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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.01.24

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na primeira quadra natalícia deste 'blog', recordámos os brindes (e fava) do bolo-rei, tradição bem-amada de gerações de crianças e jovens portugueses que, já no século XXI, foi descontinuada, alegadamente por razões de saúde pública. Pois bem, o facto é que a interdição de 'esconder' esses dois elementos no bolo-rei parece, na quadra que ora finda, ter sido levantada, dado terem sido vários os registos de brindes e favas registados em bolos-rei comercializados, especificamente, pela cadeia de supermercados Pingo Doce.

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Brindes no mesmo estilo dos oferecidos nos bolos do Pingo Doce.

De facto, embora não fosse o caso com todas as confecções deste tipo disponibilizadas pela cadeia em causa, uma parte significativa dos bolos-rei vendidos pelo Grupo Jerónimo Martins nas Festas de 2023 parecem ter incluído tanto uma fava como uma pequena figura de um rei mago – a qual, apesar de longe da glória dos brindes de outros tempos, não deixou ainda assim de ser uma surpresa agradável para quem não esperava pelo regresso desta tradição.

De ressalvar que, ao contrário do que acontecia nos anos 90, ambos os elementos surgiam devidamente embrulhados em plástico, reduzindo o risco de engolimento acidental e correspondente asfixia – ainda que exista na Internet um registo de uma ocorrência em que os mesmos vinham 'à solta' dentro do bolo, quase causando um incidente deste tipo. Controvérsias à parte, é bom ver o regresso de uma tradição natalícia nostálgica para várias gerações de portugueses, e pronta a criar memórias a muitas outras; assim, e apesar de já passado o Dia de Reis, não podíamos deixar de assinalar esta efeméride, a qual se espera que não tenha sido pontual, e se venha a verificar novamente em Natais futuros.

30.05.21

NOTA: Este post corresponde a Sábado, 29 de Maio de 2021.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

E porque o tempo já vai aquecendo e o sol pede para ser aproveitado, falaremos hoje de um dos grandes ‘rituais’ de infância, tanto nos anos 90 como ainda hoje: a ida ao café.

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Em criança, antes de o nosso sistema ser ‘treinado’ para associar esplanadas e pastelarias ao consumo de café ou cerveja, uma visita a um destes espaços – normalmente na companhia dos pais – significava uma coisa, e uma coisa apenas: um bolo. Podia haver alguns atractivos extra, fossem eles um sumo, uma pastilha elástica ou ‘chupa’, um pacote de batatas fritas ou cigarros de chocolate (quando ainda os havia), uma oportunidade de ajudar os pais com o Totoloto ou Totobola, ou simplesmente um golo do café ou um pouco de espuma da cerveja dos adultos; no entanto, para nós, estes eram apenas complementos para a verdadeira peça central, sem a qual a experiência não ficava completa. Uma criança que estivesse sentada numa esplanada e não tivesse à sua frente um pão de leite, arrufada, queque, bola de Berlim, ‘croissant’, bolo de arroz ou até mesmo um Bollycao, sentia que faltava algo naquele passeio – algo que era, de imediato, sanado, assim que um dos produtos atrás elencados, ou outro equivalente, lhes aparecesse na mesa. Prazeres simples, mas que muitos de nós continuamos a apreciar vinte ou trinta anos depois (por aqui, a perdição é por ‘croissants’ com creme, bolas de Berlim bolo xadrez ou torta de laranja, por esta ordem.)

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Confessem lá - ainda hoje a experiência de ir tomar café não fica completa antes deste momento...

Mais tarde, já adolescentes, a ida ao café tomava toda uma nova dimensão. Uma saída deste tipo era, agora, uma oportunidade de conviver com os amigos e vivenciar a mesma experiência de sempre de uma perspectiva ‘de gente grande’ (quem se esquece da primeira ‘bica’ tomada à frente dos pares?) Os ‘chupas’, batatas fritas, pastilhas, sumos e sobretudo os bolos continuavam presentes (só os cigarros já não eram de chocolate), mas deixava de ser necessário pedir autorização, ou depender da vontade dos adultos sobre quando e onde os comprar. A ida ao café, nos tempos do secundário, era um ritual de passagem à vida adulta, complementar a tantos outros que se experienciavam durante esses anos formativos – e bastante mais prazeroso do que a maioria deles.

Conforme se referiu anteriormente, este não é exactamente um ritual que tenha passado de moda, ou cujas características tenham mudado significativamente desde aquele tempo; não é por isso, no entanto, que ela deve deixar de ser recordada como parte integrante (e marcante) da infância de qualquer criança portuguesa dos anos 90 – ou de outra década qualquer. Fica aqui, assim, a nossa pequena homenagem a uma saída que – tal como a ida ao jardim ou ao parque infantil que relembrámos nas últimas edições desta rubrica – pode a princípio parecer insignificante, mas acaba por se revelar bem merecedora da nostalgia de toda uma geração.

 

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