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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

15.06.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Qualquer criança ou jovem em idade escolar do Portugal de finais do século XX e inícios do XXI se lembra daquele momento em que, durante uma aula perfeitamente vulgar, o professor ou professora retirava da pasta ou secretária uma resma de papéis em formato A6 (ou ainda menor) e começava a distribuí-los pelas carteiras. O mero vislumbre das ditas-cujas folhas dava, quase de imediato, azo a uma catadupa de emoções, à medida que o jovem em causa tentava adivinhar o teor do que nelas estava escrito, que podia ir de uma autorização para uma visita de estudo (momento de júbilo para qualquer estudante, fosse à época ou nos dias de hoje) a um convite para uma festa da escola, ou ainda informações relativamente a uma reunião de pais (que já causavam sentimentos um pouco mais díspares, dependendo da conduta do aluno) ou à periódica e bem clássica inspecção aos piolhos.

circular 7.jpg

Exemplo moderno de uma típica circular escolar, no caso para informar sobre uma visita de estudo.

Fosse qual fosse o seu conteúdo, o simples acto de levar para casa uma circular (nome genérico para qualquer pedaço de papel de cariz oficial recebido na escola) era, já de si, disruptivo o suficiente para tornar aquele dia marcante – mesmo quando, por vezes, havia um quê de preocupação com o modo como a mesma iria ser recebida em casa - qualquer ex-aluno recordará o terror absoluto de receber uma circular INDIVIDUAL, a convocar APENAS OS SEUS pais para uma reunião com a directora de turma...

Esta tendência para suscitar uma resposta emocional da parte dos alunos foi, aliás, precisamente o que ajudou a fazer das circulares escolares um dos muitos elementos marcantes da infância e juventude de quem frequentou o ensino básico ou secundário em Portugal na era imediatamente anterior ao advento da Internet. Pena, portanto, que hoje em dia todas estas comunicações sejam feitas directamente com os encarregados de educação, por e-mail, e sem necessidade de utilizar o aluno como intermediário – pois a verdade é que as crianças e jovens de hoje em dia jamais conhecerão a sensação de ver um professor tirar aquela resma de papéis de um qualquer canto da sua secretária, e a emoção que tal gesto provocava entre os alunos...

23.03.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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Nós também, miúda...nós também.

Sempre que chegava a Primavera, era certo e sabido – qualquer criança dos anos 90 em idade de instrução primária trazia da escola, na mochila, uma circular a informar os pais de que estava na altura de fazer a inspecção anual para detecção de piolhos e lêndeas.

Não há certezas se esta prática continua a ser comum nas escolas portuguesas (alguém aí que tenha filhos, deixe resposta nos comentários) mas, nos anos 90, a mesma era inescapável. Todos os anos, sem falha, havia alguém na turma que apanhava (ou se pensava ter apanhado) piolhos, e lá tinha a turma toda de levar para casa o tradicional pedaço de papel assinado pela professora, para entregar à mãe.

Esse acto marcava, aliás, o início do não menos inevitável ritual de ficar sentado num banquinho, na casa de banho, cozinha ou até quintal, enquanto cada milímetro do nosso cabelo era cuidadosamente esquadrinhado com um pente para piolhos, para ter a certeza de que nenhum desses nefastos bicharocos lá morava - seguindo-se, se necessário, o tratamento com champô Quitoso, para debelar definitivamente qualquer potencial infestação. O alívio, esse, vinha no fim, quando o teste era passado por mais um ano – ou, pelo menos, até mais alguém na turma aparecer com suspeitas de piolhos...

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O champô Quitoso, parte integrante de muitas infâncias

Numa época em que as comunicações escolares são primariamente feitas por intermédio de portais virtuais, e em que existe um muito maior cuidado com a saúde e a higiene por parte da família média portuguesa, é pouco provável – senão mesmo impossível – que a nova geração portuguesa venha a ter a mesma experiência que os seus pais tiveram, há já mais anos do que parecem; resta, pois, a quem andou na escola primária na década de 90 ou anteriores preservar a memória oral desse verdadeiro ritual de passagem escolar do século XX...

 

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