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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

18.05.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

O mês de Maio tem tido, para as crianças e jovens portugueses das últimas décadas, um significado muito especial; isto porque – à excepção do atípico 'ano pandémico' de 2021, em que o mês escolhido foi Outubro - é neste mês que chegam às superfícies comerciais (e, por vezes, companhias privadas) uns simpáticos bicharocos arredondados, de antenas e olhos esbugalhados, prontos a serem levados para casa e a morarem na prateleira.

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Sim, falamos do Pirilampo Mágico, a mascote introduzida pelo grupo de instituições de caridade CERCI (sigla para Cooperativas de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas), em 1987, e cuja venda contribui directamente para ajudar as crianças com deficiências mentais. Originalmente revestido de peluche, e mais recentemente em borracha, o Pirilampo atravessa décadas, séculos, milénios e gerações relativamente imutável – para além do material de revestimento, a maior inovação registada foi mesmo o uso de duas cores, também em anos recentes – e sempre com um público cativo, pronto a adicionar mais um dos bicharocos à sua colecção.

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A versão mais recente do Pirilampo, com o corpo em borracha

Apesar deste carácter mais ou menos 'eterno', no entanto, não há dúvida de que foi na primeira década da sua existência que o Pirilampo teve a sua fase áurea, sendo provável que provenham dese período a maioria das memórias nostálgicas associadas à mascote das CERCI. Quem era de uma certa idade naqueles finais dos anos 80 e início ou meados dos 90 certamente se recordará de, anos depois, abrir uma gaveta e de lá de dentro 'saltar' um Pirilampo, pensado perdido após substituição pelo 'irmão' mais novo; ou talvez a memória seja de uma fila de Pirilampos de diferentes cores alinhados na prateleira, cada um com a característica fita branca com o logo das CERCI a servir-lhe de cauda. Seja qual fôr a lembrança, é quase certo que esta existe, pois havia pouco quem, à época, não adquirisse o bicharoco, senão anualmente, pelo menos com alguma regularidade.

Prova do 'estado de graça' do Pirilampo durante aqueles primeiros dez ou quinze anos era, também, a existência de diversos temas oficiais da campanha, sempre cantados por algumas das principais celebridades nacionais do respectivo ano. Estes temas chegaram, aliás, a sair em disco, primeiro em 1993 (disco que reúne a 'nata' dos grupos vocais infantis portugueses da época, com Ministars, Onda Choc e Popeline a marcarem presença nos três temas da 'cassette', ao lado de nomes como Toy, Paco Bandeira, Dulce Pontes, Marco Paulo ou Carlos Alberto Moniz) depois em 1999 (em que o CD-Single continha, como 'lado B', uma versão em 'rap' do tema, intitulada 'Pirilampo Rap'!) e, finalmente, em 2006, em comemoração antecipada dos vinte anos da campanha; resta saber se, numa altura em que se celebram exactos vinte e cinco anos sobre o nascimento da mascote, voltará a ser distribuído (agora, provavelmente, em 'streaming') alguma nova versão da música oficial da mesma...

Medley de todas as músicas do Pirilampo Mágico, da sua criação até ao ano 2000.

Seja qual fôr o caso, no entanto, é inegável que o Pirilampo Mágico constitui já parte indelével não só da cultura e calendário portugueses, como das memórias de infância de, pelo menos, duas gerações - e, tendo em conta a colaboração com a Microsoft e o Banco Montepio na campanha Building the Future, em 2021, esse paradigma não parece vir a alterar-se nos próximos anos; aos 35 anos, o Pirilampo está vivo, recomenda-se, e continua tão Mágico como sempre...

 

06.03.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

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Um dos primeiros tipos de brinquedo que qualquer criança recebe (e com o qual contacta), normalmente ainda antes de saber falar ou andar, são os animais de peluche. Uma prenda tradicional para bebés até uma certa idade (e, em menor escala, também para crianças um pouco mais velhas e do sexo feminino), trata-se de um brinquedo perene, que atravessa gerações com muito poucas mudanças cosméticas, e raramente sofrendo qualquer decréscimo em popularidade – afinal, qual é a criança que não fica maravilhada perante a visão de um gigantesco animal de peluche maior do que ela? Mesmo os peluches mais pequenos e 'em conta' têm um apelo intemporal, com os seus corpos feitos de material fofo e especialmente concebidos para serem abraçados e acarinhados.

Nos anos 90, este paradigma não era diferente – antes pelo contrário, esta foi a década por excelência dos quartos de menina (e, muitas vezes, também de rapariga mais velha) decorados praticamente à base de bonecas Barbie e peluches dos mais variados tipos, desde os tradicionais ursos ou coelhinhos até às inevitáveis figuras associadas a propriedades intelectuais conhecidas (ou vice versa, ou não fora esta a época dos desenhos animados feitos expressamente para vender brinquedos.) Já os rapazes sonegavam veementemente aqueles bonecos de expressão amigável da sua infância, os quais consideravam não terem lugar em meio aos seus Action Man e Power Rangers; no entanto, a figura certa – normalmente alusiva a um super-herói ou algo semelhante, e de dimensões suficientes para impressionar quaisquer potenciais visitantes – podia, ainda, encontrar um cantinho onde passar o resto dos seus dias, até ser posto na arca alguns anos depois.

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Sad Sam e Honey estiveram entre os peluches mais populares dos anos 90

Tal como acontece com tantos outros produtos que aqui abordamos (como os balões do nosso último post) também os peluches podiam ter as mais diversas proveniências, embora duas se sobrepusessem, em volume e frequência, às restantes: as lojas de brinquedos (ou secções de brinquedos de supermercados e hipermercados), de onde provinham os modelos mais caros e atractivos, e as máquinas de garra, território por excelência dos personagens 'quase-oficiais' e semi-deformados e dos ursinhos de cores estrambólicas. Outras fontes para a obtenção de peluches incluíam promoções de marcas, concursos (nos quais os mesmos serviam como prémio de consolação atractivo o suficiente para justificar a participação) e até certos produtos que os ofereciam como brinde, como foi o caso do detergente Presto com os seus famosos 'glutões'.

Qualquer que fosse a proveniência do boneco, no entanto, era quase certo que um novo peluche seria bem recebido pela maioria das crianças de uma certa idade, independentemente do sexo, bem como por um grande número de raparigas um pouco mais velhas, mas que gostavam de os ter no quarto, na prateleira ou ocupando o 'lugar de honra' junto à almofada da cama. E a verdade é que, apesar dos trinta anos entretanto volvidos (em que muitas dessas crianças tiveram, elas próprias, crianças) a situação não parece ter-se alterado grandemente – um peluche continua a ter potencial para ser o 'melhor amigo' de uma criança pequena, e estamos em crer que há, por esse país afora, muito quem continue a arrastar o seu animal preferido para junto de si para ver episódios da sua série de desenhos animados favorita...

07.07.21

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

…como é o caso das máquinas de ‘garra.’

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Tal como o tema do post anterior, os matraquilhos, as máquinas de ‘garra’ são, ainda, uma visão relativamente frequente, sobretudo no contexto de salões de jogos; no entanto, tal como os seus congéneres abordados na última Quarta de Quase Tudo, estas máquinas têm, gradualmente, vindo a perder a identidade que em tempos tiveram, tornando-se cada vez mais anódinas e anónimas e, como tal, cada vez menos interessantes.

Nos anos 90, no entanto, este tipo de jogo – acessório quase obrigatório em cafés, ‘tascas’ e bares por esse Portugal fora, especialmente na primeira metade da década - era um verdadeiro deleite para quem gostasse de brindes em molde ‘tão mau que é bom’, em particular peluches ‘quase’ oficiais, dos quais a mesma máquina dificilmente teria dois iguais. Qualquer criança dos anos 90 recordará com afeição aqueles ursinhos de cores ‘estrambólicas’, ou os Silvestres, Patos Donald e Super Mários de feições meio ‘tortas’ e tufos de ‘pêlo’ onde os mesmos nunca haviam existido, que, não fazendo esquecer os originais e oficiais, tinham ainda assim aquele charme único dos produtos de cntrafacção. Hoje em dia, este tipo de boneco intemporal foi substituído por réplicas, todas iguais e provavelmente licenciadas, de qualquer que seja a propriedade intelectual ‘da moda’ – o que, apesar de mais honesto e legítimo, não tem o mesmo factor de imprevisibilidade das máquinas dos anos 90.

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Exemplos de máquinas de 'garra' modernas, com peluches oficialmente autorizados

O mesmo, aliás, se passa com os outros brindes encontrados nas versões modernas destes jogos. Embora os produtos electrónicos ‘rafeiros’ ainda abundem entre os prémios possíveis de certas máquinas, conseguir um leitor de mp3 de há 20 anos continua a perder pontos relativamente a ‘sacar’ um relógio de pulso a imitar bom, e uma PSP falsa com um emulador de NES não chega nem aos calcanhares de um Brick Game (que, para ser sincero, era um prémio genuinamente bom, dos melhores que se podiam conseguir neste tipo de máquina).

Enfim, embora o princípio seja o mesmo (e mesmo assim, nem sempre) a verdade é que as versões modernas das máquinas de ‘garra’ ficam a perder, e muito, para as suas congéneres dos anos 90; se não acreditam, basta perguntar a quem já jogou nas duas, e ver as respostas…

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