população nacional, até mesmo a que era já viva à época. O único nome 'sonante' desta edição de 1994 seria, assim, o dos Ornatos Violeta, que levavam para casa o último Prémio de Originalidade alguma vez atribuído pelo Rock Rendez-Vous, saindo assim como nome destacado da última edição de um certame histórico do panorama musical português.

A extinção do Concurso de Música Moderna não significaria, no entanto, o fim do nome Rock Rendez-Vous, o qual seria 'repescado', já no Novo Milénio, para título de uma compilação de novos talentos lançada pela Worten, em homenagem às edições do mesmo tipo que a Dansa do Som fazia sair durante o seu período áureo. E apesar de o local em si, bem como o nome, terem entretanto voltado a mergulhar nas 'brumas' da memória, haverá sempre uma certa faixa etária de portugueses para quem aquelas três palavras meio 'estrangeiradas', e o concurso que lhes estava associado, serão, eternamente, sinónimas com o melhor que se fazia, e fez, no meio pop-rock e alternativo em Portugal.

10.06.24

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Em Junho de 1985 – há exactos trinta e nove anos – celebrava-se a adesão de Portugal à então chamada Comunidade Económica Europeia, ou CEE, o organismo regulador multi-nacional hoje designado por União Europeia, ou UE. À época, um grupo emergente da cena pop-rock portuguesa assinalava a efeméride através de um tema intitulado 'Portugal na CEE', cuja letra sarcástica (em bom Português) e melodia acessível lhes granjeavam a oportunidade de se lançarem para a ribalta – uma chance que o grupo não deixou de aproveitar, iniciando aí um percurso que os veria tornarem-se num dos artistas nacionais mais vendidos da década seguinte, e autores de uma série de sucessos intemporais do rock lusitano. Nove anos depois – e há quase exactos trinta – após um dos álbuns mais bem sucedidos da História do movimento e de um concerto igualmente memorável na capital, a banda chegava ao seu quarto álbum com uma mentalidade algo mais paranóica, e com a sensação de estar 'Sob Escuta'. E que melhor momento do que o rescaldo de mais umas eleições europeias (concluídas menos de vinte e quatro horas antes da publicação deste 'post') para recordar um dos discos mais vendidos do ano de 1994?

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Para quem ainda não tenha adivinhado, falamos dos portuenses GNR, que lançavam em Maio de 1994 o sucessor do icónico e imortal 'Rock In Rio Douro'. Gravado em Fevereiro desse mesmo ano no estúdio móvel da Valentim de Carvalho, e produzido pela própria banda, o disco trazia dez temas do típico pop-rock sarcástico e vagamente experimental da banda, alicerçado na voz inconfundível de Rui Reininho, secundado, pela última vez, pelos seus três 'asseclas' originais, já que o guitarrista Zezé Garcia viria a abandonar o grupo após este lançamento. Tal como no álbum anterior, verificava-se aqui, também, uma aproximação declarada aos sons e à cena musical do país vizinho, neste caso através da participação do guitarrista de flamenco Vicente Amigo nos temas 'Las Vagas' e 'Lovenita'. Nada de novo, portanto, mas ainda assim uma 'evolução na continuidade' de uma fórmula que vinha resultando em cheio para a banda – e lá diz o ditado que no que resulta, não se mexe...

E a verdade é que essa 'receita' voltou mesmo a resultar para a banda, cuja posição próxima do topo da hierarquia do pop-rock nacional lhes garantiu as vendas necessárias para inscrever 'Sob Escuta' no pódio dos álbuns mais vendidos do seu ano de lançamento. De igual modo, embora não haja nestes quarenta e dois minutos nada tão directo ou imediatamente apelativo como 'Sangue Oculto', do álbum anterior (ou outros 'hits' do grupo) este quarto lançamento contribuiu, ainda assim, com três faixas para a compilação 'Best Of' lançada dois anos depois - a supracitada 'Las Vagas', '+ Vale Nunca' e 'Dominó'. Mais um sucesso, portanto, a juntar à crescente lista que o grupo vinha construindo à época, e que, três décadas depois de ter sido editado, ainda soa tão bem, e tão actual, como à época do seu lançamento – a marca de qualquer bom disco. E, sem chegar a ser 'Rock In Rio Douro', 'Sob Escuta' é, inegavelmente, um muito bom disco, bem merecedor de ser revisitado poucas semanas após ter celebrado o seu trigésimo aniversário. Para esse fim, fica abaixo o 'link' de YouTube com o álbum completo, para ajudar a reavivar (e reviver) memórias...

22.04.24

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

O conceito de grupos formados por familiares musicalmente inclinados não é, de todo, nova; de facto, desde o dealbar da música moderna que, de uma forma ou de outra, irmãos, irmãs, primos ou até pais e filhos se têm juntado para gravar, ou simplesmente interpretar ao vivo, temas do seu estilo favorito. Dos grupos vocais dos primórdios à sua evolução natural nas décadas de 70 e 80 – quando Jackson 5 e The Osmonds adaptavam o mesmo som de base a demografias diametralmente distintas – este tipo de banda tem sido uma das pedras basilares do mercado 'pop', tendo mesmo acabado por influenciar estilos mais enérgicos ou agressivos.

Assim, não é de surpreender que também os anos 90 tenham tido os seus diversos representantes deste estilo de grupo, na sua maioria constituídos por adolescentes do chamado 'Midwest' norte-americano – aquela longa faixa de vários estados no 'coração' do território onde pouco ou nada acontece de particularmente entusiasmante, e a vida se desdobra entre casa, a escola, a igreja e um ou outro ponto de encontro para os jovens da terra. Num ambiente como este, a música acaba por ser um dos poucos meios de 'agitar' um pouco o quotidiano, e, dada a importância da família na cultura maioritariamente cristã daquela parte do Mundo, é natural que dali saiam inúmeros grupos musicais de e para jovens, e que muitos deles sejam constituídos por familiares directos. Foi o caso, na última década do século XX, de colectivos como The Moffats, Kelly Family, e o grupo que lhes 'abriu as portas' à fama – um trio de 'meninos-bonitos' loiros, de cabelo comprido e vozes angelicais, mas capazes de compôr e interpretar os seus próprios temas, que, no Verão de 1997, gozaram de um insólito e até inesperado momento de fama, e conseguiram pôr boa parte do Mundo ocidental a entoar um refrão perfeitamente 'nonsense'.

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A banda, tal como era à época.

Filhos de um músico de Tulsa, Oklahoma, no Sul dos Estados Unidos, Isaac, Taylor e Zac Hanson iniciaram-se nas lides musicais ainda em idade de instrução primária, interpretando temas 'a capella' e versões de temas clássicos de rock'n'roll. Nessa primeira fase, todos os três rapazes tocavam piano, mas a evolução musical dos irmãos rapidamente viu Isaac encarregar-se da guitarra e o pequeno Zac, então com pouco mais de seis anos, gravitar para a bateria. Surgem então as primeiras gravações oficiais, dois álbuns independentes lançados localmente em 1994 e 1996, o segundo dos quais continha uma versão embriónica daquele que viria a ser o maior sucesso do trio, do qual tirava também o nome. Os seus contactos dentro da indústria musical permitiam também aos 'manos' tocar no festival South by Southwest, um conceituado evento de música alternativa, onde acabariam por ser descobertos por um agente, que rapidamente os começa a apresentar a editoras discográficas. Após várias 'negas' da parte de executivos que os viam como pouco mais do que uma curiosidade, a Mercury decide apostar no grupo, lançando, em 1997, o seu primeiro álbum distribuído a nível global, 'Middle of Nowhere'.

HansonMON.jpgA capa do álbum que catapultaria a banda para o estrelato.

E se a capa amarelo-canário do disco e a tenra idade dos intérpretes poderiam levar a pensar numa literal 'boy-band' ou grupo declaradamente infantil, os irmãos Hanson surpreendiam com um álbum de sonoridade adulta, alicerçado num 'pop-rock' com toques e 'tiques' 'country' - ou não fossem os rapazes do sul dos EUA – pronto para a rotação nas rádios alternativas norte-americanas. Ou melhor, era esta a sonoridade de onze das doze músicas do disco (treze, na versão em CD); a outra era uma 'cançoneta' pop-rock que escondia uma temática surpreendentemente adulta (o fluxo de relações interpessoais efémeras vivido por qualquer ser humano) por detrás de um refrão feito de sons desconexos e improvisos vocais, que deixava a nu a tenra idade dos integrantes. Uma candidata improvável a 'single' e mega-sucesso, talvez – mas seria precisamente nisso que se viria a tornar aquando do seu lançamento mundial, sobre o qual se celebraram na semana transacta (concretamente a 15 de Abril) exactos vinte e sete anos.

De facto, contra todas as probabilidades, 'MMMBop' 'cairia no gosto' da geração contemporânea dos três irmãos – então com dezasseis, catorze e onze anos – e 'tomaria de assalto' as ondas radiofónicas mundiais no Verão de 1997, durante o qual eram poucos os jovens que não conhecessem (e cantarolassem) aquela sequência de sons incrivelmente 'viciante' que compunha o refrão da música. Esperassem-no ou não, os 'manos' Hanson eram agora mega-estrelas em 'miniatura' ao nível do que tinha sido, anos antes, um Macaulay Culkin, com direito a presenças em programas de televisão como 'The Weird Al Show', 'Melrose Place' e 'Space Ghost: Coast to Coast', da Hanna-Barbera, e a turnês mundiais repletas de jovens da sua idade prontos a entoar com eles o famoso estribilho.

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O 'single' de 'MMMBop'.

A 'sede' por novo material por parte desta mesma base de fãs viria também a justificar a reedição de um dos álbuns independentes do grupo, agora renomeado 'Three Car Garage', e do inevitável disco de Natal, 'Snowed In', no espaço de poucos meses! Esse mesmo espaço de um ano (entre 1997 e 1998) veria, também, os irmãos figurarem entre os artistas mais novos de sempre a serem nomeados para um Grammy, e lançarem no mercado a sua biografia oficial – de jovens que, recorde-se, ainda não haviam saído da adolescência - ou, num dos casos, sequer ENTRADO na mesma! A popularidade do grupo assumia, assim, contornos de 'febre' – e, como qualquer febre (física ou social), também esta não demoraria a passar.

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O segundo álbum do grupo já não almejaria o mesmo sucesso da estreia.

De facto, no espaço que mediou entre o sucesso vindo do 'meio do nada' e o disco seguinte do grupo, 'This Time Around', de 2000, Isaac, Taylor e Zac amadureceram, assumiram um visual mais roqueiro – a condizer com a nova sonoridade em que apostavam – e perdiam o 'factor fofura' que os fizera dar nas vistas três anos antes. Em conjunção com a absorção da Mercury pela Def Jam – da qual resultava um menor orçamento promocional – esta mudança precipitou o declínio de popularidade do trio, que se viu obrigado a financiar a turnê desse segundo álbum por conta própria, e teve de se contentar com audiências bem mais modestas.

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Os Hanson nos dias de hoje.

Este típico ciclo de 'ascensão e queda' não desmotivou, no entanto, o grupo, que – entre a organização de acções filantrópicas e retiros para músicos - prosseguiu a carreira nessa vertente mais discreta, lançando um novo álbum imperetrivelmente a cada três anos durante toda a primeira década do Novo Milénio, até 2013, data em que se verificou um maior hiato, que seria quebrado em 2017, com uma turnê orquestrada comemorativa dos vinte anos de 'Middle of Nowhere' e novo disco de Natal. Quatro anos depois, surge o sétimo disco de originais, rapidamente precedido do oitavo (e, até agora último) lançado em 2022, já depois de os irmãos se terem visto envolvidos em controvérsias derivadas das suas posições conservadoras, sobretudo no tocante às vacinas e restrições aplicadas aquando da pandemia de COVID-19. O típico final algo 'deprimente' para artistas que, na mente de toda uma geração, serão para sempre aqueles adolescentes loiros e de cabelos compridos a divertirem-se à grande no lendário videoclip de um dos maiores sucessos do pop-rock noventista, capaz de fazer qualquer 'millennial' regredir à infância ou adolescência durante três minutos e meio...

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