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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

25.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 25 de Outubro de 2021.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Cavalos, castelos, arco-íris, flores, guloseimas, cores pastel e poderes mágicos benignos – estas são algumas das preferências mais declaradas da maioria das raparigas de uma certa idade, e alguns dos principais elementos a explorar por alguém que deseje dirigir o seu produto a esta faixa etária. Mas e se essa pessoa (ou companhia) desse o passo seguinte, e misturasse TODAS essas coisas num só conceito?

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Foi precisamente isso que a fabricante de brinquedos norte-americana Hasbro decidiu fazer, no início dos anos 80, aquando do lançamento da linha conhecida como My Little Pony (em português, O Meu Pequeno Pónei.) E o resultado, como em seguida veremos, não poderia ter sido melhor, tendo a linha sido um sucesso de vendas tanto no imediato como ao longo dos quarenta (!) anos seguintes.

Nascida a partir de um único brinquedo – um pónei com feições interactivas chamado My Pretty Pony e criado por uma ilustradora e um escultor – a linha Meu Pequeno Pónei teve o seu início oficial em 1982, e começou de imediato a cativar a imaginação de milhares de rapariguinhas, primeiro nos Estados Unidos e depois no resto do Mundo. Com os seus esquemas de cores pastel, olhos grandes, crinas longas e extremamente 'penteáveis' e imagética centrada em temas como flores, doces e arco-íris, estes produtos não poderiam ser uma intersecção mais perfeita dos interesses do seu público-alvo, o que ajuda obviamente a explicar o sucesso de que gozaram logo após o seu lançamento no mercado.

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Um exemplar bastante típico da linha original 

 

Daí até à criação de todo um mundo e mitologia em torno destes cavalinhos 'fofos' foi um pequeno passo, e apenas dois anos após a sua criação, os Pequenos Póneis surgiam nos cinemas, sob a forma de um filme animado. Estava lançado um império que, entre altos e baixos, se conseguiria no entanto manter relevante até aos dias que correm.

Portugal não ficou, como é óbvio, imune a este fenómeno, tendo a linha original de póneis chegado aos escaparates ainda na década de lançamento, e gozado o seu período de maior sucesso entre finais dos anos 80 e meados da década seguinte, altura em que chegou a passar na televisão nacional a série animada nela baseada. À medida que as bonecas se iam sofisticando, e que outros brinquedos iam aparecendo e captando a atenção do público-alvo dos póneis de cores pastel, a linha foi gradualmente decrescendo em popularidade, ainda que nunca tivesse desaparecido totalmente do imaginário infantil feminino.

De facto, a linha provou ser tão popular que conseguiu inclusivamente sobreviver à inevitável transição de gerações, adaptando as suas linhas às preferências das crianças modernas (um pouco à semelhança do que já havia acontecido com as bonecas Barbie, ainda que em menor escala) e conseguindo recuperar uma posição dianteira nas preferências das mesmas, através de uma nova série animada que rapidamente se afirmou como a mais bem sucedida de sempre, com oito temporadas produzidas entre 2010 e 2020, e uma sequela já produzida e inaugurada por intermédio de um filme CGI, já este ano. Há, portanto, que juntar a adaptabilidade e resiliência à lista de características da linha Meu Pequeno Pónei – e com base no que verificou na última década, é de crer que estas qualidades permitam aos cavalinhos da Hasbro manterem-se 'vivos' e relevantes durante pelo menos mais uma década, e conquistar os corações de ainda mais uma geração de crianças, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo.

18.10.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Hoje em dia, os Anos 90 são infames na cultura 'pop' por terem sido a década, por excelência, dos desenhos animados 'fofinhos' – aqueles em que nunca ninguém se magoava, eram todos amigos e aprendiam juntos lições de vida, normalmente 'recicladas' de outros programas semelhantes. Este tipo de série era quase tão comum como os desenhos animados de acção, e tinha como fim expresso servir como antítese aos mesmos, a fim de tentar minorar o seu efeito entre a população jovem; e embora este objectivo nem sempre tivesse sido atingido, a verdade é que este tipo de desenho animado fazia sucesso suficiente para continuar a ser produzido, e exibido lado a lado com as Tartarugas Ninja e Moto-Ratos desta vida. E de entre os muitos (demasiados) exemplos deste fenómeno, destacam-se (pelo menos para as crianças portuguesas) dois: por um lado, os Ursinhos Carinhosos, de quem paulatinamente aqui falaremos, e por outro, o tema do post de hoje – os Pequenos Póneis.

Os leitores mais jovens que tenham acabado de ler a referência acima feita a desenhos animados dos Pequenos Póneis certamente estarão já a pensar na série contemporânea, que fez grande sucesso entre o público adolescente; no entanto, quem é mais velho certamente se terá lembrado, em primeira instância, da tentativa anterior de produzir uma série animada baseada no 'franchise', e que chegou a passar em Portugal na RTP2. E dado o tema deste nosso blog, é mesmo desta última que falaremos.

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Lançada nos EUA em 1992, mas exibida no nosso país apenas três anos mais tarde, 'Histórias dos Pequenos Póneis' (no original, 'My Little Pony Tales') faz jus à descrição que acima fizemos deste tipo de série; todos os elementos estão presentes, das histórias inofensivas aos personagens sempre sorridentes e compreensivos – com excepção, claro está, dos póneis do sexo masculino, que correspondem exactamente ao estereótipo que o público-alvo associa ao mesmo, sendo jocosos e vagamente rufias para com as delico-doces meninas pónei, que nada fazem para justificar tal tratamento. Tudo, portanto, muito simplista, preto-no-branco, politicamente correcto, e muito, MUITO '90s'.

Ainda assim, talvez devido ao sucesso continuado e perpétuo dos brinquedos que tentava vender, a série ganhou tracção suficiente para justificar uma temporada inteira (13 episódios) e até um lançamento em DVD (pela Prisvídeo, quase 15 anos depois da emissão da série em Portugal!) – embora, admitidamente, o seu legado não passe muito daí. Hoje em dia, a série é quase risível de tão 'fofinha', embora seja de prever que não deixe de agradar à demografia equivalente àquela que a acompanhou nos anos 90, ou seja, raparigas em idade pré-escolar e primária – as mesmas que acompanharam, também, a série mais moderna. Para os mais velhos – potencialmente já pais dessas mesmas crianças – fica a memória, ainda que vaga, de uma série que se adorava ou com que se gozava (dependendo do sexo) e cujo elemento mais duradouro foi mesmo a música de abertura...

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