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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.01.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar de os jogos de ritmo e acompanhamento musical se terem tornado um dos principais géneros do século XXI (com títulos como 'Dance Dance Revolution' ou os diversos 'Hero'), a criação de música através de ferramentas especializadas continua a ser uma actividade de foro eminentemente técnico, realizada através de 'software' sem qualquer tipo de vertente lúdica, como o popular GarageBand. Nos anos da viragem do Milénio, no entanto, a reputada programadora e distribuidora Codemasters procurou reunir em um só título essas duas vertentes normalmente com pouco ou nenhum contacto, num projecto ambicioso que chegou a render quatro jogos, tendo os primeiros dois sido particularmente bem recebidos.

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Falamos de 'Music', lançado na Europa no início do Inverno de 1998, e da sequela 'Music 2000', surgida um ano depois. Disponíveis tanto para o previsível PC como para PlayStation, os dois títulos posicionavam-se, desde logo, como geradores de música 'sérios', sem recurso a 'truques de marketing' ou quaisquer aspectos competitivos (pese embora a presença de um modo colaborativo para até quatro aspirantes a DJ); em vez disso, os dois programas ofereciam uma variedade de 'samples' musicais (chamados 'riffs', embora nem todos fossem de guitarra) os quais podiam, através de um 'interface' simples e intuitivo, ser 'colados' para produzir faixas originais – ou, pelo menos, tão originais quanto era possível com recurso a fragmentos licenciados. E, embora o 'acervo' de 'samples' fosse forçosamente reduzido, a verdade é que qualquer dos jogos oferecia variedade mais do que suficiente para manter o interesse do utilizador durante um período de tempo mais ou menos extenso.

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De facto, estes dois jogos que terão, sem dúvida, feito as delícias de artistas de 'hip-hop' e DJ's emergentes, e entretido quanto-baste qualquer entusiasta de videojogos com uma vertente criativa e um mínimo de competência tecnológica; foi, pois sem surpresas que os mesmos se viram incluídos nas séries de 'best-sellers' tanto da Sony como da própria Codemasters, e que os fãs da série viram surgir mais duas sequelas na era da PlayStation 2 – agora acrescidas de uma licença 'de peso', e que lhes permitia ter acesso a uma gama ainda mais alargada de fragmentos musicais sob licença. No entanto, em comparação com os dois antecessores, os dois 'MTV Music Generator' ficaram aquém a nível de sucesso crítico e vendas, talvez devido ao facto de a tecnologia para criação de música ter sofrido consideráveis avanços, que o 'interface' dos novos títulos não foi capaz de acompanhar. No tocante aos dois primeiros títulos da série, no entanto, os mesmos continuam a gozar do apreço de quem, à época, os utilizou para dar largas à sua veia criativa e treinar os seus dotes de DJ amador, sendo mais do que merecedores de retrospectiva nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico.

27.12.25

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Os anos 90 foram pródigos em produtos e brinquedos que 'toda a gente queria', e que, se encontrados debaixo da árvore de Natal, eram motivo para reacções alucinantes. Nas linhas abaixo, recordamos apenas cinco dos mais icónicos, sem nenhuma ordem em particular.

- Consolas

TkZghvN25z7dxCK4YyM5dY-1200-80.jpgDo Game Boy (a 'preto e branco' ou a cores) à Mega Drive, Sega Saturn, Nintendo 64 ou DreamCast, passando pelas duas PlayStations ou apenas pela icónica 'família' de consolas piratas conhecidas como 'Family Game' era raro o Natal em que pelo menos uma consola não marcasse presença na lista de prendas desejadas - normalmente, a que mais recentemente chegara ao mercado, ou aquela para a qual eram lançados os jogos mais 'badalados'. E, como se pode constatar pela lista acima reproduzida, os anos 90 representaram um dos períodos áureos para o desenvolvimento de tecnologias interactivas caseiras, com muitos e bons sistemas a 'dividirem' a lealdade dos entusiastas de videojogos, tanto na época natalícia como em ocasiões como os anos.

- Tamagotchi

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Foi uma das 'febres de recreio' por excelência no período pós-Tazos e 'diabolos', e interrompeu inúmeras aulas da primária à faculdade com os inconfundíveis sinais sonoros de que o bichinho virtual se encontrava mal-disposto, ou de que era preciso limpar a área onde 'vivia'. Foi, também, substituto 'virtual' para um animal de estimação de 'carne e osso' para muitas crianças, portuguesas e não só - pelo menos até se acabarem as pilhas, ou até deixar de ser item obrigatório no recreio da escola. E apesar de, em Portugal, a 'febre' ter passado quase de um dia para o outro, o Tamagotchi e respectivos 'imitadores piratas' mantiveram-se como parte da cultura popular de outros países até aos dias que correm, tendo a franquia celebrado recentemente os seus vinte e cinco anos de existência.

- Furby

download (3).jpgA 'evolução natural' da 'febre' Tamagotchi, os Furbies não só serviam como animais de estimação 'virtuais' como também de peluches físicos - isto para além de falarem e se mexerem. Uma espécie de cruzamento entre um peluche 'normal', um Tamagotchi e um papagaio repetidor (outro brinquedo muito popular na mesma época) estes 'bicharocos' alienígenas apenas tinham contra si o facto de algumas crianças os acharem levemente perturbadores, ainda que estas se contassem apenas por minoria. Tal como os Tamagotchis, no entanto, o 'momento' dos Furbies passou de forma mais do que repentina, e, poucos anos após o seu 'auge', os mesmos eram já recordados apenas como uma 'tolice' nostálgica dos anos de infância dos 'millennials' portugueses e não só.

- Brinquedos 'Grandes'

438228047.jpgDa casa da Barbie até aos castelos do He-Man ou da LEGO, aos veículos de Action Man e GI Joe ou ao exemplo mais famoso - o icónico barco pirata da Playmobil - os acessórios e cenários de grandes dimensões ligados a franquias conhecidas eram, inevitavelmente, alvo de cobiça, embora os preços normalmente proibitivos os remetessem inevitavelmente para a categoria de desejos de Natal (ou anos). Ainda assim, para quem tivesse a sorte de receber um destes exemplares, estava garantida não só a diversão como também a capacidade de se 'gabar' e 'exibir' o novo brinquedo junto dos colegas da escola - uma oportunidade que nenhuma criança deixaria passar em branco, fosse à época ou nos dias que correm.

- Bicicletas, 'Skates', Trotinetes e Patins

images (2).jpgForam, durante décadas, o epítoma de presentes 'caros' e desejáveis, um paradigma que ainda se mantinha em finais do século XX, quando uma bicicleta BMX ou um par de patins em linha se encontrariam provavelmente perto do topo de uma lista de presentes de Natal. A natureza intemporal destes presentes, e o facto de se manterem relevantes durante múltiplos anos (pelo menos até deixarem de servir ao 'dono') tornava-os também investimentos inteligentes a longo prazo, fazendo com que fossem, se possível, ainda mais apetecíveis para a criança ou jovem médio, tanto em Portugal como um pouco por todo o Mundo.

Estes são, claro, apenas alguns dos muitos presentes icónicos cobiçados pelos jovens lusitanos das gerações 'X' e 'millennial', nascidos e crescidos naquela que talvez tenha sido uma das melhores épocas da História moderna para ser criança, dado o volume de produtos entusiasmantes para essa faixa etária disponíveis no mercado de então, prontos para figurar como 'figura de proa' de qualquer carta ao Pai Natal.

25.11.25

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

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No que toca a apurar a melhor e mais bem-sucedida consola de jogos de todos os tempos, muitos entusiastas de videojogos (sobretudo de mais idade) não hesitam em apontar uma máquina em particular: a PlayStation 2. De facto, a segunda tentativa da Sony em lançar um sistema interactivo, e 'representante' da companhia na era dos 128-bits, é considerada a fusão perfeita de várias características desejáveis num produto deste tipo, superando até mesmo a sua já ilustre antecessora, que continua, para muitos, a ocupar o segundo lugar num pódio normalmente finalizado pela Mega Drive ou Game Boy.

Isto porque a PS2 (como é normalmente abreviada) não só apresentava aspectos técnicos de vanguarda para a época, como propunha algumas possibilidades até então impensáveis, mesmo para a mais sofisticada das máquinas. Era possível, por exemplo, jogar títulos de PS1 na nova consola (e agora, pela primeira vez, com um comando sem fios, ligado ao aparelho por infravermelhos), bem como ver filmes, graças ao leitor de DVD embutido, que, em muitos casos, tornaria mesmo obsoleto o até então ubíquo aparelho exclusivamente dedicado a essa função. Uma tentativa declarada por parte da Sony para criar um aparelho que, mais do que uma simples consola, fosse um sistema de entretenimento, a qual se pôde considerar bem-sucedida, tendo a PlayStation 2 sido um sucesso imediato de vendas aquando da sua chegada à Europa, há quase exactos vinte e cinco anos, a 24 de Novembro de 2000.

De facto, foi tal a demanda pela consola que as parcas oitenta mil unidades que a Sony havia enviado para o Velho Continente não tardaram a esgotar, levando alguns especialistas a acusar a Sony de inflacionar artificialmente a procura através de uma oferta propositadamente limitada para aquele que era o seu maior mercado, bem como de preços proibitivos para a época. Nada que impedisse que, a médio prazo, a consola da Sony se 'instalasse' numa parcela significativa de lares europeus, tendo a mesma sido a 'estrela' dos catálogos de Natal daquele ano e permanecido a consola mais vendida e jogada a nível mundial durante mais de uma década, praticamente até ser descontinuada. Hoje em dia, vinte e cinco anos após o seu aparecimento, a PS2 retém o título de consola mais vendida de sempre, um feito impressionante tendo em conta o surgimento, desde então, de mais três sucessoras!

Este sucesso é, no entanto, fácil de explicar, já que, além dos aspectos supracitados, a galeria de jogos da PS2 também não deixava nada a desejar à da antecessora – antes pelo contrário. Apesar de franquias como Cool Boarders ou Ridge Racer terem 'ficado' na era dos 32-bits, a maioria das outras grandes séries de jogos da altura marcariam presença na nova consola, do inevitável Crash Bandicoot a Tekken, Gran Turismo, Time Crisis, Metal Gear Solid, Final Fantasy, Tomb Raider, Tony Hawk's Pro Skater, Resident Evil, Grand Theft Auto (que 'renasceria' na PS2, com a icónica terceira parte e respectivas sequelas), Pro Evolution Soccer ou Syphon Filter (curiosamente, Spyro nunca teve um jogo lançado para PlayStation 2), além de novas franquias de futuro sucesso, como Jak and Daxter ou Ratchet and Clank. A juntar a estes nomes sonantes havia ainda uma série de títulos da SEGA, que se 'retirara' do 'ofício' de manufacturar consolas após o falhanço da Dreamcast, e se dedicava pela primeira vez a criar jogos para a 'concorrência'; a PlayStation 2 chegou, por exemplo, a contar com uma versão de 'Crazy Taxi'. 

A juntar aos cuidados aspectos técnicos e funcionalidades adicionais do 'hardware' da consola, este paradigma ajudaria a tornar a PS2 perfeitamente irresistível para os aficionados de videojogos (mesmo a preço de lançamento) e ajudariam a que a consola da Sony conquistasse um merecido lugar cimeiro na História dos videojogos, tornando quase obrigatória (embora extremamente prazerosa) esta homenagem, um dia depois de se ter completado um quarto de século sobre o seu lançamento na Europa.

13.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 11 de Novembro de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Ao pensar em jogos interactivos de corridas, a imagem que vem à mente é a do típico simulador, com voltas a uma pista e ultrapassagens a adversários, o ainda mais típico jogo de 'karts' de visual 'animado' ou, quanto muito, uma prova de 'rally' em que o objectivo é estabelecer o melhor tempo possível. Há exactos trinta anos, no entanto, um dos primeiros grandes títulos da era dos 32-bit logrou subverter com sucesso essa percepção, criando um jogo, à época, único, e cuja apurada realização técnica o tornou título-estandarte da PlayStation original, onde se tornou um dos primeiros de entre os muitos mega-sucessos da consola da Sony.

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Lançado na Europa há pouco mais de trinta anos (a 20 de Outubro de 1995) e na América do Norte três semanas depois (completando-se este fim-de-semana três décadas sobre a sua chegada aos escaparates americanos, a 16 de Novembro daquele ano) e baseado nos chamados 'demolition derbies' (algo como 'despiques demolidores') norte-americanos, 'Destruction Derby' ignorava por completo toda e qualquer tradição dos jogos de corridas, apostando, ao invés, num formato 'todos contra todos', em que o jogador e vários adversários se batiam frente-a-frente (literalmente) com vista à destruição mútua. Os aspectos técnicos, mecânicos ou estratégicos eram, pois, de somenos importância, tendendo a ganhar as provas quem era mais 'bruto' e tinha menos amor às peças do seu carro. Algo que, na vida real, é um daqueles 'desportos' de que só um certo nicho consegue gostar, mas que, em formato interactivo, ajudou a fomentar na juventude 'millennial' a 'sede' de violência automóvel, mais tarde 'alimentada' por jogos como 'Carmageddon' ou 'Grand Theft Auto' – com os quais, aliás, partilhou a velha polémica sobre violência excessiva nos videojogos, então no seu ponto máximo. A par desta 'atracção principal', havia ainda modos mais 'normais' (alguns sem qualquer elemento destrutivo), mas, ao lado da original premissa do modo principal do jogo, estes acabavam por parecer acrescentos supérfluos, criados apenas sob a percepção de que jogos com carros TÊM de ter provas tradicionais.

O modo 'Destruction Derby' por si mesmo já garantia, no entanto, que o jogo seria um retumbante sucesso de vendas, com mais de um milhão de cópias vendidas aquando das suas duas conversões de Agosto de 1996, e que se viria a tornar num dos primeiros títulos a fazer parte da iconica série 'Platinum' da Sony. E porque tudo o que é bem sucedido tem, inevitavelmente, direito a uma sequela, eis que, pouco mais de um ano após o original (e já depois do lançamento de versões para Sega Saturn e PC, ambas em Agosto de 1996), era lançado 'Destruction Derby 2', de novo para PC e PlayStation (tendo a Saturn, por esta altura, terminado já o seu lendariamente curto ciclo de vida).

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E porque 'em fórmula que ganha, não se mexe', este segundo jogo inseria-se declaradamente no campo das sequelas 'mais do mesmo, melhorado', com gráficos e sonoridade mais apurada, um tema mais próximo ao NASCAR norte-americano e a adição de 'boxes' e obstáculos nas pistas mas, de resto, exactamente o mesmo conceito, premissa e até modos de jogo. Curiosamente, a recepção a este jogo seria mais dividida do que ao original: enquanto que a versão para PlayStation seria tão bem ou melhor recebida do que a sua antecessora, a conversão para PC seria alvo de algumas críticas por parte da imprensa especializada – as quais, no entanto, não a impediram de ser um sucesso também naquele sistema, batendo, como o seu antecessor, a marca do milhão de cópias.

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Numa repetição do ciclo entre os dois primeiros jogos, o próximo lançamento da série seria uma conversão do título original para Nintendo 64, em 1999 (que levava o criativo título de 'Destruction Derby 64'), sendo que só depois, já no Novo Milénio, surgiria o terceiro jogo da série, 'Destruction Derby Raw', lançado a 30 de Junho de 2000 na Europa, e cinco meses depois (em finais de Novembro, mesmo a tempo de ser um dos grandes 'desejos de Natal' dos jovens da época) na América do Norte.

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A premissa, essa, continuava a mesma – embora, agora, fosse também possível 'combater' em ambientes urbanos, e mesmo no topo de arranha-céus, dos quais se podiam atirar os adversários, garantindo a sua destruição vários andares mais abaixo. A recepção crítica e do público, no entanto, ficava abaixo da dos dois primeiros titulos – talvez por o conceito estar a perder a originalidade, após outros jogos terem expandido a premissa de 'combate automóvel em arena', ou talvez por o terceiro título apresentar alguns problemas – e, como tal, 'Raw' é significativamente menos lembrado que os primeiros dois jogos da série, tendo sido o único até então a não atingir os volumes de vendas necessários à sua inclusão na série 'Platinum'.

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Não obstante, a Psygnosis faria mais uma tentativa de continuar a franquia numa nova geração de consolas, lançando, em 2004, 'Destruction Derby Arenas', o único título da série a extravasar a era dos 32 e 64-bits, surgindo na então lider de mercado PlayStation 2. No entanto, nova recepção 'mista' e um nível de interesse público bastante diminuído após quase uma década ditaram, mesmo, que seria esse o fim de uma franquia em tempos auspiciosa e plena de potencial, mas cuja premissa perdera entretanto toda a sua originalidade e apelo. Ainda assim, o sucesso dos dois primeiros jogos mais do que justifica a sua inclusão nesta rubrica, poucas semanas após o título original ter atingido a marca de trinta anos sobre o seu lançamento.

15.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Terça-feira, 14 de Outubro de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Aquando da nossa Terça Tecnológica alusiva aos jogos licenciados de Astérix, fizemos menção do divertidíssimo 'Astérix & Obélix', de longe o melhor de todos os títulos com os irredutíveis gauleses como protagonistas, e que capturava sem mácula o espírito da BD de Goscinny e Uderzo. O que ficou, nessa ocasião, por mencionar foi o facto de os cuidados aspectos técnicos do jogo serem resultado da já considerável experiência da Infogrames na adaptação a formatos digitais de heróis da banda desenhada franco-belga, sendo o título de Astérix já um dos últimos da sequência de títulos desta índole lançados pela companhia francesa em meados da década de 90.

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Spirou foi protagonista do primeiro jogo desta série.

De facto, entre os primeiros jogos de Astérix e esta sua versão definitiva, já vários outros dos principais personagens daquela vertente da banda desenhada tinham tido direito a aventuras interactivas nos PC's e consolas da época. O primeiro destes foi o sempre popular Spirou - cujo jogo para Mega Drive completou recentemente trinta anos, tendo sido lançado a 20 de Setembro de 1995, quase exactamente um ano antes das restantes versões – e o último o jogo de Lucky Luke para a PlayStation original; pelo meio, ficavam outro jogo de Lucky Luke (este com gráficos puramente 2D), duas aventuras de Tintin - 'Prisoners of the Sun' e 'Tintin In Tibet', adaptadas dos respectivos álbuns – e o referido jogo de Astérix e Obélix, numa prolífica série de lançamentos que viu serem editados seis títulos no espaço de menos de três anos, entre 1995 e 1998.

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Os dois jogos de Tintin da série.

Em comum entre si, estes jogos tinham o grafismo - de uma fidelidade extrema ao material original e rico em detalhes, tornando cada título num 'prazer' visual para fãs das respectivas séries – o género – sendo jogos de plataformas 'puros e duros', ainda que o título para PlayStation inclua também alguns mini-jogos - e a dificuldade elevada, que os tornava ligeiramente frustrantes, embora nuns casos mais do que noutros ('Spirou' é, por exemplo, consideravelmente mais difícil do que 'Astérix & Obélix'). Ainda assim, para fãs dos álbuns em questão (e havia ainda muitos na Europa noventista) esta colecção representou um 'prato cheio', que nem sequer requeria computadores muito potentes para poder ser jogada, dando mais um atractivo aos donos de PC's ainda sem tecnologia Pentium ou placa aceleradora.

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Os jogos de Lucky Luke, dos quais o de PlayStation marca a transição para o 3D.

De referir que, à semelhança do que aconteceria mais tarde com os primeiros jogos de Dragon Ball Z para as consolas da Sega, a esmagadora maioria destes títulos - com excepção do último, para PlayStation – eram lançados em exclusivo para o mercado europeu, onde os seus protagonistas mantinham ainda uma forte presença e constituíam licenças atractivas do ponto de vista comercial, ao contrário do que acontecia nos EUA, onde eram quase desconhecidos. Mais tarde, mais jogos de Lucky Luke e Spirou veriam a luz do dia também do outro lado do Atlântico, mas no tocante a esta série original, a mesma foi um 'deleite' quase exclusivo do Velho Continente, onde estes jogos divertiram toda uma geração de crianças e jovens fãs das bandas desenhadas em que se baseavam, merecendo bem ser lembrados quase trinta anos após os seus respectivos lançamentos.

 

16.09.25

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A febre dos 'remakes' e reinvenções de videojogos nostálgicos tem tomado de assalto a indústria em causa nos últimos anos, com títulos tão populares como 'Crash Bandicoot', 'Spyro The Dragon', 'Final Fantasy VII', 'Tomb Raider', 'Doom', 'Metal Gear Solid', 'Tony Hawk's Skateboarding' ou 'Monkey Island' a merecerem reinvenções actualizadas a nível do grafismo e jogabilidade. E, com muitos dos principais personagens e 'franchises' já reimaginados e 'vendidos' a uma nova geração de entusiastas de jogos de vídeo, não é de estranhar que as produtoras procurem, agora, explorar filões algo mais obscuros ou 'de culto'. É neste contexto que se insere o 'remake' do videojogo que abordamos neste 'post', originalmente lançado em 1997, em exclusivo para a PlayStation, e cuja 'Special Edition' surgiu na quinta geração da referida consola, bem como na Nintendo Switch e na plataforma de jogos para PC Steam, há quase exactamente um mês. Nada melhor, portanto, que dedicar a primeira Terça Tecnológica após as férias a um título que, apesar de bem recebido na sua época, havia caído um pouco no esquecimento até esta revitalização.

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Um de apenas uma mão-cheia de jogos lançados pela Whoopee Camp, companhia fundada por ex-funcionários da Capcom, 'Tombi!' insere-se no sempre popular (ainda que sobrepovoado) género da acção-aventura em plataformas, do qual a PlayStation original estava já bem servida em 1997, com Crash, Klonoa e Gex a marcarem já presença no seu catálogo, e um certo dragão roxo muito próximo de se estrear. Talvez por isso 'Tombi!' nunca tenha tido honras de título de 'primeira linha' na consola da Sony, pese embora a atenção mediática bastante positiva de que gozou aquando do seu lançamento.

Não que não haja muito do que gostar neste jogo – antes pelo contrário, tanto o protagonista (um pequeno homem das cavernas com cabelo rosa-choque) como os aspectos técnicos de 'Tombi!' facilmente 'cairão no gosto' de qualquer fã deste género de jogo, com os gráficos ao estilo 'anime' e os leves (e sempre populares) elementos de RPG a distanciarem o título de alguns dos seus concorrentes directos, e a proporcionarem uma experiência sumamente agradável, ainda que pouco original. O principal factor distintivo, no entanto, são os 'eventos' – cerca de cento e trinta mini-objectivos inseridos em cada nível, e que dão ao jogador pontos necessários para aceder a novas áreas ou abrir baús do tesouro para encontrar itens, numa estratégia inteligente para prolongar o interesse e longevidade do título.download (3).jpeg

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Apesar destas ligeiras inovações, no entanto, 'Tombi!' nunca conseguiu ir além do estatuto de culto, algo que a sequela – lançada na Europa em Junho de 2000 – nunca sequer almejou. De facto, 'Tombi! 2 – The Evil Swine Return' salda-se entre os mais obscuros títulos para a consola da Sony, algo a que pouco ajuda o facto de ter sido já lançado na fase final da vida da mesma, poucos meses antes do surgimento no mercado da lendária PlayStation 2. Ainda assim, os fãs de 'Tombi!' que ansiassem por uma continuação da experiência de jogo podiam regalar-se com esta sequela, que, como qualquer 'parte dois', oferecia 'mais do mesmo melhorado'. No entanto, tal como sucedia com o original, a falta de elementos distintivos acabou por condenar este jogo ao esquecimento, pelo menos até também ele receber um 'remake' modernizado. O seu antecessor, no entanto, continua até hoje a gozar do estatuto de 'jogo de culto', justificando não só a recém-lançada continuação como o seu espaço neste nosso blog nostálgico.

01.08.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Terça-feira, 29 de Julho de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar de estarem entre os personagens mais respeitados e apreciados entre a equipa da própria Marvel, o Quarteto Fantástico nunca conseguiu, entre os fãs mais casuais, o tipo de projecção almejado por congéneres como o Homem-Aranha ou os X-Men. Prova disso é o facto de, apesar de ir já na sua terceira adaptação cinematográfica (estreada em Portugal há cerca de uma semana) a 'família disfuncional' por excelência gozar de um volume de 'merchandising' significativamente mais reduzido que o dos outros nomes citados, sendo um dos exemplos mais flagrantes o facto de, numa década em que a Marvel 'inundava' as prateleiras de títulos interactivos, os personagens em causa apenas terem tido direito a protagonizar por si mesmos um único videojogo durante a 'era de ouro' dos videojogos – já que o único outro título até então licenciado à franquia, 'Silver Surfer', para a Nintendo 8-bits, dava o foco àquele que era apenas um personagem periférico no universo do Quarteto.

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Lançado na Europa há quase exactos vinte e oito anos, em Agosto de 1997 (curiosamente, um mês ANTES do lançamento na América do Norte, numa clara subversão do padrão habitual), 'Fantastic Four' surgia em exclusivo na PlayStation – à época já 'rainha' da quarta geração de consolas – mas propunha uma experiência mais típica das consolas de '16-bit' da vaga anterior, próxima da que fizera o sucesso das franquias 'Final Fight', 'Streets of Rage', 'Double Dragon' ou 'Golden Axe'. No papel dos quatro heróis do grupo – cada qual, evidentemente, com características distintas que influíam directamente na jogabilidade – entre os quais podia alternar a qualquer momento, o jogador tinha como missão derrotar levas sucessivas de inimigos numa determinada área, de modo a poder aceder à seguinte, e assim por diante até ao final de cada área, em que os heróis devem fazer frente a um dos seus icónicos inimigos.

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Uma premissa simples, mas que, conforme anteriormente notado, pode proporcionar uma experiência memorável e potencialmente icónica; o problema é que, neste caso, mesmo a própria companhia responsável pelo jogo (a Acclaim de 'Mortal Kombat', também responsável pela controversa adaptação digital d''O Corvo') estava insatisfeita com o jogo, que apenas foi finalizado e lançado por obrigações contratuais, tendo a planeada versão para Sega Saturn sido mesmo cancelada e abandonada. Este procedimento teve, como é natural, impacto na recepção ao jogo, considerado à época como um dos piores da consola da Sony tanto pelos fãs como pela crítica, e hoje votado ao esquecimento por entre as dezenas de clássicos lendários disponíveis para a consola - um fim algo inglório para a única aventura interactiva de um grupo de heróis que, apesar da ilustre 'carreira' e da reputação de que gozam entre os aficionados de banda desenhada, nunca conseguiu verdadeiramente sair desse 'nicho' e encontrar o seu lugar ao Sol. Resta esperar, pois, que 'Quarteto Fantástico – Primeiros Passos' consiga reverter essa tendência, e afirmar-se finalmente como a obra de 'afirmação' da 'Família Real' da Marvel...

09.04.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 8 de Abril de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Em meados dos anos 90, o género de acção e tiros em primeira pessoa – vulgo 'first-person shooter', ou apenas FPS – encontrava-se num período de relativa acalmia, após a conclusão da primeira vaga de títulos do género – liderada por 'Doom' e 'Wolfenstein' – e ainda a alguns anos do início da segunda, com 'Duke Nukem 3D'. Havia, pois, lugar a experimentação e alguma tentativa-e-erro dentro do género – um paradigma de que a Psygnosis não hesitou em tirar partido, lançando (para PC, Mac, PlayStation e mais tarde Linux) uma variação relativamente original sobre o tema, a qual acabaria por dar azo a uma trilogia de algum sucesso entre os fãs de videojogos da época.

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Tratou-se da série 'Descent', que propunha todos os trâmites comuns – e apreciados – no género em causa, mas que punha o jogador ao comando de uma nave, ao invés das habituais missões a pé, e em ambientes tri-dimensionais, o que fazia com que os três títulos da série se posicionassem como uma espécie de cruzamento entre FPS de acção e simuladores de vôo, outra categoria de jogo muito popular na altura, tendo o primeiro, inclusivamente, tido a distinção de ser o primeiro jogo do género FPS com gráficos totalmente em 3D. A acção desenrolava-se, sobretudo, em túneis estreitos e claustrofóbicos no subsolo – daí o título da série – infestados de inimigos para eliminar com as diversas armas da nave, bem ao estilo do que normalmente faria um herói musculado com armas de mão – uma fórmula que pouco ou nada se alterou ao longo dos três jogos da série, tendo apenas sido alvo das habituais e expectáveis melhorias em termos de número de missões, jogabilidade e, claro, aspectos técnicos.

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Os fãs do primeiro jogo - lançado na Europa há pouco mais de trinta anos, em Março de 1995 – sabiam, pois, o que esperar ao adquirir 'Descent II', lançado quase exactamente um ano após o original, e mais tarde 'Descent 3', que chegava ao mercado já ao 'cair do pano' do século XX, numa altura em que a série se encontrava já algo esquecida, mas era ainda relevante o suficiente para garantir sucesso, ainda que moderado, ao terceiro capítulo da saga.

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Não é de espantar, no entanto, que esta série tenha 'ficado' no século passado, não tendo sequer nunca sido alvo de quaisquer tentativas de actualização. Apesar da importância histórica, e de fazer já uso das incipientes tecnologias para jogos 'em rede', a verdade é que o tipo de jogabilidade que 'Descent' propunha já dificilmente se coadunaria com o panorama de inícios do século XX, em que o gosto dos jogadores se começava a desviar destes jogos simplistas e lineares, e a tomar uma direcção mais voltada para os jogos de 'mundo aberto' ou acção na terceira pessoa, alguns dos quais também aqui virão a ter o seu espaço. Enquanto durou, no entanto, a franquia 'Descent' foi popular o suficiente para justificar algumas linhas comemorativas, poucas semanas após o trigésimo aniversário do seu primeiro capítulo, e vigésimo-nono da primeira sequela.

12.03.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 11 de Março de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

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Na última edição desta rubrica, falámos dos primórdios de uma franquia de videojogos que, introduzida ainda nos últimos meses do século XX, viria a dominar por completo a primeira década do seguinte; nada melhor, portanto, do que dedicarmos a semana seguinte a explorar outra série iniciada em circunstâncias quase idênticas, e cujos resultados foram muito semelhantes.

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E dizemos 'quase' porque, ao contrário de 'Super Smash Bros.', a génese de 'Marvel Vs. Capcom' está, não no primeiro jogo (lançado para Dreamcast a 24 de Novembro de 1999, e para PlayStation dois meses depois, no último dia do primeiro mês do novo século e Milénio). De facto, para encontrar verdadeiramente as origens desta bem-sucedida franquia, é preciso recuar três anos, até ao lançamento inicial (para Sega Saturn) de 'X-Men: Children of the Atom', a primeira tentativa da Capcom de criar um 'beat-'em-up' tematizado em torno dos mutantes da Marvel, e que trazia já muitas das características dos jogos posteriores, como a jogabilidade rápida e ligeiramente caótica – mais parecida à dos jogos de luta da SNK que aos da Capcom – e os gráficos detalhados, quase como uma banda desenhada ou desenho animado 'em movimento'.

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Tais características granjearam ao jogo algum sucesso, sobretudo após o lançamento para PC e PlayStation, e deram azo à criação de uma sequela, que expandia o conceito do título inicial para uma situação de 'crossover' com a mais popular franquia da Capcom, sob o título 'X-Men vs Street Fighter'. Lançado na Europa exclusivamente para PlayStation (a versão para Saturn ficou confinada ao Japão) esta conversão do jogo de arcada homónimo dava ao jogador, como o próprio título indicava, a possibilidade de escolher não só de entre os mutantes, como também de entre os lutadores do 'pioneiro' dos jogos de luta um-para-um, cada um dos quais com o seu estilo de luta diferenciado e característico. Mais ainda do que em 'Children of the Atom', era aqui que ficava verdadeiramente cimentada a fórmula que, mais tarde, informaria a saga 'Marvel Vs. Capcom'.

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Antes de lá chegarmos, no entanto, ainda uma última 'paragem', para analisar 'Marvel Super Heroes Vs. Street Fighter' – outro exclusivo para PlayStation, lançado quase exactamente seis meses antes de 'Marvel Vs. Capcom' e que é, efectivamente, o mesmo jogo, apenas com um âmbito mais restrito - nomeadamente do lado da Capcom, em que ainda só é possível escolher personagens de 'Street Fighter', enquanto que a 'equipa' Marvel se vê expandida com a presença de heróis tão icónicos como o Homem-Aranha ou o Incrível Hulk, que se tornariam favoritos de muitos jogadores nos lançamentos subsequentes.

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As características que tornariam os títulos posteriores em mega-sucessos, essas, já estavam todas lá, podendo este jogo ser considerado como uma espécie de 'tubo de ensaio' para o que se seguiria, em Novembro do mesmo ano, e durante a década subsequente, com cada nova geração de consolas a receber a sua própria versão do título em causa, que se contaria entre os mais falados (e jogados) do quarto de século seguinte, mantendo-se ainda no mercado 'em força' até aos dias de hoje – razão mais que suficiente para dedicarmos as linhas anteriores a celebrar as suas origens.

11.02.25

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

O género 'rebenta-bolhas' – aquele em que o ecrã é cheio de bolhas suspensas e agrupadas por cores, e cabe ao jogador 'limpá-lo' lançando outras bolhas da mesma cor a partir da base do ecrã – é, hoje em dia, um dos mais populares, a par de 'Tetris' ou 'Candy Crush', para quem apenas pretende 'matar' alguns minutos durante o intervalo de almoço ou uma sessão de estudo, sem para isso ter de se 'embrenhar' num jogo mais 'a sério'. O que muitos dos que agora acedem a esse tipo de títulos nos seus 'browsers' ou telemóveis não saberão, no entanto, é que o mesmo tem já quase exactamente três décadas de existência, tendo sido concebido pela primeira vez pela companhia japonesa Taito, no Verão de 1994, e invadido o resto do Mundo no início do ano seguinte, após o seu lançamento global em Dezembro.

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Falamos, claro está, de 'Puzzle Bobble' – conhecido nas suas versões 'caseiras' como 'Bust-A-Move' – o lendariamente divertido e viciante jogo de arcada que viria a dar início a uma franquia que perdura até aos dias de hoje (o mais recente título data de 2023) com presença na esmagadora maioria das consolas desde a 'segunda geração' em diante, e que continua a granjear fãs com a sua jogabilidade simples, gráficos e animações coloridas e temas musicais memoráveis. E se essas inúmeras continuações apresentam inovações a nível da estrutura – permitindo, por exemplo, escolher diferentes 'rotas' rumo a um objectivo – ou elenco de personagens, o original continua a provar que uma experiência simples pode ser tão positiva quanto outra mais complexa, oferecendo uma progressão linear através de 99 níveis (mais uma batalha final contra um personagem-chefe), na companhia de dois personagens e de um único tema musical (só no centésimo nível se ouve um segundo), daqueles capazes de imediatamente se 'infiltrarem' no cérebro e lá montarem residência permanente.

Uma de apenas duas faixas musicais do primeiro jogo, que se ouve em 99 dos seus 100 níveis; felizmente, trata-se de um dos melhores temas da História dos jogos 'retro'.

Isto permite que o grande foco da experiência de jogar 'Bust-A-Move' seja mesmo na jogabilidade, a qual consegue a proeza de ser, ao mesmo tempo, fluida, convidativa, e enormemente frustrante, devido ao enorme acréscimo de dificuldade após os primeiros níveis. Nada, no entanto, que afaste o público-alvo, para quem a recompensante sensação de 'resolver' um nível particularmente complicado é motivação mais que suficiente para continuar a jogar e – no caso da versão 'Arcade' – gastar mais uns quantos 'trocos' na máquina, um dos grandes clássicos dos salões de jogos nacionais.

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É, aliás, precisamente esta conjugação de factores que continua a assegurar o sucesso do jogo, e que motivou a criação, ainda no século XX, da primeira e mais famosa das suas sequelas. 'Bust-A-Move 2' (e as respectivas 'Arcade' e 'DX Edition') sairia no Verão de 1996 para PC, PlayStation e Sega Saturn, e dois anos depois para as consolas da Nintendo, e seguiria à risca a fórmula do 'mais e melhor', introduzindo muitas das inovações elencadas mais acima neste texto, bem como novos modos de jogo, sem nunca complicar demasiado o conceito da série ou perder a sua essência ou identidade. Talvez por isso a primeira sequela se tenha revelado um sucesso ainda mais retumbante do que o original, transformando-se num daqueles casos, como 'Street Fighter II', em que uma sequela se torna mais sinónima com uma franquia do que o jogo originário da mesma.

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Com dois sucessos consecutivos 'às costas', não é de admirar que a Taito tenha 'voltado à carga' pouco mais de um ano depois, com o terceiro título a ver pela primeira vez a luz do dia na Europa em 1996 (com o mercado doméstico a receber a primeira versão, para Saturn, um ano depois) e a quarta em 1997 (com a primeira versão 'caseira', para PlayStation, a chegar na Primavera de 1999, cerca de dezoito meses após o lançamento da máquina de arcada, e a última, a única a ser lançada para a 'azarada' Dreamcast, cerca de três anos depois).

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Apesar do relativo sucesso nas consolas, no entanto, nenhuma destas sequelas sequer figurou proeminentemente em qualquer salão de jogos nacional, continuando o original a ser 'rei' indisputado nesse ambiente – estatuto que, aliás, manteve até ao desaparecimento de tais espaços, já no século XXI, altura em que deixara já marca indelével nas memórias nostálgicas de duas gerações de portugueses. Razão mais que suficiente, portanto, para celebrarmos (ainda que já com cerca de dois meses de atraso) o trigésimo aniversário do icónico 'jogo das bolinhas', que tantas moedas tirou a tantos de nós nos tempos de infância e adolescência...

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